Descritores do vinho – Mineral

Outro descritor enigmático. Alguns especialistas preferem não o utilizar em suas análises. Afirmam que é um conceito muito sutil e sem um consenso sobre o que vem a ser, exatamente, um vinho mineral.

Levante a mão quem, ainda na infância, não levou um tombo e “comeu terra (e algumas pedrinhas …)”!

O conceito de mineralidade começa neste ponto: aquele gosto terroso, a sensação incômoda do pó de giz da professora riscando o quadro negro, o aroma de terra molhada quando chove, o cheiro curioso da pedra de isqueiro quando acionada e até mesmo a diferente sensação ao se consumir uma ostra.

Mas não fica só nisso. Existem mais referências, por exemplo, num parque de águas minerais: temos águas ferruginosas, outras com diversos sais minerais ou com compostos sulfurosos e até com um pouco de hidrocarbonetos, que produzem o inconfundível aroma de querosene.

Trata-se de um conceito muito amplo e cheio de meandros, trazendo, como um corolário, uma comunicação pouco clara: cada um vai interpretar este “mineral” do seu jeito. Pouco efetivo …

Vinhos com sabores e aromas que nos remetem a estas características são bastante comuns. Entre os vinhos brancos, algumas denominações são a própria definição deste descritor: Chablis, Poiully-Fumé e Riesling.

A mineralidade de um vinho pode ser facilmente associada com o intrigante 5º sabor – Umami: não é doce, salgado, azedo ou amargo. Difícil entender, mas é possível perceber.

Entre os tintos, um bom exemplo são os Malbec argentinos, especialmente os elaborados a partir de vinhedos de grande altitude.

Uma conclusão lógica, mas nem sempre correta, é associar o tipo de solo com esta característica do vinho, nos aproximando da definição do “Terroir”. Não existe uma confirmação desta hipótese. O mais perto que os pesquisadores chegaram mostra um caminho bem interessante: estas especiais características parecem ser o resultado da presença de alguns micróbios (no solo) e de leveduras típicas de cada região.

Ainda há muito que pesquisar e descobrir.

Saúde e bons vinhos!

CRÉDITOS:

Foto de abertura por Matthew Henry para o Burst

2 Comments

  1. Berti

    Prezado Tuty
    Uma aula! Parabéns.

  2. José Paulo Gils

    Mestre Tuty, Parabéns como sempre brilhante. Aprendi e como valeu este artigo para fixar o meu conhecimento , na mineralidade nos vinhos.

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