A coluna desta semana

Uma casta, um vinho: Garnacha

29 de outubro de 2026 · por Tuty · Comente

Os espanhóis a chamam de Garnacha, os franceses de Grenache e, na Sardenha, os italianos a chamam de Cannonau.

Além disso, há uma interessante disputa sobre suas origens. A corrente mais aceita alega que a varietal tem raiz espanhola. Além da versão tinta, somente na Espanha existem as mutações branca, gris e a de folha peluda.

No lado italiano, alguns argumentos são consistentes, como a hipótese de que esta casta teria sido levada da Sardenha para a Espanha pelos antigos colonizadores.

Na França, tornou‑se uma das castas‑chave do corte GSM (Grenache, Syrah, Mourvèdre), típico da região do Vale do Rio Ródano. Também compõe o corte de várias castas que dão vida ao vinho Châteauneuf‑du‑Pape.

A Garnacha vem sendo cultivada em diversos países — Austrália, Estados Unidos, Croácia, Argentina e Chile, só para citar alguns. Na França, é a segunda casta mais plantada, ficando atrás da Merlot.

A popularidade desta casta entre produtores de vinho tem razões bem fundamentadas. É uma das poucas uvas que conseguem combinar uma série de qualidades importantes: boa adaptação a regiões de clima quente, taninos elegantes, boa expressão de frutas vermelhas e ótima capacidade de envelhecimento.

Seus vinhos traduzem muito bem o terroir onde estão plantados. Apresentam corpo robusto, coloração média, aromas intensos de frutas silvestres, ameixas, notas florais sutis, especiarias e um toque terroso/mineral. No paladar, são sedosos e envolventes, com boa acidez, taninos finos e carvalho bem integrado, resultando em um final saboroso.

Para representá-la, escolhemos um vinho chileno:

Garage Wines Bagual Vineyard – Garnacha

Este vinho é elaborado com uvas de vinhedos centenários, cultivados nas margens do Rio Perquilauquén, região do Maule, a partir de um clone trazido da Catalunha.

Apresenta coloração rubi intensa e escura e corpo médio. Aromas de frutas silvestres, ameixa, notas florais sutis, especiarias e um toque terroso/mineral. No paladar tem boa acidez, taninos finos e carvalho bem integrado com final saboroso.

Ideal com carnes vermelhas, carnes de caça, cordeiro assado e queijos duros.

Saúde!

CRÉDITOS: Foto obtida no site Pinhal da Torre

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Quem escreve

João Carlos Pinheiro, o Tuty

Enófilo estudioso e Barista, Tuty expandiu seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Dá aulas, palestras e organiza almoços e jantares harmonizados.

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