
A história do vinho é muito antiga e cheia de interessantes capítulos. Começa a mais de 8.000 anos, segundo as pesquisas atuais. Mais antiga do que ela, só a da cerveja, reconhecida como a primeira bebida alcoólica fermentada.
Em comum, apenas o fato que ambas teriam sido descobertas acidentalmente.
Para o vinho existir como ele é hoje, o primeiro passo foi domesticar a uva, que era uma fruta selvagem (Sylvestris). Em termos simples, isto significava compreender o seu ciclo de frutificação, a melhor forma de plantar, reproduzir, selecionar os melhores frutos, enfim, o manejo completo.
Após a descoberta da bebida resultante de uvas naturalmente fermentadas, que haviam sido deixadas ao relento, começou um novo capítulo: o que seria necessário para produzir, de forma sistemática, esta nova delícia?
Parte do conhecimento empírico utilizado na produção da cerveja e do pão certamente colaborou neste segundo passo. A arte da fermentação, não era um mistério.
Uma vez popularizada, era necessário criar um nome para esta nova forma de prazer líquido.
A origem mais aceita atualmente tem origem na Georgia, onde foram encontrados os lagares de vinho mais antigos. Ali produziam o “gvino”, ou simplesmente “bebida fermentada”.
Estudos etimológicos indicam que esta denominação, combinada com uma série de palavras semelhantes usadas em diferentes idiomas comuns na Ásia Menor, acabariam desaguando no Grego (oinos) e no Latim (vinum). Destes surgiram no português o prefixo “eno” e a palavra “vinho”.
Depois desta aventura, que continua desenrolando, a uva deixa de ser “sylvestris” e ganha um novo apelido: “vitis vinifera”, ou as uvas que produziam o vinho.
E isto é muito importante.
Neste ponto desta saga, é necessário estabelecer alguns parâmetros. O continente americano ainda não havia sido descoberto. O mundo conhecido naquele tempo se resumia ao que hoje denominamos Europa e Ásia. Portanto, as “vitis vinifera” seriam, obrigatoriamente, as uvas cultivadas naquelas regiões.
Este vinho foi sendo aprimorado paulatinamente. Algumas castas entregavam melhores resultados, levando os produtores a pesquisarem o que as faziam diferentes. Passaram a buscar características ideais como índices de açúcar, acidez e tanino, além de observar o rendimento no campo. Estava aberto o caminho para um subgrupo hoje denominado “castas nobres”.
Após a descoberta do continente americano e sua colonização, novas “vitis” foram encontradas, ainda selvagens e, novamente, domesticadas. Eram diferentes das nobres “vinifera”. Este novo grupo de espécies foi denominado genericamente como “uvas americanas”. O principal tipo é a “vitis labrusca”.
São muito apreciadas como uvas de mesa ou para a produção de sucos. Mas, para a produção de vinhos, suas características não atingiam os padrões consagrados, exigindo uma série de intervenções exógenas, por exemplo, adição de açúcar (chaptalização), para se obter um teor alcoólico aceitável, entre outras.
Por terem sabores fortes e marcantes, algumas características dos vinhos elaborados com estas castas podem incomodar um enófilo mais dedicado. O retrogosto é um deles, muito intenso e duradouro, dificultando a apreciação de outros vinhos ou alimentos.
Fica a eterna pergunta: podemos chamar de vinho as bebidas elaboradas com estas uvas ou com outras frutas?
Tudo vai depender da legislação de cada país produtor. Na Comunidade Europeia a legislação reconhece o vinho de frutas, mas o consumidor, muito conservador, não aceita facilmente. Aqui no Brasil, podem ser vendidos como “vinho de mesa”.
Nem todos os países produzem uvas. É uma planta que exige algumas condições para o seu cultivo. Mas é possível encontrar vinhos de outras frutas ao redor do mundo: vinho de banana (Tenerife), vinho de maçã ou sidra (vários países), vinho de morango (Andaluzia), vinho de jabuticaba (Brasil), vinho de abacaxi (Nigéria, Havaí e Japão), vinho de ameixa (China e Japão), vinho de cereja (Dinamarca), vinho de framboesa (Canadá) e na Suécia existe o vinho de amora.
A decisão, se essas bebidas são um vinho ou não, cabe ao consumidor, embora exista uma regulação burocrática.
Muitos brasileiros, principalmente as mulheres, tem uma maior dificuldade em apreciar os bons tintos por conta da forma como os primeiros vinhos, de uvas americanas, eram comercializados: Rascante ou Suave.
O tipo suave sempre foi o campeão de vendas, o que pode explicar a tendência dos brasileiros em preferir tintos “demi-sec” e brancos da uva Moscatel.
Algumas curiosidades:
A tentativa de cultivar uvas americanas, na Europa, resultou na famosa praga da Filoxera que dizimou quase todos os vinhedos do velho mundo.
Por outro lado, as raízes das uvas americanas passaram a servir de “cavalo” para a enxertia das uvas viníferas, salvando estas espécies da temível praga. As “americanas” eram mais robustas e imunes ao devastador inseto.
Ainda existem vinhedos em “pé franco” (sem enxertia). Portugal, Chile e Argentina se destacam.
Como não poderia ser de outra forma, no nosso país os vinhos “de mesa” sempre foram os campeões de vendas, mesmo quando criavam nomes para as uvas, como “Bordô”, numa nítida tentativa de vender gato por lebre. Típico…
Para um expressivo grupo de pesquisadores, só existem dois tipos de bebidas alcoólicas: as cervejas e os destilados.
Sendo assim, o nosso querido vinho, seja do que for, se torna mais uma “cerva”.
Saúde!
Dica da Sandra Cordeiro: Mandrarossa Merlot 2021
O vinho da semana é italiano da Sicília, produzido pela Cantine Settesoli, cooperativa fundada em 1958, hoje tem mais de 2000 membros, produz a maior variedade de uvas da Sicília. Possui 36 cultivares que correspondem a 6000 hectares vinhedos, e 7% da área vitivinícola da ilha.
1000 desses hectares são dedicados ao cultivo orgânico, adotando os conceitos de comunidade, união e cooperação, juntamente ao crescimento, uso correto e econômico da energia, preservação da natureza e sustentabilidade.
Em 2014, recebeu o Prêmio Ecofriendly da Vinubuoni d`Italia em colaboração com a Verallia-Saint Gobain pelo compromisso verde.
A Settesoli tem o foco na qualidade dos seus vinhos, e foi uma das pioneiras a investir na própria linha de engarrafamento e exportação, numa época em que a vitivinicultura siciliana era basicamente voltada para a venda de vinho a granel.

O Mandrarossa Merlot, faz parte de um projeto, uma marca de vinho 100% siciliana, que nos proporciona conhecer a expressão autêntica da biodiversidade da ilha. Foi lançada em 1999, após um longo e minucioso estudo de 20 anos, o qual permitiu a identificação das melhores combinações casta/terroir: o habitat ideal onde cada casta consiga exprimir ao máximo todo o seu potencial.
Mandrarossa Merlot DOC é produzido com 100% da casta Merlot que tem origem em Bordeaux, na França. É vinificado em cubas de inox, e ao fim da vinificação descansa por 8 meses também em tanques de inox. Tem coloração vermelho rubi, teor alcoólico de 13,5%, traz aromas intensos e persistentes de frutos vermelhos e negros, como ameixa, amoras, aromas vegetais de ervas aromáticas como tomilho e alecrim, e de aspargos.
É um vinho seco, apresenta taninos macios, é equilibrado, acidez trazendo frescor na medida certa, e estrutura para conseguir evoluir por mais alguns anos, mas está ótimo para ser bebido agora, na boca é intenso, e persistente. Tem um final de boca longo e saboroso, frutado, e especiado, lembrando amoras, ameixas, alcaçuz e ainda um toque vegetal sutil e agradável.
Combina perfeitamente com queijos de massa dura, sem excesso de sal, massas racheadas com carnes, com molhos vermelhos e molhos de carne, carnes vermelhas, carnes de caça.
Importado e comercializado pela OCAM Vinhos: https://www.ocamvinhos.com.br
@ocamvinhos.com.br
Valor da garrafa em 02/2026 — R$ 158,00
Frete grátis para a cidade do Rio de janeiro para compras acima de R$ 300,00
Tim Tim
CRÉDITOS: Foto de abertura por Rohit Tandon no StockSnap







