Uma Copa do Mundo entre castas e vinhos

No Brasil, a Copa do Mundo de Futebol é um grande evento, aguardado com muita ansiedade por todos os amantes do Esporte Bretão.

Quem não sonha com o “Hexa”? Mas cá entre nós, com estes timinhos que andam chamando de seleção brasileira, sei não…

Num exercício lúdico, resolvemos imaginar outra Copa do Mundo, uma disputa entre castas, vinhos e suas regiões produtoras.

Fazendo um paralelo direto com a competição futebolística, já de saída, o número de participantes seria bem menor.

Entre as 48 seleções que vão participar deste torneio, em 2026, poucos países tem tradição conhecida na produção de vinhos. Infelizmente, dois grandes produtores, a Itália e Chile, não conseguiram se classificar.

Mas eles vão entrar em campo, na nossa fantasia, com França, Portugal, Espanha, Alemanha, Áustria, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Uruguai, Brasil e Estados Unidos.

Cada país deve ser representado por um craque/casta e a melhor região produtora. A regra limita a participação aos vinhos monocasta. Isto tira da jogada os vários tipos de cortes, como os de Bordeaux, Rhone, etc.

Alguns apreciadores destes vinhos podem protestar, mas, plagiando o Arnaldo Cezar Coelho, “a regra é clara”.

Aqui estão algumas sugestões de participantes. Cada leitor, que decidir entrar neste jogo, pode fazer suas próprias regras.

A Itália entraria em campo com a clássica Sangiovese, vinificada num delicioso Brunello di Montalcino ou, quem sabe, com a Nebbiolo vestida num excelente Barolo.

E agora? Só chamando o “Ancelotti” para resolver quem ele indicaria!

Na França a dificuldade não seria menor. Bordeaux e seus maravilhosos cortes com Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot e outras já estão fora da regra, apesar dos veementes protestos nas duas margens do Garrone.

Da Borgonha poderíamos selecionar a dobradinha Pinot Noir x Romanée Conti, mesmo sob as vaias e ameaças de greve vinda das castas de Champanhe e até mesmo da dupla Gamay x Beaujolais.

Só o Pres. Macron para resolver isto.

Para Portugal, escolheríamos um belo tinto duriense, 100% Touriga Nacional. Dão, Alentejo e Minho vão levantar a voz, mas rapidamente se curvariam ante a esmagadora realidade.

A torcida do Porto, campeão nacional, vai aplaudir de pé.

Quase o mesmo acontece com a Espanha. A melhor jogada seria a Tempranillo, vinificada na Rioja. Poderia haver algum protesto vindo da Catalunha. Mas Cava joga em trio. Estão fora da regra.

Alemanha é a famosa “pule de 10” com a Riesling e o Reno. Áustria e a Grüner Veltliner das encostas do Danúbio, não dá chance para mais ninguém.

Se o jogo fosse de xadrez, as brancas ganhavam de lavada.

No grupo seguinte vamos encontrar castas e vinhos muito interessantes e fáceis de selecionar.

Da África do Sul a pedida seria um Pinotage da região de Stellenbosch. Não tem “mi mi mi” e nem “vuvuzela”.

A Austrália entraria em campo com um dos seus fabulosos Syrah do Barossa Valley e a Nova Zelândia viria de Sauvignon Blanc, da região de Marlborough.

O povo, muito civilizado, agradece e degusta.

Malbec de Mendoza representaria a Argentina, como é de praxe. Da mesma forma o Tannat Uruguaio, de Canelones e o Carménère chileno, do Vale Central, receberiam suas indicações sem maiores delongas.

Poderia haver algum “chororô”, típico da nossa latinidade.

Enquanto isso, para escalar os EUA a escolha seria um Cabernet Sauvignon de Napa Valley.

Estes concorrentes são muito fortes.

Restou o nosso país.

Novamente, vários craques estão disponíveis: Merlot, Syrah de colheita de inverno, espumantes elaborados com castas pouco comuns como Moscatel, Riesling Itálico e outras.

Mas não podemos negar a grande influência da colonização italiana no sul do país. Sem eles, não teríamos vinho. Para homenageá-los, a uva que deveria nos representar é a Peverella, originária da região do Vêneto. Aqui, produz alguns dos melhores vinhos laranja do planeta. A região é o Vale dos Vinhedos.

Craque desconhecido? Azarão? Quem sabe?

Talvez tenha chegado o momento de apostarmos em coisas fora do comum.

Para jogar esta copa e eleger um campeão, é fácil.

Junte os amigos, escolham os times que vão jogar, providenciem uns acepipes e liguem a TV.

Depois, façam como Napoleão: Na derrota, abram um vinho para se consolarem. Na vitória, abram outro, para comemorar.

Creio que cada um dos leitores vai entregar a sua taça de campeão para diferentes competidores. A grande farra aqui é que podem existir múltiplos ganhadores. Tudo muito democrático.

Em tempo: um curioso protesto chegou da França, alegando que “muitas destas uvas, que representam outros países, são minhas”!

Como negar?

Saúde!

CRÉDITOS: imagem criada pelo ChatGPT

Dica da Sandra Cordeiro: Marzarotto Pleno Cabernet Franc

E viva o Brasil!

Já que estamos falando em copa do mundo e está friozinho, vamos reforçar a torcida indicando mais um Brasuca tinto para aquecer os corações.

Hoje vamos falar sobre o Marzarotto Pleno Cabernet Franc.

A Marzarotto Vinhas e Vinhos é uma vinícola butique na Serra Gaúcha, mais especificamente em Nova Pádua, que com Flores da Cunha forma a IP Altos Montes.

Fundada e dirigida por Janaína Massaroto, a primeira enóloga brasileira a capitanear sua própria vinícola, produz vinhos e espumantes exclusivos de qualidade indiscutível, sempre com muito carinho e dedicação.

Descendente de italianos, filha de enólogo, sempre viveu em ambiente onde o vinho fazia parte do dia a dia. Quando ainda era muito jovem foi rainha da festa da uva de Flores da Cunha. Tomou para si a missão de divulgar e proteger esse legado de seus antepassados para as novas gerações. Janaína não mede esforços para divulgar o vinho nacional e, obviamente, os da IP Altos Montes e os seus próprios, que ela diz serem seus filhos.

Para Janaína o vinho é o centro das celebrações e dos encontros, então vamos aos nossos encontros degustando esta delícia, que ela produz com muito carinho e esmero para nosso deleite.

O Pleno Cabernet Franc é produzido com uvas selecionadas vindas de Pinheiro Machado, Serra do Sudeste – RS, terroir muito propício para a produção de uvas viníferas de excelente qualidade, que se transformam em vinhos frutados e aromáticos.

Elaborado de forma clássica, utiliza leveduras selecionadas, e passa 120 dias em carvalho francês, que lhe agrega estilo domando seus taninos, proporcionando maciez e personalidade.

As uvas são selecionadas manualmente e totalmente desengaçadas, passam por maceração pelicular a frio por cinco dias, fermentação alcoólica com temperatura controlada, fermentação malolática, estabilização, filtração e envase.

Visual: Vermelho rubi intenso, límpido e brilhante.

Olfato: Aromas intensos de frutos vermelhos e negros, pimenta preta moída na hora, menta e especiarias.

Paladar: Intenso e persistente, saboroso, frutado, especiado, certa picância, corpo médio, taninos presentes e macios, equilíbrio entre taninos, acidez e alcoolicidade. Harmonização:  Vai muito bem com os bons encontros, com bons amigos, boa comida, boa ocasião, do jeito que você preferir. Para uma experiência mais completa vamos para algumas sugestões, carnes vermelhas como contrafilé, cordeiro, vitela, vai muito bem também com arroz de pato, codorna recheada, o nosso bom e amado churrasco, massas com molhos vermelhos, e queijos de sabor intenso, enfim desfrute o vinho e principalmente seus momentos.
Tim Tim!

Onde encontrar? Na OCAM Vinhos

Preço: R$ 129,00

Entrega em até 48h na cidade RJ e Niterói.

Compre mais R$ 300 para receber frete grátis.

Bora de Brasuca pessoal?

A tal “Taxa de Rolha”

Estamos abordando este tema, mais uma vez, motivados pelo recente “imbróglio” envolvendo uma “celebridade” e um dos restaurantes mais caros da cidade do Rio de Janeiro. Tudo girando em torno da cobrança desta taxa, considerada, neste caso, como abusiva e indevida.

O episódio descambou para agressões verbais e físicas, envolvendo outros clientes do restaurante e acabando numa delegacia de polícia, para a alegria da imprensa e dos que buscam seus quinze minutos de fama nas redes sociais.

Muito foi dito e escrito, dificultando encontrar uma fonte confiável. Existem diversas versões sobre este caso, algumas nitidamente conflitantes.

Salvo melhor juízo, o personagem central desta trama teria levado, ao restaurante, sete garrafas de vinho, das quais cinco teriam sido consumidas. Ele é um cliente assíduo daquele estabelecimento e conhece as regras da casa: taxa de rolha de R$ 100, 00 (cem reais) por garrafa trazida e consumida.

Total: R$ 500,00 (quinhentos reais). A conta teria somado R$ 7.000,00 (sete mil reais)

Algum jornal publicou um bom artigo sobre o fato, utilizando o título “Restaurante não é instituição filantrópica”, ao qual acrescentaríamos, “nem ser celebridade é garantia de gratuidade ou cortesias por parte da casa”.

Somos consumidores e membros de algumas confrarias que, há muito tempo, promovem reuniões em diversos restaurantes desta cidade sem nunca passarmos por situações semelhantes. Na nossa visão, o escabroso final deste episódio nada mais foi que uma explosiva mistura de pouca cultura, falta de educação e boas maneiras, além de pura ganância.

Segundo declarações de diversos profissionais do ramo, a tal taxa de rolha existe para cobrir “custos do serviço do vinho, entre eles, o treinamento de funcionários, quebra de taças, material específico e uma compensação pelo vinho da carta não consumido”.

Um Sommelier, envolvido no episódio, chegou a sugerir que “parte da taxa de rolha serviria como subsídio ao custo de alguns dos pratos mais caros do menu, para não ficarem excessivos”.

Se isto for verdade, é melhor encerrar o negócio: não vai dar certo.

Não existe uma regra clara sobre como esta taxa deve ser cobrada e nem uma finalidade realmente objetiva. A equipe do salão já e devidamente treinada e o restaurante deve ter o equipamento necessário para servir os vinhos de sua adega. Logo, parte da explicação sobre a “rolha” é bastante questionável.

Na maioria dos restaurantes que frequentamos, ela nunca é mencionada nos cardápios ou cartas de vinho, algo que deveria ser padrão. Para descobrir este misterioso valor, temos que perguntar.

Mesmo assim já ocorreu, mais de uma vez que, cientes do valor, ao chegarmos no local a “taxa” muda, com desculpas como “este é um vinho muito caro”. Em linguagem simples, a taxa varia conforme o “otário” da vez.

Há um corolário simples para este teorema: se o estabelecimento não respeita seu cliente, a reação pode ser oposta e de mesma intensidade.

Olhando a parte contábil desta história, fiquem sabendo que o valor arrecadado com a taxa de rolha entra para o reparte da “caixinha” do dia. Todos ganham o seu quinhão. Na conta, ela é cobrada como mais um item de consumo e, claro, a taxa de serviço (gorjeta) incide sobre ela, também.

Pera aí!

A taxa de rolha não era uma compensação sobre o serviço do vinho? E sobre ela incide outra taxa de serviço?

Há algo de podre no Reino da Dinamarca…

Sobre esta segunda taxa, que deveria ser opcional e sugerida como 10% do valor total, desde a pandemia e com a desculpa de repor perdas, alguns restaurantes, malandramente, já estão cobrando 17% sobre o total.

Voltar ao que era, jamais!

Enófilos tem prazer em comprar, guardar e degustar seus preciosos vinhos. Quando decidem levar um de seus rótulos a um restaurante, este gesto deveria ser visto como uma deferência. Mas, algumas regras devem ser cumpridas:

1 – Perguntem sempre pela taxa de rolha antes de levarem seus vinhos;

2 – Nunca levem um vinho que consta da carta do local escolhido;

3 – Jamais levem um vinho “barato”;

4 – Se acharem abusivo o valor cobrado, deixem isto claro. Não frequentem o restaurante em questão ou negociem uma alternativa;

5 – As alternativas mais comuns são: consumir drinques da casa, um espumante ou outro vinho da carta;

6 – Não aceite cobrança de taxa de serviço sobre a taxa de rolha;

7 – Se não houver taxa de rolha, habituem-se a gratificar quem fez o serviço do vinho, separadamente. É de boa praxe, caso seja um vinho “top”, oferecer uma prova para o Sommelier.

Uma última observação: se as cartas de vinhos fossem bem elaboradas e os preços cobrados fossem justos, levar um vinho pode deixar de ser interessante.

Pensem nisso, senhores “restaurateurs”.

Saúde!

CRÉDITOS: imagem criada pelo ChatGPT

Dica da Sandra Cordeiro: Don Abel Tannat

Chega de polêmica, vamos ao que mais interessa, o nosso vinho da semana:

Hoje vou indicar um vinho de um produtor brasileiro que tem uma bela reputação, pela sua dedicação, paixão e pela qualidade de seus vinhos, estou falando da Vinícola Dom Abel.

Os vinhedos começaram a ser implantados no ano de 1999, mas a vinícola foi efetivamente fundada em 2005, por Sérgio de Bastiani que a lidera desde sempre. Sérgio tem como norte a atenção aos detalhes visando alcançar a excelência. Hoje é uma das vinícolas brasileiras que se tornou indicador de qualidade e das muitas possibilidades que se pode vislumbrar na produção de vinhos em nosso país.

O nome Don Abel é uma homenagem ao avô de Sérgio, Abel de Bastiani neto de imigrantes italianos que se instalaram na serra Gaúcha durante o período do movimento migratório italiano para o Brasil. Tinha o hábito do consumo diário de vinho, inspirando Sérgio no caminho da vitivinicultura.

Com produção anual de menos de 50.000 garrafas, a vinícola se encontra na Serra Gaúcha, numa pequena cidade chamada de Casca, às margens da Rota 342, que dá nome ao seu vinho icônico, mas hoje não será ele a indicação.

Combinando a produção artesanal com a tecnologia de ponta a Don Abel produz vinhos únicos de muita qualidade e personalidade, premiados no Brasil e no mundo.

Assim é o Don Tannat, minha indicação de hoje:

Vinho bem estruturado, persistente, equilibrado, taninos macios e muito presentes, encorpado, aromas e sabores marcantes de frutos negros maduros, tabaco e especiarias, é um vinho complexo, acidez na medida para trazer elegância e garantir o potencial de guarda pelo menos até 2030. As uvas veem do Alto Uruguai, melhor terroir brasileiro para a Tannat. Produção limitada de 2.000 com garrafas numeradas.

Uvas: 100% Tannat

Estágio: 6 meses barricas de carvalho francês.

Corpo: Encorpado Álcool: 13,5%

Visual: Vermelho violáceo de alta intensidade.

Olfativo: Intenso, complexo e persistente, frutas negras maduras, tabaco e especiarias.

Gustativo: Vinho potente, encorpado, equilibrado, taninos macios e acidez em equilíbrio para um tinto potente de guarda, intenso e persistente.

Harmonização: Este vinho exige pratos de boa estrutura, queijos maduros, carnes vermelhas gordurosas, cordeiro e carnes de caça.

Se aerado no decantador por 30 a 45 minutos, fica ainda mais exuberante.

Tim Tim!

Onde encontrar? Na OCAM Vinhos.

Preço: R$ 198,00, com entrega grátis para a cidade do Rio a partir de R$ 300,00

Presentes para uma mãe Enófila

O Dia das Mães foi uma data oficializada no Brasil em 1932, pelo Pres. Getúlio Vargas. Sua comemoração ocorre, sempre, no segundo domingo de mês de maio.

Presenteá-las é mais que uma obrigação.

Talvez o melhor presente para nossas mães, avós ou esposas, é sermos autênticos. Querendo, ou não, fomos criados e moldados por elas.

O complicado é fugir do óbvio. Existe uma série de presentes que quase vem com uma inscrição padrão: “perfeito para o Dia das Mães”.

Com um pouco de criatividade, podemos partir destes consagrados padrões e inventar algo diferente e divertido.

O manjado buquê com doze rosas é um clássico. Que tal dar um incrementada e presentear uma bela garrafa de espumante, ou mesmo um Champanhe, acompanhado das rosas?

Querem ser mais originais?

Presenteiem uma dúzia de garrafinhas de espumantes rosado e as flores (procure em sites de compras na Internet). Para um toque mais especial, acrescente umas taças.

Mães são territoriais, principalmente quando o assunto são os filhos. Um presente como este sugere uma exclusividade, muito apreciada por elas.

Outro clássico é a caixa de chocolates. Que tal oferecer uma garrafa de Vinho do Porto, fazendo par com este mimo?

Há várias outras possibilidades dentro deste mesmo tema. Novamente, o uso de meias garrafas pode ser aproveitado aqui, também: um Ruby e um Tawny.

Quanto aos chocolates, prefiram os classificados como “gourmet”, elaborados por chocolatiers modernos e atuais. Prefiram os sabores mais amargos ou com recheios menos doces. Harmonizam melhor.

A terceira sugestão é um pouco mais elaborada: uma cesta de queijos e vinhos.

As boas delicatessens de nossas cidades certamente podem montar presentes dentro deste tema: 3 ou 4 queijos; torradas; alguma pastinha mais neutra e uma garrafa de bom vinho.

A grande curtição é montarmos as nossas cestas. Comecem com dois bons vinhos, um branco e um tinto. Se quiserem exagerar, acrescentem um espumante ou um vinho de sobremesa. Podem ser em meia garrafa.

Quanto aos queijos, o Brasil é um dos campeões mundiais desta iguaria. Produzimos uma variedade enlouquecedora, todos deliciosos. Alguns exemplos: Canastra, Serro, Parmesão de Alagoa, Morro Azul, Lua Cheia, Azul de Minas e muitos outros.

Façam suas próprias torradinhas além de uma pastinha, batendo queijo Cottage, salsinha, iogurte para dar o ponto e temperos.

Muitas outras possibilidades podem ser criadas a partir destas três ideias. Basta acrescentar um bom vinho, no estilo que a mãe Enófila aprecia. Se for um que ela não conheça, melhor ainda.

Sucesso!

CRÉDITOS: Imagem de Magnific

Dica da Sandra Cordeiro para mães Enófilas:

Embora já tenha falado sobre o Adolfo lona em uma dica anterior, voltarei a falar sobre seu trabalho de mais de 50 anos de dedicação à produção de excelentes vinhos na Serra Gaúcha.

Adolfo, que produz vinhos tranquilos e espumantes com maestria, é uma grande referência para a nova geração de enólogos atuantes no país, principalmente quando se fala em espumantes, sua especialidade.

Argentino, radicado a mais de 50 anos no Brasil, veio para cá em 1973 a convite da Martini & Rossi para liderar a equipe técnica da empresa. O objetivo era consolidar a produção de vinhos de qualidade na Serra Gaúcha, como os conhecidos espumantes De Greville, além dos vinhos Chateau Duvalier e Baron de Lantier, que fizeram muito sucesso em todo o país.

Lona esteve à frente da enologia da Martini & Rossi por 31 anos, saindo em 2024 para fundar seu próprio projeto, a Vinícola Adolfo Lona, com o foco na produção de espumantes artesanais.

E como estamos em período de comemorar nossas mães, nada melhor que um bom espumante para agradá-las, e para combinar com a grande variedade de iguarias que invadem nossas mesas nestes dias. Afinal, os espumantes são verdadeiros coringas no jogo da boa harmonização.

A sugestão é o espumante Adolfo Lona Brut Tradicional.

Foi considerado o Melhor Espumante Brut tradicional do Brasil na Grande Prova de Vinhos do Brasil 2025.

Dito isto, vamos às características do nosso escolhido?

O Adolfo Lona Brut tradicional estagiou por 24 meses sobre as borras das leveduras, o que nos proporcionou um espumante complexo, de linda cor dourada pálida, perfeito equilíbrio entre sabores, aromas, acidez, maciez, cremosidade e borbulhas finíssimas e abundantes e persistentes.

Aromas e sabores a frutos cítricos de maça verde, pêssego, e panificação, é muito cremoso e persistente. Ideal para um bom brinde e para acompanhar aperitivos, pratos quentes e frios a base de peixes e de carnes brancas, saladas variadas. Ótimo com a maioria dos queijos e ainda sugiro que tentem com uma boa feijoada, que eu amo.

No site da OCAM vinhos custa R$ 179,00, com entrega grátis na cidade do Rio de Janeiro, para compras a partir de R$ 300,00.

FICHA TÉCNICA:
Método: Tradicional ou Champenoise.
Total ciclo: 24 meses.
Açúcares totais: 8 gramas por litro.
Teor alcoólico: 12,8%
UVAS: Chardonnay e Pinot Noir

Porque vinhos de corte

Há quem prefira os varietais, outros preferem os vinhos de corte. Justiça seja feita, alguns dos vinhos mais famosos e desejados são elaborados com, pelo menos, duas castas, ou mais.

O “corte bordalês”, talvez seja o mais famoso de todos. Define, por assim dizer, como deve ser um vinho daquela região, dividida pelo rio Garona. Na margem esquerda predomina a Cabernet Sauvignon. Na margem oposta, a Merlot reina.

Outra região francesa de enorme importância é o vale do rio Ródano, origem do “GSM”, abreviatura para um não menos famoso “assemblage” de Garnacha, Syrah e Mourvedre. Na parte sul deste vale elaboram um vinho espetacular, vinificando uma complexa mistura que pode conter 13 castas diferentes, entre tintas e brancas: Châteauneuf-du-Pape.

Na vizinha Itália vamos encontrar cortes clássicos como o toscano Chianti (Sangiovese, Canaiolo, Colorino), ou o sofisticado Amarone della Valpolicella, na região do Vêneto (Corvina, Rondinella, Molinara).

O Champanhe, talvez o mais celebrado estilo de vinho, sempre foi um corte. As castas mais comuns são a Chardonnay, a Pinot Noir e a Pinot Meunier, vinificadas em branco.

Pelo menos mais dois vinhos merecem destaques: Porto e Jerez, obtidos por meio de elaborados cortes, sem que isto esgote esta lista.

Do ponto de vista enológico, não se trata de uma disputa, entre blends e varietais, para saber quem é o melhor, mas de encontrar soluções para manter um nível de qualidade, quando se sabe que a matéria-prima, a uva, é sazonal. Numa safra pode estar perfeita e na seguinte não conseguir produzir grandes vinhos.

Esta é a principal ideia por trás dos cortes: garantir uma a qualidade homogênea do produto. É a grande ferramenta que os enólogos dispõem, para obter maior complexidade e equilíbrio, corrigir pequenos defeito e atender demandas específicas do mercado.

Não pensem que é fácil elaborar um “blend” de qualidade. Inúmeros caminhos podem ser trilhados e, alguns deles, como os “field blends”, vinhedos com diversas castas plantadas juntas, comum em Portugal, podem exigir muita dedicação de mão de obra para resultar num bom vinho.

A foto que ilustra este texto mostra uma das formas mais simples de se elaborar um corte: dosar diferentes vinificações, que podem ser de várias castas ou safras diversas de uma só casta.

Tudo vai ser baseado em múltiplas dosagens e provas. Vinhos icônicos, como o chileno Almaviva, se dão ao luxo de testaram o blend em diferentes países, em busca de um resultado “universal”.

Se olharmos com atenção para alguns dos vinhos varietais que estamos acostumados a degustar vamos descobrir que também são cortes. Alguns exemplos são bem claros:

Malbec, argentino, exige um mínimo de 85% desta casta para ser considerado um monocasta. Existem vinhos mais caros que declaram, no rótulo, 100% Malbec;

Cabernet Sauvignon do Napa Valley, EUA, tem um mínimo de 75% desta casta. Mesmo os chamados “Cult Wines”, que declaram 100% Cabernet, podem ter quantidades muito pequenas de Merlot ou Cab. Franc. A lei permite;

Já no Chile, a porcentagem mínima de Cabernet é 85%

No final, quem ganha é o nosso paladar.

Saúde.

CRÉDITOS: Foto obtida no gerador de imagens do ChatGPt

Dica da Sandra Cordeiro:

Herdade do Peso — Sossego

Olá, leitores, como o Tuty hoje falou sobre vinho de corte (blend, corte, lote ou assemblage) eu não poderia deixar de indicar um vinho de Portugal, afinal os portugueses são os reis da mistura.

Em Portugal a grande maioria dos vinhos são produzidos a partir da mistura de duas ou mais variedades de uva. O país possui mais de 250 variedades de castas autóctones nativas e muito bem adaptadas a uma região, ao longo de séculos, sendo a expressão autêntica do seu terroir.

Uma matéria-prima de qualidade e muita especificidade à disposição de seus enólogos, que chamo de alquimistas do vinho, que com profundo conhecimento e espírito desafiador combinam criatividade e ciência para transformar uvas em rótulos únicos de qualidade indiscutível.

Matéria-prima de qualidade em abundância nas mãos de profissionais competentes e apaixonados, só pode nos proporcionar excelentes brindes, então vamos à sugestão.

A sugestão é um rótulo da Herdade do Peso, na Vidigueira, Alentejo. É o projeto de referência da SOGRAPE na região.

A propriedade de mais de 30 anos de existência, possui 160 hectares de vinhedos com foco na biodiversidade, sustentabilidade, e no cuidado minucioso das vinhas para alcançar a máxima expressão do Terroir da Vidigueira, o qual é absolutamente único e diferenciado dos demais do Alentejo.

O Sossego Tinto é um clássico vinho de corte no bom estilo Alentejano, é um blend de três castas muito bem adaptadas a região:

A Aragonez, casta ibérica muito querida e plantada na Espanha, onde é mais conhecida como Tempranillo. É a casta tinta mais plantada no Alentejo. Incorpora aos vinhos fruta vermelha e negra, confere elevado teor alcoólico, boa estrutura tânica, baixa acidez (principalmente em climas quentes) e ótima capacidade de envelhecimento, principalmente quando em corte para a correção da acidez e com passagem em madeira.

A Touriga Nacional, rainha das tintas de Portugal, é aromática e refinada. Traze para o vinho bom corpo, carga aromática fantástica com aromas de frutos vermelhos e negros, um floral delicioso e muito característico de violetas. Taninos firmes e finos que se traduzem em elegância, conseguindo manter uma carga de acidez bem interessante, mesmo em climas quentes.

A Syrah casta francesa originária do Vale do Rhone, está super integrada nestas terras lusitanas. Incorpora ao vinho robustez, corpo farto, alcoolicidade elevada, típico de sua adaptabilidade aos climas quentes, cor violácea, aromas especiados como alcaçuz, pimenta-preta e chocolate, frutos negros, taninos firmes e macios, e ótima capacidade de envelhecimento, mantendo a boa acidez natural na Vidigueira.

O corte beneficia o produto trazendo mais complexidade aromática, equilibrando a alcoolicidade, estrutura tânica, acidez e corpo do vinho.

Castas: 75% Aragonez, 15% Syrah, 10% Touriga Nacional.
Amadurecimento: 6 meses em barricas de 225 litros de carvalho francês e do Cáucaso.
Corpo: Médio — Teor alcoólico: 13,5%

Proponho degustar este vinho apreciando uma boa massa com molho vermelho, bolonhesa ou ao sugo.
Carnes vermelhas magras, grelhadas, assadas ou rosbife.
Risotos de parmesão, ou funghi.
Pizzas tradicionais com a Margherita, portuguesa, calabresa.
Frango assado, porco assado, charcutaria, queijos de meia cura, ou com o nosso bom e velho churrasco com a turma.

É um vinho versátil, saboroso, macio, descontraído, excelente para desfrutarmos com simplicidade e despojamento.

No site da OCAM vinhos sai por R$ 141,00 com entrega grátis na cidade do Rio de Janeiro, para compras a partir de R$ 300,00

https://ocamvinhos.com.br

Bora aproveitar o feriado e já fazer um belo brinde com ele?

Tim Tim!

Pouilly: Fumé ou Fuissé?

Vinhos franceses sempre foram a referência do mercado, mas entender seus rótulos pode gerar curiosas confusões.

A norma francesa adota o nome da região produtora, em lugar das castas utilizadas, para servir de nome para um vinho. O comprador que tenha conhecimento suficiente para saber que tipo de vinho foi engarrafado sob aquela “Appellation”, e estamos conversados.

As duas AOC de hoje são famosas por provocar um tipo de engano, muito comum, neste nosso universo. Quase todo mundo ou confunde ambas as regiões, ou troca uma pela outra e alguns acham que é o mesmo vinho (de diferentes produtores, por exemplo).

Aqui estão alguns fatos esclarecedores.

São dois vinhos brancos, de diferentes regiões produtoras, distantes entre si por cerca de 200Km, aproximadamente;

A comuna de Pouilly-sur-Loire fica na região do Vale do Loire, próxima à cidade de Sancerre. A casta dominante, nesta região, é a Sauvignon Blanc, conhecida localmente por Blanc Fumé, devido à aparência esfumaçada de suas cascas, quando estão maduras. (fumé significa defumado)

A região do outro vinho engloba quatro comunas, na região do Mâcon, Borgonha, berço da casta Chardonnay: Solutré-Pouilly, Vergisson, Chaintré e Fuissé. Embora seja menos famosa que a outra região, recebeu no ano de 2020 a designação de “premier cru”, a única do Mâconnais.

Cada um representa um terroir totalmente diferente do outro. Enquanto o Sauvignon Blanc é plantado em solos muito minerais como marga, sílex e calcário, as parreiras de Chardonnay estão em solos basicamente graníticos e calcários.

São vinhos minerais com distintas personalidades.

Os Fumé são vinhos frescos e muito elegantes. Apresentam aromas que lembram pederneira e defumados. No palato encontram-se notas cítricas, groselha verde, ótima acidez e a já citada mineralidade.

Harmonizam com frutos-do-mar, queijos brancos de cabra ou ovelha, carnes brancas, culinária oriental e vegetais como aspargos e molho pesto.

Os Fuissé são vinhos considerados com exuberantes, com uma mineralidade mais sutil. Aromas de frutas brancas e paladar muito cremoso. Quase sempre passam algum tempo em barricas de carvalho, o que lhe confere boa capacidade de envelhecimento.

Harmonizam com crustáceos, carnes brancas, risotos e massas, inclusive com molhos a base de vegetais, queijos brancos ou amarelos de textura média, Foie gras e escargots com alho.

Agora, não errem mais!

Saúde.

CRÉDITOS: Foto obtida no gerador de imagens do ChatGPt

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