
No início do mês de junho, deste ano, aconteceu aqui no Rio de Janeiro o megaevento, Vinhos de Portugal, repleto de opções para degustar e aprender sobre os vinhos da nossa querida “terrinha”.
Estavam à disposição dos participantes cerca de 700 rótulos de 80 vinícolas das diversas regiões produtoras daquele país, Chefs de cozinha, críticos de vinhos e jornalistas especializados.
Caberia, a alguns deles, conduzir algumas provas orientadas, mais conhecidas como Master Class, abrangendo diversos aspectos da produção de vinhos em Portugal.
Um show, mas não era para qualquer um. Para compreender estas provas ou degustações dirigidas e aproveitar o que acontece nelas, é preciso ter alguma cultura prévia.
Existem algumas formas de degustação de vinhos, todas comparativas, que já foram mais populares e hoje andam meio esquecidas: a “vertical” e a “horizontal”.
A Vertical, uma das mais importantes, faz uma comparação direta sobre as diferentes safras de um mesmo rótulo. Tem por objetivo demonstrar que o vinho é uma bebida que muda conforme o ano de elaboração.
As boas verticais abrangem entre 5 e 10 anos, consecutivos, o que as tornam muito difíceis e caras de serem realizadas. Nem todos os produtores mantém um estoque de garrafas para oferecer uma experiência como esta.
O grande charme deste tipo de prova é perceber como um vinho se comporta ao longo dos anos. Sempre se inicia pelo mais novo. Ótimo para aprender como evoluem aromas, sabores, taninos, acidez e a cor.
A sua contraparte, a degustação Horizontal, tem por objetivo fazer uma comparação entre os diversos vinhos produzidos, preferencialmente, numa mesma região e safra. Vários produtores, mesmas castas e safra.
Costumam ser muito didáticas e largamente utilizadas em cursos ou treinamento para profissionais do vinho. Algumas características podem ser perfeitamente avaliadas, tais como, métodos de vinificação, influências do terroir ou do vinhedo e as diferentes interpretações que podem ser dadas a uma determinada casta.
Além destas, podemos citar as degustações temáticas, um formato bastante interessante, organizado para enfatizar algumas características mais abrangentes. Por exemplo, vinhos orgânicos, velho mundo ou novo mundo, tipos de solo ou de clima.
Alguns desdobramentos destes formatos podem incluir as degustações harmonizadas, em que são testadas diferentes combinações de vinho e comida ou as famosas degustações às cegas.
Nesta última, sendo quase um jogo, tenta-se deduzir o estamos provando, com base no próprio conhecimento e algumas poucas informações. Muitas vezes o vinho é servido em taças opacas, não permitindo nem visualizar sua cor.
Para poucos.
As “Master Class”, tecnicamente uma degustação aula, tem um caráter mais educativo, sempre conduzidas por um especialista no tema proposto, um Sommelier, um Enólogo ou o dono de uma vinícola, que vai se encarregar de explicar e tirar dúvidas. Uma experiência interativa.
Obrigatoriamente deve abordar um único tema e as opções de vinhos a serem degustados podem abarcar um amplo leque. Uma boa aula, pode iniciar mostrando como se degusta e chegar até os melhores vinhos de um produtor ou região, servido às cegas.
O estilo pode ser didático e técnico ou uma prova informal com direito a pequenas, mas relevantes, harmonizações.
Qualquer das degustações clássicas pode ser transformada numa boa Master Class. Basta fazer escolhas acertadas.
Agora vocês já sabem como funcionam.
Saúde e boas degustações!
CRÉDITOS: foto de uma Master Class na Pazo de Señorans, Galicia.
Dica da Sandra Cordeiro: Trinca Bolotas Tinto
Como amanhã comemoraremos o Dia dos Namorados, e está friozinho no Rio de janeiro, imagino que a turma vai pensar numa comida que aquece o corpo e o coração. Vou sugerir um vinho que acompanha bem comidas quentinhas e estruturadas, e tem mais, passei o final de semana trabalhando no evento “Vinhos de Portugal”, e os rótulos portugueses estão fresquinhos na memória, então vamos a um belo e versátil português?
Já falei há algum tempo aqui sobre a Herdade do Peso, a representante da SOGRAPE no Alentejo, na conceituada sub-região da Vidigueira, desde a década de 1990. A SOGRAPE investiu alto na modernização de sua estrutura de vinificação, e estudo pormenorizado de seus vinhedos para identificar suas parcelas e cada variedade de uva, casta, que melhor se adapta a cada uma delas.
A liderança enológica fica a cargo de Luís Cabral de Almeida, que contribuiu e continua contribuindo com a evolução da qualidade e do estilo dos vinhos que mostram ao mundo a essência real da Vidigueira.
Vou lhes sugerir o Trinca Bolotas, uma homenagem ao porco preto do Alentejo, que circula livremente pelas planícies em busca das bolotas das Azinheiras, sua principal fonte de alimentação, que faz com que sua carne se torne especialmente marmorizada, suculenta, macia, e com sabor único.

Então vamos ao vinho!
Trinca Bolotas Tinto é um vinho que evidencia notas de frutos vermelhos e negros em profusão, especiarias, acidez refrescante, taninos presentes perfeitamente integrados e redondos, em total equilíbrio com o álcool, aromas, sabores e corpo.
País: Portugal — Região: Alentejo
Castas: 44% Alicante Bouschet, 40%Touriga Nacional, 16% Aragonez
Gustativo: Corpo médio, fruta farta, acidez refrescante, alcoolicidade integrada, taninos finos, persistente com retrogosto frutado.
Amadurecimento: 6 meses em barricas de 225 litros de carvalho francês e do Cáucaso.
Teor alcoólico: 14%
Sugestão de guarda: 6 a 8 anos
Produtor: Herdade do Peso
Harmonização: Carnes suínas grelhadas, pizza e massas e molho de tomate, carnes vermelhas grelhadas, e preparações com cogumelos principalmente shitake.
Onde encontrar?
No site da OCAM Vinhos — https://ocamvinhos.com.br
Valor: R$ 220,00
ENTREGAMOS EM ATÉ 48 HORAS NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
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