
O vinho enfrenta uma crise de consumo em todo o mundo. Segundo os especialistas, as novas gerações, como a do Milênio (1981 – 1996) ou a Geração Z (1997 – 2010), não são grandes consumidores como eram os “Baby boomers” (1946 – 1964) ou os da Geração X (1965 – 1980).
Nós, os avós de hoje, degustávamos uma taça de vinho, ou outras bebidas alcoólicas, quase como um ritual. Celebrava o final de um dia de intenso trabalho, o conquistar de uma meta, o crescimento da família ou da fortuna.
As novas gerações têm outras preocupações. Ao que tudo indica, não consomem só por prazer, há outras implicações embutidas: quem produziu, onde produziu e como produziu.
Para comprar uma garrafa, é preciso mais que um rótulo bonito. É quase uma obrigação se certificarem de que as rígidas regras de preservação ambiental foram seguidas durante o cultivo das uvas.
A vinificação deve ser isenta de químicos exógenos, as barricas de carvalho só podem vir de florestas sustentáveis e as garrafas e outras embalagens precisam ser produzidas com materiais 100% recicláveis ou a partir deles.
Vender uma garrafa de vinho virou uma tarefa complexa.
Como se isto não fosse bastante complicado, esta nova turma de apreciadores é avessa ao que se convencionou chamar de “tradições”. Desta forma, enxergam determinadas castas, regiões e produtores consagrados como algo ultrapassado. Estão em busca do novo, do desconhecido, do não experimentado.
É nesta onda que aparecem, com força, os vinhos “naturais” ou de pouca intervenção, que se contrapõem aos tradicionais que, dentro desta filosofia, seriam “manipulados” para obterem bons resultados.
Castas como as clássicas Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc, deixam de ser o “mainstream” e, nos seus lugares, surgem Chenin Blanc, Alvarinho, Dethorna, Anglianico, Primitivo ou Petit Syrah.
Outro ponto de vital importância para estes jovens consumidores é o teor alcoólico: tem que ser drasticamente menor que os valores atuais.
Nada de bombas calóricas e encorpadas. A preferência atual são vinhos leves, muito aromáticos e frutados. A maior preocupação é com saúde e bem-estar. Querem saber, em detalhes, tudo que será absorvido por seus organismos.
Cada geração tem um propósito de vida. Enquanto os “Baby Boomers” tinham como pano de fundo o fim da guerra, o que se traduzia em uma forte preocupação com segurança e sobrevivência, a “Geração Z” está preocupada com a saúde mental e estabilidade climática.
Para cada época um vinho de cabeceira significante: cortes bordaleses, cabernet do novo mundo, Chianti, Barolo, vinhos do leste europeu e, por que não, vinhos asiáticos, que podem ser um novo trend.
Para os verdadeiros enófilos, o leque ampliou e muita coisa boa surgiu no horizonte.
Resta saber se os produtores entenderam a mensagem. Há espaço para tudo isto.
Saúde!
CRÉDITOS: Imagem de starline no Freepik







