
Neste mês de outubro, diversos eventos sobre vinhos estão acontecendo. Entre eles, participamos do excelente Vinhos e Sabores de Portugal, um encontro muito bem estruturado que contou com representantes de todas as regiões produtoras e, entre outras, com vinícolas de renome. Foi uma oportunidade incrível para degustar velhos favoritos, provar novidades promissoras e apreciar um punhado de rótulos premium — raramente oferecidos em eventos desse porte.
Uma curiosidade que chamou a nossa atenção foi a seletividade de um dos confrades, que afirmou: “não gosto de vinhos brancos”. Ele, portanto, não experimentou nenhuma das ofertas brancas e ficou apenas com os tintos. Isso me lembrou outro grupo de degustadores — majoritariamente femininos — que não apreciam tintos. Quando não têm alternativa, colocam uma pedra de gelo na taça para “diluir e tornar o vinho mais palatável”.
Para fechar este raciocínio, há também aqueles que simplesmente não gostam de vinho, o que é uma posição legítima. A linha comum que une todos esses grupos pode ser resumida em uma frase curta: provavelmente alguém lhe ofereceu o vinho errado, na hora errada.
As reações de desaprovação mais comuns ao provar um vinho podem ser resumidas desta forma:
Muito amargo – indicando uma sensibilidade aos taninos. Neste caso, prefira brancos ou rosados;
Muito ácido – típico de vinificações pouco equilibradas. Prefira vinhos mais frutados, produzidos em regiões de clima quente;
Sem graça, aguado – pouco aromático e com baixo teor alcoólico. Neste caso, prefira vinhos mais aromáticos ou adocicados como os “demi-sec”.
Poderíamos acrescentar que sensibilidade ao álcool ou à presença de conservantes pode tornar a experiência negativa. Nesse caso, o melhor seria evitar bebidas alcoólicas.
Para quem realmente deseja passar por uma nova experiência, que o faça esquecer um primeiro momento decepcionante, aqui vão as nossas sugestões, lembrando que não existe uma lista “universal”: cada indivíduo tem um paladar único.
Vinhos que têm uma boa taxa de aceitação:
Moscato d’Asti — Italiano, levemente frisante, baixo teor alcoólico e um dulçor delicado de pêssego e flor de laranjeira. Difícil de rejeitar.
Vinho Verde — Fresco, leve, com uma efervescência natural. Perfeito para dias quentes e para quem ainda não quer pensar muito sobre o que está bebendo.
Rosé de Provence — Cor bonita, aroma de morango, textura suave. Funciona bem em mesas variadas e costuma agradar quem já aprecia drinks e coquetéis.
Riesling Spätlese — Meio-seco, floral, com uma acidez equilibrada pelo açúcar residual. Uma descoberta para quem achava que vinho branco era coisa de restaurante chique.
Lambrusco — Tinto frisante italiano, frutado, ligeiramente doce. Parece quase uma bebida diferente. E é — mas continua sendo vinho.
Malbec argentino jovem — Para quem quer experimentar um tinto sem se assustar. Frutas vermelhas, violeta, taninos macios. Uma boa porta de entrada para o mundo dos tintos.
Espumante brasileiro demi-sec — Perto de casa, fácil de encontrar, acessível no preço. A efervescência deixa tudo mais leve e o dulçor conforta quem ainda está conhecendo.
Pontos importantes que devem ser considerados neste momento:
O contexto importa tanto quanto o vinho. Temperatura, taça, comida e companhia fazem parte da experiência;
Comece por espumantes — a borbulha deixa o clima mais leve e festivo;
Harmonize com o que você já gosta — pizza, massas, queijos, churrasco;
Nunca faça nada de modo forçado — vinho é prazer, não obrigação.
O que deve ser evitado:
Alguns vinhos são extraordinários, mas não são para iniciantes. Barolo, Amarone, Tannat, vinhos com muitos anos de garrafa. Todos têm seu lugar e seu momento. Só que esse momento não é o primeiro encontro;
Evite também situações de pressão. Ninguém gosta de se sentir julgado pelo que escolhe na taça.
O vinho certo é o que a pessoa gosta e ponto final.
Saúde!
CRÉDITOS: imagem obtida no ChatGPT imagens