
Estamos abordando este tema, mais uma vez, motivados pelo recente “imbróglio” envolvendo uma “celebridade” e um dos restaurantes mais caros da cidade do Rio de Janeiro. Tudo girando em torno da cobrança desta taxa, considerada, neste caso, como abusiva e indevida.
O episódio descambou para agressões verbais e físicas, envolvendo outros clientes do restaurante e acabando numa delegacia de polícia, para a alegria da imprensa e dos que buscam seus quinze minutos de fama nas redes sociais.
Muito foi dito e escrito, dificultando encontrar uma fonte confiável. Existem diversas versões sobre este caso, algumas nitidamente conflitantes.
Salvo melhor juízo, o personagem central desta trama teria levado, ao restaurante, sete garrafas de vinho, das quais cinco teriam sido consumidas. Ele é um cliente assíduo daquele estabelecimento e conhece as regras da casa: taxa de rolha de R$ 100, 00 (cem reais) por garrafa trazida e consumida.
Total: R$ 500,00 (quinhentos reais). A conta teria somado R$ 7.000,00 (sete mil reais)
Algum jornal publicou um bom artigo sobre o fato, utilizando o título “Restaurante não é instituição filantrópica”, ao qual acrescentaríamos, “nem ser celebridade é garantia de gratuidade ou cortesias por parte da casa”.
Somos consumidores e membros de algumas confrarias que, há muito tempo, promovem reuniões em diversos restaurantes desta cidade sem nunca passarmos por situações semelhantes. Na nossa visão, o escabroso final deste episódio nada mais foi que uma explosiva mistura de pouca cultura, falta de educação e boas maneiras, além de pura ganância.
Segundo declarações de diversos profissionais do ramo, a tal taxa de rolha existe para cobrir “custos do serviço do vinho, entre eles, o treinamento de funcionários, quebra de taças, material específico e uma compensação pelo vinho da carta não consumido”.
Um Sommelier, envolvido no episódio, chegou a sugerir que “parte da taxa de rolha serviria como subsídio ao custo de alguns dos pratos mais caros do menu, para não ficarem excessivos”.
Se isto for verdade, é melhor encerrar o negócio: não vai dar certo.
Não existe uma regra clara sobre como esta taxa deve ser cobrada e nem uma finalidade realmente objetiva. A equipe do salão já e devidamente treinada e o restaurante deve ter o equipamento necessário para servir os vinhos de sua adega. Logo, parte da explicação sobre a “rolha” é bastante questionável.
Na maioria dos restaurantes que frequentamos, ela nunca é mencionada nos cardápios ou cartas de vinho, algo que deveria ser padrão. Para descobrir este misterioso valor, temos que perguntar.
Mesmo assim já ocorreu, mais de uma vez que, cientes do valor, ao chegarmos no local a “taxa” muda, com desculpas como “este é um vinho muito caro”. Em linguagem simples, a taxa varia conforme o “otário” da vez.
Há um corolário simples para este teorema: se o estabelecimento não respeita seu cliente, a reação pode ser oposta e de mesma intensidade.
Olhando a parte contábil desta história, fiquem sabendo que o valor arrecadado com a taxa de rolha entra para o reparte da “caixinha” do dia. Todos ganham o seu quinhão. Na conta, ela é cobrada como mais um item de consumo e, claro, a taxa de serviço (gorjeta) incide sobre ela, também.
Pera aí!
A taxa de rolha não era uma compensação sobre o serviço do vinho? E sobre ela incide outra taxa de serviço?
Há algo de podre no Reino da Dinamarca…
Sobre esta segunda taxa, que deveria ser opcional e sugerida como 10% do valor total, desde a pandemia e com a desculpa de repor perdas, alguns restaurantes, malandramente, já estão cobrando 17% sobre o total.
Voltar ao que era, jamais!
Enófilos tem prazer em comprar, guardar e degustar seus preciosos vinhos. Quando decidem levar um de seus rótulos a um restaurante, este gesto deveria ser visto como uma deferência. Mas, algumas regras devem ser cumpridas:
1 – Perguntem sempre pela taxa de rolha antes de levarem seus vinhos;
2 – Nunca levem um vinho que consta da carta do local escolhido;
3 – Jamais levem um vinho “barato”;
4 – Se acharem abusivo o valor cobrado, deixem isto claro. Não frequentem o restaurante em questão ou negociem uma alternativa;
5 – As alternativas mais comuns são: consumir drinques da casa, um espumante ou outro vinho da carta;
6 – Não aceite cobrança de taxa de serviço sobre a taxa de rolha;
7 – Se não houver taxa de rolha, habituem-se a gratificar quem fez o serviço do vinho, separadamente. É de boa praxe, caso seja um vinho “top”, oferecer uma prova para o Sommelier.
Uma última observação: se as cartas de vinhos fossem bem elaboradas e os preços cobrados fossem justos, levar um vinho pode deixar de ser interessante.
Pensem nisso, senhores “restaurateurs”.
Saúde!
CRÉDITOS: imagem criada pelo ChatGPT
Dica da Sandra Cordeiro: Don Abel Tannat
Chega de polêmica, vamos ao que mais interessa, o nosso vinho da semana:
Hoje vou indicar um vinho de um produtor brasileiro que tem uma bela reputação, pela sua dedicação, paixão e pela qualidade de seus vinhos, estou falando da Vinícola Dom Abel.
Os vinhedos começaram a ser implantados no ano de 1999, mas a vinícola foi efetivamente fundada em 2005, por Sérgio de Bastiani que a lidera desde sempre. Sérgio tem como norte a atenção aos detalhes visando alcançar a excelência. Hoje é uma das vinícolas brasileiras que se tornou indicador de qualidade e das muitas possibilidades que se pode vislumbrar na produção de vinhos em nosso país.
O nome Don Abel é uma homenagem ao avô de Sérgio, Abel de Bastiani neto de imigrantes italianos que se instalaram na serra Gaúcha durante o período do movimento migratório italiano para o Brasil. Tinha o hábito do consumo diário de vinho, inspirando Sérgio no caminho da vitivinicultura.
Com produção anual de menos de 50.000 garrafas, a vinícola se encontra na Serra Gaúcha, numa pequena cidade chamada de Casca, às margens da Rota 342, que dá nome ao seu vinho icônico, mas hoje não será ele a indicação.
Combinando a produção artesanal com a tecnologia de ponta a Don Abel produz vinhos únicos de muita qualidade e personalidade, premiados no Brasil e no mundo.
Assim é o Don Tannat, minha indicação de hoje:

Vinho bem estruturado, persistente, equilibrado, taninos macios e muito presentes, encorpado, aromas e sabores marcantes de frutos negros maduros, tabaco e especiarias, é um vinho complexo, acidez na medida para trazer elegância e garantir o potencial de guarda pelo menos até 2030. As uvas veem do Alto Uruguai, melhor terroir brasileiro para a Tannat. Produção limitada de 2.000 com garrafas numeradas.
Uvas: 100% Tannat
Estágio: 6 meses barricas de carvalho francês.
Corpo: Encorpado Álcool: 13,5%
Visual: Vermelho violáceo de alta intensidade.
Olfativo: Intenso, complexo e persistente, frutas negras maduras, tabaco e especiarias.
Gustativo: Vinho potente, encorpado, equilibrado, taninos macios e acidez em equilíbrio para um tinto potente de guarda, intenso e persistente.
Harmonização: Este vinho exige pratos de boa estrutura, queijos maduros, carnes vermelhas gordurosas, cordeiro e carnes de caça.
Se aerado no decantador por 30 a 45 minutos, fica ainda mais exuberante.
Tim Tim!
Onde encontrar? Na OCAM Vinhos.
Preço: R$ 198,00, com entrega grátis para a cidade do Rio a partir de R$ 300,00








