
Com estas temperaturas mais frias, pensar em sorvetes e outras delícias geladas foi quase natural. Para imaginar degustá-las com vinho, não foi preciso um grande esforço.
Existem algumas categorias dentro das “sobremesas geladas”. A mais comum é o sorvete (ice cream) elaborado com base em algum laticínio e ovos. Outra categoria são os “sorbets”, feitos com base em água ou outro líquido, sem adição de gorduras. Embora pouco comum por aqui, os italianos adoram o “semifreddo”, uma delícia que tem uma textura entre o gelato e uma mousse.
Para harmonizar qualquer uma destas sobremesas, há uma regra básica: o vinho deve ser mais doce do que elas. Vinhos mais secos, com acidez e taninos muito pronunciados, podem transformar esta experiência em sabores duros e amargos.
Talvez esta regra clássica não seja suficiente para traduzir esta combinação numa experiência prazerosa.
Imaginem o seguinte: o sorvete tradicional traz uma boa dose de gordura.
Vinhos tintos, tânicos, são ótimos com carnes gordas e queijos gordurosos,
Haveria uma certa lógica, tanino x gordura, que nos faz crer que deve haver um outro caminho para estas harmonizações, além das realizadas com vinhos de perfil mais doce.
Os grandes vilões são o alto teor de açúcar presente e a baixa temperatura.
O primeiro funciona como um amplificador das sensações: se os taninos são marcantes, ficarão ainda mais evidentes. O mesmo raciocínio vale para a acidez. As baixas temperaturas adormecem as nossas papilas gustativas, impedindo uma correta apreciação de tudo isto.
Serão necessários outros cuidados para que estes novos caminhos tenham sucesso:
— Prefiram sorvetes menos doces, por exemplo, pistache, baunilha verdadeira, menta, chocolate amargo;
— Esperem a textura do sorvete ficar cremosa. Nada de temperaturas congelantes;
— Aprecie lentamente. Deixe que a sensação de gelado, sentida no paladar, diminua antes do próximo bocado;
— Evite vinhos muito tânicos ou com alta acidez.
Uma das combinações mais famosas é a do vinho do Porto com sorvete de chocolate.
Que tal fugir desta regra e experimentar com um Pinot Noir ou um Sirah? Este último faz quase um par perfeito com sorvete de café.
O clássico pistache tem o Prosecco como par ideal. Outros espumantes com perfil mais frutado vão funcionar igualmente. Evitem o champanhe brut e assemelhados.
Uma bola de um sorvete de baunilha, a verdadeira, elaborado artesanalmente, pode ser combinada com uma taça de Pinot Noir ou de Gamay (Beaujolais).
Quer deixar esta experiência memorável?
Jogue a bola de sorvete na taça. Uma derivação do “affogato”, conhecida como “float” (flutuar).
Outro tradicional sabor, morango, também pode ser apreciado desta forma. Utilize um Prosecco ou um Cava.
Na linha das sobremesas geladas, o sorbet de limão tem um lugar muito especial nos nossos lares. Um bom Sauvignon Blanc é uma ótima combinação. Neste caso, um champanhe brut também funciona muito bem, inclusive para fazer o “float”.
Os vinhos doces, brancos ou tintos, vão combinar com qualquer sabor ou tipo de sorvete. Alguns são mais indicados, como o Porto ou um Pedro Ximenes, um Jerez doce.
Além destes: Moscatos, inclusive os nossos espumantes, Sauternes, Tokaji, Champanhe doce ou meio doce e os vinhos de colheita tardia.
Já que o mote, ainda nesta semana, é a Copa do Mundo, vamos fazer um plágio:
“Bola na taça e vinho para acompanhar”
Saúde!
CRÉDITOS: Imagem obtida no Chat GPT imagens.