Categoria: Castas (Page 4 of 11)

Degustamos 6 Pinot Noir brasileiros

A Cave Nacional, uma empresa especializada em vinhos brasileiros aqui no Rio de Janeiro, promove regularmente degustações comparativas muito interessantes.

Nesta oportunidade, prepararam um “flight” com vinhos elaborados com a Pinot Noir, contemplando seis “terroirs” diferentes: cinco do Rio Grande do Sul e um de Santa Catarina. Além das diferentes regiões, cada produtor optou por um método de elaboração.

Chama a atenção a escolha desta casta, tida por todos como a mais importante e temperamental varietal tinta. Com ela são produzidos os famosos vinhos da Borgonha, entre eles o icônico Romanée-Conti, bem como os melhores Champagnes do mundo, quando é vinificada em branco.

Para os menos atentos, pode parecer exótico que esta uva seja produzida no nosso país. Mas é fácil entender as razões: também produzimos ótimos espumantes!

Implantada, aqui, nos anos 70, esta casta é de difícil manejo e adaptação ao nosso clima mais úmido. Mesmo assim, mestres da vinificação conseguiram dominá-la, elaborando produtos de alta qualidade.

Apresentamos os vinhos degustados e nossos comentários, na ordem em que foram servidos.

1 – Peruzzo 2022 (Campanha Gaúcha)

Ficha técnica resumida: “Um Pinot de boa complexidade. Traz no nariz os aromas de frutas vermelhas como morango e cereja seguindo com especiarias como pimenta preta e cravo além de notas terrosas. Na boca acidez marcante e taninos bem macios trazendo um final de eucalipto.”

Este vinho não passa por madeira. As notas frutadas sobressaem no olfato e no paladar. Perfeito para uma degustação informal.

2 – Pericó Basaltino 2021 (SC)

Ficha técnica resumida: “Elegante, com notas expressivas de amora, ameixa, mirtilo e cereja e notas discretas de pimenta rosa e baunilha, que se entrelaçam com os taninos macios devido à permanência em barricas francesas, tornando-o um vinho envolvente e harmônico.”

Um dos vinhos que mais agradou aos participantes deste evento. Os descritores mencionados são percebidos com facilidade. Muita mineralidade devido ao solo basáltico, que dá nome ao vinho.

3 – Antônio Dias Crespim 2022 (Alto Uruguai)

Ficha técnica resumida: “Aromas de frutas secas, chocolate e especiarias. Na boca, apresenta-se leve, com taninos macios. Amadureceu por 4 meses em barris de carvalho francês de primeiro uso.”

Escolhido ao final da degustação como o melhor de todos. Muito bem vinificado, com excelente tradução do terroir onde é produzido.

4 – Casa Eva 2023 (Flores da Cunha)

Ficha técnica resumida: “Apresenta complexo aroma de frutas vermelhas, como cereja e ameixa passa, com leves notas de damasco e especiarias como o cravo. Em boca tem bom volume, com taninos macios e acidez sutil, retrogosto longo e marcante. 6 meses em barricas de carvalho francês e americano (50%/50%).”

Uma verdadeira bomba de frutas no olfato e no paladar. Foi o vinho mais criticado, com observações como ‘bala tutti-frutti’ ou ‘gelatina de framboesa’. Apesar das críticas, é um vinho bem elaborado. Talvez sua juventude tenha influído no resultado. Alguns anos em garrafa lhe farão muito bem.

5 – Torcello 2022 (Vale dos Vinhedos)

Ficha técnica resumida: “Aroma de frutas vermelhas como cereja, framboesa e morango mescladas com um leve toque de caramelo e chocolate. Em boca apresenta-se em harmonia, com acidez equilibrada e taninos elegantes.”

Um vinho bastante atípico para as características tradicionais desta casta. A coloração mais fechada já era um primeiro sinal. Esta vinícola tem como método de trabalho usar barricas de carvalho americano. A presença de madeira era evidente, mascarando outras notas típicas da Pinot.

6 – Manus 2023 (Encruzilhada do Sul)

Ficha técnica resumida: “Notas terrosas, frutas vermelhas como cereja, framboesa, também chocolate amargo, notas de baunilha e especiarias. Em boca é persistente, equilibrado, com taninos macios e excelente acidez.”

Este foi o vinho que mais nos impressionou. Apesar da safra recente, suas notas aromáticas eram muito difíceis de serem percebidas. Demorou muito para “abrir”. A grande surpresa estava no palato, um delicioso leque de sabores que surpreendeu a todos. Um belo investimento para quem aprecia este estilo.

Foi uma grande oportunidade para aprender mais um pouco sobre a Pinot Noir, os diferentes “terroir” e métodos de elaboração em uso no Brasil. Não havia dois vinhos iguais ou parecidos. Cada um tinha sua personalidade, dividindo as opiniões dos presentes. Todos com muita qualidade.

Entre os melhores o Antônio Dias teve o maior número de votos, seguido pelo Torcello. A única unanimidade foi o Casa Eva.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Antônio Dias Crespim – Pinot Noir 2022

ANTÔNIO DIAS CRESPIM, é uma homenagem ao patriarca da família, que inspirou o nome da Vinícola. Este vinho vem para enaltecer a história da família e a expressão do terroir do Alto Uruguai.

De coloração rubi de média intensidade, característico desta uva. Aromas de frutas secas, chocolate e especiarias. Na boca, apresenta-se leve, com taninos macios.

Amadureceu por 4 meses em barris de carvalho francês de primeiro uso.

Produção: Foram elaboradas 1.332 unidades.

Para comprar este vinho, clique no nome ou na foto. A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

Tipo e tamanho da taça fazem diferença?

Uma das primeiras lições sobre vinhos nos explica que existem taças, bem diferentes, para vinhos brancos e para vinhos tintos.

As taças para tintos são maiores e mais bojudas, permitindo um melhor contato com o ar, o que libera rapidamente aromas, além de permitir uma boa percepção das tonalidades. Para os brancos, as taças são mais esbeltas e menores. Estes vinhos não são tão dependentes da interação com o ar para mostrar seu potencial.

A ilustração, acima, passa uma boa ideia sobre esta diferença de tamanho. São taças de um mesmo fabricante, a Zalto. A maior é denominada “taça tipo Bordeaux”. Esta é a que encontramos, habitualmente, nos restaurantes, nos mercados e em nossas casas.

Cada fabricante tem seu próprio design, havendo ligeiras variações de formato e tamanho das hastes. A grande dúvida, que originou este texto, é que apesar desta simplicidade de propósitos, existem outros formatos de taças para tintos e para brancos. A mais famosa delas é a “taça tipo Bourgogne”.

Reparem que é bem mais bojuda que a anterior, permitindo um contato ainda maior com o ar.

Bordéus e Borgonha são as regiões francesas mais famosas na elaboração de tintos. São vinhos bem diferentes.

O corte bordalês é mais encorpado, com coloração mais densa e taninos marcantes. Na Borgonha são elaborados os não menos famosos Pinot Noir, vinhos de uma coloração muito pálida, pouco tânicos, mas com aromas e sabores únicos.

Teoricamente, cada um destes vinhos precisa ser tratado, na taça, de uma forma singular. Foi pensando nisto que, em 1958, um fabricante começou a desenvolver formatos específicos para cada tipo de casta vinificada. São diversas variações que envolvem volumetria, tamanho da boca, altura da haste e até pequenos detalhes como o formato da borda.

Será que um simples mortal, degustador de bons vinhos, será capaz de perceber estas “vantagens” de apreciar cada vinho em uma taça dedicada?

A taça Bordeaux, padrão, é usada para diversos outros vinhos: Brunello di Montalcino, Chianti, Riojanos (Tempranillo), Merlot, Syrah e Cabernet Franc, são alguns deles. A taça para Pinot é mais exclusiva, mas pode ser usada para qualquer vinho.

Para os vinhos brancos também existem taças para as castas mais tradicionais como Chardonnay e Riesling. E o que falar sobre espumantes? Pelo menos três formatos continuam disputando preferências até hoje: a coupe, a flute e a tulipa.

Para sair deste verdadeiro imbróglio, o melhor caminho é experimentar. E sejam mente aberta nesta hora.

Aqui vai uma boa sugestão para começar: pegue uma garrafa do seu vinho predileto e deguste-o em diferentes taças. Pode usar as de vinho branco, as de espumante e até mesmo o velho e manjado “copo americano”.

Encontrando diferenças significativas, já sabem como proceder. Se não mudou nada, que fique como está.

Se for o caso, contem para a gente.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Vivi Rose 2023 – Cave Nacional

Hoje apresentamos o Vivi Rosé, mais um vinho exclusivamente vinificado para a Cave Nacional. Feito tem parceria com André Larentis, enólogo da Vinhos Larentis, é a terceira edição, lançada em 2023. De coloração salmão límpido e brilhante. Apresenta intensas notas de frutas vermelhas silvestres, e finas notas florais com um toque mineral. No paladar possui bom volume, equilibrado, aveludado e refrescante.

Para comprar este vinho, clique no nome ou na foto. A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS:

Imagem de abertura por macrovector no Freepik.

Taças – obtidas no site da Zalto

Por que “Uvas Nobres”?

É quase surreal que num Brasil, onde impera uma horda de políticos absolutamente incorretos que adoram legislar sobre o politicamente correto, alguém se atreva a escrever sobre “uvas nobres”, sugerindo que existe algum tipo de discriminação até no mundo dos vinhos.

O mais curioso é que num universo de 15.000 uvas viníferas, apenas seis receberam o apelido de nobres: as brancas Chardonnay, Riesling e Sauvignon Blanc e as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir.

Honestamente, esta “Corte”, em outros cenários, não seria nem digna de atenção. Mas, entre os apreciadores do vinho, é muito difícil encontrar alguém que ainda não tenha provado qualquer uma delas. É um conhecimento básico.

Entretanto, esta não é a razão pela qual receberam algum título de nobreza.

Aqui estão mais alguns fatos sobre este grupo: cinco são francesas e uma alemã, que tem um pezinho na França desde a anexação da Alsácia.

Todos sabemos que havia casamentos entre as diversas famílias reais da Europa, principalmente para “manter tudo sob controle” ou, numa linguagem mais diplomática, “para formar alianças estratégicas”. Não é o caso das nossas viníferas.

Algumas destas castas estão plantadas nos quatro cantos do mundo, o que poderia explicar esta improvável nobreza. Afinal, nobres eram grandes conquistadores de territórios e, se não o fizeram pessoalmente, pelo menos financiaram tais conquistas.

Uma destas nobre castas, a Pinot Noir, desmente esta possibilidade. Mesmo em seu país de origem é uma uva de difícil cultura, exigindo um terroir muito específico e complicado de reproduzir em outros países.

Para encontrar a origem deste apelido para este grupo de videiras, temos que olhar justamente para o país que mostrou as virtudes do vinho como uma bebida de nobres, luxuosa e desejada, para o resto do mundo: a França.

A imagem da monarquia francesa sempre foi de uma vida opulenta, magníficos castelos, festas intermináveis, alta gastronomia e tudo regado por bons vinhos. Até 14 de julho de 1789…

Mas, degustar vinhos de qualidade nunca deixou de ser um ato nobre e, não se pode negar: os elaborados com qualquer destas seis castas são os mais fáceis de beber. Talvez tenham sido os primeiros a serem provados e acabaram fisgando cada um de nós.

Se, atualmente, encontramos estas uvas e seus vinhos espalhados em todos os continentes, devemos isto a vinhateiros franceses que se dedicaram a levar mudas destas videiras originais e não só replantá-las em outros países como ensinar a elaborar vinho com elas.

Isto é a verdadeira nobreza.

Foram os primeiros grandes marqueteiros, exportando a cultura do luxo, gastronomia, ciência, moda e tudo mais que admirávamos na monarquia francesa.

Nobres sim, pelas razões corretas.

Se gostamos de vinhos hoje, devemos à França.

Vive la France!

Dica da Karina – Cave Nacional

Máximo Boschi – BIOGRAFIA EXTRA BRUT 2017

Espumante elaborado pelo Método Tradicional. De coloração amarelo levemente dourado, límpido brilhante e com borbulhas finas e persistentes.

Aroma elegante, frutas extremamente maduras, amêndoas e nozes, com equilibrada manteiga e chocolate branco.

Persistência longa, perfeitamente harmônico, com a acidez equilibrada. Retrogosto complexo e equilibrado. Maturou sobre as leveduras após a segunda fermentação (sur lie) por 40 meses.

Para adquirir este espumante, clique no nome ou na foto.
A Cave Nacional envia para todo o Brasil

CRÉDITOS:

Imagem de abertura por pvproductions no Freepik

Uvas tintas que todos devem conhecer e provar

Para dominar qualquer assunto, é preciso ter um conhecimento seguro, principalmente sobre as bases que constroem o tema a ser estudado.

Vinho sem uva não existe, pelo menos na forma como estamos habituados. No texto anterior, apresentamos algumas castas brancas que, na nossa opinião, são imprescindíveis para formar, em todos os aspectos, um especialista nesta bebida.

Mas isto só não basta. Vamos conhecer algumas uvas tintas que, da mesma forma, são indispensáveis. Continuam valendo as mesmas premissas: é a nossa opinião.

Dentro deste universo, as tintas sempre tiveram um destaque maior. Ninguém questiona a fama dos Châteaux bordaleses, dos Domaines da Borgonha, dos Barolos e Brunellos italianos, Riojas da Espanha e muitos outros.

Para uma maioria de apreciadores, qualquer destes nomes citados se traduz, naturalmente, em vinho tinto.

O primeiro grupo de uvas, a ser conhecido e apreciado, contêm algumas das que compõe o tradicional “corte bordalês”: Cabernet Sauvignon e Merlot.

São duas castas bem diferentes. Apesar de serem bem populares e fáceis de encontrar em vinificações monocasta, sua fama decorre do fabuloso corte originário de Bordeaux.

A Cabernet Sauvignon é a vinífera mais plantada no mundo. Está em todas as regiões vinícolas e produz vinhos deliciosos e capazes de traduzirem perfeitamente cada terroir onde são cultivadas. Provar e compreender as diferenças entre cada uma destas versões é o melhor treino que se conhece.

São vinhos com taninos presentes, escuros e com algumas características bem marcantes: aromas e sabores de frutas negras, especiarias, cedro e um pouco das pirazinas dos pimentões verdes. Tem grande capacidade de envelhecimento.

Perfeitos com carnes nobres e pratos de sabor intenso.

A Merlot é bem diferente, quase um camaleão. Também está plantada nas principais regiões produtoras de vinhos. Por ter uma personalidade menos flexível, algumas de suas características básicas de aromas e sabores são perfeitamente identificáveis mundo afora: cereja, ameixa, louro, baunilha, chocolate.

São vinhos mais macios que os Cabernet e igualmente capazes de envelhecer, se corretamente armazenados. Isto os tornam extremamente versáteis na hora de harmonizar: carnes de gado, ave, ovino, caprino e suíno; massa, inclusive pizza; pratos vegetarianos e muitos outros.

Um adágio bem popular diz: ”se não souber o que servir, escolha um Merlot”.

Alguns dos melhores tintos brasileiros são elaborados com esta varietal.

(as outras castas de Bordeaux são: Cabernet Franc, Malbec, Petit Verdot e Carménère.)

Pinot Noir – A grande casta da Borgonha é responsável por muitos dos mais caros e famosos vinhos deste planeta, entre eles, o icônico Domaine de la Romanée-Conti. Também está densamente plantada na região de Champagne onde, novamente, está presente na elaboração destes que são os mais deliciosos vinhos espumantes.

Uma casta diferente e totalmente temperamental. Muito complicada de cultivar e vinificar, mas com resultados espetaculares. Está no mesmo time de outras “prima donas” como a Nebbiolo e a Baga.

Por conta do seu “temperamento” não é uma casta que se adapte facilmente a qualquer terreno. Fora da França, vamos encontrar vinhedos importantes nos EUA, Chile, Alemanha, Nova Zelândia e Itália.

Seus vinhos são de coloração muito clara, quase um rosado, corpo leve a médio, mas com uma intensidade de aromas e sabores simplesmente incomparável. Uma sinfonia de framboesa, cereja, hibisco e baunilha.

Há quem os aprecie acima de tudo e há os que abominam este tipo de vinho. São o par perfeito para a carne de pato. Salmão é outra iguaria que harmoniza corretamente com este vinho. Em algumas preparações, até mesmo frutos do mar podem ser combinados com um Pinot.

Uma casta que deve ser conhecida e provada por qualquer um que queira saber tudo sobre vinhos. Este contraste com as outras uvas é fundamental para sedimentar conhecimentos.

Syrah ou Shiraz – A grande casta da região do rio Ródano, França, e amplamente difundida entre os produtores de vinho, inclusive na América do Sul.

Sempre foi um pouco esnobada por conta da sua origem não bordalesa. Com a ajuda de um grande crítico de vinhos, que passou a chancelar vinhos do Rhône com os famosos 100 pontos, foi reconhecida como uma uva “superstar”.

Brilha sozinha ou acompanhada por Grenache (Garnacha) e Mourvèdre formando o não menos importante “corte gsm”.

Seus vinhos são ricos e encorpados, variando ligeiramente conforme o terroir. Encontramos sempre aromas e sabores bem característicos: pimenta do reino, ameixa preta, mirtilo, chocolate ao leite e tabaco.

Harmonizam muito bem com pratos condimentados, comida indiana e carne de caprinos ao estilo árabe.

Esta é uma casta muito importante para a nossa vitivinicultura, foi a primeira a se adaptar à “dupla poda”, técnica desenvolvida no nosso país, que está sendo usada em outros lugares.

Já estamos produzindo alguns Syrah que se equivalem aos mais famosos Chilenos e Australianos.

Malbec – Embora seja uma das castas de Bordéus, foi no terroir Argentino de Mendoza onde se destacou e ganhou fama mais que merecida.

Na sua origem, era considerada uma casta coadjuvante, um “segundo time”, servindo, apenas, para complementar o famoso corte bordalês. Dizem que Malbec seria uma deturpação da expressão francesa “mal bec”, “bico errado” ou gosto ruim.

Seus vinhos são encorpados e ao mesmo tempo muito fáceis de beber. Aromas e sabores de framboesas, ameixa vermelha, baunilha, cacau e tabaco suave são características típicas do estilo mendocino.

Um vinho para carnes vermelhas e pratos suculentos. Também harmoniza com queijos de mofo azul e com sobremesas a base de chocolate amargo, 70% no mínimo.

Um bom caminho de aprendizado é provar o Malbec argentino e compará-lo com seu irmão francês da região de Cahors. São muito diferentes. Uma bela “aula” sobre terroir e métodos de vinificação.

Há mais uvas que poderemos escrever sobre elas em outra oportunidade. Para aqueles desejosos de saber e que já se diplomaram nesta primeira lista, aqui está uma relação a ser pesquisada:

Tempranillo; Touriga Nacional; Cabernet Franc, Carménère; Tannat, Primitivo/Zinfandel e Grenache/Garnacha.

Saúde e bons vinhos!

CRÉDITOS:

Imagem de grmarc no Freepik

Uvas brancas que todos devem conhecer e provar

Alguns conhecimentos são essenciais nas nossas vidas. São ensinamentos aprendidos dentro de casa, na escola e até nas ruas.

No mundo do vinho não é diferente. Podemos apreciar um vinho apenas por suas características básicas, cor, aroma e sabor, e não há nada de errado nisto.

Para alguns iniciados, conhecer o que está por trás desta mágica que cria cor, aromas e sabores, agrega um grau maior de satisfação e prazer. É a partir deste conhecimento que nos habilitamos a fazer ótimas escolhas e, quem sabe, um dia, sermos reconhecidos como “experts” no assunto.

Especialistas ou neófitos, sabemos que a elaboração de um vinho começa no vinhedo: a uva é a estrela. Não são poucas, estima-se em 10.000 variedades distintas. Deste universo, apenas algumas são usadas para a produção desta bebida, entre tintas e brancas.

Vamos conhecer as castas brancas mais famosas:

Chardonnay – Considerada como “a uva branca padrão”, tem sua origem na região da Borgonha, França, onde dois estilos de elaboração se destacam: o uso, ou não, de barricas de Carvalho para o amadurecimento.

O que passa por madeira é mais encorpado e redondo, enquanto os que não usam este recurso são mais ácidos e diretos, como o famoso Chablis.

Produtores de todo o mundo elaboram um Chardonnay ao seu estilo, sempre calcados nestes dois.

Sauvignon Blanc – Disputa com a anterior a primazia de ser uma casta de referência. Também originária da França, das regiões de Bordeaux e Loire e se espalhou pelo mundo, criando estilos regionais que chegam a ser mais importantes que os originais, por exemplo, Nova Zelândia e Chile.

Quase nunca passa por madeira. É um vinho refrescante e muito gastronômico.

Alvarinho/Albarinho – Casta típica da Península Ibérica, onde são produzidos vinhos deliciosos, como os da região do Minho (vinho verde) e na região espanhola de Rias Baixas. Também ganhou o mundo com seu estilo leve, muito aromático, boa acidez e capacidade de guarda.

Na América do Sul há ótimos rótulos uruguaios e brasileiros. Um vinho muito adequado para o nosso clima e estilo de comida.

Riesling – Por muito tempo considerada como a “rainha das uvas brancas”, é mais caracterizada e conhecida pelo estilo alemão, onde o seu lado adocicado é enfatizado, seguindo os “predicados” das normas de produção daquele país.

Os de estilo seco são muito minerais e chegam a desenvolver aromas de “petróleo” quando abertos. Já os mais adocicados, que custam muito caro, são perfeitos como vinhos de sobremesa.

Moscatel – Também conhecida como Muscat ou Moscato, é um grupo varietal em lugar de uma única casta. Muito doce, encontrou seu lugar de destaque num estilo de vinho espumante muito apreciado. O Brasil se destaca mundialmente neste estilo.

Seus vinhos tranquilos são muito saborosos, com corpo de leve a médio e baixo teor alcoólico. A região da Alsácia é famosa por este estilo.

Curiosamente, sua origem está na antiga Grécia de onde foi levada para a França, se espalhando para diversos outros países. Na vizinha Itália, o Moscato d’Asti é um de seus vinhos icônicos.

Poderíamos incluir algumas outras nesta primeira relação, mas o texto certamente ficaria longo e enfadonho.

Para os mais aventureiros e que gostam de trilhar outros caminhos, aqui estão mais alguns nomes: Pinot Grigio; Chenin Blanc; Torrontés; Gewürztraminer e Viognier, sobre as quais podemos falar mais à frente.

Vinhos de todas estas castas mencionadas são facilmente encontrados no nosso país. Os mais raros e caros, são os Riesling, sejam da Alemanha, Áustria o da francesa Alsácia. Não confundam com o Riesling Itálico, muito comum no Brasil.

Chardonnay da Argentina, Chile e Uruguai são muito bons. Sauvignon Blanc chileno é outra estrela. Alvarinho português tem ótima distribuição por aqui. Já os espanhóis, uruguaios e brasileiros são mais difíceis de encontrar.

Para provar o Moscatel, escolham um bom espumante nacional e se deliciem com uma bela sobremesa. Para os que gostam de combinações exóticas, experimentem harmonizar com comida Thai, bem picante.

Saúde e bons vinhos!

CRÉDITOS: Imagem de Racool_studio no Freepik

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