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Pouilly: Fumé ou Fuissé?

Vinhos franceses sempre foram a referência do mercado, mas entender seus rótulos pode gerar curiosas confusões.

A norma francesa adota o nome da região produtora, em lugar das castas utilizadas, para servir de nome para um vinho. O comprador que tenha conhecimento suficiente para saber que tipo de vinho foi engarrafado sob aquela “Appellation”, e estamos conversados.

As duas AOC de hoje são famosas por provocar um tipo de engano, muito comum, neste nosso universo. Quase todo mundo ou confunde ambas as regiões, ou troca uma pela outra e alguns acham que é o mesmo vinho (de diferentes produtores, por exemplo).

Aqui estão alguns fatos esclarecedores.

São dois vinhos brancos, de diferentes regiões produtoras, distantes entre si por cerca de 200Km, aproximadamente;

A comuna de Pouilly-sur-Loire fica na região do Vale do Loire, próxima à cidade de Sancerre. A casta dominante, nesta região, é a Sauvignon Blanc, conhecida localmente por Blanc Fumé, devido à aparência esfumaçada de suas cascas, quando estão maduras. (fumé significa defumado)

A região do outro vinho engloba quatro comunas, na região do Mâcon, Borgonha, berço da casta Chardonnay: Solutré-Pouilly, Vergisson, Chaintré e Fuissé. Embora seja menos famosa que a outra região, recebeu no ano de 2020 a designação de “premier cru”, a única do Mâconnais.

Cada um representa um terroir totalmente diferente do outro. Enquanto o Sauvignon Blanc é plantado em solos muito minerais como marga, sílex e calcário, as parreiras de Chardonnay estão em solos basicamente graníticos e calcários.

São vinhos minerais com distintas personalidades.

Os Fumé são vinhos frescos e muito elegantes. Apresentam aromas que lembram pederneira e defumados. No palato encontram-se notas cítricas, groselha verde, ótima acidez e a já citada mineralidade.

Harmonizam com frutos-do-mar, queijos brancos de cabra ou ovelha, carnes brancas, culinária oriental e vegetais como aspargos e molho pesto.

Os Fuissé são vinhos considerados com exuberantes, com uma mineralidade mais sutil. Aromas de frutas brancas e paladar muito cremoso. Quase sempre passam algum tempo em barricas de carvalho, o que lhe confere boa capacidade de envelhecimento.

Harmonizam com crustáceos, carnes brancas, risotos e massas, inclusive com molhos a base de vegetais, queijos brancos ou amarelos de textura média, Foie gras e escargots com alho.

Agora, não errem mais!

Saúde.

CRÉDITOS: Foto obtida no gerador de imagens do ChatGPt

Gotas Divinas e a casta Herbemont

Gotas divinas (Drops of God) é uma série televisiva sobre vinhos. O enredo, baseado num “mangá”, gira em torno de dois meio irmãos que disputam uma herança deixada pelo pai: um famoso guia de vinhos e uma adega repleta de rótulos espetaculares.

A primeira temporada foi um sucesso, até para quem não entende de vinhos. Os personagens, Camille e Issei, conquistaram a todos que assistiram esta história.

Uma segunda temporada era inevitável.

Já está disponível, aqui no Brasil, desde janeiro, no streaming da Apple TV. Desta vez, a missão é descobrir a origem de um misterioso vinho que, segundo o falecido pai dos personagens, seria o melhor do mundo. Preparem-se para ótimas aventuras.

Mas, se vocês pretendem assistir e não querem um “spoiler”, parem por aqui.

Esta única garrafa, entregue aos dois por um amigo do finado pai, era indecifrável: nenhum rótulo, marca ou outra pista. Matar a charada teria que ser através da degustação, observando cor, aroma e sabor, para tentar descobrir que vinho era aquele.

Incapazes de chegar a uma conclusão, partem para um instituto de pesquisa na França, onde existem as mais diversas vinhas, das quais são produzidos vinhos básicos para fins de estudos.

Após degustarem centenas de amostras, descobrem que o enigmático vinho teria sido produzido com a casta Herbemont. O próximo passo é encontrar em que região do mundo ele teria sido vinificado. Mas esta parte da aventura nós não vamos contar.

A grande curiosidade fica por conta da Herbemont, uma casta híbrida (vitis bourquina), obtida a partir do cruzamento de uma uva americana da espécie vitis aestivalis com alguma vitis vinifera. Pesquisadores supõem que tenha sido a uva Chasselas.

A casta é tão misteriosa quanto o seu vinho.

Tem qualidades bastante desejadas por produtores. Resiste bem a diversas pragas como a Filoxera, a fungos e outros males. Muito vigorosa, tem ótima produtividade, mesmo em climas úmidos. Seus frutos sempre foram apreciados como uvas de mesa. Muito saborosos.

Curiosamente, é atualmente considerada com quase extinta. Esta categoria de uvas nunca caiu no agrado de todos e, em alguns países, tiveram seu cultivo proibido.

Com as mudanças climáticas atuais, o que poderia ser um trunfo se tornou um grande erro.

A maior área plantada desta casta está no nosso país. Foi trazida para São Paulo, a mais de cem anos e depois levada para o Rio Grande do Sul, onde ainda existem cerca de 112 hectares plantados (dados de 2016). Os nomes regionais são: uva “Champanha” ou uva “Borgonha”.

Ainda é utilizada para a elaboração de destilados, vinhos-base para espumantes, vinhos compostos e pet-nats.

Alguns autores comentam que, a vinícola Salton, em 2007, teria elaborado um interessante espumante rosê a partir de um corte com Herbemont, uva Isabel e Seyval Blanc, outra casta hibrida. Não foi possível confirmar isto no site da vinícola, entretanto.

Um último “spoiler”: o enigmático vinho da série Gotas divinas não foi elaborado aqui no Brasil.

Saúde!

CRÉDITOS: foto obtida no Wein.Plus

O vinho muda conforme a geração?

O vinho enfrenta uma crise de consumo em todo o mundo. Segundo os especialistas, as novas gerações, como a do Milênio (1981 – 1996) ou a Geração Z (1997 – 2010), não são grandes consumidores como eram os “Baby boomers” (1946 – 1964) ou os da Geração X (1965 – 1980).

Nós, os avós de hoje, degustávamos uma taça de vinho, ou outras bebidas alcoólicas, quase como um ritual. Celebrava o final de um dia de intenso trabalho, o conquistar de uma meta, o crescimento da família ou da fortuna.

As novas gerações têm outras preocupações. Ao que tudo indica, não consomem só por prazer, há outras implicações embutidas: quem produziu, onde produziu e como produziu.

Para comprar uma garrafa, é preciso mais que um rótulo bonito. É quase uma obrigação se certificarem de que as rígidas regras de preservação ambiental foram seguidas durante o cultivo das uvas.

A vinificação deve ser isenta de químicos exógenos, as barricas de carvalho só podem vir de florestas sustentáveis e as garrafas e outras embalagens precisam ser produzidas com materiais 100% recicláveis ou a partir deles.

Vender uma garrafa de vinho virou uma tarefa complexa.

Como se isto não fosse bastante complicado, esta nova turma de apreciadores é avessa ao que se convencionou chamar de “tradições”. Desta forma, enxergam determinadas castas, regiões e produtores consagrados como algo ultrapassado. Estão em busca do novo, do desconhecido, do não experimentado.

É nesta onda que aparecem, com força, os vinhos “naturais” ou de pouca intervenção, que se contrapõem aos tradicionais que, dentro desta filosofia, seriam “manipulados” para obterem bons resultados.

Castas como as clássicas Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc, deixam de ser o “mainstream” e, nos seus lugares, surgem Chenin Blanc, Alvarinho, Dethorna, Anglianico, Primitivo ou Petit Syrah.

Outro ponto de vital importância para estes jovens consumidores é o teor alcoólico: tem que ser drasticamente menor que os valores atuais.

Nada de bombas calóricas e encorpadas. A preferência atual são vinhos leves, muito aromáticos e frutados. A maior preocupação é com saúde e bem-estar. Querem saber, em detalhes, tudo que será absorvido por seus organismos.

Cada geração tem um propósito de vida. Enquanto os “Baby Boomers” tinham como pano de fundo o fim da guerra, o que se traduzia em uma forte preocupação com segurança e sobrevivência, a “Geração Z” está preocupada com a saúde mental e estabilidade climática.

Para cada época um vinho de cabeceira significante: cortes bordaleses, cabernet do novo mundo, Chianti, Barolo, vinhos do leste europeu e, por que não, vinhos asiáticos, que podem ser um novo trend.

Para os verdadeiros enófilos, o leque ampliou e muita coisa boa surgiu no horizonte.

Resta saber se os produtores entenderam a mensagem. Há espaço para tudo isto.

Saúde!

CRÉDITOS: Imagem de starline no Freepik

Por onde começo?

Esta é uma pergunta que nos fazem constantemente. Uma verdadeira legião de pessoas alega que aprecia um bom vinho, mas que não compreende como este universo funciona e sempre se surpreende com amigos que demonstram algum conhecimento ou seguem aqueles conhecidos ritos, antes de apreciar o que lhes foi servido.

Existem alguns caminhos que podem ser percorridos. Tudo vai depender do grau de conhecimento desejado por cada um. Para ser um simples enófilo, alguém que sabe o bastante sobre vinhos para comprar bem, escolher corretamente e simplesmente desfrutar de bons momentos com os amigos ou a família, a trilha pode ser bem simples e, muitas vezes, bem divertida.

Estamos falando de livros, conversas com pessoas com maior conhecimento, viagens de enoturismo, participação em eventos como feiras e degustações dirigidas.

Se o objetivo for um caminho profissionalizante, o percurso pode ser bem mais longo, difícil e muitas vezes caro. Neste caso, cursos profissionalizantes como Senac, ABS, Eno Cultura, entre outros, são obrigatórios.

Para o outro grupo, que deseja ser um gourmet e conhecedor de vinhos, tudo pode começar bem básico, para formar uma sólida construção de saber.

Vinho, por definição, é uma bebida fermentada a partir de um mosto de uvas denominadas “viníferas”, ou seja, não é de qualquer outro tipo de uva ou mesmo de outra fruta.

Dentre estas “viníferas”, existem mais de 10.000 tipos, algumas se destacam e são as mais utilizadas por produtores em diversos países. Conhecer seus vinhos é o primeiro passo: Cabernet Sauvignon e Pinot Noir, tintas, Chardonnay e Sauvignon Blanc, brancas.

Algumas escolhas se impõem, por exemplo, vinhos de boa origem e de qualidade comprovada. Escolher um vinho barato e ruim nada vai acrescentar ao nosso portfólio.

Podemos sugerir como primeira escolha: Cabernet Sauvignon chileno; Chardonnay argentino ou da Borgonha; Pinot Noir dos Estados Unidos ou Nova Zelândia; Sauvignon Blanc francês ou chileno. Sempre no estilo seco. Deixem os “demi-sec” ou os doces para uma segunda etapa.

Experimentem, experimentem e experimentem. Depois decidam se apreciam, ou não, cada uma destas uvas. Não se preocupem com aromas, sabores, taninos, madeira e acidez; isto só vem com o tempo.

Formem uma referência com o que gostaram. A partir deste pressuposto, comecem a provar outras vinificações, comparando com o seu vinho, até então, preferido. Com certeza esta opinião vai mudar em algum momento.

Para as castas que não foram apreciadas, não as descartem totalmente. Procurem produtores em outros países e tornem a provar. Se mesmo assim não for do seu agrado, é hora de buscar novas referências.

Além das já citadas, aqui está uma relação complementar: Merlot, Cabernet Franc, Malbec, Syrah, Tempranillo e Sangiovese (tintas); Alvarinho, Riesling, Chenin Blanc, Viognier, Torrontés e Moscato (brancas).

Dois últimos conselhos antes de voos mais complexos: habituem-se a anotar tudo que provaram, seja num caderninho dedicado ou num dos muitos aplicativos que existem para isto.

Na hora da dúvida, procurem o amigo que sabe tudo ou escrevam para este blog. Estamos sempre prontos para esclarecer sobre este apaixonante tema.

Saúde e bons vinhos.

Dica da Karina – Cave Nacional

Esta será a última dica da Karina neste ano.

A Cave Nacional está bombando neste final de ano, quando comemora 10 anos de vida. Muitas promoções, degustações e um delicioso Gastro Bar.

Não deixem de conhecer.

Monte Castelo – SESSILIA – Rose Syrah 2024

A Vinícola Monte Castelo foi fundada em 2016 em Jaraguá, Goiás, pelos amigos Milton Santana, Carolina Santana, Marco Cano e Luciana Cano. De enófilos, passaram a ter o seu próprio negócio do vinho. A primeira safra foi em 2020, com colheita manual, seleção dos cachos para que somente bagas sãs sejam vinificadas. Já a safra de 2021 foi a primeira safra comercial com cerca de 6.000 garrafas entre branco, rosé e tinto.

A propriedade está a 644 metros de altitude, possui solo arenoso com predominância de pedras, clima seco e amplitude térmica de 22 °C na época da maturação das uvas.

Estes vitivinicultores do cerrado goiano, usando da dupla poda, foram para além das tradicionais Syrah e Sauvignon Blanc, implantando em seus vinhedos também a Cabernet Sauvignon e a Viognier.

O Monte Castelo Sessilia safra 2024 é um rosé com passagem por tanques de inox, com controle de temperatura e posterior contato com as lias finas por 6 meses.

De visual salmão claro, límpido e brilhante, possui notas florais. Na boca, acidez equilibrada e com notas frutadas.

Harmoniza perfeitamente com saladas, peixes leves, frutos do mar e carnes brancas.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de Freepik

Spaghetti e molho de tomate harmoniza com Merlot?

São ingredientes simples e corriqueiros. De um lado uma tradicional combinação da culinária italiana. Do outro, um dos mais populares vinhos da região de Bordeaux.

O que poderia dar errado?

Existem diversas maneiras de olhar para esta combinação. A mais simples delas, entender que isto é apenas um embate entre Itália e França, talvez não seja o melhor ponto de partida.

Comecemos pelos tomates, cuja acidez obtida no molho será a peça-chave para equilibrar esta harmonização: não são genuinamente italianos.

Foram trazidos para a Europa no século XVI, pelos conquistadores espanhóis. A então exótica planta, originária das Américas central e do sul, se adaptou perfeitamente em solos italianos e espanhóis.

O macarrão tampouco é 100% italiano. Apesar da lenda que mistura China e Marco Polo, a “pasta”, inclusive nos formatos longos, tem suas verdadeiras origens fincadas no povo árabe.

Já o encontro que resultou no prato em questão, só foi acontecer no final dos anos 1800, na região da Campanha, provavelmente em Nápoles ou Avelino. Coube a um famoso cozinheiro, Ippolito Cavalcanti, publicar a primeira receita desta delícia em 1837: ”vermicelli al pomodoro”.

O nosso caldeirão cultural começa a ferver.

Sobre o vinho, não há dúvidas com relação às origens da casta Merlot: é francesa. Mas ela se difundiu pelo mundo afora e hoje é a segunda uva mais cultivada por produtores de vinho. Existem mais de 40 estilos destes vinhos.

Isto torna a nossa harmonização um pouco mais complicada: não é qualquer Merlot que vai dar certo.

O caldeirão, agora, está em franca ebulição.

Apesar de ser cultivada por toda a Itália, onde produz alguns grandes vinhos, esta combinação não seria a primeira escolha de um nativo.

Levando em consideração as características muito aromáticas deste prato, por conta do “basílico”, a acidez do molho e o perfil levemente adocicado do macarrão, a escolha ideal seria um vinho branco seco, muito aromático e saboroso, fresco, delicado e sedoso, para equilibrar a acidez e harmonizar com o espaguete.

Como esta receita se originou na Campanha, o clássico Fiano di Avellino é a indicação número 1.

Outras possibilidades entre os brancos: Greco di Tufo, Verdicchio dei Castelli di Jesi DOC, Frascatti Superiore Secco e Soave Superiore.

Existem algumas possibilidades entre os tintos: Chianti Classico DOCG, Barbera d’Asti DOCG e Dolcetto d’Alba DOC.

Todos italianíssimos; e o nosso Merlot não entrou nesta pequena lista. Para descobrirmos se existe uma combinação possível com ele, precisamos avaliar alguns diferentes perfis de produtores ao redor do mundo.

Bordeaux é a referência. São vinhos bem estruturados, com taninos presentes, mas domados, com notas mais terciárias: tabaco, alcatrão, madeira. O mesmo pode ser dito, com pequenas variações, sobre os elaborados na Itália e no Chile.

Um outro estilo, apelidado de “vinho de clima temperado”, é o encontrado nos vinhos da Argentina, Califórnia e Austrália. São muito frutados, com taninos sedosos, corpo médio e uma acidez desejável. Fáceis de degustar e uma boa opção para esta harmonização.

Um destaque especial para os nossos Merlot. Embora ainda não sejam reconhecidos internacionalmente, são vinhos com boa personalidade e bem adequados para acompanhar pratos com base em molho de tomates. (vejam a dica de hoje)

Quem diria que tem tanta história por trás de um “simples” Espaguete ao Molho de Tomate”.

Saúde e bons vinhos!

A nossa querida parceira, Cave Nacional, está completando 10 anos. Para comemorar está lançando um vinho, o Decave, e promovendo diversas Masterclasses sobre o vinho nacional.

Acessem o site para saber mais. Cave Nacional Degustações

Dica da Karina – Cave Nacional

Berkano – Merlot Barricas 2022

O projeto da Berkano Premium Wines começou há 10 anos, com estudos de mercado, parcerias e castas. Foi gestado com personalidade e total destaque para a tipicidade da região. Os rótulos produzidos pela vinícola são resultado da maturidade, do tempo e do estudo: uma homenagem ao terroir da Serra Gaúcha. A vinícola possui receptivo em Pinto Bandeira.

O Berkano Merlot Barricas safra 2022 amadurece por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. De cor vermelho rubi, apresenta um equilíbrio entre a fruta e a madeira, com aromas que remetem a cereja, ameixa, framboesa, mentol, baunilha, chocolate, café, caramelo, tostado, especiarias e tabaco.

Na boca, é um vinho macio, redondo, encorpado e persistente, com taninos suaves e acidez moderada. Harmoniza perfeitamente com carnes vermelhas, massas com molhos vermelhos ou cremoso, queijos maduros e pratos condimentados.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de abertura obtida por IA

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