Categoria: O mundo dos vinhos (Page 51 of 87)

O vinho preferido da adega

Imagem por Carabo Spain em Pixabay

Fazer escolhas nunca é fácil. Apontar uma garrafa como a preferida, em nossas adegas, pode se tornar um problemão. Ainda mais nestes tempos de epidemia: abro ou não aquele vinho especial?

Neste momento, múltiplos fatores entram em ação na nossa cabeça.

Todo vinho que adegamos tem um histórico e um futuro. Precisamos avaliar desde as razões e o momento da compra, até o destino que imaginamos para ele, se é que já pensamos nisto.

Enófilos que se prezam acabam por desenvolver algumas preferências. Por exemplo, uma determinada casta ou região produtora. Ao longo da nossa experiência com vinhos, podemos agregar e filtrar outros pontos, como a safra, que até hoje é o mais importante para alguns, a vinícola ou o produtor. Há quem selecione pelo preço, pelo rótulo, pela forma da garrafa ou pelo tipo de fechamento. Outra influência importante é a opinião de críticos e revistas especializadas.

Compra feita, entram em cena novos elementos. Precisamos decidir o que fazer com a nova aquisição: consumir, guardar, presentear…

Em seguida e naturalmente pensamos no trio “quando, onde e com quem”.

Agora imaginem se em lugar de comprada, esta garrafa, tão especial, nos fosse presenteada? O “quem” já está decidido a priori!

De todas estas opções, levando-se em conta os tempos atuais (ano de 2020), o ponto que mais me preocupa é o “quando”. Creio não estar sozinho neste raciocínio.

Tão complicado quanto decidir qual de nossos vinho é a estrela da adega, é tentar explicar o que nos leva a fazer este tipo de coisa.

Exemplos práticos são melhores que mil palavras, parafraseando um antigo provérbio. Aqui vão duas experiências pessoais.

Tenho a minha garrafa especial, até hoje.

Originalmente eram duas, idênticas, compradas com a ideia de comemorar dois marcos na vida do meu filho: a sua formatura e o seu casamento.

O primeiro destes ritos de passagem foi cumprido exatamente como imaginei. E o vinho estava espetacular.

A segunda garrafa ainda está na minha adega. Meu filho já se casou e foi morar em Portugal com sua esposa. Foi tudo muito rápido e com toda a correria não houve um momento para degustarmos esta preciosidade, acreditem.

Terei que aguardar a vinda deles ou a próxima viagem para visitá-los. O que vier primeiro…

Enquanto isto, já tenho um substituto para o melhor da minha adega. Numa das minhas viagens, visitei uma loja de vinhos icônica com um duplo propósito: conhecer a loja e comprar um dos melhores vinhos daquele país.

Tinha tudo planejado, inclusive quanto pretendia gastar. O fator imponderável era se encontraria o produto, ou não.

Estavam estocados.

Fiquei alguns minutos decidindo entre duas safras: 2012, mais em conta e 2011, que passava do meu orçamento, pouca coisa. Foi minha esposa que decidiu: leve a mais cara!

Que feliz decisão. Assim que chegamos de volta, a Wine Spectator publicou os melhores vinhos daquele ano.

O meu vinho?

O melhor do mundo e na safra escolhida!

Com quem vou degustá-lo já está resolvido.

Só preciso decidir o “quando”.

Saúde e bons vinhos.

WOW inaugura dia 31/07/2020

WOW ou World of Wine (Mundo do Vinho) é um espetacular empreendimento ligado ao enoturismo, localizado em Vila Nova de Gaia.

Pertence ao grupo Fladgate, que detém as marcas Taylor’s, Fonseca, Croft e Krohn, além de hotéis, como o famoso Yeatman, e museus.

Foram investidos 105 milhões de Euros para converter antigas caves de vinho do Porto neste espaço que vai abrigar múltiplas coisas. Foram 5 anos entre planejamento e obras.

A proposta prevê 6 Experiências, 9 Restaurantes ou Cafés, lojas e 15 Espaços de Convivência que podem ser usados para múltiplos eventos.

Para os amantes do vinho, a principal atração é a The Wine Experience, dedicada quer a simpatizantes amadores como a enólogos experientes. Pretende desmistificar o vinho.

Um abrangente programa que começa no vinhedo e termina na taça. Serão mostradas as diferentes castas e regiões produtoras, além de um Desafio dos Sentidos, onde será possível testar nossa percepção olfativa.

Outras experiências são dedicadas ao mundo das rolhas (Portugal é o maior produtor), um passeio histórico pela cidade que dá nome ao mais famoso vinho português e uma só dedicada ao chocolate, a “The Chocolate Story”, onde todos poderão acompanhar a fabricação desta delícia. Outra que promete ser espetacular é a “The Bridge Collection – 9000 anos de história contada através dos copos”. A coleção pertence a Adrian Bridge, CEO da Fladgate Partnership. A principal peça é japonesa, com idade estimada entre 8 e 9 mil anos!

Na parte gastronômica há de tudo: refeições rápidas no Lemmon Plaza; comida vegetariana no Root & Vine; cafés e chocolates no Suspiro e no Vinte Vinte; um completo bar de vinhos, o Angel´s Share; um restaurante só de frutos do mar, o The Golden Catch; além do VP, de gastronomia portuguesa, o 1828, um tradicional restaurante com espetacular vista e o Mira Mira dedicado a alta gastronomia.

Para o próximo ano letivo há a previsão de uma Escola de Vinhos, com diversos níveis de aprendizado, salas de prova e cozinha. Show!

Agora só nos resta esperar que o “novo normal” nos permita visitar esta maravilha. Há muito o que ver e aprender.

Saúde e bons vinhos!

Fotos obtidas nos sites da Fladgate Partnership e do WOW.

6ª IP brasileira: Campanha Gaúcha

IP ou indicação de procedência é uma importante classificação para quem produz e para quem consome vinhos. Em termos práticos, é uma coleção de normas de produção que, definitivamente, vai ditar a qualidade do produto. Para o nosso país, um jovem em termos de produção de vinhos, é sinal de maturidade.

Esta notícia chega em boa hora e faz um contraste com outra nota, esta extremamente ruim, que publicamos anteriormente, sobre nova tentativa de impor salvaguardas ao vinho brasileiro.

Impressionante, sem dúvidas, como apresentamos ótimos sinais de evolução ao mesmo tempo que somos envolvidos em “imbróglios” de produtores incultos, inescrupulosos, gananciosos e desatentos aos rumos do mercado.

Os bons vinhos da Campanha Gaúcha, na safra de 2020, já considerada como uma das melhores de nossa produção, se juntam aos de outras IPs: Farroupilha, Monte Belo, Altos Montes, Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul, Vales da Uva Goethe em Santa Catarina, e aos da única DO (denominação de origem), Vale dos Vinhedos (RS).

Não pensem que é fácil estampar no rótulo de um vinho estas duas letrinhas. O produtor precisa seguir, à risca, tudo que está detalhado no caderno de encargos.

Para os mais curiosos, aqui está um link para o documento oficial:

https://www.gov.br/inpi/pt-br/servicos/indicacoes-geograficas/arquivos/cadernos-de-especificacoes-tecnicas/CampanhaGacha.pdf

Estas especificações técnicas abrangem desde a área de plantio (vide mapa), passa pelo tipo de condução das videiras, limita em 36 as variedades de uvas que podem ser cultivadas e especificam detalhes técnicos de vinificação (teor alcoólico, acidez volátil, anidrido sulfuroso etc.).

Também estão normatizados os métodos de amadurecimento, de engarrafamento, inclusive tamanho de garrafas, e sua rotulagem.

A palavra final será dada pela Comissão de Degustação do Conselho Regulador da IP Campanha Gaúcha. Caberá a eles certificar as características de qualidade organoléptica e de identidade.

Tudo para termos vinhos de qualidade equivalente aos melhores do mundo.

É assim que se faz!

A região da Campanha Gaúcha é uma das mais bonitas do Brasil e várias vinícolas já estão com seus roteiros de enoturismo prontos e operacionais. Ótima oportunidade para desfrutar das tradições do Gaúcho da Fronteira, sua gastronomia, danças folclóricas e ótimos vinhos. (quando for possível…)

Para conhecer mais sobre esta região, acesse: https://www.vinhosdacampanha.com.br/

Saúde e bons vinhos!

Fugindo das garrafas

Recebemos um comentário sobre a coluna da semana passada, que apresentava as garrafas moldadas em papelão reciclado. Sugeria a origem do revestimento plástico, interno, usado nelas:

“Deve ser a mesma tecnologia usada para fazer tanques de combustível descartáveis na Segunda Guerra. Se não estraga a gasolina, não estraga o vinho”.

Comparar gasolina com vinho é bem fora do comum, mas há um pouco de lógica por trás deste fato. Do ponto de vista técnico é exatamente a mesma ideia. Apenas o material plástico é de outra qualidade.

Curiosamente, quem primeiro imaginou que poderia criar uma embalagem plástica para vinhos foi o australiano Tom Angove, em 1960. Associou dois fatos:

1 – As antigas bolsas de vinhos feitas a partir da pele de cabras. Eram bem flexíveis e práticas;

2 – Notou que a solução ácida, usada em baterias automotivas, era embalada em um saco plástico metálico, acondicionado dentro de uma caixa de papelão. (continuamos com comparações estranhas…)

Adaptou estas duas coisas e surgiram os vinhos em caixas de papelão. As primeiras versões eram fechadas com uma tarraxa simples. A torneirinha só surgiria por volta de 1967.

Austrália e Nova Zelândia foram os primeiros a adotar os Bag-in-Box (BIB), embalando quase 50% de sua produção nestas caixas (anos 80 e 90).

Conseguiram triplicar o consumo per capita. Devemos levar em conta o estilo de vida destes dois países, que privilegiam a vida ao ar livre, praia, piqueniques, churrascos, pescarias etc. O BIB se tornaria o companheiro perfeito: fácil de guardar, transportar, gelar e com uma grande vantagem, o vinho durava 30 dias, pelo menos.

Os produtores ingleses foram os próximos a adotar estas práticas embalagens. Justiça seja feita, eles criaram o termo “Bag-in-Box”. Mas em vez de usar o padrão australiano de 2 litros de bons vinhos, prefiram caixas maiores e os vinhos eram de qualidade duvidosa. Mesmo assim, conseguiram alavancar as vendas e o consumo.

O resto do mundo foi sendo conquistado pouco a pouco. Nos países nórdicos 50% dos vinhos são vendidos nesta embalagem.

A França era um dos últimos baluartes. Ninguém imaginaria que fossem mexer no binômio qualidade e tradição: vinho é assim – garrafa de vidro e rolha de cortiça.

Não mais…

Sem dúvida é uma grata surpresa, mas alguns distribuidores franceses passaram a “encaixotar” grandes vinhos.

E por que não?

Um dos principais nome é a BiBoViNo, escrito desta forma alternando maiúsculas e minúsculas.

Tem um interessantíssimo portfólio e preços muito em conta. Vejam um exemplo, a seguir.

Côte-Rôtie, para quem não conhece, é o melhor terroir do Vale do Rhône. O preço está dentro do esperado para este tipo de vinho. Há diversas outras opções no site que atendem a todo tipo de bolso.

No Brasil já existem bons vinhos em caixa. Valduga, Miolo, Dal Pizzol, Aurora, são alguns dos grandes nomes que estão com seus produtos à venda em BIB.

Que tal dar uma chance para eles?

Saúde e bons vinhos!

Garrafas de papelão!

Esta é uma novidade muito interessante. A Frugalpack, uma empresa inglesa de embalagens, lançou esta garrafa feita com papelão reciclado, que recebe um acabamento plástico interno, próprio para acondicionar alimentos ou bebidas.

De certa forma, é uma evolução dos vinhos em caixa, nem sempre muito aceito por consumidores mais exigentes. O formato de garrafa, com a mesma capacidade de 750ml, pode ter mais sucesso.

Seu custo equivale ao das garrafas de vidro, mas por serem muito mais leves e permitirem que sejam produzidas no local (on site), as tornam muito vantajosas se olharmos o custo global da operação.

Pesam, apenas, 83g, o que significa uma grande redução nos custos de transporte. Para sua reciclagem, é dividida em duas partes: papelão e plástico. Ambos têm um custo baixo de processamento se comparado ao vidro. Para cumprir as novas metas de “carbon footprint”, está solução é um achado. Reduz as emissões em 84%.

Atacadistas de bebidas estão muito interessados, este mesmo tipo de garrafa pode ser usado para destilados também. A logística de estocagem é mais simples demandando menos mão de obra. A redução de peso implica em áreas de estocagem mais simples e baratas.

Mercados e lojas especializadas vão pelo mesmo caminho e já estão negociando com produtores para que adotem, em determinadas linhas de produtos, este novo padrão de embalagem.

O 1º cliente foi uma vinícola italiana da Úmbria, a Cantina Goccia, que adotou a garrafa para o seu vinho 3Q 2017, um corte de Sangiovese, Merlot e Cabernet Sauvignon.

Outra vantagem indireta está nas possibilidades de rotulagem. A garrafa inteira pode ser decorada com uma imagem em 360º.

Haja criatividade!

O foco da Frugalpac é que as vinícolas adquiram o equipamento e produzam as garrafas na mesma época do engarrafamento, simplificando a operação e diminuindo estoques de materiais pesados e volumosos.

As garrafas podem ser refrigeradas, sem problemas, servindo tanto para vinhos tintos como para brancos ou rosados.

O último elo da cadeia é a aceitação pelo consumidor. Por enquanto poucos países estão experimentando a novidade.

Quem sabe um dia chega ao Brasil?

Saúde e bons vinhos!

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