Categoria: O mundo dos vinhos (Page 62 of 87)

Port. 18/19 – Visita a Adega Luis Pato

Adoraria colocar a seguinte legenda nesta foto: “Dois ícones do vinho”.

A galera certamente iria se manifestar: “menos, menos”!

Quem está comigo é o Mr. Baga, o Rebelde, ou simplesmente, Luis Pato, um dos nomes mais respeitados no mundo do vinho. É um daqueles gênios que domou uvas consideradas impossíveis de serem vinificadas e faz maravilhas com o que tem nas mãos.

Curiosamente, sua formação não é em Enologia, graduou-se em Engenharia Química. Munido de muita paciência e de uma simpatia cativante, correu o mundo com seus vinhos, promovendo degustações para Sommeliers, importadores e distribuidores.

Não foi uma tarefa fácil, seus vinhos têm muita personalidade devido às características de solo e clima em Óis do Bairro. Uvas brancas com alto teor de acidez, perfeitas para a produção de espumantes e a famosa e indisciplinada Baga, tão temperamental quanto a francesa Pinot Noir ou a italiana Nebbiolo. Seus vinhos levam muito tempo para “ficarem prontos”, 20 anos ou mais…

A família Pato está totalmente envolvida na história dos vinhos portugueses. Seu tio-avô, Mario Pato, foi um dos primeiros Enólogos que se dedicou a ensinar vinificação em Portugal. Nas veias desta turma corre vinho…

São 55 hectares de variedades portuguesas, algumas com mais de 100 anos: Baga, Touriga Nacional, Maria Gomes, Bical, Cercial e Sercialinho.

A visita é muito simples: um pouco da história familiar, um recorrido das instalações e, o ponto alto, a degustação de 9 vinhos, todos espetaculares.

Eis a relação do que foi provado:

Espumante Maria Gomes;
Espumante Informal (Baga);
Espumante Vinha Pan (Baga);
Branco Vinhas Velhas;
Branco Vinha Formal;
Tinto Vinha Velhas;
Tinto Vinha Pan 2013 (100% Baga);
Quinta do Moinho 2013 (100% Baga);
Abafado Molecular (doce).

Isto foi uma pequena amostra do que é produzido naquela casa. Alguns de seus vinhos nos fazem supor que há um uma boa dose de magia nisto tudo, como o doce Abafado Molecular, obtido não por colheita tardia ou passificação (apassimento), mas simplesmente a partir de colheita antecipada, seguida de concentração molecular e um pouco de criogenia.

Outro vinho que nos faz pensar é o Fernão Pires, elaborado para homenagear seu neto: um tinto desta casta branca cortada com Baga. Para completar o quadro dos vinhos fora de série, produz um Baga, com parreiras 100% em pé franco, sem enxerto, o Quinta do Ribeirinho. Simplesmente incomparável.

Decidi que compraria uma garrafa de Baga, mas aos 71 anos, esperar mais 20 para degustá-lo seria impensável. Exposto o meu argumento, o que gerou algumas risadas, me foi oferecido um Vinha Pan 2003, que aceitei prontamente.

Em 2023 conto como ele é.

Saúde e bons vinhos!

PS: de lá fomos provar o famoso Leitão da Bairrada, que fica ali pertinho. Harmoniza com espumantes. Mas esta é outra história.

Vinho, o Símbolo de Compartilhar

Vinho, mas pode me chamar de bebida dos Reis, dos Príncipes, dos dignatários do Clero ou Sangue de Jesus.

A ligação entre o vinho e a religião cristã, vem de longa data e tem uma razão muito específica e pouco conhecida: a pureza.

Vinho é uma bebida considerada pura. No processo de produção, a fase de fermentação elimina todas as impurezas que possam estar presentes no mosto. O resultado é um líquido limpo, imaculado, assim como o sangue de Cristo.

Devemos aos missionários religiosos a existência de videiras em diversos países do Novo Mundo que, atualmente, são grandes produtores de vinhos. No Velho Mundo, o hábito, comum desde a Idade Média, de oferecer um cálice de vinho a peregrinos, viajantes e enfermos se encarregou de disseminar a cultura da videira por todos os cantos.

O vinho se torna um símbolo de saúde e alegria, um bom remédio para o corpo e o espírito. Isto nos leva a mais importante episódio bíblico, a Santa Ceia.

Ali se compartilhou tudo e a cena ficou gravada, para sempre, na fé de cada um. Celebra-se não a morte de Jesus, mas sua vida, eterna.

A Ceia de Natal está ligada a esta representação. Comemoramos o nascimento de Jesus, uma nova vida. Brindamos, com vinho, para lembrar sua pureza. Presenteamos os amigos numa clara referência aos Reis Magos e à divisão do pão na última ceia.

Nesta data, reunimos amigos e familiares para dividir, compartilhar, realizar, rir e chorar.

O vinho representa tudo isto!

A partir da próxima semana começo uma nova série na nossa coluna semanal. Convidei alguns Chefs de Cozinha e outros tantos Cozinheiros Amadores, para dividirem este espaço comigo e com os leitores. (nem todos atenderam ao meu convite…)

Originalmente pensamos num tema mais natalino. Por diversas razões, não foi uma cláusula pétrea. Mas não há nenhuma dúvida que qualquer das receitas apresentadas será um sucesso nas reuniões de fim de ano.

A mim caberá indicar os vinhos para acompanhar estas saborosas refeições. Portanto, o tradicional “Vinho da Semana” entra de férias.

Estarei viajando até meados de janeiro de 2019. Talvez a resposta a comentários e e-mails levem um pouco mais de tempo.

Feliz Natal e um maravilhoso 2019, cheio de novas esperanças!

Vinho da Semana: um tinto, italiano, da casta Sangiovese, que significa Sangue de Jesus. Nada melhor para celebrar.

Morellino di Scansano Terenzi DOCG Sangiovese 2013 – $$$

Esta denominação engloba os vinhos obtidos com a icônica casta Sangiovese fora da área demarcada do Chianti. São vinhos fabulosos, embora menos conhecidos.

Destaca-se pelas notas de frutas vermelhas e violetas combinadas a especiarias. Em boca é um vinho tinto fresco e fácil de beber, com taninos equilibrados.

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O nosso parceiro, Casa Rio Verde/Vinhosite/Vinhoclube está com ótimas ofertas das tradicionais Cestas de Natal.

Confira neste link: https://www.casarioverde.com.br/cestas-vinhosite/cestas-de-natal?PS=32&O=OrderByPriceASC

Recuperando um vinho ruim

Em algum momento de nossa relação com os vinhos vamos passar por esta situação, abre-se uma garrafa e ela não corresponde a nenhuma das nossas expectativas.

Dois problemas muito comuns, excesso de taninos ou de doçura, podem ser contornados com alguns truques. O mais simples é baixar a temperatura: o frio inibe as nossas papilas gustativas e não seremos capazes de perceber o que estaria ruim.

Outro truque de algibeira é transformar este vinho numa Sangria (tintos) ou num Clericot (brancos).  Uma alternativa, muito simples, consiste em misturar com água gasosa ou um refrigerante cítrico, servindo em copos com muito gelo e uma rodela de limão para decorar. Gotas de ‘bitter’ e casquinhas de frutas cítricas também ajudam.

Se o problema forem os aromas muito pronunciados ou desagradáveis, tentem uma aeração longa. Neste caso, não usem um aerador, prefiram a velha e boa garrafa decantadora. Sejam muito cuidadosos no momento de verter o líquido, interrompendo ao menor vislumbre de partículas sólidas em suspensão.

Quanto mais tempo ficar aerando maiores as chances de recuperação. Mantenham o decantador sempre apoiado numa superfície plana. Segurem pelo gargalo e façam suaves movimentos circulares. O importante é agitar levemente o vinho. Pode levar de uma ou duas horas até um dia inteiro. Paciência…

Vinhos sem graça, que ao serem degustados não nos dizem nada, podem ser instantaneamente melhorados se forem acompanhados de petiscos mais salgados. Um truque que funciona como o oposto de congelar a bebida. Neste caso, o papel do sal é ativar as papilas.

Nesta mesma linha, aqueles vinhos secos que sob condições normais nos parecem muito doces, devem ser acompanhados de alimentos mais picantes: tudo tende a se equilibrar.

Se nenhum destes truques funcionar, só nos resta tentar usar este vinho para transformá-lo em vinagre, o que demanda equipamento, técnica e um “vinagre mãe”.

Outra opção seria usá-lo para alguma receita culinária, doce ou salgada. Isto vai exigir um pouco mais de cuidado na preparação para não ter surpresas no final.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um Sauvignon Blanc do Chile.

Torreón de Paredes Sauvignon Blanc Reserva Privada 2016

Típica coloração verde pálido brilhante. No nariz, encontramos aromas intensos e expressivos com notas cítricas de limão e maracujá. Paladar fresco com minerais elegantes, vibrante acidez e com final cítrico suave.

Harmonização: Peixes e frutos do mar, Paella, Culinária Oriental, queijos de cabra.

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Vinhos na Black Friday!

Pode ser uma ótima oportunidade para repor a adega e até mesmo comprar aquele vinho dos sonhos. A partir desta 6ª e durando uma semana, o comércio brasileiro copia o modelo norte-americano de vender tudo com grandes descontos. Os vinhos não ficam de fora, mas algum cuidado é necessário.

Cacoete nacional típico, aliado ao pouco interesse da fiscalização, muitos comerciantes preferem praticar a “black fraude”, apelido maldoso criado por compradores mais atentos.

Conversei com os principais distribuidores e importadores e o que percebi foi um certo desânimo. Segundo eles, com a adoção do atual regime tributário onde o imposto é pago muito antes da venda ser realizada, fica pouca margem para dar descontos generosos. A solução encontrada foi separar um lote de vinhos para serem vendidos nesta mega promoção.

Alguns exemplos:

A Mistral terá 1.200 rótulos com descontos de até 30%;

Sua irmã, Vinci, separou 400 rótulos, com cotação de referência do Dólar entre R$ 2,29 e R$ 2,49;

“Compre dois e leve três” é o modo escolhido pela Grand Cru, válida apenas para uma seleção de vinhos novos e que se manterão no catálogo;

Com um esquema semelhante, a Zahil reservou 7 vinhos de diferentes países para vender com a regra do compre 1 leve 2 ou compre 2 leve 3;

Outra grande do mercado, a World Wine, separou 70 vinhos para sua venda promocional, entre eles algumas boas opções.

A Vivavinho também entrou no jogo com vinhos selecionadíssimos;

Nosso parceiro de alguns anos, a Casa Rio Verde, preparou uma super oferta:

50 vinhos de seis países com 50% de desconto, válido somente para esta 6ª feira dia 23/11;

Dentro do espírito da Black Friday, a Casa Rio Verde realiza também, até 9 de dezembro, a BLACK WEEK com 100 vinhos e descontos entre 20% e 50%.

Sócios do Vinho Clube podem usufruir de mais 10% de desconto. Imperdível!

Para evitar roubadas, há um interessante aplicativo, Winezap (*), para o computador ou pelo Whatsapp: é um robô que pesquisa a internet atrás das melhores ofertas.

As dicas estão aí.

Saúde, bons vinhos e boas compras.

(*) agradeço a Mario Henrique Bretas pela indicação.

Vinho da Semana: nem precisava, mas este combo da Casa Rio Verde/Vinho Site é um achado.

Quinteto Black Week

5 ótimos vinhos por um preço bem camarada.

Vinho Tinto Chileno Valdemoro Cabernet Sauvignon 2015

Vinho Branco Português Corvos de Lisboa 2017

Vinho Tinto Chileno Gran Reserva Chileno Dalbosco Syrah-Carmenere 2015

Vinho Tinto Espanhol Rioja Viña Marro Joven 2015

Vinho Tinto Italiano Elianto Garda Clássico Gropello DOP 2010

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Glúten no vinho

Intolerância ao Glúten tem se tornado um transtorno bastante comum, assim como o número de pessoas que descobrem sofrer da Doença Celíaca, quadro mais grave desta sensibilidade anormal à proteína encontrada em cereais como trigo, cevada e centeio.

Pode parecer estranha a afirmação que vinhos podem conter Glúten, mas existe um fato pouco conhecido, até por especialistas, que permite que um vinho, armazenado em barris de carvalho, absorvam uma mínima quantidade de Glúten: tudo decorre de uma técnica de selagem das tampas das barricas utilizando um material composto com farinha de trigo. Algo muito semelhante ao “grude” que utilizávamos na juventude para fazer as nossas pipas ou colar figurinhas num álbum.

A tanoaria ainda é muito artesanal, principalmente para os recipientes que vão envelhecer os melhores vinhos. Apesar de todo o cuidado na hora de montá-los, somente quando cheios é que vão apresentar alguns pequenos defeitos, principalmente nas tampas (topo e fundo). Para evitar a perda do precioso líquido que ali ficará armazenado por longo período, é usual selar estes encaixes com algum produto vedante. Atualmente este selante é ‘gluten–free’.

Uma outra fonte de contaminação do vinho por Glúten vem de um antigo processo de clarificação, hoje abandonado, com produtos que continham esta proteína. Modernamente ainda são utilizados produtos de base animal, o que é preocupação para os que seguem a linha vegetariana. Felizmente a tendência é abandonar estes últimos também.

Todos podem ficar tranquilos: de acordo com padrões internacionais, o vinho é uma bebida sem glúten.

Mesmo que um ou todos estes processos tenham sido empregados na elaboração da nossa bebida predileta, a contaminação não ultrapassaria a 20 ppm (partes por milhão), taxa aceita como segura para os portadores da Doença Celíaca ou intolerância ao Glúten.

Testes recentes, muito rigorosos, realizados nos Estados Unidos com vinhos de alta qualidade, obtiveram como resultado máximo a taxa de 10 ppm.

Para estarem absolutamente seguros que podem degustar seus vinhos sem problemas, sigam estas sugestões:

1 – Evitem vinhos muito antigos que foram envelhecidos em barris. A chance é maior de terem sido armazenados em barricas seladas com pasta de farinha de trigo ou clarificados por um agente que continha Glúten;

2 – A outra ponta da escala também pode ser uma fonte de preocupação. Os vinhos mais simples, comumente denominados “de mesa”, podem conter corantes ou flavorizantes que não são livres de Glúten e nem são mencionados nos rótulos;

3 – Prefira vinhos jovens, que não passam por madeira, seja na fase de fermentação ou amadurecimento. Antes de comprar, pesquise um pouco e leia a Ficha Técnica, sempre disponibilizada no site do produtor;

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: numa comparação feita pelo site Wine Searcher, oito entre os dez melhores Merlot do mundo eram italianos.

Mezzacorona Merlot 2015

Coloração rubi intenso, com belo equilíbrio entre aromas herbáceos e frutados. Em boca, este tinto é seco, com sabores complexos e taninos leves.

Harmonização: Risoto com vinho tinto, Risoto com perdiz, Risoto com Aves, Rosbife, Filé com Molhos Temperados, Canastra curado, Risoto com Carne e Embutidos, Camembert.

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