Velha Senhora aos 35 anos…

Embora seja uma das bebidas alcoólicas mais tradicionais, principalmente nos aspectos relativos à sua forma de elaboração, o vinho muda constantemente de aparência apresentando, a cada safra, novas nuances de aromas, sabores, corpo e outros pequenos detalhes.

Cabe ao departamento de marketing, tanto das vinícolas quanto dos comerciantes, elaborarem novas e interessantes estratégias para chamar a atenção do consumidor.

Uma das técnicas mais comuns são as conhecidas frases ou expressões impressas nos rótulos, algumas que nem sentido fazem, mas ajudam a vender. É caso do sempre criticado “Reservado” ou de outras, mais discretas, como as que indicam ser um varietal quando, na verdade, é um corte onde determinada casta predomina. Tudo isto dentro da lei.

Produtores mais responsáveis começaram a adotar outras formas de expressar o que está dentro de uma garrafa, inclusive para proteger seu bom nome e deixar claro quais são seus objetivos. Surgem os vinhos rotulados de 100% desta ou aquela casta, os de “Vinhedos Únicos”, “Vinhos de Altitude” e muitos mais.

Nem todas estas denominações seguem regras específicas ou são normatizadas. O famoso caso do “Reservado”, é uma nítida forma de induzir o consumidor a comprar um vinho de entrada como se fosse um “Reserva”, que é mais caro. Para a surpresa de muitos, a legislação brasileira regulamentou o uso desta expressão. Mas só vale para os vinhos aqui produzidos.

“Vinhas Velhas” é outro jargão que anda frequentando muitos rótulos. Passa uma certa confiança, mas também é objeto de questionamentos. A primeira impressão é de que se trata de um produto de qualidade superior: vinhas mais antigas produzem menos cachos, que seriam mais doces, permitindo elaborar vinho de alta qualidade.

Pode sugerir, em segundo plano, que estas vinhas poderiam ser de “pé franco” ou “pré-filoxera”, a famosa praga que devastou vinhedos em toda a Europa. Muitos produtores, que ainda possuem plantas não enxertadas, fazem questão de colocar um “pé franco”, seja no rótulo ou contrarrótulo, para não deixar dúvidas.

Para o consumidor habitual fica uma questão: o que pode ser considerado como “vinha velha” afinal? Qual a idade?

Sabendo que o grande marketing do vinho são as suas tradições e que, com vinhas velhas não se brinca, afinal, são um importante patrimônio, a OIV (Organização Internacional do Vinha e da Vinha) adotou uma definição oficial:

“Considera-se uma Vinha Velha aquela parreira que, de forma documental, comprove ter 35 anos ou mais, independente de quaisquer outros fatores.

Para as plantas enxertadas, a idade conta a partir da enxertia e que esta nunca tenha sido alterada.

Para os vinhedos serem considerados como “velhos” é preciso que 85% de suas videiras tenham idades acima dos 35 anos”.

Não foi uma escolha aleatória. Há muitos anos que estudos são elaborados por diversos institutos como o “The Old Vine Conference” da Inglaterra, o “The Old Vine Project” da África do Sul, o incrível banco de dados sobe vinhedos velhos, “The Old Vineyard Registry” e o “Censimento Vecchie Vigne”, o censo das vinhas velhas da Itália.

Vale a pena lembrar que alguns dos maiores vinhedos velhos, em pé franco, que ainda existem estão aqui na América do Sul, principalmente Chile e Argentina.

Vinha Velha no rótulo agora pode confiar. Boa escolha.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Madre Terra AuraZ Rosé Pinot Noir 2023

A Madre Terra é uma vinícola boutique que acredita na agricultura regenerativa, praticada com respeito ao terroir e à sociobiodiversidade. Situada em Flores da Cunha, na região da Capela São João, a 847 metros de altitude, elabora microlotes de vinhos e espumantes, que são uma reverência à Madre Terra e a tudo o que ela nos oferece. O Madre Terra AuraZ Rosé Pinot Noir 2023 é vinificado 100% com Pinot Noir cultivada na região da Serra do Sudeste, RS. De coloração rosa coral, límpido e de média intensidade, apresenta aroma intenso de frutas maduras como melão espanhol, cereja, framboesa, morango, pitanga, com toque floral delicado de jasmim amarelo além da baunilha, cravo e creme de papaia. Vinho seco, acidez equilibrada, encorpado, intensidade de sabor alta e final de boca longo.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: “Old Vines” por outdoorPDK está licenciada sob CC BY-NC-SA 2.0.

2 Comments

  1. Roberto

    Olá, Tuty!
    Sou leitor assíduo, e admirador, de seus textos e artigos.
    Neste aqui encontrei um link que não faz jus ao endereço. O link correto associado ao texto THE OLD VINE PROJECT é https://oldvineproject.co.za/.
    Obrigado!
    Santé!

    • Tuty Pinheiro

      Roberto.
      Muito obrigado pela revisada nos links.
      Já corrigi.
      Abs
      Tuty

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