
No jargão dos vinhateiros, “corte” significa um vinho que foi elaborado a partir da mistura de duas ou mais vinificações, ou um vinho que foi produzido numa co-fermentação de diferentes tipos de uvas. Em outros países são denominados como “blend”, “assemblage”, “coupage” ou “mescla”.
Em termos simples, um corte é o oposto de um varietal.
Embora nos países do Novo Mundo haja uma clara tendência para os monocastas, os cortes têm uma importância singular: este tipo de vinho foi o primeiro a ser elaborado, há centenas de anos.
Naqueles tempos, não havia plantações regulares de parreiras. As vinhas eram meio selvagens e o que era colhido entrava num mesmo tanque de fermentação.
Somente nos anos 1800 é que os especialistas começaram a identificar e classificar as diferentes castas. O resultado prático foi a organização de plantios mais racionais. Com isto, podiam controlar melhor desde o ataque de diversas pragas até a colheita otimizada no ponto correto de maturação: cada variedade tem o seu momento.
Vinhos de corte foram os primeiros e continuam sendo elaborados até hoje. Produzir um vinho neste estilo se tornou uma importante arte e ferramenta indispensável do bom vinhateiro.
Quase todos os “Grandes Vinhos”, que conhecemos, são “assemblages”, algumas tão sofisticadas que são necessárias cinquenta ou mais provas para chegar no resultado desejado.
São todos feitos artesanalmente em sofisticadas salas de prova, por um grupo de técnicos e especialistas. Nada é ao acaso.
Existem algumas formas de elaborar vinhos de corte. A mais clássica é vinificar diversas castas, separadamente, e posteriormente, através de um processo de tentativas e erros, chegar a um resultado otimizado.
Outra forma comum são os chamados “field blends”, ou vinhos de vinhedos multivarietais. Portugal é um dos países onde este tipo de corte é bastante comum.
Um pouco mais raros, são os chamados cortes entre diversas safras de um mesmo vinho. Esta é um técnica muito utilizada em Champagne.
A matéria prima do vinho é diferente a cada safra, tudo decorrente do clima, principalmente a variação de temperatura anual e da quantidade de chuva que precipitou sobre o vinhedo. Por estas razões, correções são necessárias, até mesmo nos ditos varietais.
As normas de cada região produtora costumam ser elásticas, neste ponto, permitindo a adição de outros vinhos, em até 10%, sem que a característica de monocastas seja prejudicada.
Esta ferramenta enológica é a ideal para corrigir problemas de equilíbrio, complexidade, consistência, melhorar aromas e sabores, além de algumas razões de ordem comercial.
Vamos lembrar alguns vinhos que são muito apreciados e respeitados, embora uma grande maioria de Enófilos não se dá conta que são elaborados cortes:
Bordeaux – talvez o corte mais famoso – Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot, são as mais comuns. Nos brancos, Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle.
Rhone – o famoso corte GSM, Grenache, Syrah, Mourvèdre.
Chateneuf-du-Pape – da mesma região, num corte de até 14 castas, incluindo algumas brancas;
Amarone – Corvina, Rondinella e Molinara
Chianti – originalmente era um corte de Canaiolo, Colorino, Ciliegiolo e Mammolo. O mercado exigiu e algumas castas não italianas já são aceitas: Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc;
Super Toscanos – Sangiovese, Merlot, Cab, Franc, Cab. Sauvignon e Syrah;
Rioja – Tempranillo, Carignan, Graciano, Mazuelo e até Cab. Sauvignon;
Porto – Touriga Nacional e Franca, Tinta Cão, Tinta Roriz, Tinta Barroca e outras. São 40 castas possíveis;
Champagne – Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier;
Cava – originalmente, Macabeo, Parellada e Xarel-lo. A partir de 1986, a Chardonnay foi permitida.
Rosé de Provence – Cinsault, Grenache, Syrah, Mourvèdre e Carignan.
E agora, qual a compra mais segura: Corte ou Varietal?
Saúde, bons vinhos!
Dica da Karina – Cave Nacional

A Cata Terroirs foi criada em 2019 por André Marchiori, médico, e Eduardo Strechar, um jovem enólogo, com formação em viticultura e enologia na Austrália e ampla experiência, conquistada através de passagens pela Toscana, Chile e Altitude Catarinense. Cata em português significa: busca, procura; e em espanhol: degustação, prova. Além disso, também é o apelido afetivo do estado de Santa Catarina. O Cata Chenin Blanc 2022 possui fermentação em tanques de aço inoxidável em baixa temperatura, onde permaneceu em contato com as borras finas por 10 meses. Possui visual amarelo esverdeado vivo, límpido e brilhante. No nariz, notas de tempero fresco como tomilho e dill, assim como notas cítricas de limão siciliano e goiaba branca. Aroma complexo e extremamente agradável com muita tipicidade da variedade. Sua acidez alta e equilibrada com boa untuosidade pelo longo contato com as borras finas. Apresenta textura e complexidade em boca, que evidencia as notas de frutas no aroma.
A Cave Nacional envia para todo o Brasil.
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