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Viagem Enogastronômica à Espanha e Portugal – II

Pinhão é uma freguesia do concelho de Alijó com 3Km2 de área e população em torno de 700 habitantes. Situada na margem direita do rio Douro, no centro da região demarcada do Vinho do Porto, onde estão localizadas várias quintas produtoras. A paisagem do Pinhão está classificada pela UNESCO como patrimônio cultural da humanidade.
 
A chegada, de carro, é cinematográfica. A estrada margeia o lado esquerdo do rio terminando na ponte que cruza o Douro e nos deixa na porta do nosso hotel, o Vintage House.
 
 
 
Depois de acomodados, saímos em busca do almoço. O restaurante do hotel, excelente por sinal, oferecia um menu harmonizado que optamos por experimentar no jantar. Indicaram-nos uma alternativa, o Veladouro, localizado à curta distância. Fomos caminhando pela bonita orla do cais.
 
Não era bem o que esperávamos. Uma casa simples, confortável, especializada em grelhados. Nada de alta gastronomia. Optamos por compartilhar um Bacalhau com Batatas, que estava muito seco e uma Dourada que achei correta, embora o peixe fosse servido inteiro, exigindo um paciente trabalho de remover as espinhas.
 
Melhor estava o vinho. Escolhemos um Pedra Cancela branco, da região do Dão (embora estivéssemos no Douro). Elaborado a partir das castas Encruzado, Cercial e Malvasia Fina recebeu 15 pontos (15/20) do Guia Vinhos de Portugal de João Paulo Martins. Foi um bom acompanhante para este dia de temperatura inesperadamente alta para a época. Mostrou leve notas de feno e vegetais secos no aroma além de fruta madura. Nada de cítricos, o que o torna diferente da média. Boa acidez, fresco e fácil de beber.
 
 
Nosso próximo compromisso seria às 18h quando visitaríamos a Quinta do Seixo (pertence à poderosa SOGRAPE) onde é produzido o Porto Sandeman, uma das marcas mais conhecidas internacionalmente. Fica a 5 minutos de carro.


Sandeman

 

 
Esta foi a única vista não agendada previamente. Assim que chegamos ao nosso hotel solicitamos que nos reservassem um horário. Conseguimos o último disponível neste dia. É uma visita clássica, orientada para o turista curioso e não para um especialista. Mas surpreendeu pela simpatia de nossa guia e pela qualidade de tudo que nos foi apresentado ou servido. Na chegada selecionamos qual tipo de visitação gostaríamos de fazer: os homens optaram pela “Vintage” com uma degustação com 5 vinhos do Porto incluindo o premiado “Vau Vintage” (16€ pax); as esposas preferiram a opção “Clássica” (6€ pax) com degustação de 2 vinhos apenas. O tour é o mesmo para todos.
 
Passamos para uma pequena antessala onde somos recebidos pela nossa simpática guia que vem caracterizada como o “Don”, o cavalheiro que está no logotipo da empresa. Ela explica que se trata de uma dupla homenagem: “O “Sandeman Don” é uma das primeiras imagens de marca criada no mundo e o primeiro grande ícone no mundo dos vinhos. Foi pintado, em 1928, por George Massiot Brown e, com a sua capa negra de estudante de Coimbra e o “sombrero” típico de Jerez, ainda hoje mantém toda a sua mística e atração, representando o mistério e a sensualidade da marca Sandeman”.
 
Esta imagem teria inspirado, entre outros heróis da ficção que usam capas, a do Zorro, alter ego de Don Diego de la Vega.
 
O passeio é interessante e fácil. Passamos pelos lagares onde as uvas são processadas, observamos um recorte do subsolo, a cave de envelhecimento, assistimos a um rápido filme institucional e fomos conduzidos para o conjunto sala de degustação e loja. A imagens falam por si.
 
 
Apesar de pouco técnica, foi uma bela introdução ao mundo das vinícolas do Douro. Os vinhos provados estavam ótimos.

Para encerrar este primeiro e movimentado dia, depois de alguns momentos de descanso, provamos o jantar harmonizado com os bons vinhos da Quinta da Pedra Alta, no luxuoso restaurante Rabelo. Um cardápio de 4 etapas.

1º passo:

Melão com presunto e geleia vermelha
Porto Branco Seco Reserva

 
Interessante combinação (a foto do prato se perdeu). O vinho do Porto está em fase de modernização numa tentativa de reaquecer o seu consumo que, hoje, está restrito a grandes comemorações e pessoas idosas. Jovens não se interessam. Este branco, consumido gelado, é uma das opções para conquistar novos apreciadores.


2º passo:

Massa folhada recheada com Alheira e Pasta de Azeitonas
Quinta da Pedra Alta Branco Reserva 2011

 
Elaborado com as castas Malvasia Fina, Rabigato e Gouveio, se mostrou equilibrado e agradável de beber. Ótima combinação com o sabor marcante das Alheiras, um embutido condimentado produzido a partir de carne de aves.


3º passo:

Pato Mudo – corte da ave caramelizado acompanhado de Purê de Batata
Quinta da Pedra Alta DOC Douro (15,5/20)

 
Um corte de Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca com agradável acidez e taninos finos. Boa presença de frutas maduras que harmonizaram delicadamente com o toque de caramelo da ave. Aprovado!


4º passo:

Maçã Assada, Sorvete de Creme e Frutas Vermelhas
Porto LBV Quinta da Pedra Alta

 
Harmonização clássica que encerou esta boa refeição.

Nossa próxima etapa: Quinta do Crasto.

Dica da Semana:  um porto branco para inovar os drinques de verão: Portonic e Caipiporto.

Porto Cálem Velhotes Fine White

Portonic – Num copo alto com gelo sirva 1 dose de Porto Branco Seco e complete com água tônica bem gelada. Decore com uma rodela de limão.

Caipiporto – num copo baixo coloque 4 gomos de Lima da Pérsia, gelo picado e açúcar a gosto. Esmague até obter um bom sumo. Cubra com generosa dose de Porto Branco seco.

Viagem Enogastronômica à Espanha e Portugal – I

Mais uma grande aventura, desta vez em terras do Velho Mundo. O principal objetivo era conhecer a região do Douro, Portugal, onde é produzido o famoso vinho do Porto e também alguns dos melhores vinhos de alta gama deste tradicional país produtor. Aproveitamos a oportunidade para experimentar a sempre sofisticada gastronomia espanhola e alguns de seus vinhos icônicos.
 
Nosso roteiro começou por Madrid onde ficamos um par de dias. Depois, a bordo de um confortável automóvel, passeamos por Ávila, Salamanca, Pinhão, Vila Real, Peso da Régua, Porto, Óbidos, Sintra e Lisboa. Foram 10 dias e muito chão. Visitamos algumas Quintas no Alto Douro onde conhecemos pessoas encantadoras, restaurantes deliciosos e vinhos espetaculares.
 
Ao contrário de outros relatos das nossas viagens, este será mais focado no aspecto enogastronômico. Começamos pela nossa estadia em Madrid.
 
O Restaurante Estay
 
 
Com um estilo que se intitula “Pinchos & Vinos” procura unir a ideia das Tapas, pequenos bocados, com alta gastronomia. Um ambiente muito acolhedor e confortável com um cardápio para se pedir todas as opções e passar longas horas desfrutando boa comida e bons vinhos.
 
 
Para acompanhar a diversidade de pequenas porções escolhidas (Queso puro de Oveja, Jamón Bellota, Crepe de Txangurro, etc.) selecionamos uma ótima Cava, a Juve y Camps Rose Brut de Pinot Noir, que harmonizou corretamente.
 
Este produtor já recebeu diversos prêmios por suas Cavas, talvez as melhores do país. A ilustração a seguir mostra as medalhas ou notas deste espumante.
 
 
Na nossa segunda e última noite na capital espanhola fomos nos divertir na tradicional Bodega de La Ardosa, uma casa fundada em 1892. Um ambiente que nos leva de volta no tempo. Oferece um cardápio das mais tradicionais tapas e uma seleção de bebidas que passeiam desde a boa cerveja até um vermute tirado diretamente do barril, como se fosse o nosso Chopp.
 
 
Na manhã seguinte partimos para Salamanca.
 
Bar Tapas 2.0, Salamanca
 
Este foi o local escolhido para o almoço na chegada a esta cidade universitária, cheia de história. Muito interessante ser chamado de “Gastrotasca”, praticamente um bar de rua, sem nenhuma pretensão. Mas tudo que nos foi servido estava delicioso. Para acompanhar um grande vinho: Predicador!
 
 
Elaborado por Benjamin Romeo, autor do consagrado Contador (100 pts Parker), este vinho, embora jovem (2012) já mostrava excelentes qualidades. Um corte de 94% de Tempranillo e 6% de Garnacha, que estagiou por 15 meses em barricas de carvalho francês de 1º uso.
 
O nome é uma homenagem ao eterno personagem de Clint Eastwood, “The Preacher”, reparem no chapéu do rótulo. Excelente vinho.
 
Restaurante El Monje, Salamanca
 
Para a despedida, jantamos num dos melhores da cidade. Ambiente elegantíssimo, comida refinada e uma carta de vinhos que nos deixou cheio de dúvidas sobre qual escolher. Decidimos pelo Abadia Retuerta Selecion Especial 2009, um clássico da região de Castilla e Leon (Sardon del Duero). A safra de 2001 foi considerada a melhor do mundo no International Wine Challenge de 2005. Um delicioso e complexo corte de 75% Tempranillo, 15% Cabernet Sauvignon e 10% Syrah que estagiou por 16 meses em barricas de carvalho francês e americano.
 
 
Plagiando o lema da vinícola: “um trabalho bem feito”. Ficou perfeito com os pratos pedidos, inclusive com o meu polvo, acreditem.
 
 
Próxima parada: Pinhão, no coração do Douro, Portugal.
 
Dica da Semana:  o irmão menor do melhor vinho degustado na Espanha.
 
Abadia Retuerta Rívola 2009
60% Tempranillo, 40% Cabernet Sauvignon
Cor cereja intenso, lágrima densa e transparente.
No nariz, se mostra apurado, com aromas complexos: morango, café, alcaçuz, pimenta negra, cacau.
Na boca, é redondo, frutado muita fruta roxa, barrica, caramelo e toque mineral.
Robert Parker: 88 pontos
 
 
 
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