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Por que “Uvas Nobres”?

É quase surreal que num Brasil, onde impera uma horda de políticos absolutamente incorretos que adoram legislar sobre o politicamente correto, alguém se atreva a escrever sobre “uvas nobres”, sugerindo que existe algum tipo de discriminação até no mundo dos vinhos.

O mais curioso é que num universo de 15.000 uvas viníferas, apenas seis receberam o apelido de nobres: as brancas Chardonnay, Riesling e Sauvignon Blanc e as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir.

Honestamente, esta “Corte”, em outros cenários, não seria nem digna de atenção. Mas, entre os apreciadores do vinho, é muito difícil encontrar alguém que ainda não tenha provado qualquer uma delas. É um conhecimento básico.

Entretanto, esta não é a razão pela qual receberam algum título de nobreza.

Aqui estão mais alguns fatos sobre este grupo: cinco são francesas e uma alemã, que tem um pezinho na França desde a anexação da Alsácia.

Todos sabemos que havia casamentos entre as diversas famílias reais da Europa, principalmente para “manter tudo sob controle” ou, numa linguagem mais diplomática, “para formar alianças estratégicas”. Não é o caso das nossas viníferas.

Algumas destas castas estão plantadas nos quatro cantos do mundo, o que poderia explicar esta improvável nobreza. Afinal, nobres eram grandes conquistadores de territórios e, se não o fizeram pessoalmente, pelo menos financiaram tais conquistas.

Uma destas nobre castas, a Pinot Noir, desmente esta possibilidade. Mesmo em seu país de origem é uma uva de difícil cultura, exigindo um terroir muito específico e complicado de reproduzir em outros países.

Para encontrar a origem deste apelido para este grupo de videiras, temos que olhar justamente para o país que mostrou as virtudes do vinho como uma bebida de nobres, luxuosa e desejada, para o resto do mundo: a França.

A imagem da monarquia francesa sempre foi de uma vida opulenta, magníficos castelos, festas intermináveis, alta gastronomia e tudo regado por bons vinhos. Até 14 de julho de 1789…

Mas, degustar vinhos de qualidade nunca deixou de ser um ato nobre e, não se pode negar: os elaborados com qualquer destas seis castas são os mais fáceis de beber. Talvez tenham sido os primeiros a serem provados e acabaram fisgando cada um de nós.

Se, atualmente, encontramos estas uvas e seus vinhos espalhados em todos os continentes, devemos isto a vinhateiros franceses que se dedicaram a levar mudas destas videiras originais e não só replantá-las em outros países como ensinar a elaborar vinho com elas.

Isto é a verdadeira nobreza.

Foram os primeiros grandes marqueteiros, exportando a cultura do luxo, gastronomia, ciência, moda e tudo mais que admirávamos na monarquia francesa.

Nobres sim, pelas razões corretas.

Se gostamos de vinhos hoje, devemos à França.

Vive la France!

Dica da Karina – Cave Nacional

Máximo Boschi – BIOGRAFIA EXTRA BRUT 2017

Espumante elaborado pelo Método Tradicional. De coloração amarelo levemente dourado, límpido brilhante e com borbulhas finas e persistentes.

Aroma elegante, frutas extremamente maduras, amêndoas e nozes, com equilibrada manteiga e chocolate branco.

Persistência longa, perfeitamente harmônico, com a acidez equilibrada. Retrogosto complexo e equilibrado. Maturou sobre as leveduras após a segunda fermentação (sur lie) por 40 meses.

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Em boca fechada não entra mosca

Aprender a gostar de vinhos é muito fácil. Os primeiros passos são sempre orientados por alguém mais experiente que “abre” algumas portas deste pequeno mundo que, para alguns, é cheio de mistérios.

Mordida a isca, ou se preferirem, picados pela mosca, os enófilos iniciantes começam a caminhar com as próprias pernas. Se andarem na direção certa, vão desfrutar de ótimos momentos e vinhos deliciosos.

O próximo passo é estudar o assunto. São muitos caminhos que podemos seguir abrangendo desde o plantio das uvas até modernas e estranhas formas de vinificação.

Naturalmente, acabamos nos empolgando e além do desejo de oferecer bons vinhos, aliamos uma boa dose de informação, onde vamos demonstrar os nossos conhecimentos.

É aí que mora o perigo!

Quase sempre vamos falar mais do que deveríamos. Algumas bobagens, para ouvidos mais treinados, podem escapar e o resultado desta aula improvisada pode ser desapontador.

Há certas coisas que não devemos mencionar…

Aqui estão algumas delas:

1 – “Este vinho custou tantos reais”

A menos que vocês sejam ganhadores de aposta lotérica e estão mais interessados em demonstrar sua recém adquirida fortuna, declarar o preço de um vinho é o mesmo que afirmar que “quanto mais caro, melhor”, o que é uma grande bobagem.

Obviamente, existem vinhos caros de ótima qualidade e vinhos baratos que são péssimos. Para um bom enófilo, a arte está em garimpar vinhos a um preço justo. Nada é mais prazeroso que servir um vinho, todos gostarem e se perguntarem “onde você comprou?”, a resposta seria, no “supermercado da esquina”. Ponto para vocês.

2 – “Olha o peso desta garrafa! Só pode ser vinho bom”

Este é um truque de marketing muito usado para empurrar vinhos medianos goela abaixo. Têm uma origem muito conhecida: as garrafas de Champagne. Estas, para serem capazes de resistir à pressão interna, muito maior que as do vinho tranquilo, tem paredes mais grossas e são mais pesadas.

Algum marqueteiro, muito esperto, resolve transportar estas pesadas garrafas para os vinhos comuns. Evidentemente, não entendia nada sobre vinhos. Os grandes vinhos estão embalados em garrafas finas, de boa qualidade, com rótulos elegantes e bem desenhados.

Ainda dentro deste tema, temos mais um detalhe a ser observado e jamais comentado: aquela concavidade acentuada no fundo da garrafa. O fato de ser mais ou menos profunda não está relacionada à qualidade do vinho. Serve, apenas, para manter a garrafa equilibrada na posição vertical, facilitando o transporte.

Então já sabem: nada de tecer loas a estes detalhes.

3 – “Sirvo meus vinhos na temperatura ambiente”

Esta dá vontade de perguntar: “ambiente de onde, cara pálida?”

Temperatura de serviço é um tema muito debatido por todos. Há prós e contras para diversas teorias e, claro, múltiplas tabelas de temperaturas adequadas, algumas chegando ao extremo de detalhar por casta utilizada no vinho. Uma maluquice.

Dois pontos são aceitos universalmente: brancos são servidos mais gelados que os tintos e a temperatura de referência, para servir um tinto, seria em torno de 18º Celsius.

Há uma enorme lista de exceções aqui, desde tintos leves que devem ser gelados até brancos que ficariam melhor menos frios. (atenção ao tempo dos verbos)

Se a sua cidade tem temperatura média nesta faixa citada, não há nenhum problema em fazer a afirmação, em questão. Mas o que falar quando estamos numa cidade como o Rio de Janeiro, com médias acima de 30ºC, ou cidades do sul brasileiro com temperaturas muito baixas?

Para quem não sabe ou não se lembra, se o local estiver muito frio, os brancos não precisam ser gelados e os tintos devem ser “aquecidos”, uma manobra que se chama “chambrar”.

Prefiram dizer “sirvo meus vinhos na temperatura adequada”.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Casa Eva Viognier 2023

Vinificado pela Vinícola Casa Eva, projeto de vinhos finos inaugurado em 2023 pela família Muraro, produtores de vinhos de mesa em Flores da Cunha a mais de 50 anos. Vinificado 100% com a uva Viognier, passa 3 meses em barricas de carvalho francês e americano (50%/50%).

Apresenta leve coloração amarelo palha com reflexos esverdeados e delicado aroma de frutas, como pera, lima e maçã verde, com leves toques de erva cidreira, flor de laranjeira e manteiga. Em boca tem bom corpo e acidez refrescante, com retrogosto persistente, deixando notas cítricas e taninos suaves.

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Drama ou Comédia?

Existem diversos tipos de enófilos. Alguns têm atitudes muito exigentes, limitando seu campo de opções, outros são tão abertos que acabam degustando qualquer zurrapa que lhes é servida.

Entre estes extremos, encontramos diversas outras “cepas” de apreciadores, algumas risíveis, como os enochatos, ou grupos de pessoas que por opções de vida adotam filosofias como vegetarianismos, veganismo, naturalismo, minimalismo e assemelhados.

Estes consumidores, a cada dia, se tornam mais importantes para os produtores de vinho. Buscam vender seus produtos até para os que nem consomem bebidas alcoólicas. Neste caso, criaram o vinho sem álcool…

Como tudo que é produzido numa sociedade civilizada, a elaboração de vinhos é controlada por normas de produção diversas. Cada país ou região produtora dita suas regras. Acreditem, diferem bastante.

Há limites para tudo: tipos de castas, uso de fertilizantes, métodos de manejo do vinhedo, leveduras etc. Estas informações, que seriam de grande ajuda para a turma da vida natural, nem sempre constam da rotulagem dos vinhos ou mesmo das fichas técnicas.

Já existe um movimento, principalmente dentro da União Europeia, para que rótulos e contrarrótulos sejam mais explícitos, informando sobre presença de glúten, alertando que consumir álcool faz mal à saúde, cálculo de calorias consumidas e outros dados alimentícios. Mas nada dizem sobre produtos de origem animal usados na produção, por exemplo.

Para um leigo, pode parecer estranho que uma bebida elaborada a partir de uma fruta, não seja vegetariana e/ou vegana. Mas é perfeitamente possível.

Em vez de rirmos, deveríamos nos preocupar com este micro drama: como saber se um vinho se enquadra nesta ou naquela filosofia de vida?

Sem fazer qualquer julgamento sobre o estilo de vida adotado por alguém, ou mesmo sugerir que é melhor nem pensar em degustar vinhos, vamos destacar alguns pontos “por trás da cortina”, que mesmo gente tarimbada nem se dá conta.

Tudo começa no vinhedo: fertilização com resíduos animais já é um impeditivo para alguns. Defensivos agrícolas é um capítulo à parte: aqui entraria o conhecido manejo biodinâmico, uma filosofia desenvolvida por Rudolf Steiner em 1920, que está bem aceita e difundida atualmente. Se consta no rótulo, é porque foi certificado por um instituto competente.

Em algumas legislações, é aceita a “Calda Bordalesa” (sulfato de cobre + cal) como produto orgânico. Mas nem sempre o grupo de consumidores mais exigente concorda com isto. Este uso nunca é especificado nos rótulos.

Por mais estranho que pareça, a forma de colher as uvas também pode refletir, negativamente, na vida deste grupo.

Colheitas mecânicas não são seletivas. Podem trazer, junto com as uvas, diversos insetos e pequenos animais. Estes serão removidos numa fase posterior e jamais cairão num tanque de fermentação, a não ser por acidente. Mas o simples contato com o material colhido já vai causar problemas…

Mesmo na fase de elaboração, existem processos que empregam produtos de origem animal. A fase de filtração e clarificação é típica.

Produtos como clara de ovos, caseína, gelatina e cola de peixe vão causar arrepios na turma vegetariana. Por esta razão, a maioria dos vinhos naturais não passa por esta etapa.

Já existem alternativas não animais: lama bentonita, carvão ativado, proteínas 100% vegetais e até mesmo leveduras mortas.

Mas…

Segundo alguns profissionais, há uma mudança sensível em relação ao paladar do vinho. Citam o clássico exemplo da clara de ovo, daí a expressão “clarificação”:

A “clara” além de remover sedimentos quase invisíveis, deixando nosso vinho muito transparente, também age, através de suas cargas iônicas e compostos fenólicos, amaciando taninos muito ásperos.

Só nos resta rir ou chorar.

A escolha é individual.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina: Cave Nacional Marcelão 2023

Em celebração aos 50 anos do Marcelo, fundador da Cave Nacional, a casa lançou o Marcelão 2023 feito em parceria com a Cave Antiga.

Vinho 80% Marselan safra 2023 e 20% Tannat safra 2022 com 6 e 17 meses de guarda em carvalho francês, respectivamente.

Vinho elegante, de coloração intensa, aroma típico de frutas maduras, especiarias destacando notas de baunilha de intensidade média e toques de tostado pela passagem por carvalho francês. De excelente estrutura e taninos de média intensidade devido ao caráter do corte do Marselan com o Tannat, bem adaptado às condições de solo e clima da Serra Gaúcha.

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Antes só do que mal acompanhado, ou não?

Tem gente que prefere provar um vinho num momento “solo”. Tem gente que precisa degustar assim para corretamente avaliar um vinho e escrever sua resenha. Tem gente que não abre mão de uma boa refeição para acompanhar um vinho.

Existem diversos subgrupos dentro destas linhas gerais descritas acima. Um dos mais curiosos é o da turma que sempre degustam vinhos com os mesmos acompanhamentos: “porque mudar se o time está ganhando”?

De certa forma, preferem não sair de sua zona de conforto, talvez influenciados por dois mitos muito arraigados, que fazem as cabeças de enófilos menos tarimbados: “vinhos devem sempre ser harmonizados” e “existem alimentos que nunca harmonizam com o vinho”.

Honestamente, estas duas regrinhas estão mais para “fake news” do que para “fato confirmado”.

Harmonizar vinho e alimentos não é uma ciência. Tudo se baseia e experimentações na linha do “erro e acerto”. São tantas combinações possíveis que é humanamente inviável provar todas elas. Algumas já estão consagradas, o que ajuda muito na hora de tomar uma decisão, mas há um longo caminho a percorrer, ainda.

Quem já passou por um bom Curso de Vinhos, em algum momento ouviu falar que certos alimentos são impossíveis de harmonizar ou de outros, que só combinam com um determinado vinho, por exemplo, chocolates com Vinho do Porto.

Aspargos, alcachofras e couve de Bruxelas são alguns vilões habituais. Apesar da negativa dos “especialistas” estes itens são perfeitamente passíveis de combinarem corretamente com vinhos, basta “sair da caixa” que limita, eternamente, nossas escolhas.

Um bom Grüner Veltliner, vinho clássico da Áustria, é perfeito com alcachofras.

Aspargos na manteiga? Combinem com um Chardonnay ao estilo californiano e suas notas láticas bem marcantes.

Vinhos brancos elaborados com a Viognier, uva típica do Vale do rio Ródano, é perfeita com a temida couve de Bruxelas, com repolho, couve-flor e outras verduras com tonalidades verde escuro.

Nada é impossível.

A ideia de combinar vinho e comida tem uma base muito forte: as tradições.

A mesa familiar nos principais países produtores como França, Itália, Portugal, Espanha e Alemanha, para citar alguns, sempre teve o vinho como mais um alimento presente. Decorre, deste fato, a mais simples regra de harmonização, aquela que liga o vinho à origem do alimento: culinária italiana, vinhos italianos; culinária francesa, vinhos franceses, e assim por diante.

O viés cultural é muito importante.

Por outro lado, até que ponto, nestes casos, estamos realmente apreciando o vinho?

Críticos ou Sommeliers, que dependem de uma correta avaliação de um vinho preferem fazer degustações “solo”. Alguns especialistas adotam uma prova em dois tempos: com e sem alimentos. Afirmam que conseguem fazer uma análise mais abrangente.

Há um outro lado nesta forma de apreciar um vinho que pode ser muito positiva para o enófilo do dia a dia: a praticidade.

Não há nada mais simples do que tirar a rolha de um belo vinho e apreciá-lo, no momento que bateu aquela vontade. Nada de pratos requintados, harmonizações complicadas e outros parâmetros desnecessários.

Apenas uma boa taça e um ambiente confortável que será ditado pela sua conveniência. Se tiver uma boa companhia, talvez seja a hora transformar este voo solitário em algo mais gregário.

Pensem nisto.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Cherry Bomb Pinot Noir – 2022

Um vinho clarete da Garbo Enologia Criativa, um projeto de 3 enólogos brasileiros que buscam produzir vinhos fora do padrão convencional, como este aqui.

As uvas vêm de Monte Belo do Sul e dão origem a esse vinho que, como nome diz, é uma bomba de frutas silvestres, acidez marcante e uma linda cor cereja brilhante. Um vinho que acompanha pratos frescos e leves como ceviche, carpaccio, frutos do mar, mas pode também tranquilamente ser bebido gelado sozinho.

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Você sabe degustar um Vinho do Porto?

Acreditem, o inverno chegou neste atípico ano de 2024. Para os enófilos de países de clima tropical, como o Brasil, é sempre um motivo de grandes expectativas. Será que finalmente vai ter um friozinho para a gente poder degustar um vinho mais sério e encorpado?

Não podemos perder a esperança. Está na hora de fazer o inventário do que está em estoque e descobrir quais garrafas devem ser consumidas, sob pena de virarem um bom vinagre.

Devemos olhar, também, para os vinhos generosos que estão no nosso acervo. Certamente existe uma garrafa de Porto meio esquecida lá fundo da adega. Embora sejam vinhos longevos, que tal aproveitar um dia com temperaturas mais baixas e, finalmente, abrir esta preciosidade?

Para que esta experiência seja completa, precisamos, antes de tudo, conhecer um pouquinho sobre este famoso vinho. Depois, dependendo do que estiver em nossa mão, alguns ritos se fazem necessários.

Nas boas lojas do ramo vamos encontrar alguns tipos de Porto, o que pode causar dúvidas. O tradicional é o tinto, que pode ser vendido em quatro estilos. Há o branco, que pode ser seco ou suave e para fechar o quadro, existe um raro Porto rosado.

Cada um tem o seu momento, temperatura adequada, forma de servir e harmonização. Comecemos pelos tintos:

Porto Ruby – o mais jovem de todos. Um vinho mais frutado e bem alegre. Não é tão longevo quanto os demais;

Porto Tawny – sempre envelhecido em carvalho. O tempo de amadurecimento deve sempre aparecer no rótulo, 10, 20, 30 anos ou mais. Quanto mais velho, mais caro. Sabores característicos dos vinhos que passaram por madeira, como nozes, castanhas, e notas de caramelo;

Porto LBV – são vinhos de uma mesma safra que foram “deixados para trás” e engarrafados mais tarde. Muito tempo de amadurecimento. Geralmente são ótimas opções de compra dentro do critério “custo x benefício”;

Porto Vintage (safrados) – estes seriam os topos da gama, só elaborados nas grandes safras, que devem constar nos rótulos. Os melhores Portos sempre. Muito longevos, podem durar mais de 100 anos. São muito caros, ou seja, para poucos. Quem já provou um destes os descrevem como oníricos.

O Porto branco, que pode ser seco ou doce, funciona muito bem como aperitivo, podendo ser usado em coquetelaria.

O Porto rosado, uma novidade introduzida pela Croft em 2008, tem sabores muito frutados e delicados. Foi criado para atender um público mais jovem. Funciona muito bem como alternativa ao branco, na coquetelaria.

Estes vinhos devem ser servidos mais frescos. Aqui está uma tabelinha para facilitar a vida de todos. Podem gelar o Vinho do Porto se for necessário:

Brancos e rosados – entre 6º e 10º

Ruby, Tawny e LBV– entre 12º até 15º

Vintage – entre 16º e 18º

Existem taças específicas para o Porto, mas não são obrigatórias. São semelhantes às taças de degustação ISO, que lembram uma pequena tulipa. Uma boa taça, que seja bojuda e tenha a boca mais estreita, é perfeita para estes vinhos. Apreciar seus aromas únicos é um dos grandes prazeres.

Eventualmente podemos decantá-los, principalmente os Vintage, ou qualquer outro que já apresente borras no fundo da garrafa. Preferencialmente, decantem para uma bonita garrafa de cristal com boa tampa. Mesmo depois de abertos, os bons Portos ainda duram um bom tempo em condições e consumo. Mas não exagerem.

Na hora de harmonizar, há um amplo leque de opções. Os brancos vão muito bem com queijos de cabra, azeitonas, castanhas e assemelhados.

O Ruby é o famoso vinho que acompanha chocolates. Se forem com morangos, melhor!

O Tawny pode ser servido com pratos de carne de caça ou sobremesas pouco doces ou carameladas. Bem versátil.

O Vintage é um bom vinho de meditação. Pode ser acompanhado por queijos de sabor marcante.

O ritual de degustação é o padrão:

Observem as diferentes nuances das cores. Sintam os aromas que só este tipo de vinho pode proporcionar. No palato, goles pequenos, deixando o líquido passear por toda a boca. Vamos notar, de uma forma quase exclusiva, taninos, doçura, acidez e o corpo do vinho.

Um espetáculo!

Mas não exagerem. Vinhos do Porto são muito alcoólicos, na faixa de 18º até 25º. Qualquer exagero pode ser fatal…

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional:

Torcello Personalita Merlot, safra de 2020

Torcello, uma vinícola excepcional localizada no Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves que produz varietais e cortes de uvas típicas da Serra Gaúcha, assim como espumantes. Vinícola inaugurada em 2000 e cujos primeiros vinhos produzidos foram na safra de 2005. Recomendo não apenas os seus vinhos, mas também a visita para aqueles que estiverem no Vale dos Vinhedos.

Rápida passagem por barril de carvalho americano. Após amadurecido na garrafa, permanece armazenado em caves de envelhecimento.

Apresenta coloração violácea, vinoso no aroma lembra amora vermelha, baunilha e notas de frutas escuras.

Na boca mostra-se encorpado, taninos jovens maduros e boa persistência gustativa. Vinho encorpado, intensamente frutado, complexo e equilibrado. Seu paladar é rico, sedoso e de grande classe.

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CRÉDITOS – Imagem de abertura:

Color of port wine” por Topi Pigula está licenciada sob CC BY-SA 4.0.

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