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Nossa lista de fim de ano

Fazer estas listas no final do ano é uma tradição muito antiga, que remonta a civilizações milenares, como os babilônios e os romanos. Originalmente, faziam promessas aos seus deuses, em que se comprometiam a devolver bens emprestados, pagar dívidas e, quem sabe, obter uma colheita mais abundante.

Foram os romanos que estabeleceram que o ano começaria em 1º de janeiro, mês dedicado ao deus Jano, que regia as mudanças e transições. Era representado por uma figura com duas faces: para o passado e para o futuro.

Neste período, faziam sacrifícios e promessas, principalmente de cunho moral, sempre em busca de sorte e prosperidade. Deram uma nova roupagem para a lista, original, dos babilônios.

A versão moderna dessas relações de metas está menos ligada a algum tipo de espiritualidade e mais voltada ao autoaperfeiçoamento, como emagrecer, abandonar algum vício, melhorar a qualidade de vida, economizar dinheiro e outras facetas do padrão atual.

De um jeito ou outro, todos fazem seus pedidos, em silêncio, escandalosos, escritos em prosa ou verso e, até mesmo, cantados.

Aqui está a nossa lista para o próximo período.

– Que o vinho, nacional ou importado, seja visto como um alimento, nos moldes de países da América do Sul ou de outros continentes.

Mas, para isto, os nossos “governantes” precisam sair da Idade da Pedra (onde se encontram) e chegar à Era Moderna. Cabe a nós, cidadãos eleitores, fazer esta atualização.
Pensem nisto: estes que estão aí já se locupletaram há muito tempo. Vamos dar uma oportunidade para outros se abarrotarem.

– Esperamos que a nossa produção de vinhos cresça numa boa direção, sempre apoiada na excelente pesquisa agrícola, capaz de nos fornecer melhores matérias-primas e condições técnicas ideais. Os vinhos brasileiros de inverno ou dupla poda já conquistaram seu lugar de destaque, merecido, no mundo dos vinhos. Queremos mais!

– Um desejo antigo e sempre lembrado na nossa lista é que o consumidor brasileiro de vinhos entenda o que é um bom vinho e aceite um preço justo por ele. Isto é necessário para que a claudicante e oportunista legislação deste setor seja revista e seriamente atualizada, acabando com alguns “jabutis” que só servem para proteger produtores inescrupulosos e mal-intencionados.

Enquanto continuarmos a ser vistos como consumidores ingênuos, nada vai mudar. Vamos melhorar o nosso senso crítico, passar a consumir apenas o que é realmente bom, deixando de ser iludidos por falsos “influencers”, “TikTokers” e até sommeliers de boutique. Quem é da antiga sabe do que estamos falando: Vinho “Reservado”, uma ova…

Vinho, elaborado com “Vitis vinifera”, é coisa séria.

– Nossa coluna completa 15 anos em 2026. Desejamos que as pautas se tornem cada vez mais interessantes e que o número de novos leitores cresça num bom ritmo. Imaginem que, em 2025, um robôzinho cibernético se deu o trabalho de encher a nossa Newsletter de endereços falsos, dando um enorme trabalho para a equipe de edição.

Nossa coluna semanal não é monetizada, sendo fruto de uma extensa colaboração entre amigos e familiares.

Que continuemos assim.

– Para finalizar, mesa farta, muito vinho de qualidade, mimos que agradem a todos, paz, saúde e dinheiro no bolso.

São os nossos votos para todos os leitores.

CRÉDITOS: Foto de Kelly Sikkema na Unsplash

Sugira um vinho ideal para presentear!

“Um tostão por seus pensamentos” é uma expressão muito conhecida. O seu contexto original era atrair a atenção de alguém que estivesse, digamos, pensando na vida.

Mas vamos dar outro significado: imaginem o quanto um expert em vinhos não ganharia, nesta época do ano, escolhendo vinhos para serem presenteados por amigos, familiares e até empresas.

Um tostão por rótulo indicado…

Para quem é leigo em vinhos, pode parecer uma tarefa bem simples. Mas há uma série de detalhes que passam quase despercebidos, tornando este trabalho ou muito genérico ou extremamente complexo.

Um primeiro ponto, importante e relevante, é não conhecermos quem será o presenteado, quais as suas preferências ou mesmo se aprecia um bom vinho.

As indicações serão, obrigatoriamente, genéricas, tipo “um espumante”.

Outro fato a ser observado é que nem todo conhecedor de vinhos é um especialista no mercado desta bebida, ou seja, o que está à venda, onde e qual o custo.

Para se ter uma ideia, bem superficial, estima-se que com cerca de 10.000 espécies viníferas, sejam produzidas entre 200.000 e 250.000 marcas de vinhos no mundo. É impossível alguém, especialista ou não, controlar este volume de informação.

Para fechar este quadro, cada enófilo tem suas preferências pessoais. Muitas vezes são garrafas compradas em viagens ou em pequenos produtores que só vendem diretamente. Indicar qualquer destas preciosidades é o mesmo que não recomendar nada: são impossíveis de serem adquiridas nos comércios locais.

Uma situação análoga ocorre quando tentarmos comprar algum vinho que foi mencionado em guias consagrados ou ganhou algum destaque nas inúmeras listas de “melhores do ano” publicadas em revistas especializadas. Simplesmente somem das prateleiras ou, acreditem, ainda nem foram colocados à venda por seus produtores.

Nem tudo está perdido, entretanto. Existem caminhos bem interessantes que devem ser seguidos.

Aqui estão algumas regrinhas úteis:

Ao pedir uma indicação, seja ao seu guru predileto ou ao consultor de uma loja especializada, passe o maior número de informações sobre o gosto de quem vai receber o presente: tipo de vinho, origem, cor, safra e valor;

Se você já tem em mente uma determinada garrafa e ela não está disponível, pergunte sobre alternativas possíveis. Vale, inclusive, dizer onde você descobriu este rótulo;

Prefira fazer este tipo de compra em lojas especializadas, deixando os grandes mercados para os vinhos mais do dia a dia;

Compras “on line” podem ser uma boa solução desde que feitas com bastante antecedência. Escolham comércios confiáveis, leiam com toda a atenção a ficha técnica e antes de fechar negócio, conversem com o amigo especialista para conferir se está tudo certo. Não acreditem muito em comentários ou avaliações na própria página da compra. Geralmente são feitas por “amigos”;

Uma alternativa é presentear com um “gift card” (cartão presente). Muitas das boas lojas do ramo já os oferecem, em diferentes valores. Caberá ao presenteado ir à loja e escolher a garrafa que mais lhe agrade. A limitação é ficar restrito ao estoque desta ou daquela empresa.

Existem outras opções bem sofisticadas e mais voltadas para empresas que queiram presentear seus clientes e amigos, por exemplo, vinificações dedicadas, com direito à garrafa e rótulo personalizado e tudo mais.

Não é barato, mas causa grande impacto.

Resumindo, nenhum expert, guru, enófilo ou semelhante vai negar uma indicação. Mas nos passem alguns parâmetros.

Saúde e bons presentes!

CRÉDITOS: Imagem de RioRita no Adobe Stock

Vinhos para as festas de fim de ano

Escolher os vinhos que vão harmonizar com os tradicionais pratos típicos destas festas pode ser uma tarefa bem complicada, em função da variedade do que vai estar à mesa: presunto, aves, bacalhau, massas, queijos, doces etc.

Espumantes são quase obrigatórios, mas só são degustados como um brinde, seja na hora de abrir os presentes ou comemorar a virada do ano.

Mas não precisa ser assim.

Estes vinhos, considerados como verdadeiros coringas, são capazes de acompanhar uma grande diversidade gastronômica, desde que selecionados corretamente. Os mais versáteis são os Brut (seco) enquanto os Demi-sec (meio seco) são o par ideal para as múltiplas sobremesas.

Nosso país é considerado como um grande produtor de vinhos espumantes, tendo recebido diversos prêmios em concursos internacionais. Destacam-se os elaborados com a casta Moscatel, perfeitos para equilibrar desde rabanadas, fios de ovos ou mousse de chocolate.

Ao contrário de países do hemisfério norte, onde o vinho tinto seria a escolha acertada, para o nosso clima mais tropical os vinhos brancos são os mais indicados.

Um Chardonnay enfrenta, galhardamente, pratos elaborados com bacalhau e outros frutos do mar.

Muito comum nas mesas brasileiras, nesta época do ano, o Salpicão é muito versátil, podendo ser elaborado com diferentes proteínas: frango, pescado ou suínas. Para harmonizar, a pedida é um Sauvignon Blanc. Além dos clássicos chilenos e franceses, os nacionais, obtidos a partir do cultivo em dupla poda, são as novas estrelas da nossa produção.

Caso a “vibe” não seja nenhuma destas duas opções, aqui vai mais um par de sugestões:

Os rosados, inclusive os espumantes, ainda continuam na moda. Boa combinação com tábuas de queijos e frios, massas e molhos à base de queijo.

Tintos leves como Pinot Noir, Barbaresco, Bardolino ou Dolcetto, servidos um pouco mais frios que o habitual, podem surpreender e transformar alguns dos pratos mais ricos. Basta ter coragem de quebrar algumas regras.

Para os aficionados de um bom tinto, não importando nem quando e nem onde, nossa indicação recai sobre um Sirah, de colheita de inverno, aqui no nosso país. São ótimos parceiros para os bocados mais condimentados, comuns em algumas regiões, ou com carnes grelhadas, embora este tipo de preparo seja mais característico no sul do Brasil.

Só não pode faltar vinho.

Saúde e boas escolhas.

CRÉDITOS: Imagem de pressfoto no Freepik

Por onde começo?

Esta é uma pergunta que nos fazem constantemente. Uma verdadeira legião de pessoas alega que aprecia um bom vinho, mas que não compreende como este universo funciona e sempre se surpreende com amigos que demonstram algum conhecimento ou seguem aqueles conhecidos ritos, antes de apreciar o que lhes foi servido.

Existem alguns caminhos que podem ser percorridos. Tudo vai depender do grau de conhecimento desejado por cada um. Para ser um simples enófilo, alguém que sabe o bastante sobre vinhos para comprar bem, escolher corretamente e simplesmente desfrutar de bons momentos com os amigos ou a família, a trilha pode ser bem simples e, muitas vezes, bem divertida.

Estamos falando de livros, conversas com pessoas com maior conhecimento, viagens de enoturismo, participação em eventos como feiras e degustações dirigidas.

Se o objetivo for um caminho profissionalizante, o percurso pode ser bem mais longo, difícil e muitas vezes caro. Neste caso, cursos profissionalizantes como Senac, ABS, Eno Cultura, entre outros, são obrigatórios.

Para o outro grupo, que deseja ser um gourmet e conhecedor de vinhos, tudo pode começar bem básico, para formar uma sólida construção de saber.

Vinho, por definição, é uma bebida fermentada a partir de um mosto de uvas denominadas “viníferas”, ou seja, não é de qualquer outro tipo de uva ou mesmo de outra fruta.

Dentre estas “viníferas”, existem mais de 10.000 tipos, algumas se destacam e são as mais utilizadas por produtores em diversos países. Conhecer seus vinhos é o primeiro passo: Cabernet Sauvignon e Pinot Noir, tintas, Chardonnay e Sauvignon Blanc, brancas.

Algumas escolhas se impõem, por exemplo, vinhos de boa origem e de qualidade comprovada. Escolher um vinho barato e ruim nada vai acrescentar ao nosso portfólio.

Podemos sugerir como primeira escolha: Cabernet Sauvignon chileno; Chardonnay argentino ou da Borgonha; Pinot Noir dos Estados Unidos ou Nova Zelândia; Sauvignon Blanc francês ou chileno. Sempre no estilo seco. Deixem os “demi-sec” ou os doces para uma segunda etapa.

Experimentem, experimentem e experimentem. Depois decidam se apreciam, ou não, cada uma destas uvas. Não se preocupem com aromas, sabores, taninos, madeira e acidez; isto só vem com o tempo.

Formem uma referência com o que gostaram. A partir deste pressuposto, comecem a provar outras vinificações, comparando com o seu vinho, até então, preferido. Com certeza esta opinião vai mudar em algum momento.

Para as castas que não foram apreciadas, não as descartem totalmente. Procurem produtores em outros países e tornem a provar. Se mesmo assim não for do seu agrado, é hora de buscar novas referências.

Além das já citadas, aqui está uma relação complementar: Merlot, Cabernet Franc, Malbec, Syrah, Tempranillo e Sangiovese (tintas); Alvarinho, Riesling, Chenin Blanc, Viognier, Torrontés e Moscato (brancas).

Dois últimos conselhos antes de voos mais complexos: habituem-se a anotar tudo que provaram, seja num caderninho dedicado ou num dos muitos aplicativos que existem para isto.

Na hora da dúvida, procurem o amigo que sabe tudo ou escrevam para este blog. Estamos sempre prontos para esclarecer sobre este apaixonante tema.

Saúde e bons vinhos.

Dica da Karina – Cave Nacional

Esta será a última dica da Karina neste ano.

A Cave Nacional está bombando neste final de ano, quando comemora 10 anos de vida. Muitas promoções, degustações e um delicioso Gastro Bar.

Não deixem de conhecer.

Monte Castelo – SESSILIA – Rose Syrah 2024

A Vinícola Monte Castelo foi fundada em 2016 em Jaraguá, Goiás, pelos amigos Milton Santana, Carolina Santana, Marco Cano e Luciana Cano. De enófilos, passaram a ter o seu próprio negócio do vinho. A primeira safra foi em 2020, com colheita manual, seleção dos cachos para que somente bagas sãs sejam vinificadas. Já a safra de 2021 foi a primeira safra comercial com cerca de 6.000 garrafas entre branco, rosé e tinto.

A propriedade está a 644 metros de altitude, possui solo arenoso com predominância de pedras, clima seco e amplitude térmica de 22 °C na época da maturação das uvas.

Estes vitivinicultores do cerrado goiano, usando da dupla poda, foram para além das tradicionais Syrah e Sauvignon Blanc, implantando em seus vinhedos também a Cabernet Sauvignon e a Viognier.

O Monte Castelo Sessilia safra 2024 é um rosé com passagem por tanques de inox, com controle de temperatura e posterior contato com as lias finas por 6 meses.

De visual salmão claro, límpido e brilhante, possui notas florais. Na boca, acidez equilibrada e com notas frutadas.

Harmoniza perfeitamente com saladas, peixes leves, frutos do mar e carnes brancas.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de Freepik

Tampa de rosca x rolha: quem ganha?

Não é uma disputa e nem uma guerra, mas divide preferências: há quem aceite as tampas de rosca e há quem as abomine.

A decisão de usá-las é exclusiva dos produtores, sempre baseadas em aspectos econômicos e financeiros. Ao consumidor final cabe comprar ou não vinhos com esta forma de fechamento.

As tampas de rosca, embora não tão antigas e tradicionais quanto as rolhas, estão presentes, há muito tempo, em nossas vidas, nas embalagens de azeite, vinagre, água e destilados.

A chegada ao mundo do vinho tem uma curiosa história. Coube a um produtor australiano, Yalumba, o desenvolvimento dos primeiros protótipos, no final dos anos 60. As primeiras garrafas a serem comercializadas apareceram por volta de 1976.

Consumidores australianos e neozelandeses não ficaram muito animados. A novidade sumiu das prateleiras nos anos 80.

Uma série de fatores políticos e econômicos fizeram com que estes produtores da Oceania voltassem a buscar soluções para enfrentar o alto custo da cortiça, 100% importada. No começo dos anos 90, as “screw caps” ressurgem com muita força, inclusive com boa aceitação no Reino Unido, considerado como um indicador para o mercado de vinhos.

Trinta anos depois desta volta ao mercado, os antigos preconceitos continuam valendo, entre eles o da “baixa qualidade” dos vinhos assim engarrafados.

Ledo engano …

A “Aluminium Clousures” é uma organização de mercado que reúne, atualmente, 75% dos produtores deste tipo de fechamento. Uma de suas atividades é realizar uma pesquisa quinquenal sobre a aceitação das tampas de rosca.

A última, de 2024, mostrou um resultado muito interessante, demonstrando que o arraigado preconceito está sendo abandonado.

A pesquisa ouviu 6.000 consumidores em países europeus como Itália, França, Espanha, Polônia, Reino Unido e Alemanha. O gráfico, a seguir, que reúne as três últimas pesquisas, é autoexplicativo.

Legenda: “Alu closure” – tampa de rosca; “Cork closure” – rolha; “No preference” – sem preferência.

Atualmente 37% do mercado prefere as cápsulas de alumínio contra 35% que permanece fiel ao fechamento com rolha. O número de consumidores para os quais é indiferente o tipo de fechamento teve um expressivo aumento.

França, Itália e Espanha preferem a forma tradicional, enquanto Reino Unido, Alemanha e Polônia ficam com a tampa de rosca. As faixas etárias entre 18 e 24 anos preferem a forma mais moderna. Na Alemanha, o público feminino se mostrou muito favorável, em razão da facilidade de uso, representando 47% da amostra pesquisada.

Uma das questões pedia a opinião sobre o futuro das tampas de rosca. 42% dos pesquisados concordaram que num prazo de 5 anos, ou um pouco mais, este tipo de fechamento será dominante.

Será que o saca rolhas vai ser aposentado?

Saúde e bons vinhos.

Dica da Karina – Cave Nacional

Abreu Garcia – Pinot Noir 2018

A Vinícola Abreu Garcia foi fundada em 2006 em Campo Belo do Sul, Santa Catarina, a mais de 900 metros de altitude. Seu terroir guarda também um tesouro histórico: um sítio arqueológico dos séculos XI e XII, considerado sagrado pelos povos originários da região.

Além de vinhos, em 2022, iniciou o primeiro projeto de olival mecanizável da Serra Catarinense, com cinco variedades e mais de 800 mudas plantadas. Também produz mel artesanal e está desenvolvendo os primeiros lotes de azeite, que em breve estarão disponíveis ao público.

O Abreu Garcia Pinot Noir 2018 possui amadurecimento de 20 meses carvalho francês de primeiro uso. Um vinho de coloração delicada, com tons rubi, brilhante e translúcido.Em nariz tem clareza de aromas como notas de frutas silvestres, ameixa seca e morango em calda. Também aparecem notas florais, coco queimado e baunilha, oriundos dos 20 meses em amadurecimento em carvalho francês de primeiro uso.

Em boca tem textura sedosa, excelente acidez e retrogosto elegante e duradouro. Harmoniza com embutidos, cogumelos, aves assadas e peixes carnudos.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS:

Foto de abertura por Timur Saglambilek no StockSnap

Infográfico obtido em Aluminium Closures

Fonte: Closure Survey Results 2024

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