Duas castas brancas, Chardonnay e Sauvignon Blanc dominam as ofertas de rótulos sul-americanos em nosso mercado. Por esta razão, acreditamos que uma delas é a grande dama, gerando saborosas discussões, com defensores de uma ou de outra.
A verdadeira grande uva branca, a germânica Riesling, acaba passando despercebida, por este e por outros fatores.
Começamos por seu nome, quase sempre pronunciado de forma errada. A forma correta, mais próxima da usada na Alemanha seria:
Rii + sling
Neste link, uma amostra deste som:
https://howdoyousaythatword.com/word/riesling/
Depois de acertado este detalhe, entra em cena o complicado sistema alemão de classificação de vinhos, que nos mostra que os vinhos desta casta podem ser classificados como secos, doces e até muito doces, isto sem falar em espumantes.
Mesmo para um enófilo experiente, este sistema, embora muito abrangente e rígido em suas normas, é bastante complexo. Tudo gira em torno da quantidade de açúcar, ou doçura, no vinho.
A primeira classificação são os vinhos de mesa, ou Tafelwein. Em seguida surgem os Qualitätswein, ou vinhos de qualidade, geralmente associados a uma região. A terceira classificação são os vinhos com predicados, ou Prädikatswein, sem dúvida, os melhores e mais caros.
Nesta última, há subdivisões a serem consideradas. Todas levam em conta o grau de maturação na hora da colheita, gerando desde bebidas mais secas até as muito doces:
Kabinett – corresponde a um vinho reserva. Em termos de sabor, podem ser comparados a um demi sec, embora possa aparecer no rótulo a palavra “trocken”, que significa seco;
Spätlese – ou late harvest ou colheita tardia. A colheita busca cachos que possam já estar afetados pela Podridão Nobre (Botrytis Cinérea). Pode ser considerado como um vinho para sobremesa.
Auslese – equivalente a um Spätlese, reserva. Obrigatoriamente as uvas devem ter sido atacadas pela Botrytis;
Beerenauslese – para esta classificação, são cuidadosamente selecionados os melhores cachos de uvas, todos atacados pela podridão nobre;
Trockenbeerenauslese – a mais alta classificação. As uvas devem estar quase dessecadas, depois de atacadas pela podridão nobre. Caríssimo e vendido em garrafas de 375 ml.
Qualquer um já teria jogado a toalha, depois de tantas classificações e opções. Mas estaria deixando de apreciar um vinho com qualidades excepcionais: acidez perfeita, teor alcoólico adequado, capacidade de guarda (não passam por madeira!), boa mineralidade e uma paleta de aromas e sabores inconfundíveis.
Uma das características mais conhecidas, os famosos aromas de petróleo, são indicativos de um vinho em bom estado de maturação. Este curioso aroma dissipa-se rapidamente.
Os Rieslings verdadeiros são os de origem alemã (Reno e Mosela), da Alsácia e os austríacos. Esta casta foi plantada em diversos países gerando vinhos com estilos muito diferentes dos originais.
Um detalhe curioso, mas importante, diz respeito ao formato da garrafa (alongado) e sua coloração:
A cor esverdeada indica vinhos da região do rio Mosel, enquanto as de cor castanha indicam a região do rio Reno.
Existem algumas outras uvas que adotaram o nome Riesling em sua composição. Tenham, em mente, que não são as verdadeiras. Eis algumas delas:
Riesling Itálico;
Cape Riesling;
Welschriesling;
Se tiver a oportunidade de provar esta delícia, não deixe passar em branco.
Saúde e bons vinhos!
Vinho da semana: Riesling são caros e difíceis de encontrar em nosso país. Pensem num investimento, vale a pena.
Hochheimer Guts Riesling QbA trocken 2015 – $$$
Mereceu 91 pontos da revista Wine Enthusiast.
Fresco e repleto de notas florais e de frutas brancas, é uma ótima pedida para acompanhar comidas de inspiração asiática.
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