Mês: dezembro 2025

Que tal servir um ponche?

Nestes tempos de modismos, manias e uma grande sensação de alienação geral, nada mais revigorante do que buscar a origem de diversas coisas.

O ponche, uma bebida que nos remete a comemorações em casa de nossos avós, com aquela bela poncheira de cristal, cheia de gelo, frutas picadas e uma boa dose de álcool, tem uma origem quase misteriosa, em que se misturam as culturas, anglo-saxônica e hindu.

Ponche é um anglicismo proveniente da palavra inglesa “punch”, que, por sua vez, deriva de um termo hindu homônimo, que significa “cinco”.

Curiosamente, também são cinco os ingredientes desta bebida, considerada “o pai de todos os coquetéis”: especiarias, frutos cítricos, açúcar, bebida alcoólica e água.

Os primeiros a elaborar esta mistura teriam sido os marinheiros ingleses, nas viagens para a Índia, em busca de mercadorias. A primeira receita escrita, formalmente, data de 1638, redigida por Johann Albrecht von Mandelslo, um aventureiro alemão, estabelecido na cidade de Surat, Índia:

“Os trabalhadores da minha fábrica consomem uma bebida composta por brandy, água de rosas, suco de limão e açúcar”

Ao contrário das Sangrias e Clericots, elaboradas apenas com vinhos, o ponche, bem mais versátil, pode ser preparado com uma variedade de bebidas alcoólicas. Basta seguir a seguinte proporção:

Uma parte de azedo (limão, laranja ou outro cítrico);

Duas de açúcar (mel, melado etc.);

Três de bebida alcoólica (rum, espumante, vinho etc.);

Quatro de água (chá, suco de fruta, refrigerante etc.).

Canela, cravo, noz moscada, gengibre, estrela-de-anis e outros condimentos são ao gosto de cada um.

Acrescente frutas picadas e muito gelo.

Nossa receita é preparada com espumante moscatel:

1 garrafa de espumante, bem gelada;

Suco de laranja e/ou limão, a gosto (500 ml, aproximadamente);

Frutas picadas, morangos, uvas verdes, pêssegos (podem ser em calda), abacaxi, maçã e a casca dos cítricos;

Condimentos diversos;

Gelo.

Modo de preparo:

Misture as frutas e os condimentos com o suco de laranja/limão e deixe macerar, de preferência no refrigerador.

Na hora de servir, acrescente, delicadamente, o espumante e o gelo.

Prove e ajuste o que for necessário.

Use taças apropriadas ou qualquer outro envase transparente.

Super refrescante e saboroso.

Saúde!

(*) A coluna entra em recesso e volta em 2026.
Feliz Ano Novo!

CRÉDITOS: Imagem de timolina no Freepik

Nossa lista de fim de ano

Fazer estas listas no final do ano é uma tradição muito antiga, que remonta a civilizações milenares, como os babilônios e os romanos. Originalmente, faziam promessas aos seus deuses, em que se comprometiam a devolver bens emprestados, pagar dívidas e, quem sabe, obter uma colheita mais abundante.

Foram os romanos que estabeleceram que o ano começaria em 1º de janeiro, mês dedicado ao deus Jano, que regia as mudanças e transições. Era representado por uma figura com duas faces: para o passado e para o futuro.

Neste período, faziam sacrifícios e promessas, principalmente de cunho moral, sempre em busca de sorte e prosperidade. Deram uma nova roupagem para a lista, original, dos babilônios.

A versão moderna dessas relações de metas está menos ligada a algum tipo de espiritualidade e mais voltada ao autoaperfeiçoamento, como emagrecer, abandonar algum vício, melhorar a qualidade de vida, economizar dinheiro e outras facetas do padrão atual.

De um jeito ou outro, todos fazem seus pedidos, em silêncio, escandalosos, escritos em prosa ou verso e, até mesmo, cantados.

Aqui está a nossa lista para o próximo período.

– Que o vinho, nacional ou importado, seja visto como um alimento, nos moldes de países da América do Sul ou de outros continentes.

Mas, para isto, os nossos “governantes” precisam sair da Idade da Pedra (onde se encontram) e chegar à Era Moderna. Cabe a nós, cidadãos eleitores, fazer esta atualização.
Pensem nisto: estes que estão aí já se locupletaram há muito tempo. Vamos dar uma oportunidade para outros se abarrotarem.

– Esperamos que a nossa produção de vinhos cresça numa boa direção, sempre apoiada na excelente pesquisa agrícola, capaz de nos fornecer melhores matérias-primas e condições técnicas ideais. Os vinhos brasileiros de inverno ou dupla poda já conquistaram seu lugar de destaque, merecido, no mundo dos vinhos. Queremos mais!

– Um desejo antigo e sempre lembrado na nossa lista é que o consumidor brasileiro de vinhos entenda o que é um bom vinho e aceite um preço justo por ele. Isto é necessário para que a claudicante e oportunista legislação deste setor seja revista e seriamente atualizada, acabando com alguns “jabutis” que só servem para proteger produtores inescrupulosos e mal-intencionados.

Enquanto continuarmos a ser vistos como consumidores ingênuos, nada vai mudar. Vamos melhorar o nosso senso crítico, passar a consumir apenas o que é realmente bom, deixando de ser iludidos por falsos “influencers”, “TikTokers” e até sommeliers de boutique. Quem é da antiga sabe do que estamos falando: Vinho “Reservado”, uma ova…

Vinho, elaborado com “Vitis vinifera”, é coisa séria.

– Nossa coluna completa 15 anos em 2026. Desejamos que as pautas se tornem cada vez mais interessantes e que o número de novos leitores cresça num bom ritmo. Imaginem que, em 2025, um robôzinho cibernético se deu o trabalho de encher a nossa Newsletter de endereços falsos, dando um enorme trabalho para a equipe de edição.

Nossa coluna semanal não é monetizada, sendo fruto de uma extensa colaboração entre amigos e familiares.

Que continuemos assim.

– Para finalizar, mesa farta, muito vinho de qualidade, mimos que agradem a todos, paz, saúde e dinheiro no bolso.

São os nossos votos para todos os leitores.

CRÉDITOS: Foto de Kelly Sikkema na Unsplash

Sugira um vinho ideal para presentear!

“Um tostão por seus pensamentos” é uma expressão muito conhecida. O seu contexto original era atrair a atenção de alguém que estivesse, digamos, pensando na vida.

Mas vamos dar outro significado: imaginem o quanto um expert em vinhos não ganharia, nesta época do ano, escolhendo vinhos para serem presenteados por amigos, familiares e até empresas.

Um tostão por rótulo indicado…

Para quem é leigo em vinhos, pode parecer uma tarefa bem simples. Mas há uma série de detalhes que passam quase despercebidos, tornando este trabalho ou muito genérico ou extremamente complexo.

Um primeiro ponto, importante e relevante, é não conhecermos quem será o presenteado, quais as suas preferências ou mesmo se aprecia um bom vinho.

As indicações serão, obrigatoriamente, genéricas, tipo “um espumante”.

Outro fato a ser observado é que nem todo conhecedor de vinhos é um especialista no mercado desta bebida, ou seja, o que está à venda, onde e qual o custo.

Para se ter uma ideia, bem superficial, estima-se que com cerca de 10.000 espécies viníferas, sejam produzidas entre 200.000 e 250.000 marcas de vinhos no mundo. É impossível alguém, especialista ou não, controlar este volume de informação.

Para fechar este quadro, cada enófilo tem suas preferências pessoais. Muitas vezes são garrafas compradas em viagens ou em pequenos produtores que só vendem diretamente. Indicar qualquer destas preciosidades é o mesmo que não recomendar nada: são impossíveis de serem adquiridas nos comércios locais.

Uma situação análoga ocorre quando tentarmos comprar algum vinho que foi mencionado em guias consagrados ou ganhou algum destaque nas inúmeras listas de “melhores do ano” publicadas em revistas especializadas. Simplesmente somem das prateleiras ou, acreditem, ainda nem foram colocados à venda por seus produtores.

Nem tudo está perdido, entretanto. Existem caminhos bem interessantes que devem ser seguidos.

Aqui estão algumas regrinhas úteis:

Ao pedir uma indicação, seja ao seu guru predileto ou ao consultor de uma loja especializada, passe o maior número de informações sobre o gosto de quem vai receber o presente: tipo de vinho, origem, cor, safra e valor;

Se você já tem em mente uma determinada garrafa e ela não está disponível, pergunte sobre alternativas possíveis. Vale, inclusive, dizer onde você descobriu este rótulo;

Prefira fazer este tipo de compra em lojas especializadas, deixando os grandes mercados para os vinhos mais do dia a dia;

Compras “on line” podem ser uma boa solução desde que feitas com bastante antecedência. Escolham comércios confiáveis, leiam com toda a atenção a ficha técnica e antes de fechar negócio, conversem com o amigo especialista para conferir se está tudo certo. Não acreditem muito em comentários ou avaliações na própria página da compra. Geralmente são feitas por “amigos”;

Uma alternativa é presentear com um “gift card” (cartão presente). Muitas das boas lojas do ramo já os oferecem, em diferentes valores. Caberá ao presenteado ir à loja e escolher a garrafa que mais lhe agrade. A limitação é ficar restrito ao estoque desta ou daquela empresa.

Existem outras opções bem sofisticadas e mais voltadas para empresas que queiram presentear seus clientes e amigos, por exemplo, vinificações dedicadas, com direito à garrafa e rótulo personalizado e tudo mais.

Não é barato, mas causa grande impacto.

Resumindo, nenhum expert, guru, enófilo ou semelhante vai negar uma indicação. Mas nos passem alguns parâmetros.

Saúde e bons presentes!

CRÉDITOS: Imagem de RioRita no Adobe Stock

Vinhos para as festas de fim de ano

Escolher os vinhos que vão harmonizar com os tradicionais pratos típicos destas festas pode ser uma tarefa bem complicada, em função da variedade do que vai estar à mesa: presunto, aves, bacalhau, massas, queijos, doces etc.

Espumantes são quase obrigatórios, mas só são degustados como um brinde, seja na hora de abrir os presentes ou comemorar a virada do ano.

Mas não precisa ser assim.

Estes vinhos, considerados como verdadeiros coringas, são capazes de acompanhar uma grande diversidade gastronômica, desde que selecionados corretamente. Os mais versáteis são os Brut (seco) enquanto os Demi-sec (meio seco) são o par ideal para as múltiplas sobremesas.

Nosso país é considerado como um grande produtor de vinhos espumantes, tendo recebido diversos prêmios em concursos internacionais. Destacam-se os elaborados com a casta Moscatel, perfeitos para equilibrar desde rabanadas, fios de ovos ou mousse de chocolate.

Ao contrário de países do hemisfério norte, onde o vinho tinto seria a escolha acertada, para o nosso clima mais tropical os vinhos brancos são os mais indicados.

Um Chardonnay enfrenta, galhardamente, pratos elaborados com bacalhau e outros frutos do mar.

Muito comum nas mesas brasileiras, nesta época do ano, o Salpicão é muito versátil, podendo ser elaborado com diferentes proteínas: frango, pescado ou suínas. Para harmonizar, a pedida é um Sauvignon Blanc. Além dos clássicos chilenos e franceses, os nacionais, obtidos a partir do cultivo em dupla poda, são as novas estrelas da nossa produção.

Caso a “vibe” não seja nenhuma destas duas opções, aqui vai mais um par de sugestões:

Os rosados, inclusive os espumantes, ainda continuam na moda. Boa combinação com tábuas de queijos e frios, massas e molhos à base de queijo.

Tintos leves como Pinot Noir, Barbaresco, Bardolino ou Dolcetto, servidos um pouco mais frios que o habitual, podem surpreender e transformar alguns dos pratos mais ricos. Basta ter coragem de quebrar algumas regras.

Para os aficionados de um bom tinto, não importando nem quando e nem onde, nossa indicação recai sobre um Sirah, de colheita de inverno, aqui no nosso país. São ótimos parceiros para os bocados mais condimentados, comuns em algumas regiões, ou com carnes grelhadas, embora este tipo de preparo seja mais característico no sul do Brasil.

Só não pode faltar vinho.

Saúde e boas escolhas.

CRÉDITOS: Imagem de pressfoto no Freepik

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