“Um tostão por seus pensamentos” é uma expressão muito conhecida. O seu contexto original era atrair a atenção de alguém que estivesse, digamos, pensando na vida.

Mas vamos dar outro significado: imaginem o quanto um expert em vinhos não ganharia, nesta época do ano, escolhendo vinhos para serem presenteados por amigos, familiares e até empresas.

Um tostão por rótulo indicado…

Para quem é leigo em vinhos, pode parecer uma tarefa bem simples. Mas há uma série de detalhes que passam quase despercebidos, tornando este trabalho ou muito genérico ou extremamente complexo.

Um primeiro ponto, importante e relevante, é não conhecermos quem será o presenteado, quais as suas preferências ou mesmo se aprecia um bom vinho.

As indicações serão, obrigatoriamente, genéricas, tipo “um espumante”.

Outro fato a ser observado é que nem todo conhecedor de vinhos é um especialista no mercado desta bebida, ou seja, o que está à venda, onde e qual o custo.

Para se ter uma ideia, bem superficial, estima-se que com cerca de 10.000 espécies viníferas, sejam produzidas entre 200.000 e 250.000 marcas de vinhos no mundo. É impossível alguém, especialista ou não, controlar este volume de informação.

Para fechar este quadro, cada enófilo tem suas preferências pessoais. Muitas vezes são garrafas compradas em viagens ou em pequenos produtores que só vendem diretamente. Indicar qualquer destas preciosidades é o mesmo que não recomendar nada: são impossíveis de serem adquiridas nos comércios locais.

Uma situação análoga ocorre quando tentarmos comprar algum vinho que foi mencionado em guias consagrados ou ganhou algum destaque nas inúmeras listas de “melhores do ano” publicadas em revistas especializadas. Simplesmente somem das prateleiras ou, acreditem, ainda nem foram colocados à venda por seus produtores.

Nem tudo está perdido, entretanto. Existem caminhos bem interessantes que devem ser seguidos.

Aqui estão algumas regrinhas úteis:

Ao pedir uma indicação, seja ao seu guru predileto ou ao consultor de uma loja especializada, passe o maior número de informações sobre o gosto de quem vai receber o presente: tipo de vinho, origem, cor, safra e valor;

Se você já tem em mente uma determinada garrafa e ela não está disponível, pergunte sobre alternativas possíveis. Vale, inclusive, dizer onde você descobriu este rótulo;

Prefira fazer este tipo de compra em lojas especializadas, deixando os grandes mercados para os vinhos mais do dia a dia;

Compras “on line” podem ser uma boa solução desde que feitas com bastante antecedência. Escolham comércios confiáveis, leiam com toda a atenção a ficha técnica e antes de fechar negócio, conversem com o amigo especialista para conferir se está tudo certo. Não acreditem muito em comentários ou avaliações na própria página da compra. Geralmente são feitas por “amigos”;

Uma alternativa é presentear com um “gift card” (cartão presente). Muitas das boas lojas do ramo já os oferecem, em diferentes valores. Caberá ao presenteado ir à loja e escolher a garrafa que mais lhe agrade. A limitação é ficar restrito ao estoque desta ou daquela empresa.

Existem outras opções bem sofisticadas e mais voltadas para empresas que queiram presentear seus clientes e amigos, por exemplo, vinificações dedicadas, com direito à garrafa e rótulo personalizado e tudo mais.

Não é barato, mas causa grande impacto.

Resumindo, nenhum expert, guru, enófilo ou semelhante vai negar uma indicação. Mas nos passem alguns parâmetros.

Saúde e bons presentes!

CRÉDITOS: Imagem de RioRita no Adobe Stock