
Gotas divinas (Drops of God) é uma série televisiva sobre vinhos. O enredo, baseado num “mangá”, gira em torno de dois meio irmãos que disputam uma herança deixada pelo pai: um famoso guia de vinhos e uma adega repleta de rótulos espetaculares.
A primeira temporada foi um sucesso, até para quem não entende de vinhos. Os personagens, Camille e Issei, conquistaram a todos que assistiram esta história.
Uma segunda temporada era inevitável.
Já está disponível, aqui no Brasil, desde janeiro, no streaming da Apple TV. Desta vez, a missão é descobrir a origem de um misterioso vinho que, segundo o falecido pai dos personagens, seria o melhor do mundo. Preparem-se para ótimas aventuras.
Mas, se vocês pretendem assistir e não querem um “spoiler”, parem por aqui.
Esta única garrafa, entregue aos dois por um amigo do finado pai, era indecifrável: nenhum rótulo, marca ou outra pista. Matar a charada teria que ser através da degustação, observando cor, aroma e sabor, para tentar descobrir que vinho era aquele.
Incapazes de chegar a uma conclusão, partem para um instituto de pesquisa na França, onde existem as mais diversas vinhas, das quais são produzidos vinhos básicos para fins de estudos.
Após degustarem centenas de amostras, descobrem que o enigmático vinho teria sido produzido com a casta Herbemont. O próximo passo é encontrar em que região do mundo ele teria sido vinificado. Mas esta parte da aventura nós não vamos contar.
A grande curiosidade fica por conta da Herbemont, uma casta híbrida (vitis bourquina), obtida a partir do cruzamento de uma uva americana da espécie vitis aestivalis com alguma vitis vinifera. Pesquisadores supõem que tenha sido a uva Chasselas.
A casta é tão misteriosa quanto o seu vinho.
Tem qualidades bastante desejadas por produtores. Resiste bem a diversas pragas como a Filoxera, a fungos e outros males. Muito vigorosa, tem ótima produtividade, mesmo em climas úmidos. Seus frutos sempre foram apreciados como uvas de mesa. Muito saborosos.
Curiosamente, é atualmente considerada com quase extinta. Esta categoria de uvas nunca caiu no agrado de todos e, em alguns países, tiveram seu cultivo proibido.
Com as mudanças climáticas atuais, o que poderia ser um trunfo se tornou um grande erro.
A maior área plantada desta casta está no nosso país. Foi trazida para São Paulo, a mais de cem anos e depois levada para o Rio Grande do Sul, onde ainda existem cerca de 112 hectares plantados (dados de 2016). Os nomes regionais são: uva “Champanha” ou uva “Borgonha”.
Ainda é utilizada para a elaboração de destilados, vinhos-base para espumantes, vinhos compostos e pet-nats.
Alguns autores comentam que, a vinícola Salton, em 2007, teria elaborado um interessante espumante rosê a partir de um corte com Herbemont, uva Isabel e Seyval Blanc, outra casta hibrida. Não foi possível confirmar isto no site da vinícola, entretanto.
Um último “spoiler”: o enigmático vinho da série Gotas divinas não foi elaborado aqui no Brasil.
Saúde!
CRÉDITOS: foto obtida no Wein.Plus


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