Autor: Tuty (Page 100 of 153)

Confraria do Padreco no Zot

Esta turma sabe aproveitar as boas coisas da vida, amigos de longa data, boa comida e boa bebida. A confraria do Padreco é muito ativa. Para este encontro escolheram o sempre bom Zot (R. Bolivar, 21, Copacabana) tendo como tema genérico “vinhos franceses”, assim mesmo, sem muitas frescuras, mas de forma subentendida, “muito bons vinhos franceses”.

O grupo é eclético e nisto reside toda a graça: há quem não goste de vinhos! Para eles, cervejas, Whisky e até mesmo uma boa pinga. O quadro etílico se completava com um espumante e um Porto.

A noite prometia.

Novamente fui convidado para ajudar a organizar os trabalhos, tarefa que exigiu muita atenção dada à qualidade dos vinhos. Minha contribuição não era francesa e nem mesmo um corte Bordalês elaborado em outro país. Apostei num vinho brasileiro e bem diferente, o bom Inominable Lote V, um elegante e original corte da Vinícola Villagio Grando, em Santa Catarina.

Este vinho é produzido com vinificações feitas (safras) em 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009. As castas utilizadas foram: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Pinot Noir, Petit Verdot e Marselan. Depois de cortado, passou por um estágio de seis meses em carvalho francês novo durante 180 dias.

Iniciamos os trabalhos por ele. A ideia era criar, não só uma referência, mas também contrastar com o que fosse consumido depois.

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Um vinho desconhecido que agradou a todos que o degustaram. Logo queriam saber mais e onde adquirir. Em face do que estava à disposição para ser consumido em seguida foi uma ótima recepção para o produto nacional.

O vinho mais antigo era um Côtes du Rhône de 2003, Domaine de LA Grangette Saint-Joseph.

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Decidimos abri-lo e decantá-lo, reservando para mais tarde.

O leque de opções era bem variado. Nova garrafas chegavam a todo momento. Optamos por uma degustação tipo horizontal, passando do vinho mais novo ao mais velho, sem nos importarmos muito com as regiões produtoras. Bordeaux dominava claramente. Prevaleceria a máxima “Vinhos Franceses”.

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O grupo, originalmente estimado em 8 ou 9 confrades, rapidamente já havia crescido para 14 pessoas. Outros rumos tiveram que ser tomados.

Como estavam preocupados com o que aconteceria com a turma após um bom número de garrafas, decidiram começar pelas duas melhores e deixar as demais abertas e ao alcance de quem preferisse uma ou outra.

Escolhi estes dois vinhos como os mais significativos até aquele momento:

Um Grand Cru de St. Emilion, o Chateau Le Chatelet, safra 2005 e um Grand Cru Classe, o Chateau La Lagune 2006.

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Ambos corretíssimos, perfeitos para os amantes dos aromas e sabores dos vinhos mais famosos do mundo: couro molhado, tabaco, taninos impressionantemente quietos mas presentes, enfim, vinhos que precisam de paladar apurado para serem apreciados.

Seguiram, sem uma ordem exata já que era difícil manter as garrafas fechadas, os seguintes vinhos:

Um Pinot da Borgonha de François Labet, 2013, que estava no nível dos melhores;

Chateau Margerots 2012, outro bom bordalês, ainda jovem;

La Croix D’Austeran, 2015, muito jovem, mas quem estava preocupado com isto…

Um Malbec de Cahors, Ch. Chevaliers de Lagrezette, 2004, bem diferente dos argentinos que estamos habituados, boa surpresa.

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O vinho no decantador aguardava sua vez quando chegou outro Cotês du Rhône, o Les Combes de Saint-Sauveur, 2015. Partimos para uma degustação comparativa.

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12 anos de diferença separavam estas garrafas da mesma região. Vale a pena lembrar que, na opinião de Robert Parker, o Vale do rio Rhône produz alguns dos melhores vinhos da França e por consequência, do mundo.

A denominação Côtes du Rhône (encostas do Rhône) abrange uma longa extensão indo desde Vienne, no norte, até Avignon no sul (200Km). As castas mais utilizadas são Grenache, Syrah, Cinsault, Carignane, Counoise e Mourvèdre.

Como todo jovem, o de safra mais recente não era páreo para o excelente 2003. Sem dúvida uma deliciosa oportunidade de confrontar diferentes gerações de vinhos.

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Para acompanhar foram servidas diversas tábuas de frios, pães diversos e alguns pratos do cardápio do dia. As demais garrafas foram consumidas (espumante, Whisky, etc) e a festa, já num grupo reduzido, acabou no típico programa boêmio de antigamente, “pizza no Caravelle”, que fica ali do lado.

Isto é Confraria!

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: temos que nos curvar, eventualmente, aos franceses.

VinhoChâteau Labadie Cru Borgeois 2009

50% Merlot, 42% Cabernet Sauvignon, 4% Petit Verdot e 4% Cabernet Franc

Aromas de frutas vermelhas maduras, como cerejas e framboesas, notas de alcaçuz e especiarias, além de toques defumados e de chocolate.

No palato apresenta corpo médio, com taninos sedosos e boa acidez. Seu final de boca é elegante, destacando-se por notas defumados e toques de cerejas e figos.

Harmonização: Carnes vermelhas com molhos intensos, preparações à base de carnes de cordeiro, caça, massas recheadas com ragu de carne e queijos maduros.

Dois Concursos Importantes

Expovinis e seus “Top Ten” e o Decanter World Wine Awards (DWWA), divulgaram o resultado dos seus concursos anuais. Alguns vinhos brasileiros se destacaram, principalmente na prestigiada lista da revista inglesa.

Acompanhar estas relações de vinhos premiados faz parte de vida de enófilos mais apaixonados, embora às vezes seja enfadonho e frustrante. As listas podem ser enormes, cheias de prêmios que não se compreende bem e de vinhos que desaparecem do mercado num piscar de olhos.

O que se tira de bom é saber quem está produzindo o que e, a partir disto, buscar outras alternativas não só mais fáceis de serem adquiridas mas, com relações de custo x benefício mais favoráveis.

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A 20ª edição da mais importante feira de vinhos no Brasil aconteceu em S. Paulo entre os dias 14 a 16 de junho. Um dos pontos altos é a divulgação dos melhores vinhos, escolhidos por um painel de degustadores.

Eis o resultado em cada categoria:

Espumante brasileiro: Gran Legado Brut Champenoise – não safrado

Espumante importado: Hunters Miru Reserve (Nova Zelândia) – não safrado

Branco brasileiro: Don Guerino Sinais Sauvignon Blanc (não foi informada a safra)

Branco importado: Gomila Single Vineyard Selection Sauvignon Blanc (Eslovênia) (não foi informada a safra)

Rosado: Domaine D’Estienne Coteaux Varois en Provence 2015 (França)

Tinto brasileiro: Lidio Carraro Agnus Tannat (não foi informada a safra)

Tinto Novo Mundo: Ballena Azul Family Reserve (Chile) (não foi informada a safra e nem o corte)

Tinto Velho Mundo – Península Ibérica: Clos del Mas (Espanha) (não foi informada a safra)

Tinto Velho Mundo: Il Brecciolino (Itália) (não foi informada a safra) – Merlot, Petit Verdot, Sangiovese

Fortificados e Doces: Quinta do Sagrado Vintage 2011 (Portugal)

Uma lista interessante e equilibrada, com destaques para o vinho esloveno e o espumante neozelandês, pouco comuns por aqui. Vale a pena lembrar que para este concurso as amostras são submetidas pelos produtores ou importadores que participam da feira. Alguns dos vinhos premiados ainda não têm um distribuidor oficial no Brasil e outros ainda não estão à venda, o que torna a busca por estas garrafas uma verdadeira caça ao tesouro.

Decanter World Wine Awards

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Esta revista inglesa é uma das mais importantes do mundo, contando com opinião de especialistas muito renomados. O DWWA está na sua 12ª edição, sendo considerado como o maior e mais respeitado concurso de vinhos do planeta.

Anualmente são analisadas cerca de 15.000 amostras, enviadas diretamente por seus produtores, através de um elaborado sistema de logística.

O julgamento é dividido em setores (painéis) contando com a colaboração de centenas de profissionais do vinho, Sommeliers, Enólogos, Jornalistas, Gastrônomos, etc., que enfrentam uma verdadeira maratona de degustações.

As premiações estão divididas em: Melhores do Ano; Platina; Ouro; Prata; Bronze e Comenda. Uma extensa relação que pode ser pesquisada no site da revista (em inglês), neste link:

http://awards.decanter.com/DWWA/2016

Destaques

Vinte e três vinhos brasileiros foram premiados, mostrando que a nossa produção evolui positivamente. Três resultados foram particularmente importantes:

Casa Valduga Leopoldina Chardonnay 2015 – Platina

Casa Valduga Terroir Leopoldina Merlot 2012 – Platina

Vinícola Guaspari Vista do Chá Syrah 2012 – Ouro

Apenas 130 vinhos receberam a medalha de Platina, o que faz este resultado ser muito importante para a Casa Valduga, premiando anos de trabalho em busca de uma qualidade cada vez melhor. Merece o nosso aplauso.

Entre os trinta vinhos selecionados como os Melhores do Ano, estão alguns chilenos e argentinos, sempre presentes nas boas lojas de vinho:

Asda La Moneda Reserva Malbec 2015 (Chile) – 85% Malbec, 15% Syrah  

Cono Sur Single Vineyard Block 23 Rulos del Alto Riesling 2015 (Chile)

De Martino Colinas Del Itata Old Vine Field Blend 2014 (Chile) – 70% Moscatel, 30% Korinthiaki  

Errazuriz Sauvignon Blanc 2015 (Chile)

J. Bouchon Canto Sur 2015 (Chile) -50% Carmenère, 25% Carignan, 25% País

Miguel Torres Días de Verano Reserva Muscat 2015 (Chile)

Zuccardi Tito 2013 (Argentina) – 80% Malbec, 10% Cabernet Sauvignon, 10% Ancellotta

Bons vinhos, saúde!

Vinho da Semana: para completar o quarteto sul americano, um belo vinho do Uruguai que recebeu medalha de ouro para a safra 2014, que ainda não está à venda. Enquanto isto…

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Garzón Tannat 2013

Aromas de frutas vermelhas e negras maduras, notas de especiarias e toques defumados.

Médio corpo, com equilíbrio impressionante entre a riqueza de taninos, muito aveludados, e a potência dos sabores frutados.

Harmonização: pratos à base de aves com especiarias, guisados de média intensidade e queijos de leve maturação.

Sommelier, Escanção

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Aprender sobre vinhos conhecendo a etimologia dos termos mais usados neste universo é uma das interessantes formas de se tornar um conhecedor respeitado. Sommelier ou Escanção significam a mesma coisa.

O termo francês é o mais usado em todo o mundo. Qualquer bom dicionário vai explicar o seu significado:

– Um profissional especializado, encarregado em conhecer os vinhos e de todos os assuntos relacionados ao serviço deste.

Na França medieval, os nobres encarregavam uma pessoa para cuidar dos bens que seriam transportados numa viagem. Esta pessoa era o Sommelier.

Este nome deriva de “somier” ou besta de carga. Quem a manejava seria o “sommerier” que tinha, além do animal, as cargas sob sua responsabilidade. A palavra evoluiu naturalmente para “soumelier” e o seu significado passou a designar a pessoa responsável pelo transporte dos suprimentos. Com o passar dos anos uma nova modificação aparece na língua francesa surgindo o termo atual, “sommelier”, como sendo a pessoa encarregada de um tipo específico de carga.

Durante muitos anos coexistiram diversos tipos de Sommelier, de vinhos, de armas, de pães, etc… Com o tempo, o título ficou restrito a quem cuidava das bebidas e ás vezes dos charutos, o que é aceito até hoje.

Em diversos países se emprega o termo francês, inclusive no Brasil. Em Portugal preferem usar Escanção, que tem outra origem.

Alguns autores afirmam que este termo deriva da palavra gótica “skankja” que significaria “copeiro”.

Outra corrente recorre ao Latim, sugerindo que Escanção deriva de Scancio, o personagem que escancionava (repartir, dividir) vinhos na Roma antiga.

Em Portugal, este mesmo termo é empregado para designar, também, um profissional especializado, encarregado em conhecer as linguiças e cuidar da compra, armazenamento e rotação de porcos.

Curiosamente algumas confrarias francesas empregam “Echanson” para indicar o encarregado de provar e servir as bebidas. Na idade média este cargo era entregue a um oficial da corte, de total confiança do Rei. Só ele poderia lhe servir o vinho, garantindo que não estaria envenenado.

A profissão de Sommelier ou Escanção mudou muito ao longo dos anos. Já não é mais o copeiro especializado em bebidas de antigamente, evoluindo para uma profissão reconhecida e com múltiplas funções no mundo moderno, incluindo a escolha dos vinhos a serem comprados, elaboração de cartas de vinhos e harmonizações.

Ainda hoje, nas terras lusitanas, se discute qual termo deveria ser empregado. Acho que o uso de Escanção demonstra que não só os vinhos portugueses têm personalidade forte e marcante, mas toda a cadeia gastronômica também. Adotar o galicismo seria um retrocesso.

Portugal é o único país do mundo que homenageia seus Escanções, com uma bela estátua na Vila de Nelas, no Dão, inspirada na figura do profissional Fernando Ferramentas, que na época trabalhava no Hotel Aviz, em Lisboa.

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Precisa mais?

Saúde e bons vinhos!

Vinho da semana: para comemorar o Dia dos Namorados

 

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Nero d’Avola é a mais importante uva de vinho tinto na Sicília.

Seus vinhos são comparados aos Syrahs do novo mundo, com taninos doces e nuances de ameixa ou sabores apimentados na boca.

Harmoniza com carnes e massas com molho vermelho.

 

Olfato e Paladar envelhecem?

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Da mesma maneira que ganhamos rugas e cabelos brancos com a idade, os nossos sentidos também experimentam perdas.

A nossa habilidade de perceber aromas ou a sensibilidade para identificar diferentes sabores, decaem com o tempo, mas são as menos afetadas. Alguns felizardos, entretanto, nunca vão perceber.

De acordo com o Dra. Beverly Cowart do Monell Chemical Senses Center na Philadelphia, que estuda, há 30 anos, o envelhecimento e  as alterações destes sentidos, olfato e paladar são sistemas fisiológicos distintos.

Somos capazes de perceber quatro sabores básicos, doce, azedo, salgado e amargo. Recentemente mais um sabor, “umami” (suculência) foi incluído nesta lista, mas ainda se discute se realmente deveria ser considerado como um sabor primário.

O ser humano começa a sua vida equipado com cerca de 10.000 receptores de sabor, distribuídos pela boca e garganta. Cada receptor envia sinais para o cérebro.

Para o olfato, começamos com cerca de 350 receptores de aromas no interior do nariz, o que nos permite identificar milhares de cheiros diferentes. Mas existem pessoas que não conseguem perceber quase nenhum odor.

Pesquisas médicas já demonstraram que a habilidade de reconhecer diferentes aromas decai muito mais que a capacidade análoga do paladar. Este último é o sentido mais estável do nosso organismo. O número de receptores de sabor diminui com a idade, mas quase ninguém percebe pois estão espalhados por toda a cavidade bucal e pela língua. Se levarmos em conta que as sensações de textura contribuem na identificação de diferentes paladares, a nossa capacidade de saborear e identificar um bom vinho permanecerá por longo tempo.

Os sabores amargos são os que se perdem primeiro, principalmente nos homens. As mulheres só vão perceber esta mudança durante a menopausa. Outros estudos demonstraram que a sensação de alimentos salgados diminui muito mais que a percepção para os doces.

Com relação ao olfato, pesquisas norte-americanas registraram uma acentuada perda na faixa etária entre 70 e 80 anos. As diferenças entre aromas ficam mais difíceis de serem percebidas e alguns, em particular, se perdem para sempre. Cada indivíduo vai reagir de maneira distinta a este problema.

O grande aliado para compensar o declínio natural destes sentidos é a nossa memória: todas as sensações por nós experimentadas ficam registradas, para sempre, dizem alguns pesquisadores. Quanto mais detalhados formos ao degustar um vinho, melhor conseguiremos identificá-lo em outra ocasião.

Esta bagagem se torna muito importante na 3ª idade. O nosso cérebro está preparado para sempre fazer novas conexões, compensando desta forma, as perdas no olfato e no paladar. Isto explicaria, por exemplo, a nossa mudança de gosto com relação ao vinho, tipicamente, quem não gostava de brancos aromáticos passa a preferi-los quando entram na faixa dos “enta”.

Pensando bem, isto bem administrado se torna uma arma formidável: sempre teremos novidades debaixo do nosso nariz, descobrindo novos e desconhecidos prazeres.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: repleto de aromas e sabores.

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Este saboroso corte das castas Grenache, Syrah, Mouvèdre, Cinsault e Carignan, é fresco e repleto de notas de fruta, com um toque terroso no palato que é perfeito para acompanhar comida. Excelente relação qualidade-preço!

O que um Enófilo busca no vinho?

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Qualquer dicionário vai explicar que Enófilo é quem aprecia e estuda vinhos. Mais que um apreciador comum, é alguém que tem por hábito, entre outras coisas, anotar o que degusta, pesquisar vinhos que melhor se adequam a uma estação do ano ou a um determinado prato ou alimento. Um aficionado em todos os sentidos.

Não existe uma formação obrigatória para ser reconhecido como Enófilo, mas algumas características se impõem:

– Aroma e paladar treinados;

– Sólidos conhecimentos sobre regiões, castas e vinhos;

– Compreender a importância das safras (para grandes vinhos);

– Noções de harmonização;

– Dominar, com confiança e habilidade, o serviço do vinho.

Mais poderia ser dito, mas estaríamos enveredando por adegas, garrafas míticas, cadastros em lojas especializadas e vasta biblioteca. O que importa, entretanto, é entender a diferença entre alguém que pede um vinho para acompanhar sua refeição e a mesma situação vivida pelo Enófilo.

Para estes, não basta gostar do vinho, é preciso ter mais informações para poder apreciar completamente o seu potencial: procedência, como foi elaborado, safra, castas e qualquer outra informação, mesmo que pareça irrelevante, pode contribuir para que se alcance o que é denominado como “toda a extensão do paladar”. Este passo, a mais, faz toda a diferença.

Entramos num terreno quase mítico. Será verdade que o vinho elaborado por um determinado produtor é tão melhor que qualquer um outro? Ou que esta casta produz vinhos mais fáceis de beber?

Uma resposta simples seria “mais mitos que verdades”, mas há muito mais por trás disto.

Cada pessoa que provar um vinho vai ter uma experiência diferente. Há uma razão muito simples para isto: não somos iguais. Cada degustador passou, ao longo de sua vida, por diferentes experiências na formação de seus gostos pessoais, o que inclui aromas e sabores.

Isto posto, como será possível, por exemplo, identificar, ao degustar um vinho, um aroma ou sabor que não conhecemos?

Duas correntes são aceitas, os que ignoram aquilo que não conhecem e os que buscam saber do que se trata. Esta é a atitude que separa um Enófilo do degustador comum.

Há uma satisfação, toda especial, em associar uma gama de conhecimentos, prazerosamente adquiridos anteriormente, com um determinado vinho. Seja pela coloração, aroma, sabor ou pela informação irrelevante. Isto leva tempo para acontecer.

A citação é de Fabricio Portelli, um dos mais importantes conhecedores de vinhos da Argentina:

“Os bons vinhos são possíveis por serem elaborados por pessoas e castas que provêm de lugares específicos, sob um conceito e perseguindo um objetivo preciso. Caso contrário, não existiriam. Entretanto, o seu êxito estará em conseguir agradar”.

O pensamento termina com mais uma frase de difícil tradução literal. Para podermos compreender, foi feita uma adaptação:

“Quando se degusta um vinho, não é qualquer vinho”.

Esta é a chave para entendermos como funciona a cabeça de um Enófilo.

Eles não fazem vinhos, função do Enólogo; não coordenam cartas de restaurantes ou lojas especializadas em bebidas, função do Sommelier; mas são os que melhor sabem consumir a bebida de Baco.

Tiram prazer em cada gota.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um Syrah chileno cheio de coisas para descobrir

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Ventisquero Queulat Gran Reserva Syrah

De cor vermelha escura, o vinho possui aromas que mescla frutas silvestres escuras, pimenta, couro, tostado, café, tabaco e chocolate.

Na boca tem taninos firmes e elegantes, com final de boca macio e elegante.

 

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