Autor: Tuty (Page 130 of 153)
3 – Para provar um vinho, coloque na boca, aspire um pouco e sinta os sabores e demais características, como acidez, corpo, doçura e adstringência, mas sem engolir. (precisa de treino para isto)
4 – Saiba que é totalmente deselegante você chegar num estande ou numa mesa de um produtor e pedir logo o vinho mais caro dele. Todos querem mostrar a sua linha de produtos.
5 – Procure experimentar alguns ou todos os vinhos de um produtor ou importador que estejam à mostra. Melhor cuspir até chegar ao de sua preferência, e se for o caso engolir.
Este produtor nos ofereceu um vinho pouco comum, mas excelente, o ‘Abandonado’. Com uma história que mais parece lenda, vale a pena reproduzir direto das páginas do produtor:
“Uma vinha a passar os 80 anos de idade, com várias falhas derivadas de um parcial abandono durante alguns anos. Numa zona de intensa exposição e com enormes afloramentos de xisto à superfície onde nem uma única erva subsiste. As gentes da Quinta depressa a apelidaram de “Vinha do Abandonado”. Durante anos tentamos recuperar a vinha e replantar as videiras desaparecidas. Até que desistimos. Apesar de todo o nosso cuidado apenas as cepas mais velhas eram capazes de subsistir em condições tão extremas. Em 2004 decidimos isolá-la pela primeira vez na adega da Quinta da Gaivosa. Revelou imediatamente uma personalidade e carácter únicos. Decidimos engarrafá-lo em homenagem às igualmente únicas vinhas velhas do Douro, que um dia desaparecerão. Hoje as celebramos”.
Este vinhedo, como muitos outros em Portugal, é um emaranhado de diversas castas o que dificulta a sua tipificação. Neste caso destacam-se as varietais Tinta Amarela, Touriga Franca, Touriga Nacional, entre muitas outras.
Dica da Semana: Um interessante espumante chileno produzido por Miguel Torres (importadora Devinum)
“Provavelmente os melhores vinhos do mundo são produzidos por uma família num terroir específico, ao longo de gerações. Desde 1874 que a família Menéres produz vinhos do Porto e DOC Douro em 25ha de terras de Xisto… São vinhos gastronômicos, com caráter, secos, muito aromáticos, frutados e equilibrados.”
Dica da Semana: um corte bordalês de Santa Catarina!
Elaborado a partir de uvas cuidadosamente selecionadas, provenientes de vinhedos próprios localizados a uma altitude de 1000 m.s.n.m. Cor vermelho rubi, com reflexos violáceos, límpido. Aroma frutado e franco com notas de amora, ameixa seca e uma nota discreta de vegetal e de tostado. Paladar frutado, com uma boa acidez, taninos presentes, harmônico e persistente. Harmoniza com carnes vermelhas, aves de caça, massas condimentadas com molhos de carne.
Nos dias 24 e 25 de abril, eu e meu parceiro de coluna, José Paulo Gils, estivemos na Expovinis 2013 – Salão Internacional do Vinho, em São Paulo, a mais importante feira de negócios deste segmento no Brasil. Esta foi a 17ª edição contando com mais de 400 expositores num dos pavilhões do Expocenter Norte, na Vila Guilherme. Um evento impressionante sem dúvida.
São mais de 5.000 rótulos e uma expectativa de 60.000 garrafas de vinhos de todos os cantos do mundo sendo degustadas. Não é para qualquer um, e um bom planejamento precisa ser feito para tirar um máximo de proveito.
Decidimos dividir nossa visita em “brancos + espumantes” no primeiro dia e “tintos” no segundo. Nossos ‘trabalhos’ se iniciavam às 13h, bem antes da abertura para o público em geral, o que seria às 17h. Bastante tempo para descobrir produtores que não conhecíamos, afinal, este era o nosso principal objetivo. Com o catálogo na mão começamos uma extensa peregrinação em busca de vinhos que nunca havíamos provados.
Passamos por produtores pouco habituais, como a Abrau-Durso que produz espumantes na Rússia, muito bons por sinal, até algumas das mais conhecidas marcas nacionais e internacionais. Em cada stand havia atrativos que nos retinham por um longo tempo, como o elegante stand da francesa Domaine de Gragnos onde fomos desafiados para um jogo de identificação de aromas que remetia a seus vinhos.
Vale a pena ressaltar que esta é uma feira ‘Business to Business’ (B2B) para gerar negócios entre produtores de vinhos e importadores/distribuidores de todo o país. A maioria dos produtos degustados por nós ainda não está à venda por aqui.
Um dos expositores que mais nos interessou, sem ser exatamente uma novidade, foi a Cavino – Domain Mega Spileo, da Grécia. Ofereceram-nos uma surpreendente degustação, completada no dia seguinte com os tintos, conduzida por um dos enólogos da casa. Experimentamos deliciosos vinhos elaborados com diversas castas locais.
Todos excelentes!
Muito comum neste tipo de feira são os stands coletivos. Itália, França, Espanha e Portugal trouxeram diversos produtores de pequeno ou médio porte que elaboram verdadeiras joias. Experimentamos brancos de Bordeaux, do Vale do Rhone, um Fianno da região de Salerno e até mesmo um delicioso Marsala, um vinho fortificado que anda sumido por estas paragens.
Entre os sul americanos dedicamos algum tempo aos vinhos do Uruguai, onde assistimos a uma simpática apresentação de seis brancos feita pelo especialista Didu Russo. A chilena Tutunjian, nos apresentou o Riesiling ‘Pacífico Sur’ da região do vale de Curico que se destaca entre a ‘mesmice’ de sempre.
Para encerrar este primeiro dia, visitamos diversos produtores do Brasil. Entre diversas e deliciosas opções provamos os espumantes da Villagio Grando, seu rosé foi premiado como o melhor da exposição, Don Guerrino e Campos de Cima. Vinhos de primeiro mundo. Mas a grande surpresa foi a Vinícola Santa Augusta, de Santa Catarina, com um espaço próprio. Degustamos uma bela coleção de espumantes, todos elaborados no método Charmat e um bem produzido Chardonnay.
Dica da Semana: um espumante brasileiro pouco divulgado que vem colecionando diversos prêmios, inclusive no exterior!
Campos de Cima Brut
Elaborado pelo método tradicional, com uvas Chardonnay e Pinot Noir originárias de vinhedos próprios. Predominam aromas cítricos, mesclados a néctar e tâmaras, com leve fundo de ervas de quintal (alecrim, sálvia). Em boca é agradável e persistente. Harmoniza bem com terrines, patê de campagne ou para os mais ousados, uma boa massa com molho de tomates e ervas aromáticas.
Premiações:
Medalha de Ouro – V Concurso Internacional de Vinhos do Brasil 2010
Medalha de Ouro – VII Concurso Brasileiro de Espumantes 2011
Medalha de Ouro – Concurso Mundial de Bruxelas – Brasil 2011
3º Melhor Espumante Brasileiro na Avaliação Topten Expovinis 2012
Medalha de Prata – VI Concurso Internacional de Vinhos do Brasil 2012
Nas últimas colunas foram mencionados alguns ícones do mundo do vinho. Todos muito bons e muito caros. Se olharmos para este mercado de alta gama ficaremos chocados com os valores pagos por determinados rótulos famosos. Recentemente uma garrafa de Romanée–Conti foi arrematada por mais de 13 mil dólares!
Há alguma coisa que justifique estes valores?
São vários aspectos que devem ser levados em conta, desde a legislação de um país, volume de produção, técnicas de marketing e até a má administração de empresas que buscam cobrir seus prejuízos.
No caso do renomado vinho da Borgonha o preço se justifica por duas razões:
1 – a legislação francesa, sempre muito rigorosa, só classifica naquela região como vinhedo de excelência uma pequena parcela;
2 – em função disto a produção é minúscula. Logo, são poucas garrafas à venda deste fabuloso vinho.
A segunda pergunta que devemos nos fazer antes de embarcar numa compra ousada é: vale a pena?
Nem sempre. Muitos destes vinhos têm uma fama que, hoje em dia, não é mais devida – foram grandes vinhos. A concorrência é feroz e com a chegada dos vinhos do Novo Mundo a guerra de marketing se tornou a parte mais importante do negócio.
Reparem na divisão entre Novo e Velho mundo – há lugar para grandes vinhos nos dois segmentos. Não há dúvida que os rótulos mais tradicionais vão se agarrar ao seu passado e extrair tudo o que puderem disto. Do outro lado do Atlântico, onde não há tanta tradição, o caminho será o de se equiparar, inclusive no preço…
Mas é possível comprar um excelente vinho por um preço palatável. Basta seguir alguns conselhos.
A menção ao Romanée-Conti não foi gratuita. Sua principal característica é ser elaborado com uvas de um único vinhedo. Esta é a primeira dica: procurem nos rótulos a expressão ‘Vinhedo único’ ou as traduções ‘Single vineyard’, ‘viñedo único’, ‘U.V.’ (unique vigneron) ou a versão mais moderna que prefere citar ‘Block #’ e ‘Parcela #’. Isto é uma garantia de um produto de melhor qualidade, com elaboração cuidadosa. Podemos encontrar excelentes produtos, que equivalem a um Borgonha Prémier Cru por 1/3 do preço.
Uma segunda dica são os chamados ‘segundos vinhos’ das grandes vinícolas. Esta opção surge quase naturalmente quando uma determinada safra não atinge o padrão para o grande vinho ou, mais comum atualmente, para enfrentar a concorrência do mercado sem alienar a marca mais famosa da vinícola.
Este vinho é ruim?
De maneira nenhuma. Não se pode esquecer que vinho é um negócio. Nenhum produtor vinifica só por amor à arte, precisam de retorno para o investimento. Outra trilha muito usada é a venda do vinho por atacado para engarrafadores independentes. Estes lançam excelentes produtos com seus próprios rótulos e a preços bem mais competitivos. Alguns exemplos:
Pavillion Rouge é produzido pelo Château Margaux;
Les Forts de Latour, pelo Château Latour;
Liberty School, produzido pela afamada Caymus da Califórnia;
Hawk Crest, elaborado pela premiada vinícola Stag’s Leap.
Os ‘Negociantes’, muitas vezes vinhateiros também, são comuns na França, por exemplo: Bouchard Père et Fils, Louis Jadot, Joseph Drouhin e Vincent Girardin na Borgonha; Georges Duboeuf em Beaujolais; Guigal, Jean-Luc Colombo e Mirabeau na Provence; Jaboulet no Vale do Rhône.
Basta olhar nos rótulos ou contra-rótulos para comprar excelentes vinhos por uma fração do preço dos ‘famosos’. Isto vale para os produtores sul-americanos também: Bramare e Felino são segundas marcas da Viña Cobos; Tomero é elaborada pela premiada Vistalba; Alamos é a linha básica da Catena Zapata, e assim por diante.
Um truque que gosto muito é experimentar as varietais pouco conhecidas, tintas ou brancas. Em vez de um Sauvignon Blanc prove um Torrontés, no lugar do trio Cabernet, Merlot e Syrah, parta para um Tannat ou Ancelotta. Já fiz ótimas descobertas assim, com um custo muito baixo.
Por último, tentem os produtos nacionais ou pelo menos do cone sul em lugar de europeus ou americanos. Tudo bem que nem sempre o nosso vinho tem preço competitivo, mas com uma boa dose de perseverança podemos encontrar bons caldos. Os espumantes não me deixam mentir, não devem nada aos demais.
Dica da Semana: uma destas descobertas, numa prova oferecida em uma delicatessen.
El Ciprés TorrontésProdutor: Luis Segundo Correas
País: Argentina/Mendoza – Medrano
Com uma bela coloração amarelo ouro com reflexos esverdeados, seu intenso aroma lembra flores brancas, ervas e frutas brancas. No palato tem acidez equilibrada e final de boca muito longo, atípico para esta casta. Elaboração primorosa. Bom companheiro para um final de tarde ou borda de piscina.















