Autor: Tuty (Page 131 of 153)
Esta é uma daquelas histórias boas de serem contadas.
Há algum tempo atrás, numa importante data, o Sr. B, foi presenteado, pelo Sr. G, com um belo Fattoria dei Barbi 2007, um Brunello de 1ª linha. (Os nomes de alguns personagens estão sendo omitidos devido a um acordo de confidencialidade)
Não preciso comentar que esta garrafa virou alvo de diversos projetos para consumi-la. Como sempre sou consultado sobre estas ideias, fui empurrando com a barriga o projeto até que, finalmente, com a temperatura do Rio de Janeiro em valores aceitáveis, resolvemos consumar o ato.
‘G’, a quem fui apresentado neste dia, juntou-se a nós e fomos para um bom restaurante italiano. Afinal, segundo a lógica de ‘B’, o que harmonizaria perfeitamente com este famoso vinho seria a culinária daquele país que o produziu. Correto, desde que algumas restrições sejam impostas. Por isto mesmo, esta aventura se tornou muito saborosa e instrutiva.
O VINHO
Brunellos são icônicos e respeitados por enófilos de toda parte, em que pese o recente escândalo que revelou procedimentos inadequados na elaboração de alguns exemplares deste vinho.
Apesar de ser um típico país latino, a Itália respeita as tradições mais que as leis, razão pela qual, alguns de seus produtos são desejados e usados como símbolos de status, riqueza e conhecimento. Não é diferente com seus vinhos e os Brunellos estão no topo da lista ao lado de Barolos, Barbarescos, Chiantes e Amarones, para ficar só nos tintos.
Há uma aura de mistério sobre a casta que dá origem ao vinho e ao seu nome. Admite-se que é um ‘clone’ da famosa uva Sangiovese, que só existiria nos arredores da cidade de Montalcino, sub-região Brunello, na Toscana.
Tecnicamente o nome correto é Sangiovese Grosso, uma das 14 variedades de Sangiovese reconhecidas e aquela que (segundo eles) produz os melhores vinhos. A história não termina nisto: esta mesma casta existe em outras regiões, com novas denominações (Prugnolo Gentile; Sangiovese Lamole; etc) e produzem ótimos vinhos. Mas o marketing de Montalcino é forte, somente os vinhos de lá podem ser Brunellos…
A Fattoria dei Barbi é uma vinícola muito antiga (1352). Em 1790 foi comprada pela família Colombini que a administra até hoje. Stefano Cinelli Colombini é o atual enólogo e o responsável pela modernização da empresa. O processo de elaboração usado hoje em dia é muito sofisticado, recorrendo a macerações a frio (3º a 5º) em ambiente saturado de CO2 obtendo-se excelentes resultados.
Após a fermentação em temperaturas controladas por 15 dias, amadurece alguns meses em barricas novas de carvalho logo sendo trasfegado para os tradicionais tanques onde permanecerá por longos 2 anos. Somente é engarrafado 4 meses antes de partir para o mercado. Uma verdadeira joia!

Resulta num vinho de coloração rubi profunda com aromas de frutas negras, notas balsâmicas e um pouco de tostado. No palato é bem equilibrado com acidez perfeita e taninos marcantes. Tem um final de boca interminável.
Estas características quase que obrigam uma harmonização altamente untuosa: é uma bebida que vai secar a nossa boca; para contrapor, precisamos ingerir alimentos que induzam uma boa salivação. As recomendações passam por carnes vermelhas grelhadas ou assadas com seu próprio molho, ossobuco com polenta, paleta de cordeiro, massas com molhos encorpados e queijos maduros.

O ALMOÇO
A nossa garrafa estava quase na metade de sua vida, os Brunellos são longevos durando até 15 anos. Poderíamos ter esperado mais um pouco, mas quem poderia garantir que estaríamos por aqui ainda?
Para iniciar os trabalhos, encomendamos um antepasto de queijos, frios e pães artesanais, e um belo Prosecco, da casa, para preparar as papilas gustativas.
Na hora de encomendar os pratos principais aconteceram algumas surpresas:
1 – ‘B’ optou por um Curlugiones, uma massa fresca recheada com batatas, queijo pecorino e hortelã, servida com um encorpado molho pomodoro feito na casa;
2 – ‘G’, para surpresa geral, optou pelo peixe do dia, grelhado, com legumes cozidos;
3 – a minha escolha foi um Tortelloni recheado de ricota e ervas, cozido e servido no azeite.
Ninguém pediu uma carne…
De certa forma, a escolha do Sr. G foi a mais difícil de combinar. Mesmo assim ele achou positiva a experiência. Eu e o Sr. B nos esbaldamos, embora eu tenha sentido a falta de uma pedida mais encorpada ainda – a minha boca ainda estava mais para seca do que eu gostaria.
Mas o vinho era delicioso e só poderíamos imaginar o quanto mais ele poderia melhorar com o tempo.
Afinal concordamos que só havia um defeito:
Faltava uma segunda garrafa!
Dica da Semana: para celebrar o Dia do Malbec, 17 de abril.
Catena Malbec 2010

Este grande Malbec argentino já se tornou um verdadeiro clássico, com uma elegância e um senso de proporção raramente encontrado em outros tintos de seu país. Já foi indicado como um dos “100 Melhores Vinhos do Mundo” pela Wine Spectator- um feito surpreendente para um vinho deste preço! Trata-se de um tinto encantador, com concentração e intensidade, mas também charme e muito caráter. Segundo Jancis Robinson, ele “tem a estrutura de um Bordeaux, oferece mais do que o esperado, e é tão bom!”
Robert Parker: 91 pontos (safras 08, 09 e 10)
Stephen Tanzer: 90 pontos (safra 2010)
Wine Spectator: 90+ pontos (safra 08)
Salton Virtude Chardonnay
Vinho com tonalidade amarelo claro. Possui aromas que lembram abacaxi , manteiga, maçã verde, melão e pronunciado aroma de mel, baunilha, coco, nozes e pão torrado, além de notas minerais. Seu sabor é equilibrado e estruturado, com acidez firme, deixando agradáveis sensações de frutas e especiarias na boca. Harmoniza com aves de caça, como perdiz, ema, avestruz, faisão e pato. Massas com molhos de base branca (béchamel) ou à base de ervas (pesto). Acompanha risotos e queijos como brie e camembert. Excelente opção para bacalhoada e cassoulet.
Cuvée Giuseppe Chardonnay 2012 (Vale dos Vinhedos)
RAR Viognier 2011 (Campos de Cima da Serra)
RAR Pinot Noir 2011 (idem)
Cuvée Giuseppe Tinto 2010 (Vale dos Vinhedos)
Gran Lovara 2008 (Serra Gaúcha)
Bueno Paralelo 31 2009 (Campanha)
Quinta do Seival Castas Portuguesas 2008 (Campanha)
Miolo Merlot Terroir 2009 (Vale dos Vinhedos)
Miolo Lote 43 2011 (idem)
Miolo Millésime 2009 (idem)
Bueno Cuvée Prestige 2009 (idem)
Terranova Moscatel (Vale do São Francisco)
Vinho tinto de cor vermelho rubi intenso, elaborado através do corte de uvas Touriga Nacional e Tinta Roriz origina um vinho de corpo generoso e macio, complexo e potente. Vinho de guarda, com estrutura para suportar muitos anos de envelhecimento.
Harmonização: Acompanha carnes vermelhas e grelhados, como pernil de cordeiro com ervas. Ótimo acompanhamento para lingüiças e pratos tipicamente portugueses como caldo verde com chouriço, leitão assado em forno a lenha ou arroz de Braga. Bom acompanhamento para queijos duros e maduros.
Imaginem a responsabilidade da filial brasileira que faz parte de um dos mais importantes conglomerados de artigos de luxo. Estão neste mesmo barco, marcas como Christian Dior, DKNY, Fendi, Kenzo e TAG Heuer, entre outras. Entre os espumantes encontramos peso-pesados como Dom Perignon, Krug, Veuve Cliqcot e Moët & Chandon. Dirigir a vinícola brasileira é uma enorme responsabilidade.
Dica da Semana: um espumante realmente diferente e próprio para terminar um banquete.
Chandon Passion
Espumante meio-doce elaborado a partir de um “assemblage” original e ousado das variedades Malvasia Bianca, Malvasia de Cândia, Moscato Canelli e Pinot Noir. Apresenta uma cor levemente salmão, uma espuma abundante com formação de um colarinho bem definido e borbulhas finas, ativas e numerosas.
Os aromas frutados lembram o maracujá, o pêssego, a lichia e o jambo com toques florais de rosas. No paladar, após um ataque de acidez, a maciez do vinho-base e do licor revelam a harmonia e a complexidade deste sutil equilíbrio, com um final intenso de frutas tropicais. Harmoniza com o salmão, as sobremesas e as saladas de frutas tropicais.






























