Autor: Tuty (Page 4 of 144)

Harmonizando com Panetone

A mesa de Natal dos brasileiros é uma verdadeira celebração das diversas culturas que ajudaram a construir a nossa nação.

Abraçamos, sem muita cerimônia, tradições portuguesas, espanholas, italianas, francesas e até africanas. São delícias atrás de delícias.

Uma das peças que não podem faltar é um belo Panetone, aquele bem tradicional com as frutinhas cristalizadas. Tudo bem que existem outras diversas versões, mas o assunto de hoje é o clássico.

A origem deste pão doce, de massa muito leve e alveolada é cercada de várias lendas, segredos e poucas certezas. Uma delas é a cidade onde começou a ser produzido, Milão. Isto ninguém questiona.

Acredita-se que o nome derive de “Panetto”, palavra italiana para designar “um pãozinho”. Ao acrescentar o sufixo aumentativo “-one”, muda o sentido, podendo ser traduzido como “grande pãozinho”.

Há uma curiosa fábula, bastante aceita na Itália, que Panetone vem de “Pan di Toni”, nome de um hipotético criador desta receita.

Harmonizar esta sobremesa não é uma tarefa difícil, ela é muito versátil e, pelo caráter pouco doce, pode ser combinada com diferentes estilos de vinho.

Naturalmente, as opções vindas da Itália são as mais comuns. Os vinhos elaborados com a casta Moscato (Moscatel), como o celebrado Moscato d’Asti, são considerados como o par perfeito, tanto na versão tranquila ou como um espumante.

A casta Moscatel é uma das uvas mais difundidas no mundo. Vamos encontrar versões de seus vinhos em diversos países produtores, inclusive aqui no Brasil, onde elaboramos premiadíssimos espumantes “demi-sec” com ela.

Portugal nos oferece mais opções de harmonização, desta vez com um bom Vinho do Porto: um Tawny ou um LBV são boas escolhas. Experimentem molhar a sua fatia com um pouco de Porto: é do outro mundo …

Para a turma que gosta de pensar “fora da caixa”, temos mais sugestões. A primeira delas seria um delicioso Moscatel de Setúbal, um dos grandes vinhos portugueses de sobremesa. Nesta mesma linha se encaixam o francês Sauternes, o húngaro Tokaj e o Vin Santo, italiano.

Para não deixar a França fora desta harmonização, um Champagne “Demi-sec” ou mesmo “Doux”, combina com perfeição.

Continuando na linha dos espumantes, o Panetone harmoniza muito bem com um Prosecco Brut, acreditem. Podem apostar, também, em outros borbulhantes bem secos, como o da Dica da Karina de hoje.

Feliz Natal para todos os leitores com muito Panetone e harmonizações perfeitas.

Dica da Karina – Cave Nacional

Cristofoli – Espumante Cristo Redentor Brut

A Vinícola Cristofoli, comandada pela família Cristofoli, é formada por viticultores que vivem na região de Faria Lemos há mais de 135 anos e faz parte da Rota Turística Cantinas Históricas e Vale do Rio das Antas, em Bento Gonçalves. O Cristofoli Espumante Brut – Cristo Redentor é elaborado exclusivamente com a variedade Chardonnay. Este espumante é produzido pelo Método Tradicional com 6 meses de guarda em cave, o que o mantém leve, refrescante e jovial, com uma ótima cremosidade e uma boa persistência. De coloração amarelo palha com perlage intensa e delicadas notas de pão fresco, flores brancas e aromas frutados, destacando-se a pera. O Cristofoli Espumante Brut – Cristo Redentor é um produto oficial do Santuário Cristo Redentor e a cada venda contribui-se para a continuidade dos trabalhos sociais desenvolvidos pelo santuário, que atende centenas de famílias em situação de vulnerabilidade social. Saiba mais no site do Santuário Cristo Redentor e nas mídias sociais @cristoredentoroficial.

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CRÉDITOS: Foto de kate rumyantseva na Unsplash

Estamos em busca de inovações?

Um grande amigo e eventual colaborador deste blog, P.A.S., nos propôs uma interessante questão:

Ainda seria possível degustar algum vinho obtido de vinhas pre-filoxera, para comparar com os atuais?”

A resposta óbvia seria um retumbante “não”.

Pensando bem, ainda existem muitos vinhedos em “pé franco” com vinhos sendo elaborados com seus frutos. Alguns países se destacam neste cenário, como Portugal com seus Vinhos do Porto ou com os Vinhos de Colares, e o Chile, um país onde praticamente a filoxera não chegou. Existem outros.

O grande problema é obter o efeito comparativo: seriam estes vinhos elaborados da mesma forma como eram antes da praga?

E com os grandes vinhos, como os Bordaleses: ainda seria possível estabelecer esta comparação?

A resposta que o amigo busca é saber se estes vinhos de antigamente seriam superiores aos atuais ou, em outras palavras, se a parreira enxertada é tão boa quanto a original, sem enxertos?

Podemos simplificar mais um pouco esta dúvida: o vinho moderno é melhor, pior ou igual ao vinho antigo?

Ah! Voltamos ao eterno embate entre tradição e modernidade que marcou o Século XX, com todas as manifestações culturais, ditas “modernistas” e amplamente criticadas por diversos segmentos mais conservadores da sociedade. O vinho também é cultura e foi incluído neste balaio.

Curiosamente, neste Século XXI, continuam as discussões entre os grupos que preferem uma vida mais moderna e os que ainda vivem à moda antiga. Ambos consomem vinho, ainda bem!

A evolução da ciência e seus métodos viraram o grande vilão. “Tudo deveria acontecer de modo natural”, dizem uns. “A tecnologia explica tudo”, retruca o outro grupo.

Ninguém questiona que, ao fermentar um mosto de uvas, vamos obter um vinho, em algum momento. Isto não mudou. Mas a tecnologia nos permite fazer bebidas mais seguras atualmente.

Aumentaram os controles sobre os diversos processos. Existem recipientes adequados para cada etapa, inclusive para distribuição e venda: garrafas são consideradas “modernas”!

O debate sobre os recipientes para elaboração e guarda dos vinhos é muito antigo e, de certa forma, desconcertante.

Um simples exemplo: as barricas de madeira foram criadas para transportar o vinho e não para melhorá-lo, como é atualmente.

Em um texto anterior a este, afirmamos que as tradições seriam um dos grandes trunfos do vinho. Mas são tradições revestidas de modernidade. Há muita ciência e tecnologia embutida na elaboração dos vinhos atualmente, inclusive no campo. A enxertia é uma delas …

Então, podemos levantar nova dúvida: O que é verdadeiramente tradicional no mundo do vinho?

Alguns fatos são muito famosos e se destacam neste nicho dos grandes vinhos. Um deles fala dos tradicionalíssimos vinhos de Bordeaux, uma referência para todos: o corte Bordalês é reproduzido por vinícolas em todo o planeta.

Além disto, reza outra “tradição” que, na margem esquerda do rio Garona predomina a casta Cabernet Sauvignon e na margem direita é o território da Merlot.

Só que não é bem assim. Se formos pesquisar direitinho, fazendo uma linha do tempo, vamos descobrir algumas surpresas.

Voltemos aos tempos napoleônicos e sua classificação das regiões bordalesas, em 1855. A Filoxera ainda não tinha chegado a Europa e não havia nenhuma predominância de castas, em qualquer das margens. Esta segmentação só ocorreu após o replantio por conta da praga que dizimou os vinhedos.

Bela “tradição”…

Neste complexo cenário vínico, cheio de histórias que se assemelham a lendas e outros encantos, ainda há muito a ser estudado e compreendido. Tradição e modernidade se fundem, em diversos momentos, como uma simbiose. Desde muito tempo atrás é difícil separar uma da outra.

Para não deixar a primeira pergunta de P.A.S. sem resposta, acreditamos que não conseguiríamos degustar um vinho daquele tempo. Segundo relatos confiáveis, sejam obtidos na literatura mundial ou nos registros históricos de produtores centenários, aqueles vinhos se assemelhavam a um vinagre. Eram ácidos, com pouca estrutura e corpo, quase ralos. Sabores fortemente herbáceos, na maioria das vezes.

Deveriam ser consumidos logo após sua elaboração. Não existiam conservantes para que durassem um par de dias, pelo menos.

Da mesma forma que manifestações culturais evoluiriam e se mantiveram atuais, como artes plásticas, música, teatro, cinema e literatura, o vinho trilhou este mesmo caminho, bebendo em diversas fontes de sabedoria para chegar aonde está hoje.

Pensem nisto tudo e tirem suas próprias conclusões.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Capoani – Riesling Renano 2022

Vinícola construída por imigrantes italianos, os Capoani plantam uvas no Vale dos Vinhedos desde a década de 70.  Esse Riesling Renano é produzido pelo método de crioextração (também conhecido por icewine ou eiswein), onde as uvas são congeladas para se obter maior concentração de dulçor e sabor no vinho pronto. A intensidade do aroma é notável, destacando-se por notas florais, casca de limão, pêssego, damasco e a delicada nota de geleia de marmelo, acentuada pelo processo de congelamento. Com o envelhecimento, evolui para aromas químicos e minerais.

Para adquirir este vinho, clique no nome ou na foto.

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CRÉDITOS: Imagem de hcdeharder por Pixabay

Velha Senhora aos 35 anos…

Embora seja uma das bebidas alcoólicas mais tradicionais, principalmente nos aspectos relativos à sua forma de elaboração, o vinho muda constantemente de aparência apresentando, a cada safra, novas nuances de aromas, sabores, corpo e outros pequenos detalhes.

Cabe ao departamento de marketing, tanto das vinícolas quanto dos comerciantes, elaborarem novas e interessantes estratégias para chamar a atenção do consumidor.

Uma das técnicas mais comuns são as conhecidas frases ou expressões impressas nos rótulos, algumas que nem sentido fazem, mas ajudam a vender. É caso do sempre criticado “Reservado” ou de outras, mais discretas, como as que indicam ser um varietal quando, na verdade, é um corte onde determinada casta predomina. Tudo isto dentro da lei.

Produtores mais responsáveis começaram a adotar outras formas de expressar o que está dentro de uma garrafa, inclusive para proteger seu bom nome e deixar claro quais são seus objetivos. Surgem os vinhos rotulados de 100% desta ou aquela casta, os de “Vinhedos Únicos”, “Vinhos de Altitude” e muitos mais.

Nem todas estas denominações seguem regras específicas ou são normatizadas. O famoso caso do “Reservado”, é uma nítida forma de induzir o consumidor a comprar um vinho de entrada como se fosse um “Reserva”, que é mais caro. Para a surpresa de muitos, a legislação brasileira regulamentou o uso desta expressão. Mas só vale para os vinhos aqui produzidos.

“Vinhas Velhas” é outro jargão que anda frequentando muitos rótulos. Passa uma certa confiança, mas também é objeto de questionamentos. A primeira impressão é de que se trata de um produto de qualidade superior: vinhas mais antigas produzem menos cachos, que seriam mais doces, permitindo elaborar vinho de alta qualidade.

Pode sugerir, em segundo plano, que estas vinhas poderiam ser de “pé franco” ou “pré-filoxera”, a famosa praga que devastou vinhedos em toda a Europa. Muitos produtores, que ainda possuem plantas não enxertadas, fazem questão de colocar um “pé franco”, seja no rótulo ou contrarrótulo, para não deixar dúvidas.

Para o consumidor habitual fica uma questão: o que pode ser considerado como “vinha velha” afinal? Qual a idade?

Sabendo que o grande marketing do vinho são as suas tradições e que, com vinhas velhas não se brinca, afinal, são um importante patrimônio, a OIV (Organização Internacional do Vinha e da Vinha) adotou uma definição oficial:

“Considera-se uma Vinha Velha aquela parreira que, de forma documental, comprove ter 35 anos ou mais, independente de quaisquer outros fatores.

Para as plantas enxertadas, a idade conta a partir da enxertia e que esta nunca tenha sido alterada.

Para os vinhedos serem considerados como “velhos” é preciso que 85% de suas videiras tenham idades acima dos 35 anos”.

Não foi uma escolha aleatória. Há muitos anos que estudos são elaborados por diversos institutos como o “The Old Vine Conference” da Inglaterra, o “The Old Vine Project” da África do Sul, o incrível banco de dados sobe vinhedos velhos, “The Old Vineyard Registry” e o “Censimento Vecchie Vigne”, o censo das vinhas velhas da Itália.

Vale a pena lembrar que alguns dos maiores vinhedos velhos, em pé franco, que ainda existem estão aqui na América do Sul, principalmente Chile e Argentina.

Vinha Velha no rótulo agora pode confiar. Boa escolha.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Madre Terra AuraZ Rosé Pinot Noir 2023

A Madre Terra é uma vinícola boutique que acredita na agricultura regenerativa, praticada com respeito ao terroir e à sociobiodiversidade. Situada em Flores da Cunha, na região da Capela São João, a 847 metros de altitude, elabora microlotes de vinhos e espumantes, que são uma reverência à Madre Terra e a tudo o que ela nos oferece. O Madre Terra AuraZ Rosé Pinot Noir 2023 é vinificado 100% com Pinot Noir cultivada na região da Serra do Sudeste, RS. De coloração rosa coral, límpido e de média intensidade, apresenta aroma intenso de frutas maduras como melão espanhol, cereja, framboesa, morango, pitanga, com toque floral delicado de jasmim amarelo além da baunilha, cravo e creme de papaia. Vinho seco, acidez equilibrada, encorpado, intensidade de sabor alta e final de boca longo.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: “Old Vines” por outdoorPDK está licenciada sob CC BY-NC-SA 2.0.

Destilado de vinho produz Gin!

Uma grande mudança está ocorrendo no cenário dos vinhos, principalmente na Europa, berço desta deliciosa bebida.

Alguns especialistas entendem que é uma crise, cíclica, pois já ocorreu anteriormente. O foco deste aparente problema é uma nítida diminuição no consumo, principalmente pelas novas gerações ou, quem sabe, pelos sempre majorados preços das boas garrafas.

Em tempos como estes, produtores e autoridades reguladoras devem agir com rapidez em busca de soluções para o excesso da produção que não consegue ser absorvida pelo mercado.

Dois caminhos são bem tradicionais, a diminuição da produção através da erradicação de vinhedos, ou a chamada “destilação de crise”, quando o vinho, já pronto, é transformado em álcool comum e utilizado em outras aplicações.

Uma solução bastante criativa é usar este subproduto para elaborar outras bebidas alcoólicas. Tradicionalmente, o Conhaque e o Armanhaque são os mais conhecidos, mas seu consumo também anda muito baixo.

O Gin, uma bebida obtida pela infusão de um álcool com diversas especiarias, voltou a ser uma estrela, sendo amplamente utilizado na preparação de tradicionais coquetéis, alguns esquecidos por muitos anos. Tudo para a alegria dos antigos Barmen, hoje Mixologistas, e a satisfação da “Geração Z” (1997 a 2012) e uma parte das turmas que a antecederam, grandes apreciadores destas misturas.

Somando as duas informações, o próximo passo é usar o vinho destilado para infusionar um Gin, fora da curva.

O Gin Adamus (foto) é um produto português que segue esta fórmula e acrescenta, na sua preparação, algumas características surpreendentes.

Começamos com um “terroir”, a Bairrada, região de tintos sérios, vinificados a partir da temperamental Baga, uma verdadeira Diva. Esta região também é reconhecida por excelentes brancos e espumantes de alta qualidade.

A produção é toda orgânica e artesanal. São 18 elementos botânicos, entre eles a uva Baga, Hibisco, Zimbro, Laranja, Limão, Canela, Gengibre, Cardamomo e Sálvia. O restante da fórmula é mantida em segredo.

Duas versões são oferecidas: o “Adamus Organic Dry Gin”, de cor clara e o “Adamus Organic Dry Gin Signature Edition 2023”, algo único e muito especial.

Um Gin safrado, barricado em antigos cascos de carvalho usados para afinar os clássicos tintos daquela região. A produção é limitada e as garrafas são numeradas. Um luxo, para poucos.

Seguindo nesta mesma linha, Itália e França produzem suas versões de Gin a partir de um destilado vínico.

Uma boa ideia que tem tudo para dar certo.

Saúde, bons vinhos e bons coquetéis!

Dica da Karina – Cave Nacional

Vinhética Terroir d’Éxcellence

Vinhética é uma empreitada do francês enólogo francês, Gaspar Desurmont, que escolheu a Campanha Gaúcha como terroir para seus vinhos autorais. É um assemblage de três safras, cada uma contendo cinco cepas diferentes Syrah, Petit Verdot, Ancellotta e Cabernet Franc).  Estágio de 12 a 36 meses em barricas de carvalho francês, além de algumas de madeiras brasileiras (Cedrinho, Castanha de Portugal, Amburana e Bálsamo). Vinho de coloração rubi com complexidade no nariz, trazendo aromas frutados como ameixa preta, cassis e amora, bem como de especiarias como pimenta do reino, notas florais e aromas que indicam evolução (animal, couro). É um vinho encorpado, mas que não é pesado na boca, pois apresenta também uma boa acidez. Tem boa persistência.

Para comprar este vinho clique no nome ou na foto. A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: a foto de abertura é uma montagem com imagens obtidas no site da Adamus

Comemorações de final de ano: que vinho levar?

Já estamos no final de 2024 e começam, as sempre aguardadas, comemorações que celebram “mais uma jornada realizada”. São momentos de alegria e confraternização, talvez embalados por uma troca de presentes, mas sempre com muita comida e bebida.

Como especialistas em vinhos, somos sempre instados a levar uma boa garrafa ou mesmo coordenar o que vai ser comprado e servido. Nem sempre é uma tarefa fácil. Novas variáveis entram em cena o que exige um pouco mais de planejamento e atenção.

Existem regras de algibeira que são quase infalíveis, por exemplo, aquela que nos recomenda a levar o vinho que estamos habituados a consumir ou um espumante, escolha clássica para este período.

Como diria Pedro Pedreira, um dos divertidos personagens da Escolinha do Prof. Raimundo, genial criação de Chico Anysio, “há controvérsias”.

Apesar de simples e abrangente, a regra mencionada não é uma panaceia universal, infelizmente. Outros fatores podem influir nesta escolha: o local; o tipo de comida que será oferecida; o clima e a lista de convidados.

Como pano de fundo, a nossa reputação de “expert” poderá ser colocada em dúvida se fizermos escolhas inadequadas.

Um primeiro ponto a ser observado é a escolha do local. Se o encontro for em um restaurante ou casa de festas, o vinho escolhido poderá ser bem diferente caso a reunião seja na residência de um dos amigos do grupo ou mesmo em nossa casa.

Outro dado muito importante é saber o número de convidados e, for possível, saber quantos beberão vinho. Afinal, uma garrafa serve uma taça para seis ou sete pessoas.

Pensando nisto, se o encontro for num local público, não adianta levar aquele super vinho, é melhor escolher um bom rótulo que conste da comprida lista de vinhos com bom custo/benefício.

Quase sempre o restaurante escolhido é um local amplo, barulhento, com comandas separadas e rolha livre. Geralmente uma churrascaria, com um bom buffet atrelado. O tradicional Chopp seria a pedida mais comum.

Surge, então, um verdadeiro dilema: levamos um tinto, um branco, um rosado ou espumante?

Não há uma fórmula de sucesso aqui. Se for um tinto, para os carnívoros, escolham um menos encorpado como Merlot ou Tempranillo. Os Brancos são apreciados pelas damas. Prefiram os mais refrescantes e não barricados como Pinot Grigio ou Sauvignon Blanc. Os rosados funcionam como alternativa, sempre gelados e leves.

Pensem nos espumantes como eternos coringas. Ideais para fechar o encontro com o manjado pipocar da rolha e os votos de sempre.

No segundo caso, a nossa seleção do vinho deve ser mais criteriosa, se impondo perguntar ao anfitrião o que vai ser servido. Caso outros amigos também levem vinhos, seria interessante combinar antecipadamente o que cada um vai trazer.

No nosso clima tropical, os brancos e os espumantes seriam escolhas predominantes. Tintos poucos encorpados que possam ser degustados levemente refrigerados, como um Beaujolais Noveau ou um Pinot Noir básico, devem ser considerados.

Não se esqueçam de incluir um vinho para harmonizar com as sobremesas. Uma boa pedida são os deliciosos espumantes elaborados com a casta Moscatel.

Para os mais ousados e destemidos, duas escolhas podem ser muito interessantes. Primeiro, substitua tintos, brancos e rosados por um vinho laranja. Há ótimas opções no mercado. Enfrentam desde um bom naco de carne até um delicado filé de pescado. Sirvam gelados, como os brancos.

A segunda opção é substituir o tradicional espumante, seja um Champenoise ou um Charmat, por um Pet-Nat. São deliciosos, informais e caíram no gosto das novas gerações.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Zanella – Pedro Espumante Brut 60 meses

Pedro é o espumante ícone da Vinícola Zanella, uma empresa familiar, planejada para elaboração de vinhos diferenciados e originais, refletindo o “terroir” da região de Antônio Prado, entre a tradição da Serra Gaúcha e mundo novo dos Vinhos de Altitude. Vinhedos próprios, cultivados em pequenas parcelas, distribuídas de acordo com a adaptação de cada tipo de uva e buscando a sustentabilidade e o equilíbrio com a natureza.

O Pedro Brut utiliza a clássica técnica de fermentação na garrafa (“Champenoise”), associada a 4 longos anos de espera sobre as leveduras, fez surgir uma face ainda pouco conhecida dos espumantes da Serra Gaúcha, de longo amadurecimento e grande complexidade de sabor. De cor amarelo dourado, é complexo, evoluído, com aromas clássicos da autólise sobre leveduras, do pão torrado, do café mocaccino, das amêndoas, das frutas em calda, damascos, avelãs, da profundidade dos aromas de confeitaria. O paladar traz o equilíbrio de seus componentes de acidez, peso, doçura e sabor longo, persistente.

Para comprar este vinho clique no nome ou na foto. A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de Eugen Visan por Pixabay

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