Autor: Tuty (Page 4 of 153)

Esmagar e Prensar

Para muitos apreciadores do vinho, estas duas palavras seriam sinônimos.

Quase!

No jargão dos vinhateiros, são dois processos, muitas vezes complementares, necessários à elaboração de um vinho.

Existem várias nuances entre uma palavrinha e outra. Espremer, no mundo do vinho, é o início da vinificação. Para que haja um mosto, é necessário que as peles das uvas sejam rompidas, facilitando o escorrimento do suco livre (free flow) e permitindo que as leveduras comecem o seu trabalho.

Um dos processos mais conhecidos para romper as cascas é a famosa “pisa a pé”, método ainda usado em Portugal e uns poucos países. Existe uma crença que nada é mais suave que esta marcha cadenciada, de um grupo de pessoas, sobre um leito de uvas que serão esmagadas.

Os grandes produtores empregam meios mecânicos. O mais comum é composto por uma série de rolos, entre os quais as uvas são passadas.

O resultado deste processo se chama mosto.

Dois caminhos podem ser seguidos, a partir de agora: o dos tintos e o dos brancos.

Para a elaboração dos vinhos tintos, é preciso que as cascas, sementes e engaços permaneçam em contato com o mosto, para acrescentar diversas características inerentes a este tipo de bebida: taninos, cor e alguns aromas e sabores.

No caso dos brancos, o desejável é exatamente o oposto: nada de peles, sementes e engaços.

Para resolver este problema, é utilizado o segundo método, a prensagem: todo o produto obtido na fase de esmagamento, vai para um tipo de prensa, que pode ser mecânica, pneumática ou mesmo manual.

Cada vinho terá seu momento de ser prensado: os brancos, logo no início; os tintos, alguns dias depois de começada a fermentação.

Os objetivos são bem diferentes. No caso dos brancos, a prensa vai funcionar como uma espécie de filtro, retendo o que não é interessante, ao mesmo tempo que se obtém um volume maior de sumo. Só, então, se dá a partida na fermentação.

Os tintos vão passar pelo processo de prensagem já com a fermentação iniciada. O tempo fica a critério do Enólogo. Cabe a ele determinar a quantidade de polifenóis no final da vinificação. Ainda assim, é este processo que vai retirar os sólidos, do mosto em fermentação.

Estes dois métodos têm evoluído muito, seja em termos dos equipamentos utilizados, seja em termos dos diversos estágios desta complexa operação.

Cada um entrega diferentes tipos de sumos, dos mais leves e limpos aos mais carregadas e intensos, permitindo que os Enólogos tenham mais opções de vinificação, obtendo resultados, muitas vezes, espetaculares.

Pensem nisto quando forem degustar uma próxima garrafa.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Monte Sant’Ana – Espumante Ancestrale

Mais uma indicação da Monte S’Antana, vinícola fundada em 2010 na cidade de São Marcos, RS, e atualmente tocada pelo talentoso casal Carolina Soldarelli e Vagner Marchi.

Um espumante feito 100% da uva Moscato Giallo. Uma edição super limitada com uvas de vinhedos próprios. Uma única fermentação alcoólica que finalizou nesta própria garrafa. Foram 7 meses de sur lie, seguida de dégorgement, que adicionaram complexidade e estrutura em boca, sem esconder o perfil frutado e floral da variedade.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

Entendendo o vinho Madeira

Num recente encontro para degustar vinhos, na abertura, servimos um belo Madeira, o Blandy’s 5 anos, Verdelho, demi-sec.

Normalmente, o vinho inicial é um branco, seja tranquilo ou espumante. Desta vez, resolvemos inovar. Alguns dos confrades nunca haviam degustado este outro fortificado português, muito versátil.

Estava deliciosos, mas o comentário geral era: “parece um Porto”.

Isto chamou a nossa atenção, afinal, existem marcantes diferenças entre um e outro. Embora estejam dentro de uma mesma categoria, a dos fortificados, são produtos de origens e estilos bem diferentes.

Aqui estão algumas destas características, que nos permitem identificar um Madeira:

1 – São vinhos de uma região demarcada, a ilha da Madeira, não sendo possível produzi-lo em nenhum outro local;

2 – As principais castas utilizadas são as brancas, Sercial, Verdelho, Malvasia e Boal, além da Tinta Negra. Sua coloração tende a ser mais clara.

3 – No processo de amadurecimento destes vinhos, é adotada a técnica de “estufagem”: os cascos de madeira de carvalho são mantidos em ambientes aquecidos e muito úmidos, permitindo, deliberadamente, uma oxidação do produto. Isto se traduz numa maior complexidade.
Como referência, outros vinhos, inclusive o Porto, são mantidos em caves frias durante este período.

4 – São quatro estilos básicos, caracterizados pela casta principal: Sercial (seco), Verdelho (demi-sec), Boal (meio doce) e Malvasia (doce).

5 – Em comparação direta com o vinho do Porto, os Madeira apresentam uma maior acidez, por conta dos solos vulcânicos onde as uvas estão plantadas. Um bom Madeira tem um equilíbrio perfeito entre este fator e sua doçura.

6 – Em termos de aromas e sabores, a paleta predominante fica entre frutas secas ou tostadas, figos, casca de laranja e notas cítricas. A título de comparação, os vinhos do Porto mostram frutas negras ou vermelhas, chocolate, canela, ameixa etc.

7 – Madeira e Porto apresentam teor alcoólico mais alto que os vinhos tradicionais, ficando entre 16º e 21º. Bebam com moderação.

8 – Os Madeira são considerados “eternos”. Mesmo depois de abertos, se bem armazenados, duram entre 6 meses e um ano.

9 – As garrafas de Madeira devem ser guardadas na vertical, ao contrário das de vinho do Porto, que devem permanecer deitadas.

10 – Com relação a harmonização, estes vinhos são muito versáteis. Seus quatro estilos básicos nos permitem uma ampla escolha de alimentos e formas de cocção: queijos, peixes e frutos do mar, vegetais, charcutaria, aves e algumas carnes vermelhas.

O Madeira consegue preencher algumas lacunas, na gastronomia, que outros vinhos têm dificuldades em satisfazer. Por exemplo, alcachofras, aspargos, pratos picantes e até mesmo a complexa culinária asiática.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Dom Bernardo – Gradevole Pinot Noir 2022

A Vinícola Dom Bernardo é uma empresa familiar iniciada em 2013. Atualmente produz em torno de 20.000 garrafas anuais. Sua história inicia no final do século XIX, quando o patriarca da família, Bernardo Batistelo, deixou para trás sua querida Itália, partindo da região do Vêneto em busca de uma nova oportunidade. Foi com a segunda geração da família que, em 2008, a família iniciou o processo de melhoramento das videiras e dedicação à produção de vinhos nobres.

O Dom Bernardo Gradevole Pinot Noir 2022 possui maturação de 8 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso. De coloração rubi clara, límpido e brilhante, no nariz apresenta notas de frutas vermelhas maduras, como morango maduro e groselha vermelha. Também especiarias discretas e elegantes, como cravo-da-índia e anis estrelado, além de baunilha proveniente da barrica de carvalho. Notas de tostado, defumado e chocolate intenso. Após aerar por cerca de 30 minutos, surgem notas de goiabada cascão.

Um vinho seco, de médio a encorpado, com acidez média para alta. Tanino presente e maduro, álcool alto mas bem integrado com a concentração de corpo e fruta. Final persistente e quente.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

Castas Exóticas

Todos conhecemos as “uvas nobres”. Para quem não se lembra, é um pequeno grupo, composto atualmente por sete castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Riesling.

Receberam este apelido por múltiplas razões. Para os especialistas, são as castas que melhor traduzem o “terroir” onde foram plantadas, quando transformadas em vinho.

Por analogia, castas “exóticas” seriam aquelas que não se enquadram neste conceito de “nobre”.

Certo? Não, não é bem assim.

Existem milhares de uvas dentro da espécie “Vitis Vinifera”, que são as mais adequadas para a elaboração dos vinhos. Neste amplo grupo, vamos encontrar algumas varietais que, por cruzamentos naturais, deram origem a outras viníferas. Existem, também, castas que foram criadas pela mão humana.

A fabulosa Cabernet Sauvignon é um ótimo exemplo de um cruzamento natural e a sul-africana, Pinotage, o melhor exemplo de uma varietal criada pelo homem.

As castas chamadas exóticas têm uma outra definição: é um grupo de uvas que nunca ficou popular, como as nobres ou levaram muito tempo a serem reconhecidas como excelentes.

Sem pretender esgotar o assunto, aqui está uma pequena relação delas.

1 – Tannat

Esta casta, nascida no País Basco, quase não poderia ser considerada neste grupo, por conta do seu sucesso no Uruguai, onde se tornou uma uva icônica. Seus vinhos são robustos, muito tânicos. Foi preciso muita pesquisa para domá-la e produzir vinhos que se tornaram um sucesso. Par perfeito para um cordeiro na brasa.

2 – Carménère

Uma casta que se tornou uma referência, no Chile. Considerada extinta em sua região de origem, Bordeaux, durante a epidemia da Filoxera, ficou escondida em vinhedos chilenos de Merlot, até ser redescoberta, em 1994, pelo Ampelógrafo, francês, Jean-Michel Boursiquot. Seus vinhos de coloração escura, trazem notas bem características, como as pirazinas (pimentão), exigindo cuidados adicionais para que não se sobreponham.

3 – Malbec

Pode parecer estranho, esta casta já deveria fazer parte das nobres. Qualquer especialista sabe: nenhuma outra uva traduz tão bem o terroir onde está plantada. Seus vinhos, principalmente os elaborados na Argentina, confirmam isto. Na França é conhecida por outros nomes: Cot, Auxerrois, Pressac e Noir de Pressac. Dizem que o apelido Malbec teria origem na expressão francesa “mal bec”, ou “ruim de bico” numa tradução quase literal.

4 – Alvarinho/Albarinho

A grande casta branca do norte de Portugal e da Galícia, nunca foi muito respeitada. Isto só mudou quando os métodos de plantio e de vinificação foram modernizados. Hoje, os brancos desta castas, sejam portugueses ou galegos, rivalizam com os famosos brancos alemães. Vinhos perfeitos para acompanhar peixes e outras delícias do mar.

5 – Vermentino

Uma rara casta que transita entre Itália e França, onde é conhecida como Rolle. Vinhos com boa acidez, aromas florais e paladares que vão das frutas brancas com caroço até as cítricas.

6 – Grüner Veltliner

A clássica casta austríaca, capaz de produzir vinhos memoráveis. A combinação de aromas e sabores, que equilibram maçãs verdes e pimenta branca é particularmente marcante.

Podemos incluir, ainda, as seguintes castas tintas: Nero d’Avola e Aglianico, da Itália, a grega Xinomavro, a Saperavi, da Georgia, além da espanhola Mencia, que anda na moda. Seus tintos são de muita personalidade, com aromas florais e paladares de frutas vermelhas. Muito minerais. Prefiram os da região de Bierzo.

Para não deixar o ponto sem nó, a dica de hoje traz mais uma “exótica”, a casta Palava, de origem tcheca.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Berra & Corbelini – Palava

Em 2021 três amigos, de famílias com mais de 140 anos de tradição no cultivo de uvas, decidiram apostar no cultivo de uvas exóticas para uma produção de vinhos únicos. A propriedade da família está localizada na Linha 130 da Leopoldina, no interior do município de Santa Teresa e possui nove hectares de parreirais com cerca de 20 tipos de variedade de uva. A produção é toda artesanal e tem garrafas limitadas, são produzidas cerca de 200 garrafas por variedade por safra. No portfolio vinhos varietais como Montepulciano, Saperavi e a Palava.

O Berra & Corbelini Palava é um varietal feito desta uva de origem tcheca, que nasce de um cruzamento de outras uvas brancas da Europa Central (possivelmente da Traminer com a Muller Thurgau). Um vinho de visual amarelo palha com reflexos dourados e aroma de frutas em calda, mel, própolis e toque floral. Excelente volume de boca e equilíbrio entre acidez e estrutura. Perfeito para harmonizar com pratos leves, peixes e aves.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Foto de Suzy Hazelwood no Pexels

Texturas

Uma das boas práticas que um bom Enófilo deve seguir, antes de degustar um vinho, é examinar a cor, sentir os aromas e, se tudo estiver ok, degustar um pequeno gole para começar a perceber todas as nuances que o seu paladar pode proporcionar: frutas, flores, tabaco, madeira etc.

Mas, o que poucos se importam é com uma outra sensação, aquela que preenche a boca. Podemos descrevê-las como vinhos macios, opulentos, cremosos, firmes, rudes ou mesmo um termo quase pejorativo, o brasileiríssimo “rascantes”.

No jargão dos profissionais, estamos falando de “texturas”.

Para um apreciador não treinado, é mais fácil percebê-las ou diferenciá-las nos vinhos tintos, afinal, os taninos são um dos fatores que mais impactam as texturas. Elas estão presentes, também, nos brancos e rosados, sejam tranquilos ou espumantes.

Durante muito tempo, foram vistas como uma consequência da vinificação. Modernamente, produtores mais atentos já manipulam, com extrema maestria, esta gama de sensações que se somam ao binômio aromas/sabores, para apresentar uma experiência mais completa.

Além do tanino, alguns outros fatores alteram as texturas, tais como: açúcar residual, acidez, teor alcoólico, ácidos málico e lático, além do método de vinificação.

Taninos são os mais fáceis de compreender. Em excesso, tornam o vinho adstringente. Poucos taninos deixam esta bebida quase insossa.

A presença das cascas da uvas e dos racimos, em contato com o mosto, é quem vai regular a intensidade deste fator. Isto vale, inclusive, para os brancos que são vinificados assim. A presença da madeira também agrega taninos.

Uma maneira de aprender sobre esta textura seria comparando um Cabernet Sauvignon com um Pinot Noir. São dois extremos.

A acidez é outra característica importante. Traz aquelas sensações de refrescância, de paladares limpos e precisos. Muito comum nos brancos e nos espumantes. O que os produtores buscam é um equilíbrio. Muita acidez torna o vinho desagradável. Pouca acidez passa a sensação de que o vinho não é vibrante.

Para compreender bem, compare um Sauvignon Blanc com um Chardonnay, que não passaram por madeira.

O teor alcoólico de um vinho decorre da fase de fermentação, onde os açúcares da uva são convertidos em álcool. Cada vinhateiro tem sua forma de controlar esta etapa do processo, deixando um resíduo maior ou menor de açúcar não convertido e restos das leveduras. Esta decisão vai refletir no que chamamos de corpo, cremosidade e suntuosidade.

O melhor exemplo seria provar um vinho normal e um colheita tardia.

Conversão malolática é uma expressão que se tornou comum entre os aficionados do vinho. Durante a elaboração, um dos subprodutos é o indesejável ácido málico. Sua presença se assemelha à do tanino. O vinho fica áspero, duro, difícil de degustar.

Converte-lo em ácido lático é o caminho certo. Um processo quase natural e muito usado por todos. Este novo composto trás aquelas sensações “amanteigadas”, presentes em bons vinhos brancos.

Experimentem um Chardonnay ao estilo californiano ou um Meursault da Borgonha.

Uma das maneiras que as vinícolas conseguem obter boas texturas para os seus vinhos é utilizando diferentes métodos de elaboração. Mais especificamente, utilizando diferentes materiais nos recipientes para fermentação e/ou amadurecimento, bem como o tipo de leveduras selecionadas.

Desta forma, um vinho elaborado em lagares de concreto terá texturas muito diferentes de outro, elaborado em tanques de aço inox ou de madeira.

Leveduras naturais ou as selecionadas, obviamente, produzirão resultados distintos.

Por fim, amadurecer em barricas de carvalho pode elevar um vinho outros níveis, mas tudo vai depender o tamanho do recipiente e do tempo.

Quais texturas mais lhes agradam?

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Sotterrani – Laranja Riesling Itálico 2021

A Sotterrani é uma vinícola urbana que nasceu em um típico porão de uma casa de descendentes italianos na Serra Gaúcha. Sua primeira produção foi de 20L de Merlot na histórica safra de 2005. O hobby virou negócio, e atualmente a vinícola produz vinhos em sua própria sede, em micro lotes que variam de 300l a 600l de vinho.

O Sotterrani Laranja Riesling Itálico safra 2021 passa por processo de maceração prolongada de 30 dias e uma maturação de 30 meses em barricas de carvalho francês conferem ao vinho sua coloração laranja profunda, além de maior estrutura, complexidade e uma textura aveludada e elegante. Um vinho límpido e brilhante, com coloração laranja profundo e reflexos vivos.

No nariz apresenta notas de frutas cítricas e florais delicados complementadas por nuances de mel e amêndoas. Possui corpo médio e equilibrado com uma acidez vibrante bem como taninos bem integrados, criando uma textura complexa e envolvente. Final persistente, com notas de amêndoas, côco e maçã seca.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de azerbaijan_stockers no Freepik

Quais são as castas internacionais?

O berço da maioria das castas usadas na vinificação é o Velho Continente. Muitas se espalharam por todos os lados, transcendendo suas origens.

Alguns nomes são bem conhecidos, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Merlot, Pinot Noir, Malbec, Riesling e mais um punhado delas. Basta consultar a Carta de Vinhos de um restaurante em qualquer outro país, que elas vão estar lá.

Não é difícil entender as múltiplas razões pelas quais estas uvas resolveram se tornar “globe-trotters”. Destacam-se a constante busca por inovação e por terroirs mais adequados, além das tentativas de “copiar o original”, feitas por vinhateiros ao redor do mundo.

Um dos melhores exemplos, atualmente, é o sucesso da Malbec, cultivada na Argentina. Seus vinhos conquistaram o paladar dos consumidores de qualquer Continente, ao contrário dos produtos da sua região de origem, Cahors, na França. São dois vinhos bem distintos, numa comparação direta.

Outra boa história pode ser contada através da Sauvignon Blanc. Originária da região de Bordeaux, se espalhou pelo mundo produzindo, em cada nova região, vinhos tão ou mais espetaculares que os “originais” (há controvérsias). Mas não se pode falar desta casta sem mencionar os néctares que são elaborados na Nova Zelândia. Para os brasileiros, outro país que produz Sauvignon Blanc, que acerta com o nosso paladar, é o Chile.

A Syrah, uma casta que está levando a nossa produção de vinhos para um outro patamar, tem suas raízes no Vale do Rio Ródano, França. Um dos primeiros terroir, fora de seu país de origem, ao qual se adaptou de forma maravilhosa, foi na Austrália.

Por conta de uma criteriosa pesquisa, um cientista brasileiro, Murillo de Albuquerque Regina, desenvolveu um método que permitiu que esta e algumas outras castas, pudessem ser cultivadas em climas mais tropicais, como no nosso país. Ficou conhecido como “dupla poda”. Esta técnica faz com que a videira inverta seu ciclo, permitindo a colheita no inverno. No ciclo normal a colheita seria no verão.

Outras duas varietais que tiveram sucesso fora de suas origens são a Pinot Noir e a Chardonnay, ambas da Borgonha.

A Pinot é considerada como uma casta de difícil cultivo, enquanto a Chardonnay sempre foi muito versátil. Os vinhos desta casta branca elaborados na Califórnia, EUA, rivalizam diretamente com os melhores Crus da Borgonha.

Um fato bastante interessante é que o nosso país é um bom produtor de Pinot Noir, principalmente na região de Garibaldi, RS, onde é vinificada em branco, para a elaboração dos nosso espumantes, junto com a Chardonnay.

Vinho e ritos religiosos sempre tiveram uma ligação muito estreita. Muito antes destas famosas castas se disseminarem, houve uma que foi a pioneira, trazida pelos missionários que vieram para o Novo Mundo. O objetivo era elaborar o vinho de missa.

Esta quase esquecida uva, recebeu diversas denominações, conforme o lugar onde foi plantada. Originalmente, é uma casta denominada Listan Prietro, originária das ilhas Canárias.

Na América do Sul é conhecida como País (Chile) ou Criolla Chica (Argentina). Na América do Norte é chamada de Mission.

Ficou muito tempo desprezada, até que as mudanças climáticas fizeram com que a atenção de alguns produtores se voltasse para aqueles vinhedos sem importância. Eles estavam firmes e fortes apesar de tudo.

Nossos vizinhos estão produzindo excelentes vinhos com esta pioneira das viagens internacionais. Na Califórnia foi uma das castas mais plantadas até o início do século XIX, quando outras cepas europeias foram introduzidas.

Infelizmente, está quase extinta na sua região de origem.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Luiz Argenta – Ripiano 2024

Em 1999, os irmãos Deunir e Itacir Neco Argenta adquiriram a histórica propriedade que pertencia à antiga Granja União, local pioneiro na produção de vinhos finos no Brasil.  Em 2009, ficou pronta a Vinícola Luiz Argenta, em homenagem ao patriarca da família.

A Luiz Argenta cultiva atualmente 55 hectares de videiras e é uma das mais belas e modernas vinícolas brasileiras. Localizada em Flores da Cunha, a cerca de 60 km de Bento Gonçalves, produz vinhos e espumantes de altíssima qualidade. O Luiz Argenta LA Jovem Ripiano leva esse nome por ser um corte de 25% Riesling (RI), 50% Pinot Noir (PI) e 25% Trebbiano (ANO) e conta com Indicação de Procedência (IP) de Altos Montes. Um vinho de coloração amarela com reflexos esverdeados, aromas intensos de flores brancas, com leve toque frutado de pêssego, pera e anis.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de jcomp no Freepik.

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