Autor: Tuty (Page 8 of 153)

Bodega Martim Codax – Rias Baixas

A segunda vinícola que vistamos na Galícia tem uma origem bem diferente da primeira que conhecemos. Esta é uma cooperativa que conta com mais de 60 sócios. É uma das maiores e, talvez, a mais conhecida desta região.

As instalações são espetaculares. O prédio principal está a cavaleiro, no alto de uma pequena colina, oferecendo uma visão de 360º sobre a região.

A visita não é extensa, mas muito objetiva. Somos recebidos com uma taça do Alma Atlântica Albarinho, um mosto desta casta, obtido precocemente, antes de se tornar um espumante. Muito leve, adocicado e pouco alcoólico (7%).

Seguimos para o interior do prédio, visitando uma sala com barricas de carvalho e vários nichos onde a história e a filosofia da empresa são destacados.

O nome, Martim Codax, é uma homenagem a um trovador regional, muito famoso, que viveu entre os séculos XIII e XIV. Pensando nisto, esta empresa mantém a tradição do entretenimento popular, patrocinando, desde espetáculos musicais em suas instalações até a preservação de instrumentos medievais, como o da foto acima, chamado “Organistrum”, que vai dar nome a um de seus vinhos de ponta.

Outra interessante curiosidade é sobre alguns de seus vinhedos: literalmente à beira mar.

O passeio termina na sala de degustações, onde experimentamos 2 vinhos, 100% Albarinho: Martim Codax, o carro chefe da vinícola, e o Sobre Lias, um vinho mais maduro, ambos deliciosos.

A prova é orientada, de forma muito didática, pela guia. Ótima experiência, principalmente para os que estão começando a navegar pelos encantos do Enoturismo. Ao final, somos convidados a permanecer no bar ao lado, onde podem ser provados todos os vinhos da empresa, por taça ou garrafa.

A Martim Codax atua em outras regiões vinícolas da Espanha, produzindo uma extensa linha de produtos que inclui alguns licores. Visitem a loja, on-line, para conhecerem todos os produtos:

Loja Martim Codax

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Don Laurindo – Estilo 2018

Don Laurindo é uma das mais tradicionais vinícolas da Serra Gaúcha. Localizada em Bento Gonçalves, sua história se inicia em 1991 pelas mãos da Família Brandelli, que atualmente na sua 5a geração, continua no comando da vinícola.

O Don Laurindo Estilo safra 2018 é um corte de 50% Tannat, 30% Malbec e  20% Ancellotta, com 18 meses de passagem por barrica de carvalho. O resultado é um vinho de coloração vermelho púrpura, aroma de frutas vermelhas e negras e de especiarias, com notas de madeira de carvalho. Na boca é complexo, envolvente, com boa estrutura e encorpado.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagens próprias ou obtidas no site da vinícola.

D.O. Rias Baixas – Pazo de Señorans

Estamos na Galícia, uma belíssima região, onde existe uma importante D.O. (Denominação de Origem), que contempla, majoritariamente, a casta Albariño: Rias Baixas.

Rias é um termo pouco usado na língua portuguesa. Um bom dicionário define como: “Pequeno braço de mar que, em forma de baía, penetra no interior da costa”.

Na Galícia, as rias formam um interessante conjunto destas pequenas baías, muito propícias à criação de mariscos, ostras e outras delícias do mar, além de uvas viníferas, destacando a já mencionada Albariño ou Alvarinho em nosso idioma. É um terroir único, com alguns vinhedos plantados, literalmente, à beira mar.

Esta D.O. é formada por 5 sub-regiões: Vale do Salnés; O Rosal; Ribeira do Ulla; Condado do Tea e Soutomaior.

Não é uma área muito grande. São cerca de 180 vinícolas que utilizam uvas plantadas em pequenas propriedades. São chamadas de “minifúndios”. No último levantamento havia 22.800 deles, espalhados por cerca de 4.300 hectares.

Cada sub-região tem características próprias, permitindo outras castas além da Albariño. Optamos por conhecer o Vale do Salnés, a única em que são produzidos varietais com 100% desta casta.

Selecionamos duas empresas para visitar. A primeira foi a espetacular Pazo de Señorans, uma vinícola de porte pequeno a médio, totalmente familiar e dirigida, atualmente, por um matriarcado.

O Pazo, ou Paço em português, é uma mansão senhorial, adquirida pelo casal Marisol Bueno e Javier Mareque. Além de passar por uma perfeita restauração, foi parcialmente adaptada para servir como vinícola. Sua primeira safra foi em 1989, já usando vinhedos próprios, plantados anteriormente.

Ao longo do tempo, novas instalações foram construídas. O Pazo, que segue em constante restauração, tornou-se um sofisticado espaço para eventos, contando, inclusive, com uma capela.

A principal filosofia desta empresa, hoje já dirigida pelos filhos do casal fundador, é produzir vinhos que traduzam a terra em que as uvas estão plantadas. São produtos de altíssima qualidade e produção muito pequena.

A visita se divide em 3 etapas. Começamos pelo Pazo passando por um pequeno vinhedo, onde uma importante diferença se fez notar: as uvas são plantadas em Latada, um sistema de condução da videira que forma uma pérgola. Apenas como exemplo, no Minho, Portugal, onde plantam a mesma casta, o sistema mais comum é a Espaldeira.

Segundo nosso anfitrião, são muitas as razões para manter o sistema atual, que vão desde a origem cultural até a necessidade de uma maior proteção climática contra as chuvas abundantes e a defesa contra alguns fungos decorrentes de alta umidade.

O solo é composto de um tipo de Saibro, decorrente da degradação de blocos graníticos. Drena muito bem. A colheita é manual, o que implica numa seleção de melhores cachos.

Em seguida, visitamos as instalações produtivas atuais, que inclui uma boa destilaria que elabora aguardente a partir dos restos da vinificação. Para o vinho, somente utilizam tanques de Inox, de diferentes tamanhos.

A Pazo de Señorans teria sido a primeira empresa a adotar o amadurecimento de seus vinhos sobre as borras (sur lie) antes do engarrafamento. Não usam madeira.

A última parte da visita é a degustação de três vinhos, 100% Albariño, e duas aguardentes:

– Pazo de Señorans – vinho jovem com 5 meses sobre as borras. Coloração amarelo palha brilhante com reflexos verdosos. Intensidade alta e caráter varietal bem definido. Aromas e sabores típicos da casta, fácil de beber, bom corpo e retrogosto.

– Pazo de Señorans Colleccion – um vinho de guarda, com mais de 5 meses sobre as borras e 30 meses em garrafa. Coloração amarelo pálido. Apresenta um perfil delicado, sutil, com matizes muito varietais. Boa estrutura em boca, muito equilibrado, com ataque firme, sem arestas. Retro nasal elegante.

– Pazo de Señrans Selecion de Añada – uvas oriundas de parcela única, com um mínimo de 30 meses sobre as borras. Coloração amarela, viva e brilhante. Intensidade alta, muito significativa. Grande profusão de aromas terciários e traços minerais, devido ao longo amadurecimento. Corpo volumoso. Sofisticado, deixa um longo e marcante final de boca.

São três vinhos completamente diferentes e espetaculares. Tudo muda entre eles, aromas, sabores e corpo, trazendo uma experiência inesquecível.

As duas aguardentes fecham a degustação, uma branca e outra macerada com ervas.

Esta visita é uma das que podem ser classificadas como imperdíveis. Tudo que observamos mostrava, claramente, todo o empenho desta família em produzir vinhos que traduzem toda a cultura desta região, cujas origens remontam ao povo Celta.

Para mais fotos, cliquem no site oferecido pela vinícola: Galeria de Fotos

Saúde, bons vinhos!

Porto, Portugal, um dia muito louco

Estamos viajando em busca de novas aventuras no mundo do vinho. Nossa base é a cidade do Porto, mais conhecida como a capital dos vinhos do Douro.

Partindo daqui, tudo é pertinho: o Minho e os deliciosos Vinhos Verdes, a Bairrada, o Dão e as diversas sub-regiões do rio Douro. Damos um passinho a mais e estamos na Galícia, região das Rias Baixas e seus fantásticos Albarinhos.

Neste primeiro, dia o plano era bem simples. Como estamos hospedados na parte alta da cidade, pretendíamos caminhar até a zona de comércio, na Rua de Santa Catarina, já na parte mais baixa. De lá, seguir até Vila Nova de Gaia, onde visitaríamos mais uma Cave de Vinho do Porto, para fazer uma boa degustação seguida de um almoço em algum local simpático. Ao fim da tarde, retornar para nosso hotel, desta vez num táxi.

Subir as ladeiras do Porto não é para qualquer um…

Nosso passeio começou absolutamente dentro do normal. Fomos caminhando rua abaixo, apreciando o antigo casario, até chegar numa primeira loja na Santa Catarina. Estava escura, com a luz apagada. Imaginamos que, por conta do ensolarado dia, estavam economizando energia elétrica.

Pouco a pouco, percebemos que todas as lojas estavam no escuro, muitas já com as portas cerradas. Seguimos até o Largo da Batalha, onde sempre tem uma feira local de artesanato. Foi quando veio a notícia: o apagão era em Portugal e Espanha. O caos começava a se instalar.

Naquele momento, não era opção retornar ao nosso ponto de partida. Com o comércio fechando, seguimos em frente atravessando a ponte Dom Luiz I, em busca de uma Cave do Vinho do Porto.

Logo, logo a “ficha” foi caindo.

Nossos celulares começaram a falhar. O sinal da operadora estava completamente instável. Para atravessar a rua era necessário um cuidado redobrado. Não havia sinais de trânsito funcionando e a faixa de pedestre era disputada com automóveis, ônibus, motos, patinetes e bicicletas.

Chegando em Gaia, o cenário não era muito diferente. As Caves, obviamente, fechadas. Os restaurantes ao longo da Ribeira, todos lotados, só serviam bebidas e alguns pratos frios. Toda a parte de cocção, em Portugal, é majoritariamente elétrica.

Pagamentos só em espécie: as maquininhas dos cartões não estavam confiáveis.

Só conseguimos lugar num simpático armazém, que abriga diferentes quiosques gastronômicos. O almejado almoço se resumiu a alguns salgadinhos, fritos antes da luz cair, um prato de tapas frias e 2 cervejas, ainda geladas.

Na hora de pagar, a simpática atendente perguntou: “O senhor aceita uma taça de Porto para arredondar a conta?”.

Grande ironia!

Claro que aceitei. Ainda me foi dada a opção de escolher entre branco, Ruby ou Tawny. Escolhi este último.

Estava ótimo, um dos melhores que já degustei. Tinha um sabor muito especial, o de vencer os percalços deste dia muito doido.

Até para usar um banheiro público eram necessários cuidados adicionais. Nunca são projetados com iluminação natural. Na hora do apagão, as portas ficavam abertas, devassando parte do ambiente.

Para chegar de volta ao hotel não restou alternativa a não ser a de caminhar ladeira acima. Com o Metro parado, os ônibus estavam lotados e os táxis sumiram. Sem telefonia, nada de Uber ou similares. Ao todo, percorremos 10 Km.

A eletricidade só normalizou às 20:30. Sorte que nosso apartamento era no térreo.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Almaúnica Super Premium MAGNUM – Corte Bordalez 1,5 Litros 2020

Idealizada pelos irmãos Márcio e Magda Brandelli e localizada em local privilegiado no Vale dos Vinhedos, a Vinícola Almaúnica nasce no início dos anos 2000 com intuito de fazer vinhos de altíssima qualidade na Serra Gaúcha.

Este grande vinho nasce de uma paixão incondicional de Márcio Brandelli pela região de Bordeaux na França, mais precisamente em Saint Emilion, onde busca sempre muita inspiração para a elaboração dos vinhos da Almaúnica.

Desta memorável safra de 2020 foi feito este corte em separado, com 50% Merlot, 25% Cabernet Franc, 25% Cabernet Sauvignon. Sua maturação ocorreu por 24 meses em barricas de carvalho francês novas.

Vinho de cor intensa com notas violáceas. Nariz muito complexo que vai desde baunilha, chocolate preto, especiarias, café, defumados e calda de frutas vermelhas. No paladar ele é encorpado e potente com uma persistência longa e taninos maduros.

A Cave Nacionalenvia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de abertura por Wirestock no Freepik

De volta ao básico – Montando uma biblioteca de referência

Todo Enófilo de boa cepa, iniciante ou experiente, precisa ter alguns livros por perto, principalmente para aqueles momentos de dúvidas que sempre vão surgir.

O nosso mercado editorial está bem abastecido com ótimos volumes, não só de produção nacional como boas traduções de livros consagrados internacionalmente.

Para compilar esta listinha, visitamos o site de uma livraria “on-line” e escolhemos alguns exemplares. Um pouco de tudo, passeando desde o básico, harmonização, degustação, vinho brasileiro e enciclopédias.

Vamos apresentá-los divididos em categorias. O ideal é formar a biblioteca passo a passo, sem pressa. Habituem-se a frequentar as boas livrarias e examinar o livro antes de adquiri-lo. Desta forma, estaremos sempre por dentro das novidades.

1 – Livros indispensáveis:

OS SEGREDOS DO VINHO PARA INICIANTES E INICIADOS

Um dos mais completos livros sobre vinho já publicados no país. Muito abrangente, incluindo capítulos que vão desde a elaboração até a compra, armazenamento e serviço do vinho.

O GUIA ESSENCIAL DO VINHO: WINE FOLLY

Este livro decorre do famoso site, homônimo, norte americano. Boa tradução, fartamente ilustrado e com ótimas explicações sobre os diferentes tipos de castas.

2 – Degustação:

O PASSO A PASSO DA DEGUSTAÇÃO

Livro perfeito para a turma que deseja compreender aqueles “mistérios” da degustação. Escrito pelo famoso Celio Alzer, um dos melhores professores sobre vinhos, em geral, e particularmente sobre a enogastronomia.

3 – Harmonização:

FEITOS UM PARA O OUTRO

Outro grande livro do Celio Alzer. Um verdadeiro clássico sobre este complicado tema. Suas sugestões são simplesmente perfeitas.

4 – Vinho brasileiro:

GENTE, LUGARES E VINHOS DO BRASIL

Rogério Dardeau é um especialista em vinícolas brasileiras e seus vinhos. Esta coletânea está dividia em 2 volumes. Imprescindível para quem deseja se aprofundar na nossa vinicultura.

5 – Cultura geral sobre o vinho:

A INCRÍVEL HISTÓRIA DO VINHO

Um livro muito interessante e cheio de curiosidades. Nada melhor que descobrir a origem, milenar, desta bebida, que está ligada à nossa história. Uma leitura extraordinária!

6 – Enciclopédia:

ENCICLOPÉDIA DO VINHO: VINHOS, VINHEDOS E VINÍCOLAS

Uma das obras mais completas que existem no mercado. Escrita por Hugh Johnson, um importante crítico de vinhos da Inglaterra. Muito abrangente, cobrindo os principais produtores do mundo.

Esta listinha não é obrigatória, são apenas sugestões. Existem outras boas opções nas livrarias. Um outro tipo de publicação que devemos levar em consideração são os denominados “Guia de Vinhos”. Dois se destacam:

– O conhecido “Descorchados”, o mais completo sobre vinhos sul-americanos;

– O guia da revista Adega, com edições sobre o Brasil, Portugal e Espanha.

Ambos oferecem versões digitais.

Saúde, bons vinhos!

N.B.: Visitarei algumas vinícolas em Portugal e Espanha, durante o mês de maio. A publicação semanal, desta coluna, pode sofrer interrupções imprevistas.

Dica da Karina – Cave Nacional

Casa Geraldo – Relicário Marselan e Touriga Nacional 2022

Em 1969 a família Marcon início o plantio de uvas para comercialização, na Fazenda São Geraldo. 3 gerações desta família deram continuidade ao negócio e hoje a Casa Geraldo é um dos maiores produtores de vinhos no Brasil. Localizada em Andradas, Minas Gerais, desde 2012 adotou o método da poda invertida para a realização de vinhos finos de rótulos próprios.

O Relicário Marselan e Touriga Nacional, safra 2022, é um blend de duas uvas intensas e de estrutura com estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês. Possui coloração intensa, tonalidade vívida. No aroma apresenta alcaçuz, cassis, ameixa passa, terroso herbáceo e pimentão vermelho. Acidez refrescante, grande personalidade. Estrutura complexa e rusticidade. Excelente para harmonizar com queijos, carnes e massas de molho intenso.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de abertura obtida no Freepik

De volta ao básico – A importância da Safra

Safra ou vindima é o período em que as uvas, destinadas a produção de vinhos, são colhidas. Cada um destes termos tem uma origem.

Safra talvez venha do árabe “safaria”, que significa “tempo da colheita”. Esta definição não é aceita por todos.

Vindima vem do Latim “vindemia”, palavra formada pela junção de “vinum” mais “demere” (remover), passando o sentido de colher.

O primeiro registro conhecido desta palavra está num dicionário, da língua inglesa, datado de 1450, onde está registrada a palavra “vintage”, definida como “colheita da vinha”.

A partir de 1746, estes termos passaram a significar, por extensão, o ano em que o vinho foi produzido. Mas isto nem sempre é verdadeiro.

Como qualquer outro produto de origem vegetal, a uva está sujeita a diversos fatores climáticos que impactam, diretamente, na sua qualidade. Para a produção de vinhos, algumas características devem estar dentro de rígidos parâmetros, senão o produto não terá um mínimo de qualidade aceitável.

Os principais fatores são o teor de açúcar, combustível da fermentação, e o grau de acidez, que pode ser visto como um indicador da longevidade. Mudam a cada ano.

Fácil perceber que alguns anos são melhores que outros. Há ocasiões tão difíceis, que algumas vinícolas deixam de produzir seu melhores vinhos. Em outros anos, a colheita é tão espetacular que acaba sendo motivo de marketing, com rótulos alusivos, como a fabulosas safra de 2020, no Brasil.

Um olhar treinado vai perceber mais coisas além deste selo que traduziria qualidade, o que nem sempre é correto.

Existem vinhos que não são safrados, alguns muito famosos.

Por exemplo, temos vinhos que precisam que suas uvas sejam passificadas, num processo que dura, geralmente, 120 dias. Só, então, são prensadas e fermentadas. Caso a colheita seja em setembro ou outubro, a vinificação ocorrerá no ano seguinte ao da safra. Mas a indicação, no rótulo, manterá o ano da colheita.

A melhor interpretação que se pode dar ao indicador da safra é saber a idade do vinho que estamos degustando. Quando estão muito jovens, podem não ser a melhor escolha para consumo imediato. Neste caso, o ideal é escolher vinhos que são elaborados com este propósito, como o celebrado Beaujolais Noveau.

Vinhos muito velhos, embora possam apresentar aromas e sabores extraordinários, nem sempre correspondem ao esperado. Um vinho, mesmo longevo, se mal armazenado, vira vinagre em algum momento.

Cada varietal ou corte, dependendo de sua origem, tem ciclo de vida estimado, o que significa que, fora deste parâmetro, podem não estar em condições de consumo.

Brancos duram até 5 anos, tintos ficam na faixa dos 10 anos e vinhos longevos podem durar mais de 10 ou 20 anos desde que respeitadas as condições ideais de guarda.

Para saber mais, é necessário consultar uma tabela de safras. No link, a seguir, está a boa tabela elaborada pela Importadora Mistral:

Download da tabela de Safras

Há muita informação neste arquivo. Dediquem algum tempo no estudo dele, observando, inclusive, a quantidade de anos que estão contemplados. É uma importante informação, principalmente para aqueles que desejam colecionar vinhos.

Entre os vinhos não safrados, dois se destacam, mas não são os únicos: o Vinho do Porto e o Champagne.

Existe Porto e Champagne safrados. São raros e muito caros. Quem já provou atesta a qualidade destes vinhos.

No caso do vinho do Porto, a identificação da safra é tão importante que ela deve ser declarada, primeiro pelo produtor e depois atestada pelo poderoso Instituto dos Vinhos do Douro e Porto. Só assim pode ser estampada no rótulo.

Num texto anterior a este, quando abordamos os Vinhos de Corte, lembramos que determinadas legislações aceitam uma percentagem de outros vinhos na composição de um vinho varietal, com o intuído de corrigir alguns aspectos, sem que isto o descaracterize.

O mesmo tipo de correção é permitido na safra: vinhos de outras vinificações podem ser adicionados, respeitando limites conhecidos. Por exemplo, no vizinho Chile, bastam 75% da safra. Na Europa, este mínimo sobe para 85%.

Agora que sabemos a importância da Safra, desejamos bons vinhos e boa Páscoa.

Saúde!

Dica da Karina – Cave Nacional

Somacal – Peverella Laranja 2023

A família Somacal possui origem italiana, vinhateiros desde 1925, sempre trabalhando com o cultivo de uvas e elaboração de vinhos na Serra Gaúcha. Desde 1958 a família cultiva as terras onde hoje se encontra a Vinícola, em Monte Belo do Sul. A empresa, atualmente, é gerida pelo casal Diego e Graziela, ele neto do fundador.

O Somacal Peverella Laranja possui maceração de 14 dias e longo estágio sobre as borras finas das leveduras. Não é filtrado para maior preservação de aromas. Apresenta coloração palha dourado e intenso, com nariz de frutas amarelas, cítricas, flores brancas e mel. Estruturado, com boa acidez, corpo médio e taninos elegantes. Com bom volume de boca e boa persistência em um fundo mineral discreto.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem gerada por IA no Freepik

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