Autor: Tuty (Page 81 of 154)

Vinhas Velhas

Não chega a ser uma novidade, mas os rótulos contendo “Vinha Velhas”, “Old Vines”, “Vieille Vignes” ou em qualquer outro idioma, estão se proliferando e sempre é um motivo para aumentar o preço para os consumidores, mesmo que esta indicação não seja muito bem compreendida por todos.

Para começar, nem sempre podemos afirmar que um vinho elaborado a partir deste tipo de vinhas é, por si só, um vinho de qualidade diferenciada.

Vinhedos assim ainda produtivos são raros, não há dúvidas sobre este ponto, principalmente por conta da devastação causada pela Filoxera no século XIX. Nos países produtores do Novo Mundo as chances de encontrar estas parreiras centenárias são maiores.

Um outro aspecto pouco percebido pelos entusiastas deste tipo de vinho é que as técnicas de cultivo de 100 anos atrás eram muito diferentes das de hoje, inclusive quanto aos tipos castas de que estavam sendo cultivadas. Em poucas palavras, provavelmente não existem vinhedos antigos com uma única varietal. São sempre o que chamamos de “Field Blends”, várias espécies misturadas, aleatoriamente, como se encontra com bastante facilidade na Península Ibérica.

Para que fique bem claro, nem mesmo os vinhedos modernos conseguem ser 100% varietais. As parreiras são seres vivos e se adaptam, constantemente, as condições do terroir. Acabam se reproduzindo na forma de diferentes clones, num mesmo local. Esta é uma das razões de experimentarmos vinhos de uma mesma casta, elaborados em diferentes países, e encontrarmos estilos bem distintos entre si. Os clones plantados em cada região podem ter origens diversas.

Este fato nos leva a uma outra importante constatação: vinhas velhas funcionam muito bem como repositores genéticos. Ali pode estar o DNA original de uma determinada casta.

Devemos tratar estes vinhedos com todo o respeito e cuidado.

Portugal é um bom exemplo disto. Numa recente entrevista para o site The Drink Business (*), o atual enólogo e um dos proprietários da Quinta da Gaivosa, Tiago Alves de Sousa, afirmou que “Portugal é a Disneylândia dos vinhateiros”, chamando a atenção para o grande leque de castas nativas, terrenos, micro climas e idades, o que permite, em mãos competentes, criar vinhos incríveis.

Produtores apenas de vinho do Porto durante muitos anos, arriscaram seus primeiros vinhos não fortificados na década de 90. Atualmente, estes respondem por 75% de sua produção.

Cuida, com muito carinho, da principal herança desta vinícola familiar, as vinhas velhas. Conhece todo o seu potencial, mas sabe que não vão durar para sempre. Faz um replantio destas espécies dentro do mesmo estilo de field blend original, o que é um trabalho muito meticuloso e preciso. Copiando suas palavras, “o nosso futuro pode estar no nosso passado”.

Bravo Tiago!

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um ótimo português oriundo de vinhas velhas.

Casa Santos Lima Reserva Tinto 2013 – $$$

Este vinho oferece uma excelente experiência da Região de Lisboa. Demonstra uma cor intensa e sugere aromas de frutos vermelhos maduros bem equilibrados com notas evidentes de especiarias, produzindo assim um longo e inesquecível paladar.

Premiações: Wine Enthusiast – 90 Pontos; Concours Mondial Bruxelles 2017 – Ouro; Berliner Wein Trophy 2017 – Ouro; International Wine Challenge (Tranche 1) 2017 – Ouro; Austrian Wine Challenge 2016 – Ouro; Asia Wine Trophy 2016 – Ouro.

Harmonização: Pernil suíno com batatas douradas, Medalhões à lá Grega, Filé mignon com crosta de ervas, Sopa de grão de bico com carne de porco e legumes, Cupim assado com batatas e alecrim, Queijo Tilsit, Parmigiano Reggiano.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br


Curso de Iniciação ao Vinho na Casa Rio Verde  – Belo Horizonte

O programa do curso abrange:

– Harmonização Vinho x Comida;
– Como degustar;
– Principais países;
– Climas e solos;
– Tipos de videiras e de uvas;
– Serviço do vinho;
– Degustação de 12 rótulos de estilos diferentes.

Data: 11, 13 e 14 de Junho de 2018

End: Praça Marília de Dirceu, 104 – Lourdes – Belo Horizonte

Investimento: R$ 299,00 em até 3 x

Sócios do Vinho Clube pagam R$ 209,30

Vinho do Porto 2016 – safra declarada

Para manter a tradição, o título desta matéria deveria ser “Vintage Port”, afinal, os ingleses foram os primeiros a se encantar com este precioso vinho e as garrafas de 2016 ostentarão a palavra “Vintage” em seus rótulos.

Por que a Declaração de Safra é tão importante?

Assim como o champagne, os vinhos do porto só recebem a terminologia Vintage, que equivale ao Millésimé francês, quando a safra é considerada realmente excepcional.

Quem declara isto são os produtores, cabendo ao Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) confirmar.

Vintage, que dizer vindima ou safra, simplesmente.

Neste ano, o primeiro produtor a declarar sua safra foi a Quinta do Noval, e logo em seguida o grupo Symington que comercializa as marcas Cockburn’s, Dow’s, Graham’s e Warre’s. Num segundo momento a poderosa Taylor’s Fladgate declarou para seus vinhos Croft, Fonseca e Taylor. Outros produtores seguiram imediatamente. O IVDP certificou tudo.

Esta é a primeira safra, desde a de 2011, que é considerada como amplamente declarada. A relação, a seguir, reúne todas as vindimas consideradas ótimas, desde 1900: (fonte: IVDP)

2016 – 2011- 2003 – 2000

1997 – 1994 – 1992 – 1991

1989 – 1987 – 1985 – 1983 – 1982 – 1980

1978 – 1977 – 1975 – 1970

1967 – 1966 – 1963 – 1960

1958 – 1955 – 1950

1948 – 1947 – 1945 – 1942

1935 – 1934 – 1931

1927 – 1924 – 1922- 1920

1917 – 1912 – 1911

1908 – 1904 – 1900

Em termos práticos, isto significa que estas garrafas terão um maior valor de revenda e, seguramente, poderão ser guardadas por mais de 50 anos. A maioria dos vinificadores recomenda degustá-las depois de 20 anos.

A turma mais jovem é quem vai se deliciar…


Dia do Vinho

Já está se tornando uma tradição comemorar o Dia do Vinho no 1º domingo de junho. Em várias cidades brasileiras acontecerão eventos que podem estar diretamente ligados a esta data ou apenas aproveitando as temperaturas mais civilizadas para divulgar vinhos, cervejas artesanais, boa gastronomia e música.

Pinçamos alguns eventos:

NITERÓI

O Projeto Niterói Wine & Beer foi desenvolvido com intuito de reunir expositores de vinícolas nacionais, lojas, importadoras e representantes em uma feira de vinhos e cervejas artesanais e, através desta, apresentar ao grande público seus produtos em formato de degustação, varejo e atacado.

As primeiras edições do Projeto Niterói Wine & Beer aconteceram em 2017, na Praça Dom Orione, localizada no charmoso Bairro de São Francisco.

Participaram do evento mais de 20 expositores, entre vinícolas, distribuidoras e importadoras, cervejarias, queijaria, além de diversas opções gastronômicas.

Outras atrações também fizeram parte do evento, como: palestras e shows musicais de artistas conhecidos no cenário Niteroiense.

Para os pais acompanhados de seus filhos, disponibilizamos o “Espaço Kids”, onde eles poderão deixá-los e curtir o evento com mais tranquilidade.

O evento tem sido um tremendo sucesso, e a pedidos do público, esta será a 4ª Edição, a primeira em 2018!!!

A 4ª edição da Niterói Wine & Beer acontecerá no mesmo local (Praça Dom Orione – São Francisco) entre os dias 08 e 10 de Junho de 2018.

ENTRADA GRATUITA

A entrada será gratuita, porém doações de agasalhos para este inverno, serão bem-vindas. As doações serão destinadas ao Departamento de Assistência Social da igreja São Francisco Xavier.


BELO HORIZONTE

6ª EDIÇÃO DO ENCONTRO DE VINHOS

A edição da capital mineira acontece no Espaço Ilustríssimo, no bairro Santa Efigênia, no sábado de 16 de junho, e reúne aproximadamente 30 expositores. A vitrine inclui desde grandes importadoras, como a World Wine, até produtores independentes, como a Família Cassone, de Mendoza, na Argentina.

Mas o grande diferencial do Encontro dos Vinhos é a forma como a bebida é apreciada. “O valor do ingresso inclui um kit de 10 a 20 fichas de degustação para serem trocadas por doses nas mesas dos expositores escolhidos.

As importadoras e vinícolas terão à disposição taças extras, a custo individual, e garrafas fechadas com preços promocionais, para serem consumidas no próprio evento ou levadas para casa. A entrada, incluindo o kit com o número de degustações escolhidas, custa entre R$ 90 a R$ 130 e pode ser adquirida pelo site encontrodevinhos.com.br. Membros e associados da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-MG) têm 25% de desconto, mediante identificação no dia do evento.

À parte, haverá também opções de gastronomia, com quatro food trucks locais; já estão confirmados a tapiocaria A Crepioca e a hamburgueria Rock City. A programação musical ficará a cargo do cantor belo-horizontino Fabiano Menezes, ao som de MPB e rock dos anos 1970 e 1980. Ele, inclusive, já animou festas de outras praças, como as de São Paulo e do Rio.

Valores: R$ 90 (ingresso + kit com 10 degustações); R$ 110 (ingresso + kit com 15 degustações); R$ 130 (ingresso + kit com 20 degustações) – compras pelo site encontrodevinhos.com.br

Redes sociais: facebook.com/encontrodevinhos / instagram.com/encontrodevinhos


Vinho da Semana: não poderia ser outro

Porto LBV Maynard’s 2013

O Maynard’s LBV é um vinho feito com uvas de uma só colheita, revelando-se muito encorpado, vigoroso e frutado. É envelhecido em madeira durante 4 a 6 anos antes de ser engarrafado. A sua vinificação é feita de forma tradicional, em lagares de granito, e o envelhecimento dá-se em tonéis de carvalho o que lhe confere uma complexidade de sabores e um bouquet muito intenso e atrativo.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br

Não Poderia Ser Pior!

Em matéria de estarem despreparados e sem noção, a dupla ‘Vinho na Vila’ e ‘Ingresso Certo’ é imbatível. Campeãs inquestionáveis quando se trata de criar situações constrangedoras e ignorar as mais simples regras de boas maneiras.

Neste ano, não consegui ir a este evento. Os leitores mais assíduos vão recordar o triste episódio do ano passado, quando a minha compra de ingressos, mesmo depois de aceita pelo cartão de crédito, foi considerada fraudulenta por esta empresa de telemarketing travestida de vendedora de ingressos (*).

Em nenhuma hipótese eu tentaria comprar, novamente, ingressos através deles.

Fiz o que qualquer ser humano faria: enviei um e-mail para os organizadores do evento, relembrando os fatos ocorridos e perguntando se haveria, como no ano anterior, pontos de venda dos ingressos.

Me responderam?

Não!

Mas a coisa ficou pior.

A diretoria da ABS – Rio de Janeiro recebeu um convite para que seus diretores participassem do evento. Bastava enviar um e-mail de confirmação e pronto.

Isto foi feito. E o que aconteceu?

Alguns diretores que tentaram ir ao evento foram barrados na porta!

Simplesmente inaceitável, uma grosseria sem par.

Imagino que tanto o meu e-mail como o da ABS nem foram lidos. Ou seja, entendem que este meio de comunicação não é mais importante. Preferem se relacionar através das ‘mídias sociais’.

Fico com vontade de perguntar: Para que servem a página na Internet e o endereço de e-mail?

A resposta mais provável deve ser: “Para informar que tem uma conta no Facebook ou Instagram ou Pinterest”…

Qual!

Enófilos que conseguiram participar do evento mencionaram mais estes problemas:

– Atraso de mais de 1 hora para a abertura dos portões. E o evento era com hora marcada de início e término;

– Ambiente inadequado, com superfícies de serviço molhadas e falta de ar condicionado;

– Venda de ingressos na porta do evento, o que seria correto se isto fosse devidamente comunicado com antecedência, evitando-se os diversos constrangimentos já mencionados;

– A partir de um determinado momento o acesso foi franqueado a quem estivesse do lado de fora, ou seja, quem pagou o ingresso ficou sem entender nada…

A relação de expositores e os vinhos servidos não está disponível no site do evento. Por esta razão, não podemos opinar sobre a qualidade.

Só há que lamentar a falta de sensibilidade destes organizadores. Num país onde bons produtores de vinho lutam para aumentar o consumo, este tipo de evento é sempre desejável e bem-vindo, desde que sejam respeitadas as regras da boa educação.

Não foi o caso.

Plagiando um bom amigo: “Para ficar ruim, vai ter que melhorar muito”.

(*) – Sugiro a leitura atenta da Política de Privacidade da Ingresso Certo neste link: https://www.ingressocerto.com/politica-de-privacidade

Sua Privacidade Como Nossa Preocupação

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Suas informações pessoais e seus dados sensíveis não serão transferidos a terceiros, ainda que dados objetivos e anônimos possam ser considerados para os fins descritos acima”.

Mais um daqueles bem elaborados textos legais que permitem múltiplas interpretações ao sabor do que a situação exige…

Vinho da Semana: um tinto italiano.

Collezione Montepulciano D’ Abruzzo 2016 – $

Apresenta coloração vermelha rubi intensa com reflexos violáceos. Aromas de frutas vermelhas maduras. Encorpado e frutado, redondo e fácil de beber. Longo retrogosto.

Harmoniza com massas, carnes vermelhas e queijos de meia cura.

Compre aqui:

– Vina Brasilis – Rômulo – [email protected] – (21) 99515-1071 – https://www.facebook.com/pg/VinaBrasilis/shop/?rid=133172546824172&rt=6

– Supermercado Farinha Pura (Rio) – http://www.farinhapura.com.br/

– Importado por Romanelli Food & Wine – https://www.facebook.com/contato.vimaimport/

Coincidências

Um provérbio chinês afirma que “Coincidências não existem”. Mas é impossível não ficarmos intrigados com estes pequenos mistérios que nos deixam mais curiosos que o normal.

Esta semana, estava pesquisando e me atualizando sobre os vinhos da Francônia. Um dos muitos caminhos que trilho é estudar as casas reais da Europa, afinal, vinhos sempre foram associados a realeza, isto sem falar que existem inúmeros reis e rainhas no mundo da enologia, sejam eles/elas garrafas ou produtores.

Lendo sobre a região da Baviera, durante o Sacro Império Romano-Germânico, me deparei com o texto que reproduzo a seguir:

O que me chamou a atenção foi um título e um nome: Arquiduquesa Mary Amélia (da Áustria), filha do Imperador José I.

A citação menciona com quem ela se casou, Charles Albert, o “Eleito da Baviera” que se tornaria o Imperador Carlos VII do Sacro Império Romano-Germânico.

Aqui começam as minhas coincidências. Alguns autores a chamam de Maria Amália, o que me fez lembrar que no mundo dos vinhos isto é muito comum. Dependendo da região, uma mesma casta pode ter diversos nomes. A espanhola Tempranillo, em Portugal, pode ser chamada de Aragonez ou Tinta Roriz.

Outra associação que faço, com facilidade, são os casamentos entre as diversas Casas Reais e os vinhos de corte. A Arquiduquesa era da poderosa dinastia dos Habsburgos, enquanto seu marido era da dinastia bávara dos Wittelsbach. Cortes entre uvas de diferentes regiões nem sempre dão certo, mas temos exemplos, como os Super Toscanos, que foram absoluto sucesso.

Uma última coincidência, para finalmente voltar ao tema desta coluna, quem me chamou a atenção para os deliciosos vinhos da Francônia foi uma amiga dos tempos de juventude, que se chama Maria Amélia. Tudo a ver…

Esta região, hoje da Baviera, era um estado independente, a Terra dos Francos (homens livres). Coube a Napoleão Bonaparte, o mesmo da classificação dos vinhos de Bordeaux, anexa-la a Baviera, em 1803.

Se você acha que conhece vinhos alemães e é um apreciador daqueles Rieslings minerais ou mesmo dos de perfil mais suave, esqueça tudo que sabe. Os vinhos desta região são completamente diferentes e muitos especialistas os consideram com excepcionais.

As principais castas são as brancas Silvaner, Müller-Thurgau e Bacchus. A garrafa, chamada de Bocksbeutel, tem um formato bem característico (foto inicial) que é bem conhecida por aqui por conta do tradicionalíssimo Mateus Rose.

São vinhos bem secos, embora a legislação alemã permita um teor de açúcar maior em seus vinhos. São muito frutados o que agrada ao paladar feminino. Podem ser guardados por pequenos períodos sem a perda destas características. Seguindo a tradição germânica, são produzidos dentro das mesmas regras dos vinhos do Mosel ou do Reno: Kabinett, Spatlese, etc…

Tradicionalmente são bebidos nas taças Roemer, nome que deriva da época do Império Romano.

Os vinhos produzidos a partir da Silvaner são considerados os melhores e são muito versáteis do ponto de vista gastronômico. Harmonizam com saladas temperadas com molho vinagrete, ou com os delicados aspargos brancos, sendo um dos poucos vinhos que consegue esta façanha. Curry tailandês suave, salmão, inclusive defumado, mariscos, ostras, chucrute e salsichas típicas da culinária local, enfim, uma grande variedade de pratos e queijos, destacando-se os mais frescos como Camembert e Brie.

Difícil é encontrar estes vinhos no nosso país. Se achar, compre.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: da Francônia.

Iphöfer Silvaner Trocken 2015

Este Silvaner é bastante seco e um dos vinhos mais emblemáticos da região, mostrando as melhores qualidades desta uva em um conjunto harmônico e fresco.

Compre aqui: www.mistral.com.br

 

Servindo Vinhos Antigos

No final de semana passado, participamos de animada degustação de vinhos bem maduros, a maioria deles portugueses. A foto que ilustra este texto é de uma das garrafas, um 2001, que estava excelente, mas a quantidade de borras nos chamou a atenção, principalmente para a forma correta de servir vinhos como este.

Borras são absolutamente normais, principalmente em garrafas que ficaram guardadas por longos períodos. São inofensivas, embora não seja agradável percebê-las na boca ao se degustar.

Esta sedimentação decorre da presença de resíduos, não totalmente filtrados, das leveduras de fermentação, além de microscópicas partículas que sobraram das uvas usadas na elaboração. Muitos produtores entendem que um vinho pode envelhecer corretamente se beneficiando desta filtragem menos complexa.

Um segundo fator que contribui para a formação de resíduos é o próprio envelhecimento do vinho. Polímeros fenólicos presentes nos taninos tendem a se depositar no fundo da garrafa demonstrando que, com o passar dos anos, um tinto perde substancialmente a intensidade tânica, ou seja, fica mais macio.

Ao contrário do que muitos neófitos possam imaginar, um vinho com borras está longe de ser considerado ruim. Deve, na verdade, ser olhado com bons olhos. Mas é preciso saber lidar corretamente com estas garrafas.

Os candidatos mais prováveis a terem sedimentos são os tintos com mais de 10 anos de safra. Muito fácil constatar, bastando olhar a garrafa na contraluz. Muito cuidado neste manuseio, movimentos muito delicados para não agitar nada e turvar o vinho.

Planejar esta degustação com antecedência e fundamental: a garrafa deve ser colocada na vertical por um par de dias antes de ser aberta. O vinho, da foto, estava na horizontal, o que deu um pouquinho mais de trabalho.

Decantar será obrigatório e o rito tradicional seguido ao pé da letra: verter o vinho muito lentamente no decantador, monitorando o aparecimento das borras com o auxílio de uma luz sob o gargalo. Os mais românticos podem usar uma vela.

Alguns acessórios podem ajudar nesta operação, o mais comum deles é um pequeno funil munido de um filtro metálico, que é colocado na boca do decantador.

Filtro de papel, como os usados para preparar café, é outro bom recurso, embora a aparência fique meio estranha. Muito útil em casos que as borras são severas e, principalmente, se a rolha se desfez ao ser sacada deixando inúmeros resíduos flutuando. Não usem o mesmo porta-filtro do café. Tenham um exclusivo ou improvisem no gargalo da garrafa decantadora. Este recurso exige muita paciência e várias trocas do filtro de papel.

Terminada a decantação, deixe-o em repouso por mais algumas horas antes de servir. Este vinho precisa respirar muito para poder mostrar todo o seu potencial.

Trabalhoso, demorado, cheio de detalhes. Mas…

Não tem preço!

Saúde e bons vinhos, envelhecidos ou não.

Vinho da Semana: vinhos para guardar não são os mais baratos, mas valem cada centavo.

Quinta do Piloto Touriga Nacional 2015

Bem cotado no Guia de Vinhos de Portugal com 16.5/20 pontos. Pode ser consumido já, mas aconselha-se alguns anos mais em cave. Reserve para uma ocasião especial.

Harmoniza com carnes preparadas de diversas formas, queijos intensos como o Provolone e o Parmesão.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br

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