Autor: Tuty (Page 98 of 153)

Sendo um Grande Anfitrião

Semana passada fomos convidados para o último fim de semana da mansão alugada por nossos amigos Mario e Christina, em Correas, distrito de Petrópolis-RJ. Findo o ciclo olímpico, a casa seria devolvida. A proposta era “raspar o tacho”, e isto incluía as últimas garrafas de vinho levadas serra acima.

Um fim de festa perfeito. Temperatura agradável com dias de um lindo céu azul. O grupo de convidados, José Luís e Ligia, Claudia e eu, Teca, Cecilia e Ângela não poderiam estar em maior sintonia. A mesa farta, a qualquer hora do dia, sempre bem vigiada por Marcia e Fábio, além de Tarciso que cuidava para que tudo na casa estivesse funcionado.

Com um clima destes nada poderia dar errado, o que me levou a pensar no que realmente era necessário para sermos grandes anfitriões.

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A regra Nº 1 é Generosidade.

Obviamente que cada convidado contribuiu para o sucesso deste evento, mas a infraestrutura era por conta do casal que nos convidara. Tudo o que estava à nossa disposição era de qualidade indiscutível, mesmo no alardeado clima de “enterrar os ossos”. Percebia-se, facilmente, na mesa do café da manhã, no almoço, no jantar e nas diversas tábuas de queijos, mini-quiches e outros petiscos servidos no decorrer do dia.

Nos vinhos não era diferente. Bons brancos e tintos estavam à nossa disposição.

Nº 2 – Surpreenda seus convidados.

Sábado foi o grande dia. Quando chegou a hora de “iniciarmos os trabalhos”, alguém logo lembrou que já era ½ dia em algum lugar do planeta, para minha surpresa fui nomeado o Sommelier oficial do encontro. A adega era minha e poderia fazer o que achasse melhor, com direito a críticas ou elogios…

Como a temperatura estava mais fria que o costumeiro calor carioca e, após uma checada na cozinha para saber o que seria servido, optei por abrir alguns tintos. Eis a lista do que estava à minha disposição:

Escorihuela Gascon, Pequenas Producciones, Syrah 2010 e Cabernet Sauvignon 2009 (Argentina);

Leeuwenkuil Syrah 2012 (África do Sul);

Zorzal Eggo Tinto de Tiza 2010 (Argentina);

Angelica Zapata Alta Merlot 2011 (Argentina);

Marques de Casa Concha Carménère (Chile);

Quinta das Tecedeiras 2013 (Portugal).

Todos concordaram com este convite, não houve nenhuma tentativa de Impeachment ou Golpe.

Outras surpresas estavam reservadas para mais tarde.

Lancei mão de mais uma regrinha, a terceira.

Nº 3 – O vinho certo no momento exato

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Comecei pelo Syrah argentino seguido do sul-africano para fazer uma degustação comparativa. Dois vinhos completamente diferentes. Enquanto o Pequenas Producciones era muito frutado e fácil de beber, o outro Syrah era um vinho sério que exigia gosto e paladar apurados. Com notas de alcatrão e terrosas, demandou algum tempo para  nos ajustarmos a este conjunto de novos sabores. Mas era um grande vinho e contrastava bem com os queijos e comidinhas servidas.

Abri o terceiro vinho retornando para a argentina. O Eggo, elaborado nos famosos ovos de concreto, é um vinho muito celebrado e premiado. Com pontuação elevada (RP 94; Descorchados 96 pts.), é um corte de 90% Malbec e o restante de Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Delicioso, nos acompanharia no 1º prato do almoço que começava a ser servido: escondidinho de ossobuco.

Para o prato seguinte, um belo refogado de escargot e cogumelos, preparados na hora pelas competentes mãos do nosso anfitrião, abri o suave e aromático Merlot Angelica Zapata. Seria perfeito, na minha opinião, se o nosso Chef não fosse tão preciso nas suas cocções e a sede do grupo fosse menor: nunca vamos saber se era a harmonização correta. A garrafa secou antes do prato ser finalizado.

Arrisquei o segundo Pequenas Producciones, desta vez o Cabernet Sauvignon, mesmo sabendo que seria um pouco mais tânico que sua companheira bordalesa. Um bom vinho, mas nitidamente abaixo do nível servido até então. Mas todos estavam felizes.

Para o último prato, um Cassoulet, abri o Carménère Marques de Casa Concha e encerramos com o Quinta das Tecedeiras.

Grande almoço!

Duas observações finais fazem parte deste conjunto de atributos que nos tornam grandes anfitriões: temperatura certa e uma certa ritualística.

A temperatura ambiente era perfeita para todos os vinhos servidos. Se não for este o caso, resfrie ou aqueça conforme a necessidade. Lembrem-se que a temperatura do vinho não é ciência, mas prazer.

Todos as garrafas foram provadas inicialmente para se decidir entre aerar e/ou decantar.

O bom vinho agradece.

Saúde!

Vinho da Semana: além da listinha acima, este caberia no almoço em questão.

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Casa Mia Nero d’Avola Terre Siciliane IGT 2013

Rubi intenso com reflexos violáceos. Aromas: de frutas vermelhas frescas, notas florais e toques de especiarias.

Corpo médio, com taninos finos e final de boca redondo e agradável.

Harmoniza com carnes vermelhas grelhadas e assadas com molhos de média intensidade, preparações à base de carnes de porco, massas com molhos à base de tomate e queijos de massa amarela.

A,B,C… 1,2,3

Os comentários sobre a coluna da semana passada (Crítico x Sommelier) funcionaram como um alerta: alguns leitores sugeriram um novo texto que explicasse, melhor, os termos usados no mundo do vinho, o popular “jargão”, palavras como Enólogo, Vide, Viticultura, etc…

Lembrei-me da minha juventude. Toda vez que eu perguntava, ao meu pai, o significado de uma palavra, recebia como resposta o pesado Caldas Aulete, único dicionário da nossa língua naquela época.

Aprendia duas coisas: o “significado” da tal palavra e “como pesquisar” num dicionário, uma particular forma de arte, o que é muito valioso nesta época do Google que responde a tudo.

Fica um primeiro conselho: não basta pesquisar, tem que saber como pesquisar e criticar o resultado.

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Qualquer atividade profissional, artística, esportiva, religiosa, entre outras, usa uma terminologia própria para definir suas funções, etapas, processos, manobras, etc. Se não pertencemos àquele meio, teremos dificuldade em entender o que está sendo falado.

Para deixar claro este ponto, vou pegar uma carona numa das modalidades olímpicas, os Saltos Ornamentais.

Qual a sua reação ao escutar o comentarista televisivo deste esporte se referir a um  “salto grupado”, “salto carpado” ou “salto esticado”?

A elaboração de vinhos e sua degustação não fogem a esta regra. Para um leigo absoluto pode até parecer um jogo de difíceis palavras. São apenas novos vocábulos que precisam ser incluídos no nosso glossário particular.

Longe de querer explicar a etimologia destes termos; – sou engenheiro e não professor de português – aprender um pouco sobre a estrutura do nosso idioma ajuda muito na hora de compreender o significado de uma palavra desconhecida.

Quase sempre podemos dividir uma palavra em prefixo + sufixo. Exemplo:

Enólogo – eno + logo

“Eno” vem do grego “oinos” que significa vinho;

“Logo”, também de origem grega, traduz a ideia de estudioso, especialista.

Portanto, ENÓLOGO só tem uma definição: profissional versado em Enologia, que é o conjunto dos conhecimentos científicos e técnicos relativos à arte de produzir, tratar, degustar e conservar vinhos (eno+logo+ia).

Podemos estabelecer uma regrinha que vai nos ajudar a não ter mais nenhuma dúvida:

Todos os termos que começarem por ENO se referem a vinho.

Eis mais alguns deles:

Enogastronomia: gastronomia associada ao vinho;

Enófilo: aquele que gosta de vinhos (oinos + philos «amigo»).

Reparem que um dos medicamentos mais populares é o tradicional Sal de Frutas ENO. O nome não é gratuito: ele é produzido a partir de um subproduto da vinificação, portanto, ENO.

Já sei, apareceu outra palavrinha misteriosa: vinificação.

Junto desta vamos encontrar, vinícola, vinagre, vinificar, vinha, etc..

Deixemos o Grego de lado e vamos para o Latim:

Vinu – significa “vinho”.

Então podemos afirmar que:

Vinícola – diz respeito à vinicultura, onde há vinhas;

Vinicultura – preparação dos vinhos, o que inclui o cultivo das uvas.

Vinha – terreno plantado de videiras, vinhedo e, por extensão, a parreira.

Vinhateiro – aquele que produz ou negocia vinhos (vinha+t+eiro).

Vinha-d’alhos também pode ser explicado aqui: molho feito com vinho, alhos, sal, louro, pimenta e outros aromas, para temperar carne antes de ser cozinhada; marinada.

Na regrinha estabelecida acima podemos acrescentar: VIN(i) também se refere ao vinho, o mesmo que ENO.

Os mais atentos já localizaram outro termo que pode gerar dúvidas: videira.

Este é muito fácil, é o mesmo que parreira, a planta que produz a uva.

A origem remonta ao Latim: Vitis – que exprime a noção de vide, videira, vinha. Deste prefixo decorrem:

Vitivinícola – (vite-, «vinha» +vinu-, «vinho» +colere – «cultivar») – diz respeito à produção de uvas e vinhos;

Vitis vinífera – uva que produz vinho.

Completando a regrinha, toda vez que surgir o prefixo VITE, diz respeito à planta, à parreira.

Mais alguns termos muito usados neste nosso universo enológico:

Sommelier ou Escanção: profissional especializado em sugerir e/ou servir um vinho num restaurante ou loja de vinhos. Foi explicado detalhadamente nesta matéria: https://oboletimdovinho.com.br/2016/06/12/sommelier-escancao/

Agrônomo: profissional formado em agronomia, a ciência que estuda a agricultura. No caso dos vinhos, é o responsável pelos vinhedos ou parreirais, cabe a ele tratar o solo, irrigar, podar, prevenir pragas e doenças e, junto com o Enólogo, decidir sobre ponto de maturação e colheita.

Produtor: de modo geral, qualquer pessoa que produza alguma coisa, desde um simples bolo caseiro de domingo (quanta ciência há nisto…) até um complexo equipamento. No caso do vinho, quase sempre se refere ao proprietário de uma vinícola ou àquele que dá o nome ao vinho. Pode ou não ser o enólogo ou o agrônomo.

Casta: gênero, qualidade, natureza. O tipo da uva – Cabernet, Merlot, etc…

Ampelógrafo: Do grego ámpelos – «vinha» +gráphein – «descrever», aquele que descreve a vinha.

Engaço/Desengaçar: cacho de uvas sem os bagos/ato de remover os bagos do engaço.

Para finalizar, algumas expressões típicas desta coluna:

Caldo: o mesmo que vinho, o conteúdo de uma ampola;

Ampola: a garrafa de vinho.

Tudo entendido? Faltou algum?

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: desta vez escolhemos um vinho nesta novíssima loja virtual e clube de vinhos, localizada em Belo Horizonte e ligada à tradicional importadora Casa Rio Verde: http://www.vinhosite.com.br/ (*)

F1-compressorCasa Silva Chardonnay Colección – $

Apresenta notas de manteiga e frutas tropicais, elegantemente integradas ao carvalho. Paladar exótico e refrescante, mostrando boa concentração, equilíbrio e longo final.

Harmonização: Saladas verdes, Carnes brancas, Arroz de forno, Ostras, Camarões, Bacalhoada, massa recheada com ricota e massas ao molho branco.

(*) esta coluna não tem nenhuma relação comercial com o site indicado.

Críticos x Sommeliers

Assim como nos esportes, o mundo do vinho é muito competitivo. Em lugar de torcedores, fanáticos ou não, em cada modalidade esportiva, vamos encontrar enófilos que defendem com argumentos consistentes que os melhores caldos vêm do Novo ou do Velho Mundo, que esta ou aquela casta é a permite elaborar vinhos perfeitos, e muitos outros temas relacionados.

A disputa chega até o nível dos conhecimentos pessoais, afinal, quem é o medalhista de ouro quando se trata de degustar, analisar e informar sobre um vinho: o Crítico ou o Sommelier?

Steve Heimoff, jornalista norte americano especializado em vinhos, comentou este tema, de forma brilhante, em uma de suas recentes colunas (http://www.steveheimoff.com/index.php/2016/08/15/sacto-are-you-ready-its-the-sur-vs-steve-show/).

A leitura atenta de seu texto nos mostra que são duas escolas bem diferentes na hora de provar um vinho, tudo girando em torno da conhecida degustação ás cegas, considerada por muitos como a forma justa de avaliar um vinho.

As diferenças começam na forma como cada um deste profissionais se prepara para enfrentar este tipo de prova.

Um Sommelier é treinado para reconhecer o vinho lhe foi apresentado de forma incógnita. Este é o principal objetivo de sua formação, capacitando-o para obter os diplomas dos famosos Wine and Spirits Education Trust (WSET) e Court of Master Sommeliers, títulos o coloca no Olimpo destes profissionais. Uma tarefa de grande porte que vai exigir muito treinamento e disciplina.

Mas acaba sendo uma dedução lógica, quase que montar um quebra-cabeças. A qualidade do vinho e suas características organolépticas servem como chaves para ir eliminando possibilidades até chegar a uma conclusão final.

O Court of Master Sommelier fornece, inclusive, uma tabela dedutiva para facilitar o reconhecimento do que está sendo provado. (Neste link, em inglês: http://www.courtofmastersommeliers.org/pdfresources/tastingformat.pdf)

O objetivo de um Sommelier é identificar um vinho.

A grande maioria dos críticos especializados vem de outra formação e usam outras técnicas. Sua tarefa é informar ao consumidor final sua opinião, qualitativa, sobre um vinho. Será sempre uma análise subjetiva, mesmo que façam a degustação às cegas. Precisam atribuir uma nota, seja no discutido sistema de 100 pontos ou no de 20 ou ainda carimbá-lo com até 5 estrelas.

O objetivo de um crítico é avaliar a qualidade de um vinho.

Cabe ao enófilo decidir em quem ele pode confiar mais, na lógica quase cartesiana de um Sommelier ou na sensibilidade do Crítico, com toda a sua subjetividade embutida.

Isto fez a fama de Robert Parker, por exemplo, mas até este tema é motivo de disputas: além do citado, temos Jancis Robinson, Hugh Johnson, Patricio Tapia (Chile), Fabricio Portelli (Argentina), Jorge Lucki (Brasil), e muitos outros.

A medalha de ouro vai para…

Para quem consome o vinho.

Você é o melhor crítico e sommelier.

A menos que descobrir que vinho estamos bebendo ou atribuir uma nota seja o seu propósito ao desarrolhar uma garrafa, todos sabemos exatamente o que nos agrada ou não.

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Pessoalmente, não estou interessado em degustar nada às cegas. Não gosto de surpresas.

Jamais vou chegar vendado a uma loja de vinhos e escolher aleatoriamente as garrafas que vou adquirir.

Prefiro saber o que estou comprando ou que vinho estão me servindo.

Este ato de provar uma taça, sem saber o seu conteúdo, e afirmar que o vinho é um “xyz” safra mil novecentos e bolinha, com as uvas colhidas num dia frio e engarrafado num verão escaldante, ou coisa semelhante é puro esnobismo, salvo para os profissionais que dependem disto.

Enólogos são os meus críticos/sommeliers preferidos. Escolho minhas compras lendo as fichas técnicas dos produtores.

As informações dos especialistas, sejam em guias de vinhos ou outras resenhas, podem ser uma boa ajuda, mas se não combinar com o meu gosto pessoal não trilho mais este ou aquele caminho.

Eu bebo às claras!

Simples assim.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: uma escolha de caso pensado.

csv 2Castaño Monastrell Yecla 2009

Cor cereja com reflexos violetas. Aroma intenso, potente, frutado, toques de uva madura.

Saboroso, cálido, denso e frutado. Final de boca bastante intenso.

Versátil, harmoniza com diversos pratos da culinária local.

Vinhos e Vitórias Esportivas

Continuamos no espírito olímpico, desta vez propondo uma harmonização bem diferente: que vinho vamos degustar para celebrar as vitórias nas diversas modalidades olímpicas?

Imagens dos vencedores jorrando Champanhe nos espectadores é muito comum nos circuitos de Fórmula 1 e tudo sugere ser uma antiga tradição.

Mas não é bem assim, o espumante sempre esteve presente nos pódios, mas não era jogada em ninguém. Tudo começou com um “acidente de percurso” em 1966, no circuito de Le Mans. O piloto Jo Siffert, sem se dar conta que uma garrafa de garrafa de champanhe que lhe fora entregue estava no sol por algumas horas, aumentado a pressão, resolveu dar um gole. Ao tirar a rolha foi vinho para todo o lado.

No ano seguinte foi a vez de Dan Gurney repetir a proeza, desta vez deliberadamente. Nascia a tradição.

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No outro extremo deste tipo de celebração vamos encontrar uma curiosa tradição das famosas 500 milhas de Indianápolis: o vencedor deve beber, pelo menos, um gole de leite, o mais famoso produto daquela região. Nosso grande piloto Emerson Fittipaldi protagonizou um engraçado episódio ao beber suco de laranja, que era um dos seus patrocínios, em lugar do leite.

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Pensando nisto, por que não haveria um tipo de vinho correto para celebrar as vitórias em cada modalidade esportiva?

Futebol

Sem dúvida o mais popular dos esportes entre os brasileiros. A origem inglesa não nos ajuda em nada. Nos estádios a comida tipo snack food também não é o caminho, aliás, a cerveja seria a preferência do torcedor.

Precisamos de um vinho com muita personalidade e boa relação custo-benefício. Um bom branco madeirado é uma alternativa a ser considerada, principalmente pelo nosso clima tropical.

Mas, pensando bem, por que não um vinho italiano onde o futebol é tão popular quanto aqui e, para melhorar as coisas, não aceitam o anglicismo e o chamam de Calcio? (Aqui seria Ludopédio…)

Sugiro um bom Chianti, para bebericar antes, durante e depois de uma partida, mesmo que o nosso time não vença.

Volley

O segundo esporte em popularidade. Nossas seleções, masculina e feminina, mudaram a forma de jogar no mundo inteiro. Nunca vou esquecer um jogo exibição entre Brasil e Rússia, no Maracanã original, debaixo de chuva. Como a quadra estava encharcada, Viacheslaz Platanov, técnico russo, teve a ideia de pegar os tapetes que iam do vestiário até a quadra para forrar a quadra e continuar a partida. Uma fita de esparadrapo larga foi usada para fazer a marcação da linha dos 3 metros e do fundo da quadra. Além disso, sempre que a quadra ficava molhada, os jogadores enxugavam o chão com as próprias toalhas. Entrou para a história não só como um grande jogo, mas por ser, naquela época, o maior público presente: quase 96 mil pagantes. (3 x 1 Brasil)

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Para celebrar isto tudo só um vinho bem versátil, com muita acidez refrescante e sobretudo com um bonito visual. Um branco leve ou um Rosé seria perfeito. Para o Vôlei de praia um espumante rosé. Imbatíveis, assim como os nossos jogadores.

Vela

Um dos esportes que mais medalhas trouxe para o Brasil. Sofisticado, exige equipamentos caros e complexos, além de muito preparo físico. Pena que o Rolls-Royce da vela, a elegante classe Star foi substituída, deixando o nosso Torben Grael, o Turbina, na saudade. (Por que ninguém lembra dos proeiros? Marcelo Ferreira é o nome dele)

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O vinho tem que ser nesta mesma linha, sofisticado e caro. Como é um esporte aquático, fico com um leve e bom Pinot da Borgonha.

Tênis

Um esporte de elite que ficou muito popular graças ao nosso Guga, com seu sorriso de garoto e eterno brincalhão. Mas um dos mais respeitados tenistas do mundo. Roland Garros, um quintal de casa para ele, é um dos templos deste esporte, junto com Wimbledon.

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Já imaginaram este troféu cheio de vinho. Um branco sem dúvida. Desta vez um Pouilly-Fumé, um saboroso Sauvignon Blanc da classuda Bordeaux.

Agora é a vez dos leitores.

Outros esportes foram destaques olímpicos para o Brasil: Natação, Ginástica, Judô, Basquete e Atletismo são alguns deles.

Como vamos celebrar?

Saúde e bons vinhos

Vinho da Semana: um tiro certeiro, clássico de Portugal.

vic 6Dão Porta dos Cavaleiros tinto 2010

O célebre Porta dos Cavaleiros possui uma legião de admiradores em Portugal. O estilo é dos grandes tintos de antigamente, com boa estrutura e um ótimo toque terroso.

Harmoniza com esportes como Boxe, Luta Greco-Romana, etc.

 

Brindando

Desejar a boa saúde de alguém ao se beber o primeiro gole de um vinho ou outra bebida alcoólica é uma tradição muito antiga. Existem diversas narrativas relatando a possível origem do ato de brindar. Mas nem todas são verdadeiras.

Uma das mais populares é a que explica o ato físico de bater as taças de modo que o conteúdo de uma se mistura ao da outra. Desta forma, se uma das taças estivesse envenenada, anfitrião e convidado não sobreviveriam. Logicamente se infere que, neste ato, está o desejo que ambos tenham vida longa ou simplesmente, saúde!

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Uma lenda plausível, mas longe da verdade. Historiadores renomados já demonstraram que tradicionalmente o brinde é feito em honra de alguém. Uma das versões mais aceita vem da Grécia antiga: durante suas famosas celebrações, parte da bebida era derramada em homenagem aos Deuses de então. Curiosamente este é um hábito bem comum no Brasil ao se beber a tradicional pinga: o “Santo” sempre ganha o gole dele.

Homenagear o anfitrião ou aquele que provê a bebida foi o próximo passo. Brindava-se à sua saúde e para que sempre mantivesse a boa vontade de convidar seus amigos para desfrutar um bom vinho ou outra bebida.

Para conhecer mais sobre este hábito, convido os leitores para um pequeno passeio sobre as diferentes expressões usadas para brindar em vários países. Uma boa pedida neste momento olímpico. Quem sabe não brindaremos com um novo amigo estrangeiro?

Começamos pela Grécia. A palavra mais usada é YΓΕΙΑ (yamas) que é pronunciada assim (clique no link):

http://pt.forvo.com/search/%CE%A5%CE%93%CE%95%CE%99%CE%91/el/

Significa saúde.

Os franceses usam indistintamente “Santé” (saúde) ou dizem “A la votre”, que é o mesmo que usamos no Brasil: “à sua”, respondido com “a nossa”. Eis as pronúncias:

Santé – http://pt.forvo.com/search/sant%c3%a9/

A la votre – http://pt.forvo.com/search/%c3%80%20la%20v%c3%b4tre/

Na Itália o brinde é feito com “Salute”

http://pt.forvo.com/search/Salute/

Nos países de língua espanhola há uma quase unanimidade em torno de “Salud”, inclusive na Galícia. Catalões usam “Salut” e os Bascos preferem “Topa”, que significa brinde. As pronúncias estão nestes links:

Salud – http://pt.forvo.com/search/salud/

Salut – http://pt.forvo.com/search/salut/ca/

Topa – http://pt.forvo.com/search/topa/eu/

Na Inglaterra e EUA o ato de brindar é chamado de “Toast”, que traduzido literalmente significa “torrada”. Vem de um costume muito antigo, quando o vinho ainda era uma bebida feita sem muito cuidado. Colocava-se um pedaço de pão torrado dentro da taça para melhorá-lo e ter alguma coisa para comer, também.

As expressões mais usadas são “Cheers”, uma gíria para “obrigado” que é usada também como despedida (adeus), e “Bottoms up” ou “fundos para cima” que tem uma explicação muito interessante.

Os primeiros copos não tinham fundos planos e não podiam ser colocados cheios sobre qualquer apoio, o líquido derramava. Para descansar a taça, era necessário tomar todo o conteúdo e emborcá-la na mesa, com o fundo para cima. Era considerado, inclusive, um ato de elegância, mostrando ao anfitrião que a bebida era boa!

Pronúncias:

Cheers – http://pt.forvo.com/search/cheers/

Bottoms up – http://pt.forvo.com/word/bottoms_up%21/#en

“Prost” é a saudação popular dos alemães. Veio do Latim, “prosit”, significando “beneficente”, por extensão “à sua saúde”. Outra expressão muito usada é “Zum wohl”, uma forma ampla de brindar e desejar boas coisas a todos. Eis os links:

Prost – http://pt.forvo.com/search/prost/de/

Zum whol – http://pt.forvo.com/search/Zum%20Wohl!/

Há quem faça uma distinção: usam Prost para cerveja e Zum whol para o vinho…

Países escandinavos usam “Skål” com pequenas variações. O significado varia entre saúde, honra, felicidade e até “bebam tudo”.

Neste link as pronúncias em sueco, dinamarquês e norueguês:

http://pt.forvo.com/search/skal/sv/

Islândia (feroês) – http://pt.forvo.com/search/Sk%C3%A1l%21/fo/

Na Finlândia é assim: Kippis ou alegria, boa saúde.

http://pt.forvo.com/search/Kippis/

Outra expressão muito conhecida é a usada por países como Eslovênia, Rússia, Polônia, entre outros: “Na zdrowie” (com variações de grafia e pronúncia). Brindam a boa saúde ou pode ser interpretado como uma benção.

Para não falar errado:

Polonês – http://pt.forvo.com/word/na_zdrowie/#pl

Russo – http://pt.forvo.com/word/%D0%BD%D0%B0_%D0%B7%D0%B4%D0%BE%D1%80%D0%BE%D0%B2%D1%8C%D0%B5/#ru

Os árabes usam “Fe sahetek” ou boa sorte (não são muito de beber). Em Israel a mais popular é “L’chaim”, mas usam “Mazel tov”, também, para desejar sucesso ou boa saúde.

Árabico (procurem por semelhança) – http://pt.forvo.com/search/%d9%81%d9%89%20%d8%b5%d8%ad%d8%aa%d9%83/

L´chaim – http://pt.forvo.com/search/L’chaim/

Mazel Tov – http://pt.forvo.com/search/mazel%20tov/yi/

Para encerrar os países orientais.

A saudação japonesa é muito conhecida, “Kampai”, que pode ser traduzido e adaptado para “esvaziem seus copos”.

http://pt.forvo.com/search/kampai/

Os chineses preferem usar “gan bei”, com o mesmo significado.

http://pt.forvo.com/search/g%C4%81n%20b%C4%93i/zh/

Na Coreia é assim que brindam:

http://pt.forvo.com/search/%ea%b1%b4%eb%b0%b0/

Para aqueles leitores com curiosidade infinita, neste link em inglês estão diversas outras saudações:

http://www.omniglot.com/language/phrases/cheers.htm

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: para brindar em qualquer idioma. “Mabuhay!”

brd 2Villa Elena Negroamaro Salento IGP 2013

Frutas vermelhas frescas, notas defumadas e toques de especiarias doces. Corpo médio, com taninos finos e acidez equilibrada. Seu final de boca é frutado, elegante e agradável.

Harmoniza com carnes vermelhas grelhadas com molhos de média intensidade, preparações a base de carnes de porco, massas com molhos a base de ragu, queijos duros.

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