Autor: Tuty (Page 98 of 154)

Pratos de Massa e Vinhos

A cultura gastronômica brasileira é uma mistura de diversas influências que, segundo alguns Chefs e críticos internacionais, a tornam única. As culinárias portuguesa, africana, nativa, alemã e italiana, entre outras, formam um delicioso caldeirão de onde nos alimentamos em casa ou em elegantes restaurantes.

Talvez devido ao binômio simplicidade e sabor, os pratos italianos são muito populares, a macarronada de domingo é quase sagrada em alguns lares. Vinho, é claro, torna-se um imperativo.

Talvez venha desta clássica harmonização o início da produção vinícola brasileira, que começa, realmente e não historicamente, com a chegada dos colonos italianos ao país. Os primeiros vinhos eram muito rudimentares, feitos com uvas inadequadas, mas cumpriam a sua função de complementar uma refeição.

O vinho, em outras culturas, é considerado como parte da alimentação básica e não um produto de luxo, como no Brasil, onde o desgoverno só busca fontes de renda em vez de estimular uma indústria que poderia, bem gerida, acrescentar mais um produto ao leque das magras exportações nacionais, isto sem falar no mercado interno…

Massas não são uma exclusividade italiana. Reza uma lenda que os chineses teriam “inventado” o macarrão, trazido para a Bota por Marco Polo, lá no século XVIII. Outros estudos afirmam que a massa de farinha de cereais e água foi uma descoberta dos Etruscos, alguns séculos antes.

Vamos encontrar pratos à base de massas nas culinárias oriental, alemã, polonesa, francesa, além da italiana (e provavelmente em muitas outras).

Harmonizar corretamente esta grande variedade de receitas é uma tarefa árdua e muita gente boa já se dedicou a escrever sobre isto. A velha regra de massa com vinho italiano, provavelmente tinto, pode estar com seus dias contados.

Uma das mais importantes escolas de culinária do mundo, a francesa Le Cordon Bleu, tem sugestões muito interessantes para combinar diversos tipos de “pasta” com os vinhos de todo o mundo. (*)

O mais clássico dos molhos para talharim, espaguete e assemelhados é o “al sugo”, simplesmente tomate, alho e ervas. Tem uma característica combinação doce/azedo que harmoniza muito bem com um Viognier, uma casta branca típica do Vale do Ródano, hoje difundida em quase todos os países produtores. Os mais famosos são os Australianos, Norte-americanos, Sul-africanos, Franceses e Sul-americanos. Prefira os que não passaram por madeira.

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Lasanha é outra tradição nas mesas brasileiras, mas a sua harmonização correta pede alguns momentos de reflexão: molho branco (Bechamel), o de tomate e o recheio de carne, pedem vinhos muito específicos.

Curiosamente um tinto italiano, quase sempre relegado a um segundo plano, o Barbera, com sua jovialidade e boa acidez se torna a opção quase perfeita para enfrentar a avalanche de sabores deste prato. O também secundário Beaujolais francês ou o desconhecido Zwiegelt, austríaco, são outras boas opções.

Nesta mesma linha, podemos facilmente imaginar as harmonizações para massas recheadas como raviólis, canelones, etc… Como o macarrão é neutro, tudo vai depender da combinação do molho e recheio usados.

Uma harmonização bem interessante, proposta pelos professores da Le Cordon Bleu, envolve os pratos de massas servidos em caldos, como o Pot au Feu com Vermicelli, francês, ou os Udon japoneses e similares da cozinha oriental. A sugestão é um vinho fortificado como um Jerez Amontillado ou um Porto Branco seco ou ainda um Marsala Vergine seco.

No próximo domingo, arrisque e esqueça o Chianti!

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: já pensando no fim de semana.

massa-2Dalbosco Reserva Viognier

Grande complexidade aromática que recorda pinhas, marmelada de damasco, flores brancas e toques de lima. Sua boca é fresca e sedosa, com boa acidez e rica persistência de frutas, com longo e agradável final.

Compre aqui: http://www.vinhosite.com.br/vinho-viognier-chileno-dalbosco-reserva-branco/p

Ofertas da Semana: http://www.vinhosite.com.br/vinhos-da-semana

(*) Fonte: http://www.decanter.com/learn/food/cordon-bleu/matching-wine-with-pasta-le-cordon-bleu-332523/

Testamos e Aprovamos

Encontrar um parceiro de qualidade para ofertar vinhos aos nossos leitores não é uma tarefa corriqueira, além de ser uma grande responsabilidade para o autor. Qualquer deslize e estamos fritos!

Por esta razão, reunimos o nosso painel de degustadores especializados para testar dois vinhos oriundos das ofertas da semana do Vinho Site e de seu Clube do Vinho:

– Vega Sindoa Temparnillo 2014

– Torreón de Paredes Reserva Carménère 2013

Os degustadores convidados para este evento foram o Prof. G, nosso Sommelier predileto, capaz de fazer a ficha analítica de um vinho em poucos segundos, e o Sr. B, um dos mais respeitáveis analistas de relações como custo x benefício e produtor x consumidor. Sua opinião define, com exatidão, as escolhas de um enófilo que consome vinhos diariamente.

Por razões óbvias são apresentados de forma anônima para evitar o assédio ou cooptação por parte de produtores e/ou distribuidores inescrupulosos que buscam, por meios sabidamente inadequados, obter o nosso apoio.

Coube a mim comentar os aspectos relacionados com a elaboração destes vinhos e, claro, moderar algum embate no grupo, o que não aconteceu devido à grande qualidade do que foi degustado.

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A escolha do local também exigiu algum empenho. Optamos pela excelente Trattoria Pici, localizada na Praça N. Sra. Da Paz, em Ipanema, que nos acolheu de braços abertos e com um menu perfeito para o que pretendíamos: gnocchi. Era dia 29/09 e gostamos de respeitar tradições.

Pontualmente às 12:30 já estávamos, eu e o Sr. B, acomodados numa mesa enquanto aguardávamos a chegada do Prof. G, declaradamente atrasado. Para iniciar os trabalhos encomendamos uma porção de Arancinis, bolinhos de risoto com queijo, e abrimos, aleatoriamente, o Vega Sindoa Tempranillo 2014, decisão que se mostraria correta mais tarde.

Este espanhol, da região de Navarra, Vale de Valdizarbe, é um dos melhores representantes do esforço que produtores estão conduzindo para restabelecer a qualidade dos vinhos deste Vale centenário, após muitos anos de descaso em virtude de variações climáticas extremas e consequente preço da uva muito desvalorizado.

Coube ao Sr. B a primeira prova. A reação, típica de um consumidor feliz com a sua compra, não poderia ser outra: “Ótimo vinho, vou comprar mais!”.

Comecei avaliando sua coloração: rubi bem brilhante, como devem ser os vinhos mais novos como este, safra 2014. Boa paleta de aromas, tipicamente frutas vermelhas e um pouco de Alcaçuz. Corpo médio, redondo e fácil de beber. Excelente permanência em boca o que, no meu entendimento, demonstra o cuidado na vinificação, obtendo-se um produto que se coloca num patamar acima dos concorrentes em sua faixa de preço.

Estávamos disputando o último bolinho da porção servida quando chega o Prof. G que, após as desculpas protocolares, provou vinho, o Arancini e, com ares de aprovação, teceu seus comentários:

“Cor Rubi intenso com reflexos violáceos. O brilho denota boa acidez o que é comprovado no palato. A lágrimas refletem o teor alcoólico, mostrando um vinho equilibrado, macio, estruturado com taninos suaves. Muito agradável de beber”.

Já era a hora de encomendar o prato principal. Não foi combinado previamente, mas todos optamos pela sugestão do dia, entrada, prato principal e sobremesa, por um convidativo preço único.

Foi servida a entrada, uma fresca e bem temperada salada verde, que combinou perfeitamente com a boa acidez do Vega Sindoa, mas eram as últimas 3 taças. Hora de abrir o segundo vinho.

O Carménère Torreón de Paredes é um vinho bem diferente do 1º. Coube a mim a prova inicial.

Esta casta, considerada a mais icônica do Chile, produz vinhos com características bem típicas, não importando muito o terroir ou métodos de vinificação: aromas e sabores terrosos e de especiarias, tipicamente pimentão verde.

Isto demonstra a forte personalidade desta uva, e o quão difícil é obter um vinho varietal que se destaque.

Não havia nada de errado com o Torreón, mas precisei de uns instantes para readaptar o meu paladar para este vinho mais sério. A chegada do prato principal foi fundamental para que percebêssemos todo o seu potencial de harmonização com o saboroso gnocchi al pomodoro. Perfeito!

Prof. G, ficou positivamente impressionado com as características deste vinho a ponto de confessar que este seria o 2º Carménère a incluir na sua lista de vinhos chilenos.

O Sr. B estava calado, literalmente “sem palavras”. O vinho estava falando mais alto.

Tanto um vinho como o outro foram servidos através de um aerador Rabbit, padrão em nossas degustações. Enquanto o Vega Sindoa se manteve praticamente estável em todas as rodadas, a Torreón de Paredes nos surpreendia a cada nova taça. As impressões iniciais praticamente sumiram, dando lugar a frutas negras, notas florais e um agradável viés cítrico.

Uma opinião unânime foi a que deveríamos tê-lo aberto antecipadamente e decantado. O aerador não foi suficiente para revelar todas as suas características, que só foram bem percebidas na última taça.

Foi neste momento que nos demos conta do único defeito: não havia uma segunda garrafa dele para continuarmos esta deliciosa degustação…

Excelente vinho, uma das seleções mensais do Clube de Vinhos, demonstrando toda a qualidade da curadoria. Parabéns!

Enfrentou, sem problemas, até a doce sobremesa de bolo de banana em calda. Foi uma excelente experiência.

Depois de feita a nossa avaliação, procuramos saber o que outros críticos de vinhos tinham a dizer sobre estes mesmos “caldos”.

O Vega Sindoa recebeu 89 pontos do site Vinous (site por assinatura), conduzido por Antonio Galloni, um dos avaliadores de confiança de Robert Parker, hoje em voo solo.

O Torreón de Paredes recebeu 90 do Descorchados.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: continuamos buscando boas compras no site de nosso parceiro.

tea-2Werner Anselmann Riesling QBA Trock – $$

Notas complexas de mel, maçã e frutas cítricas. Um delicioso vinho branco, que apresenta paladar fresco e elegante, harmônico e sedoso, com agradável final.

Perfeito com pratos da culinária oriental, Sushi e Sashimi inclusive.

Compre aqui: http://www.vinhosite.com.br/vinho-alemao-branco-werner-anselmann-riesling-qba-trock-riesling/p

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Regrinhas para Harmonizar Corretamente

Combinar vinho e alimentos é um dos desafios mais interessantes para quem vive o mundo dos vinhos. Para alguns, a palavra Harmonização logo traz calafrios e uma preocupação anormal: sempre ficamos em dúvida se o nosso evento vai dar certo, se o vinho que escolhemos vai combinar com o prato servido, além de temer possíveis críticas.

Harmonizar não chega a ser uma ciência, embora se apoie em várias teorias para, de certa forma, criar algumas regras básicas que tornam uma refeição em algo mais agradável.

Existem diversas referências disponíveis, desde a tradicional forma de parear a cor dos alimentos com a cor do vinho, básico e quase sempre efetivo, até sofisticadas elaborações que envolvem contrastes, semelhanças, vinhos muito específicos e um resultado que pretende ser espetacular, mas nem sempre é atingido.

A verdade que se esconde, e quase não é vista, está num simples fato: alimentos e vinhos são produtos que não são cartesianamente uniformes. Mudam, significativamente, a cada nova safra, colheita, abate, etc.

Isto torna a tarefa de harmonizar numa forma de arte, que se aprende na base de tentativas e erros (atenção para o plural) do que seguindo “receitas de bolo”.

Por outro lado, para quem nunca se atreveu a fazer um jantar harmonizado, por exemplo, precisa receber algumas dicas iniciais para poder, mais tarde, voar sozinho. Ninguém nasce sabendo!

Um dos sites que usamos como referência para nossos escritos, o Wine Folly (www.winefolly.com), publicou um conjunto de instruções bem interessantes. Como era voltado para o público norte-americano, traduzimos, adaptamos e comentamos.

1 – Sabores Complementares ou Sabores Semelhantes?

Esta é a chave para iniciar uma boa harmonização. Muito simples.

Aromas e sabores complementares: ocorre um equilíbrio dos sabores, por exemplo, limão com peixes ou frutos do mar;

Aromas e sabores semelhantes: ocorre uma amplificação dos sabores, por exemplo, arroz com feijão.

Ao pensar num vinho para acompanhar um determinado prato, temos que pensar, primeiro, por qual caminho vamos seguir, ou seja, um vinho que tem características semelhantes ao elemento principal do prato, que pode ser o molho, lembrem-se disto, ou um vinho que vai contrastar com tudo isto, como o citado limão no peixe ou goiabada com queijo.

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2 – Algumas técnicas consagradas:

– O vinho deve ter mais acidez que o alimento;

Para que não lembra, quando se menciona a acidez de um vinho o correto é lembrar de refrescância. Se quiser saber mais leia esta matéria:

https://oboletimdovinho.com.br/2015/08/03/acidez-uma-caracteristica-pouco-compreendida/

– O vinho deve ter mais doçura que o alimento;

Na mesma linha da anterior, não se trata de servir vinhos doces, que são próprios para as sobremesas, junto com o prato principal.

Embora os vinhos finos sejam considerados como “secos”, existem diversas nuances, dependendo da casta que o originou, se é branco, rosé ou tinto. Em alguns países, como o Brasil, adotam uma classificação “meio-seco”, típica dos espumantes, para os vinhos finos também.

A ideia, aqui, não é encontrar um vinho menos seco, mas criar um prato menos doce. Entendido?

– Procure por um equilíbrio de intensidade entre o vinho e o alimento;

Em poucas linhas, não vai dar certo se for um vinho intenso com um alimento leve e suave…

– Tintos com alimentos intensos e Brancos com os suaves;

Está é a mais clássica das regrinhas, nem preciso explicar.

– Vinhos tânicos equilibram pratos mais ricos em gordura;

Para os esquecidos, tanino é uma das principais características dos vinhos tintos. É responsável pela sensação de aspereza que sentimos no céu da boca ou de adstringência. Limpa a boca no caso de pratos com muita manteiga, azeite, etc…

Para relembrar o que são taninos:

https://oboletimdovinho.com.br/2015/08/11/compreendendo-os-taninos/

– Na dúvida, harmonize com o molho em lugar do alimento principal;

Este é um truque dos mestres!

– Voltando ao início deste texto, vinhos brancos, rosés e espumantes (o coringa) criam sabores e aromas complementares. Vinhos tintos criam sabores e aromas semelhantes.

Ficou fácil!

Quem vai se arriscar e contar para agente?

*Para os leitores de Belo Horizonte*

A Casa Rio Verde/VinhoSite recebe nos dias 3 e 4 de outubro o enólogo Adolfo Lona, velho conhecido do mundo do vinho pela qualidade e “delícia” dos seus espumantes.

Local: loja Casa Rio Verde – Marília de Dirceu – 104 – Lourdes – Belo Horizonte

Horário: 19h30

Convites: VinhoSite: http://www.vinhosite.com.br/vinhos/curso

Preço: R$50 para não-sócios do VinhoClube, e R$35 para sócios.

Vinho da Semana: cabe aos leitores descobrir as harmonizações corretas para este vinho.

h-2Côtes de Provence Royal Saint Louis Rosé

O Côtes de Provence Royal St Louis é uma homenagem ao Rei Saint Louis, nascido na mesma região onde florescem as videiras desse delicioso rosé. Com a cor brilhante de pêssego-rosa, possui aroma doce e elegante, com notas frutadas e florais. O paladar é estruturado, amplo e equilibrado.

Compre aqui: http://www.vinhosite.com.br/vinho-cotes-de-provence-frances-royal-saint-louis-syrah-cinsault-garnacha-grenache/p

Mais ofertas da semana: http://www.vinhosite.com.br/vinhos-da-semana

 

Pinot Grigio e Pinot Gris

Num recente encontro do Camarão Magro, ativa confraria comandada pelo nosso eterno comparsa José Paulo Gils, a estrela foi um Pinot Grigio da região do Veneto, servido na abertura dos trabalhos.

Ao se referir a este vinho, ele usou “Pinot Gris”, versão francesa da mesma uva. Grigio ou Gris significam a mesma coisa: cinza.

Afinal, quais as diferenças entre uma e outra?

As duas castas são mutações da Pinot Noir, clássica uva da Borgonha. Existe, ainda, uma Pinot Blanc ou Bianca, que seria o clone mais longínquo. A coloração das cascas é a responsável pelas denominações:

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A partir da esquerda temos a Noir, Gris e Blanc.

Estas mutações são normais e muito comuns no reino vegetal. As diversas colorações de flores, como as rosas, são um bom exemplo. Do ponto de vista científico, o que diferencia cada uma destas variedades é a quantidade de antocianinas presentes.

Características mais marcantes vão ser notadas nos vinhos elaborados na Alsácia (Pinot Gris) e na região do Vêneto (Pinot Grigio). Esta casta é uma das que melhor reflete o terroir, preferindo climas mais frios e encostas suaves. Por estas razões se adaptou tão bem nestas regiões mencionadas.

O vinho francês tem um valor de mercado maior que o italiano. É leve e fresco com notas cítricas, herbáceas e de mel.

O italiano é um vinho muito suave e muitas vezes mal compreendido. Mas é muito refrescante com aromas de peras, maçã verde, acidez equilibrada e paladar levemente salgado.

Estas diferenças se devem não só às características de solo e clima como nos processos de vinificação. Na Alsácia buscam vinhos mais encorpados, de produção limitada, quase sempre passando um curto tempo por madeira, enquanto na Itália fazem um vinho de larga produção para conseguir um custo mais baixo, o que não significa que não existam os Grigio de ponta, inclusive madeirados e preços bem mais altos.

Quando colhida mais tarde, são transformadas em excelentes vinhos de sobremesa.

Uma degustação comparativa destes dois vinhos é uma das melhores formas de se aprender sobre os diferentes terroirs e processos de vinificação.

Para não deixar nenhuma ponta solta, a Pinot Blanc trilha um caminho diferente. Muito empregada em cortes de vinhos brancos, principalmente com a Chardonnay, aparece com frequência na elaboração do Champanhe e de outros espumantes como o Franciacorta e o Crémant d’Alsace. Quando vinificada sozinha, produz um vinho com notas defumadas e levemente amaras. É o vinho do dia a dia na Alsácia.

A família das Pinot se espalhou por todos principais países produtores de vinho. Mas a fama dos vinhos elaborados na Alsácia e Alto Ádige ainda não foi superada.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: para começar a degustação comparativa.

p-2Anterra Pinot Grigio

Bouquet delicado e frutado. Sabor elegante, com equilíbrio refinado entre doçura e acidez. Muito gastronômico. Harmoniza com: Camarão, Caranguejo, Carne de porco com ervas, Espaguete ao creme, Peixe empanado e frito, Carne de vitela, Massas ao alho e óleo, pesto e al burro, Peixe de carne branca e fina, Massas à Carbonara, Matriciana e Putanesca.

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Fazendo Vinho em Casa

O texto da semana passado gerou comentários mais preocupados com a possibilidade de vinificar em casa do que com o tema central. Dois leitores usaram a expressão da moda, “ficou louco”, para expressar uma certa incredulidade.

Olhando para a história, vinhos começaram a ser feitos “em casa”, assim como várias outras bebidas alcoólicas como a cerveja, a cachaça e os licores.

Aliás está na moda fazer sua própria “cerva”.

Se imaginarmos que o vinho pode ser explicado, em linhas gerais, como uma cerveja de uva, é perfeitamente possível obter um vinho a partir de um kit de cervejaria doméstica, com pequenas modificações.

Não é nosso intuito ensinar ou mesmo estimular este tipo de vinificação, apenas vamos mostrar que é tecnicamente possível.

Algumas recomendações iniciais são obrigatórias:

1 – Higiene é fundamental. Tudo deve estar estéril. Vários tipos de contaminação são possíveis durante estes processos;

2 – Fermentar um mosto exige cuidados e atenção redobrados. Um pequeno engano pode resultar num tipo de álcool que é venenoso e pode causar danos irreversíveis à saúde de quem o consumir (ex: metanol).

Insisto, muito, que só pode receber o nome de vinho a bebida produzida a partir de uvas viníferas.

Por outro lado, podemos usar, “um vinho”, para definir bebidas alcoólicas obtidas pela fermentação de um mosto qualquer. Se preferirem, “uma cerveja” também seria correto.

Ampliando esta definição, poderíamos obter um vinho a partir de qualquer fruta. Bastaria fermentar o seu sumo, por um período adequado, estabilizar, filtrar, engarrafar e, um dia, degustar.

Para fazer vinho doméstico, aqui no Brasil, ainda enfrentamos uma série de obstáculos para a obtenção dos insumos necessários: uvas; fermentos e outros aditivos.

Em busca de informações sobre este tema, localizei um antigo colega de trabalho, Vincenzo Bruni, que sempre me relatava as peripécias de sua família para, anualmente, fazer seu próprio vinho.

Usavam uvas de mesa, compradas no Rio Grande do Sul e transportadas de caminhão até o Rio de Janeiro. Segundo ele, o dia de iniciar a produção era uma grande farra, com a turma pisando as uvas.

Infelizmente já não fazem mais. Ele nem sabe se o lagar que existia no bairro do Engenho Novo ainda está lá. Lembrou que a última vinificação feita resultou em várias barricas de vinagre, desestimulando novas produções.

Nos países que têm a cultura do vinho, kits para vinificação doméstica são vendidos em lojas especializadas ou pela Internet. Escolhi um para ilustrar este texto:

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Esta caixa contém:

– Suco concentrado de uva.

Algumas opções: Pinot Grigio; Sauvignon Blanc; corte de uvas tintas espanholas; corte de uvas tintas francesas: Syrah, Riesling alemão, Pinot Noir, Cabernet/Merlot, Malbec; Nebbiolo, Cabernet Sauvignon, Zinfandel, entre outras;

– Cavacos ou grãos de carvalho;

– Flavorizantes específicos;

– Fermentos adequados;

– Bentonita para auxiliar na fermentação;

– Antioxidantes como Metabissulfito;

– Sorbato de Potássio, um agente sanitizante;

– Agente clarificador.

Não inclui os equipamentos de fermentação e maturação, garrafas, rolhas etc., que são necessários.

Produz 20 litros de vinho, aproximadamente.

Custo (lá): R$ 180,00 (frete não incluso)

Neste link, uma loja especializada oferece tudo que é necessário:

http://www.the-home-brew-shop.co.uk/

Aqui no nosso país, uma das mais interessantes atividades para vinificadores domésticos é oferecida pela Vinícola Miolo: um curso de Winemaker ou Enólogo amador, assim anunciado:

“Você já pensou em fazer seu próprio vinho? Então não perca essa oportunidade oferecida pelo Projeto Winemakers, da Vinícola Miolo. Durante um ano inteiro você trabalhará no vinhedo, colherá suas uvas, elaborará seu vinho e até criará seu rótulo exclusivo”.

Mais informações neste link: http://www.miolo.com.br/cursos/ (role a tela).

Alunos do primeiro programa da Miolo fundaram a Associação Brasileira de Winemakers.

O site deles – http://www.abwinemakers.org.br/index.html – está repleto de boas informações para quem deseja se aventurar neste caminho.

No exterior, a maioria das faculdades de enologia oferecem cursos de Winemakers, inclusive à distância, alguns deles gratuitos.

Estou louco?

Não, ainda não. Muito pelo contrário…

Vinho da Semana: um branco oriundo de uma casta regional do Marche, Itália, a Pecorino.

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Offida Pecorino de Angelis

Cor amarelo-palha brilhante com reflexos verdeais. Aroma intenso de frutas amarelas maduras, notas florais e boa mineralidade. Em boca se mostra fresco, amplo e agradável, com elegância e boa persistência.
Harmonização: pato, frango, peru, peixes, queijos de cabra e de ovelha.

Compre aqui: http://www.vinhosite.com.br/vinhos-italianos-branco-offida-pecorino-de-angelis/p

Outras ofertas da semana neste link: http://www.vinhosite.com.br/vinhos-da-semana

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