Categoria: Castas (Page 2 of 11)

Spaghetti e molho de tomate harmoniza com Merlot?

São ingredientes simples e corriqueiros. De um lado uma tradicional combinação da culinária italiana. Do outro, um dos mais populares vinhos da região de Bordeaux.

O que poderia dar errado?

Existem diversas maneiras de olhar para esta combinação. A mais simples delas, entender que isto é apenas um embate entre Itália e França, talvez não seja o melhor ponto de partida.

Comecemos pelos tomates, cuja acidez obtida no molho será a peça-chave para equilibrar esta harmonização: não são genuinamente italianos.

Foram trazidos para a Europa no século XVI, pelos conquistadores espanhóis. A então exótica planta, originária das Américas central e do sul, se adaptou perfeitamente em solos italianos e espanhóis.

O macarrão tampouco é 100% italiano. Apesar da lenda que mistura China e Marco Polo, a “pasta”, inclusive nos formatos longos, tem suas verdadeiras origens fincadas no povo árabe.

Já o encontro que resultou no prato em questão, só foi acontecer no final dos anos 1800, na região da Campanha, provavelmente em Nápoles ou Avelino. Coube a um famoso cozinheiro, Ippolito Cavalcanti, publicar a primeira receita desta delícia em 1837: ”vermicelli al pomodoro”.

O nosso caldeirão cultural começa a ferver.

Sobre o vinho, não há dúvidas com relação às origens da casta Merlot: é francesa. Mas ela se difundiu pelo mundo afora e hoje é a segunda uva mais cultivada por produtores de vinho. Existem mais de 40 estilos destes vinhos.

Isto torna a nossa harmonização um pouco mais complicada: não é qualquer Merlot que vai dar certo.

O caldeirão, agora, está em franca ebulição.

Apesar de ser cultivada por toda a Itália, onde produz alguns grandes vinhos, esta combinação não seria a primeira escolha de um nativo.

Levando em consideração as características muito aromáticas deste prato, por conta do “basílico”, a acidez do molho e o perfil levemente adocicado do macarrão, a escolha ideal seria um vinho branco seco, muito aromático e saboroso, fresco, delicado e sedoso, para equilibrar a acidez e harmonizar com o espaguete.

Como esta receita se originou na Campanha, o clássico Fiano di Avellino é a indicação número 1.

Outras possibilidades entre os brancos: Greco di Tufo, Verdicchio dei Castelli di Jesi DOC, Frascatti Superiore Secco e Soave Superiore.

Existem algumas possibilidades entre os tintos: Chianti Classico DOCG, Barbera d’Asti DOCG e Dolcetto d’Alba DOC.

Todos italianíssimos; e o nosso Merlot não entrou nesta pequena lista. Para descobrirmos se existe uma combinação possível com ele, precisamos avaliar alguns diferentes perfis de produtores ao redor do mundo.

Bordeaux é a referência. São vinhos bem estruturados, com taninos presentes, mas domados, com notas mais terciárias: tabaco, alcatrão, madeira. O mesmo pode ser dito, com pequenas variações, sobre os elaborados na Itália e no Chile.

Um outro estilo, apelidado de “vinho de clima temperado”, é o encontrado nos vinhos da Argentina, Califórnia e Austrália. São muito frutados, com taninos sedosos, corpo médio e uma acidez desejável. Fáceis de degustar e uma boa opção para esta harmonização.

Um destaque especial para os nossos Merlot. Embora ainda não sejam reconhecidos internacionalmente, são vinhos com boa personalidade e bem adequados para acompanhar pratos com base em molho de tomates. (vejam a dica de hoje)

Quem diria que tem tanta história por trás de um “simples” Espaguete ao Molho de Tomate”.

Saúde e bons vinhos!

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Dica da Karina – Cave Nacional

Berkano – Merlot Barricas 2022

O projeto da Berkano Premium Wines começou há 10 anos, com estudos de mercado, parcerias e castas. Foi gestado com personalidade e total destaque para a tipicidade da região. Os rótulos produzidos pela vinícola são resultado da maturidade, do tempo e do estudo: uma homenagem ao terroir da Serra Gaúcha. A vinícola possui receptivo em Pinto Bandeira.

O Berkano Merlot Barricas safra 2022 amadurece por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. De cor vermelho rubi, apresenta um equilíbrio entre a fruta e a madeira, com aromas que remetem a cereja, ameixa, framboesa, mentol, baunilha, chocolate, café, caramelo, tostado, especiarias e tabaco.

Na boca, é um vinho macio, redondo, encorpado e persistente, com taninos suaves e acidez moderada. Harmoniza perfeitamente com carnes vermelhas, massas com molhos vermelhos ou cremoso, queijos maduros e pratos condimentados.

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CRÉDITOS: Imagem de abertura obtida por IA

Este é um Prosecco?

A questão que nos foi proposta era um pouco mais sofisticada: “O que é um Prosecco Satèn?”.

Para não deixar nenhuma dúvida, vários esclarecimentos são necessários, o primeiro é uma resposta direta: isto não é um Prosecco, é um Franciacorta.

Ambos são vinhos espumantes, cada um deles de uma diferente região produtora, com regras bem específicas sobre como devem ser elaborados, castas permitidas e, até mesmo, o que deve ou não constar dos rótulos.

Os Proseccos, da região do Veneto, são vinificados preferencialmente pelo método Charmat, com a casta Gelera (mínimo de 85%). As outras variedades aceitas são a Pinot Bianco, a Pinot Grigio e a Chardonnay. Para o rosado, usam a Pinot Nero.

A região de Franciacorta, na Lombardia, próxima à cidade de Brescia, tem uma tradição vinícola muito antiga. As primeiras referências datam de 1277. Naqueles idos, os vinhos não se chamavam “Franciacorta” e nem eram espumantes. Historiadores admitem que este nome derivaria de “francae curtes”, algo como cidades sem impostos, “zonas francas”.

O primeiro espumante ali produzido foi em 1961, por insistência de um jovem Enólogo, Franco Ziliani, que trabalhava para a Casa Berlucchi. O sucesso foi total. Em pouco tempo, mais de 10 produtores lançaram suas versões deste vinho borbulhante.

As regras de produção são bem diferentes das usadas no Veneto. Aqui, as castas permitidas são a Chardonnay (85%), a Pinot Nero (10%) e a Pinot Bianco (5%). Somente para a elaboração do Rosé, usam a Pinot Nero (15%), vinificada separadamente.

O método, obrigatório, é o tradicional, com a segunda fermentação em garrafa. O mesmo utilizado em Champagne.

São vários estilos permitidos, com diferentes graus de doçura: Dosagem zero, Nature, Extra Brut, Brut, Extra Dry, Sec e Demi-sec.

O estilo denominado Satèn tem uma regra particular. Esta palavra, que em italiano, significa “Seda” ou “Sedoso”, tem tudo a ver com o resultado. O que se busca é um vinho mais cremoso, com um perlage bem suave e um teor alcoólico mais baixo.

Será, sempre, um “Blanc des Blancs”, Brut, elaborado a partir de Chardonnay e Pinot Bianco. A pressão atmosférica, dentro da garrafa, deve ficar em torno de 4,5 atm. Os Franciacorta normais, bem como os Champagne e outros espumantes, chegam a 6 atm.

Estas características, que o colocam numa categoria muito especial, abre um interessante leque de harmonizações: risoto de aspargos e radicchio, sushi, pratos de arroz com frutos do mar, frituras leves de vegetais ou carnes brancas, presuntos curados ou crus, além de queijos não maturados.

Pode ser servidos como um aperitivo, preparando as papilas gustativas para outras delícias.

Sua coloração tende para o amarelo palha, com reflexos esverdeados. O perlage é muito fino e delicado, trazendo uma sensação sedosa no palato. Aromas de frutas maduras, flores brancas, amêndoas e avelãs. Muito equilibrado com boa acidez.

Saúde e bons vinhos!

Entendendo o vinho Madeira

Num recente encontro para degustar vinhos, na abertura, servimos um belo Madeira, o Blandy’s 5 anos, Verdelho, demi-sec.

Normalmente, o vinho inicial é um branco, seja tranquilo ou espumante. Desta vez, resolvemos inovar. Alguns dos confrades nunca haviam degustado este outro fortificado português, muito versátil.

Estava deliciosos, mas o comentário geral era: “parece um Porto”.

Isto chamou a nossa atenção, afinal, existem marcantes diferenças entre um e outro. Embora estejam dentro de uma mesma categoria, a dos fortificados, são produtos de origens e estilos bem diferentes.

Aqui estão algumas destas características, que nos permitem identificar um Madeira:

1 – São vinhos de uma região demarcada, a ilha da Madeira, não sendo possível produzi-lo em nenhum outro local;

2 – As principais castas utilizadas são as brancas, Sercial, Verdelho, Malvasia e Boal, além da Tinta Negra. Sua coloração tende a ser mais clara.

3 – No processo de amadurecimento destes vinhos, é adotada a técnica de “estufagem”: os cascos de madeira de carvalho são mantidos em ambientes aquecidos e muito úmidos, permitindo, deliberadamente, uma oxidação do produto. Isto se traduz numa maior complexidade.
Como referência, outros vinhos, inclusive o Porto, são mantidos em caves frias durante este período.

4 – São quatro estilos básicos, caracterizados pela casta principal: Sercial (seco), Verdelho (demi-sec), Boal (meio doce) e Malvasia (doce).

5 – Em comparação direta com o vinho do Porto, os Madeira apresentam uma maior acidez, por conta dos solos vulcânicos onde as uvas estão plantadas. Um bom Madeira tem um equilíbrio perfeito entre este fator e sua doçura.

6 – Em termos de aromas e sabores, a paleta predominante fica entre frutas secas ou tostadas, figos, casca de laranja e notas cítricas. A título de comparação, os vinhos do Porto mostram frutas negras ou vermelhas, chocolate, canela, ameixa etc.

7 – Madeira e Porto apresentam teor alcoólico mais alto que os vinhos tradicionais, ficando entre 16º e 21º. Bebam com moderação.

8 – Os Madeira são considerados “eternos”. Mesmo depois de abertos, se bem armazenados, duram entre 6 meses e um ano.

9 – As garrafas de Madeira devem ser guardadas na vertical, ao contrário das de vinho do Porto, que devem permanecer deitadas.

10 – Com relação a harmonização, estes vinhos são muito versáteis. Seus quatro estilos básicos nos permitem uma ampla escolha de alimentos e formas de cocção: queijos, peixes e frutos do mar, vegetais, charcutaria, aves e algumas carnes vermelhas.

O Madeira consegue preencher algumas lacunas, na gastronomia, que outros vinhos têm dificuldades em satisfazer. Por exemplo, alcachofras, aspargos, pratos picantes e até mesmo a complexa culinária asiática.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Dom Bernardo – Gradevole Pinot Noir 2022

A Vinícola Dom Bernardo é uma empresa familiar iniciada em 2013. Atualmente produz em torno de 20.000 garrafas anuais. Sua história inicia no final do século XIX, quando o patriarca da família, Bernardo Batistelo, deixou para trás sua querida Itália, partindo da região do Vêneto em busca de uma nova oportunidade. Foi com a segunda geração da família que, em 2008, a família iniciou o processo de melhoramento das videiras e dedicação à produção de vinhos nobres.

O Dom Bernardo Gradevole Pinot Noir 2022 possui maturação de 8 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso. De coloração rubi clara, límpido e brilhante, no nariz apresenta notas de frutas vermelhas maduras, como morango maduro e groselha vermelha. Também especiarias discretas e elegantes, como cravo-da-índia e anis estrelado, além de baunilha proveniente da barrica de carvalho. Notas de tostado, defumado e chocolate intenso. Após aerar por cerca de 30 minutos, surgem notas de goiabada cascão.

Um vinho seco, de médio a encorpado, com acidez média para alta. Tanino presente e maduro, álcool alto mas bem integrado com a concentração de corpo e fruta. Final persistente e quente.

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Castas Exóticas

Todos conhecemos as “uvas nobres”. Para quem não se lembra, é um pequeno grupo, composto atualmente por sete castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Riesling.

Receberam este apelido por múltiplas razões. Para os especialistas, são as castas que melhor traduzem o “terroir” onde foram plantadas, quando transformadas em vinho.

Por analogia, castas “exóticas” seriam aquelas que não se enquadram neste conceito de “nobre”.

Certo? Não, não é bem assim.

Existem milhares de uvas dentro da espécie “Vitis Vinifera”, que são as mais adequadas para a elaboração dos vinhos. Neste amplo grupo, vamos encontrar algumas varietais que, por cruzamentos naturais, deram origem a outras viníferas. Existem, também, castas que foram criadas pela mão humana.

A fabulosa Cabernet Sauvignon é um ótimo exemplo de um cruzamento natural e a sul-africana, Pinotage, o melhor exemplo de uma varietal criada pelo homem.

As castas chamadas exóticas têm uma outra definição: é um grupo de uvas que nunca ficou popular, como as nobres ou levaram muito tempo a serem reconhecidas como excelentes.

Sem pretender esgotar o assunto, aqui está uma pequena relação delas.

1 – Tannat

Esta casta, nascida no País Basco, quase não poderia ser considerada neste grupo, por conta do seu sucesso no Uruguai, onde se tornou uma uva icônica. Seus vinhos são robustos, muito tânicos. Foi preciso muita pesquisa para domá-la e produzir vinhos que se tornaram um sucesso. Par perfeito para um cordeiro na brasa.

2 – Carménère

Uma casta que se tornou uma referência, no Chile. Considerada extinta em sua região de origem, Bordeaux, durante a epidemia da Filoxera, ficou escondida em vinhedos chilenos de Merlot, até ser redescoberta, em 1994, pelo Ampelógrafo, francês, Jean-Michel Boursiquot. Seus vinhos de coloração escura, trazem notas bem características, como as pirazinas (pimentão), exigindo cuidados adicionais para que não se sobreponham.

3 – Malbec

Pode parecer estranho, esta casta já deveria fazer parte das nobres. Qualquer especialista sabe: nenhuma outra uva traduz tão bem o terroir onde está plantada. Seus vinhos, principalmente os elaborados na Argentina, confirmam isto. Na França é conhecida por outros nomes: Cot, Auxerrois, Pressac e Noir de Pressac. Dizem que o apelido Malbec teria origem na expressão francesa “mal bec”, ou “ruim de bico” numa tradução quase literal.

4 – Alvarinho/Albarinho

A grande casta branca do norte de Portugal e da Galícia, nunca foi muito respeitada. Isto só mudou quando os métodos de plantio e de vinificação foram modernizados. Hoje, os brancos desta castas, sejam portugueses ou galegos, rivalizam com os famosos brancos alemães. Vinhos perfeitos para acompanhar peixes e outras delícias do mar.

5 – Vermentino

Uma rara casta que transita entre Itália e França, onde é conhecida como Rolle. Vinhos com boa acidez, aromas florais e paladares que vão das frutas brancas com caroço até as cítricas.

6 – Grüner Veltliner

A clássica casta austríaca, capaz de produzir vinhos memoráveis. A combinação de aromas e sabores, que equilibram maçãs verdes e pimenta branca é particularmente marcante.

Podemos incluir, ainda, as seguintes castas tintas: Nero d’Avola e Aglianico, da Itália, a grega Xinomavro, a Saperavi, da Georgia, além da espanhola Mencia, que anda na moda. Seus tintos são de muita personalidade, com aromas florais e paladares de frutas vermelhas. Muito minerais. Prefiram os da região de Bierzo.

Para não deixar o ponto sem nó, a dica de hoje traz mais uma “exótica”, a casta Palava, de origem tcheca.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Berra & Corbelini – Palava

Em 2021 três amigos, de famílias com mais de 140 anos de tradição no cultivo de uvas, decidiram apostar no cultivo de uvas exóticas para uma produção de vinhos únicos. A propriedade da família está localizada na Linha 130 da Leopoldina, no interior do município de Santa Teresa e possui nove hectares de parreirais com cerca de 20 tipos de variedade de uva. A produção é toda artesanal e tem garrafas limitadas, são produzidas cerca de 200 garrafas por variedade por safra. No portfolio vinhos varietais como Montepulciano, Saperavi e a Palava.

O Berra & Corbelini Palava é um varietal feito desta uva de origem tcheca, que nasce de um cruzamento de outras uvas brancas da Europa Central (possivelmente da Traminer com a Muller Thurgau). Um vinho de visual amarelo palha com reflexos dourados e aroma de frutas em calda, mel, própolis e toque floral. Excelente volume de boca e equilíbrio entre acidez e estrutura. Perfeito para harmonizar com pratos leves, peixes e aves.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Foto de Suzy Hazelwood no Pexels

Quais são as castas internacionais?

O berço da maioria das castas usadas na vinificação é o Velho Continente. Muitas se espalharam por todos os lados, transcendendo suas origens.

Alguns nomes são bem conhecidos, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Merlot, Pinot Noir, Malbec, Riesling e mais um punhado delas. Basta consultar a Carta de Vinhos de um restaurante em qualquer outro país, que elas vão estar lá.

Não é difícil entender as múltiplas razões pelas quais estas uvas resolveram se tornar “globe-trotters”. Destacam-se a constante busca por inovação e por terroirs mais adequados, além das tentativas de “copiar o original”, feitas por vinhateiros ao redor do mundo.

Um dos melhores exemplos, atualmente, é o sucesso da Malbec, cultivada na Argentina. Seus vinhos conquistaram o paladar dos consumidores de qualquer Continente, ao contrário dos produtos da sua região de origem, Cahors, na França. São dois vinhos bem distintos, numa comparação direta.

Outra boa história pode ser contada através da Sauvignon Blanc. Originária da região de Bordeaux, se espalhou pelo mundo produzindo, em cada nova região, vinhos tão ou mais espetaculares que os “originais” (há controvérsias). Mas não se pode falar desta casta sem mencionar os néctares que são elaborados na Nova Zelândia. Para os brasileiros, outro país que produz Sauvignon Blanc, que acerta com o nosso paladar, é o Chile.

A Syrah, uma casta que está levando a nossa produção de vinhos para um outro patamar, tem suas raízes no Vale do Rio Ródano, França. Um dos primeiros terroir, fora de seu país de origem, ao qual se adaptou de forma maravilhosa, foi na Austrália.

Por conta de uma criteriosa pesquisa, um cientista brasileiro, Murillo de Albuquerque Regina, desenvolveu um método que permitiu que esta e algumas outras castas, pudessem ser cultivadas em climas mais tropicais, como no nosso país. Ficou conhecido como “dupla poda”. Esta técnica faz com que a videira inverta seu ciclo, permitindo a colheita no inverno. No ciclo normal a colheita seria no verão.

Outras duas varietais que tiveram sucesso fora de suas origens são a Pinot Noir e a Chardonnay, ambas da Borgonha.

A Pinot é considerada como uma casta de difícil cultivo, enquanto a Chardonnay sempre foi muito versátil. Os vinhos desta casta branca elaborados na Califórnia, EUA, rivalizam diretamente com os melhores Crus da Borgonha.

Um fato bastante interessante é que o nosso país é um bom produtor de Pinot Noir, principalmente na região de Garibaldi, RS, onde é vinificada em branco, para a elaboração dos nosso espumantes, junto com a Chardonnay.

Vinho e ritos religiosos sempre tiveram uma ligação muito estreita. Muito antes destas famosas castas se disseminarem, houve uma que foi a pioneira, trazida pelos missionários que vieram para o Novo Mundo. O objetivo era elaborar o vinho de missa.

Esta quase esquecida uva, recebeu diversas denominações, conforme o lugar onde foi plantada. Originalmente, é uma casta denominada Listan Prietro, originária das ilhas Canárias.

Na América do Sul é conhecida como País (Chile) ou Criolla Chica (Argentina). Na América do Norte é chamada de Mission.

Ficou muito tempo desprezada, até que as mudanças climáticas fizeram com que a atenção de alguns produtores se voltasse para aqueles vinhedos sem importância. Eles estavam firmes e fortes apesar de tudo.

Nossos vizinhos estão produzindo excelentes vinhos com esta pioneira das viagens internacionais. Na Califórnia foi uma das castas mais plantadas até o início do século XIX, quando outras cepas europeias foram introduzidas.

Infelizmente, está quase extinta na sua região de origem.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Luiz Argenta – Ripiano 2024

Em 1999, os irmãos Deunir e Itacir Neco Argenta adquiriram a histórica propriedade que pertencia à antiga Granja União, local pioneiro na produção de vinhos finos no Brasil.  Em 2009, ficou pronta a Vinícola Luiz Argenta, em homenagem ao patriarca da família.

A Luiz Argenta cultiva atualmente 55 hectares de videiras e é uma das mais belas e modernas vinícolas brasileiras. Localizada em Flores da Cunha, a cerca de 60 km de Bento Gonçalves, produz vinhos e espumantes de altíssima qualidade. O Luiz Argenta LA Jovem Ripiano leva esse nome por ser um corte de 25% Riesling (RI), 50% Pinot Noir (PI) e 25% Trebbiano (ANO) e conta com Indicação de Procedência (IP) de Altos Montes. Um vinho de coloração amarela com reflexos esverdeados, aromas intensos de flores brancas, com leve toque frutado de pêssego, pera e anis.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de jcomp no Freepik.

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