Page 101 of 153

Fraudes, enganos e trapaças no vinho

O tema desta coluna é inspirado na questão colocada pelo leitor João Carlos Cavalcante:

“Tenho uma curiosidade que surgiu num papo com amigos. Você já teve conhecimento de algum vinho que declara uma determinada uva e na realidade ele foi feito com outra”?

Como em qualquer outro tipo de comércio, onde sempre há negociantes inescrupulosos que não hesitam em falsificar algum produto em busca de um lucro fácil, o mundo do vinho não foge à regra. Vários tipos de falsificações são possíveis, passando pela simples troca de rótulos até elaborados esquemas de forjar garrafas de vinhos míticas para serem colocadas em leilões e vendidas por pequenas fortunas.

O mais famoso falsário da atualidade é Rudy Kurniawan, natural de Jacarta, Indonésia, que alegava ter, em 2007, a maior adega do mundo. Aparentemente tudo era falso. Está preso, seu golpe foi desmascarado. Agia em conluio com certificadores das mais renomadas casas de leilão da Europa e EUA.

Falsificar vinhos é uma prática muito antiga. Plínio, o Velho, reclamava que na Roma antiga era impossível distinguir o bom vinho romano das diversas adulterações que eram colocadas à disposição da classe governante.

Na idade média era comum venderem “gato por lebre”. As tabernas londrinas foram proibidas de estocar vinhos de diferentes origens numa mesma adega (eram vendidos em barricas) para evitar que um consumidor fosse enganado ao comprar um vinho francês ou alemão, por exemplo.

As penas para quem fosse pego vendendo um vinho adulterado eram severas e podiam variar desde a obrigação de beber todo o estoque até ser enforcado. Dureza!

Ao longo do tempo foram criadas diversas legislações e mecanismos de controle que tentavam manter a produção e comércio vinícola sobre boa vigilância, mas nem assim foi possível eliminar totalmente o comerciante inescrupuloso.

Um fato interessante que ressalta a dificuldade em controlar isto tudo é lembrar que durante muito tempo era proibido adicionar aguardente de uva aos vinhos. Hoje está técnica é a que produz os  vinhos fortificados. O Porto é o mais famoso deles.

Um dos método mais simples de alterar um vinho é adicionar água ao produto final. Alguns produtores ainda adotam, conscientemente, esta prática que, dentro de certos parâmetros, é aceita por legislações locais.

O próximo truque é a manipulação dos rótulos. Tipicamente o rótulo de um vinho caro é colocado numa garrafa de vinho barato. Imaginem que, com a tecnologia disponível hoje, é possível imprimir um rótulo de Château Petrus ou de Romanée–Conti, em casa.

frau 1

Conhecido como o mais hábil falsificador de rótulos, Hardy Rodenstock, cujo nome verdadeiro seria Meinhard Görke, era muito audacioso e promovia grandes degustações que incluíam renomados nomes como Parker e Robinson. Dois episódios o tornaram muito famoso, o que permitiu descobrir suas manobras:

– Uma vertical de 125 safras de Château d’Yquem, a mais antiga era de 1784;

– As famosas garrafas que seriam da adega de Thomas Jefferson, quatro unidades de Châteaux Lafite & Branne-Mouton (hoje Château Mouton-Rothschild) safras 1784 e 1787. Falsificações tão impressionantes que se discute, até hoje, a sua autenticidade, mesmo depois de exposta a fraude…

Outra manipulação muito comum é o corte com outros vinhos que não seriam permitidos em algumas regiões. O Objetivo é obter um maior volume e uma qualidade aceitável. Um famoso episódio foi chamado de Brunellogate quando descobriram a adição de outras uvas, que não a Sangiovese, na elaboração do ícone italiano Brunello di Montalcino, se tornando um escândalo que chegou ás páginas de todos os grandes jornais do mundo e abalando a confiança do consumidor final. Um estrago de grandes proporções.

A solução foi aceitar este vinho, que era muito bom, sob uma denominação genérica de “Rosso di Montalcino”.

Na mesma linha, mas feito de forma consciente e aceita por todos, está na produção de vinhos que foram chamados de “super-toscanos”: basicamente um Chianti, incrementado com corte de vinhos obtidos a partir das famosas castas bordalesas, Cabernet Sauvignon, Merlot, entre outras.

O sucesso foi grande, mas só poderiam ser vendidos como vinho de mesa, a escala mais baixa das denominações italianas. Com o passar do tempo e a enorme aceitação destes fabulosos vinhos especiais, acreditem, a Itália mudou a legislação e hoje o tradicionalíssimo Chianti pode receber corte de outras uvas não italianas.

Como se nada disto fosse suficiente, existem outras fraudes consideradas perigosas. São mais comuns do que se imagina e ocorrem quando o produtor resolve adicionar, artificialmente, alguma característica ao seu vinho que não foi obtida na vinificação.

Acetato de chumbo, Dietilenoglicol, Arsênico e Metanol são substâncias perigosas para a saúde que podem ser encontradas em vinhos produzidos para dar lucro, apenas. Felizmente o controle destas substâncias tem sido bastante efetivo e práticas como estas ficam mais difíceis de serem usadas atualmente.

Para que os leitores fiquem mais tranquilos, a grande maioria dos fraudadores busca o mercado de alto nível e não o nosso vinho de todo o dia.

Bons vinhos, saúde!

Vinho da Semana: sem fraude…

frau 2

Torcello Tannat 2014

Eleito como MELHOR TINTO na degustação às cegas do Encontro de Vinhos 2016, etapa RJ.

Vinho de aroma frutado com um leve toque de madeira.

Paladar frutas bastante maduras, com um toque do doce da uva, macio com um final prolongado.

 

A Variedade é o Tempero da Vida

Um dos mais assíduos leitores desta coluna, Sergio Pirilo, de Vitória, ES, colocou uma interessante questão, a propósito dos temas Outras Castas Sul Americanas e Sobre o Nome das Uvas. Reproduzo, a seguir, um pequeno trecho de seu comentário:

“Já entendi que a mesma uva, em diferentes terroirs e com diferentes vinificações têm sabores diferentes. Isso não provaria uma tese que um amigo insiste em tentar provar: o que importa não é a uva e sim o processo de vinificação?”

Para responder com exatidão seria necessário entrar em temas muito técnicos que não são o escopo destes textos sobre o vinho. Vários e importantes conceitos estão envolvidos nesta questão que abrangem desde o cultivo de uma determinada casta, passando pelos diversos métodos de vinificação e terminando no que o enólogo pretende atingir ao fim de todo o processo. Vamos tentar simplificar.

Para início de conversa, a tese do amigo de Sergio Pirilo está errada. Para explicar de modo simples, vou usar um axioma da informática, outro assunto que dominamos e sobre o qual escrevemos, por um bom tempo, para O Boletim.

A pequena sigla, GIGO, abreviatura para a expressão, em inglês, Garbage In, Garbage Out, é usada para explicar falhas no desenvolvimento de um sistema: se os seus dados são ruins, o seu resultado também será.

Isto vale para uvas e vinhos também: se a matéria-prima não tem qualidade, o produto final também não terá. Pode manipular à vontade, nunca será nada de qualidade que, na nossa opinião, possa receber o rótulo de Vinho.

Tudo começa no vinhedo, ou como preferem alguns autores, “terroir”, um conceito de difícil entendimento englobando solo, clima, meio ambiente, e outras características locais, atualmente sendo muito questionado.

Um dos mais famosos enólogos, Emilie Peynaud (Bordeaux) acreditava que o homem não fazia parte do “terroir”, mas a combinação dos dois gerava um grande vinho.

Por esta razão, nenhum Enólogo trabalha sozinho, há sempre um Agrônomo como seu “ala”, que vai ajudar na primeira e mais importante decisão a ser tomada na hora de vinificar: a uva está no ponto de ser colhida?

A resposta vai depender do que se deseja obter como produto final, por exemplo: colhe-se mais cedo para produzir um espumante e bem mais tarde para se obter um vinho licoroso. Entre um ponto e outro, uma mesma cepa pode produzir vinhos de características bem diferentes. Tudo vai depender de ajustes nas principais etapas do processo de vinificação.

Já estamos vendo leitores perguntando: não basta fermentar e pronto?

Não!

Além da escolha do ponto de colheita da uva, sempre associada ao resultado pretendido, o vinho passa por diversos processos: separação ou não dos bagos, prensagem ou outro método que rompa os grãos, maceração, fermentação, conversão malolática, etc.

Vamos explorar apenas um destes processos, a Maceração, de onde os vinhos tintos obtêm cor e tanino (compostos fenólicos e antocianinas). Macerar significa deixar cascas, sementes e talos em contato com o mosto, por um determinado tempo.

var 1

Três diferentes métodos estão em uso atualmente: Longa, a Frio e Carbônica. (Existem outros)

Cada um produzirá resultados diferentes e deve ser feito antes ou durante o processo de fermentação. Para encerrar esta etapa basta remover as cascas, sementes e os talos.

O processo longo, muito tempo de contato inclusive durante a fermentação, é o mais tradicional. Sua versão curta é usada, por exemplo, para os vinhos rosés.

A denominada “a frio”, sempre precede a fermentação e é usada para permitir ao Enólogo, total controle sobre o que vai resultar: a baixa temperatura (-12ºC) inibe a atuação das leveduras.

A Carbônica é um processo bem diferente. Os cachos, inteiros, são submetidos a um ambiente saturado de dióxido de carbono (CO2) forçando o início da fermentação através de enzimas próprias da uva, de dentro do grão para fora.

O importante é compreender que um destes processos é o ideal para determinada casta e para o tipo de vinho que se deseja obter, e não o oposto como sugere a tese exposta no início. As receitas são únicas e não tem sentido usar a casta A com a receita da casta B: GIGO

Se as uvas forem deixadas sozinhas, seu produto será vinagre, se o homem intervir corretamente, será vinho.

A variedade, de castas e vinhos, é o tempero da vida.

Saúde!

Vinho da Semana: um bom tinto italiano.

Centine IGT 2013

var 2

Aromas de frutas vermelhas e negras maduras, toques minerais e defumados. No paladar o vinho possui médio corpo, com taninos redondos e sedosos, além de bom frescor e final de boca macio e persistente. Acompanha bem carnes vermelhas grelhadas ou assadas com molhos médios. Massas e legumes (principalmente berinjela) com molhos à base de tomate e queijos de média maturação.

Sobre o nome das uvas (algumas)

Cas 1

Este texto decorre do comentário do leitor Aloisio Mancini, de Florianópolis, postado no site do O Boletim, na semana passada. Em poucas palavras, ele questiona qual a origem do nome das castas mais conhecidas. Haveria alguma razão em especial?

Assim como a origem das atuais uvas viníferas ainda é uma incógnita que vem sendo dissecada por diversos centros de pesquisa, a etimologia de seus nomes segue o mesmo caminho, muito difícil de trilhar, por onde se misturam lendas, sabedoria popular e verdades.

Até onde conseguimos pesquisar, a maioria das castas que conhecemos hoje e apreciamos seus vinhos tem mais de um nome, às vezes dentro de uma mesma região. O normal é que uma determinada planta ganhe novos apelidos conforme vai sendo plantada em outras regiões. Mas algumas poucas variedades se mantêm fiéis ao nome que as tornaram famosas, Cabernet Sauvignon e Merlot, por exemplo.

No século XVII a Cabernet era conhecida como Vidure ou Bidure e às vezes Biturica (este talvez tenha sido o vinho produzido com ela). Estudiosos como Jancis Robinson acreditam que este termo seja uma deturpação de “vigne dure” literalmente “parreira dura”, numa alusão ao rígido tronco desta planta.

A mudança para o nome atual teria surgido por uma razão específica: os aromas eram semelhantes aos da Cabernet Franc e aos da Sauvignon Blanc, fato que seria confirmado, em 1976, através de testes de DNA.

A Merlot ganhou seu nome por semelhança a um pássaro, o Melro, tão preto quanto a casa desta uva. Literalmente Merlot é um diminutivo de Melre (francês). Dependendo da região onde está plantada, recebe 60 outros apelidos, todos girando em torno do pássaro ou por semelhança com outras castas.

Isto sugere uma regra básica: a maioria destas denominações tem origem na cor, na forma, no tempo de amadurecimento, na região onde florescem, etc…

Um dos exemplos mais interessantes é a casta Tempranillo, que vem de “temprano” ou cedo em espanhol: ela amadurece precocemente, antes das outras uvas plantadas nas mesmas regiões. Na própria Espanha ganha outros nomes: Tinto Madrid; Tinto de La Rioja; Tinta del País; Tinto de Toro e Tinto Aragónes. Uma corruptela deste último nome, Aragonês, é um dos nomes como é conhecida em Portugal na região do Alentejo. O outro nome é Tinta Roriz, no Douro. Na Califórnia é Valdepenas e na Itália se chama Negretto.

Outra casta que foi batizada por ser precoce é a italiana Primitivo (que vem primeiro…). Mas não tem nenhuma relação com seu nome original, na Croácia, Crljenak Kaštelanski (Uva Tinta de Castela) ou a denominação californiana, Zinfandel, atualmente reduzida para “Zin”.

Outro exemplo formidável é a uva icônica da Itália, a Sangiovese. Seu nome vem do latim, “sanguis Jovis”, livremente traduzido como “Sangue de Júpiter”. Esta denominação teria sido cunhada pelos monges da comunidade de Santarcangelo di Romagna, atual província de Rimini, na Emilia-Romagna.

Dependendo da região italiana onde está plantada recebe diferentes nomes, eis alguns deles: Sangiovese Grosso, San Gioveto, Prugnolo, Brunello, Calabrese, Uvetta, Montepulciano etc…

Quando se trata de uvas autóctones, Portugal é o campeão dos nomes e apelidos. Há casos icônicos como o da uva branca Fernão Pires, uma das mais plantadas no país nas regiões do Tejo, Lisboa e Setubal, mas, quando chega na região da Bairrada muda de nome (e sexo) passa a ser chamada de Maria Gomes.

Outra lenda deliciosa se refere a uva Antão Vaz, importante casta branca alentejana. Segundo alguns historiadores, um antigo fazendeiro da região de Vidigueiras, era frequentemente questionado por um dos seus empregados sobre uma uva branca sempre esquecida: Por que não fazemos vinho destas uvas?

E isto se repetiu por muitos anos até que, um dia, o fazendeiro já cansado de tanta arenga respondeu: “Então faz”! (Lembrem-se do sotaque…)

Anedótico, sem dúvidas, mas um perfeito espelho de como são apelidadas as castas viníferas.

Bons vinhos e saúde!

Vinho da Semana: um belo rose para o Dia das Mães

vin

Hecht & Bannier – Côtes de Provence 2014

Os rosados da Provence, de coloração leve e de sabor profundo, são os mais festejados da França. Esta interpretação é simplesmente deliciosa. Fresco e repleto de notas de frutas é uma das escolhas mais charmosas.

Castas: Grenache, Cinsault e Syrah

Harmonização: Aperitivos, massas leves, peixes e frutos do mar.

Outras Castas Sul Americanas

uv-1

Malbec, Carménère e Tannat são mais que conhecidas por qualquer enófilo, seja iniciante ou experiente. São as estrelas dos tintos da América do Sul, verdadeiros ícones em seus polos produtores: Argentina, Chile e Uruguai.

Sempre em busca de novos caminhos, as principais vinícolas do cone sul começaram, curiosamente, a olhar para trás para desenhar um novo futuro. Castas que foram as mais plantadas, 100 anos atrás, e andavam esquecidas, ganharam uma nova vida, na mão de hábeis agrônomos e enólogos, entregando vinhos muito interessantes: País, Bonarda e Cariñena.

A casta País, também chamada de Mission, Criolla Chica e Negra Peruana, foi a primeira vitis vinífera trazida para o continente americano em 1520, segundo alguns autores, por Hernán Cortés. Ainda no século 16, missionários que a plantaram no México com o propósito de produzir o vinho de missa, expandiram suas fronteiras tanto para o norte (EUA) quanto para o sul (Peru, Chile e Argentina).

Durante muitos anos foi a uva mais plantada no Chile até ser suplantada pela Cabernet Sauvignon, já no final do século XX e início do século XXI. Esta varietal sempre produziu um vinho rústico, com pouco corpo e baixa acidez. Típico vinho de garrafão.

O seu renascimento se deve aos vinicultores que decidem reviver antigas técnicas de vinificação, empregando metodologias modernas, processo apelidado de “natural”: agricultura orgânica, um mínimo de intervenções em toda a elaboração e produções minimalistas. Resultou em alguns vinhos dignos de atenção: notas rústicas de frutas e aromas florais. Outros produtores preferiram empregar as mesmas técnicas de elaboração do Beaujolais, obtendo ótimos resultados.

A Miguel Torres, importante vinícola chilena, elabora um excelente e premiado espumante com esta casta, o Santa Digna Estelado Rosé.

uv 2

A casta Bonarda, conhecida em outras regiões como Charbono, Corbeau ou Douce Noir, também já foi a mais plantada, neste caso na Argentina, até ser deixada para trás por outras variedades, principalmente a Malbec.

A origem desta uva é muito antiga, existem registros do seu plantio pelos Etruscos há cerca de 3.000 anos, na região da Savóia, Itália. Chegou ao nosso continente pelas mãos dos imigrantes italianos: queriam fazer seu próprio vinho. Com o passar dos anos, foi relegada a segundo plano produzindo, apenas, vinhos de baixa qualidade vendidos em garrafões.

Vinificada da mesma forma que sua irmã maior, a Malbec, entregava vinhos com sabores marcantes, intensos e frutados, quase uma geleia. Foi preciso ajustar os processos de vinificação para que se obtivesse vinhos mais sérios e que atraíssem o consumidor final.

Macerações mais curtas utilizando cachos inteiros produziram vinhos mais leves e elegantes, perfeitos para o dia a dia. Plantada em terroirs selecionados, como o Vale do Uco, e vinificada nos modernos ovos de concreto, resultou em vinhos de alta qualidade e muito disputados, apesar de sua pequena produção e preço elevado.

Assim como a País, também produzem um bom espumante com a Bonarda. Mas o destaque fica para os vinhos de ponta, Zorzal Eggo Bonaparte Bonarda, El Enemigo Bonarda e Zuccardi Serie A Bonarda.

uv 3

A casta Carignan ou Cariñena é muito conhecida na Espanha e na França onde se junta com as uvas Grenache, Syrah e Mourvedre para produzir os famosos vinhos do Langedoc-Roussillon. A curiosidade fica por conta da sua existência no Chile, Argentina e Uruguai onde começam a se destacar com vinhos interessantíssimos.

No Chile foi plantada, originalmente, para dar mais estrutura aos vinhos elaborados com a País. São cerca de 700 hectares. Na Argentina encontramos apenas 80 ha e no Uruguai 485 ha.

Tipicamente uma uva usada em cortes, em 1995 o enólogo chileno Andrés Sanchez, da Gillmore, colocou no mercado um varietal e logo foi seguido por outras vinícolas. Para ajudar na divulgação deste novo estilo de vinhos, formaram o Clube da Carignan, reunindo as vinícolas Odjfell, De Martino, Torres, Valdivieso, Undurraga, Meli, Bravado Wines, Santa Carolina, Via Wines, Garage Wine, Canepa, Covica, Gillmore e Morandé, com o objetivo de elaborar vinhos de 1ª linha.

São vinhos especiais, de pouca produção e preços elevados, sejam eles varietais ou cortes onde predomina a Carignan. Argentina e Uruguai utilizam esta casta em cortes, mas já começam a aparecer alguns vinhos Premium com 100% desta preciosa uva.

Bons vinhos, saúde!

Vinho da Semana: um Carignan chileno com boa relação custo x benefício.

uv 4Canepa Genovino Carignan – 2010

Aromas complexos com frutas vermelhas e negras maduras, notas de baunilha e especiarias. Paladar rico, elegante, com estrutura firme, final longo e persistente.

Harmonização: Risoto de cogumelo fresco, pato assado com molho de ameixa, massas recheadas com molho rôti, queijos fortes e cordeiro.

Qual o seu “guru” vínico?

guru 2

Existem diversos críticos de vinhos, quase que um para cada tipo de gosto pessoal. Recentemente mencionamos Stephen Tanzer, que enfatiza a “finesse” de um vinho em suas análises. O conhecido Robert Parker ficou famoso por ter o seu estilo de vinhos associado ao gosto do público norte-americano.

Publicações especializadas preferem avaliar vinhos através de painéis de degustadores, afinal vivemos em grupos e esta opinião coletiva pode ser mais significativa que a de uma única pessoa.

Isto nos faz pensar na influência dos fatores subjetivos presentes numa degustação e nas razões que nos levam a transformar uma determinada opinião em verdade absoluta. Pode ser desde a sugestão do vendedor da loja de nossa confiança, passando pela de um Sommelier de um restaurante sofisticado ou até a do crítico ou publicação especializada que elegemos como nosso Guru.

Qual opinião vai estar menos sujeita a estes fatores subjetivos?

Algum leitor já se deu conta que cada degustador, inclusive nos mesmos, tem limitações de olfato e paladar que o leva a identificar mais facilmente uma gama de aromas e sabores em detrimento de outras?

Por esta razão, nem sempre o que está descrito numa ficha técnica de um vinho é identificado ou compreendido pelo consumidor final: não temos a combinação de olfato e paladar treinados para perceber aquelas nuances.

Um defeito clássico, como o TCA (Tricloroanisol), pode passar despercebido se o degustador não tiver sido informado do que se trata e como identificá-lo. Há pessoas que acham que este aroma faz parte da bebida e a degustam como se isto fosse o normal (cheiro de rolha mofada).

Compreender, em toda a sua dimensão, o que um crítico afirma ser um vinho equilibrado ou seco ou ainda oxidado pode ser uma tarefa hercúlea. O quadro pode ficar mais complexo se encontramos, nas nossas leituras e observações, opiniões conflitantes sobre um mesmo produto.

Isto é mais comum do que aparenta. Para nos defendermos desta enxurrada de opiniões “especializadas” (esta coluna inclusive) é necessário utilizar novos filtros, não bastando ter boca e nariz treinados. Nem mesmo numa degustação em grupo pode haver consenso.

Para começo de conversa, nenhum crítico, por mais famoso e poderoso que seja, deve ser tratado com um Deus. São apenas humanos e falíveis como qualquer outro habitante deste planeta. O mesmo raciocínio se aplica aos grupos de críticos.

O que precisamos fazer é ajustar o nosso gosto a um perfil de informações que seja fácil de conseguir e que realmente acompanhe a evolução do mercado de vinhos. A nossa satisfação vem em primeiro lugar, sempre.

Não existem regras fixas para isto. O que funciona para um pode não funcionar para outro. Obviedades se destacam, ler e degustar talvez seja a mais importante delas.

Escolham um Guru e mantenham-se fiéis a ele até sentirem confiança para buscar outros caminhos. Só assim vai se absorvendo o jargão próprio e moldando o nosso entendimento com relação à acidez, aos taninos, corpo, equilíbrio, etc…

Esta regra, a seguir, não tem exceções: todos os profissionais do vinho têm um ou muitos gurus. No mínimo tiram suas dúvidas com um grupo que, em determinadas situações, são considerados como “a referência”. Não há nenhum demérito nisto.

Apenas façam as escolhas que sejam as mais convenientes.

Bons vinhos, saúde!

Vinho da Semana: dia 14 de abril foi o Dia do Malbec argentino. Eis a nossa homenagem

guru

Kaiken Reserva Malbec 2013

Delicioso e cativante tinto, dotado de um exuberante bouquet de frutas vermelhas e notas tostadas, recebeu 91 pontos da Wine Spectator na safra 2013, a mais alta nota já concedida pela revista para um Malbec nessa faixa de preço.

Harmoniza com carnes, costela, massas.

« Older posts Newer posts »

© 2026 O Boletim do Vinho

Theme by Anders NorenUp ↑