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Com um toque de classe

Acessórios como bolsas, sacolas ou maletas tem dupla função: a primeira é a sua utilidade para transportar objetos e a segunda é uma forma de caracterizar quem as usam. O exemplo mais clássico e fácil de ser entendido é a famosa, e muitas vezes temida, maleta do médico.

Na infância, carregávamos pastas e maletas também, uma para os livros e cadernos e outra para o lanche. Bons tempos…

Alguns desses acessórios se tornaram icônicos, como as “007”. Quem não tinha uma estava fora da moda.

Enófilos de classe valorizam muito suas wine bags. Cada modelo, desde os mais simples até os altamente sofisticadas, funciona como um verdadeiro cartão de visita, passando preciosas informações para um observador atento. Nada é mais estiloso do que chegar na reunião de sua confraria ou em uma comemoração, carregando seus preciosos vinhos elegantemente acondicionados.

Até bem pouco tempo atrás, o mercado nacional era muito fraco neste segmento. As bolsas de vinhos mais comuns eram brindes oferecidos por importadoras ou distribuidoras. Eventualmente eram usadas como embalagens mais resistente e que poderiam ser reutilizadas por um par de vezes, apenas.

Com a chegada dos Eco Bags, muito enófilos as adaptaram para o transporte de seus vinhos. São muito práticas podendo levar mais de uma garrafa, acessórios e até taças, desde que bem protegidas. Para os brancos ou espumantes, que precisam ficar gelados, bastava vesti-los com uma capa térmica. Rapidamente o mercado percebeu a tendência e passou a decorá-las com frases espirituosas ou imagens alusivas a este universo.

São descoladas, mas muito informais. Não caberiam numa ocasião que demandasse um pouco mais de circunstância.

Vinhos sérios pedem uma bolsa mais adequada, desenhada para esse fim, algo que não só cumpra a função de proteger as garrafas como também dignificar quem as estão transportando. Tem que haver uma identidade, uma harmonização. Plagiando um antigo professor, “o ambiente também traz uma série de valiosas informações”.

Atualmente não faltam opções, para todos os bolsos. A imagem a seguir apresenta algumas possibilidades de arrumação para um dos modelos mais sofisticados de porta vinhos.

Além de práticas e elegantes, esse tipo de bolsa tem revestimento interno térmico e divisórias para diminuir o atrito entre as garrafas ou taças. Pode-se incluir facilmente um saca rolhas e outros apetrechos.

Querem se destacar? Este acessório é imprescindível.

É um investimento que se paga em pouco tempo. E se vocês nunca passaram por este problema, com certeza vão enfrentá-lo, algum dia.

É melhor estar preparado desde já.

Lembrando que este Blog sobre vinhos é 100% independente, vamos apresentar, a título de utilidade pública, algumas sugestões e links onde bolsas, como estas, podem ser adquiridas. Não temos qualquer associação comercial com as empresas mencionadas:

1 – Pesquisem em sites de busca na Internet com as palavras “porta vinhos”; “wine bag” ou “bolsa para vinhos”;

2 – Momentus Winebags – https://www.momentus.com.br/

3 – Professional Chef – https://www.professionalcheff.com.br/wine-bag-bolsa-para-vinhos/p

4 – Pacco – https://www.paccoby.com.br/cat/63/bottle-bags

Para a turma que gosta de viajar e trazer vinhos, o link, abaixo, é um achado:

5 – https://maladevinho.com.br/

As melhores lojas de vinhos costumam oferecer boas opções de bolsas para vinhos. Procurem na opção “Acessórios”.

Saúde e bons vinhos, agora com toque de classe!

Foto de abertura:

“Safe” por DominiquePelletier.ca está licenciada sob CC BY-ND 2.0

– Demais fotos obtidas nos sites mencionados.

Vinho e Ciclismo – Tour de France

O Tour de France, disputado desde 1903, é a mais importante prova ciclística de estrada de todos os tempos. Uma competição tão famosa que seu ganhador é colocado no rol dos grandes esportistas, juntos com outras celebridades dos demais esportes. São 21 etapas englobando as principais modalidades deste pouco difundido esporte aqui no Brasil: escalada, velocidade e contrarrelógio.

O mapa que ilustra o início de texto nos dá uma ideia do percurso. Podemos assistir num dos muitos canais esportivos oferecidos nas TVs a cabo. É um show de imagens, um grande passeio virtual pela França que, no momento, supre a impossibilidade de viajarmos para assistir ao vivo.

Um dos aspectos mais divertidos de cada transmissão é a interação entre os espectadores e a dupla locutor e comentarista. Discute-se tudo, agilmente, num moderno diálogo proporcionado por redes como Twitter e Instagram. Dentre os divertidos participantes há um craque do mundo dos vinhos, Luiz Gastão Bolonhez, editor contribuinte da revista Prazeres da Mesa, que sempre faz uma sugestão de um bom vinho, típico de cada região por onde o Tour está passando. Já faz isso há algum tempo, inclusive nas duas outras grandes voltas, o Giro d’Italia e a Vuelta a España.

A ideia é fantástica e as suas indicações sempre nos levam a grandes vinhos. Duplo passeio, um esportivo e outro gastronômico. Neste 2021, o Tour se iniciou na região da Bretanha o que gerou uma certa dificuldade para indicar um vinho. Lá, as bebidas alcoólicas típicas são as Cidras e as cervejas artesanais.

Neste mapa, as regiões produtoras da França estão sombreadas com um leve tom de vinho. A Bretanha não é uma delas, mas nem sempre foi assim. Há cerca de 300 anos, uma série de decisões políticas erradicou a maior parte dos vinhedos. Não era uma região de fácil produção por conta de condições climáticas bem adversas. Sobreviveram, apenas, pequenos vinhedos que sempre existiram junto a Igrejas, com produções muito limitadas, em torno de 1500 garrafas por ano. Vinhos simples, para consumo próprio.

Desde 2016, a plantação de novos vinhedos na região foi incentivada, se antecipando a futuras mudanças climáticas. A aceitação foi boa e já existem vinhos desta nova fase. Um dos primeiros é um tinto obtido a partir da casta Rondo, uma uva hibrida de origem portuguesa. Dentre as castas brancas, Chenin Blanc, Treixadura, Chardonnay e Pinot Gris, são as mais promissoras.

A expectativa dos vinhateiros é que por volta de 2025 a Bretanha volte a ser reconhecida como uma área e produção digna de ser assinalada no mapa. Por enquanto, a cena está bem movimentada. Um dos principais produtores é a associação da Coteau du Braden. Só para não deixar em branco, a foto apresenta alguns de seus vinhos.

Saúde e bons vinhos!

CRÉDITOS:
– Mapa do Tour de France obtido no site oficial – https://www.letour.fr
“Carte des Vins de France “ por geraldineadams está licenciada sob CC BY-NC-ND 2.0

Chegou o inverno!

Isto muda tudo, pelo menos aqui no Rio de Janeiro onde está localizada a redação deste site. Poder degustar um belo tinto, encorpado, aromático, saboroso, acompanhado de iguarias que são atípicas para o dia a dia carioca é um prazer inigualável.

Conhecemos Enófilos que nem se preocupam com a época do ano, consumindo tintos, brancos e rosados, espumantes ou tranquilos, ao sabor do controle remoto do ar condicionado (e da conta de luz).

E daí? Perguntam muitos, aliás, pergunta da moda…

O vinho tem raízes históricas, é cheio de pequenos mistérios, de conceitos e regras não escritas e de disputas por certos títulos “nobiliárquicos” que podem ser definidos como esplêndidas formas de marketing, apenas. Mas há muitos fatos concretos e importantes que sendo observados vão elevar ao máximo as delícias de saborear um tinto.

Um desses mistérios, que é melhor definido como um conceito muito complexo de ser compreendido, o Terroir, é um ótimo ponto de partida para explicar as razões pelas quais não basta abrir a garrafa e degustar. Esta experiência deve ser mais abrangente. Assim como no Terroir, devemos levar em conta os diversos fatores que estarão envolvidos no ato de beber uma taça de vinho: o ambiente, a comida, as pessoas e sobretudo o clima.

Agora imaginem-se abrindo um Barca Velha, um dos grandes tintos de Portugal, aqui na areia da praia de Copacabana, sob um escaldante sol de 40º. Tem cabimento? Já no alto da serra, a coisa muda muito de figura.

Um belo tinto, mais pesado, bem vinificado, tem a cara do inverno. Algumas castas se identificam, naturalmente, com esta estação do ano: Cabernet, Syrah, Malbec, Merlot, Carménère, varietais ou em alguns dos mais famosos cortes como o bordalês e o GSM, onde vamos encontrar as uvas Grenache e Mourvedre, só para mencionar as mais conhecidas.

Vinhos tintos são icônicos por natureza. Não precisam ser de Bordeaux, da Borgonha ou do Rhône para imporem sua presença. Basta serem bons vinhos.

No capítulo dos acompanhamentos a variedade é quase tão extensa quantos a das uvas tintas. Começamos pelos mais diversos tipos de pães, passamos pelos embutidos, presuntos e outros frios, chegando aos queijos maturados com seus fortes sabores. Podemos comer sem culpa.

Não podemos nos esquecer dos caldos e sopas que tanto nos reconfortam nos dias frios. Fondues e Raclettes completam o quadro. Já os apreciadores de uma boa carne na brasa sabem o que significa a combinação do calor da churrasqueira com a taça de vinho e a fatia de picanha: é insuperável.

Para que esta degustação fique perfeita, não se esqueçam de deixar o vinho nas condições ideais de temperatura e aeração. Se não possuírem uma adega climatizada, retirem antecipadamente a garrafa do depósito para que chegue na temperatura ambiente, naturalmente. Tirem a rolha cerca de 1 hora antes de servir, permitindo que o vinho respire. Se tiverem um decantador, usem, este é o momento.

Taças imaculadamente limpas, não estraguem o primeiro prazer, observar a coloração e nem acrescentem aromas e sabores vindos sabe-se lá de onde…

Aproveitem, em alguns locais do Brasil isso só possível em umas poucas semanas do ano.

Saúde e bons vinhos!

Créditos: imagem de Mandy Fontana por Pixabay

Reencontrando os amigos!

Finalmente!

Depois de quase 2 anos afastados, o grupo tomou coragem e se reuniu.

Foi ótimo, muita coisa para conversar e se divertir, colocar nossos espíritos em ordem. Tudo dentro dos mais rígidos protocolos de segurança, afinal, mesmo duplamente vacinados, ninguém ainda está livre desta maldita epidemia.

A diversão começou antes mesmo do encontro. Estávamos, há algum tempo, planejando um almoço no terraço da casa do decano desse grupo. Tem todas as condições necessárias para uma reunião: ao ar livre, espaço suficiente para mantermos uma salutar distância física, localização equidistante dos demais confrades, enfim, um local perfeito. O importante seria evitar locais públicos e se afastar de grandes grupos de pessoas.

Para não afetar o dia a dia da casa, encomendaríamos os pratos num serviço de buffet ou mesmo num restaurante com delivery. Mas a conversa não seguia em frente. Ficávamos só na ideia, na vontade, até que um confrade, mais ousado, propôs irmos a um conhecido restaurante, que serve suas refeições na calçada, sob um amplo toldo.

“Vamos nos reunir lá, que é seguro, para acertamos os detalhes do nosso futuro almoço”, disse ele, sem se dar conta da grande ironia: este acabaria sendo o desejado reencontro. Todos concordaram.

Risadas à parte, foi perfeito!

A escolha do local, carinhosamente chamado de Boteco, decidiu o cardápio e os vinhos. É uma casa especializada em frutos do mar, logo, brancos ou rosados. Foi um grande passeio enogastronômico que ligou, informalmente, Brasil e Itália, com um acento lusitano na gastronomia.

Abrimos os trabalhos com deliciosos pasteizinhos de camarão, feitos na hora, regados ao 1º vinho, um bom Sauvignon Blanc, nacional, que foi servido às cegas como provocação. Ninguém matou a charada, mas chegaram perto. Era uma pegadinha. Apesar de ótimo, é um vinho muito pouco conhecido.

Seguimos com um estupendo vinagrete de polvo, uma das especialidades da casa. O segundo vinho aberto foi um Falanghina, casta típica da região da Campanha, dando início ao passeio vínico pela Itália. Esta casta tem raízes gregas e produz vinhos com uma boa tipicidade.

A próxima rodada trouxe para nossa mesa deliciosas casquinhas de siri e um caldinho de sururu, degustado por 1 confrade, apenas. O vinho da vez, outra casta italiana, um Verdicchio Dei Castelli di Jesi, da região do Marche. Estes brancos são perfeitos para acompanhar frutos do mar.

Para a rodada final, depois de algumas deliberações, optamos por um arroz de camarão e uma moqueca mista, que deveria ter sido chamada por outro nome, levou dendê: moqueca é a Capixaba, com urucum e coentro. O resto é “peixada”.

Ambos estavam deliciosos. O arroz de camarão sumiu num piscar de olhos. O outro prato era acompanhado de farofinha amarela e arroz branco. Show!

A parte etílica foi dividia em dois tempos, as últimas taças do vinho anterior, seguido por um saboroso Gewurztraminer, da Casa Valduga, que harmonizou corretamente. Outra boa surpresa, descobrir que esta personalíssima uva cuja fama foi feita com os famosos vinhos alsacianos e alemães, pode ser bem vinificada por aqui. O estilo é bem diverso, mas percebe-se facilmente as características de aromas e paladar.

Para encerrarmos o encontro, enxugamos a nossa última garrafa, um rosado da casta Negroamaro, da região da Puglia. Muito interessante. Um vinho bem frutado que chega a enganar o paladar, se passando por um demi-sec. Como era a hora da sobremesa, encaixou como uma luva.

A tarde já ia encerrando quando nos despedimos, colocamos nossas máscaras de proteção e voltamos para casa, com aquele forte desejo de que a próxima reunião seja em breve, no tal terraço.

Deu para matar as saudades e fazer algumas “vítimas”.

Saúde para todos, bons encontros e grandes vinhos!

Dia dos namorados na pandemia.

Chocolate ou vinho?

Vinho, é claro!

Alguma preferência?

Espumantes! Napoleão afirmava sobre o Champagne: “merecida nas vitórias, necessária nas derrotas”.

Nem todos são fãs de vinhos borbulhantes, neste caso, vinhos tintos, brancos ou rosados vão alegrar a comemoração, “toute façon”.

O que realmente vai importar é o clima da celebração. Podemos fazer uma analogia com o “terroir” de um vinhedo: o local, a ambientação, a temperatura e os coadjuvantes.

O grande lance é fazer isso durante um período de restrições e não correr riscos desnecessários que, em última análise, podem colocar tudo a perder.

Mesmo para a turma que já foi duplamente vacinada, não é mais uma decisão tranquila optar por um jantar romântico num bom restaurante, exceto se houver ampla área aberta e São Pedro colaborar.

Encontrar um local aprazível, ao ar livre e seguro, pode ser uma tarefa desafiadora, mas existem opções. Cada cidade vai oferecer diferentes possibilidades, em linhas gerais, fazer um piquenique romântico será uma ótima forma de celebrar esta simpática data. Não importa a idade dos pares ou se o namoro é novo, antigo ou apenas para recordar as boas lembranças dos casais que continuam namorando até hoje.

Uma canga, vinho, taças, saca rolhas e um pequeno farnel é o que basta.

Para os casais que preferem os tintos, afinal estamos entrando no inverno, um vinho bem frutado, queijos mais duros, um pouco de patê e pães ou torradas e pronto.

Pode ser um bom Merlot nacional, um Malbec argentino mais jovem ou um Cabernet chileno. O queijos podem girar em torno de um Serra da Canastra, um Manchego espanhol ou mesmo um pedaço de Parmesão, menos curado, como o Serrano. Se o vinho for mais encorpado, um Provolone vai bem.

Temos sugestões para quem optar por um branco ou um rosado. Escolham um Chardonnay mais maduro, um Sauvignon Blanc no estilo chileno ou um rosado de Cabernet Franc que são deliciosos. Um belo pedaço de Gorgonzola, se possível deixado no azeite por algum tempo, um Camembert ou um Brie, já macios e uma pasta de truta defumada completam o cardápio. Acrescentem pãezinhos e frutas secas como damasco, amêndoas e castanhas, sem sal. Dão um toque todo especial.

Vinhos espumantes são a marca registrada de qualquer celebração e, na opinião de muitos, indispensáveis num dia que pretende criar um clima romântico. Uma opção muito elegante é abrir o encontro com uma ½ garrafa e depois passar para o vinho tranquilo escolhido. Frutas frescas como uvas ou cerejas são boas opções de acompanhamento.

O grande problema é manter estas garrafas na temperatura ideal de consumo. Sempre haverá a possibilidade de se usar uma caixa de Isopor cheia de gelo, um trambolho que pode estragar o clima…

Existem ótimas opções no mercado e, honestamente, um enófilo que se preza deve ter uma delas, pelo menos, no seu repertório de acessórios. Mais úteis que Bombril, com certeza.

1 – Capa térmica – mantenham no congelador. Na hora de usar é só vestir a garrafa, que pode ser de qualquer tipo de vinho. Dura cerca de 2 horas.

2 – Bolsa de gelo – este é outro achado, uma bolsa na qual colocamos gelo, um pouco de água e a garrafa. As alças de transporte são um charme a mais.

Pronto! Agora é só comemorar, não esquecendo dos protocolos de segurança.

Saúde e bons vinhos!

CRÉDITOS:

– Foto de abertura por Rémi Rivière no Unsplash

– Foto no corpo do texto por Anastasia Shuraeva no Pexels

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