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Wine Spectator TOP 100 2020

Chegou a lista mais esperada do ano pelos “Enófilos de carteirinha” e outros aficionados, a relação dos 100 melhores vinhos deste complicado ano de 2020, escolhidos pela equipe especializada da revista Wine Spectator.

Para começar, apresentamos os 10 melhores:

Um excelente e tradicional tinto espanhol encabeça a lista. Elaborado a partir das castas Tempranillo e Mazuelo. Recebe o título de “Vinho do Ano”. Bela escolha. Está à venda no Brasil, em outras safras.

Um Chardonnay norte-americano é o único branco desta relação de TOP 10, assim como o Champagne Bollinger La Grande Année, que representa a categoria de espumantes.

Um vinho argentino, o Piedra Negra Los Chacayes, poderia ser visto como o estranho no ninho. Nada disso! Já há algum tempo temos alertado para a excelente qualidade dos vinhos produzidos no nosso vizinho e eterno rival futebolístico. Estão melhores a cada dia e não se resumem mais só aos Malbec. Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, daquelas terras, não devem nada a nenhum outro.

A lista completa pode ser consultada neste link, em inglês:

https://top100.winespectator.com/lists/

A publicação oficial da revista será no último dia do ano.

Alguns dados curiosos.

Distribuição por países:

Distribuição por tipo de vinho:

O vinhos americanos, franceses e italianos dominaram as indicações. O Cone Sul foi agraciado com 7 indicações, entre Argentina (4), Chile (2) e Uruguai (1), por sinal, um ótimo Tannat, outra casta vista como difícil na Europa e que se adaptou muito bem por aqui.

Uma surpresa foi a pouca presença dos vinhos portugueses, sempre muito fortes em edições anteriores desta publicação. Simplesmente nenhum dos seus famosos vinhos generosos entrou na lista. Coube ao bom Wine & Soul Pintas, um tinto duriense, representar a terrinha, assim mesmo lá na posição 87.

Saúde e bons vinhos!

Sugestões para o Natal

Já está na hora de pensarmos nos nossos presentes de Natal. Com o intuito de ajudar a decidir, apresentamos uma seleção de mimos que seriam de nosso agrado. Focamos no aspecto prático, objetos que possam ser usados no dia a dia do Enófilo e que possam trazer boas recordações para quem for agraciado.

Há um pouco de tudo, inclusive alguns objetos de desejo que, se o orçamento não for apertado, podem ser uma boa oportunidade de ampliar o próprio acervo.

A primeira sugestão são livros.

Infelizmente a literatura em língua portuguesa não anda extensa. Duas boas novidades chegaram neste fim de ano:

– As novas regras do vinho: um guia útil… de Jon Bonne, editora: Companhia de Mesa

O mote desse livro é assim: “Às vezes nada é mais prazeroso do que uma taça de vinho. Então por que selecionar uma garrafa precisa ser tão estressante”?

– Gente, lugares e vinhos do brasil, de Rogerio Dardeau, editora: Mauad

Dardeau é incansável e apaixonado pelo vinho brasileiro.

Acessórios são as próximas sugestões. Começamos pelos sacarrolhas. Os modelos Garçon ou Sommelier são os preferidos dos profissionais. Existem diversas marcas no mercado. A melhor pedida é escolher um de boa qualidade para que seja usado e abusado, como este da Le Creuset, francesa.

– Saca rolhas Garçom Le Creuset preto – 1287

Outro tipo de saca rolhas extremamente útil é o de lâminas paralelas, perfeito para abrir vinhos de guarda sem destruir a rolha. Pode ser usado em qualquer tipo de garrafa.

– Saca Rolhas Aço Rabbit Inox

Outro gadget muito útil é um aerador. Existe grande número de modelos à disposição no nosso mercado. Acreditamos que o tipo projetado para ser adaptado ao bocal da garrafa é a melhor escolha, como este aqui:

Por fim os “objetos de desejo”. Escolhemos, dentro do critério já mencionado, dois deles. Fazemos uma ressalva: são caros e um deles é muito específico para aqueles que degustam vinho regularmente.

– Coravin – sistema de preservação e degustação de vinhos.

Uma inovadora tecnologia que permite, com toda a segurança, servir um vinho sem desarrolhar. Para evitar uma possível oxidação da bebida, uma dose de gás inerte, Argônio, é injetada na garrafa para ocupar o volume servido. Sonho de consumo para muitos.

– Adega Climatizada

Imprescindível para quem deseja montar uma adega completa. Prefiram as marcas nacionais, para garantir assistência técnica sem problemas. Este é o típico autopresente.

Por último, uma dica simples que quase sempre é esquecida.

Quando usada faz enorme sucesso: presenteie com uma garrafa Magnum!

Quase todas as boas importadoras dispõem destas garrafa que valem por duas. Aproveitem e inovem na escolha do vinho, fugindo das opções de sempre. Eis uma sugestão bem diferente:

Um Pinot do Uruguai vinificado em rosado pela excelente vinícola Garzon. Perfeito para o nosso verão.

Saúde e bons vinhos e boas compras!

Créditos: foto de abertura criada por Racool_studio para Freepik

Demais fotos obtidas nos sites de fabricantes e/ou importadores.

Sites consultados: Livraria da Travessa, Amazon Brasil, Americanas, Mistral, Vinci, Zahill, Grand Cru e World Wine.

IMPORTANTE:

– Não temos nenhuma relação comercial com esses fornecedores. As indicações não implicam em nenhum tipo de comissionamento de nossa parte. Façam suas compras onde encontrarem as melhores condições.

Prosecco Rosé e outras novidades

Chega o fim de ano e o tema espumantes pula para o primeiro lugar na lista de desejos e compras prioritárias, mesmo em tempos de pandemia. Seja para consumo ou presentear, as borbulhas numa taça são a perfeita representação dos nossos melhores sonhos e esperanças. Uma marca poderosa que exprime, verdadeiramente, aquele “tudo de bom para vocês”.

O nosso país é rico na produção de espumantes, já reconhecidos internacionalmente e muito apreciados nacionalmente. Champagne, por aqui, sempre foi mais um símbolo de status, principalmente por seu custo proibitivo. As boas Cavas nunca chegaram a ser sucesso ficando em um nicho quase exclusivo. Já o italianíssimo Prosecco caiu no gosto dos brasileiros, se tornando um dos espumantes mais populares e vendidos no comércio, onipresente em qualquer mercadinho.

Depois de uma dura batalha para obter a reserva da denominação Prosecco e da delimitação das áreas de produção, além da recuperação do nome original da casta, Glera, os produtores partiram para a inovação criando um corte com Pinot Nero (10% a 15%), obtendo um novo Prosecco com uma elegante cor rosada. Elaborado apenas nos estilos Brut Nature e Extra Dry.

Após muitas discussões, as autoridades italianas regulamentaram e permitiram a produção e exportação desta novidade em maio de 2020. O mercado foi rapidamente invadido por estes coloridos espumantes que já estão sendo imitados por nossos produtores e de outros países.

Uma boa pedida para os nosso quente verão. Muito refrescante e frutado é uma ótima alternativa para tornar nossas comemorações, presenciais ou virtuais, muito mais rosadas.

Há mais novidades neste segmento do mundo dos vinhos.

Enquanto o novo Prosecco Rosé é elaborado em duas opções, apenas, no resto do mundo as vinícolas estão ampliando as opções de estilos e de castas utilizadas. Isso acaba por confundir o consumidor que já estava habituado aos Brut e Demi-sec, de sempre.

Listamos e explicamos algumas dessas novas possibilidades:

Extra Brut – a taxa de açúcar residual é ainda menor que no Brut: de 0 a 6 gramas por litro. Muito seco;

Brut Nature – não recebe nenhuma adição de açúcar na sua elaboração, técnica empregada para estimular a segunda fermentação. A expressão Zero Dosage é similar, embora alguns críticos lembrem que sempre haverá açúcar residual, ou seja, nunca será zero;

Sur Lie – amadureceu sobre as borras de fermentação. Esta técnica permite que o vinho ganhe mais corpo e complexidade. Pode ser definido como um “espumante raiz”. Alguns produtores o engarrafam com estas borras e o consumidor decide quando vai consumir. Para apreciadores.

Safrado, Vintage ou Millesimé – vinificações muito especiais com safra declarada. A maioria dos espumantes não são safrados. Quando um produtor declara o ano da colheita pressupõe um produto de alta qualidade.

Blanc de Blancs e Blanc de Noirs – embora sejam classificações mais antigas, informando que o espumante foi elaborado só com uvas brancas ou só com uvas tintas, parece que se tornou um trend bem atual, principalmente o Blanc de Noirs. Castas como Tempranillo, Merlot, e Cabernet Franc, têm sido utilizadas na produção de vinhos brancos, espumantes e tranquilos, com enorme sucesso.

Saúde e bons espumantes!

Gelo no vinho pode?

Pode!

Obviamente, é uma exceção, uma correção momentânea e pontual. Mesmo assim, se algum enófilo purista estiver por perto, vai torcer o nariz e criticar.

Problemas no momento do serviço do vinho podem acontecer com qualquer um. Se a taça que lhe serviram parece mais quente do que o seu paladar pede, não hesite e coloque uma pedrinha de gelo na taça. Gire o vinho por 20 ou 30 segundos. Remova o cubo com uma colher e torne a provar. Se for necessário, repita. Use uma pedra retirada diretamente do congelador evitando as que já estão num balde.

O gelo vai alterar as principais características do vinho, seja ele branco, tinto, rosado, espumante ou generoso. Fica subentendido que não devemos fazer este procedimento com grandes vinhos, principalmente os que ficaram guardados por longos anos.

Regras existem para serem quebradas e tanto os produtores de vinhos como os criadores de acessórios para os enófilos estão sempre atentos, nos oferecendo boas alternativas para enfrentar o vinho que ficou muito quente num dia de verão.

Uma das tendências atuais é produzir vinhos para serem degustados com uma ou duas pedras de gelo nas taças. Espumantes e rosados se destacam neste segmento. A tradicionalíssima casa Moët & Chandon elabora o Ice Impérial, um champagne para ser bebido da forma mais informal possível.

Em 2015 escrevemos uma matéria sobre este produto: Vinhos “On the rocks”

Vinhos brancos, como os das castas Riesling e Sauvignon Blanc, aceitam um gelinho sem maiores problemas e até podem se beneficiar um pouco: não há nada pior que um branco muito aromático ser degustado quente…

Para os tintos, siga o conselho dado no início deste texto: gelo por pouco tempo, o suficiente para chegar na temperatura que seja do seu agrado.

Uma das opções, a seguir, podem simplificar a nossa vida.

Os que apreciam um bom Scotch estão familiarizados com o gelo metálico, um cubo de aço inox, mantido no congelador, que substitui o gelo tradicional, com a vantagem de não diluir nada. Vale para o vinho também.

Uma alternativa são “gelos” plásticos. Um recipiente inerte, muitas vezes com formatos inesperados, recheado com um líquido. Etileno glicol é o mais comum. Uma vez congelados podem manter sua bebida gelada por mais tempo, sem alterar suas características.

Outros caminhos que não envolvam cubos de gelo podem ser seguidos, tudo vai depender da ocasião e da vontade do anfitrião ou Sommelier, de dedicar algum tempo de preparação.

Um dos segredinhos é gelar as taças. Deixe-as na geladeira por algumas horas antes de usá-las. Podem ser embrulhadas em papel filme, evitando odores desagradáveis.

Uma variante deste truque é mergulhar a taça em um balde com água “estupidamente” gelada. Deixe em contato por alguns segundos, escorra rapidamente e use. Girar com uma pedra de gelo também funciona. Espere a taça ficar suada e descarte a pedrinha, passando para a próxima taça.

A turma dos cervejeiros, para quem baixas temperaturas são mandatórias, dispõem de um arsenal de recursos para deixar suas latinhas ou long necks no ponto, num piscar de olhos.

Quase todos eles podem ser adaptados para gelar, rapidamente, uma garrafa de vinho. O banho em uma salmoura gelada é um deles. O nosso preferido é envolver a garrafa num pano umedecido e colocar tudo num freezer por 10 a 15 minutos. Não se esqueçam de proteger os rótulos, seja com filme plástico ou com um saco tipo Zip Lock.

Mais um mito cai por terra.

Saúde e bons vinhos!

Créditos: Foto de Vincent Rivaud no Pexels

Uma aula sobre vinhos e o Brasil

Quem vai ministrar esta aula é, ninguém menos, que Luís Henrique Zanini (foto), um dos mais importantes enólogos brasileiros, responsável pela vinícola Era dos Ventos. Uma de suas mais famosas criações é o primeiro vinho “laranja” brasileiro, o Peverella, elaborado pela 1ª vez em 2001.

Antes temos que contar uma aventura que se tornou uma iniciativa, no mínimo brilhante, de Lis Cereja, proprietária da Enoteca Saint Vin Saint, em São Paulo, e do cineasta Fabio Knoll.

Viajaram até a Serra Gaúcha para entrevistar Eduardo Zenker (Arte da Vinha), um produtor de vinhos artesanais que havia passado por uma desagradável experiência decorrente de denúncia anônima: seus vinhos foram considerados inadequados pela Vigilância Sanitária e proibidos de serem comercializados. Tudo por conta de uma legislação caduca, ineficiente ou mesmo inexistente.

Zenker não é o único produtor de vinhos artesanais no país, o que levou a dupla Lis e Fabio a gravarem uma série de outras entrevistas e as editarem na forma de documentários sob o título Freerange. Doc ou simplesmente Criado Solto.

Este é o link para o site deles: http://www.criadosolto.com/freerange-doc/

A foto que ilustra esta matéria foi copiada da galeria do site. É maravilhoso passear pelas lindas fotos apresentadas ali: Freerange.doc

Selecionei o vídeo sobre o Zanini para mostrar este outro mundo aos leitores do O Boletim do Vinho.

Um pouco de sua filosofia para entrar no clima:

“Vinhos de verdade são vinhos naturais, e o vinho natural é mais saudável para a terra, para o homem, para o planeta. Para o vinhateiro e para o bebedor. No momento que nos aproximamos da terra ela nos guia e nos ensina tudo. Tudo é uma troca e temos que tratar bem a terra, pois assim ela nos dará bons frutos, e bons vinhos”.

Entendam o que faz ser tão complicado produzir vinhos no Brasil e porque devemos prestigiar, cada vez mais, o nosso produto.

Outras entrevistas já disponíveis: (cliquem nos nomes)

Eduardo Zenker

Acir Boroto/Famiglia Borotto

Lizete Vicari | José Augusto Fasolo

Obrigado Lis, Fabio, Zenker, Zanini, Boroto, Vicari, Fasolo e todos os pequenos produtores de vinho no Brasil.

Saúde e bons vinhos!

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