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Port. 18/19 – Visita a Adega Luis Pato

Adoraria colocar a seguinte legenda nesta foto: “Dois ícones do vinho”.

A galera certamente iria se manifestar: “menos, menos”!

Quem está comigo é o Mr. Baga, o Rebelde, ou simplesmente, Luis Pato, um dos nomes mais respeitados no mundo do vinho. É um daqueles gênios que domou uvas consideradas impossíveis de serem vinificadas e faz maravilhas com o que tem nas mãos.

Curiosamente, sua formação não é em Enologia, graduou-se em Engenharia Química. Munido de muita paciência e de uma simpatia cativante, correu o mundo com seus vinhos, promovendo degustações para Sommeliers, importadores e distribuidores.

Não foi uma tarefa fácil, seus vinhos têm muita personalidade devido às características de solo e clima em Óis do Bairro. Uvas brancas com alto teor de acidez, perfeitas para a produção de espumantes e a famosa e indisciplinada Baga, tão temperamental quanto a francesa Pinot Noir ou a italiana Nebbiolo. Seus vinhos levam muito tempo para “ficarem prontos”, 20 anos ou mais…

A família Pato está totalmente envolvida na história dos vinhos portugueses. Seu tio-avô, Mario Pato, foi um dos primeiros Enólogos que se dedicou a ensinar vinificação em Portugal. Nas veias desta turma corre vinho…

São 55 hectares de variedades portuguesas, algumas com mais de 100 anos: Baga, Touriga Nacional, Maria Gomes, Bical, Cercial e Sercialinho.

A visita é muito simples: um pouco da história familiar, um recorrido das instalações e, o ponto alto, a degustação de 9 vinhos, todos espetaculares.

Eis a relação do que foi provado:

Espumante Maria Gomes;
Espumante Informal (Baga);
Espumante Vinha Pan (Baga);
Branco Vinhas Velhas;
Branco Vinha Formal;
Tinto Vinha Velhas;
Tinto Vinha Pan 2013 (100% Baga);
Quinta do Moinho 2013 (100% Baga);
Abafado Molecular (doce).

Isto foi uma pequena amostra do que é produzido naquela casa. Alguns de seus vinhos nos fazem supor que há um uma boa dose de magia nisto tudo, como o doce Abafado Molecular, obtido não por colheita tardia ou passificação (apassimento), mas simplesmente a partir de colheita antecipada, seguida de concentração molecular e um pouco de criogenia.

Outro vinho que nos faz pensar é o Fernão Pires, elaborado para homenagear seu neto: um tinto desta casta branca cortada com Baga. Para completar o quadro dos vinhos fora de série, produz um Baga, com parreiras 100% em pé franco, sem enxerto, o Quinta do Ribeirinho. Simplesmente incomparável.

Decidi que compraria uma garrafa de Baga, mas aos 71 anos, esperar mais 20 para degustá-lo seria impensável. Exposto o meu argumento, o que gerou algumas risadas, me foi oferecido um Vinha Pan 2003, que aceitei prontamente.

Em 2023 conto como ele é.

Saúde e bons vinhos!

PS: de lá fomos provar o famoso Leitão da Bairrada, que fica ali pertinho. Harmoniza com espumantes. Mas esta é outra história.

Portugal 2018/2019 – Um resumo

Quatro anos após a última visita, retornamos às terras lusitanas para um novo passeio. Desta vez o objetivo não era apenas o Enoturismo. Pelo contrário, havia um viés muito mais turístico que nos levou a conhecer diversas cidades deste encantador país.

Visitamos quatro vinícolas: Luís Pato, na Bairrada, Quinta do Bomfim, no Douro, Quinta do Gradil, na antiga Extremadura – hoje Lisboa – e Caminhos Cruzados, no Dão. Ainda tivemos tempo de visitar a Calem, em Vila Nova de Gaia, uma das muitas Caves de Vinho do Porto. Visita que recomendamos por ser muito bem organizada e interessante.

A imagem ilustrativa desta semana mostra um pouco dos vinhos provados durante a nossa estada em Portugal. Vinhos que nos acompanharam nas celebrações de fim de ano ou simplesmente harmonizavam algumas das excelentes refeições feitas nos mais diversos estilos de restaurantes, fosse no Porto, Aveiro, Guimarães, Peso da Régua, Sintra ou Lisboa.

Para saber um pouco mais sobre cada um deles, acessem a minha página do Vivino: www.vivino.com/users/tuty.pi

Nem todos os vinhos estão comentados, mas, como num bom Boletim, lá estão as notas… (nota máxima = 5,0)

Visitamos outras cidades, sempre encantados com a hospitalidade portuguesa e com alguns passeios icônicos que só aquele país poderia nos proporcionar: Coimbra, Viseu, Mealhada, Braga, Tomar, Óbidos, Seia, Vila Real, Pinhão, Mafra e Santarém.

Não vou comentar, neste espaço, toda esta viagem. Mas vou reservar umas poucas páginas para mostrar como foram as visitas nas vinícolas já citadas e falar de alguns vinhos degustados que ficaram na memória.

As comemorações de Natal e Ano Novo foram ótimas oportunidades para degustar alguns espumantes da terrinha. Eis a lista:

Caves São João Reserva Bruto – Bairrada, 5€;


Regou a nossa divertida Ceia Natalina na nova residência dos Bretas. Tezy e Chris foram mais que anfitriões. Este espumante, com um preço muito em conta, nada fica devendo aos nossos melhores exemplares.

Os três espumantes, a seguir, foram consumidos no Ano Novo, chez Carol Bocayuva.

Murganheira Reserva Bruto – Távora-Varosa – 9€;

Outro ótimo espumante com boa relação custo benefício. A Murganheira é considerada como a grande produtora deste tipo de vinho em Portugal.

Soalheiro Alvarinho Brut – Monção/Melgaço – 13€;

Este é um espumante da região dos Vinhos Verdes. A marca Soalheiro é uma das referências internacionais de ótimos vinhos brancos, elaborados com a casta Alvarinho.

Era uma boa aposta, mas não correspondeu às nossas expectativas. Muito frutado, parecendo um demi-sec. Foi totalmente superado pela próxima garrafa, da mesma região, mesma casta, mas outro produtor.

Valados de Melgaço Reserva Alvarinho Extra Bruto – Monção/Melgaço – 22€;

Simplesmente o melhor de todos. Caro, sem dúvida. Foi recomendado por uma Sommelière da área gourmet do famoso “El Corte Inglés”.

Pequena produção e quase que uma exclusividade desta loja.

– Murganheira Super Reserva Bruto – Távora-Varosa, 11€.

Outro ótimo espumante que foi degustado em Lisboa. Presente do grande amigo Joel Braga.

Simplesmente perfeito e com ótimo preço.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Semana: ainda está em férias…

Chefs, Cozinheiros e Eu – VI

Iniciamos esta série com uma Chef e terminamos com outra. Conheçam a Chef e empresária, Fernanda Bebianno.

Sou formada em psicologia, comecei a cozinhar porque tinha uma memória afetiva de um molho chamado Bearnaise que comia em um bistrô na minha infância. Comecei a tentar reproduzir este molho e desenvolvi a minha receita (uma versão). A partir daí comecei a procurar receitas de família e revisita-las.

Faço molhos e patês sob encomenda, treino cozinheiras e faço pequenos eventos de 2 até 30 pessoas. Desenvolvi minha marca para os molhos que se chama Saucière Santon

A receita é fácil e muito saborosa.

Camarões com champanhe:

Ingredientes: (para 10 pessoas)

2,5 kg de camarões médios

3 colheres de sopa de azeite

1 cebola grande ralada

4 dentes de alho ralados

½ garrafa de champanhe ou espumante brut

2 xícaras de caldo de camarões (*)

2 colheres de sopa de farinha de trigo

500ml de creme de leite fresco

Suco de 1 limão

Sal pimenta do reino a gosto

Preparo: será em duas etapas. Primeiro prepara-se o molho. Quase no momento de servir, os camarões serão cozidos.

Deixe para temperar os camarões, com sal pimenta do reino e o suco de limão, apenas no momento de cozinhar.

Molho:

Refogue a cebola e o alho no azeite;

Dissolva a farinha de trigo no caldo e misture ao refogado;

Acrescente o creme e o champanhe e deixe cozinhar até engrossar;

Finalizar:

Na hora de servir, esquente o molho e só então coloque os camarões para cozinhar, na mesma panela, por cerca de 4 minutos (tempo de cozimento ideal para camarões).

Sirva quente com arroz branco

(*) Receita do caldo de camarões:

1 litro de água

1 cebola

1 dente de alho

1 pedaço de alho-poró,

1 ramo de salsa

1 cebolinha

As cascas dos camarões bem lavadas.

Preparo:

Em uma panela ponha um fio de azeite e refogue os ingredientes. Acrescente a água e deixe ferver. Abaixe o fogo e cozinhe por 20 minutos. Coe antes de usar.

Harmonização: A presença do creme de leite é quem vai ditar esta harmonização. O camarão tem sabor quase neutro absorvendo aromas e sabores do molho.

Clássica:

Espumante Brut Branco Santa Augusta

O ideal é usar o mesmo espumante para preparar o molho e para harmonizar na hora de saborear esta receita. Se quiser impressionar os amigos, compre uma garrafa de Champagne. Mas os nossos espumantes são de excelente qualidade, entre eles, o Santa Augusta Brut, branco.

Compre aqui: Vina Brasilis – Rômulo – [email protected] – (21) 96756-6123 / (21) 99515-1071

Contemporânea:

Château Malbat Sauvignon Blanc – Semillon 2016

Os vinhos elaborados com a casta Sauvignon Blanc são companheiros mais que perfeitos para peixes e crustáceos. Este corte, com a bordalesa Semillon, tem todas as qualidades necessárias para equilibrar a cremosidade e os sabores desta receita. Ótima opção.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br

Ousada:

Quinta da Lixa Vinho Verde

Uma boa aposta. Vinhos Verdes são muito versáteis e sempre estiveram presentes nas mesas brasileiras. São perfeitos para o nosso clima de verão. Andaram sumidos, pelo menos os de boa qualidade. Agora estão voltando com força total. Os elaborados com a casta Alvarinho, mesmo nos cortes, são os mais indicados.

Saúde e bons vinhos!

Chefs, Cozinheiros e Eu – V

O penúltimo cozinheiro desta série vem da ‘ala jovem’: Tomás Pinheiro (*).

(*) o sobrenome não é uma coincidência…

Sou cozinheiro e padeiro amador, adoro livros de gastronomia e estou sempre em busca de aprender receitas e técnicas novas. A receita escolhida tem influência indiana. Na foto que ilustra esta matéria aparecem uma cesta de Naan, um pão indiano, e uma tigela de Tika Masala de Grão de Bico

Tika Masala de Frango

Ingredientes:

6 dentes de alho, ralados

4 colheres de chá de gengibre sem casca ralado

4 colheres de chá de açafrão da terra

2 colheres de chá de Garam Masala

2 colheres de chá de coentro em pó

2 colheres de chá de cominho em pó

1 1/2 xicara de iogurte natural

1 colher de sopa de sal

1 kg de peito de frango sem osso e pele

3 colheres de sopa de Ghee (manteiga clarificada) ou óleo vegetal

1 cebola pequena cortada finamente

1/4 xicara de extrato de tomate

6 sementes de cardamomo, quebradas

2 latas de tomates pelados inteiros (amassados com mão ou em pedaços)

2 xicaras de creme de leite fresco

3/4 xicara de coentro e um punhado para decoração

Arroz Basmati (ou Jasmine) para acompanhar.

Preparo:

Combine o alho, gengibre, açafrão da terra, Garam Masala, coentro em pó e cominho em uma pequena tigela. Essa será nossa “mistura de temperos”. Bata levemente o iogurte, sal e metade da “mistura de temperos” em outra tigela, tamanho médio; adicione o peito de frango, virando para que seja coberto pela mistura. Cubra a vasilha e deixe marinando por 1 noite na geladeira. Tampe e guarde, na geladeira, o resto da “mistura de temperos”

Esquente o ghee ou o óleo em uma panela grande e de fundo grosso.

Adicione a cebola, extrato de tomate, cardamomo e cozinhe, misturando constantemente, até o extrato de tomate escurecer e a cebola estiver macia, uns 5 minutos. Adicione o resto da “mistura de temperos” e cozinhe, misturando sempre, até que o fundo da panela comece a escurecer, uns 4 minutos.

Acrescente os tomates enlatados, previamente amassados com as mãos e traga a panela para fervura. Reduza o fogo e mantenha fervendo, mexendo as vezes e raspando o fundo da panela, até que o molho engrosse, entre 8-10 minutos.

Adicione o creme de leite e o coentro picado. Ferva, novamente, mexendo ocasionalmente, até que o molho engrosse, 30-40 minutos.

Enquanto isso, em uma frigideira bem quente, jogue um pouco de ghee ou óleo e frite os peitos de frangos até que fiquem dourados e um pouco queimadinhos. Corte-os em cubos ou tiras pequenas, adicione ao molho e deixe ferver, mexendo as vezes, até que o frango esteja cozido, 8-10 minutos.

Decore com um punhado de coentro picado e sirva com arroz quentinho.

Harmonização:

A culinária indiana é considerada como uma das mais complexas harmonizações. Desde o início desta série estamos oferecendo três opções de vinhos, clássica, contemporânea e ousada. Nesta receita, não estaríamos errando ao afirmar que qualquer uma delas seria uma ousadia.

Os temperos comandam. A intensidade das pimentas pode mudar completamente este quadro. A mistura sugerida aqui é média, ou pouco picante.

Clássica:

Riesling Baron K Kabinett

O predicado Kabinett indica um vinho já puxando para o doce. Poderia ser um Auslese ou um Gewürztraminer alsaciano. Prefiram vinhos já amadurecidos. O importante é a fruta não se sobrepor.

Contemporânea:

E.Guigal Cote Du Rhone Rosé

Esta opção é bem moderna, aproveitando o recente retorno dos rosados. Os elaborados na região do Rhône são mais frutados, completando o leque de sabores da receita.

Ousada:

Escorihuela Gascón Cabernet Franc

Provavelmente a maior ousadia dentre todas as opções desta série. Este vinho argentino tem uma ótima estrutura, é macio e frutado. Para os fortes de espírito.

Saúde e bons vinhos!

Chefs, Cozinheiros e Eu – IV

Quem vai comandar a cozinha, nesta semana, é Gilda Meira:

Analista de sistema, ex-arquiteta, atualmente trabalhando como administradora de uma farmácia de homeopatia. Culinária é um dos seus hobbies.

Fez aulas com Juazerita e Silvana Bianchi do Quadrifolio, José Hugo Celidonio do Clube Gourmet e Roberta Sudbrack, entre outros.

Gilda nos brindou com um de seus pratos favoritos:

RISOTO DE ABÓBORA ASSADA

Ingredientes:

1 kg de abóbora madura

50 g de manteiga sem sal

50 g de manteiga sem sal gelada cortada em cubinhos

1 xícara de parmesão

Sementes de abóbora torradas

400 g de arroz arborio

1/2 xícara de cebola picadinha

400 ml de vinho branco

1 litro de caldo de galinha

Preparo:

Descasque a abóbora, limpe retirando todas as sementes e corte e pedaços de +/- 3 cm.

Regue os pedaços de abóbora com azeite, sal e pimenta do reino e feche em saquinhos de papel e alumínio, e asse em forno moderado até ficarem macias e ligeiramente douradas. Cerca de 30 minutos.

Refogue a cebola na manteiga até elas murchem.

Junte o arroz e mexa até que todos os grãos estejam envolvidos na manteiga.

Acrescente o vinho branco e deixe reduzir bem, mas sem deixar secar.

Junte a abóbora assada e uma concha do caldo quente e mexa bem.

Continue a acrescentar o caldo, sempre que começar a secar, por aproximadamente 18 minutos, mexendo sempre.

Verifique o ponto do arroz, corrija o sal e pimenta do reino.

Retire do fogo, junte o queijo ralado e a manteiga gelada. Mexa bem até derreter toda a manteiga.

Sirva com lascas de parmiggiano e as sementes da abóboras torradas.

Harmonização:

Arroz, abóbora e temperos. São quase neutros com sabores leves, sutis. O toque de manteiga, ou como dizem os italianos “mantecare il risoto”, é que vai fornecer a melhor opção de casamento com vinhos.

Clássica:

Grayson Chardonnay

O Chardonnay de estilo californiano, que passa por fermentação Malolática e permanece em barricas de carvalho, é a combinação perfeita. No paladar apresenta aquela deliciosa sensação amanteigada, tal qual o risoto.

Contemporânea:

Stellenrust Chenin Blanc

A Chenin Blanc é uma casta muito versátil. Dependendo do terroir onde está plantada, pode apresentar vinhos que se aproximam da Chardonnay. Na África do Sul entrega vinhos frutados e elegantes que combinam corretamente com esta receita.

Ousada:

La Petite Perrière Pinot Noir

Contrastando com os dois brancos, esta sugestão é um ponto fora da curva. Não tentem com os Pinot vinificados fora da França, são mais encorpados. Prefira os de corpo leve a médio, como este do Vale do Loire.

Saúde e bons vinhos!

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