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Portugal e as novas denominações vinícolas da EU – Final

Região de Lisboa 
 
Embora não seja uma nova região, apenas uma troca de denominação, desde o tempo que era conhecida como Estremadura tornou-se uma das regiões mais importantes no cenário vitivinícola de Portugal, com seus vinhedos cultivados há muitos séculos e uma enorme contribuição cultural com vinhos históricos.
 
 
Em termos de volume de produção é a mais importante região do país. Está subdividida em nove sub-regiões, todas classificadas como DOC ou DOP segundo as novas regras. Vejam a ilustração acima:
 
1 – Encostas de Aire;
2 – Lourinhã;
3 – Óbidos;
4 – Torres Vedras;
5 – Alenquer;
6 – Arruda;
7 – Colares;
8 – Carcavelos;
9 – Bucelas.
 
Com uma desconcertante variedade de vinhos produzidos por diversas castas, destacam-se as brancas Arinto, Fernão Pires, Malvasia, Seara Nova e Vital. Entre as tintas encontramos Aragonês, Castelão, Tinta Miúda, Touriga Franca, Touriga Nacional e Trincadeira. Em termos de terroirs há um pouco de tudo, desde vinhedos plantados à beira-mar até solos mais interioranos.
 
Alguns produtores são famosos e bem conhecidos no Brasil, por exemplo, Bacalhoa Vinhos de Portugal e Quinta da Chocapalha. Mas algumas regiões são de importância histórica como Bucelas, Carcavelos e Colares.
 
O vinho branco de Bucelas é produzido desde o tempo dos Romanos. Coube ao Duque de Wellington levá-lo para o Reino Unido onde se tornou um vinho de muito sucesso. Hoje a produção é bem pequena, mas a qualidade deste vinho obtido com a casta Arinto se mantém entre as melhores de Portugal.
 
A sub-região de Colares recebeu sua denominação protegida em 1908, embora a produção vinícola remontasse a 1255 quando D. Afonso III fez a doação do “Reguengo de Colares”. Seus tintos são especiais, muito escuros e encorpados, características decorrentes da peculiar localização e terreno dos vinhedos: junto à costa em solos muito arenosos e soltos. As castas estão plantadas diretamente na areia, sem enxertos. Foi uma das poucas regiões que nunca sofreu com a Filoxera.
 
O “Vinho de Carcavelos” é um vinho generoso, muito famoso e raro nos dias de hoje. Sua história remonta ao Reinado de D. José I (1750 a 1777) quando, por influência do Conde de Oeiras e Marquês de Pombal, este vinho produzido na Quinta de Oeiras conquistou fama internacional sendo enviado até para Pequim. O mesmo Duque de Wellington, já citado, foi outro apreciador e divulgador das qualidades deste ‘licoroso’.
 
Atualmente esta região está dentro de áreas urbanas (grande Lisboa e Estoril) quase impossibilitando sua produção. Desde 1977 grandes esforços tem sido feito no sentido de recuperar as áreas produtivas e assegurar uma maior produção desta preciosidade. Como estratégia de marketing, a nova marca comercial deste vinho é “Conde de Oeiras”.
 
Cito o nosso leitor Laureano Santos, morador de Oeiras: “Dificilmente encontrará à venda aqui em Portugal, pelo que no Brasil”…
 
Região do Tejo
 
Outra região que apenas mudou sua denominação. A antiga era Ribatejo. Subdivide-se em Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Santarém e Tomar. Tem como característica importante uma legislação mais frouxa que permite, sem muitas restrições, o plantio de castas ‘estrangeiras’ junto com castas locais.
 
Brancas: Arinto, Fernão Pires, Tália, Trincadeira das Pratas e Vital, às quais se juntam Chardonnay e Sauvignon Blanc;
 
Tintas: Castelão e Trincadeira, além de Aragonez, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Merlot.
Conscientemente deixamos de mencionar as regiões mais conhecidas e outras que nos últimos anos deixaram de ser importantes neste cenário. Em breve voltaremos a escrever sobre o fantástico mundo dos vinhos de Portugal.

Dica da Semana: vamos homenagear os bons tintos da região do Douro.

 

Crasto Douro DOC
Castas: Uvas: Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca e Touriga Nacional.
Localizada na margem direita do rio Douro, a meia distância entre a Régua e o Pinhão, a Quinta do Crasto já figurava no mapa do Barão de Forrester. Este vinho revela um aroma muito vigoroso de frutos vermelhos, com boas notas de especiarias. Na boca mostra uma boa estrutura, com taninos firmes e uma acidez equilibrada. Quinta do Crasto Douro foi ligeiramente filtrado antes de ser engarrafado.

Portugal e as novas denominações vinícolas da EU – 1ª parte

Com a intenção de padronizar as diversas formas de denominação de vinhos utilizadas dentro do mercado comum da União Europeia, foi elaborada uma regulamentação a ser adotada por todos os países produtores. Basicamente são reconhecidas duas categorias de vinhos, os “Vinhos de Mesa” e os “Vinhos de Qualidade Produzidos em Regiões Determinadas.” Nesta última é que se enquadram os vinhos de “Indicação Geográfica Protegida (IGP)” e os vinhos de “Denominação de Origem Protegida”.
 
Alguns países não estão aceitando estas mudanças facilmente. A França, por exemplo, não quer trocar “AOC” por um “AOP”. Se pensarmos em Alemanha e Itália, com inúmeras denominações regionais importantes, fica fácil perceber que a batalha será longa. Mas há vantagens nesta mudança, tanto para o consumidor quanto para os produtores: para a implantação do novo sistema será necessária uma ampla atualização das regiões demarcadas, o que vai implicar em controles mais rígidos sobre o que será produzido, eliminando o risco do consumidor final comprar ‘gato por lebre’.
 
O primeiro país produtor europeu que se adequou às novas regras foi Portugal, e o fez com muito sucesso. O mapa a seguir, obtido no site “Wines of Portugal”, mostra todas as regiões produtoras com suas novas denominações. Algumas se mantiveram, surgiram novas que não existiam e poucas mudaram de nome (Estremadura virou Lisboa, Ribatejo virou Tejo, etc.)
 
 
Não vamos detalhar as regiões mais tradicionais como Vinho Verde, Porto e Douro, Alentejo, Madeira, entre outras. Vamos olhar o que nos é pouco conhecido. Alguns destes vinhos talvez nunca cheguem por aqui.
 
A região de Trás-os–Montes é quase uma extensão do Douro e produz vinhos e azeites de 1ª qualidade. Subdividida em três sub-regiões: Chaves, Valpaços e Planalto Mirandês; cultivam as seguintes castas:
 
Brancas: Côdega do Larinho, Fernão Pires, Gouveio, Malvasia Fina, Rabigato, Síria e Viosinho;
 
Tintas: Bastardo, Marufo, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e Trincadeira.
 
A região de Távora e Varosa foi demarcada em 1989 e se dedica a produzir espumantes. Foi a primeira a ser certificada como “DOP” em Portugal para este tipo de vinho. Castas cultivadas: 
 
Brancas: Bical, Cerceal, Fernão Pires, Gouveio e Malvasia Fina;
 
Tintas: Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional.
 
Além destas uvas típicas do país, cultivam a Chardonnay e Pinot Noir, essenciais para espumantes. 
 
Beira do Interior é a região mais montanhosa de Portugal. Seus solos graníticos produzem vinhos muito minerais e bastante típicos.
 
Esta dividida em três sub-regiões: Castelo Rodrigo, Pinhel e Cova da Beira. As duas primeiras, apesar de separadas por cadeias montanhosas, produzem vinhos muito semelhantes. Cova da beira, que se estende desde a conhecida Serra da Estrela até o vale do Rio Tejo, produz vinhos com características próprias.
 
Principais castas:
 
Brancas: Arinto, Fonte Cal, Malvasia Fina, Rabo de Ovelha e Síria;
 
Tintas: Bastardo, Marufo, Rufete, Tinta Roriz e Touriga Nacional.
Semana que vem mais algumas regiões. Até lá, divirtam-se com a…

Dica da Semana: mais um bom vinho português, elaborado com uma uva internacional.
 

Cortes de Cima Syrah 
Exibe excepcionais frutos silvestres, com especiarias e alguma baunilha. No paladar, os frutos densos estão muito bem integrados, com os taninos do carvalho e o fim de boca persistente e longo.

Tem uma extensa relação de prêmios em várias safras.
 

Por que ‘Castas Nobres’?

O uso do adjetivo ‘nobre’ para definir uvas ou vinhos é muito antigo e tem raízes muito interessantes, afinal o que faz uma determinada varietal ser classificada como nobre em detrimento de outras?
 
Uma rápida pesquisa em textos de autores consagrados nos forneceu uma boa definição:
“Uvas nobres são as uvas tradicionalmente associadas com os vinhos da mais alta qualidade”.
Sauvignon Blanc, Riesling, Chardonnay, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Merlot, são as eternas castas agraciadas com títulos como Rainha disto ou daquilo. Entretanto, alguns críticos, talvez sentindo a exagerada influência francesa nesta lista, substituem a Sauvignon Blanc e a Merlot pela excelente italiana Nebbiolo.
 
Ainda assim, resta uma dúvida: seriam realmente superiores os vinhos produzidos com estas uvas?
 
Posso ir mais longe: e as castas típicas do Novo Mundo, Zinfandel, Carménère, Malbec, etc., ou as ibéricas Tempranillo e Touriga Nacional, não se enquadram?
 
Apesar de apaixonante, este tema exige um pouco mais de informação para ser compreendido. Por trás da “qualidade” está o que é denominado ‘Estrutura’, algo como o esqueleto do vinho. Aqui está a diferença: só será percebida na hora da vinificação, da elaboração.
 
A mais simples demonstração de que realmente há uma diferença pode ser observada nas relações de grandes vinhos publicadas por revistas especializadas ou nos mais variados guias internacionais: desde que a indústria do vinho existe, esta pequena relação de ‘nobres’ domina o cenário. Não é à toa que a fama dos vinhos franceses perdura por séculos. Na relação apresentada, apenas a Riesling (que existe na Alsácia) e a Nebbiolo não são de Bordeaux ou da Bourgogne…
 
A estrutura de um vinho é difícil de ser explicada e entendida. Envolve múltiplos aspectos e o relacionamento entre eles: acidez, taninos, álcool, etc., que em última análise vai determinar sabores, aromas, capacidade de envelhecimento e outras características.
 
Um dos elementos mais importantes é a Textura. Pode parecer uma ideia um pouco tênue se compararmos com outros materiais como tecidos, madeiras ou cerâmicas, mas definitivamente há diferentes texturas na nossa bebida predileta. Esta qualidade está associada àquelas sensações de grande amplitude (de aromas e sabores), permanência no palato e o gole aveludado ou o seu oposto (áspero), entre outras. Novamente, sobressai o conjunto em vez de valores individuais.
 
Este talvez seja o segredo das castas nobres: bem vinificadas, nos presenteiam com uma formidável estrutura e tudo de bom que dela decorre.
 
Um velho e batido jargão faz muito sentido neste momento: “Antiguidade é posto”.
 
Não há mais como ignorar a qualidade dos vinhos produzidos, hoje, no Chile, na Califórnia, na Argentina e em outros países, alguns europeus. Mas, para que um dia suas castas emblemáticas sejam elevadas de categoria, só há um fator a ser considerado: tempo, muito tempo.

Dica da Semana: não precisa esperar séculos, pode ser consumido já!
 
Hardys Nottage Hill Merlot 2011
Um vinho australiano de muita presença em boca, fresco com leve traço de hortelã, sabores de fruta vermelhas maduras, e noz-moscada.
Sua textura de densidade média o torna versátil para acompanhar diversos pratos.

O Evento “Essência do Vinho”

Nos dias 2 e 3 de maio aconteceu a edição 2013 do ‘Essência do Vinho’, aqui no Rio de Janeiro, contando com mais de 150 vinícolas totalizando perto de 1.500 rótulos de vinhos da Europa e do Novo Mundo. Além da prova livre, ofereceu uma interessante programação de palestras com degustações específicas que valiam a visita. O preço do ingresso era bem acessível com direito a uma bonita taça de cristal. O evento aconteceu no Centro de Convenções Sul América, bairro Cidade Nova.
 
 
Para deixar os leitores com água na boca, um resumo do ciclo de palestras: (estes eventos eram pagos à parte)
 
– Vertical Alvarinho Quintas de Melgaço (vinho verde), apresentado pelo crítico e jornalista Rui Falcão. Safras degustadas: 2003; 2004; 2006; 2007; 2008; 2010; 2011; 2012;
 
– Os Grandes Vinhos de Domingos Alves de Sousa (Douro), apresentado pelo produtor. Vinhos degustados: Alves de Sousa Reserva Pessoal branco 2005; Alves de Sousa Reserva Pessoal tinto 2005; Quinta da Gaivosa 2008; Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo 2007; Abandonado 2009; Alves de Sousa Memórias; Quinta da Gaivosa Porto Vintage 2008; Quinta da Gaivosa Porto 10 Anos;
 
– Os Melhores Espumantes do Brasil, apresentado por Alexandre Lalas e Rui Falcão (jornalistas e críticos de vinhos).Espumantes comparados: Adolfo Lona Brut Rosé; Kranz Rosé Brut; Cave Hermann Lírica; Don Abel Brut; Miolo Brut Millésime; Maximo Boschi Brut Speciale; Estrelas do Brasil Nature; Cave Geisse Blanc des Blancs; Adolfo Lona Nature Pas Dose;
 
– Seleção de 11 Vinhos Espanhóis, apresentado por Alexandre Lalas.Vinhos em prova: Cava Jane Ventura Gran Reserva Brut Nature 2007 (Penedès); Pazo de Señorans Albariño 2010 (Rias Baixas); Finca Montepedroso Verdejo 2011 (Rueda); Pétalos del Bierzo 2009 (Bierzo); Pesquera Crianza 2009 (Ribera del Duero); Clio 2009 (Jumilla); Atteca 2010 (Catalunha); Finca Sandoval 2006 (Manchuela); Remírez de Ganuza Reserva 2004 (Rioja); Humilitat 2009 (Priorat); Hidalgo Pedro Ximenez Viejo Triana (Jerez);
 
– A História do Brasil Contada pelo Vinho do Porto, apresentada por Rui Falcão e Alexandre Lalas.Datas históricas e safras em prova: 1889 (Implantação da República) | Porto 1889, Quinta dos Cortiços, Reserva de Família; 1930 (Getúlio Vargas empossado como presidente); 1955 (Juscelino Kubistchek eleito presidente) | Quinta do Noval; 1958 (Brasil Campeão do Mundo de Futebol pela primeira vez) | Burmester Colheita; 1960 (A capital muda-se do Rio de Janeiro para Brasília) | Graham´s Vintage; 1985 (Fim da Ditadura Militar e regresso à Democracia) | Fonseca Vintage.
 
No salão estavam as principais importadoras nacionais, diversas vinícolas portuguesas, afinal este evento veio da terrinha para cá, e um stand da lusitana ‘Agua das Pedras’ que começa a ser distribuída no país.
 
O foco deste evento é nitidamente informativo e educacional, preocupa-se em disseminar a cultura do vinho. Um bom atrativo para o público jovem e para os enófilos que buscam novidades. Mesmo assim, havia um horário restrito para os profissionais.
 
 
A dupla de autores desta coluna dedicou apenas 1 dia para a degustação, alternando tintos, brancos e espumantes. Chamou a nossa atenção a qualidade dos vinhos colocados nas degustações livres. Tops, como o excelente ‘Pera Manca’, estavam ao alcance de qualquer um que estendesse a taça, sem muita firula.
 
Cabe uma explicação. Na maioria das mega-degustações os produtores reservam os melhores vinhos apenas para aquelas pessoas que tem um bom potencial de compra na sua avaliação pessoal. Da mesma forma que estamos observando esta ou aquela mesa de degustação, eles também estão atentos a quem se aproxima.
 
Entram em jogo aqueles velhos fatores: apresentação, modo como se dirige ao produtor/apresentador; interesse; comentários que reflitam o seu conhecimento sobre o tema, etc.. Cumpridos estes ritos, ao terminar o ‘flight’ apresentado em geral somos convidados para provar mais um, que está estrategicamente colocado sob a mesa…
 
Recentemente o guia Vinho & Cia, número 68, publicou um conjunto de 5 dicas de como devemos nos comportar numa feira de vinhos. Reproduzo a seguir:
 
1 – Aproveite uma feira de vinhos para aprender muito e conhecer pessoas com o mesmo interesse.
 
2 – Você não deve nunca se embriagar, e isso é regra geral para todo evento comercial. Se pretender provar muitos vinhos, procure cuspir cada um para poder experimentar vários. Não é deselegante é o convencional.

3 – Para provar um vinho, coloque na boca, aspire um pouco e sinta os sabores e demais características, como acidez, corpo, doçura e adstringência, mas sem engolir. (precisa de treino para isto)

4 – Saiba que é totalmente deselegante você chegar num estande ou numa mesa de um produtor e pedir logo o vinho mais caro dele. Todos querem mostrar a sua linha de produtos.

5 – Procure experimentar alguns ou todos os vinhos de um produtor ou importador que estejam à mostra. Melhor cuspir até chegar ao de sua preferência, e se for o caso engolir.

As novidades nem eram tantas assim. O primeiro a nos impressionar foram alguns vinhos representados pela importadora Devinum (http://www.devinum.com.br) que tem um ótimo portfolio.
 
Além destes, dois portugueses fisgaram o nosso paladar: os bons vinhos e azeites da Casa de Sarmento, importados pela Adrimar (www.adrimarimport.com.br) e os excelentes vinhos de Domingos Alves de Souza, importados pela Decanter (www.decanter.com.br).

Este produtor nos ofereceu um vinho pouco comum, mas excelente, o ‘Abandonado’. Com uma história que mais parece lenda, vale a pena reproduzir direto das páginas do produtor:

“Uma vinha a passar os 80 anos de idade, com várias falhas derivadas de um parcial abandono durante alguns anos. Numa zona de intensa exposição e com enormes afloramentos de xisto à superfície onde nem uma única erva subsiste. As gentes da Quinta depressa a apelidaram de “Vinha do Abandonado”. Durante anos tentamos recuperar a vinha e replantar as videiras desaparecidas. Até que desistimos. Apesar de todo o nosso cuidado apenas as cepas mais velhas eram capazes de subsistir em condições tão extremas. Em 2004 decidimos isolá-la pela primeira vez na adega da Quinta da Gaivosa. Revelou imediatamente uma personalidade e carácter únicos. Decidimos engarrafá-lo em homenagem às igualmente únicas vinhas velhas do Douro, que um dia desaparecerão. Hoje as celebramos”.

Este vinhedo, como muitos outros em Portugal, é um emaranhado de diversas castas o que dificulta a sua tipificação. Neste caso destacam-se as varietais Tinta Amarela, Touriga Franca, Touriga Nacional, entre muitas outras.

 
Notas de prova segundo o importador: Coloração rubi concentrada, quase negra. Deslumbrante olfato de pequenas bagas negras e vermelhas, menta, tomilho e tabaco. Denso, sápido, a madeira ainda marca um pouco a prova de boca mas não lhe retira de forma alguma a elegância. Muito longo, impressionante. Premiações recentes: Jancis Robinson: 18 /20; Parker: 94-96 Pontos
 
O único pecado deste vinho é o seu preço no Brasil: R$ 531,30 (safra 2009).

Dica da Semana: Um interessante espumante chileno produzido por Miguel Torres (importadora Devinum)
 
Santa Digna Estelado Rosé 
País: Chile/Vale do Curicó
Casta: 100% uva “País” (*)
Rosado com bolhas finas e persistentes. No aroma, notas de frutas vermelhas e cítricas predominam. Delicado, tem uma característica de muito frescor na boca.
Premiações: O melhor espumante do Chile pela Wine of Chile Awards e pelo guia Descorchados 2012.
(*) Uva espanhola, conhecida como Listan Negro no país de origem, chegou no Chile há cerca de 500 anos sendo cultivada por pequenos agricultores. No final do século XIX, após a introdução das primeiras videiras francesas, esta uva ficou esquecida.
 

Serra Gaucha IV

2º dia, tarde
 
Após o espetacular almoço oferecido pela Chandon nos deslocamos para conhecer outra ‘peso pesado’ dos vinhos nacionais, a Vinícola Miolo, que desde 2006 adotou a denominação Miolo Wine Group e se tornou uma multinacional do vinho.
 
 
Focada exclusivamente em vinhos finos, tornou-se a maior produtora nacional deste segmento e também a maior exportadora de vinhos brasileiros, estando presente nos 5 continentes.
 
 
Uma potência, sem dúvida, que exigiu muito investimento e parcerias diversas para ampliar o seu leque de produtos com mais de 100 rótulos produzidos em diferentes regiões brasileiras. Conta, ainda, com a importante consultoria de renomados vinhateiros internacionais, entre eles, o conhecido Michel Rolland. O mapa abaixo mostra as operações da Miolo.
 
 
Aqui no Brasil trabalham com uvas de diferentes regiões, algumas em vinhedos próprios e outras sob a forma de parcerias com outros produtores. Elaboram seus vinhos com olho no mercado internacional, apostando que vai satisfazer ao paladar nacional. Uma estratégia ousada e algumas parcerias não muito simpáticas para uma determinada faixa de consumidores. Há um viés muito claro para o segmento de alto nível.
 
A visita foi conduzida por Gustavo Duarte, um dos muitos enólogos da casa. Para acessar a área de produção é necessário usar uma vestimenta adequada, fornecida pela vinícola. 
 
 
Devidamente paramentados, assistimos à chegada de uma partida de uvas que foi rapidamente separada dos engaços de forma automática.
 
 
Os grãos caem num coletor móvel que vai transportá-los até a boca do tanque de fermentação. Há um piso especialmente projetado para permitir esta operação. As fotos a seguir esclarecem o assunto. Notem as placas resfriadoras que são utilizadas, dentro do tanque, para manter as uvas em baixa temperatura até a carga completa, quando são removidas e fechado o recipiente. 
 
 
Ficou nítida a incansável busca pela alta qualidade na Miolo. Além dos equipamentos de ponta, há um grande investimento no preparo da mão de obra. Dali seguimos pela sala das barricas, muitas delas construídos pelo Sr. Mesacaza, até a luxuosa sala de degustação, coisa de 1º mundo. 
 
 
A degustação foi composta de 14 vinhos. A proposta do enólogo que nos guiava era apresentar os diferentes ‘terroirs’ da vinícola. Pela ordem foram servidos os seguintes rótulos:
 
Bueno Sauvignon Blanc 2012 (Campanha Gaúcha)
Cuvée Giuseppe Chardonnay 2012 (Vale dos Vinhedos)
RAR Viognier 2011 (Campos de Cima da Serra)
RAR Pinot Noir 2011 (idem)
Cuvée Giuseppe Tinto 2010 (Vale dos Vinhedos)
Gran Lovara 2008 (Serra Gaúcha)
Bueno Paralelo 31 2009 (Campanha)
Quinta do Seival Castas Portuguesas 2008 (Campanha)
Miolo Merlot Terroir 2009 (Vale dos Vinhedos)
Miolo Lote 43 2011 (idem)
Miolo Millésime 2009 (idem)
Bueno Cuvée Prestige 2009 (idem)
Terranova Moscatel (Vale do São Francisco)
 
Talvez preocupado com a importância do grupo, a degustação teve por tônica produtos que recém chegaram ao mercado. Resultou que alguns vinhos necessitavam de mais tempo em garrafa para demonstrar o seu potencial.
 
Entre os brancos, o que mais apreciei foi o RAR Viognier e, entre os espumantes, o Millésime. O capítulo dos tintos foi bem mais interessante, com um vinho que surpreendeu a todos: Quinta do Seival Castas Portuguesas, na minha opinião, o melhor do grupo apresentado. Mas não posso negar que o icônico Lote 43 e o Merlot Terroir são dois vinhos que teriam lugar na minha adega. O grande problema é o preço: (preços médios em 2013)
 
Lote 43 – R$ 100,00
Merlot Terroir – R$ 75,00
Castas Portuguesas – R$ 60,00
 
Infelizmente, por questões burocráticas, a concorrência oferece vinhos de melhor qualidade nesta mesma faixa de custos.
 
Para encerrar o dia, jantar na Osteria Mamma Miolo com um cardápio mais que tradicional:
 
Sopa de Capeletti (acompanha pão colonial e queijo ralado);
“Radicci” com bacon;
Polenta “brustolada”;
Galeto “al primo canto”;
“Pien” (uma pasta de carne de frango temperada e cozida num caldo);
“Crem” (pasta de raiz forte para acompanhar o Pien);
Carne “lessa” (cozida no caldo da sopa);
Salada mista;
Spaguetti da nona.
 
Para sobremesa o famoso Sagu ao molho de vinho tinto…
 
Tudo isto regado com bons vinhos da Miolo.
Dica da Semana: só poderia ser este.
 
Quinta do Seival Castas Portuguesas 2008 
Vinho tinto de cor vermelho rubi intenso, elaborado através do corte de uvas Touriga Nacional e Tinta Roriz origina um vinho de corpo generoso e macio, complexo e potente. Vinho de guarda, com estrutura para suportar muitos anos de envelhecimento.
Harmonização: Acompanha carnes vermelhas e grelhados, como pernil de cordeiro com ervas. Ótimo acompanhamento para lingüiças e pratos tipicamente portugueses como caldo verde com chouriço, leitão assado em forno a lenha ou arroz de Braga. Bom acompanhamento para queijos duros e maduros.
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