Autor: Tuty (Page 10 of 153)

De volta ao básico – Decantando vinhos

Em algum momento da história dos vinhos, jarras ou garrafas decantadoras foram acessórios considerados essenciais.

Naquele tempo, os vinhos não eram tão límpidos, como hoje, e sua elaboração ainda era bastante artesanal. O produto, quase sempre, tinha muitos sólidos em suspensão o que poderia ser facilmente notado pela sua cor turva e quase opaca.

Antes de degustar, vertia-se o conteúdo da garrafa num destes curiosos recipientes e se aguardava, pacientemente, algumas horas, muitas vezes alguns dias, até que um espesso depósito acumulasse no fundo do decantador. Só então estaria pronto para ser servido.

Decantadores nunca saíram de moda. Ainda é um dos presentes de casamento mais comuns. Para nosso espanto, quem não sabe a real finalidade deste objeto, acaba usando como vaso de flores, colocado no centro da mesa de jantar.

Usar corretamente um decantador não é nenhum mistério, mas tem suas pegadinhas. O líquido deve ser vertido, lentamente, sempre contra uma das paredes do vaso, observando-se atentamente quando começam a surgir os primeiros indícios de resíduos sólidos. É o momento de parar, deixando o decantador em repouso.

Modernamente, poucos vinhos necessitam passar por esta operação. Os processos de elaboração atuais incluem diversas etapas de filtração e estabilização do vinho, minimizando qualquer outro tipo de ação posterior. Excetuam-se os vinhos envelhecidos, com borras perceptíveis no fundo da garrafa.

Embora seja uma ação de muita elegância e charme, os enófilos mais experientes sabem que um efeito semelhante pode ser obtido apenas deixando a garrafa em repouso, na posição vertical, depois de aberta. Exigirá um pouco mais de atenção ao servir, evitando que resíduos caiam nas taças.

Um decantador tem uma importante função secundária, que passa despercebida por uma maioria de apreciadores desta deliciosa bebida: aerar o vinho!

Devido à sua curiosa forma bojuda, a superfície do vinho que fica exposta ao ar é bem maior, facilitando a incorporação de oxigênio. Alguns profissionais, muito habilidosos, conseguem fazer um suave movimento de oscilação da jarra decantadora, sem alterar o depósito de sólidos ao fundo.

Como alternativa, já existem à venda inúmeros tipos de “aeradores”, que são colocados no gargalo da garrafa. Funcionam perfeitamente.

Para os aficionados mais requintados, principalmente quando vão servir um grande vinho, por exemplo, um renomado bordalês ou um clássico Barolo, é preciso que seja servido a partir da mítica garrafa, com o rótulo bem destacado. Faz parte do “mis en scène”.

A solução para este dilema é uma operação denominada “Dupla decantação”: consiste em devolver o vinho, já decantado, de volta para a sua garrafa de origem, com o auxílio de um especial funil que contêm uma fina malha para reter mais sólidos suspensos.

Uma questão que sempre gera debates é: Quais vinhos devem ser decantados?

Seguramente, tintos e brancos envelhecidos devem ser decantados. Além destes, devemos decantar qualquer vinho que, na primeira prova, esteja muito fechado, não demonstrando todo seu potencial. Neste caso, o decantador funcionará como um aerador.

Por fim, há um tipo de vinho que nunca deve ser decantado: os espumantes.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave NacionalSOZO – Sangiovese Clarete 2023

Sozo é um projeto familiar que possui vinhedos próprios na região de Campos de Cima da Serra, RS. Campos de Cima da Serra possui espetacular terroir, a 980m de altitude, em solo basáltico e contanto com alta amplitude térmica.

O Sozo Sangiovese Clarete é vinicifado com 80% Sangiovese e 20% Chardonnay, sendo que uma parcela do vinho Sangiovese teve breve passagem de 3 meses por carvalho francês. Primeiro projeto colaborativo entre as Vinícolas SOZO e Don Affonso: um Clarete de Sangiovese da safra 2023, elaborado com uvas proveniente dos vinhedos da Família Sozo, nos Campos de Cima da Serra.

Um vinho de coloração vermelho granada. Aroma elegante e complexo, remetendo a cereja, framboesa, rosas e com leve nota de carvalho. Apresenta acidez equilibrada, taninos macios e bem integrados, bom volume de boca e ótima persistência aromática.

CRÉDITOS: Imagem de abertura por Freepik

Vinhos Premium, vinhos sem álcool e outras mutretas

Existe uma boa razão para abordarmos os vários aspectos sugeridos no título acima. Está ficando muito complicado administrar todas estas “proibições” criadas a partir de diversas descobertas, científicas ou não, mas que para as antigas gerações começam a não fazer nenhum sentido.

Cito um exemplo, mesmo sabendo que vão alegar “1001” razões que comprovam que estamos errados: o tal leite sem lactose.

Para quem não sabe, o leite materno “tem lactose” …

Tem outros, a relação é longa. Vamos apelidá-los de “sem, sem”: sem gosto e sem graça.

Em seguida, entram em cena as novas “religiões”, assim mesmo, entre aspas, que pregam uma vida ascética. A lista do que não se deve fazer é centenas de vezes maior do que a das coisas permitidas, encabeçada por “pagar o dízimo”.

Estas novas influências conquistaram, definitivamente, as cabeças das mais novas gerações, criando estranhos paradoxos, um deles se refere ao consumo de álcool. A venda de vinhos teve uma extraordinária queda nos últimos anos.

A resposta dos produtores foi de glamorizar, ainda mais, esta bebida, criando uma classe premium, só para quem tem alto poder aquisitivo.

Um total contrassenso: se já não estão vendendo vinho como antes, não há razão para aumentar o preço dele. Ao contrário, deveriam barateá-lo e simplificar a nossa relação com esta importante bebida.

Quase como uma vingança, surgem as bebidas sem álcool, inclusive vinhos.

Será que podemos chamar esta preparação de vinho?

Os produtores dizem que sim, afinal, é feita uma fermentação alcoólica e, posteriormente, processada para que o álcool seja removido. Existem vários métodos.

Neste caso, o vinho se torna um “ultraprocessado”, coisa que também é alvo de várias restrições. Vai entender!

O principal paradoxo acontece quando esta turma, que não quer degustar nem cerveja com álcool, se inebria com maravilhosos coquetéis elaborados com Gin (50% teor alcoólico), Tequila (55%) ou Mezcal (55%).

Fica a sensação de que o real problema é o baixo teor da Cerveja (5%) ou do vinho (12%).

Ou então, tudo não passa de uma grande hipocrisia, o que justificaria, plenamente, estes movimentos de “neo temperança”.

“Live and let die” é uma curiosa expressão da língua inglesa, que já foi usada como título de livros, músicas e filmes.

Seu significado, um tanto enigmático, sugere que devemos continuar vivendo a nossa vida, mesmo quando o nosso entorno comete erros fatais.

Grosso modo, equivale ao brasileiríssimo “que se danem”.

Nada contra quem prefere os “sem, sem”. Mas por favor, arranjem outros nomes para pão sem, leite sem, café sem, cerveja sem e vinho sem.

Nós não vamos trafegar na contramão. Continuaremos apreciando nossos vinhos, com álcool e preços justos, cheios de aromas, sabores, taninos, acidez e corpo, como devem ser.

Para os demais, “Live and let die”.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

O Avvocato nasceu em 2013 da paixão por vinhos do advogado carioca Ralph Hage e sua amizade com a família da vinícola Viapiana, situada na Serra Gaúcha. Em 2017 foram lançadas as primeiras garrafas da parceria. Em 2022, Ralph adquire vinhedos e inicia a construção de sua sede, em Monte Belo do Sul – RS.

O Avvocate Espumante Sur Lie é produzido com 75% Vermentino e 25% Chardonnay Nature Sur Lie, com 12 meses de autólise na garrafa. O Sur Lie é um espumante que não passou pelo processo de degorgement, ou seja, continua com as leveduras dentro da garrafa mesmo após o término da segunda fermentação.

Possui coloração amarelo palha, média intensidade, perlage fina e persistente, levemente velado pelo Sur Lie. Nariz intenso e delicado, com notas de levedo e frutas secas, além de toques de ervas finas e frutas tropicais de polpa branca. Em boca é equilibrado, cremoso, acidez equilibrada, persistente e retrogosto longo e frutado.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de kues1 no Freepik

De volta ao básico – IP, DO e mais

Recentemente, recebemos a boa notícia relatando a implementação de mais uma Indicação de Procedência para os nossos vinhos. Desta vez, a região agraciada foi o Sul de Minas, por conta dos já consagrados “vinhos de dupla poda” ou de “colheita de inverno”.

Para muitos, esta notícia passaria quase despercebida, afinal, qual a verdadeira importância disto?

Decidimos abordar este tema justamente para esclarecer sobre estas diversas indicações, nos rótulos dos vinhos, mundo afora. Não é uma exclusividade brasileira, ao contrário, estamos aproveitando as boas ideias de países produtores e, paulatinamente, aperfeiçoando a nossa legislação vinícola.

Certamente, já degustamos vinhos que continham em seus rótulos, siglas como IP, DOC, Appellation d’origine contrôlée (AOC) ou alguma outra.

São as chamadas “indicações” ou “denominações”, que se aplicam a determinadas regiões produtoras. Para receber um selo destes, os produtores devem seguir algumas normas, por exemplo, que regulam e delimitam as regiões onde tal vinho deve ser elaborado, as castas permitidas, bem como o volume máximo de aproveitamento e alguns outros aspectos mais técnicos.

Cada país adota suas regras, não existindo uma universalização. A Espanha tem o melhor conjunto de normas, segundo a maioria dos especialistas, enquanto a França é considerada, pelos produtores, a que tem as regras mais inflexíveis.

Já na Itália, durante um longo período, as normas não eram muito respeitadas, o que obrigou a publicação de novas determinações. Por lá, ainda convivem a DOC (Denominazione di Origine Controllata) e a DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita).

O que nos leva a pensar a razão deste “Garantita” …

Aqui no Brasil já temos 13 indicações para vinhos, 11 IP (indicação de procedência) e 2 DO (denominação de origem):

IP Farroupilha
IP Monte Belo
IP Altos Montes
IP Pinto Bandeira
IP Vales da Uva Goethe
IP Altos de Pinto Bandeira
IP Campanha Gaúcha
IP Vinhos de Altitude de Santa Catarina
IP Vale do São Francisco
IP Vinhos de Bituruna
IP Sul de Minas – Vinhos de Inverno

DO Vale dos Vinhedos
DO Altos de Pinto Bandeira

Qual a diferença entre uma IP e uma DO?

Ambas limitam uma região produtora, suas características como “terroir”, densidade das plantações, castas típicas, entre outras regras de elaboração. A IP é mais abrangente enquanto uma DO é mais restrita, muitas vezes considerando, apenas, uma pequena região e o tipo de vinho ali elaborado.

Estes selos são uma indicação de qualidade?

Sim, deveriam ser, mas nem tudo pode ser controlado a ponto de certificar 100% que este vinho é superior a um outro. Esta é a ideia que está por trás destas indicações.

Mas, num país onde uma vírgula fora do lugar anula a condenação de um réu confesso, com a desculpa de “prejuízos irreparáveis ao sistema judiciário”, temos que olhar para as nossas indicações com muito cuidado e, sempre, associá-las aos produtores que, sabidamente, são reconhecidos por seguirem as “boas práticas”.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Foppa e Ambrosi – Insólito Corte VI

Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi, aos seus 21 anos, em 2017, começaram a elaborar vinhos no porão de casa. Partiram de uma produção artesanal para uma vinícola de excelência, localizado em Garibaldi, Rio Grande do Sul.

O Foppa e Ambrosi Insólito Corte VI é um blend de Merlot, Tannat e Cabernet Sauvignon com média de 18 meses em barricas de carvalho francês e americano de 225L.

O vinho apresenta uma coloração rubi profunda, com reflexos violáceos. Aromas intensos e complexos revelam camadas de frutas vermelhas e negras maduras, como ameixa, amora e cassis. Essas notas são complementadas por especiarias, tabaco e toques sutis de baunilha e chocolate amargo, provenientes da maturação em barricas de carvalho.

Na boca, é potente e estruturado, com taninos firmes, mas bem integrados, conferindo um excelente potencial de guarda. A acidez equilibrada traz frescor, enquanto os sabores de frutas negras maduras se fundem com notas de pimenta preta, café torrado e carvalho. O final é longo e persistente, com retrogosto de especiarias e um leve toque herbáceo.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Foto de abertura obtida no site Brasil de Vinhos

De volta ao básico – erros e acertos

Prezados leitores.

Antes de entrar no tema da semana, temos um pedido muito especial.

Já está aberta a “Consulta Pública” para o projeto de lei 3594/2023, que propõe classificar o vinho como um alimento, seguindo o que diversos países produtores já adotaram.

Com isto, incidirão menos impostos sobre a nossa bebida favorita.

Para votar “sim”, indicando nosso apoio ao projeto, basta acessar o site do Senado Federal, link a seguir, e clicar no projeto de lei em questão.

Só podem votar os cidadãos que já fizeram seu cadastro no site “Gov.br”.

Para votar – https://www12.senado.leg.br/ecidadania/principalmateria

Gov.br – https://www.gov.br/pt-br

O resultado até o momento da publicação deste texto é de 2.218 “sim”.

Obrigado


Para muitas pessoas, degustar um vinho pode ser intimidador. Para estes, há uma enorme quantidade de regras, normas, controles, harmonizações e outros mitos, que torna tudo muito complicado.

Errar se torna o padrão, enquanto acertar é quase fortuito.

Sim, isto é verdadeiro. Todas estas “leis” são divulgadas no mais eficiente sistema de comunicação, o popular “boca a boca”. Algumas destas imposições são contadas e recontadas há muitas gerações.

Não podemos negar. Mas, podemos mostrar que a grande maioria delas são, apenas, preciosismos, que não cabem mais no mundo moderno.

Vinho tem uma aura de “bebida sagrada”, por ser usada em ritos religiosos de diversos credos. Mas o vinho não foi criado para isto. Ele foi adotado, por diversas religiões, para representar um momento.

Devemos aos padres e pastores, os missionários, a divulgação do vinho e da uva por todo o mundo. Alguns dos mais famosos vinhedos e os vinhos obtidos com seus frutos, começaram a ser elaborados dentro de monastérios.

Ainda assim, isto não os torna sagrados, muito pelo contrário, são extremamente populares e, por estas razões, é que vamos encontrar nossa bebida predileta em quase todos os países, produtores ou não.

Seguindo neste raciocínio, há quem destaque que o vinho é uma bebida de elite: degustá-lo é algo “esnobe”.

Esta é uma verdade que só existe nos olhos de quem assim a enxerga. Podemos beber uma taça de um vinho com toda a pompa e circunstância ou simplesmente relaxamos e aproveitamos o momento em total descontração.

Somos nós que escolhemos qual caminho seguir! O vinho terá os mesmos aromas, sabores, taninos, acidez e doçura e preço.

Outra queixa constante é que harmonizar vinho e alimentos é muito difícil, complicado e quase sempre não dá certo.

Em nossa defesa, podemos afirmar que ninguém é obrigado a harmonizar nada. Não foram os vinhateiros que criaram estas regras de harmonização, uma verdadeira pseudociência: quem inventou isto foram cozinheiros e donos de restaurantes.

Nenhum vinho é elaborado para ser consumido junto com este ou aquele alimento. Obviamente, algumas combinações vão ser mais agradáveis que outras e isto se deve, muito mais, aos elementos químicos, de um e de outro, que ao se combinarem podem resultar em sabores estranhos.

Sim, errar aqui é muito fácil.

No início deste texto peço o voto de apoio dos leitores para que o vinho, no Brasil, seja classificado como um alimento. Isto nos diz muita coisa, a principal delas é que, em diversos países, o nosso vinho faz parte, diária, das refeições. E ninguém está preocupado com complexas “harmonizações”. Pensem nisto.

Sigam este caminho e não errem nunca.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Primeira Estrada – Sauvignon Blanc 2022

O projeto Primeira Estrada é pioneiro na produção de vinhos em áreas tropicais brasileiras, sendo a vinícola localizada na região sul de Minas Gerais. Junto ao pesquisador Murilo Rosa deram o ponta pé inicial na produção de dupla poda ou vinhos de inverno, no Brasil.

Vinho de coloração amarelo palha claro, límpido e brilhante. Muito aromático, intensa nota de grama cortada, broto de tomate, toque de maracujá. Possui ótima acidez, corpo agradável, sem amargor nem aresta, com retrogosto longo e agradável.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS:

Foto de abertura: Imagem de freepik

De volta ao básico – as taças

Quem aprecia um bom vinho sabe que, tradicionalmente, existem três tipos de taças: para tintos, para brancos e para espumantes.

Nada de errado nisto, cada uma tem um tamanho e formato que, segundo especialistas, melhoram a experiência de degustar um vinho.

Como tudo na vida, alguns formatos evoluíram. O caso mais típico, a taça para espumante, passou de um design aberto, denominado “Coupe”, para outro bem fechado, a “flute” até chegar na “tulipa”, algo entre um e outro.

As taças para vinhos tranquilos também mudaram, a tal ponto que, atualmente, já existem formatos e tamanhos específicos para cada tipo de casta vinificada.

Inacreditável!

Um belo golpe de marketing. Mas, ao criar esta moda de diferentes taças, os fabricantes não se deram conta que o espaço de guarda, doméstico ou em restaurantes, era limitado e finito. Para alguns, um problema sem solução.

Vamos simplificar.

Nossa bebida predileta pode ser degustada em qualquer recipiente, isto inclui desde os prosaicos copos de plástico para água, até tampas metálicas de garrafas térmicas. Apenas o que se convencionou chamar de “experiências”, será diferente.

Podemos fazer uma boa comparação com uma festa, que antigamente se recomendava “traje passeio” ou até mesmo “traje a rigor”. Ninguém poderia aparecer de bermudas e chinelos.

Vinho na taça é análogo. Elas têm funções bem especificas. Sua haste, por onde devemos segurar, impede o rápido aquecimento do líquido. O formato bojudo favorece uma melhor percepção dos aromas. O material, geralmente cristal, promove uma agradável e compatível sensação, ao tocar nossos lábios.

Não acreditam? Experimentem beber água num copo comum e comparem com beber numa taça ou copo de cristal de borda fina.

Fica fácil perceber que há um momento certo para cada recipiente receber o nosso vinho. Ninguém está pensando em delicadas taças, naquele fim de semana no camping, ou copos de papel num evento formal.

Mesmo quando a situação pede que sejam mantidas as tradições, muita coisa mudou. Alguns fabricantes de cristais, que perceberam que o mundo moderno tende a se tornar minimalista, criaram a “taça universal” (foto), que serve para todos os tipos de vinho. Uma bela sacada!

Seja qual for a taça, nunca devemos servir mais do que 1/3 do volume. O espaço que sobra é necessário para que o vinho respire e mostre todas as suas qualidades.

Taças imaculadamente limpas é outra exigência da qual não se abre mão. A limpeza deve ser feita com álcool, preferencialmente o Isopropílico, para tirar manchas de batom ou gordura. O corpo deve ser lavado com detergente neutro sem aromas. Especial atenção para a borda e o fundo. Usem esponjas macias, apenas.

Deixem escorrer e sequem com pano de microfibra. Para polir, usem flanela com álcool. Guardem com a boca da taça para cima, no máximo, com um véu sobre elas.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Garbo – Alicante Bourbon 2022

O Alicante Bourbon, da Garbo Enologia Criativa, é um projeto de 3 enólogos brasileiros que buscam produzir vinhos fora do padrão convencional. Nesta vinificação da casta Alicante Bouschet, de grande força e personalidade, metade do volume matura 10 meses em barricas francesas e a outra metade 10 meses em barricas de Whiskey turfado (Bourbon).

Vinho de coloração vermelho rubi profundo, intenso com notas de café e tabaco, provenientes do carvalho francês, que se mesclam aos aromas tostados e delicadas nuances de chocolate amargo, advindas dos barris de Whiskey. A evolução em taça revela notas de frutas negras maduras, evidenciando seu caráter varietal. Possui excelente estrutura, taninos macios e notas da maturação, especialmente em seu retrogosto, perfeitamente harmônicas às nuances naturais do vinho.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS:

Foto de abertura por Luiz Henrique Mendes, licenciada no Adobe Stock

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