Autor: Tuty (Page 5 of 153)

Que vinho está nesta garrafa?

Não é exatamente uma regra, mas tem alguns vinhos que podem ser facilmente identificados pelo estilo de suas garrafas. Aqui estão dois exemplos muito fáceis e bem conhecidos de todos:

A primeira foto é do tradicional “fiasco”, dos Chianti, hoje em dia bem pouco usado. A segunda, uma conhecidíssima garrafa de Champagne, cujo modelo é usado por produtores de espumantes nos quatro cantos do globo.

Nem todas os demais formatos de garrafa, usados no produção de vinhos, podem ser tão simples assim de identificar. Mas, para os aficionados, são uma bela forma de marketing, permitindo até algumas brincadeiras e apostas.

A garrafa mais comum é o modelo “Bordalês”.

Seu nome já diz quase tudo. O vinho que vamos encontrar seria, basicamente, um corte elaborado com as clássicas 6 castas permitidas naquela região: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot, Malbec e Carménère.

Por extensão, qualquer vinho varietal destas castas, produzido em outras regiões, adota este formato. Isto se aplica, também, para a varietais brancas: Sauvignon Blanc, Sémillon, e Muscadelle.

O próximo par de garrafas representam os vinhos de duas regiões francesas bem distintas.

A primeira é conhecida como formato da Borgonha. O vinho, um Pinot Noir ou um Chardonnay. Neste caso, a cor da garrafa é esverdeada.

A segunda, muito parecida, vem da região do Rio Ródano. Reparem que o “pescoço” de uma é mais curto que o da outra. Os produtores mais famosos do Rhone costumam ter uma marca, em relevo, nas suas garrafas. São vinhos elaborados com as castas Syrah, Grenache, Cinsault e outras.

Ainda na França, vamos encontrar outros dois formatos bem característicos, na região do Jura.

A primeira é um Cotes du Jura, quase sempre um Pinot Noir. Talvez, por isso, o diferente formato para não confundir com os vinhos da Borgonha.

A segunda garrafa é um vinho muito especial, o “Vin Jaunne”, um vinho branco que é elaborado como se fosse um tinto. Um clássico daquela região.

Na Alemanha e na Alsácia, vamos encontrar outro formato de garrafa muito popular:

São as garrafas “flute”. Uma representa a região do Reno é a outra os vinhos da Alsácia. Poderíamos incluir mais uma, a da região do Mosela. São todas muito semelhantes e só um olhar bem detalhista vai diferenciar uma da outra. O tom do vidro é uma das grandes diferenças. As castas mais comuns de serem engarrafadas são: Riesling, Pinot Gris e Gewürztraminer.

Na região da Francônia vamos encontrar esta outra garrafa, a “Bocksbeutel”:

Dentro dela, quase sempre, um vinho da casta Silvaner.

Para encerrar, sem pretender esgotar o assunto, mas duas garrafinhas: uma portuguesa e outra francesa.

O Vinho do Porto tem uma garrafa que, de certa forma, seguiu as linhas da clássica bordalesa, menos no gargalo. Reparem que há um pequeno bulbo, que se destina a fazer uma leve decantação na hora de servir. A outra garrafa, é um rosado da Provence. O sinuoso formato sugere uma delicada sensualidade que remete à cor e ao estilo deste tipo de vinho.

Mais uma tradição do que uma regra, não podemos garantir que sempre vamos encontrar o que foi descrito aqui. Outros fatores podem influenciar na hora de escolher o melhor envase, muitas vezes de ordem prática ou econômica.

Mas podem apostar com os amigos e alegrar uma reunião.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Monte Castelo – Albhus – Gran Reserva Cab Sauvignon – 2021

A Vinícola Monte Castelo foi fundada em 2016 em Jaraguá, Goiás pelos amigos Milton e Carolina Santana, Marco e Luciana Cano. De enófilos, passaram a ter o seu próprio negócio do vinho. A primeira safra foi em 2020, com colheita manual e seleção dos cachos para que somente bagas sãs sejam vinificadas. A Sauvignon Blanc resultou em 11 garrafas e a Syrah resultou em cerca de 100 garrafas e mostraram todo o potencial do terroir no Cerrado Goiano. A safra de 2021 foi a primeira safra comercial com cerca de 6.000 garrafas entre branco, rosé e tinto.

O Monte Castelo Albhus Gran Reserva Cabernet Sauvignon safra 2021 é feito de 80% Cabernet Sauvignon e 20% Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot. Maturado por 8 meses em contato com as lias finas. 100% do vinho estagiou em barricas de carvalho francês novas por 12 meses e mais 12 meses em garrafa. Possui cor rubi, límpido, brilhante e com lágrimas intensas e aromas de frutas negras e frutas em compota, toque de tostado. De média acidez, taninos presentes e persistentes, frutas negras, cacau, coco tostado e especiarias, final persistente.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

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Rótulos: informação e marketing

Registros arqueológicos nos mostraram que vinho já era produzido há mais de 6.000 anos antes de Cristo.

Mas, e os rótulos?

Não são tão antigos assim. Os primeiros registros, que mostram uma etiqueta de identificação em uma ânfora contendo vinho, outra descoberta arqueológica, foram encontrados na tumba do Faraó Tutancâmon, que morreu por volta do ano 1325 antes de Cristo.

Outro marco importante na história dos rótulos só vai acontecer lá pelo século XVII, quando o conhecido Monge Dom Perignon, amarra uma etiqueta manuscrita no gargalo de uma garrafa.

O rótulo, como conhecemos hoje, só começou a ser desenvolvido nos anos 1700, a partir do momento que as garrafas de vidro se tornaram mais comuns e foram amplamente adotadas pelos vinhateiros. A necessidade de identificar o conteúdo destes vasilhames tornou-se imperativa.

A primeira forma de impressão destas etiquetas foi a Litografia. Uma matriz era entalhada na pedra. Depois, aplicava-se tinta e o papel. Totalmente manual. Os rótulos eram monocromáticos

Novos rumos só surgiriam com a criação da impressora mecânica, o que permitiu a produção em grandes volumes, aumentar a quantidade de informações impressas e a utilização de cores, imagens e outros recursos.

Basicamente, estes rótulos indicavam as uvas vinificadas, o nome do produtor e seus brasões ou medalhas. A ideia era diferenciar cada vinho dos seus concorrentes. Um marketing embrionário.

As informações, que hoje são obrigatórias, decorrentes das diversas legislações, só começariam a surgir nos anos 50. Deveriam deixar registrado onde foi engarrafado e por quem, safra, teor alcoólico, volume etc.

Atualmente os rótulos modernos são muito tecnológicos, com códigos “QR” e selos gravados a laser, buscando uma maior segurança contra fraudes e boa rastreabilidade.

Paralelamente, aquela primeira forma de marketing evoluiu muito. Os produtores perceberam que poderiam criar rótulos mais eficientes na arte de atrair os olhares dos clientes, resultando num aumento nas vendas.

As principais vinícolas do mundo começaram a contratar ou desenvolver internamente, designers capazes de criar os mais espetaculares rótulos. Nesta área, a criatividade é quase sem limites.

Um dos exemplos mais famosos são as etiquetas desenvolvidas para o Château Mouton Rothschild

A primeira experiência foi na safra de 1924, quando o artista Jean Carlu foi encarregado de desenhar o rótulo.

Passaram alguns anos até que o Barão Philippe Rothschild decidiu estabelecer uma tradição. A partir de 1945, um renomado artista foi chamado para ilustrar cada rótulo de safra produzida. Isto se tornaria a verdadeira identidade visual deste Château.

Entre os ilustres convidados vamos encontrar: Miró, Chagall, Picasso, Salvador Dali, Francis Bacon e muitos outros.

Uma das garrafas que ficou icônica foi a da safra de 2000. Em vez de ter um rótulo colado, ele foi esmaltado na garrafa. A imagem, era a de um carneiro, “mouton” em francês, reproduzindo uma pequena obra de arte, o “Carneiro de Augsburg”, criada em 1590 pelo ourives alemão Jakob Schenauer.

Para conhecer todos estes rótulos, acessem este link: Château Muton Rothschild (em inglês)

No Brasil já temos excelentes exemplos destes rótulos que atraem todos os olhares. Vanessa Medin e Vinha Unna (Instagram) são dois destaques.

A dica da Cave Nacional, de hoje, também traz uma interessante etiqueta.

Atire a primeira pedra quem nunca comprou um vinho pelo rótulo.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

SOZO – SOBREVIVENTE Montepulciano 2024

Já falamos aqui no blog sobre a Sozo, um projeto familiar que possui vinhedos próprios na região de Campos de Cima da Serra, RS. Recém-lançado, o Sozo Sobrevivente Montepulciano 2024 é uma referência a maior catástrofe climática do Rio Grande do Sul. Uva selecionada e colhida manualmente dia 07 de maio de 2024, após o evento, recebe este nome pois a despeito dos proprietários não acharem que as uvas sobreviveriam a chuva, a Montepulciano surpreendeu e rendeu vinhos!

Elaborado pelo método de baixa intervenção, sem aditivos enológicos, é um vinho não estabilizado e não filtrado, para preservar ao máximo os aromas e sabores da fruta. Possui coloração vermelha de intensidade média e aromas intensos e complexos, selvagens, de frutas vermelhas (framboesa, amora), especiarias, rosas. No paladar apresenta acidez média, taninos macios, frescor, sendo bastante equilibrado e harmônico, com uma longa persistência aromática.

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O que precisamos saber para beber um vinho?

Uma resposta, cheia de ironias, poderia ser algo como “manusear bem um sacarrolhas”.

Com o advento das tampas de rosca, a brincadeira fica meio sem graça.

O famoso crítico inglês, Hugh Johnson, num dos seus ótimos textos, afirmou que “o importante é apreciar o vinho”. Seu objetivo era chamar a atenção sobre o acachapante volume de informações que recebemos, diariamente, sobre vinhos e suas múltiplas facetas.

Os verdadeiros “influencers” nesta área são os críticos e jornalistas especializados, Sommeliers, vinhateiros que se tornaram celebridades e outros agregados.

E tome safra, castas, métodos de elaboração, tamanho de barricas e tipo de madeiras usadas, país, região, formato da garrafa e do seu fechamento, além da “pontuação”. Isto sem falar em aspectos mais técnicos, onde chegaríamos a discutir leveduras e tostas das barricas.

Ficou totalmente “over”. Um exagero de informações que nem o mais experimentado enófilo é capaz de lidar com tudo isto e produzir um resultado útil.

Perdemos muito tempo com todos estes aspectos e esquecemos o principal deles: o sabor, que vai estar diretamente ligado ao paladar de cada um, permitindo apreciar mais ou menos um bom vinho.

Treinar o paladar não é uma coisa difícil ou impossível de se fazer.

Um primeiro conselho é experimentar diferentes vinhos. Simplesmente se preocupem em gostar ou não do que estão provando. Não tentem identificar os aromas e sabores que estão descritos nas fichas técnicas ou contrarrótulos.

Pode ser uma tarefa muito complexa e vai tirar a nossa atenção para o que realmente importa: apreciar ou não o que estamos degustando.

Deixem que a capacidade de perceber aromas e sabores se desenvolva naturalmente. Existem vinhos que “gritam” algumas características assim que desarrolhamos a garrafa. Por exemplo, um Sauvignon Blanc. Se for chileno, vamos sentir o maracujá ou abacaxi, na hora. Aprendam desta maneira antes de se aventurarem em águas mais profundas.

Aqui vai um segundo conselho: não somos capazes de perceber, aromas ou sabores, que não conhecemos.

O valor das elaboradas descrições que acompanham algumas garrafas podem se tornar peças de ficção: se nunca provamos Alcaçuz, como vamos ser capazes de sentir sua presença?

Para apreciar um bom vinho basta a nossa vontade de abrir uma garrafa e servir, em voo solo ou em boa companhia.

O resto são detalhes.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Maria Maria Isabela Syrah 2023

Em 2006, Eduardo Junqueira Nogueira Junior, quinta geração de uma tradicional família de cafeicultores do Sul de Minas Gerais, sofreu um ataque cardíaco e precisou repensar seus hábitos alimentares. Seu médico receitou uma taça de vinho por dia e na sequência nasce a ideia de produzir seu próprio vinho. Murillo Albuquerque Regina, o grande pioneiro e desenvolvedor da atividade na região, o apresenta a técnica da dupla poda, que possibilita a produção de grandes vinhos em Minas Gerais.​

As primeiras mudas de Syrah, Cabernet Sauvignon e Sauvignon Blanc foram encomendadas e no final de 2009 plantadas na Fazenda Capetinga. A ideia do nome Maria Maria veio através da amizade de Eduardo com Milton Nascimento, seu conterrâneo. Milton brincou com Eduardo, ”Eduardinho do céu, você é doido. Nunca ouvi falar em plantar uvas aqui no Sul de Minas”.

O Maria Maria Isabela Syrah safra de 2023 é um tinto com uma ótima coloração vermelho rubi de média intensidade, boa limpidez e brilho. Possui ótimo aroma de frutas vermelhas, especialmente amora, toque de cereja e goiabada. Em boca, mostra boa acidez, taninos marcantes em um corpo médio, com toque salino ao final. Vinho fácil de beber e pronto. Ele acaba de receber a maior pontuação de um vinho nacional pela Revista Decanter, 96 pontos.

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A Casta Merlot, St. Emilion e o Cheval Blanc

A Merlot foi um dos personagens do texto anterior a este, que pegou uma carona no enredo do filme norte-americano, “Sideways”.

Logo após o lançamento desta comédia, que fez um grande sucesso em 2004, as vendas dos vinhos desta uva despencaram. Foi preciso algum tempo para se recuperarem.

Nunca foi intenção dos roteiristas criar uma situação como esta, era apenas uma forma de caracterizar bem um dos personagens. A ideia foi inspirada num dos preconceitos sobre esta casta: seus vinhos seriam para os iniciantes e não para Enófilos sérios. Uma grande bobagem.

O que poucos reconhecem é que a Merlot é uma casta muito importante e seus vinhos extremamente versáteis.

Vamos conhecer alguns fatos e curiosidades.

É a casta mais plantada na França. A região de St. Emilion é considerada como seu berço de origem.

Esta varietal é cultivada em larga escala em outros países da Europa, Américas, África e Oceania. No Brasil, é uma das castas tintas de maior sucesso.

Alguns vinhos franceses, elaborados com esta uva, se tornaram icônicos, como o citado Cheval Blanc ou o Petrus, um raro e espetacular 100% Merlot, elaborado na região de Pomerol.

Junto com sua meia-irmã, a Cabernet Sauvignon, formam a base do respeitado Corte Bordalês, imitado em todo o mundo.

Sua região de origem é cheia de boas e interessantes histórias. Embora não seja possível fixar uma época, é aceito que no quarto século do Império Romano (anos de 301 a 400 d.C), o poeta, vinhateiro e Cônsul do Império, Decimus Magnus Ausonius, ali residia e já produzia vinhos.

Tão importante quanto ele foi o monge Beneditino, Aemilianus, que habitava uma caverna na floresta de Cumbis no século VIII. Pouco a pouco, conseguiu erguer uma capela, que hoje está no centro desta cidade, a Igreja Monolítica. A cidade foi batizada em sua homenagem.

St. Emilion, considerada patrimônio da humanidade, é a mais antiga denominação produtora e exportadora de Bordeaux.

O Château Cheval Blanc se destaca por ser uma das propriedades pioneiras desta região, tendo sido estabelecida em meados do século XIV. Está sob o mesmo comando há mais de 150 anos. Seus vinhos são considerados entre os melhores do mundo. Tradicionalmente um corte de Merlot e Cabernet Franc, que é ajustado a cada safra.

O nome Merlot, aparentemente, deriva de Melro, um pássaro de penugem muito escura e semelhante à coloração da pele desta uva. Dizem os agricultores que as cultivam, que esta ave é uma grande apreciadora da frutinha.

Mas nem sempre foi chamada assim. Lá pelo século XIV era conhecida como “Crabatut Noir”. O novo apelido teria surgido no século XVIII.

Um bom Merlot é um vinho delicioso. Suas características organolépticas, muito mais suaves que a de um Cabernet Sauvignon, tornam seus vinhos muito agradáveis e fáceis de beber. Alguns detratores, como o personagem do filme, afirmam que é um vinho para as damas.

Outra característica destes vinhos é sua versatilidade para harmonizar com diversos tipos de alimentos. A lista é grande. Os de corpo mais leve podem ser acompanhados por aves, suínos, massas, pizzas e até hambúrgueres. Já os mais encorpados e alcoólicos, vão bem com carnes vermelhas e pratos mais robustos e bem condimentados.

Os melhores queijos para acompanhar este vinho são o Gouda, o Brie e os queijos de mofo azul.

Dependendo da forma de cocção, um St. Emilion pode acompanhar peixes e frutos do mar.

Um velho mito afirma: “Na dúvida sobre o que servir, escolha um Merlot”. Melhor, ainda, prefiram um Saint Emilion.

Além do vinho já citado, são igualmente famosos os seguintes Châteaux: Ausone, Angelus, Pavie, Canon, Troplong Mondot, Le Tertre-Roteboeuf, Valandraud e o Clos Figeac,

Façam suas escolhas.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Miolo Ícone SESMARIAS – 2018

Uma das mais icônicas vinícolas do Brasil, a história do Miolo Wine Group se inicia com a chegada de Giuseppe no Brasil em 1897. Uma das fundadoras do projeto Wines of Brasil, a Miolo é a maior exportadora de vinhos do Brasil e a mais reconhecida no mercado internacional. A produção dentre as 4 vinícolas do grupo soma, em média, 10 milhões de litros por ano numa área cultivada de vinhedos próprios com aproximadamente 1.000 hectares.

O Sesmarias é seu vinho mais icônico (e talvez um dos principais grandes vinhos brasileiros), produzido com uvas cuidadosamente desengaçadas não sofrendo esmagamento e a remontagem é feita com o rolamento da própria barrica. O vinho não sofre qualquer tratamento de colagem ou filtração.

É o primeiro tinto elaborado no Brasil com fermentação integral em barricas de carvalho, conferindo elegância e sabor ímpar ao vinho. Elaborado com as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Tannat, Tempranillo e Touriga Nacional. Um vinho de elevada intensidade cromática, vermelho escuro profundo mesclado com importante matiz de tom violáceo. Aroma intenso e com várias camadas que vão do floral de violeta, passando pelas frutas negras maduras, até as notas de especiarias e balsâmicas. Apresenta-se denso, untuoso, altamente estruturado com taninos sedosos e acidez refrescante, proporcionando um retrogosto bastante prolongado.

Preço unitário em 07/08/2025 – R$ 1.134,00

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Foto de abertura obtida no site da vinícola Château Cheval Blanc

Taça para vinho: acessório, pompa ou ferramenta?

A história do vinho vem sendo marcada por alguns importantes divisores.

São de diversas naturezas, como a praga da Filoxera, guerras, novas descobertas científicas na área do cultivo e da elaboração e até mesmo uma degustação na França, que se tornou um marco icônico: o “Julgamento de Paris”.

Foi ela quem estabeleceu a separação de estilos entre “Velho mundo” e “Novo mundo”.

Um destes divisores, curiosamente, foi um filme norte americano, “Sideways”, exibido aqui como “Entre umas e outras”.

A trama decorre em torno de dois personagens, um deles um aficionado por vinhos, que leva seu melhor amigo para uma despedida de solteiro, em meio a vinhedos e vinícolas da Califórnia.

Entre diversos diálogos e situações intrigantes e divertidas, o Enófilo revela suas duas paixões:

1 – Detesta vinhos da casta Merlot;
2 – Sua melhor garrafa é um Bordeaux, Château Cheval Blanc, 1961.

Neste momento, o filme divide os espectadores em dois grupos: os que não conhecem vinho e os que realmente apreciam esta tradicional bebida. Estes últimos, acabam por se divertir, muito mais, com esta ótima comédia.

Explico.

O famoso Cheval Blanc, não confundir com um whisky homônimo, é um vinho elaborado com Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. A safra de 1961 é considerada excepcional. Embora o corte seja mantido em segredo, especialistas avaliam que era composto de Merlot e Cabernet Franc, somente, com predominância deste segundo.

Parece que a implicância com Merlot não era tão grave. Mesmo assim, o sucesso deste filme trouxe um enorme impacto nas vendas de vinhos desta casta.

O mais interessante está numa cena lá no final da película. Nosso personagem, profundamente decepcionado com o amigo, que apronta todas, e com o desprezo de uma namorada, resolve beber sua preciosa garrafa num fast food de hambúrgueres.

O vinho foi degustado num copo de isopor!

Este improvável cenário é a inspiração para este texto.

Múltiplas questões se impõem, nos levando a pensar em heresias, em estragar o vinho e em não cumprir os ritos!

Seriam eles realmente importantes e obrigatórios?

O principal ponto nesta história é a ausência de uma taça, com bojo, preferivelmente de cristal, com uma haste e imaculadamente limpa.

Assim, poderíamos observar a coloração, girar despreocupadamente o líquido para obter os melhores aromas e, finalmente, o fino cristal tocar nossos lábios e transmitir aquela sensação de elegância, entregando todos os sabores contidos no néctar.

Neste caso, a taça se torna uma ferramenta de degustação. Nada mais é que um veículo. O conteúdo, apesar dos pesares, não pode e nem deve ser modificado por ele.

Será que tudo não passa de um mito ou de preferência pessoal?

O que realmente importa, no momento de apreciarmos um bom vinho, é o nosso “terroir”, fazendo um paralelo com a vinificação.

Onde estamos, com quem estamos (ou não), os acompanhamentos, o que explica a importância que é dada para as “harmonizações”, o clima e, por que não, dia, mês, ano e hora.

Honestamente, tudo isto é mais relevante do que a taça, seu formato, se é de cristal, de plástico ou um reles copo de papel.

Qual a sua opinião?

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Larentis Reserva Especial – Tannat/Viognier 2023

Mais um vinho da família Larentis apresentado nesse blog. Família estabelecida na Serra Gaúcha desde o século XIX vem se aventurando por apresentar constantemente novidades em seu portfólio. Nessa indicação apresentamos um vinhos co-fermentado utilizando uma uva branca e outra tinta. Apesar de esta característica existir em vinhos europeus a muitos anos, no Brasil apenas recentemente algumas vinícolas se aventuraram neste caminho.

O Larentis Reserva Especial Tannat Viognier safra 2023 é feito a partir de 90% Tannat 10% Viognier da Larentis é elaborado em co-fermentação, um processo que une, desde a fermentação, todas as características das duas variedades. Envelheceu por um ano em barricas de carvalho neutras, preservando e potencializando as características varietais. Possui coloração intensa, nariz de notas florais e frutas com boa intensidade e boca com taninos aveludados, muito equilibrado e final agradável.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de abertura por brgfx no Freepik

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