Autor: Tuty (Page 82 of 154)

Vinho para celebrações

Frequentemente sou consultado para indicar o vinho correto que será servido numa festa, seja a simples celebração de um aniversário, o reencontro de amigos ou, a mais importante delas, num casamento.

Quase sempre a escolha do vinho é deixada por último, o que complica um pouco as sugestões. Nesta fase da organização, o orçamento já está estourado e tudo que me pedem é “um vinho bom e baratinho”, seja ele tinto, branco ou espumante.

Isto remete a um ponto muito discutível na nossa cultura: porque servimos vinho nestas ocasiões festivas e relevantes?

Com poucas exceções, vinhos não fazem parte do nosso dia a dia, somos um povo da cerveja e caipirinha. Espumante, só para ocasiões únicas.

Fica fácil perceber que servir um vinho, em certas situações, é puramente uma questão de status. Num casamento, a nossa bebida favorita se torna um adorno, um detalhe decorativo como as flores, os doces (tem que ter bem-casado!), ou outras nuances que completam o quadro. No fundo, a única preocupação é se a qualidade, e aqui enfatizo, a origem do vinho, está de acordo com o poder aquisitivo do pai da noiva, tradicionalmente o responsável pela festa.

Servir bebidas ‘nacionais’ ou de origem duvidosa pode render anos de bochichos inconvenientes…

Pois bem, Senhoras e Senhores, este é o primeiro erro que se comete ao decidir que vinhos serão servidos.

Levando-se em conta que, para brindar, sempre cabe um bom espumante, escolher vinhos que harmonizem com uma eventual refeição acaba sendo uma tremenda armadilha, até para o consultor que vai sugerir as escolhas.

Vamos olhar para esta situação por um outro ângulo: que tal servir um vinho que realmente tenha um significado ou simbologia e que esteja ligado ao que se está celebrando?

Um bom exemplo seria o vinho que um futuro casal degustou num primeiro encontro, ou escolher a mesma marca de uma garrafa que ficou icônica por uma razão ou outra. Isto traria um brilho todo especial a uma reunião e motivo para várias conversas interessantes. Harmonizar seria, apenas, escolher o cardápio correto para este vinho e não o oposto.

A questão da qualidade, ou origem, pode ser um fator muito difícil para lidar. Como consultor, já participei de reuniões, ditas técnicas, com os interessados, sejam eles noivos, aniversariantes ou assemelhados que “exigem”, nada menos, que champanhe francês, mesmo que nunca tenham provado uma na vida e, por isto mesmo, não tem ideia do custo que isto pode gerar.

Ao informar os valores aos interessados, os responsáveis por alimentos e bebidas se tornam, imediatamente, os bandidos da vez. Muito desagradável.

Acabam optando pelo que tem em sua adega, o que pode ser outro erro e até mesmo estragar o evento. Resumindo: se você não entende de vinho ou não os aprecia, não sirva…

No Brasil o custo para uma bebida de qualidade é elevado, até mesmo para o bom produto nacional, o que se torna um fator desestimulante. Isto sem mencionar as variações regionais.

Por outro lado, se estivermos numa região produtora ou próximo a ela, seria muito charmoso e correto oferecer os vinhos locais, resguardada algumas condições, obviamente. Comprando diretamente do produtor pode-se obter bons preços. Mas atenção com o frete.

Muita gente torce o nariz para vinhos comprados em grandes embalagens, mas não há nada errado nisto. No nosso país só aparecem as Wine Box com vinhos mais simples e que não enchem os olhos de ninguém. Em diversos países, muito em função do maior consumo de vinhos, existem modernos barris, os Wine Keg, que podem ser abastecidos com o vinho de sua preferência a um custo muito satisfatório. A bebida é servida através de uma torneira, como numa chopeira.

A ilustração, a seguir, mostra um barrilete de pequeno porte, apenas com o intuito de explicar o sistema. Existe em diversos tamanhos e podem ser disfarçados com múltiplas opções.

O serviço será direto nas taças e tanto pode ser feito no background como na frente dos convidados. A menos que seja uma festa muito informal, recomendamos que um profissional fique encarregado desta operação.

Pensem nestas opções quando forem organizar uma próxima festa.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um belo tinto italiano.

Marchesana Primitivo IGT

Elaborado com 100% da casta Primitivo. Apresenta coloração rubi intensa com reflexos violáceos. Aromas marcantes de frutas vermelhas, cereja preta amora e cereja madura, com final delicado de flores e hortelã silvestre. Encorpado e aveludado com longo final amendoado.

Harmoniza com carnes vermelhas, queijos amarelos e pratos condimentados.

Compre aqui:

Vina Brasilis – Rômulo – [email protected] – (21) 99515-1071 – https://www.facebook.com/pg/VinaBrasilis/shop/?rid=133172546824172&rt=6

Supermercado Farinha Pura (Rio) – http://www.farinhapura.com.br/

Importado por Romanelli Food & Wine – https://www.facebook.com/contato.vimaimport/


EVENTO EM S. PAULO

Girl Power: seis mulheres comandam evento de vinhos inédito no Brasil

Seis Sommelières brasileiras integram o projeto ‘Rainhas de Copas’, promovido pela Wines of Chile

A arena da batalha é São Paulo. A data do duelo é 15 de junho. Em disputa estarão alguns dos mais expressivos vinhos do Chile.

As Rainhas de Copas (copas = taças, em espanhol) que participam do duelo são as sommelières Daniela Bravin, Débora Breginski, Eliana Araújo, Gabriela Bigarelli, Gabriele Frizon e Jéssica Marinzeck. Desde o dia 2 de maio, até o dia 5 de maio, as seis rainhas estarão no Chile para um roteiro intenso de visita às vinícolas, degustação dos vinhos e seleção dos rótulos que vão fazer parte de suas cartas.

No dia 15 de junho (sexta-feira), no charmoso e badalado Bar de Cima, nos Jardins, as sommelières apresentam suas cartas e duelam pelo voto do público. O consumidor vai decidir de qual carta que ele mais gostou. A vencedora ganha – além da coroa que a eleva ao posto de Rainha de Copas – uma viagem exclusiva ao Chile.

As vinícolas que participam do projeto e abrem as portas – e as rolhas! – para as sommelières no Chile são: Aresti, Bisquertt Family Vineyards, Casa Silva, Casas del Bosque, Cono Sur, El Principal, Emiliana, Gandolini, Indomita, Matetic Vineyards, Perez Cruz, Santa Carolina, Siegel Family Wines, Terranoble, Valdivieso, Ventisquero e Veramonte.

Rainhas de Copas – Wines of Chile

Dia 15 de junho (sexta-feira), das 20 horas à meia-noite

Bar de Cima – Rua Oscar Freire, 1.128

Ingressos limitadíssimos! Informações pelo telefone (11) 3253.7052

O ingresso dá direito à degustação de vinhos + coquetel

Divulgação: Alessandra Casolato – CH2A Comunicação

e-mail: [email protected]

Vinho e Sopa

Com a chegada de temperaturas mais amenas, e do frio em várias regiões brasileiras, a sopa passa a fazer parte da nossa mesa. Um alimento reconfortante e muito saudável.

Este alimento é considerado, por vários autores, como o prato mais antigo da história. Pode ser líquida ou pastosa e quase sempre servida quente, embora existam sopas frias muito famosas como o Gaspacho, a Vichyssoise e a Panzanella.

Harmonizar uma sopa é muito simples. Apresentamos, a seguir, as melhores combinações para receitas clássicas.

Sopa de Cebola

Por receber uma camada de queijo Gruyère, que é gratinada antes de servir, a harmonização correta pede um tinto com boa acidez, como os Cru de Beaujolais. Uma boa alternativa é um Cabernet Franc, casta muito bem vinificada na América do Sul, principalmente na Argentina. Para os que preferem os brancos, um Sauvignon Blanc é uma ótima escolha.

Caldo Verde

Tradicional sopa lusitana feita com batatas e couve é bem cremosa e encorpada. Um bom tinto português, como os da região do Dão, é a escolha correta. Vinhos muito frutados e com maior teor alcoólico devem ser evitados.

Sopa de Tomate

Existem algumas variações desta receita e o resultado final pode ser mais ou menos encorpado ou cremoso. Um dos casamentos clássicos é com um bom Jerez, tipo manzanilla, servido bem gelado. Tintos leves e de corpo médio são outras escolhas: Côtes du Rhone, Gamay, Barbera. Entre os brancos prefira Alvarinho ou Sauvignon Blanc.

Canja de Galinha

A mais conhecida sopa caseira que “não faz mal a ninguém”. Com sabores muito delicados, a melhor sugestão seria um Chardonnay ao estilo do Novo Mundo, que passou por madeira.

Em Portugal prefere-se uma harmonização bem típica, com o vinho tinto da região onde a receita for elaborada.

Sopa de Legumes

Se for do tipo cremosa, as melhores combinações serão com os brancos. A lista é extensa: Pinot Grigio, Chardonnay, brancos bordaleses, Viognier e Chenin Blanc. Quanto mais cremosa, mais encorpado pode ser o vinho.

Se a receita for do tipo pedaçuda e rústica, ou um Minestrone, ou uma sopa de leguminosoas como lentilha e grão de bico, os tintos serão as melhores opções: Côtes du Rhone, Syrah jovem ou um Chianti clássico.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: ótimo para acompanhar um creme de tomates.

 

Côtes du Rhône Closerie Saint Hilaire Garnacha – Syrah 2014

Apresenta uma bela cor rubi escuro. O nariz apresenta notas de frutos vermelhos. Os taninos harmoniosos apoiam uma boca larga e elegante, apresenta bom equilíbrio e boa persistência.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br

Mudanças na DOCa Rioja

A Rioja é uma das mais importantes e conhecidas regiões vinícolas da Espanha. Produz, anualmente, algo em torno de 300 milhões de litros de vinho, a maioria tintos.

Dividida em 3 grandes regiões, Rioja Alta, Rioja Alavesa e Rioja Baja, é berço de alguns grandes produtores como Contador, Artadi, Tondonia, entre outros.

O Conselho Regulador da Denominação de Origem Qualificada é um dos mais respeitados em com grande influência em outras áreas. Recentemente introduziu uma série de modificações no seu sistema classificatório, incluindo os chamados ‘vinhedos únicos’, objeto de uma outra matéria, em nosso site, sobre o “Vino de Pago”.

Na Rioja serão chamados de “Viñedos Singulares”.

Esta não foi a única alteração: os produtores riojanos poderão elaborar espumantes, a partir de diversas castas, sempre utilizando o método tradicional. Serão vendidos como ‘Espumosos de Calidad’ e devem estar no mercado a partir de 2019. Não podem utilizar a denominação Cava, exclusiva da região da Catalunha.

Novas regras para as classificações Reserva e Gran Reserva foram adotadas, e a antiga denominação ‘Generico’ foi substituída por ‘Joven’.

Foi autorizada a elaboração de vinhos brancos varietais. As castas mais prováveis são: Viura, Malvasía, Tempranillo Blanco, Garnacha Blanca, Maturana Blanca, Turruntés, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Verdejo.

Apresentamos, a seguir, um resumo destas alterações.

Viñedos Singulares:

– Somente vinhedos com um mínimo de 35 anos de idade;

– Devem estar claramente delimitados;

– Rendimento máximo de 5.000 Kg (tintos) por hectare;

– Colheita manual;

– Rastreabilidade exigida.

Existem mais exigências, muitas de ordem burocrática e regras de rotulagem. Cerca de 150 municípios estariam habilitados a produzir vinhos dentro desta nova classificação.

Vinos de Pueblo e de Zona

– As regiões Alta, Alavesa e Baja são as Zonas mencionadas;

– Os vinhos de Pueblo ou Município são aqueles produzidos com pelo menos 85% de uvas locais, em vinícola sediada no município;

– Rastreabilidade exigida.

As novas regras de amadurecimento passam a ser estas:

– Reserva – 3 anos de maturação sendo 1 ano, pelo menos em madeira e 6 meses na garrafa. Válido a partir de 01/01/2019.

– Gran Reserva – 5 anos de amadurecimento com 24 meses em madeira e 24 meses em garrafa. Já em vigor.

Para não deixar dúvidas, poderemos ter, a partir de 2019, vinhos denominados como ‘Singulares’, ‘de Pueblo’ e de ‘Zona’, em diferentes estágios de amadurecimento, como Reserva ou Gran Reserva.

Saúde e bons vinhos!

Fontes:

https://www.thedrinksbusiness.com/2018/04/everything-you-need-to-know-about-riojas-new-rules/

https://uk.riojawine.com/en/

Vinho da Semana: um ótimo espanhol

Sierra Cantabria Selección D.O.Ca. 2015 (Rioja)

Elaborado com 100% Tempranillo, sua cor é vermelho-cereja limpa e brilhante. Bom corpo, com tanino notável, mas redondo. Fresco e muito frutado. No paladar é sedoso e equilibrado. No nariz, apresenta aromas de frutos vermelhos e negros maduros, aroma intenso e persistente com toques de alcaçuz. Possui boa acidez, equilíbrio perfeito. Fácil de desfrutar.

Harmoniza com perna de cordeiro com ervas, massas com molho de carne, terrinas e patês de fígado de ave.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br

 

Vinho e Smartphones

Calamares…

Um dos possíveis nomes científicos seria Cephalopoda Coleoidea Teuthida, mas atende também por lula, simplesmente. É um molusco marinho que se caracteriza por ter os “os pés na cabeça” (cefalópode), ao contrário da crença popular que entende que esta classe, assim como alguns crustáceos, tem excrementos na cabeça.

Apesar de sua pele possuir cromatóforos, o que lhes permite mimetizar de acordo com o ambiente, sua visão tem apenas um pigmento visual, o que não lhe permite ver cores, apenas distinguem preto do branco ou cinza mais claro do cinza mais escuro.

Esta iguaria culinária está presente em diversas culturas, cada uma com uma receita ou método de cozimento preferido. Podem ser servidas como aperitivo ou prato principal.

Dois métodos de preparo são possíveis: rápida cocção, algo em torno de 5 a 7 minutos, ou tempos de preparo muito longos, como parece ser uma forte tendência no nosso país. Caso não se siga um destes caminhos, a lula fica borrachuda e muito difícil de engolir.

Uma das formas mais populares de preparo dos calamares é a Lula Frita, prato facilmente encontrado nos países mediterrâneos, além do Líbano, Turquia, Síria, Nova Zelândia, Austrália, África do Sul e nos países das três Américas.

As lulas, depois de limpas, são cortadas em anéis (sugestivo) e empanados, ou seja, são aprisionados em uma camada de algum tipo de massa, que vai enrijecer ao ser frita, produzindo uma certa crocância em contraste com a maciez escorregadia deste molusco.

Os acompanhamentos variam desde uma simples banda de limão até elaborados molhos com base em maionese ou iogurte e diversos temperos.

Para harmonizar o correto é um vinho branco, com boa acidez, frutado e jovem, para enfrentar a oleosidade decorrente da fritura e dos molhos. Quem pode brilhar é um bom espumante. Outras opções são o Sauvignon Blanc, o sul americano Torrontés e um ótimo Riesling alemão ou alsaciano, bem seco.

A nossa típica moqueca ou o cozido de lula (caldeirada) são outras formas de preparo que encantam uma grande parte dos brasileiros. Prato de preparação muito lenta e demorada, exigindo total atenção dos cozinheiros. A cada momento acontecem diversas mudanças que se não forem rapidamente ajustadas o resultado final é imprevisível. Como diria meu querido pai, “cozinhe em fogo fátuo”…

Para harmonizar, uma boa sugestão é um vinho branco grego da casta Assyrtiko, nome de difícil pronunciamento e entendimento. Há alternativas: brancos sicilianos da casta Traminer e até mesmo um leve rosé, como os da região da Provence.

Caso seja usado leite de coco na preparação, um Chardonnay madeirado casa com perfeição.

Calamares en su tinta, receita de origem espanhola, é outra preferência mundial. A tinta de lula funciona como um mecanismo de defesa, protegendo-a dos seus predadores naturais. Saborear este prato traz outras sensações além das gastronômicas, como um certo ‘sabor de vitória’.

A preparação é delicada e exige técnica apurada para extrair a tinta e usá-la no preparo. Este prato pode ser servido com arroz branco ou massa. Há uma variante onde a massa é colorida com a tinta. A versão tradicional, servida na Espanha, é sem nenhum acompanhamento extra (foto acima).

Para harmonizar, um Chardonnay da Borgonha ou um Pinot Noir da Nova Zelândia. A ideia é balancear o frutado do vinho com os sabores deste prato. A escolha do Pinot é crítica, não podem ser percebidos os taninos. Caso haja massa neste prato, um rosé, frutado, seria boa opção.

Mas atenção nesta escolha: Domaine de la Romanée-Conti, safra 1997, não serve, nem com Pizza de lula, outra receita de aparência simples mas de alta complexidade, que ainda não foi ministrada corretamente por nenhum chefe. Nunca conseguiram unanimidade na forma de elaboração.

Para encerrar uma opção tipicamente portuguesa que, definitivamente, vai agradar aos brasileiros: Lula no Espeto (espetada de lula).

Muito fácil de preparar. Basta intercalar, no espeto, os anéis de lula, pedaços de cebola, pimentões e, opcionalmente, camarões e chouriço. Pincela-se com um molho tipo vinagrete e grelha-se na brasa. Simples e delicioso.

Um branco alentejano da casta Antão Vaz é a combinação ideal. Como opção, brancos frutados e com boa acidez, na temperatura certa, inclusive espumantes, sempre indicados para celebrar, nem que seja um vislumbre da restauração da ordem das coisas…

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um vinho tinto argentino com um sugestivo rótulo.

Prisionero Malbec

É um tinto jovem e agradável, com aroma frutado, lembrando ameixa e amora, e leves notas de pimenta preta. Na boca, apresenta corpo médio, taninos aveludados, boa acidez e um final elegante.

Harmonização: Carnes vermelhas em geral, assadas ou grelhadas; pizzas e queijos de meia cura até curas mais longas.

ATENÇÃO: a pesar dos esforços de diversos especialistas, até o momento da publicação deste texto, ainda não foi encontrada a maneira correta de harmonizar este rótulo com lula.

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