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Castas Exóticas

Todos conhecemos as “uvas nobres”. Para quem não se lembra, é um pequeno grupo, composto atualmente por sete castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Riesling.

Receberam este apelido por múltiplas razões. Para os especialistas, são as castas que melhor traduzem o “terroir” onde foram plantadas, quando transformadas em vinho.

Por analogia, castas “exóticas” seriam aquelas que não se enquadram neste conceito de “nobre”.

Certo? Não, não é bem assim.

Existem milhares de uvas dentro da espécie “Vitis Vinifera”, que são as mais adequadas para a elaboração dos vinhos. Neste amplo grupo, vamos encontrar algumas varietais que, por cruzamentos naturais, deram origem a outras viníferas. Existem, também, castas que foram criadas pela mão humana.

A fabulosa Cabernet Sauvignon é um ótimo exemplo de um cruzamento natural e a sul-africana, Pinotage, o melhor exemplo de uma varietal criada pelo homem.

As castas chamadas exóticas têm uma outra definição: é um grupo de uvas que nunca ficou popular, como as nobres ou levaram muito tempo a serem reconhecidas como excelentes.

Sem pretender esgotar o assunto, aqui está uma pequena relação delas.

1 – Tannat

Esta casta, nascida no País Basco, quase não poderia ser considerada neste grupo, por conta do seu sucesso no Uruguai, onde se tornou uma uva icônica. Seus vinhos são robustos, muito tânicos. Foi preciso muita pesquisa para domá-la e produzir vinhos que se tornaram um sucesso. Par perfeito para um cordeiro na brasa.

2 – Carménère

Uma casta que se tornou uma referência, no Chile. Considerada extinta em sua região de origem, Bordeaux, durante a epidemia da Filoxera, ficou escondida em vinhedos chilenos de Merlot, até ser redescoberta, em 1994, pelo Ampelógrafo, francês, Jean-Michel Boursiquot. Seus vinhos de coloração escura, trazem notas bem características, como as pirazinas (pimentão), exigindo cuidados adicionais para que não se sobreponham.

3 – Malbec

Pode parecer estranho, esta casta já deveria fazer parte das nobres. Qualquer especialista sabe: nenhuma outra uva traduz tão bem o terroir onde está plantada. Seus vinhos, principalmente os elaborados na Argentina, confirmam isto. Na França é conhecida por outros nomes: Cot, Auxerrois, Pressac e Noir de Pressac. Dizem que o apelido Malbec teria origem na expressão francesa “mal bec”, ou “ruim de bico” numa tradução quase literal.

4 – Alvarinho/Albarinho

A grande casta branca do norte de Portugal e da Galícia, nunca foi muito respeitada. Isto só mudou quando os métodos de plantio e de vinificação foram modernizados. Hoje, os brancos desta castas, sejam portugueses ou galegos, rivalizam com os famosos brancos alemães. Vinhos perfeitos para acompanhar peixes e outras delícias do mar.

5 – Vermentino

Uma rara casta que transita entre Itália e França, onde é conhecida como Rolle. Vinhos com boa acidez, aromas florais e paladares que vão das frutas brancas com caroço até as cítricas.

6 – Grüner Veltliner

A clássica casta austríaca, capaz de produzir vinhos memoráveis. A combinação de aromas e sabores, que equilibram maçãs verdes e pimenta branca é particularmente marcante.

Podemos incluir, ainda, as seguintes castas tintas: Nero d’Avola e Aglianico, da Itália, a grega Xinomavro, a Saperavi, da Georgia, além da espanhola Mencia, que anda na moda. Seus tintos são de muita personalidade, com aromas florais e paladares de frutas vermelhas. Muito minerais. Prefiram os da região de Bierzo.

Para não deixar o ponto sem nó, a dica de hoje traz mais uma “exótica”, a casta Palava, de origem tcheca.

Saúde e bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Berra & Corbelini – Palava

Em 2021 três amigos, de famílias com mais de 140 anos de tradição no cultivo de uvas, decidiram apostar no cultivo de uvas exóticas para uma produção de vinhos únicos. A propriedade da família está localizada na Linha 130 da Leopoldina, no interior do município de Santa Teresa e possui nove hectares de parreirais com cerca de 20 tipos de variedade de uva. A produção é toda artesanal e tem garrafas limitadas, são produzidas cerca de 200 garrafas por variedade por safra. No portfolio vinhos varietais como Montepulciano, Saperavi e a Palava.

O Berra & Corbelini Palava é um varietal feito desta uva de origem tcheca, que nasce de um cruzamento de outras uvas brancas da Europa Central (possivelmente da Traminer com a Muller Thurgau). Um vinho de visual amarelo palha com reflexos dourados e aroma de frutas em calda, mel, própolis e toque floral. Excelente volume de boca e equilíbrio entre acidez e estrutura. Perfeito para harmonizar com pratos leves, peixes e aves.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Foto de Suzy Hazelwood no Pexels

Quais são as castas internacionais?

O berço da maioria das castas usadas na vinificação é o Velho Continente. Muitas se espalharam por todos os lados, transcendendo suas origens.

Alguns nomes são bem conhecidos, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Merlot, Pinot Noir, Malbec, Riesling e mais um punhado delas. Basta consultar a Carta de Vinhos de um restaurante em qualquer outro país, que elas vão estar lá.

Não é difícil entender as múltiplas razões pelas quais estas uvas resolveram se tornar “globe-trotters”. Destacam-se a constante busca por inovação e por terroirs mais adequados, além das tentativas de “copiar o original”, feitas por vinhateiros ao redor do mundo.

Um dos melhores exemplos, atualmente, é o sucesso da Malbec, cultivada na Argentina. Seus vinhos conquistaram o paladar dos consumidores de qualquer Continente, ao contrário dos produtos da sua região de origem, Cahors, na França. São dois vinhos bem distintos, numa comparação direta.

Outra boa história pode ser contada através da Sauvignon Blanc. Originária da região de Bordeaux, se espalhou pelo mundo produzindo, em cada nova região, vinhos tão ou mais espetaculares que os “originais” (há controvérsias). Mas não se pode falar desta casta sem mencionar os néctares que são elaborados na Nova Zelândia. Para os brasileiros, outro país que produz Sauvignon Blanc, que acerta com o nosso paladar, é o Chile.

A Syrah, uma casta que está levando a nossa produção de vinhos para um outro patamar, tem suas raízes no Vale do Rio Ródano, França. Um dos primeiros terroir, fora de seu país de origem, ao qual se adaptou de forma maravilhosa, foi na Austrália.

Por conta de uma criteriosa pesquisa, um cientista brasileiro, Murillo de Albuquerque Regina, desenvolveu um método que permitiu que esta e algumas outras castas, pudessem ser cultivadas em climas mais tropicais, como no nosso país. Ficou conhecido como “dupla poda”. Esta técnica faz com que a videira inverta seu ciclo, permitindo a colheita no inverno. No ciclo normal a colheita seria no verão.

Outras duas varietais que tiveram sucesso fora de suas origens são a Pinot Noir e a Chardonnay, ambas da Borgonha.

A Pinot é considerada como uma casta de difícil cultivo, enquanto a Chardonnay sempre foi muito versátil. Os vinhos desta casta branca elaborados na Califórnia, EUA, rivalizam diretamente com os melhores Crus da Borgonha.

Um fato bastante interessante é que o nosso país é um bom produtor de Pinot Noir, principalmente na região de Garibaldi, RS, onde é vinificada em branco, para a elaboração dos nosso espumantes, junto com a Chardonnay.

Vinho e ritos religiosos sempre tiveram uma ligação muito estreita. Muito antes destas famosas castas se disseminarem, houve uma que foi a pioneira, trazida pelos missionários que vieram para o Novo Mundo. O objetivo era elaborar o vinho de missa.

Esta quase esquecida uva, recebeu diversas denominações, conforme o lugar onde foi plantada. Originalmente, é uma casta denominada Listan Prietro, originária das ilhas Canárias.

Na América do Sul é conhecida como País (Chile) ou Criolla Chica (Argentina). Na América do Norte é chamada de Mission.

Ficou muito tempo desprezada, até que as mudanças climáticas fizeram com que a atenção de alguns produtores se voltasse para aqueles vinhedos sem importância. Eles estavam firmes e fortes apesar de tudo.

Nossos vizinhos estão produzindo excelentes vinhos com esta pioneira das viagens internacionais. Na Califórnia foi uma das castas mais plantadas até o início do século XIX, quando outras cepas europeias foram introduzidas.

Infelizmente, está quase extinta na sua região de origem.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Luiz Argenta – Ripiano 2024

Em 1999, os irmãos Deunir e Itacir Neco Argenta adquiriram a histórica propriedade que pertencia à antiga Granja União, local pioneiro na produção de vinhos finos no Brasil.  Em 2009, ficou pronta a Vinícola Luiz Argenta, em homenagem ao patriarca da família.

A Luiz Argenta cultiva atualmente 55 hectares de videiras e é uma das mais belas e modernas vinícolas brasileiras. Localizada em Flores da Cunha, a cerca de 60 km de Bento Gonçalves, produz vinhos e espumantes de altíssima qualidade. O Luiz Argenta LA Jovem Ripiano leva esse nome por ser um corte de 25% Riesling (RI), 50% Pinot Noir (PI) e 25% Trebbiano (ANO) e conta com Indicação de Procedência (IP) de Altos Montes. Um vinho de coloração amarela com reflexos esverdeados, aromas intensos de flores brancas, com leve toque frutado de pêssego, pera e anis.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de jcomp no Freepik.

A Casta Merlot, St. Emilion e o Cheval Blanc

A Merlot foi um dos personagens do texto anterior a este, que pegou uma carona no enredo do filme norte-americano, “Sideways”.

Logo após o lançamento desta comédia, que fez um grande sucesso em 2004, as vendas dos vinhos desta uva despencaram. Foi preciso algum tempo para se recuperarem.

Nunca foi intenção dos roteiristas criar uma situação como esta, era apenas uma forma de caracterizar bem um dos personagens. A ideia foi inspirada num dos preconceitos sobre esta casta: seus vinhos seriam para os iniciantes e não para Enófilos sérios. Uma grande bobagem.

O que poucos reconhecem é que a Merlot é uma casta muito importante e seus vinhos extremamente versáteis.

Vamos conhecer alguns fatos e curiosidades.

É a casta mais plantada na França. A região de St. Emilion é considerada como seu berço de origem.

Esta varietal é cultivada em larga escala em outros países da Europa, Américas, África e Oceania. No Brasil, é uma das castas tintas de maior sucesso.

Alguns vinhos franceses, elaborados com esta uva, se tornaram icônicos, como o citado Cheval Blanc ou o Petrus, um raro e espetacular 100% Merlot, elaborado na região de Pomerol.

Junto com sua meia-irmã, a Cabernet Sauvignon, formam a base do respeitado Corte Bordalês, imitado em todo o mundo.

Sua região de origem é cheia de boas e interessantes histórias. Embora não seja possível fixar uma época, é aceito que no quarto século do Império Romano (anos de 301 a 400 d.C), o poeta, vinhateiro e Cônsul do Império, Decimus Magnus Ausonius, ali residia e já produzia vinhos.

Tão importante quanto ele foi o monge Beneditino, Aemilianus, que habitava uma caverna na floresta de Cumbis no século VIII. Pouco a pouco, conseguiu erguer uma capela, que hoje está no centro desta cidade, a Igreja Monolítica. A cidade foi batizada em sua homenagem.

St. Emilion, considerada patrimônio da humanidade, é a mais antiga denominação produtora e exportadora de Bordeaux.

O Château Cheval Blanc se destaca por ser uma das propriedades pioneiras desta região, tendo sido estabelecida em meados do século XIV. Está sob o mesmo comando há mais de 150 anos. Seus vinhos são considerados entre os melhores do mundo. Tradicionalmente um corte de Merlot e Cabernet Franc, que é ajustado a cada safra.

O nome Merlot, aparentemente, deriva de Melro, um pássaro de penugem muito escura e semelhante à coloração da pele desta uva. Dizem os agricultores que as cultivam, que esta ave é uma grande apreciadora da frutinha.

Mas nem sempre foi chamada assim. Lá pelo século XIV era conhecida como “Crabatut Noir”. O novo apelido teria surgido no século XVIII.

Um bom Merlot é um vinho delicioso. Suas características organolépticas, muito mais suaves que a de um Cabernet Sauvignon, tornam seus vinhos muito agradáveis e fáceis de beber. Alguns detratores, como o personagem do filme, afirmam que é um vinho para as damas.

Outra característica destes vinhos é sua versatilidade para harmonizar com diversos tipos de alimentos. A lista é grande. Os de corpo mais leve podem ser acompanhados por aves, suínos, massas, pizzas e até hambúrgueres. Já os mais encorpados e alcoólicos, vão bem com carnes vermelhas e pratos mais robustos e bem condimentados.

Os melhores queijos para acompanhar este vinho são o Gouda, o Brie e os queijos de mofo azul.

Dependendo da forma de cocção, um St. Emilion pode acompanhar peixes e frutos do mar.

Um velho mito afirma: “Na dúvida sobre o que servir, escolha um Merlot”. Melhor, ainda, prefiram um Saint Emilion.

Além do vinho já citado, são igualmente famosos os seguintes Châteaux: Ausone, Angelus, Pavie, Canon, Troplong Mondot, Le Tertre-Roteboeuf, Valandraud e o Clos Figeac,

Façam suas escolhas.

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Miolo Ícone SESMARIAS – 2018

Uma das mais icônicas vinícolas do Brasil, a história do Miolo Wine Group se inicia com a chegada de Giuseppe no Brasil em 1897. Uma das fundadoras do projeto Wines of Brasil, a Miolo é a maior exportadora de vinhos do Brasil e a mais reconhecida no mercado internacional. A produção dentre as 4 vinícolas do grupo soma, em média, 10 milhões de litros por ano numa área cultivada de vinhedos próprios com aproximadamente 1.000 hectares.

O Sesmarias é seu vinho mais icônico (e talvez um dos principais grandes vinhos brasileiros), produzido com uvas cuidadosamente desengaçadas não sofrendo esmagamento e a remontagem é feita com o rolamento da própria barrica. O vinho não sofre qualquer tratamento de colagem ou filtração.

É o primeiro tinto elaborado no Brasil com fermentação integral em barricas de carvalho, conferindo elegância e sabor ímpar ao vinho. Elaborado com as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot, Tannat, Tempranillo e Touriga Nacional. Um vinho de elevada intensidade cromática, vermelho escuro profundo mesclado com importante matiz de tom violáceo. Aroma intenso e com várias camadas que vão do floral de violeta, passando pelas frutas negras maduras, até as notas de especiarias e balsâmicas. Apresenta-se denso, untuoso, altamente estruturado com taninos sedosos e acidez refrescante, proporcionando um retrogosto bastante prolongado.

Preço unitário em 07/08/2025 – R$ 1.134,00

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Foto de abertura obtida no site da vinícola Château Cheval Blanc

Escolhendo um vinho para guardar

“Envelhecer como um bom vinho” é uma expressão consagrada, muito utilizada para qualificar pessoas que se tornam cada vez mais interessantes, com o passar dos anos.

O paralelo com os vinhos tem um lado absolutamente verdadeiro: todo vinho pode envelhecer.

O grande problema é saber se deve ser envelhecido. Nem sempre o resultado esperado pode valer a pena.

A maioria dos vinhos produzidos atualmente foi elaborada para serem consumidos rapidamente. Por outro lado, os chamados grandes vinhos, como os de Bourdeaux, Bourgogne e Champagne, na França, Barolo, Brunello e Barbaresco, na Itália, os Tempranillos da Rioja, Espanha, e os vinhos do Douro, em Portugal, são vinificados para serem guardados por alguns anos, antes de serem degustados.

São produtos de safras muito especiais, portanto bem mais caros que os vinhos do dia a dia, que se bem armazenados podem trazer novas camadas de aromas e sabores, se afastando do perfil frutado, fresco e fácil de beber. O novo perfil entra na região dos “terciários”. Aparecem frutas secas ou em compotas, couro, tabaco, com taninos bem arredondados e baixa acidez. Um final de boca muito persistente e agradável.

Pensando nisto, vem a primeira dica: se você nunca provou ou não gosta deste tipo de perfil, nem tente trafegar por este caminho.

Mas, se for esta a via desejada, aqui está a segunda dica: escolha um vinho que você já tenha provado e gostado.

Depois, certifique-se que ele tem algumas condições, na sua juventude, para poder melhorar na terceira idade: taninos presentes, boa acidez, teor alcoólico acima da média.

Uma interessante sugestão é comprar duas ou três garrafas deste mesmo vinho que se pretende envelhecer. Fixe uma data para ir abrindo cada uma delas, acompanhado a evolução da que será a última. É um ótimo aprendizado.

Um mito que devemos esquecer é o que afirma que só os tintos envelhecem bem: totalmente falso.

Um dos mais famosos vinhos do mundo, o Champagne, é disputadíssimo em anos safrados (vintage), simplesmente pela excelente capacidade de envelhecer. O mesmo pode ser dito sobre vinhos doces. A maioria são brancos.

Obviamente, existem castas, tintas ou brancas, que realmente melhoram com o tempo. Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, por exemplo, são algumas das mais conhecidas entre as tintas. Chardonnay, Riesling e Chenin Blanc são bons exemplos de uvas brancas.

Outros fatores que influenciam num bom envelhecimento são a passagem por madeira e o tamanho da garrafa. As menores envelhecem mais rápido.

Temperatura e umidade controladas, posição horizontal, baixa iluminação e constante observação são recomendações válidas para vinhos novos ou envelhecidos.

Resumindo:

– Envelhecer um vinho não significa, necessariamente, que ele será melhor;

– Quem vai decidir esta questão é o seu paladar;

– Só armazene um vinho se você aprecia os sabores mais maduros, típicos de um vinho mais evoluído;

– Seguir o caminho dos vinhos consagrados é mais seguro, mas a grande aventura é trilhar por outras regiões menos famosas e descobrir novidades;

– Prefira um vinho que você já conheça. Tentar melhorar um vinho ruim, com envelhecimento, vai resultar num vinho ruim e velho;

– Vinhos tintos, brancos, rosados ou espumantes podem ser envelhecidos. Façam uma sábia escolha.

 Saúde, bons vinhos!

(A dica de hoje é uma boa opção para deixar quieto na adega.)

Dica da Karina – Cave Nacional

Vistamontes – Merlot Gran Inovum 2022

A Vistamontes Vinícola fica no interior de Bento Gonçalves. Ela faz parte da Rota Cantinas Históricas, um roteiro composto por diversos pontos turísticos da região. Os enólogos Geyce Marta Salton e Anderson De Césaro uniram experiências para elaborar sucos, espumantes e vinhos em seu local de origem: Faria Lemos, distrito de Bento Gonçalves.

O VistaMontes Gran Merlot Inovum é um vinho feito de Merlot de mesmo terroir e mesma safra porém com vinificação diferente. Uma parte do vinho estagiou em barricas de carvalho francês por 24 meses e outra parte amadureceu em ovos de concreto por 21 meses.

Possui visual límpido e brilhante, apresenta-se com coloração púrpura intensa. No nariz muita fruta, vermelhas e negras, como morango, cereja, mirtilo e o toque da madeira e do concreto, trazendo notas minerais e de especiarias, como grafite, fósforo, tabaco e pimenta preta. Um vinho vibrante e potente, com taninos firmes e polidos, com notas de frutas pretas se destacando, juntamente com o mineral e a barrica.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de mrsiraphol no Freepik

De volta ao básico – Vinho de corte

No jargão dos vinhateiros, “corte” significa um vinho que foi elaborado a partir da mistura de duas ou mais vinificações, ou um vinho que foi produzido numa co-fermentação de diferentes tipos de uvas. Em outros países são denominados como “blend”, “assemblage”, “coupage” ou “mescla”.

Em termos simples, um corte é o oposto de um varietal.

Embora nos países do Novo Mundo haja uma clara tendência para os monocastas, os cortes têm uma importância singular: este tipo de vinho foi o primeiro a ser elaborado, há centenas de anos.

Naqueles tempos, não havia plantações regulares de parreiras. As vinhas eram meio selvagens e o que era colhido entrava num mesmo tanque de fermentação.

Somente nos anos 1800 é que os especialistas começaram a identificar e classificar as diferentes castas. O resultado prático foi a organização de plantios mais racionais. Com isto, podiam controlar melhor desde o ataque de diversas pragas até a colheita otimizada no ponto correto de maturação: cada variedade tem o seu momento.

Vinhos de corte foram os primeiros e continuam sendo elaborados até hoje. Produzir um vinho neste estilo se tornou uma importante arte e ferramenta indispensável do bom vinhateiro.

Quase todos os “Grandes Vinhos”, que conhecemos, são “assemblages”, algumas tão sofisticadas que são necessárias cinquenta ou mais provas para chegar no resultado desejado.

São todos feitos artesanalmente em sofisticadas salas de prova, por um grupo de técnicos e especialistas. Nada é ao acaso.

Existem algumas formas de elaborar vinhos de corte. A mais clássica é vinificar diversas castas, separadamente, e posteriormente, através de um processo de tentativas e erros, chegar a um resultado otimizado.

Outra forma comum são os chamados “field blends”, ou vinhos de vinhedos multivarietais. Portugal é um dos países onde este tipo de corte é bastante comum.

Um pouco mais raros, são os chamados cortes entre diversas safras de um mesmo vinho. Esta é um técnica muito utilizada em Champagne.

A matéria prima do vinho é diferente a cada safra, tudo decorrente do clima, principalmente a variação de temperatura anual e da quantidade de chuva que precipitou sobre o vinhedo. Por estas razões, correções são necessárias, até mesmo nos ditos varietais.

As normas de cada região produtora costumam ser elásticas, neste ponto, permitindo a adição de outros vinhos, em até 10%, sem que a característica de monocastas seja prejudicada.

Esta ferramenta enológica é a ideal para corrigir problemas de equilíbrio, complexidade, consistência, melhorar aromas e sabores, além de algumas razões de ordem comercial.

Vamos lembrar alguns vinhos que são muito apreciados e respeitados, embora uma grande maioria de Enófilos não se dá conta que são elaborados cortes:

Bordeaux – talvez o corte mais famoso – Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot, são as mais comuns. Nos brancos, Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle.

Rhone – o famoso corte GSM, Grenache, Syrah, Mourvèdre.

Chateneuf-du-Pape – da mesma região, num corte de até 14 castas, incluindo algumas brancas;

Amarone – Corvina, Rondinella e Molinara

Chianti – originalmente era um corte de Canaiolo, Colorino, Ciliegiolo e Mammolo. O mercado exigiu e algumas castas não italianas já são aceitas: Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc;

Super Toscanos – Sangiovese, Merlot, Cab, Franc, Cab. Sauvignon e Syrah;

Rioja – Tempranillo, Carignan, Graciano, Mazuelo e até Cab. Sauvignon;

Porto – Touriga Nacional e Franca, Tinta Cão, Tinta Roriz, Tinta Barroca e outras. São 40 castas possíveis;

Champagne – Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier;

Cava – originalmente, Macabeo, Parellada e Xarel-lo. A partir de 1986, a Chardonnay foi permitida.

Rosé de Provence – Cinsault, Grenache, Syrah, Mourvèdre e Carignan.

E agora, qual a compra mais segura: Corte ou Varietal?

Saúde, bons vinhos!

Dica da Karina – Cave Nacional

Cata – Chenin Blanc 2022

A Cata Terroirs foi criada em 2019 por André Marchiori, médico, e Eduardo Strechar, um jovem enólogo, com formação em viticultura e enologia na Austrália e ampla experiência, conquistada através de passagens pela Toscana, Chile e Altitude Catarinense. Cata em português significa: busca, procura; e em espanhol: degustação, prova. Além disso, também é o apelido afetivo do estado de Santa Catarina. O Cata Chenin Blanc 2022 possui fermentação em tanques de aço inoxidável em baixa temperatura, onde permaneceu em contato com as borras finas por 10 meses. Possui visual amarelo esverdeado vivo, límpido e brilhante. No nariz, notas de tempero fresco como tomilho e dill, assim como notas cítricas de limão siciliano e goiaba branca. Aroma complexo e extremamente agradável com muita tipicidade da variedade. Sua acidez alta e equilibrada com boa untuosidade pelo longo contato com as borras finas. Apresenta textura e complexidade em boca, que evidencia as notas de frutas no aroma.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Foto de Photo 11 na Unsplash

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