Categoria: Mitos (Page 6 of 9)

Comprando um Vinho – Mitos

Na coluna anterior discutimos se estilo e conteúdo de um rótulo ajudam a vender um vinho. Existem alguns estúdios de design que se dedicam a estudar estes aspectos do mundo do vinho e são frequentemente contratados, pelas grandes empresas, para melhorar a visibilidade de seus produtos.

Não chega a ser uma arte, mas não há como negar que usar o apelo visual para conquistar consumidores tem um peso considerável na decisão final.

Mas só isto, não é suficiente.

Há outras facetas deste comércio que são chamadas de ‘mitos’, por alguns autores, e sobre os quais vamos comentar.

1° mito: Vinho mais caro é melhor.

Nem sempre.

Para compreender estas razões, devemos levar em conta até mesmo o país onde o vinho está sendo adquirido.

No Brasil, por exemplo, há várias distorções nos sistemas de importação que podem impor uma sobretaxa a um vinho, simples, oriundo de um país com o qual não temos fortes acordos comerciais. Isto vai majorar o seu preço final que acaba ficando irreal e muitas vezes maior que o de um ícone sul americano.

Está é apenas uma das muitas possibilidades. Vinhos de 1ª linha sempre serão caros, seja no local de origem, seja em qualquer outra região que o importou.

Cabe ao comprador ter certeza sobre o que está comprando. Fraudadores existem em qualquer lugar e se aproveitam das nossas fraquezas. Tem muita gente vendendo gato por lebre…

Uma coisa é pagar alguns mil dólares por um Romanèe-Conti, autêntico. Outra seria pagar o mesmo valor pelo nosso desconhecido Domaine O Boletim, cujo rótulo criei para a coluna anterior.

Outra distorção, corrente no nosso mercado, é o preço dos vinhos nacionais, sempre mais caros que de seus concorrentes chilenos, argentinos e uruguaios.

Seríamos, realmente, melhores?

Por último, não se deixem enganar pela velha técnica de majorar o preço de um vinho, sem nenhuma expressão, apenas para impressionar o comprador desavisado.

2º mito – Vinhos de parcela ou vinhedo únicos são melhores.

Existem, mas são alguns dos vinhos mais exclusivos do planeta. O já citado Romanèe-Conti é um deles. O Gaja Sori San Lorenzo, um espetacular barbaresco, é outro. Na vizinha Argentina temos os sempre desejados Achaval Ferrer e suas três fincas: Altamira, Bella Vista e Mirador. Há muitos outros.

O complicado é encontrar um vinho de preço palatável, na prateleira de um supermercado, ostentando um garboso ‘Single Vineyard’ ou ‘Parcela Única’, e acreditar nisto.

Não é segredo para ninguém que a qualidade de um vinho está diretamente ligada (mas não unicamente) ao que se chama de rendimento do vinhedo. Em termos simples, devemos responder à seguinte pergunta: quantos quilos de uva necessito para fazer uma determinada quantidade de vinho?

Nem precisamos fazer contas para perceber que quanto mais uva usarmos, menor será o rendimento e obteremos um vinho melhor. (a recíproca é verdadeira)

Apelar para dizeres como ‘vinhedo único’ como força de venda é exagerar um pouco. Fico imaginado a dimensão destes vinhedos, ditos ‘únicos’…

Tenham sempre em mente que o vinho é produzido a partir de uma fruta sazonal. Como sabemos, a cada ano, ou safra, a matéria prima será diferente. A principal tarefa de um Enólogo é conseguir manter uma certa homogeneidade ano a ano. O melhor recurso que tem é o de poder misturar uma mesma casta, obtida em diferentes locais, corrigindo as variações naturais de cada lote de fruta. Pode até mesmo comprar de terceiros, caso seja necessário acrescentar alguma característica que, naquele ano, não apareceu em seus próprios vinhedos.

Vinhos de parcela única?

Mais mito que verdade. O preço maior nem sempre é justificado.

3º mito – Grandes vinícolas não produzem grandes vinhos

Difícil explicar este mito.

Já foi verdade, em eras passadas. Nas grandes vinícolas o maior esforço era feito para produzir um único vinho, em grande quantidade, absorvendo totalmente os recursos disponíveis, fossem de matéria prima, equipamentos ou mão de obra. Tudo em busca de pagar as contas e ter algum lucro, o que nem sempre era possível.

Pequenas produções de grandes vinhos eram exclusivas para os Chateaux bordaleses ou os Domaines da Borgonha, entre outros.

Mas o mercado do vinho mudou muito. Virou um business, um investimento e as grandes corporações entraram de cabeça neste negócio, que não é restrito aos vinhos, mas englobam quase todos os tipos de bebidas alcoólicas, como um todo.

Grandes vinícolas absorveram as menores e acabaram, por sua vez, por pertencer a fundos internacionais, tudo sob grandes guarda-chuvas financeiros.

Vou citar um destes muitos conglomerados e as ‘marcas’ que administram: Louis Vuitton Moët Hennesy – LVMH, talvez o maior nome em artigos de luxo deste planeta.

Atuam nos segmentos de moda, artigos de couro, joalheria, relógios, perfumes, cosméticos, lojas e mercados além de outras atividades que incluem até mesmo uma sofisticada rádio.

Vinhos e destilados deram origem a este grupo. Pertencem a eles as seguintes marcas e produtos:

Ardbeg (Whisky); Belvedere (Vodka); Bodega Numanthia; Cape Mentelle; Chandon; Château Cheval Blanc (um dos melhores vinhos do mundo); Château d’Yquem (o vinho doce mais famoso e de minúscula produção); Cheval des Andes; Clos des Lambrays; Clos19; Cloudy Bay (ícone neozelandês); Dom Pérignon; Glenmorangie (Whisky); Hennessy; Krug Mercier; Moët & Chandon; Newton Vineyard; Ruinart; Terrazas de los Andes; Veuve Clicquot…

Precisa dizer mais?

4º mito – Vinhos Reserva ou Reservado seriam os melhores

Já abordamos este mito nesta matéria aqui: https://oboletimdovinho.com.br/2011/06/04/a-proposito/

Esta técnica de inventar uma classificação, que nunca existiu, é tão antiga quanto a sempre citada Sé de Braga. Mas tem muito comprador que ainda se deixa levar pelas famosas letrinhas que compõem, num rótulo, a palavra ‘Reserva’.

Não há quem não se impressione, afinal, deveria ser um vinho especial, uma parcela guardada pelo proprietário para ocasiões especiais!

Lamento, mas não é nada disto. É jogada de marketing mesmo. No nosso mercado ainda aprece uma outra excrescência, os tais ‘Reservado’, ao que eu acrescento, ‘para os otários’.

Não caiam nesta.

Dois países apenas, têm uma legislação ou norma enquadrando estas classificações. Eis a lista:

– Espanha: vinhos Reserva passam 3 anos amadurecendo sendo, pelo menos, 6 meses em barris de carvalho;

– Itália: os Reserva devem amadurecer 2 anos, no mínimo, para poderem colocar esta designação no rótulo. Em alguns casos este período pode chegar a 5 anos (Barolo).

Ninguém mais!

Para os leitores terem uma perfeita dimensão do que estamos falando, imaginem que, nos EUA, a palavra ‘Reserve’ foi registrada como uma marca!

In vino veritas.

Saúde e comprem bons vinhos, sem sustos.

Vinho da Semana: um ‘Riserva’ caprichado

Rubesto Montepulciano d’Abruzzo Riserva 2012

Mostra complexidade, com aromas de cereja preta, violeta e baunilha. No paladar, é intenso, estruturado e harmônico.

Harmonização: Cordeiro, Caças, Carne de vitela assada, Queijos curados.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br

Terroir: Um Mito em Desconstrução

Num recente encontro, experimentei um vinho elaborado com uvas plantadas em terroir (solo) de origem vulcânica, atual moda nos grandes centros. A grande diferença estava no rótulo que declarava, claramente, esta origem.

Ótimo vinho, apreciado por todos, e que será nossa indicação nesta semana.

Terroir, que para muitos apreciadores é um conceito de difícil assimilação, tem sido objeto de diversos estudos que, até hoje, não confirmaram, como verdadeiro, o conhecido mito ou lenda que atribui ao tipo de solo, as principais influências sobre aromas e sabores do vinho.

Curiosamente, sabe-se, por outras razões, que a videira não transmite aos seus frutos nenhuma característica do terreno que permita identificar, no vinho, em que solo estava plantada.

Incrível, mas verdadeiro!

Duas publicações recentes me chamaram a atenção para esta eterna dúvida, Volcanic Wines (vinhos vulcânicos) escrito pelo Master Sommelier John Szabo, e Terroir and Other Myths of Winemaking (terroir e outros mitos da vinificação) do Professor Mark Matthews da renomada Universidade da Califórnia em Davis, centro de referência sobre uvas e enologia.

O primeiro tece loas sobre os terrenos vulcânicos, valorizando muito os vinhos obtidos a partir destes vinhedos, enquanto o Prof. Matthews tenta desmistificar, de forma até rude, a demasiada importância que damos ao temido e incompreendido “Terroir”.

Interessantíssimo olhar para a origem da palavra: era empregada, pejorativamente, para descrever a qualidade dos aromas de esterco presentes no vinho!

Simplificando, indicava um vinho que fora elaborado em condições pouco higiênicas.

Atualmente, num conceito tipicamente “velho mundo”, seria o local e não a casta o fator mais preponderante no resultado final do vinho. Uma grande legião de autores, críticos e produtores, entre outros, não aceitam facilmente esta afirmação.

Alguns conceitos estabelecidos, como o que afirma serem os vinhos tintos de solos argilosos, mais escuros, encorpados e tânicos do que os de solos calcários, podem estar com os dias contados. Não existem bases científicas para sustentar esta colocação.

Segundo o Prof. Matthews, a única evidência concreta da relação entre o solo e a qualidade do bago que será vinificado está na capacidade dos diferentes tipos de solo, argila, calcário, areia, etc., em drenar ou reter água, seja de chuva ou de irrigação.

Provavelmente nenhum dos livros tem uma resposta definitiva. O mistério que cerca a influência do Terroir (solo, clima, cultura, relevo) ainda vai mexer com a imaginação de muitos, principalmente dos mais românticos.

Saúde e bons vinhos.

Vinho da Semana: um espanhol de solo vulcânico para os leitores tirarem suas dúvidas.

Vulcanus Alpha Tempranillo

Os vinhedos estão localizados a uma altitude média de 800 metros em um solo ocupado, em eras antigas por um vulcão, o que explica os diferenciais de aroma e sabor do vinho. Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas. Envelhecido por três meses em barricas de carvalho francês, possui taninos elegantes, com toque de especiarias e frutas negras.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br

A Tendência atual são os “Vinhos Naturais”

Mais um modismo, sobre o qual já escrevemos em umas das colunas em que desmitificamos alguns conceitos. Vinho Natural, embora seja um termo “guarda-chuva”, tem sido um trend topic nos principais meios de comunicação especializados.

A primeira reação seria afirmar que qualquer vinho é natural, o que na opinião de uma maioria de especialistas, estaria correto. Mas, recentemente, a Ava Winery, localizada em S. Francisco, Califórnia, apresentou o seu primeiro vinho sintético ou artificial, uma combinação de água, etanol e flavorizantes diversos. O principal objetivo desta vinícola é reproduzir grandes vinhos, que já não existem mais, permitindo que as gerações atuais possam experimentar, por exemplo, um Chateau Montelena 1973 ou o Dom Perignon 1992.

Honestamente, Vinho Natural passa a fazer sentido, mas há outras coisas debaixo deste chapéu.

Este termo foi cunhado para abrigar técnicas de cultivo e vinificação, tipicamente as orgânicas e as biodinâmicas, além de algumas variantes como os vinhos vegetarianos.

Algumas regras são bem claras para este grupo:

– Uvas cultivadas num dos sistemas  mencionados acima;

– Colheita manual, exclusivamente;

– Manipulação mínima na elaboração (note-se que o termo “manipulação” decorre do Latim “manus” + “pleo” ou “encher com as mãos”…);

– Fermentação espontânea pelas leveduras nativas;

– Técnicas de vinificação minimamente intrusivas de maneira a não modificar o sumo;

– Não utilização de sulfitos, um agente sanitizador ou, pelo menos, utilizar doses homeopáticas;

A linha vegetariana é ainda mais exigente, não permitindo o uso de nenhum agente clarificante de origem animal com clara de ovos (albumina), ictiocola, gelatina animal, etc. (mas esterco, como adubo no vinhedo, pode…)

Confesso, são conceitos um pouco difíceis de assimilar ou estabelecer um limite claro do que pode ou não.

Quanto ao produto final, há os que são adeptos fervorosos (quase uma religião) e outros que simplesmente desconfiam que isto tudo não passa de uma bela jogada de marketing de vinhateiros desconhecidos em busca de reconhecimento.

Se as uvas forem cultivadas com todos estes cuidados e os vinhos elaborados corretamente, não há razão para não serem tão bons ou piores dos que ditos “comerciais”. Qualquer iniciativa que vise preservar o meio ambiente é sempre positiva.

Como em qualquer outra atividade, existem as coisas boas e as ruins. Um dos principais problemas dos “naturais” é a dificuldade de estabilizá-los. Deterioram-se com muita facilidade, por não conter nenhum agente antibacteriano. A aparência mais turva que os vinhos comuns é outro fator que influencia a baixa aceitação desta classe de vinhos.

Se olharmos do ponto de vista dos importadores e distribuidores, um lote pode virar vinagre só no transporte desde a origem até o destino final. Isto seria o caos: todo mundo perde.

Outro fator importante é o preço final, geralmente bem maior que os da mesma faixa. Por ser uma produção que depende intensamente de mão de obra, não há como reduzir custos de produção.

Os produtores dos Vinhos Naturais levam suas práticas comerciais ao extremo, também, com o denominado “Comércio Justo”. No Brasil já existe um site dedicado a estes produtos. Vale a pena uma visita: https://garrafalivre.com.br/

Quanto à tendência, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da semana: um espanhol ecológico.

Urbezo Organico Chardonnay – $$

Elaborado com uvas de cultivo orgânico, apresenta coloração amarela brilhante, repleto de aromas finos e elegantes, com notas de frutas tropicais, frutas cítricas, pera e maçã. Saboroso, com acidez equilibrada e boa estrutura.

Harmonização: Bacalhoada, Aves com molho de nozes, Aspargos, Ostras, Camarões, Bobó de Camarão, Lagosta, Risotos com Frutos do Mar, Paella.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br

*** Para os leitores de Belo Horizonte e regiões próximas:

CASA RIO VERDE FAZ TRÊS EDIÇÕES DO CURSO DE INICIAÇÃO AO MUNDO DO VINHO EM JANEIRO

Que tal começar o ano aprofundando seus conhecimentos sobre o vinho, bebida cada vez mais popular na mesa dos brasileiros? A Escola de Vinhos da Casa Rio Verde abriu inscrições para três edições do curso “Iniciação ao Mundo do Vinho”, em janeiro.

Duas edições acontecem durante a semana: de 23 a 25/jan e de 30/jan a 01/fev. São três horas de aula/dia, totalizando nove horas de curso. Para quem prefere fazer o curso no final de semana, haverá uma turma no sábado, dia 28 janeiro, também com 9 horas de duração.

O curso abrange informações teóricas como tipos de uva, regiões produtoras, dicas de harmonização. Na parte prática, são degustados 12 rótulos, cada um de um estilo de vinho. As aulas acontecem na sala de treinamento da loja da Praça Marília de Dirceu, 104, bairro de Lourdes.

A novidade é que agora, além das lojas da Casa Rio Verde e do telefone 3116-2301, o interessado pode fazer a inscrição pelo site, no link www.vinhosite.com.br/vinhos/curso .

SERVIÇOCURSO DE INICIAÇÃO AO VINHO – CASA RIO VERDE – JANEIRO

Turma 1 – 23, 24 e 25 de janeiro (19 às 22H)

Turma 2 – 28/janeiro (9 às 19h)

Turma 3 – 30, 31/jan e 1/fev (19 às 22h)

Carga horária: 9 horas

Degustação: 12 rótulos de diferentes estilos

Local: Casa Rio Verde – Praça Marília de Dirceu, 104 – Lourdes

Valor do investimento: R$ 299 por pessoa (capacidade 18 pessoas) – sócios do VinhoClube da Casa Rio Verde pagam R$209,30.

Inscrições e informações: www.vinhosite.com.br/vinhos/curso

Telefone: 31-3116-2300

Mais Alguns Mitos – final

Sul 1b

Anidrido sulfuroso, dióxido de enxofre, SO2 ou simplesmente “sulfito”, é um composto químico com propriedades antissépticas, antibacterianas e antioxidantes que auxilia, também, na extração dos compostos fenólicos que são os responsáveis pela cor e taninos nos vinhos tintos. Este conservante é adicionado ao vinho por suas importantes propriedades.

O uso dos sulfitos é bem antigo, os romanos queimavam velas feitas de enxofre, dentro das ânforas, para evitar que o vinho avinagrasse. A partir de 1900, os compostos à base de enxofre foram introduzidos, definitivamente, no processo de vinificação, impedindo a proliferação de bactérias e fungos.

Rigorosamente controlado por legislações específicas, sua quantidade máxima muda de país para país. O único ponto em comum é a obrigatoriedade de constar um aviso no rótulo ou contrarrótulo, como na imagem acima.

Existe uma razão: algumas pessoas são sensíveis aos sulfitos, mesmo em baixas concentrações, uma parcela menor que 1% da população mundial. Decorre disto o mito de hoje: que a famosa enxaqueca é a consequência da presença deste composto.

Não é bem assim…

Um bom teste para descobrir se somos afetados pelos sulfitos do vinho é degustar alguns damascos secos. Eles contêm cerca de 2.000 ppm (partes por milhão) de SO2 para poder manter sua estrutura, cor, sabor e durar por algum tempo nas embalagens. Um bom vinho tem, em média, 50 ppm, chegando a um máximo de 100 ppm (vinhos de sobremesa).

Neste ponto começamos a desmontar o mito: existem produtores que declaram que seu vinho é livre de sulfitos.

Não é verdade, estes vinhos têm uma quantidade entre 10 a 40 ppm e devido a um arabesco nas legislações, não são obrigados a declarar, como os demais, que contêm sulfitos.

Assim como as pessoas que são sensíveis à presença de compostos sulfurosos, os vinhos livres de sulfitos ficam com menos de 1% do seu universo, ou simplesmente, não existem.

Mais um mito detonado, mas…

E a dor de cabeça, a enxaqueca?

Infelizmente existem pessoas que têm reações alérgicas por conta das histaminas presentes no vinho. Dor de cabeça e um pouco de náusea são os sintomas mais conhecidos, nada que um antialérgico OTC não resolva.

Uma outra explicação vem de um trio de fatores, bem conhecido por todos, baixo nível de açúcar no sangue, desidratação e fadiga. Estes seriam os verdadeiros culpados por ressacas e enxaquecas.

Cuidado, então, ao decidir afogar as mágoas no vinho!

Existem produtores orgânicos e biodinâmicos, outro mito já explicado, que evitam colocar este polêmico conservante em seus vinhos. Obviamente que a vida útil destes produtos é muito limitada e encontrar um destes é quase como acertar o grande prêmio de uma loteria.

Se achar um, sorte sua.

Saúde, bons vinhos!

Vinho da Semana: lá da terrinha, novidade por aqui.

Sul 2Lagoalva Tinto 2014 – $

Elaborado com um corte das melhores castas portuguesas, de modo a obter um vinho equilibrado e complexo.

Com coloração rubi, é um vinho elegante, com intenso aroma de frutas vermelhas e notas de baunilha.

No palato, é redondo e equilibrado, uma delícia de beber.

 

Mais Alguns Mitos – 2

Este mito poderia ser desdobrado em vários outros, há quem ache essencial os aromas e sabores introduzidos pela passagem por barris de carvalho e há quem deteste os vinhos “madeirados”.

Para complicar e fazer a alegria dos mais exigentes, existem diversas origens para esta mágica madeira que melhora vinhos e destilados: França, América do Norte, Eslovênia, entre outros.

Para alguns apaixonados, só vale carvalho francês e de uma determinada floresta.

Menos, menos!

O mito, tema da coluna de hoje, tem um importante pano de fundo: barricas de carvalho são caras e nem toda a vinícola é capaz de ter sempre material novo, a cada safra, fabricado com matéria-prima francesa oriunda da floresta de Tronçais, talvez a mais famosa de todas (as outras são: Allier, Limousin, Nevers e Vosges).

Cada barrica básica custa cerca de 600 dólares ou mais, lembrando sempre que sua a produção é limitada. As árvores de carvalho levam décadas até chegar no ponto de corte.

Para vinhos de ponta, estes barris são usados uma única vez. Os usos posteriores são para os produtos de segunda linha e sua influência diminui a cada nova rodada. Ao final de sua vida útil são revendidos para destilarias ou indústria de mobiliário, recuperando-se parte do investimento.

Como explicar os vinhos de boa relação custo-benefício que passam por madeira?

Existem alternativas, boas e baratas, que foram desenvolvidas para atender a produtores que estão muito distantes dos principais centros de fabricação destes barris ou que buscam formas de acrescentar madeira aos seus vinhos sem ter que fazer investimentos fabulosos que, certamente, impactariam no preço final ao consumidor.

mit 1

Empresas especializadas fornecem o mesmo carvalho na forma de serragem, cavacos, aduelas, dominós e até em líquido. Geralmente são produtores de barris também.

Os de uso mais comuns são as os cavacos e as aduelas. Se forem empregados na forma correta e no momento ideal, produzem resultados idênticos aos das barricas, por uma fração do custo. Por exemplo:

Numa barrica padrão de Bordeaux cabem 225 litros. A quantidade de cavacos de carvalho indicada para um volume como este, num tanque de aço inox, seria 700g, o que custaria, aproximadamente 5 (cinco) dólares. Uma enorme economia.

mit 2

Outra alternativa muito usada são as aduelas ou sarrafos de carvalho preparados para serem introduzidos nos grandes tanques, seja durante a fermentação ou após.

mit 3

Os resultados são surpreendentes e sabe-se que muitos produtores de ponta já adotaram esta técnica, embora ninguém declare, abertamente, o seu uso.

Mais um mito detonado: nem tudo que aporta aromas e sabores de madeira ao vinho, suaviza taninos e realça outras características vem de uma barrica de carvalho.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um bom italiano, da Úmbria.

mit 4

Vitiano Rosso 2013

Um corte de 34% Sangiovese, 33% Merlot e 33% Cabernet Sauvignon, que passa 3 meses em barricas de carvalho francês da floresta de Never.
Harmoniza com pratos de carne vermelha, massas com molhos estruturados, e queijos amarelos.

 

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