Categoria: O mundo dos vinhos (Page 40 of 84)

Portugal 2021 – resumo da 3a semana

Outra semana movimentada em terras lusitanas. Ainda no ótimo hotel Monverde, participamos da atividade Enólogo por 1 dia. A foto que ilustra este texto mostra o local onde foi realizada. São 5 vinhos que vamos experimentar e depois, seguindo algumas sugestões do instrutor, mistura-los em proporções ao nosso gosto. Quando tudo estiver a contento, engarrafamos, arrolhamos e colocamos um rótulo personalizado. Muito divertido e instrutivo. Para o meu corte usei Loureiro, Alvarinho e Avesso.  

Já devidamente instalados na cidade do Porto, fomos visitar o espetacular World of Wine, em Vila Nova de Gaia. Para os amantes dos vinhos é um programa imperdível. Um parque temático com atrações para todos os gostos, além de lojinhas e uma variada praça de alimentação. Optamos pela Wine Experience, um passeio interativo e interessantíssimo, mesmo para quem já tem um bom nível de conhecimento. 

Outras opções nos levariam pelo mundo das rolhas, dos vinhos rosados, do vinho do Porto, da moda e até uma fábrica de chocolates. Dentro do complexo há ainda uma escola com interessantes cursos. 

Para fechar a semana, um passeio até a simpática Vila do Conde, onde fica o melhor Outlet da região e outro até Aveiro, para visitarmos uma amiga. Ainda houve tempo para uma degustação de vinhos de pequenos produtores no Palácio do Vinho Verde. 

Bons restaurantes e bons vinhos, afinal, este é um blog sobre essa deliciosa bebida. Aqui está a relação da semana: 

Alma D’Ouro branco 2020 

Vinho da casa do bom restaurante Pobre Tolo, em Amarante.  

Terras do Minho Touriga Nacional Rosé 2020 e Quinta da Lixa Trajadura 2020 

Degustados no hotel Monverde. Ambos bem interessantes. O Trajadura foge do estereótipo dos vinhos verdes: muito seco. 

Encosta do Amieiro branco 

Vinho da casa do restaurante Cidade, no Porto. Acompanhou corretamente um bom bacalhau com natas. 

Akménine Sancerre 2016 e Quinta da Lixa Escolha White Blend 2020 

Estes dois foram degustados no domingo de pizza na casa de Tomás e Carol. Ele foi o pizzaiolo. O Sancerre, orgânico, estava na hora de ser consumido. O Escolha é outro bom vinho da Quinta da Lixa. 

Campelo Arinto 2020, Casal da Ventozela Arinto 2020 e Dom Diogo Arinto 2020 

Provados na degustação comparativa no Palácio do Vinho Verde. Vinhos quase exclusivos, pequenas produções. Foi uma ótima experiência, com direito a uma boa aula sobre o Minho e seus vinhos típicos. O favorito foi o segundo. 

Herdade do Peso Reserva 

Provado no jantar, restaurante Flow, Porto. 

.Com Premium branco 

Almoço no restaurante Bronze, em Aveiro/Ilhavo. 

Para terminar, o rótulo do meu vinho, elaborado no hotel Monverde/Quinta da Lixa. 

Neste sábado partimos para a Galícia. 

Saúde e bons vinhos 

El Artista – Bom e barato!

O mercado de vinhos finos é dividido em vários segmentos. Qualidade e preço são dois nichos que se destacam, mas nem sempre andam juntos. Excluindo as extremidades, vinhos ruins e baratos/vinhos ótimos e caros, há uma intensa disputa no miolo destes segmentos, com algumas sobreposições bem interessantes para o consumidor despretensioso, ou seja, a grande maioria.

Há algum tempo, o lançamento de um vinho espanhol, de boa qualidade e ótimo preço, causou uma verdadeira revolução no mercado. Comercializado como um produto de alta gama com um preço que beirava o ridículo de tão barato que era, conquistou igual legião de fãs e detratores.

Elogios e críticas recaiam sobre a qualidade do vinho: enófilos mais exigentes achavam que era fraca, já o grupo que consome vinhos diariamente percebeu logo o objetivo da marca e o adotou. Foi uma boa inovação, principalmente pela pouca penetração dos vinhos espanhóis no nosso país. Aqueles mais curiosos e experimentadores saíram em busca de conhecer mais vinhos de lá e não se arrependeram.

Recentemente Chegou ao mercado mais um bom espanhol para concorrer diretamente no segmento do bom e barato. Um concorrente direto do vinho “mucho loco” e muito barato.

O e-commerce de vinho Wine Duty Free está distribuindo este 100% Tempranillo, que pode ser adquirido em dois estilos:

El Artista Tempranillo 2020

Bodegas Fernando Castro

100% Tempranillo

12% teor alcoólico

Tampa de rosca.

Notas de prova: um vinho bem equilibrado e sem grandes pretensões. Fácil de beber, agradável. Aromas de frutas maduras e/ou secas. Taninos bem controlados, acidez correta. Ótima opção para o dia a dia, um vinho sem compromissos. Vai bem com carnes, massas com molhos vermelhos ou de queijos.

El Artista Gran Reserva D.O Valdepeñas 2012

Bodegas Fernando Castro

100% Tempranillo

18 meses em barricas de carvalho europeu e americano

13% teor alcoólico

Medalha de ouro no Berliner Wein Trophy 2018

Notas de prova: Um vinho mais encorpado que o anterior, mais sério e circunspecto. Muito bem equilibrado e harmônico, com aromas de frutas vermelhas escuras. Taninos no ponto certo para um vinho com quase 10 anos de elaborado. Final de boca longo e persistente. Acompanha pratos de carnes com sabor marcante, molhos encorpados para massas e queijos maduros e aromáticos.

Este vinho poderia ser facilmente comercializado em outro segmento. A Wine Duty Free está com preços promocionais o que torna esta compra uma verdadeira pechincha. Imperdível.

A Bodegas Fernando Castro foi fundada em 1850 e possui um extenso portfólio de produtos. Esses rótulos são elaborados para exportação, exclusivamente.

Agradecemos a Wine Duty Free e a Lucky Assessoria de Comunicação & Marketing Digital pelo envio do Press Kit.

Saúde e bons vinhos!

Um vinho bem equilibrado

Esta é uma das expressões mais utilizadas no jargão do vinho, tanto por produtores quanto por consumidores. Tem um significado amplo, representando a harmonia entre todas as características desejáveis num vinho.

Cinco fatores são dominantes na obtenção de um bem equilibrado vinho: álcool, taninos, acidez, açúcar e água. Mesmo em mão experientes, não é fácil ajustar todas essas características.

Tudo começa no vinhedo no momento que é decidida a colheita. Na composição da uva vamos encontrar água e um importante binômio – açúcar e acidez: quanto mais acidez, menos doçura e vice-versa.

Se a colheita for adiantada, o fator acidez será predominante e o resultado final não seria agradável de provar. Na colheita tardia a doçura será a principal característica, resultado nos chamados vinhos de sobremesa.

Colhidas no ponto ideal, haverá acidez suficiente e a quantidade certa de açúcares que serão convertidos em álcool, sem os quais o nosso vinho não passará de um glorificado e caro suco de uva.

Os taninos entram nesse cálculo de duas formas. A primeira é através das cascas, sementes e engaços. A outra decorre do armazenamento nos barris de carvalho. Desempenham um papel importante nessa equação, dando personalidade a nossa bebida. Se forem exagerados, aparece a famosa e desagradável sensação de boca seca. Se não estiverem presentes, o vinho fica sem graça. Os taninos são um dos fatores responsáveis pelo bom amadurecimento e envelhecimento dos vinhos.

A fórmula se completa com a água, ela representa, na média, 85% do volume do vinho. Para deixar claro, não se adiciona água na elaboração, ela decorre do mosto obtido das uvas.

Mesmo os mais habilidosos malabaristas teriam enorme dificuldade em equilibrar isso tudo. Para os produtores há mais dificuldades decorrentes dos fatores climáticos e alguns outros de ordem cultural.

Climas mais quentes tendem a produzir uvas com maior teor de açúcar o que implica em teores alcoólicos mais elevados (a recíproca é verdadeira). Em algumas regiões, esse teor elevado é visto com bons olhos e a definição de “equilibrado” fica desajustada por essa razão.

Atualmente não há mais um consenso: cada região produtora vai buscar o seu ponto de equilíbrio, relativo, para atender ao seu público consumidor, afinal, esse é o objetivo – vender o vinho.

Aos cinco fatores que originalmente definiam o equilíbrio de um vinho devemos, agora, acrescentar mais um, a percepção individual.

Como consequência, vamos encontrar diferentes noções do que seja “um vinho bem equilibrado” entre os diversos grupos que frequentamos: o seu vinho harmônico pode não ser o meu vinho bem equilibrado.

Pensem nisso.

Saúde e bons vinhos!

Créditos da foto:

“Balance scale” por Sepehr Ehsani está licenciada sob CC BY-NC-ND 2.0

Guardando vinhos: o que você deve ou não fazer…

Guardar vinhos pode ser uma atividade muito recompensante. Mas, se alguns procedimentos básicos não forem seguidos, pode se transformar numa tremenda dor de cabeça.

Vamos abordar alguns pontos chaves para que tudo seja um sucesso.

– Podemos guardar todo e qualquer vinho?

Sendo muito objetivo, a resposta é não. Há vinhos que devem ser guardados, há vinhos que foram elaborados para serem consumidos “jovens” e, como se isso não bastasse, há vinhos em que podemos arriscar guardar por um período.

– Como saber quem é quem?

Antes de mais nada, para iniciar uma coleção de vinhos é preciso ter uma boa base de conhecimentos sobre o assunto, um local adequado ou uma adega climatizada e um mínimo de organização.

Algumas castas se prestam mais a serem adegadas do que outras. Isso também é válido com relação à origem do vinho (região e produtor) e a forma como foi elaborado, informação que consta das fichas técnicas de produção, disponíveis nos sites das boas vinícolas.

Vinhos clássicos, como os franceses de Bordéus ou da Borgonha, ícones italianos como o Barolo, Brunello e Amarone ou grandes rótulos espanhóis e portugueses, são comercializados com essa ideia: compre e guarde…

Vinícolas do Novo Mundo preferem indicar determinados rótulos como “vinho de guarda”, o que dispensa maiores comentários. Por último, temos que levar em conta o fator preço. Nesse caso, inverta o raciocínio: os vinhos mais baratos não se prestam a isso.

– Como e onde guardar?

Aqui vale o bom senso: evite locais quentes e úmidos. Prefira ambientes com pouca incidência luminosa e bem ventilados. Outro detalhe que passa despercebido é evitar trepidações, por exemplo, decorrentes de motores de bomba de água, elevadores ou mesmo de ferramentas usadas em reformas de imóveis como marteletes e assemelhados.

Vinhos tranquilos devem ser guardados na posição horizontal enquanto os espumantes devem ficar na posição vertical.

– O que não devemos fazer?

A luz ultravioleta é o grande inimigo dos vinhos. Não é à toa que os grandes vinhos estão acondicionados em garrafas escuras, inclusive alguns brancos e os principais champagnes e espumantes. Nunca deixe suas garrafas ao sol ou as submeta a calores acima da média.

Não abandone sua adega. Visite-a periodicamente observando o estado das cápsulas e das rolhas. Manuseie cuidadosamente cada garrafa, examinado o gargalo contra a luz de uma lanterna. Procure por vazamentos, sinais de ressecamento e odores estranhos.

– Como organizar a adega?

O método mais simples é separar os vinhos por regiões e ordená-los por safras. Por exemplo, vinhos mais jovens ficam mais ao alto, enquanto vinhos mais velhos na parte inferior. Assim é mais fácil localizar uma garrafa específica ou pegar um vinho para o dia a dia.

Faça uma anotação esquemática da sua arrumação num caderno de notas ou use algum sistema de identificação em cada garrafa. Na foto que ilustra a matéria é possível perceber uma etiqueta colocada no gargalo. Ali estão, de forma clara, nome do vinho, safra e data em que foi adegado.

Por quanto tempo podemos guardar?

Vinhos brancos e rosados são os que menos se beneficiam de guardas prolongadas: 3 anos é um bom período, nas condições ideais. Vinhos tintos, dependendo de suas origens, podem começar a ficar interessantes após 10 anos de guarda. Na média, 4 a 6 anos já acrescentam novas e intrigantes camadas de aromas e sabores.

Um conselho final: mesmo que sua coleção não ultrapasse umas poucas garrafas, considerem investir numa adega climatizada. É uma tranquilidade que permite cometer alguns exageros, como os vinhos da foto: um Barolo de 18 anos e um Pinot Noir de 14 anos.

Saúde e bons vinhos!

Vinhos não safrados

Qualquer enófilo experiente está sempre ligado nas informações sobre as safras. São importantes, sem dúvidas. No mínimo ajudam e definir qual a melhor compra na hora de escolher este ou aquele rótulo. Para alguns, a safra é o fator decisivo até na hora de tirar a rolha – vira quase uma religião.

Em 2015, publicamos uma matéria sobre o tema, cujo link está abaixo. Mas atenção: ainda não foi revisada e a indicação de uma tabela de safras, ao final, não funciona mais.

A Safra do vinho é relevante?

O tema desta semana é quase uma antítese: vinhos que não são safrados. Existem, são bastante comuns e, muitas vezes, famosos.

Lembraram de algum?

Um dos mais conhecidos são os vinhos espumantes, o Champagne entre eles. Se um vinho dessa categoria receber o ano de sua safra no rótulo significa que são vinificações especialíssimas e caras.

Outro tipo de vinho que quase nunca é safrado são os fortificados: Porto, Madeira, Jerez etc. Novamente, a menção de uma safra valoriza muito o rótulo em questão

Mas também existem vinhos tranquilos sem safra. São mais raros, mas valem a pena.

Serão sempre um corte ou assemblage, pelo menos entre vinificações elaboradas em diferentes anos. Nada impede que se usem outras castas, diferentes origens e até mesmo vinhos que não são da mesma cor.

Existem inúmeras razões que levam um produtor a elaborar um corte que resultará numa combinação de safras. Uma das mais comuns é dar uma refrescada em vinhos bem antigos que ainda não foram para o mercado. Outra é corrigir algumas vinificações que não renderam o esperado. Procedendo assim, o vinhateiro pode acrescentar características como cor, corpo, fruta, tanino…

Por outro lado, é sempre uma boa oportunidade de elaborar um vinho único, com características excepcionais.

Antes de se aventurarem em busca de uma espacialidade destas, é bom ter mais uma dose de informações. Como em quase tudo no mundo, há quem se aproveite desse estilo informal para empurrar os seus piores e encalhados vinhos.

Para escapar de armadilhas, escolham produtores de renome. Provavelmente vão lançar um vinho como este em datas comemorativas ou homenageando algumas figuras que lhes são importantes. Terão, sempre, alguma alusão a isso nos seus rótulos.

Um hábito bastante saudável é ler atentamente o contrarrótulo. Lá devem estar todas as informações necessárias, como as castas utilizadas, as safras, notas sobre amadurecimento e indicações para a degustação.

Numa rápida pesquisa, encontramos dois rótulos brasileiros bem dentro dessas características.

Innominabile, da vinícola catarinense Villagio Grando.

Atualmente está no Lote VIII. É descrito como “o maior símbolo de uma nova era nos vinhos brasileiros”. Um delicioso vinho com a seguinte ficha técnica:

Safra: lote VIII – 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2012, 2014 e 2018

Teor Alcoólico: 12,4% – Época da Colheita: Abril e Maio

Fermentação: Aço Inox – Idade dos Vinhedos: 21 anos

Volume: 750ml – Lote: Único

Maceração: 18 dias – Sistema de Condução: Espaldeira – KG por Hectare: 4.000

Uvas: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Mabec, Marselan, Petit Verdot e Pinot Noir

Temperatura de Serviço: 16 °C – Número de Garrafas: 6.200

Para saber mais acesse: https://www.villaggiogrando.com.br/produtos/innominabile-lote-viii/

Luiz Valduga, da vinícola gaúcha Casa Valduga.

Apresentado como o vinho mais expressivo da história da vinícola, elaborado a partir de safras e varietais secretos, em edições limitadas, tem a seguinte ficha técnica:

Tipo: Vinho Tinto Seco – Corte: Incógnito – Terroir: Solo Brasileiro

Temperatura de serviço: 16º a 20ºC – Guarda de 15 a 20 anos, desde que seja mantido em condições adequadas para a plena evolução.

Decantar por 20 a 40 minutos.

Para saber mais, acesse: http://www.casavalduga.com.br/produtos/luiz-valduga/

Saúde e bons vinhos, como esses!

Foto de abertura por Arnold Dogelis em Unsplash

Demais imagens: site das vinícolas.

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