Categoria: O mundo dos vinhos (Page 82 of 86)

Considerações sobre o relatório Tanzer – Argentina 2016

Stephen Tanzer é um renomado crítico norte-americano de vinhos, que enfatiza em suas análises o refinamento de um vinho em lugar do que Parker denominou como “potência”. Recentemente publicou seu relatório sobre a Argentina.

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Uma extensa e detalhada análise que passeia sobre condições climáticas, condições do solo, diferentes regiões produtoras e culmina com a degustação de mais de 1.000 vinhos de diferentes vinícolas. Cerca da metade destes vinhos não atingiu o nível de qualidade deste exigente autor e, por isso, nem foram mencionados.

A leitura atenta deste trabalho demonstra que, desde 2013, os vinhos argentinos vêm se beneficiando de safras de temperaturas mais baixas, permitindo a elaboração de vinhos com boa acidez (pH baixo), bom equilíbrio e um grande potencial de guarda. Em poucas palavras, grandes vinhos.

Os vinhos de grande altitude parecem indicar um caminho a ser seguido: o Colomé Altura Máxima, obtido a partir de uvas plantadas a cerca de 3000 metros acima do nível do mar, em Salta, recebeu 96 pontos para a safra de 2012, recém-colocada no mercado.

Não chega a ser uma surpresa para este colunista. Há alguns anos defendemos que, num breve espaço de tempo, os vinhos argentinos vão se juntar aos melhores do mundo. Para alguns produtores pontuais isto já é verdade.

Mendoza continua sendo o centro de produção mais importante e renomado, mas outras regiões como Patagônia e Salta têm se destacado merecidamente.

Durante muitos anos, Lujan (Mendoza)  era considerada a melhor região produtora. Continua no topo e seus vinhos têm qualidade e preços diferenciados.

Mas hoje já enfrenta dura concorrência dos vinhos produzidos no Vale do Uco. Tradicionais e novas vinícolas vão adquirindo áreas para seus vinhedos e constroem modernas e eficientes bodegas numa das três divisões deste vale: San Carlos, Tunuyan e Tupungato.

Dentro de Tunuyan se encontra a região de Gualtallary, a mais recente Indicação Geográfica (IG).

Outra IG de grande importância é Altamira. Diversas vinícolas tradicionais como Catena e Chandon já estão estabelecidas nesta região. A mais recente é a Zuccardi que inaugurou, em março, uma moderna e elegante bodega.

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Interessante notar que os rótulos dos vinhos argentinos estão cada vez mais detalhados, acrescentando indicações, não só dos vinhedos, como das parcelas de onde foram obtidas as uvas. Pode causar alguma confusão ao consumidor final, mas é uma nítida indicação do grau de sofisticação que os enólogos pretendem atingir.

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Outra constatação é que embora a Malbec continue sendo o carro-chefe, outras castas se destacam e fazem bonito no mercado internacional. Entre elas temos Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir (Patagônia). Entre os brancos, Torrontés, Chardonnay e Pinot Gris.

Alguns destaques do relatório Tanzer:

– Achaval Ferrer finca Mirador – 95 pts

– Catena Zapata Malbec vinhedo Adrianna – Vino de Parcela – 95 pts

– Doña Paula Malbec El Alto Parcel – 96 pts

O relatório completo pode ser visto neste link (em inglês)

https://drive.google.com/file/d/0B6qpgSLGRafgWDVodlNmVEh5VTA/view?pref=2&pli=1


Vinho da Semana:
da Argentina e da lista do Tanzer com 89 pontos.

Doña Paula Estate Black Edition – $$

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Corte bordalês elaborado com uvas plantadas a 1.500 metros de altitude com a seguinte proporção: 60% Malbec, 37% Cabernet Sauvignon e 3% Petit Verdot.

Harmonização: Pratos saborosos à base de carnes vermelhas, carnes de caça e massas com molhos escuros e intensos.

Prosseguindo (depois dos ritos)

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O texto sobre os Ritos de Passagem gerou uma considerável quantidade de comentários, e-mails e telefonemas que relatavam dificuldades ou apontavam sugestões para que todos pudessem alcançar aqueles objetivos.

Passar por qualquer daquelas etapas é sempre uma experiência importante, mas não é obrigatória ou coisa parecida. Se levarmos em conta que, no nosso país, o mercado do vinho ainda fica restrito às grandes cidades, exceções feitas às regiões produtoras, não é de se admirar que, em algumas grandes cidades brasileiras, não se encontrem vinhos finos ou mesmo alguma associação que possa promover cursos ou degustações didáticas.

Mas nada é impossível.

1 – Comprando vinhos “on line”

Não se pode mais ignorar o poder do “e-commerce”, compra-se de tudo através do computador e os vinhos não são uma exceção. A maioria das grandes importadoras vendem para a pessoa física em suas lojas virtuais. Clubes de vinho são outras opções interessantes embora, a médio prazo, as ofertas de produtos se tornem repetitivas.

Eis algumas sugestões e recomendações: (este universo é infinito)

Mistral (www.mistral.com.br); Vinci (www.vinci.com.br); Zahil (www.zahil.com.br); World Wine (www.worldwine.com.br); Decanter(www.decanter.com.br); Lojas Americanas(http://www.americanas.com.br/linha/314370/alimentos-e-bebidas/vinhos); Cave Nacional (http://cavenacional.com.br)

Alguns produtores vendem diretamente ao público: Dal Pizzol; Miolo; Valduga; etc… (procurem no Google)

Para compensar o frete, que em algumas situações pode ser mais caro que o produto, reúna os amigos e comprem por caixa.

Entre os clubes de vinho destacamos:

Sociedade da Mesa (www.sociedadedamesa.com.br); Wine (www.wine.com.br); Evino(www.evino.com.br).

2 – Cursos sobre vinhos

Este assunto pode parecer complexo, mas um pouco de criatividade ajuda a contornar o problema.

O primeiro passo é encontrar uma associação de apreciadores de vinhos que esteja disposta a fazer um curso em sua cidade. Na maioria dos estados brasileiros já existe uma seccional da ABS ou da SBAV. Outro caminho é procurar alguns grandes produtores nacionais (Salton, Valduga, Miolo) e pedir que organizem um dos seus cursos no seu município de residência ou próximo a ele. Tudo vai depender do número de interessados.

Como última opção, contratem um especialista para organizar um ciclo de aulas ou palestras que será o embrião de uma associação para a sua região. Atualmente um bom professor recebe um cache de R$ 400,00 por aula, com duração entre 1:30h a 2:00h. Some-se a isto transporte e hospedagem, aluguel de um salão, recursos audiovisuais e vinhos.

Alguns links importantes:

ABS: https://www.abs-sp.com.br/associacoes

SBAV – SP: sbav-sp.com.br

3 – Montando uma associação, confraria ou grupo de degustação

Estas opções são ligeiramente diferentes entre si, mas giram em torno de um mesmo objetivo.

A Confraria é a mais simples de todas: reúna os amigos e vamos beber bons vinhos. Algumas regras básicas são necessárias:

– Dividir as despesas;

– Organizar um calendário de forma que sempre haja uma reunião e todos possam se programar com antecedência;

– Batizar a confraria é um importante fator de agregação;

– Ter um padrinho, de preferência que seja um conhecedor e que possa comandar algumas degustações.

– Organizar reuniões temáticas. Para isto deve-se escolher um “Relator” que deverá se aprofundar no tema e dividir seu conhecimento com os demais.

O Grupo de Degustação é uma variante da confraria com um objetivo bem mais focado: degustar, a cada reunião, um determinado número de vinhos que foram previamente combinados e adquiridos. A grande diferença é a presença de um Monitor, alguém com muita experiência, que vai orientar a prova, sempre às cegas.

Pode ser muito divertido sendo uma ótima oportunidade para se descobrir mais coisas sobre o vinho.

A grande dificuldade será encontrar a figura do Monitor.

Montar uma Associação é uma tarefa mais árdua, mas não se esqueçam que todas as que existem e brilham hoje começaram do zero. Se houver uma quantidade inicial de interessados, vale a pena investir na elaboração de um estatuto e registro na Junta Comercial.

Todos os sócios pagam uma taxa regularmente e a associação poderá contratar professores, comprar vinhos, organizar eventos, enfim, suprir tudo que está em falta na sua cidade.

Produtores, importadores e as demais associações de enófilos sempre ajudam uma iniciante, afinal o objetivo é aumentar o consumo de nossa bebida.

Não é uma tarefa fácil e nem se tem certeza de que vai obter resultados a curto prazo, mas pode ser extremamente satisfatória.

Mãos à obra e bons vinhos!

Saúde.

Vinho da Semana: um gostoso tinto português do Alentejo

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.COM (ponto com) 2012 – $$
Corte das castas Touriga Nacional, Trincadeira e Aragonez.

Aromas ricos em frutos vermelhos, bem maduros.

Na boca é um vinho equilibrado, macio, com taninos muito elegantes, num conjunto bem estruturado.

Ritos de Passagem

Ritos de passagem são eventos que marcam a mudança de status de nossa vida dentro de uma comunidade. Os mais comuns estão ligados a nascimentos, mortes, casamentos e formaturas. Talvez o mais importante para cada um de nós é a passagem para a vida adulta.

No mundo do vinho não é diferente. O primeiro rito de passagem coincide com o primeiro gole da nossa ilustre bebida. Mas, para ser realmente um bom enófilo, é preciso passar por outros deliciosos ritos.

Eis alguns deles que consideramos imprescindíveis.

1 – Visitar uma vinícola

Para se tornar um verdadeiro apaixonado pelo vinho, este programa é um “must”.

Não é tão complicado como parece, há várias opções no nosso país e nos países vizinhos, Argentina, Chile e Uruguai. Se preferirem o Velho Mundo, Portugal é outra boa opção, principalmente pelo idioma.

Na nossa coluna já relatamos diversas viagens feitas com este intuito. Somos sempre bem recebidos e é ótima oportunidade de ampliar conhecimento e fazer novos amigos. Cada visita será diferente da outra e descobrir estas nuances que identificam este ou aquele produtor é a graça deste rito.

Se houver a chance, não deixem de desfrutar de uma refeição harmonizada no restaurante da vinícola visitada.

2 – Participar de um evento ou feira de vinhos

Este rito tem um caráter de afirmação: consigo provar e escolher vinhos com classe e dignidade. É uma experiência única, que vai testar os limites de cada um, bem diferente de uma Festa da Cerveja, onde o objetivo é outro.

Muito importante aprender mais sobre qualquer vinho que lhe seja particularmente agradável: pergunte a quem está lhe servindo a prova.

A temporada para este tipo de eventos começa agora, no fim do verão. Se acontecer algum em sua cidade, não deixem de comparecer.

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3 – Fazer um curso sobre degustação

A maioria das escolas de vinhos oferecem este tipo de curso como complemento ao curso básico. Enfatizam os aspectos clássicos: cor, aroma e sabor.

Envolvem técnicas de identificação para degustações às cegas e ajudam a desenvolver a nossa percepção, tornando o ato de degustar um vinho num prazer inigualável.

4 – Comprar e degustar um vinho caro ou icônico

Um rito cheio de simbologias e muito importante para um enófilo de 1ª linha. A partir deste ponto, é possível discutir, com conhecimento de causa, o que separa vinhos do dia a dia dos demais.

Um truque que ajuda a enfrentar o alto custo de uma garrafa destas é fazer a compra em consórcio: junte alguns amigos e dividam a despesa.

Considero este rito extremamente emocionante e faz parceria com o próximo.

5 – Envelhecer um vinho e comprovar sua evolução

Um dos ritos mais bacanas e desafiador que exigirá algum conhecimento e desapego por parte do enófilo: não é qualquer vinho que vai servir para cumprir esta fase da nossa experiência enológica.

Então, escolher a garrafa certa, guardá-la por alguns anos, sempre sob estrita vigilância e finalmente abri-la na data certa e comprovar que todas as suas expectativas estavam corretas, não tem preço.

A partir deste evento temos certeza que estamos prontos para os mais altos voos que existam nesta esfera. Nossos pares nos respeitam e admiram.

Uma boa sugestão é usar 3 garrafas para esta experiência. Abra uma logo e anote suas impressões. A segunda deve ser degustada com 3 ou 4 anos de guarda. Compare com a anotações da 1ª e decida por quanto tempo mais deve ficar adegada a 3ª e última.

Pode ficar melhor que um vinho icônico (este é o real objetivo deste rito…)

6 – Participar de uma degustação Vertical (mesmo vinho, safras diferentes)

Este é para poucos. Estas degustações são restritas e para serem bem realizadas custam muito caro. Ao mesmo tempo, não tem sentido fazer uma degustação deste tipo com vinhos comuns.

Nada impede, entretanto, que dentro do mesmo espírito do rito sobre o vinho caro, que se organize um grupo de amigos e invistam em safras consecutivas de um mesmo bom vinho, pelo menos 3 anos.

Em boas lojas de vinhos se encontram conjuntos de vinhos prontos para este tipo de degustação.

7 – Presentar uma garrafa para alguém especial

Este último rito da nossa lista de sugestões é um desafio que exige conhecimento e sensibilidade. Estaremos nos expondo ao máximo, não importa quem seja o objeto de nosso afeto. As repercussões podem ir longe e qualquer descuido pode ser um desastre.

Por outro lado, o acerto é extremamente prazeroso, nos deixando muito confiantes. Agora podemos, sem nenhum receio, introduzir novos amigos no vinho, impressionar o nosso mestre ou aquela pessoa especial. E para isto valem todos os recursos disponíveis: o visual da garrafa, rótulos bonitos, o conteúdo, é claro, a embalagem (caixas de madeira são sempre bem vistas), etc…

Alguém arriscaria uma dedicatória?

Vinho da Semana: um branco californiano que vai muito bem com o cardápio da Páscoa

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Le Cigare Blanc 2007 (Bonny Doon)$

Um branco intrigante segundo Robert Parker, que classificou com 86 pontos a safra de 2007.

Um vinho aromático e cativante, oferece uma grande gama de combinações com comida, de um carpaccio de peixe até queijos de pasta mole.

 

Os Vinhos da Luiz Argenta

No recente Encontro de Vinhos, a mesa da Vinícola Luiz Argenta se destacava com suas bonitas e diferentes garrafas o que nos fez experimentar todo o flight disponível, apresentado pela simpática Daiane Argenta.

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Fundada em 1999, esta vinícola boutique é a atual proprietária de um dos melhores terroirs do Brasil, um vinhedo que começou a ser plantado em 1929 pela Granja União, uma das pioneiras do vinho brasileiro. Localizada em Flores da Cunha, RS, está dentro da indicação geográfica (IGT) Altos Montes. Algumas parcelas estão plantadas a 885 metros sobre o nível do mar. Todas as uvas utilizadas são próprias.

Em 2009 foi inaugurado o moderno prédio que abriga a vinícola, com uma arquitetura diferenciada, considerada como uma das mais bonitas do mundo.

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Seus vinhos estão divididos nas seguintes linhas:

L A Jovem – são vinhos leves e frutados para consumo rápido;

L A – vinhos de média estrutura amadurecidos por 9 meses em barricas de carvalho francês;

Luiz Argenta – vinhos de grande potencial de guarda, bem estruturados e elaborados em safras especiais.

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Degustamos os seguintes vinhos:

Espumante Brut Rosé – pertence à linha L A Joven. Produzido pelo método Charmat, é um corte de Merlot, Shiraz e Pinot Noir.

Muito agradável, com bonita coloração rosa claro. Perfeito para dias quentes como este do encontro.

Sauvignon Blanc – linha L A Jovem. Com uma bonita garrafa de design italiano, este é um vinho ligeiro, com coloração amarela clara. Notas características de maracujá e banana, boa acidez.

Um vinho descompromissado para acompanhar refeições leves como os da culinária oriental.

Shiraz – linha L A Jovem. Produto muito interessante e que se destaca não só pela original garrafa (foto acima) como pela opção de produzir um varietal com esta casta.

Muito agradável e nos impressionou favoravelmente.

Cabernet Franc – linha L A. Outro vinho atípico para os padrões brasileiros. Sua elaboração é muito cuidadosa, bagas selecionadas, maceração com temperatura controlada, fermentação malolática e maturação por 6 meses em barricas de carvalho.

Boa estrutura, acidez correta e taninos muito suaves. Ainda pode evoluir.

Merlot – Linha L A – Um clássico da vinicultura nacional. A casta Merlot é uma das que melhor se adaptou às nossas condições de solo e clima. Elaborado com modernas técnicas e maturado por 1 ano em barricas de carvalho.

Excelente vinho, um dos melhores provados nesta degustação.

Cuveé – Linha Luiz Argenta – Um dos vinhos top desta vinícola. Corte que inclui Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot, maturado por 14 meses em carvalho e 2 anos em garrafa.

O melhor vinho provado neste Encontro 2016. Nível internacional, não deve nada aos melhores vinhos produzidos pelos nossos vizinhos.

Foi uma belíssima prova. Parabéns para a Luiz Argenta pelo bom gosto e ousadia.

Bons vinhos, saúde!

Vinho da Semana: não poderia ser outro.

LUIZ ARGENTA CUVÉE 2009

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Vermelho Granada intenso e brilhante.

Aromas intensos, harmônicos e de grande complexidade.

Lembram frutas vermelhas, amora, especiarias, chocolate e baunilha. Um vinho muito estruturado, com um excepcional volume de boca e grande corpo.

Taninos perfeitamente evoluídos e equilibrados.

Harmonização – Molhos vermelhos, encorpados e picantes, queijos maduros e carnes vermelhas de caça e carnes exóticas.

Devo decantar vinhos brancos?

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Esta é uma questão que sempre nos consultam. Acreditamos que a principal razão desta dúvida seja a confusão causada pela expressão “decantar” usada indiscriminadamente para expressar a necessidade de separar sólidos em suspensão num vinho ou apenas aerá-lo.

Atualmente os vinhos são filtrados através de diversos processos para garantir que estejam cristalinamente transparentes, sejam brancos ou tintos, o que praticamente exclui a necessidade de usar um decantador para separar alguma partícula sólida que ainda exista. Há exceções, óbvio.

Por outro lado, qualquer vinho vai se beneficiar de uma boa aeração – contato direto com o ar atmosférico – permitindo que muitas das suas características venham prontamente à tona, depois de alguns anos de amadurecimento na vinícola. A garrafa decantadora é uma das boas armas para se conseguir este efeito.

Vinhos brancos não são exceção. Algumas castas, como a Chardonnay, podem se beneficiar mais que outras. Eis algumas boas razões para usar esta técnica com os brancos:

– Controlar a temperatura – o hábito de beber brancos estupidamente gelados pode mascarar algumas de suas melhores nuances. O uso do decantador pode ajudar a equilibrar a temperatura rapidamente.

Um bom teste é experimentar o vinho antes de decantar, e depois testá-lo novamente a intervalos de 20 minutos. Provavelmente o acharão mais saboroso no último teste, mais neste caso já terão consumido, pelo menos, 4 taças…

Pode-se usar esta técnica para realizar a operação inversa: gelar o vinho rapidamente. Coloque o decantador num balde com gelo e aguarde alguns minutos. A maior área de contato facilita o resfriamento sendo mais rápido do que usar a garrafa diretamente no balde.

– Liberar rapidamente odores estranhos, como os mercaptanos, que são bastante comuns nos vinhos que utilizam as tampas de rosca. Ocorrem por estarem um ambiente anaeróbico. São odores que lembram enxofre, repolho, borracha, etc…

– Otimizar a experiência sensorial – alguns brancos levam muito tempo para “abrir”, termo usual para definir se um vinho atingiu todo o seu potencial de aromas e sabores. Independente da sua coloração, todo vinho vai se beneficiar de ter uma maior superfície em contato com o ar, atingindo as suas condições ideais em um tempo menor.

Uma opção válida que pode substituir o decantador em algumas destas recomendações é o aerador. Existem modelos específicos para os brancos, mas testes no nosso laboratório mostraram que o aerador para os tintos pode funcionar perfeitamente neste caso.

Mãos à obra!

Saúde e bons vinhos!

Vinho da semana: experimentem decantar.
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Lagarde Reserva Chardonnay 2014 – Argentina
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Coloração amarelo dourada.

Aromas de frutas tropicais, mel, leve toque de baunilha e coco.

Paladar Complexo e elegante com bom frescor e untuoso.

Na safra de 2010 recebeu 88 pontos de Robert Parker

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