Categoria: O mundo dos vinhos (Page 84 of 84)
Nas últimas colunas foram mencionados alguns ícones do mundo do vinho. Todos muito bons e muito caros. Se olharmos para este mercado de alta gama ficaremos chocados com os valores pagos por determinados rótulos famosos. Recentemente uma garrafa de Romanée–Conti foi arrematada por mais de 13 mil dólares!
Há alguma coisa que justifique estes valores?
São vários aspectos que devem ser levados em conta, desde a legislação de um país, volume de produção, técnicas de marketing e até a má administração de empresas que buscam cobrir seus prejuízos.
No caso do renomado vinho da Borgonha o preço se justifica por duas razões:
1 – a legislação francesa, sempre muito rigorosa, só classifica naquela região como vinhedo de excelência uma pequena parcela;
2 – em função disto a produção é minúscula. Logo, são poucas garrafas à venda deste fabuloso vinho.
A segunda pergunta que devemos nos fazer antes de embarcar numa compra ousada é: vale a pena?
Nem sempre. Muitos destes vinhos têm uma fama que, hoje em dia, não é mais devida – foram grandes vinhos. A concorrência é feroz e com a chegada dos vinhos do Novo Mundo a guerra de marketing se tornou a parte mais importante do negócio.
Reparem na divisão entre Novo e Velho mundo – há lugar para grandes vinhos nos dois segmentos. Não há dúvida que os rótulos mais tradicionais vão se agarrar ao seu passado e extrair tudo o que puderem disto. Do outro lado do Atlântico, onde não há tanta tradição, o caminho será o de se equiparar, inclusive no preço…
Mas é possível comprar um excelente vinho por um preço palatável. Basta seguir alguns conselhos.
A menção ao Romanée-Conti não foi gratuita. Sua principal característica é ser elaborado com uvas de um único vinhedo. Esta é a primeira dica: procurem nos rótulos a expressão ‘Vinhedo único’ ou as traduções ‘Single vineyard’, ‘viñedo único’, ‘U.V.’ (unique vigneron) ou a versão mais moderna que prefere citar ‘Block #’ e ‘Parcela #’. Isto é uma garantia de um produto de melhor qualidade, com elaboração cuidadosa. Podemos encontrar excelentes produtos, que equivalem a um Borgonha Prémier Cru por 1/3 do preço.
Uma segunda dica são os chamados ‘segundos vinhos’ das grandes vinícolas. Esta opção surge quase naturalmente quando uma determinada safra não atinge o padrão para o grande vinho ou, mais comum atualmente, para enfrentar a concorrência do mercado sem alienar a marca mais famosa da vinícola.
Este vinho é ruim?
De maneira nenhuma. Não se pode esquecer que vinho é um negócio. Nenhum produtor vinifica só por amor à arte, precisam de retorno para o investimento. Outra trilha muito usada é a venda do vinho por atacado para engarrafadores independentes. Estes lançam excelentes produtos com seus próprios rótulos e a preços bem mais competitivos. Alguns exemplos:
Pavillion Rouge é produzido pelo Château Margaux;
Les Forts de Latour, pelo Château Latour;
Liberty School, produzido pela afamada Caymus da Califórnia;
Hawk Crest, elaborado pela premiada vinícola Stag’s Leap.
Os ‘Negociantes’, muitas vezes vinhateiros também, são comuns na França, por exemplo: Bouchard Père et Fils, Louis Jadot, Joseph Drouhin e Vincent Girardin na Borgonha; Georges Duboeuf em Beaujolais; Guigal, Jean-Luc Colombo e Mirabeau na Provence; Jaboulet no Vale do Rhône.
Basta olhar nos rótulos ou contra-rótulos para comprar excelentes vinhos por uma fração do preço dos ‘famosos’. Isto vale para os produtores sul-americanos também: Bramare e Felino são segundas marcas da Viña Cobos; Tomero é elaborada pela premiada Vistalba; Alamos é a linha básica da Catena Zapata, e assim por diante.
Um truque que gosto muito é experimentar as varietais pouco conhecidas, tintas ou brancas. Em vez de um Sauvignon Blanc prove um Torrontés, no lugar do trio Cabernet, Merlot e Syrah, parta para um Tannat ou Ancelotta. Já fiz ótimas descobertas assim, com um custo muito baixo.
Por último, tentem os produtos nacionais ou pelo menos do cone sul em lugar de europeus ou americanos. Tudo bem que nem sempre o nosso vinho tem preço competitivo, mas com uma boa dose de perseverança podemos encontrar bons caldos. Os espumantes não me deixam mentir, não devem nada aos demais.
Dica da Semana: uma destas descobertas, numa prova oferecida em uma delicatessen.
El Ciprés TorrontésProdutor: Luis Segundo Correas
País: Argentina/Mendoza – Medrano
Com uma bela coloração amarelo ouro com reflexos esverdeados, seu intenso aroma lembra flores brancas, ervas e frutas brancas. No palato tem acidez equilibrada e final de boca muito longo, atípico para esta casta. Elaboração primorosa. Bom companheiro para um final de tarde ou borda de piscina.
Um dos conhecimentos mais importantes é saber ler um rótulo. De acordo com as diferentes legislações dos países produtores, informações relevantes devem ser impressas de modo claro, permitindo ao consumidor saber o que vai adquirir.

1 – Região, neste caso Bordeaux: Apellation Bordeaux Contrôlée. Por favor, vamos lembrar-nos das aulas da Mme. Margaridá no colégio – Je m’apelle… Apellation significa Denominação.

Uma das tarefas básicas para se degustar um bom caldo é escolher bem as ampolas. Isto significa, no jargão do enófilo, que vamos às compras.
Enófilo? Não é outra coisa não?
Não confunda! Segundo um bom dicionário, enófilo é um adjetivo que caracteriza aquele que gosta de vinho ou que se dedica ao comércio ou assuntos vinícolas.
Esclarecido este ponto, vamos partir para o mercado em busca de um bom vinho. Para que esta aventura aconteça sem transtornos, algumas decisões devem ser tomadas.
A primeira é: para onde vamos? Loja especializada, delicatessen, supermercado, armazém ou bar da esquina?
Cada um destes comércios tem por objetivo atender a um determinado segmento da população, oferecendo diferentes opções. Não é preciso ser nenhum especialista para deduzir onde estão os produtos de melhor qualidade.
Isto nos leva às outras decisões: qual produto escolher e como assegurar que estão em boas condições de consumo?
Entre espumantes, brancos, rosés, ou tintos, de várias origens e várias faixas de preços, o que comprar?
Se o leitor ainda não possui uma base de conhecimento que lhe permita sair do dilema, é melhor pedir ajuda a quem sabe. Nas boas lojas há sempre um Sommelier ou Enófilo para orientar a compra. Os amigos, que já forem iniciados na arte de degustar, podem fornecer dicas importantíssimas.
Não se preocupe, por enquanto, com tipo de uvas, cortes, harmonização e outros detalhes, que serão importantes num próximo estágio. Peça uma sugestão para a pessoa que está lhe atendendo. Explique com clareza que você quer um vinho para aprender a degustar. Fixe uma faixa de preço. Aqui vale uma regra básica: quanto mais caro melhor (há controvérsias).
Se a sugestão estiver ao seu alcance, vá em frente e aproveite.
A seguir, alguns conselhos para ajudar na escolha.
1 – O estado da garrafa a ser adquirida traz informações que não devem ser ignoradas. Examine o nível de líquido. Qualquer espaço livre anormal entre a rolha e o líquido é sinal de vazamento. Compare com outras garrafas de mesmo formato. Especial atenção ao estado da cápsula e da rolha: deve estar tudo limpo, plano e sem ressaltos.
2 – Preste atenção ao modo como as garrafas estão armazenadas. Prefira as garrafas que estejam deitadas.
3 – No caso dos brancos, de garrafa transparente, cheque a cor do vinho. Uma coloração amarela, escura, pode indicar oxidação. Já se a cor for âmbar, não compre. Para os tintos, coloque a garrafa contra a luz e procure por turbidez e depósitos em excesso. Se houver, nada feito.
4 – Fique atento às safras, data declarada no rótulo de bons produtos. Tintos mais básicos, assim como os roses e grande parte dos brancos, devem ser consumidos jovens, em no máximo três a quatro anos.
5 – Se a opção for espumante, prefira os vinhos mais jovens. Espumantes safrados indicam uma qualidade melhor e são muito mais caros.
Para quem já está salivando, eis a dica da semana.

Um Malbec de bom corpo, com taninos doces. Vinho macio e envolvente. Boa acidez. No nariz é bem frutado. Um pouco picante em razão do álcool e da acidez, mas sem ser desequilibrado. Final longo, com prevalência do frutado sobre a madeira, aparecendo notas tostadas, dando elegância ao final de boca. Ótima relação qualidade x preço. Pronto pra beber.
Beber vinho está na moda. Supermercados não só colocaram suas prateleiras em destaque como aumentaram a oferta incluindo, até mesmo, ajuda de um expert para fazer a seleção do que vai ser comprado. Nas grandes capitais, multiplicam-se as lojas especializadas. Enfim, já existe todo um setor dedicado a explorar este crescente mercado.
Muitos consumidores acreditam que vinho é uma bebida para ocasiões especiais ou que exige um ritual para ser apreciado, o que nem sempre é verdade. O resultado final é que por desconhecimento ou inibição, opta-se por outra bebida, mais fácil.
Enquanto nossos vizinhos, Argentina, Uruguai e Chile são grandes consumidores, com médias anuais acima de 20 litros por ano por pessoa (na Argentina chega a 40 litros), no nosso país o consumo não chega a 2 litros por ano por pessoa. Muito pouco.
Historicamente este insignificante volume tem origem na baixa qualidade do vinho produzido por aqui, neste caso, os vinhos populares de garrafão feitos a partir da uva Isabel que não é vinífera. Contribui, também, na alta taxação para importar vinhos e o desconhecimento genérico do consumidor em potencial.
Nem mesmo a alardeada ideia de que 1 ou 2 cálices de (bom) vinho, por dia, podem trazer enormes benefícios à saúde conseguiu mudar este quadro. Temos um longo caminho pela frente até nos tornarmos produtores e consumidores respeitados. O lado positivo é que muita coisa já está sendo feita.
Adquirir um conhecimento básico, que permita chegar num bom restaurante, abrir a carta de vinhos e fazer uma boa escolha não é difícil e pode ser muito divertido.Existem várias opções de cursos nas principais cidades. Pesquisando aqui e acolá, fizemos uma relação do que pode ser interessante.
– Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) – Seu curso básico é o mais famoso do país, tem sedes em S. Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Brasília, Minas Gerais e Bahia. Entre no site e descubra mais.
SP – http://www.abs-sp.com.br ou http://www.abs-campinas.com.br(Campinas)
RJ – http://www.abs-rio.com.br
MG – http://www.abs-minas.com.br
BA – http://abs-ba.com.br/home/
– Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho – é a mais antiga do Brasil. Oferece bons cursos. Tem sedes em S. Paulo e Rio Grande do Sul. Saiba mais em:
SP – http://www.sbavsp.com.br/
RS – http://www.sbav.com.br/novo2004/
Além destes, o SENAC oferece diversos cursos, inclusive um profissionalizante de Sommelier. Existem, também, cursos independentes, muitas vezes oferecidos por vinícolas, lojas de vinho ou mesmo escolas particulares. Consulte esta lista abaixo:
Mar de vinhos (RJ) – http://www.mardevinho.com.br/
Belo Vinho (MG) – http://www.belovinho.com.br/
Degustadores sem Fronteiras (SP) – http://www.degustadoresemfronteiras.com.br/
Ciclo das Vinhas (SP) – http://www.ciclodasvinhas.com.br/
Duas vinícolas tradicionais, Miolo (http://www.miolo.com.br/cursos/) e Salton (http://www.salton.com.br/novo/cursos.aspx?pg=vinhos) oferecem cursos, às vezes itinerantes. Consulte os respectivos sites para maiores informações.
Não podemos esquecer nem do mercado editorial e nem da Internet. Uma boa pesquisa nas livrarias da sua cidade ou na rede pode trazer ótimos resultados.
Para não deixar ninguém com sede, aqui vai a nossa primeira indicação:

Argentina/Mendoza (http://www.bodegasesmeralda.com.ar/index.html)
Combinando duas castas de grande exuberância, o Tilia Malbec/Syrah é um vinho macio, maduro e incrivelmente saboroso, mostra um estilo moderno, mas muito equilibrado, impossível de não gostar.
Se não encontrar nas boas lojas de sua cidade, pode ser comprado diretamente do importador, Vinci Vinhos: http://www.vincivinhos.com.br/default.aspx






