Categoria: O mundo dos vinhos (Page 9 of 76)

Vinhos com indicadores de origem são melhores?

Responder está questão não é uma tarefa fácil. Cada país produtor tem suas próprias normas no que diz respeito às Indicações Geográficas (IG), Denominação de Origem Controlada (DO; AOC; DOCG …) e algumas outras indicações que estão mais para um bom marketing do que uma regra a ser respeitada.

Existem algumas razões por trás destas indicações, as mais significativas são determinadas garantias, tanto para o produtor quanto para o consumidor.

A qualidade de um vinho é variável com o tempo, mudando de acordo com a natural evolução da vida social onde é produzido. Métodos de cultivo e manejo das uvas, processos de vinificação e até mesmo o meio ambiente, são dependentes da qualidade da mão de obra envolvida. Este talvez seja o fator mais direto a influir na qualidade final.

Quando um vinho recebe uma designação, significa que há uma especificidade: este produto, ou qualquer outro com esta mesma denominação, cumpre uma série de requisitos para receber a autorização de imprimir uma destas siglas em seu rótulo.

Esta é a melhor garantia: “O que está no rótulo, está na garrafa”.

É uma enorme diferença, mas não o suficiente para afirmarmos que é um vinho de qualidade.

Para os produtores há mais garantias e proteções em jogo. Uma boa norma de designação de origem deve incluir desde os princípios básicos sobre a quantidade de videiras por área plantada, quais castas podem ser cultivadas, a proporção utilizada por volume de produção e muito mais.

Nem sempre cumprir todos estes requisitos é uma tarefa simples. O que se busca é manter uma diferenciação desta ou daquela região, que seu produto seja homogêneo, ou seja, que tradições sejam mantidas. Evitam-se, assim, aventureiros, oportunistas, falsários e outros “espertos” que engarrafam qualquer coisa, colam um bonito rótulo e esperam pelo lucro fácil.

Existem alguns exemplos que ajudam a fixar esta ideia:

1 – Historicamente, atribui-se à região do Douro, em Portugal, onde é produzido o Vinho do Porto, o título de “primeira região demarcada do mundo”. Foi instituída em setembro de 1756 por alvará de D. José I.

Por trás deste alvará estava a influência do seu Secretário de Estado, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, que aproveitou a oportunidade para incluir umas terras de sua propriedade, em Oeiras, próximo a Lisboa e lhe permitir produzir um vinho fortificado, por lá…

Em dezembro de 2001, a UNESCO classificou parte da região como “Patrimônio Mundial”, sob o nome de Região Vinhateira do Alto Douro.

2 – Talvez a denominação mais conhecida seja a francesa AOC ou “Appellation d’Origine Controlée”. Curiosamente, a primeira AOC foi instituída em 1411 para proteger o queijo Roquefort.

As regras para a indústria do vinho aparecem a partir de 1905. Em 1935 é criado o CNAO, “Comité National des Appellations d’Origine” para administrar a concessão das AOC.  Após a Segunda Guerra, sua área de atuação foi ampliada, se tornando o INAO, “Institut National des Appellations d’Origine”.

Este conjunto de normas é muito abrangente e rigoroso. Para receber a certificação, os vinhos devem ser produzidos em terroirs delimitados e satisfazer a normas de produção muito estritas, definidas por decreto. Há limites de rendimento, um grau mínimo de alcoolização e as condições de envelhecimento.

Atualmente, naquele país, existem pouco mais de 400 vinhos de denominação de origem controlada.

Interessante notar que o importante conceito de “terroir” tem, como base, este conjunto de regras de produção.

Ao final, podemos perceber que a qualidade de um vinho, sua superioridade ou, usando um adjetivo mais amplo, sua singularidade, decorrerá da forma como as regras de elaboração sejam cumpridas. Todas as ferramentas para que seja um grande vinho estão ali.

Mas gosto não se discute.


Temos novidade no site.

Dica da Cave Nacional:

Depois de um longo tempo hibernando, volta a indicação semanal de um vinho. Pedimos ajuda para a Karina Bellinfanti, proprietária da Cave Nacional, uma loja especializada em vinhos brasileiros, no Rio de Janeiro.

Caetano Vicentino Cabernet Sauvignon – Merlot

A Caetano Vicentino é uma vinícola de Nova Pádua, região de Altos Montes, no RS.

Este vinho é um blend de Cabernet Sauvignon safra 2022 e Merlot safra 2021. Passam 12 meses por barrica de carvalho, francês para o Cabernet e americano para o Merlot, todas de primeiro uso.

É um vinho límpido, brilhante, de coloração rubi profunda. Aromas de frutas vermelhas maduras, mirtilo, notas balsâmicas, cravo e alcaçuz. Acidez equilibrada, tanino e corpo médio – mais. Sabores que lembram cassis, tabaco, cacau e muita fruta. Final persistente.

Harmoniza maravilhosamente com carnes e pratos à base de cogumelos.

A Cave Nacional envia para todo o país. Para adquirir este vinho, clique no nome.

Saúde e bons vinhos!

#comprevinhogaúcho

CRÉDITOS:

Foto por Tomas Williams no StockSnap

O Julgamento de Londres

No dia 24 de maio de 1976, há 48 anos atrás, aconteceu o famoso Julgamento de Paris, cujo inesperado resultado mudou, significativamente, a indústria de vinhos no mundo.

Steven Spurrier, um dos nomes icônicos do mundo do vinho, encantado com o que havia havia provado na Califórnia, organizou uma degustação comparativa com grandes vinhos franceses. Convidou importantes nomes para serem os juízes.

Ao final, os vinhos norte-americanos foram os vencedores, apesar dos protestos de alguns dos jurados, sob diversas alegações. Pelo menos dois vinhos ficaram muito famosos, Cabernet Sauvignon Stag’s Leap e o Chardonnay Château Montelena, ambos safra 1973.

Julgamento de Paris foi o apelido dado pelo único jornalista presente no evento, George Taber, que publicou uma notinha na poderosa revista Time.

Não poderia imaginar o impacto disto tudo no mundo do vinho. Para quem se interessar em conhecer esta fascinante história, Taber publicou um livro homônimo. O filme Bottle Shock (O Julgamento de Paris, no Brasil, ou O Duelo de Castas, em Portugal), apresenta uma versão romanceada desta degustação.

Na London Wine Fair deste ano, resolveram reviver este evento, com uma roupagem diferente: vinhos europeus versus vinhos do resto do mundo.

A degustação aconteceu no dia 21 de maio. Foram 32 vinhos, provados em pares, por 21 julgadores criteriosamente escolhidos entre “Master of Wines”,  “Master Sommeliers” e nomes renomados dentro deste universo.

A Curadoria foi feita por Sarah Abbott MW e Ronan Sayburn MS. Escolheram, sem dúvida, vinhos formidáveis. Só cabe uma pequena crítica: foi um evento muito dirigido para o consumidor inglês.

Adotaram uma dupla contagem do resultado, para evitar distorções. Escolheram um sistema simples, de 10 pontos. A nota final de cada vinho, seria a soma do que foi atribuído por cada avaliador. Em paralelo, foi feita uma “Contagem de Borda”, uma contagem ranqueada, procurando fugir de decisões fora da curva.

O resultado, obtido somando-se todas as notas, não foi uma surpresa como o do Julgamento de Paris: os vinhos europeus obtiveram 2.621,5 pontos e o resto do mundo somou 2.604,5 pontos. Em termos gerais, houve um empate técnico.

Aqui estão os vinhos, apresentados na ordem em que foram degustados. A título de ilustração, acrescentamos, entre parêntesis, a nota “Vivino” de cada um. Algumas provas foram feitas em dois flights.

Curiosamente, o melhor vinho do certame foi o Pegasus Bay Riesling, Bel Canto 2011, da Nova Zelândia.

Riesling
Mundo: Polish Hill Riesling, Grosset, Clare Valley, Australia 2012 (3,9)
Europa: Trimbach, Riesling Clos St Hune, Alsace, France 2008 (4,3)
Chardonnay 1
Europa: Cervaro Della Sala, Marchese Antinori, Umbria, Italy 2018 (4,4)
Mundo: Kistler Chardonnay, Les Noisetiers, Sonoma, USA 2018 (4,4)
Chardonnay 2
Europa: Corton Charlemagne Grand Cru, Maison Louis Jadot, Burgundy, France 2017 (4,1)
Mundo: Felton Road Chardonnay Block 6, Central Otago, New Zealand 2017 (4,1)
Corte branco
Mundo: Au Bon Climat Hildegard, Santa Maria Valley, USA 2020 (4,3)
Europa: Terre Alte, Livio Felluga, Friuli, Italy 2020 (4,3)
Sauvignon Blanc
Europa: Château Smith Haut Lafitte, Grand Cru Classé, Pessac Léognan, Bordeaux, France 2017 (4,3)
Mundo: Peter Michael Winery Sauvignon Blanc, L’Apres Midi, Sonoma, USA 2014 (4,4)
Texturados brancos 1 (grande impacto no palato)
Mundo: Pegasus Bay Riesling, Bel Canto, Waipara, North Canterbury, New Zealand 2011 (3,9)
Europa: Franz Hitzberger, Grüner-Veltiner Singerriedel, Wachau, Austria 2019 (4,1)
Texturados brancos 2
Europa: Quinta dos Roques Encruzado, Dão, Portugal 2014 (3,8)
Mundo: David & Nadia Chenin Blanc, Skaliekop, Swartland, South Africa 2019 (4,2)
Vale do Ródano
Mundo: Viognier, Tahbilk, Nagambie Lakes, Australia 2011 (3,6)
Europa: St Joseph Blanc Les Oliviers, Pierre Gonon, Rhône, France 2020 (4,4)
Pinot Noir 1
Mundo: Storm Pinot Noir, Ridge, Hemel-en-Aarde, South Africa 2019 (4,2)
Europa: Bonnes Mares Grand Cru, Domaine Dujac, Côtes de Nuits, France 2017 (4,6)
Pinot Noir 2
Europa: Spätburgunder, Weingut Mayer-Näckel, Ahr Valley, Germany 2019 (3,8)
Mundo: Hirsch Vineyards Pinot Noir, San Andreas, Sonoma, USA 2019 (4,4)
Cabernet Sauvignon 1
Mundo: Promontory, Harlan Estate, Napa Valley, USA 2019 (4,7)
Europa: Château Mouton Rothschild, Pauillac, Bordeaux, France 2009 (4,7)
Cabernet Sauvignon 2
Europa: Château Léoville Las Cases, St Julien, Bordeaux, France 2009 (4,5)
Mundo: Viñedo Chadwick, Maipo Valley, Chile 2015 (4,6)
Syrah
Mundo: Homage Syrah, Trinity Hill, Hawkes Bay, New Zealand 2018 (4,1)
Europa: Hermitage Rouge, Jean Louis Chave, Rhône, France, 2012 (4,6)
Texturado tinto
Europa: Saperavi Qvevri, Quevri Wine Cellar, Kakheti, Georgia 2019 (4,1)
Mundo:  Clonakilla Syrah, Canberra, New South Wales, Australia 2015 (4,5)
Grenache/Garnacha
Mundo: Torbreck Hillside Vineyard Grenache, Barossa Valley, Australia 2016 (4,1)
Europa: Clos Magador, Priorat, Spain 2019 (4,5)
Cabernet Franc
Europa: Saumur Champigny, Clos Rougeard, Loire, France 2018 (4,5)
Mundo: Gran Enemigo, Cabernet Franc, Gualtallary, Argentina 2018 (4,6)

Saúde, bons vinhos!

#COMPRE VINHO GAÚCHO!

CRÉDITOS:

Imagem de freepic.diller no Freepik

Fonte: London Wine Fair (em inglês)

Harmonizando vinho e madeira

A Cave Nacional, uma loja carioca que trabalha somente com vinhos brasileiros, promove, semanalmente, interessantes degustações temáticas. A desta semana foi com Cabernet Franc, seis do RS e um de SC.

Ao final, há uma votação para escolher os dois melhores. Houve um impasse: havia um candidato que, nitidamente, estava em outro patamar. Alguns dos degustadores solicitaram que ele fosse declarado “hors concurs” e a escolha recaísse sobre os demais.

Numa solução salomônica, já que não era uma unanimidade, escolheram dois resultados, um com o tal grande vinho e outro, sem ele.

Todos os vinhos eram bons e bem vinificados. A grande diferença estava na influência da madeira no amadurecimento. Cada produtor que usou esta técnica, escolheu entre carvalho francês ou americano, tosta média ou forte e barricas novas ou usadas. O tempo de armazenamento variou de poucos meses até dois anos.

O vinho que sobressaiu tinha um estilo que alguns críticos e detratores apelidaram de “suco de carvalho”. Agradou a um grupo que representava metade da turma. Os demais o acharam um bom vinho, mas a madeira excessiva destoava, não harmonizava.

Esta característica, que divide muitos enófilos, tem uma origem bem conhecida: o icônico crítico norte-americano, Robert Parker, muito respeitado e imparcial. Seus famosos “100 pontos” era um troféu desejado por todos os produtores de vinhos.

Uma de suas marcantes características era o paladar típico de seu país – sabores intensos – o que era fácil perceber nos vinhos que receberam a nota máxima: ou eram intensamente frutados, os “fruit bombs”, ou intensamente madeirados, os “oak juice”.

Uma interessante resposta a este estilo veio de um autor e crítico de vinhos, igualmente respeitado e imparcial, o britânico Hugh Johnson:

“Se a madeira está obviamente presente, ela está excessiva”. (eu concordo com Johnson)

Para compreendermos este embate, precisamos voltar no tempo, há 8.000 anos, na região da Georgia. Lá ocorreram as primeiras vinificações, feitas em potes de barro, os “qvevri” ou ânforas, no nosso idioma. Ainda não usavam madeiras.

Foi por volta do ano 400 A.C. que os romanos introduziram as barricas de madeira nesta história. As ânforas eram muito frágeis para transportar o vinho até as tropas nas frentes de guerra. Os recipientes de madeira eram perfeitos.

A próxima etapa desta epopeia acontece somente no século XVII, quando se percebe que as madeiras usadas nos barris alteravam o aroma e o sabor do vinho.

Surge uma nova arte, a Tanoaria, que adapta técnicas de construção naval, usadas há mais de 4.000 anos, moldando a madeira com vapor no fabrico das barricas.

A seleção das madeiras passa a ser fundamental. Cada tipo de carvalho, a mais utilizada por vinhateiros, mas não a única, se adapta melhor a um grupo de castas do que a outro. Há ciência em tudo…

Voltamos para os tempos atuais, onde novas variáveis entram em cena. Barricas de Carvalho são caras e representam uma gorda fatia do orçamento das vinícolas. Novas técnicas são desenvolvidas para usar a madeira de forma efetiva e barata, algumas muito criativas como usar cavacos, “essências” ou as aduelas, em vez dos barris, tudo mergulhado no mosto.

Como toda moeda tem duas faces, vamos olhar o lado do consumidor.

Há um velho ditado que diz: “tudo que é demais, enjoa”.

O velho e manjado “estilo Parker” está em franco declínio. O vinho, como bem observou Hugh Johnson, mudou de gosto, quase se tornando outra bebida. As novas gerações, tanto de consumidores como de vinhateiros, mais preocupados com a sustentabilidade do planeta e de seus negócios, saíram em busca de novas opções e elas estão vencedoras, no momento.

As velhas ânforas voltaram, sejam de barro, de pedra ou os modernos “ovos” de concreto. Produzem vinhos autênticos, frescos e deliciosos. Ainda usam madeira, mas de forma muito discreta.

Os vinhos brancos que, depois de séculos, passaram a ser os favoritos do público consumidor, se beneficiam das fermentações em dornas de madeira. Os tintos, modernos, tem uma madeira muito bem harmonizada, usada apenas para arredondar aromas e sabores. Nada de exageros.

Os vinhos “Parker” ainda têm seu público. São vinhos que se parecem com seus apreciadores: austeros; pesados; com safras “pré-históricas”; um visual imponente a partir do rótulo e que custam uma pequena fortuna. Embotam olfato e paladar.

Alguém vestiu a carapuça?

Lembro de um episódio com meu pai. Estávamos no centro do Rio, eu bem garoto, lá pelos 12 ou 13 anos de idade. Notei que uma antiga ótica da cidade, havia fechado:

– “Pai, a ótica fechou”.

Ao que ele respondeu com toda sua sabedoria:

– “Morreu o último cliente”…

Será este o destino do “estilo Parker”?

Comentem, por favor.

Saúde e bons vinhos!

Os diferentes aromas do vinho

A escolha deste tema decorre de uma interessante degustação que participamos. Eram seis Cabernet Sauvignon, quatro elaborados no Rio Grande do Sul e dois em Santa Catarina. As safras variavam de 2014 até 2020 e cada produtor usou diferentes técnicas de vinificação e amadurecimento.

Não houve uma unanimidade sobre quem era o “melhor” ou o “pior”. Todos tinham características bem interessantes, com aromas e sabores abrangendo um largo espectro de possibilidades, o que chamou a atenção até dos “especialistas” que ali estavam.

Uma pequena dúvida sobre uma determinada garrafa, que resultou na abertura de uma segunda, para tirar dúvidas, criou, naquele momento, uma bela oportunidade para ressaltar diferenças. E não eram poucas.

Como é possível um vinho, elaborado com apenas uva e levedura, criar tantos aromas e sabores que, nem sempre, estão relacionados à fruta que deu origem a esta bebida?

Um vinho tinto, bem vinificado, pode apresentar notas de chocolate, pimenta negra, frutas como ameixa, mirtilo e amora, tabaco, canela, baunilha e alguns outros. Nos brancos é comum encontrarmos notas de abacaxi, maçã, flores, frutos cítricos, maracujá, ervas e até mesmo odores de petróleo e de fármacos.

Não existe uma explicação simples para esta mágica. Há uma grande química envolvida, mas podemos separar estes aromas em diferentes categorias de origem, o que facilitará a compreensão.

O primeiro grupo de aromas vem de uma etapa do processo de elaboração, a maceração, quando o mosto fica em contato com as cascas e os engaços. Os métodos mais comuns empregados são a “pisa a pé”, a maceração a frio e a maceração carbônica. Cada uma irá enfatizar um tipo de aroma e sabor em consequência da casta utilizada.

Um segundo grupo de aromas decorre do tipo de levedura utilizada para fermentar o mosto. Novamente, cada produtor tem a sua receita, que pode variar, desde as leveduras que já estão presentes nos frutos até outras que foram especialmente desenvolvidas para se obter um resultado específico.

Para cada caso, um resultado diferente de aromas e sabores.

O terceiro grupo de aromas decorre do tipo de amadurecimento, seja em passagem por madeira, aço inoxidável, concreto ou plástico, em suas diferentes dimensões. Alguns destes materiais são inertes e não agregam nada ao vinho, mas permitem uma correta homogeneização. Madeira, principalmente, e concreto, em determinadas técnicas, podem trazer novas nuances ao vinho.

A química do vinho, exatamente no processo de fermentação, é muito complexa e difícil de controlar. Produz, além do desejável álcool, uma enorme gama de compostos denominados “voláteis”, ou seja, que se desprendem do vinho quando o servimos ou o agitamos na taça.

Estes compostos, com estranhos nomes como Terpenos, Aldeídos, Ésteres e muitos outros, são os verdadeiros responsáveis pelos tantos aromas que encontramos.

Apenas para ilustrar, aqui estão alguns:

Terpenos – responsáveis pelos aromas de rosas, cítricos, de algumas ervas e pimentas;

Aldeídos – responsáveis pelos aromas de grama cortada, baunilha, amêndoa amarga, caramelo e farelo de trigo;

Pirazinas – o famoso aroma de pimentão verde;

Ésteres – respondem pelos aromas de frutas brancas como pera e maçã, banana e cítricos como a laranja;

Poderíamos estender esta lista explicando Lactonas, Cetonas e Fenóis. Mas há um grupo de compostos que não podemos deixar de mencionar:

Mercaptanos – responsáveis pelos aromas desagradáveis de enxofre, mas também pelo maracujá do Sauvignon Blanc e as notas de cassis dos Cabernet Sauvignon.

Por último, uma explicação sobre o conhecido aroma de querosene nos Riesling: o responsável se chama “TDN” ou 1,1,6-trimetil-1,2-hidroxinaftaleno.

Fácil! Não é?

Por favor, da próxima vez que degustarem um vinho, nada de dizer que “tem terpenos marcantes” ou, pior ainda, “que o 1,1,6-trimetil-1,2-hidroxinaftaleno está muito presente”.

Saúde e #comprem vinho gaúcho!

CRÉDITOS:

The smell of the portuguese wine” por pedrosimoes7 está licenciada sob CC BY 2.0.

Vinícolas se unem para auxiliar vítimas no RS

“O texto a seguir é original do site “Brasil de Vinhos”. A sócia fundadora, Lucia Porto, gentilmente permitiu esta reprodução, o que nos deixou muito felizes.

Aqui estão os links para a matéria original, para o canal de vídeo no YouTube (não deixem de assinar) e para o Instagram:

Texto originalVinícolas se unem para auxiliar vítimas no RS

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InstagramBrasil de Vinhos

Vinícolas se unem para auxiliar vítimas no RS

O Rio Grande do Sul está em situação de calamidade pública. A enchente que afeta o estado desde o dia 27 de abril impactou 388 municípios, o que representa mais de 78% do estado. Dados do último domingo (5) divulgados pela Defesa Civil do RS apontavam mais de 80 mil desalojados e 800 mil atingidos. Até terça (7) os números subiram e já são mais de 155 mil pessoas desalojadas e 1,3 milhões de impactados. Diante desse momento tão delicado, a solidariedade vinda de todos os lugares traz um pouco de esperança. Em Porto Alegre a prefeitura abriu um cadastro para voluntários, que rapidamente atingiu o limite de 15 mil pessoas. Vemos exemplos de ONGs, ações de influenciadores e moradores com botes, todos tomando as iniciativas possíveis para ajudar quem precisa. Para as vinícolas e quem vive do vinho, no Brasil, no Rio Grande do Sul e especificamente na capital gaúcha, não está sendo diferente.

Eduardo Gastaldo, fundador da Ruiz Gastaldo Vinícola Urbana, em Porto Alegre, recebeu o contato de clientes de fora do estado motivados a ajudar. A partir daí ele passou a reunir contribuições financeiras e está diariamente em busca de informações em pontos estratégicos de acolhimento junto às entidades responsáveis para entender o que é mais necessário a cada momento. Sem parar por um segundo, iniciando a segunda-feira em direção a um dos locais que precisam de socorro na capital gaúcha, Gastaldo conta como está organizando o movimento: “Perguntamos o que está faltando de mais importante e no fim do dia usamos o valor arrecadado para reunirmos esses itens e levarmos até os locais. Temos trabalhado em parceria com apreciadores de vinho no Brasil inteiro”, relata o vinhateiro. Gastaldo também busca suprir quem está indo para o resgate com combustíveis para os jet-skis de voluntários.

Um destes voluntários é Carlo de Leo, criador da micro vinícola urbana,  Cave Poseidon, de Porto Alegre: “O que estou fazendo é uma ajuda pessoal por ter experiência náutica de navegação. Estou ajudando no resgate com botes, lanchas, jet-ski, tudo que temos na mão. Cada dia vou para um lugar”. O vinhateiro já foi para Eldorado do Sul, para as ilhas da Região Metropolitana e para as avenidas Carlos Gomes e Assis Brasil em Porto Alegre. Nas imagens, vemos o resgate de pessoas e seus cachorros em Eldorado do Sul fotografado pelo próprio Carlo.

A Cantina Mincarone, também de Porto Alegre, está focando seus esforços em levar água para quem precisa. Ana Maria Mincarone encheu pipas de água de 15, de 180 e 100 litros e encaminhou para clínicas geriátricas: “Fiquei sabendo que precisavam no Lindóia, estão acolhendo quem precisa por lá. Algumas clínicas de Eldorado do Sul também precisam. São mais de dez clínicas com pessoas idosas sem um local para armazenar água”, relata. “É o que a gente pode fazer como vinhateiros. Qualquer pessoa pode levar doações, mas nós podemos colaborar enchendo nossas pipas e fermentadores com água, colocar na caminhonete e levar para as regiões que precisam”, incentiva Ana Maria. Ela e o filho Caio pretendem realizar mais ações, como vendas com valores destinados 100% às vítimas.

Diversas outras ações estão sendo tomadas por vinícolas e pessoas do mundo do vindo por todo o país, já divulgamos algumas e agora mostramos outras:

Solidariza RS

O “Solidariza RS” é a união de dez vinícolas e apoiadores em benefício das comunidades afetadas pelas enchentes no estado. A campanha busca arrecadar fundos através da venda de garrafas de vinho com 100% das receitas destinadas às instituições de ajuda na linha de frente. Cada garrafa custa R$100 e o objetivo é atingir a marca de 100 mil reais. As vinícolas participantes da campanha são: Madre Terra – Vigna in Fiori, Don Guerino Vinhos Finos, Casa Perini, Bebber, Tenuta Foppa & Ambrosi, Guatambu Estância do Vinho, Fante, Vinícola Salvattore, Ametista Espumantes e Vinhos, e Garibaldi Cooperativa Vinícola. Para contribuir, os interessados podem buscar informações no instagram “Vinhos e vinhos oficial” (@vinhosevinhosoficial).

All 4 Wine

A campanha do portal “All 4 Wine” apoia e divulga o canal oficial de doações do estado para auxiliar as vítimas das enchentes na Serra Gaúcha. A ajuda pode ser feita com doações de qualquer valor para a chave PIX com o CNPJ 92.958.800/0001-38, vinculada à conta do Banrisul, garantindo que todos os recursos sejam destinados à reconstrução da infraestrutura e ao suporte humanitário necessário. O governo do estado centraliza essas doações, assegurando transparência e segurança no uso dos fundos, que serão totalmente auditados. Para contribuir, confirme que o nome da conta é “SOS Rio Grande do Sul” e que o banco é o Banrisul ao realizar a transferência.

Machado & Crivelari

A Vinícola Machado & Crivelari lançou uma campanha de solidariedade chamada “Vinho Solidário” em apoio às vítimas das enchentes. Ao comprar qualquer vinho da linha Music, que inclui Moscato Giallo, Merlot e Cabernet Sauvignon, 50% do valor das vendas será destinado às famílias afetadas pela catástrofe. Cada garrafa está sendo vendida por R$90 e há a opção de adquirir uma caixa para aumentar o auxílio prestado. Para mais informações ou realizar uma compra, os interessados podem acessar o link da TWP ou utilizar o PIX CNPJ da TWP Business Ltda, 43.485.760/0001-49, para fazer doações.

EnólOgro Winewear

A loja de camisetas de vinho EnólOgro Winewear, de Campinas, São Paulo, está vendendo uma peça com a estampa “Vinho Gaúcho do Tinto ao Branco na Taça sempre um Encanto”. Todo o lucro obtido com a venda será revertido para as vítimas das enchentes. Ela pode ser adquirida clicando no link acima.

Não importa como, ajudem!

Se você conhecer alguma iniciativa para ajudar, escreva para [email protected] e nos conte. Ou publique em seus stories e marque @brasildevinhos – fazemos questão de compartilhar e ajudar.

CRÉDITOS: Fotos: arquivo pessoal Carlo de De Leo, Eduardo Gastaldo e Ana Maria Mincarone. Imagens promoções: reprodução Instagram.

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