Page 5 of 155

Por onde começo?

Esta é uma pergunta que nos fazem constantemente. Uma verdadeira legião de pessoas alega que aprecia um bom vinho, mas que não compreende como este universo funciona e sempre se surpreende com amigos que demonstram algum conhecimento ou seguem aqueles conhecidos ritos, antes de apreciar o que lhes foi servido.

Existem alguns caminhos que podem ser percorridos. Tudo vai depender do grau de conhecimento desejado por cada um. Para ser um simples enófilo, alguém que sabe o bastante sobre vinhos para comprar bem, escolher corretamente e simplesmente desfrutar de bons momentos com os amigos ou a família, a trilha pode ser bem simples e, muitas vezes, bem divertida.

Estamos falando de livros, conversas com pessoas com maior conhecimento, viagens de enoturismo, participação em eventos como feiras e degustações dirigidas.

Se o objetivo for um caminho profissionalizante, o percurso pode ser bem mais longo, difícil e muitas vezes caro. Neste caso, cursos profissionalizantes como Senac, ABS, Eno Cultura, entre outros, são obrigatórios.

Para o outro grupo, que deseja ser um gourmet e conhecedor de vinhos, tudo pode começar bem básico, para formar uma sólida construção de saber.

Vinho, por definição, é uma bebida fermentada a partir de um mosto de uvas denominadas “viníferas”, ou seja, não é de qualquer outro tipo de uva ou mesmo de outra fruta.

Dentre estas “viníferas”, existem mais de 10.000 tipos, algumas se destacam e são as mais utilizadas por produtores em diversos países. Conhecer seus vinhos é o primeiro passo: Cabernet Sauvignon e Pinot Noir, tintas, Chardonnay e Sauvignon Blanc, brancas.

Algumas escolhas se impõem, por exemplo, vinhos de boa origem e de qualidade comprovada. Escolher um vinho barato e ruim nada vai acrescentar ao nosso portfólio.

Podemos sugerir como primeira escolha: Cabernet Sauvignon chileno; Chardonnay argentino ou da Borgonha; Pinot Noir dos Estados Unidos ou Nova Zelândia; Sauvignon Blanc francês ou chileno. Sempre no estilo seco. Deixem os “demi-sec” ou os doces para uma segunda etapa.

Experimentem, experimentem e experimentem. Depois decidam se apreciam, ou não, cada uma destas uvas. Não se preocupem com aromas, sabores, taninos, madeira e acidez; isto só vem com o tempo.

Formem uma referência com o que gostaram. A partir deste pressuposto, comecem a provar outras vinificações, comparando com o seu vinho, até então, preferido. Com certeza esta opinião vai mudar em algum momento.

Para as castas que não foram apreciadas, não as descartem totalmente. Procurem produtores em outros países e tornem a provar. Se mesmo assim não for do seu agrado, é hora de buscar novas referências.

Além das já citadas, aqui está uma relação complementar: Merlot, Cabernet Franc, Malbec, Syrah, Tempranillo e Sangiovese (tintas); Alvarinho, Riesling, Chenin Blanc, Viognier, Torrontés e Moscato (brancas).

Dois últimos conselhos antes de voos mais complexos: habituem-se a anotar tudo que provaram, seja num caderninho dedicado ou num dos muitos aplicativos que existem para isto.

Na hora da dúvida, procurem o amigo que sabe tudo ou escrevam para este blog. Estamos sempre prontos para esclarecer sobre este apaixonante tema.

Saúde e bons vinhos.

Dica da Karina – Cave Nacional

Esta será a última dica da Karina neste ano.

A Cave Nacional está bombando neste final de ano, quando comemora 10 anos de vida. Muitas promoções, degustações e um delicioso Gastro Bar.

Não deixem de conhecer.

Monte Castelo – SESSILIA – Rose Syrah 2024

A Vinícola Monte Castelo foi fundada em 2016 em Jaraguá, Goiás, pelos amigos Milton Santana, Carolina Santana, Marco Cano e Luciana Cano. De enófilos, passaram a ter o seu próprio negócio do vinho. A primeira safra foi em 2020, com colheita manual, seleção dos cachos para que somente bagas sãs sejam vinificadas. Já a safra de 2021 foi a primeira safra comercial com cerca de 6.000 garrafas entre branco, rosé e tinto.

A propriedade está a 644 metros de altitude, possui solo arenoso com predominância de pedras, clima seco e amplitude térmica de 22 °C na época da maturação das uvas.

Estes vitivinicultores do cerrado goiano, usando da dupla poda, foram para além das tradicionais Syrah e Sauvignon Blanc, implantando em seus vinhedos também a Cabernet Sauvignon e a Viognier.

O Monte Castelo Sessilia safra 2024 é um rosé com passagem por tanques de inox, com controle de temperatura e posterior contato com as lias finas por 6 meses.

De visual salmão claro, límpido e brilhante, possui notas florais. Na boca, acidez equilibrada e com notas frutadas.

Harmoniza perfeitamente com saladas, peixes leves, frutos do mar e carnes brancas.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de Freepik

Tampa de rosca x rolha: quem ganha?

Não é uma disputa e nem uma guerra, mas divide preferências: há quem aceite as tampas de rosca e há quem as abomine.

A decisão de usá-las é exclusiva dos produtores, sempre baseadas em aspectos econômicos e financeiros. Ao consumidor final cabe comprar ou não vinhos com esta forma de fechamento.

As tampas de rosca, embora não tão antigas e tradicionais quanto as rolhas, estão presentes, há muito tempo, em nossas vidas, nas embalagens de azeite, vinagre, água e destilados.

A chegada ao mundo do vinho tem uma curiosa história. Coube a um produtor australiano, Yalumba, o desenvolvimento dos primeiros protótipos, no final dos anos 60. As primeiras garrafas a serem comercializadas apareceram por volta de 1976.

Consumidores australianos e neozelandeses não ficaram muito animados. A novidade sumiu das prateleiras nos anos 80.

Uma série de fatores políticos e econômicos fizeram com que estes produtores da Oceania voltassem a buscar soluções para enfrentar o alto custo da cortiça, 100% importada. No começo dos anos 90, as “screw caps” ressurgem com muita força, inclusive com boa aceitação no Reino Unido, considerado como um indicador para o mercado de vinhos.

Trinta anos depois desta volta ao mercado, os antigos preconceitos continuam valendo, entre eles o da “baixa qualidade” dos vinhos assim engarrafados.

Ledo engano …

A “Aluminium Clousures” é uma organização de mercado que reúne, atualmente, 75% dos produtores deste tipo de fechamento. Uma de suas atividades é realizar uma pesquisa quinquenal sobre a aceitação das tampas de rosca.

A última, de 2024, mostrou um resultado muito interessante, demonstrando que o arraigado preconceito está sendo abandonado.

A pesquisa ouviu 6.000 consumidores em países europeus como Itália, França, Espanha, Polônia, Reino Unido e Alemanha. O gráfico, a seguir, que reúne as três últimas pesquisas, é autoexplicativo.

Legenda: “Alu closure” – tampa de rosca; “Cork closure” – rolha; “No preference” – sem preferência.

Atualmente 37% do mercado prefere as cápsulas de alumínio contra 35% que permanece fiel ao fechamento com rolha. O número de consumidores para os quais é indiferente o tipo de fechamento teve um expressivo aumento.

França, Itália e Espanha preferem a forma tradicional, enquanto Reino Unido, Alemanha e Polônia ficam com a tampa de rosca. As faixas etárias entre 18 e 24 anos preferem a forma mais moderna. Na Alemanha, o público feminino se mostrou muito favorável, em razão da facilidade de uso, representando 47% da amostra pesquisada.

Uma das questões pedia a opinião sobre o futuro das tampas de rosca. 42% dos pesquisados concordaram que num prazo de 5 anos, ou um pouco mais, este tipo de fechamento será dominante.

Será que o saca rolhas vai ser aposentado?

Saúde e bons vinhos.

Dica da Karina – Cave Nacional

Abreu Garcia – Pinot Noir 2018

A Vinícola Abreu Garcia foi fundada em 2006 em Campo Belo do Sul, Santa Catarina, a mais de 900 metros de altitude. Seu terroir guarda também um tesouro histórico: um sítio arqueológico dos séculos XI e XII, considerado sagrado pelos povos originários da região.

Além de vinhos, em 2022, iniciou o primeiro projeto de olival mecanizável da Serra Catarinense, com cinco variedades e mais de 800 mudas plantadas. Também produz mel artesanal e está desenvolvendo os primeiros lotes de azeite, que em breve estarão disponíveis ao público.

O Abreu Garcia Pinot Noir 2018 possui amadurecimento de 20 meses carvalho francês de primeiro uso. Um vinho de coloração delicada, com tons rubi, brilhante e translúcido.Em nariz tem clareza de aromas como notas de frutas silvestres, ameixa seca e morango em calda. Também aparecem notas florais, coco queimado e baunilha, oriundos dos 20 meses em amadurecimento em carvalho francês de primeiro uso.

Em boca tem textura sedosa, excelente acidez e retrogosto elegante e duradouro. Harmoniza com embutidos, cogumelos, aves assadas e peixes carnudos.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS:

Foto de abertura por Timur Saglambilek no StockSnap

Infográfico obtido em Aluminium Closures

Fonte: Closure Survey Results 2024

Participando de uma degustação

Neste domingo, 09/11/25, participamos da Feira do Jerez, uma simpática degustação paga, dedicada a este famoso vinho espanhol.

O evento aconteceu no pátio entre o Restaurante Brota e o bar de vinhos Libô, em Botafogo. Os principais importadores estavam presentes, nos brindando com marcas famosas como Valdespino (Zahil), Barbadillo (World Wine), Romate (Belle Cave), Hidalgo e La Ina (Mistral), Tio Pepe (La Pastina), entre outros.

Além da livre degustação, havia menus de harmonização, contratados à parte. Tudo bem-organizado, o que deixou o ambiente muito agradável.

Pouco difundido aqui no Rio de Janeiro, talvez pelo clima mais quente, este fortificado tem uma grande importância entre os apreciadores de vinhos.

Traz, entre aromas e sabores inesquecíveis, uma enorme tradição abrangendo as castas utilizadas, métodos de vinificação, flor, soleiras e até regiões demarcadas.

Este blog já abordou este tema em diversas ocasiões:

Uma casta, um vinho, cinco estilos (2023)

Vinhos Fortificados – 2ª parte (2011)

Um dos pontos que chamou a nossa atenção foi a frequência: estava lotado. Isto demonstra que estas degustações estão acontecendo com uma frequência menor que o esperado.

Passaram por lá uma extensa gama de pessoas: neófitos, veteranos, experts, Sommeliers, Chefs de cozinha e outros “influencers”. O papo era livre e interessante.

Mas nem todo mundo sabia se comportar adequadamente. Chegar numa das cinco mesas, ser servido e escutar uma explicação mínima, era uma grande aventura. Tudo dentro da maior camaradagem e boa educação.

Mesmo assim, aqui vão alguns conselhos para a próxima vez. Sempre lembrando que participar deste tipo de evento é uma grande oportunidade de aprender mais.

1 – Não alugue a mesa só para você. Escolha um vinho para provar, escute a breve explicação e saia para degustá-lo em outro espaço. Depois, volte para o próximo vinho, tirar dúvidas e assim por diante.

2 – Antes de provar, sinta os aromas, agite a taça e repita a prova olfativa. Só então deguste, um pequeno gole, deixando o líquido passear pela boca. Espere um pouco e prove uma segunda vez.

3 – É muito comum não encontrarmos os aromas e sabores que são descritos na apresentação do vinho. Mesmo para enófilos experientes, nem sempre estas notas aparecem imediatamente. São mais fáceis de serem percebidas no retrogosto.

4 – Confiem nos seus sentidos e se satisfaçam com o que perceberam. Este é o melhor caminho para apurar o olfato e o paladar. Na dúvida, volte a perguntar sobre o vinho, inclusive com outros degustadores.

5 – Muitos fatores externos podem alterar, temporariamente, o perfil de um vinho: temperatura errada, pouca aeração, resíduos de outro vinho na taça e até o pouco espaço de tempo decorrido entre um vinho e outro.

Habituem-se a ir bem devagar. Hidratem-se com frequência e não tentem fazer uma “via sacra” de tudo que está sendo oferecido. Façam escolhas criteriosos, usando o que se aprendeu durante a feira.

Saúde e bons vinhos.

Dica da Karina – Cave Nacional

Arte Líquida – Riesling Renano 2023 Barricado

Arte Líquida é uma vinícola familiar liderado pelo Sommelier, Mercador de Vinhos e Vinhateiro Cris Ribeiro que produz seus vinhos com sua esposa Cimara Dias e forma a futura sommelier Anita Dias Ribeiro, filha do casal. Elaborados no conceito de mínima intervenção, adota o conceito “Da uva a taça”, uma defesa de vinhos mais autênticos, vinhos com menos intervenções e invenções. Faz uso de leveduras da própria uva e a clarificação do vinho é de forma natural.

O Arte Líquida Riesling Renano Barricado safra 2023 possui estágio de 50% do vinho em barricas de 1º uso de carvalho francês por 8 meses. Esta é a 4ª vinificação desse branco que é um ícone da vinícola. Uvas provenientes do vinhedo de um amigo e produtor, Rolf, no município de Nova Petrópolis, RS, na linha Nove Colônias.

Um Riesling de boca mais volumosa, corpo mais marcado com um final de boca que remete a um estilo clássico e opulento. Harmonização perfeita com frutos do mar, massas e carnes leves.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

Para ter sempre à mão

Não é preciso muita coisa para nos tornarmos bons enófilos. Para começar, não somos Sommeliers, como alguns preferem se colocar. Há uma enorme diferença entre estes adjetivos: um é o que convencionou chamar de profissional. Nós, meros mortais, somos amadores.

Enquanto os profissionais são quase que obrigados a seguir regras estritas, os Enófilos desfrutam de um enorme grau de liberdade, o que torna nossa vida muito mais divertida: podemos errar, sem sentimento de culpa!

Como tudo na vida, também temos limites. Alguns são muito elásticos, outros são mais restritos.

Uma das delícias de sermos Enófilos competentes é receber bem os amigos. Mas, algumas das tais regrinhas rígidas devem ser seguidas.

A mais importante é estarmos sempre preparados para servir vinhos que agradem a todos. Esteja nossa adega cheia de bons vinhos, ou não, é preciso nos certificamos se temos, em estoque, alguns vinhos que podem funcionar como coringas.

Alguns exemplos:

– Um espumante Brut.

Embora seja um senso comum só abrir uma garrafa destas numa grande data, a verdade é que não há nada melhor do que começar uma reunião, por mais informal que seja, com uma taça de espumante.

Este gesto não prepara só as papilas gustativas para o que vem a seguir, vai ditar o clima do encontro. Todos os convivas vão se sentir especiais ao serem recebidos assim.

– Um vinho branco fresco, aromático e saboroso.

Este é um tipo de vinho que agrada a gregos e troianos. Não tem como errar, principalmente em dias mais quentes. O difícil é escolher entre Alvarinho, Pinot Grigio, Vermentino ou Sauvignon Blanc.

– Um tinto de corpo médio, macio e aromático.

São muitas opções, destacando-se alguns tintos italianos como o Chianti e o Montepulciano d’Abruzzo. Outras opções seriam os vinhos da casta Mourvèdre ou Monastrell, Cabernet Franc e Malbec.

Muito versáteis em termos de harmonização, acompanham os nossos salgados de festa, massas e pratos mais robustos.

– Um vinho de sobremesa.

Nesta categoria não faltam opções. Começam nos tradicionais fortificados, Porto, Madeira e Jerez etc., passam pelos colheita tardia, tão populares na América do Sul e chegam nos nossos deliciosos e refrescantes espumantes da casta Moscatel.

O grande senão é que nunca nos lembramos sequer de oferecê-los. São perfeitos para acompanhar todo tipo de sobremesas e tranquilizar o nosso palato.

Mais uma sugestão: não precisam ser vinhos caros e de alta gama. Uma das outras liberdades que temos, como bons Enófilos, é poder transitar na faixa média de preços. Tem muita coisa boa, e barata, para ser descoberta.

Saúde e bons vinhos.

Dica da Karina – Cave Nacional

Suzin – Montepulciano 2021

A Vinícola Suzin, pioneira no plantio de uvas na região de São Joaquim iniciou suas atividades em 2001, fundada pelo patriarca da família Zelindo Melci Suzin e por seus filhos Everson e Jeferson Suzin. As variedades cultivadas são Cabernet Sauvignon, Merlot, Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Montepulciano, Petit Verdot, Cabernet Franc, Malbec e Rebo. A pequena produção permite tratamento diferenciados nas vinhas, como desfolha, condução dos ramos, seleção de cachos, raleio de bagas, tratos culturais específicos e colheita manual, o que permite entregar produtos de qualidade e excelência.

O Suzin Montepulciano 2021 possui tonalidade vermelha com reflexos púrpuras, profundo e límpido. Apresenta aroma de frutas vermelhas como cereja e framboesa, toque de pimenta rosa e chocolate amargo. Paladar com taninos marcantes e acidez agradável e grande persistência.

Possui potencial de guarda de 15 anos. Harmoniza bem com carnes marcantes como cordeiro, frescal serrano, carne suína e picanha grelhada. Acompanha bem queijos pecorino, grana padano e gouda.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de abertura por BoszyArtis no Adobe Stock

Spaghetti e molho de tomate harmoniza com Merlot?

São ingredientes simples e corriqueiros. De um lado uma tradicional combinação da culinária italiana. Do outro, um dos mais populares vinhos da região de Bordeaux.

O que poderia dar errado?

Existem diversas maneiras de olhar para esta combinação. A mais simples delas, entender que isto é apenas um embate entre Itália e França, talvez não seja o melhor ponto de partida.

Comecemos pelos tomates, cuja acidez obtida no molho será a peça-chave para equilibrar esta harmonização: não são genuinamente italianos.

Foram trazidos para a Europa no século XVI, pelos conquistadores espanhóis. A então exótica planta, originária das Américas central e do sul, se adaptou perfeitamente em solos italianos e espanhóis.

O macarrão tampouco é 100% italiano. Apesar da lenda que mistura China e Marco Polo, a “pasta”, inclusive nos formatos longos, tem suas verdadeiras origens fincadas no povo árabe.

Já o encontro que resultou no prato em questão, só foi acontecer no final dos anos 1800, na região da Campanha, provavelmente em Nápoles ou Avelino. Coube a um famoso cozinheiro, Ippolito Cavalcanti, publicar a primeira receita desta delícia em 1837: ”vermicelli al pomodoro”.

O nosso caldeirão cultural começa a ferver.

Sobre o vinho, não há dúvidas com relação às origens da casta Merlot: é francesa. Mas ela se difundiu pelo mundo afora e hoje é a segunda uva mais cultivada por produtores de vinho. Existem mais de 40 estilos destes vinhos.

Isto torna a nossa harmonização um pouco mais complicada: não é qualquer Merlot que vai dar certo.

O caldeirão, agora, está em franca ebulição.

Apesar de ser cultivada por toda a Itália, onde produz alguns grandes vinhos, esta combinação não seria a primeira escolha de um nativo.

Levando em consideração as características muito aromáticas deste prato, por conta do “basílico”, a acidez do molho e o perfil levemente adocicado do macarrão, a escolha ideal seria um vinho branco seco, muito aromático e saboroso, fresco, delicado e sedoso, para equilibrar a acidez e harmonizar com o espaguete.

Como esta receita se originou na Campanha, o clássico Fiano di Avellino é a indicação número 1.

Outras possibilidades entre os brancos: Greco di Tufo, Verdicchio dei Castelli di Jesi DOC, Frascatti Superiore Secco e Soave Superiore.

Existem algumas possibilidades entre os tintos: Chianti Classico DOCG, Barbera d’Asti DOCG e Dolcetto d’Alba DOC.

Todos italianíssimos; e o nosso Merlot não entrou nesta pequena lista. Para descobrirmos se existe uma combinação possível com ele, precisamos avaliar alguns diferentes perfis de produtores ao redor do mundo.

Bordeaux é a referência. São vinhos bem estruturados, com taninos presentes, mas domados, com notas mais terciárias: tabaco, alcatrão, madeira. O mesmo pode ser dito, com pequenas variações, sobre os elaborados na Itália e no Chile.

Um outro estilo, apelidado de “vinho de clima temperado”, é o encontrado nos vinhos da Argentina, Califórnia e Austrália. São muito frutados, com taninos sedosos, corpo médio e uma acidez desejável. Fáceis de degustar e uma boa opção para esta harmonização.

Um destaque especial para os nossos Merlot. Embora ainda não sejam reconhecidos internacionalmente, são vinhos com boa personalidade e bem adequados para acompanhar pratos com base em molho de tomates. (vejam a dica de hoje)

Quem diria que tem tanta história por trás de um “simples” Espaguete ao Molho de Tomate”.

Saúde e bons vinhos!

A nossa querida parceira, Cave Nacional, está completando 10 anos. Para comemorar está lançando um vinho, o Decave, e promovendo diversas Masterclasses sobre o vinho nacional.

Acessem o site para saber mais. Cave Nacional Degustações

Dica da Karina – Cave Nacional

Berkano – Merlot Barricas 2022

O projeto da Berkano Premium Wines começou há 10 anos, com estudos de mercado, parcerias e castas. Foi gestado com personalidade e total destaque para a tipicidade da região. Os rótulos produzidos pela vinícola são resultado da maturidade, do tempo e do estudo: uma homenagem ao terroir da Serra Gaúcha. A vinícola possui receptivo em Pinto Bandeira.

O Berkano Merlot Barricas safra 2022 amadurece por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. De cor vermelho rubi, apresenta um equilíbrio entre a fruta e a madeira, com aromas que remetem a cereja, ameixa, framboesa, mentol, baunilha, chocolate, café, caramelo, tostado, especiarias e tabaco.

Na boca, é um vinho macio, redondo, encorpado e persistente, com taninos suaves e acidez moderada. Harmoniza perfeitamente com carnes vermelhas, massas com molhos vermelhos ou cremoso, queijos maduros e pratos condimentados.

A Cave Nacional envia para todo o Brasil.

CRÉDITOS: Imagem de abertura obtida por IA

« Older posts Newer posts »

© 2026 O Boletim do Vinho

Theme by Anders NorenUp ↑