Autor: Tuty (Page 103 of 153)

Encontro de Vinhos 2016 – Rio de Janeiro

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Este é um evento muito interessante que se repete anualmente em várias cidades: Rio, São Paulo, São Roque,  Campinas, Curitiba e Belo Horizonte.

Estivemos presentes na feira do Rio, realizada no dia 3 de março, num dos salões do hotel Windsor Guanabara, no centro da cidade.

A mecânica deste evento é bem simples: compre o ingresso, receba a taça e experimente e compre vinhos, queijos e alguns acessórios. Tudo a preços muito camaradas. Na edição deste ano estiveram presentes os seguintes expositores:

 

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Um dos pontos altos é a escolha dos “Top 5”, divididos em 3 categorias: tintos; brancos e espumantes. Vamos conhecê-los:

Categoria tintos

Torcello Tannat 2014 – produzido no Vale dos Vinhedos e representado pela Cave Nacional, um e-commerce com bons preços (http://cavenacional.com.br/)

Salamanca do Jarau 2012 – bom Cabernet Sauvignon produzido por Vinhedo Routhier & Darricarrère, em Rosário do Sul. (http://cavenacional.com.br/)

Luiz Argenta Cuvée – um corte de Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot. Um dos nossos favoritos. (http://www.luizargenta.com.br/site/)

Dal Pizzol Enoteca 2011 – corte de Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. (http://cavenacional.com.br/)

Quinta do Seival Castas Portuguesas – eterno best buy elaborado pela Miolo, um dos melhores vinhos nacionais. (http://www.miolo.com.br/controller.php)

Categoria Brancos

Miolo Cuvée Giuseppe Chardonnay – excelente vinho, um dos melhores que degustamos neste encontro.

Casa Venturini Chardonnay – esta casta começa a dar certo em vinhos tranquilos. (http://www.casaventurini.com.br/)

L. A. Jovem Sauvignon Blanc – embalado em uma bonita garrafa, este vinho da Luiz Argenta é uma grata surpresa.

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Gomila Branco – um interessante vinho da Eslovênia, elaborado com as castas Sauvignon Blanc e Pinot Grigio. Representado no Brasil pela Douro Vinhos (http://www.dourovinhos.com.br)

Casa Venturini Sauvignon Blanc – a disputa entre os Sauvignon Blanc foi intensa neste Encontro, vários produtos mereceiam estar nesta lista. Este ficou com o 5º lugar.

Categoria Espumantes

Miolo Millesime 2011

Maximo Boschi Tradizionale (http://www.maximoboschi.com.br/)

Cave Pericó Brut Rosé (http://www.vinicolaperico.com.br/content/pt/home/)

Luiz Argenta Brut

Cave Pericó Champenoise Brut

Qualquer um deles poderia estar no 1º lugar. Tarefa difícil de eleger o melhor.

Saiba mais no site do Encontro de Vinhos:  http://www.encontrodevinhos.com.br/

Na próxima semana vamos apresentar os nossos destaques.

Bons vinhos, saúde!

Vinho da Semana: apesar de não estar nos Top 5, nos agradou muito.

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Villa Francioni Sauvignon Blanc – $$

Aromas de maçã verde, pêssego e abacaxi, com notas de flores brancas, mescladas com um toque de noz Moscada e um leve cítrico de limão siciliano.

Sua acidez combina muito bem com frutos do mar, Sashimi, ou mesmo culinária Tailandesa.

Nebbiolo, a casta famosa do Piemonte

Nebbiolo ou Nebieul no dialeto piemontês, é uma das castas viníferas mais importantes da Itália, responsável por vinhos como o Barolo e o Barbaresco.

Como toda diva, é temperamental e muito difícil de cultivar e vinificar. Alguns autores a comparam, por estas características, com a não menos famosa Pinot Noir da Borgonha. Mas seus vinhos não têm muita coisa em comum.

Sua denominação deriva de “nebbia” que significa névoa, talvez pela fina camada branca que cobre sua casca, quando madura. Outra explicação aceita, nos remete para a vindímia, no Langhe, sempre enevoada no mês de outubro. Uma corrente de pesquisadores acredita, ainda, que o nebbiolo seja uma deturpação de “nobile” (nobre).

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Registros históricos mostram que ela já era cultivada e vinificada em 1266, curiosamente com um estilo bem diferente dos vinhos de hoje. Uma casta muito popular e tão importante, naquela região, que um estatuto redigido em 1431, previa uma pesada multa para quem cortasse ou danificasse uma parreira.

Portanto, é uma veterana que sobreviveu até mesmo a filoxera (1930), mas obrigou ao replante com enxertia em raízes de viníferas americanas.

Estudos de ampelografia mostram que esta é uma casta autóctone da Itália e que se desenvolveu no Piemonte. Análise do seu DNA revela traços de parentesco com diversas outras castas típicas do país e até mesmo a Viognier da região do Rhône, França. Por ser uma espécie muito temperamental e instável, não se adapta bem a qualquer tipo de solo, preferindo a região calcária próxima à cidade de Alba, na margem direita do rio Tanaro.

Seus clones se multiplicam facilmente. Os preferidos para a vinificação, entre mais de 40 tipos já identificados, são Lampia, Michet e Rosé Nebbiolo, este último em franco desuso.

Os principais vinhos obtidos a partir desta casta são: Barolo, Barbaresco, Roero, Gattinara, Ghemme e Nebbiolo d’Alba. Dependendo de cada região e das DOC e DOCG, pode haver outras uvas cortando a Nebbiolo, exceto para os dois primeiros que, obrigatoriamente, devem ser elaborados com 100% da casta.

Além do Piemonte, vamos encontrar está uva nas regiões vizinhas de Val d’Aosta (Donnas) e na Lombardia (Valtellina e Franciacorta). Na região do Veneto existe uma pequena parcela plantada para a produção de um vinho do tipo Recioto. Fora da Itália, vamos encontrá-la nos Estados Unidos, México, Argentina e Austrália.

Seus vinhos são tipicamente de coloração clara, muito tânicos e ácidos quando jovens, precisando de um longo tempo de amadurecimento para se tornarem palatáveis de acordo com as exigências do mundo moderno (paladar também evolui…). Pelo menos 10 anos de guarda. Alguns vinhos de 1ª linha devem ficar esquecidos por 30 anos para desenvolverem todo o seu potencial.

O resultado é espetacular, justificando o título de “Rei dos Vinhos” atribuído ao Barolo. Saiba mais neste link:

https://oboletimdovinho.com.br/2011/11/25/estamos-na-italia-terra-do-rei-dos-vinhos/

A marca registrada desta varietal é produzir vinhos com notas marcantes de alcatrão e rosas num bouquet que inclui frutas secas, ameixas, couro, alcaçuz, amoras e especiarias.

Em uma coluna anterior dissertamos sobre a outra uva do Piemonte, a Barbera, que tem uma área plantada muito superior à da Nebbiolo. Espero que as dúvidas apresentadas então, por alguns leitores, estejam resolvidas.

Bons vinhos, saúde!

Vinho da Semana: do Piemonte é claro

Vinho

 

Barolo Prunotto 2008 – $$$

Vermelho-rubi com reflexos granada.

Aroma complexo, com notas herbáceas e toque de violeta.

Na boca apresenta-se pleno e aveludado, com final longo.

Harmonização: Ideal para acompanhar pratos de carne muito estruturados e densos, como ossobuco, caças de pelo, ensopados e também queijos fortes.

Semana dos Vinhos do Tejo 2016

A Grande Prova Anual dos Vinhos do Tejo (2016) acontece neste mês de fevereiro nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Participamos do evento no Rio, ocorrido no dia 23/02, num dos salões do elegante Iate Clube, na Av. Pasteur. Organização impecável a cargo da Wine Senses – Caravana dos vinhos do Tejo, Comissão Vitivinícola da Região do Tejo e Wines of Portugal.

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Mais de 100 rótulos, entre espumantes, brancos, rosés e tintos estavam à disposição do público convidado, além de uma Master Class, sempre um atrativo à parte. Pena que os lugares se esgotaram rapidamente, mesmo antes da divulgação do convite oficial (que nem a mencionou), tudo por conta das redes sociais (Facebook) onde a simples menção da aula fez os convites se acabarem num clique do mouse, com 1 ano de antecedência. Uma lástima…

Quinze vinícolas participaram desta edição:

Adega Cooperativa do Cartaxo – fundada em 1954, produz cerca de 7 milhões de litros por ano;

Agro Batoreu – vinícola familiar, operando desde 1860, produz 200.000 litros de vinhos tintos e 50.000 litros de vinhos brancos por ano;

Casa Cadaval – fundada em 1648, sempre produziu vinhos a granel. Somente a partir de 1994 passou a engarrafar seus produtos;

Casal da Coelheira – uma das mais premiadas de Portugal, alia tradição e modernidade;

Companhia das Lezírias – fundada em 1836, está localizada dentro de uma floresta e mantém um extremo cuidado com meio ambiente e diversidade;

Encostas do Sobral – empresa recente (1999), explora um ótimo terroir obtendo vinhos que foram muito premiados em concursos internacionais;

Enoport – formado por diversas adegas tradicionais é hoje um dos maiores grupos produtores do país, com reconhecimento internacional;

Fiuza & Brigth – nascida em 1985 é uma parceria entre a família Fiuza e o enólogo australiano Peter Bright;

Quinta da Alorna – estabelecida em 1723 por D. Pedro Almeida, vice-rei da Índia e Marquês da Alorna. Exporta para 28 países;

Quinta da Badula – empresa familiar que busca caminhos bem tradicionais na elaboração de seus vinhos como o “pisa a pé”, mas em tanques de inox;

Quinta do Casal Branco – desde 1775, sempre uma pioneira em inovação. Foi a 1ª vinícola da região a usar vapor como forma de energia (1817);

Quinta Casal do Conde – uma das maiores produtoras da região com processos sempre atualizados; Quinta do Casal Monteiro – desde 1928 transformando amor e arte em grandes vinhos;

Quinta da Lapa – estabelecida em 1733, são 300 anos de tradição. Uma das Quintas mais bonitas desta região;

Pinhal da Torre – utiliza métodos biodinâmicos e apenas castas portuguesas. Vinhos muito elegantes.

As principais castas desta região, antigamente denominada Ribatejo, são as tintas Touriga Nacional; Trincadeira; Castelão; Aragonez; Cabernet Sauvignon e Syrah. Entre as brancas destacam-se: Fernão Pires; Arinto; Alvarinho; Chardonnay e Sauvignon Blanc.

O terreno está divido em 3 regiões distintas, cada um produzindo vinhos de características marcantes:

Campo – corresponde a solos mais férteis junto a ambas as margens do Tejo. Clima moderado e úmido;

Bairro – situado na margem direita do Tejo, imediatamente depois da “Campo”. Os solos podem ser argilo-calcáreos ou xistosos;

Charneca – situa-se na margem esquerda do Tejo, imediatamente após o “Campo”. Solos arenosos e secos.

A qualidade dos vinhos provados nos encantou, mas era impossível experimentar todos.

Eis os nossos destaques: Enoport Quinta de S. João Batista Seleção Especial – 100% Touriga Nacional;

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Quinta do Badula Branco – Fernão Pires e Moscatel Graúdo;

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Casa Cadaval – ótimo espumante Tuisca, 100% Pinot Noir;

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Bons vinhos e Saúde!

Vinho da Semana: outro ótimo branco provado na degustação.     

Vinho

Casal da Coelheira Branco 

Interessante corte de 80% Fernão Pires e 20% Chardonnay.

Boa intensidade aromática, com fruta tropical expressiva, mas sem esconder os aromas mais quentes do Chardonnay.

Na boca sente-se a fruta e uma boa acidez, dando frescura e vivacidade, num estilo muito aromático e persistente.

Harmoniza com peixes e mariscos.

Barbera, a outra casta do Piemonte

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Algumas castas se tornaram famosas pela qualidade dos vinhos que se consegue obter a partir delas. Outras, menos conhecidas, coexistem nas mesmas regiões e condições climáticas e acabam ofuscadas pelo brilho de suas companheiras.

Há vários exemplos, Malbec e Bonarda na Argentina, Merlot e Carménère no Chile, neste caso a segunda se tornou a protagonista, Pinot Noir e Gamay na Borgonha, etc…

Um dos exemplos mais significativos vem da Itália, Nebbiolo, que produz os famosos Barolos e Barbarescos, e a Barbera, a partir da qual se elabora um vinho tinto muito peculiar.

A origem desta casta remonta ao século XIII. Documentos obtidos na Catedral de Casale Monferrato mostram um contrato de arrendamento de uma parcela de terra para que seja plantada a “de bonis vitibus barbexinis”, ou Barbera (1246-1277). Ampelógrafos modernos acreditam que ela seja uma descendente da uva Mourvedre, muito comum na França e Espanha. Hoje ocupa o 3º lugar em área de plantada na Itália atrás apenas da Sangiovese (Chianti) e Montepulciano.

Sua principal característica são os vinhos tintos com baixo teor de taninos e alta acidez, o que os tornam únicos. Podem, inclusive, ser degustados como um vinho branco, bem mais gelados que os tintos habituais.

Por se adaptar facilmente nos terrenos onde a Nebbiolo não frutifica bem, passou a ser encarada como uma “segunda uva” produzindo um vinho mais popular em contraste com o Barolo. Somente quando produtores de peso, como Vietti, perceberam que ali estava uma varietal que poderia ter brilho próprio foi que surgiram grandes vinhos, como o Barbera d’Asti, ou o Barbera d’Alba, duas das denominações mais conhecidas.

Seus vinhos têm as seguintes características:

Coloração rubi intensa com reflexos rosados, corpo Médio;

Aromas e sabores frutados destacando-se cerejas maduras e morangos secos;

Taninos suaves e boa acidez;

Harmonizações: massas, tipicamente talharim, carnes, queijos como gorgonzola, vegetais grelhados além de temperos como anis, pimenta branca, canela, noz moscada, etc…

Não são vinhos longevos, devendo ser consumidos entre 2 a 4 anos de sua elaboração.

Principais vinhos pontuados e suas safras:

1999 Quorum Barbera d’Asti – RP 95 pts;

2006 Giacomo Conterno Barbera d’Alba Cascina Francia – RP 93 pts;

2011 Vietti Barbera d’Alba Scarrone Vigna Vecchia – RP 93 pts; Saúde e Bons vinhos!

Vinho da semana: para experimentar e gostar. 

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Barbera d’Asti Superiore 2011 Elaborado por Valter Bera, um dos sete “homens de ouro” do vinho italiano para o Gambero Rosso, este Barbera d’Asti não passa por barricas de carvalho para manter seu caráter fresco e cheio de fruta.

Um vinho de grande apelo gastronômico, capaz de combinar com uma infinidade de pratos.

Temperatura de serviço: 16º a 18º

Devo decantar vinhos brancos?

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Esta é uma questão que sempre nos consultam. Acreditamos que a principal razão desta dúvida seja a confusão causada pela expressão “decantar” usada indiscriminadamente para expressar a necessidade de separar sólidos em suspensão num vinho ou apenas aerá-lo.

Atualmente os vinhos são filtrados através de diversos processos para garantir que estejam cristalinamente transparentes, sejam brancos ou tintos, o que praticamente exclui a necessidade de usar um decantador para separar alguma partícula sólida que ainda exista. Há exceções, óbvio.

Por outro lado, qualquer vinho vai se beneficiar de uma boa aeração – contato direto com o ar atmosférico – permitindo que muitas das suas características venham prontamente à tona, depois de alguns anos de amadurecimento na vinícola. A garrafa decantadora é uma das boas armas para se conseguir este efeito.

Vinhos brancos não são exceção. Algumas castas, como a Chardonnay, podem se beneficiar mais que outras. Eis algumas boas razões para usar esta técnica com os brancos:

– Controlar a temperatura – o hábito de beber brancos estupidamente gelados pode mascarar algumas de suas melhores nuances. O uso do decantador pode ajudar a equilibrar a temperatura rapidamente.

Um bom teste é experimentar o vinho antes de decantar, e depois testá-lo novamente a intervalos de 20 minutos. Provavelmente o acharão mais saboroso no último teste, mais neste caso já terão consumido, pelo menos, 4 taças…

Pode-se usar esta técnica para realizar a operação inversa: gelar o vinho rapidamente. Coloque o decantador num balde com gelo e aguarde alguns minutos. A maior área de contato facilita o resfriamento sendo mais rápido do que usar a garrafa diretamente no balde.

– Liberar rapidamente odores estranhos, como os mercaptanos, que são bastante comuns nos vinhos que utilizam as tampas de rosca. Ocorrem por estarem um ambiente anaeróbico. São odores que lembram enxofre, repolho, borracha, etc…

– Otimizar a experiência sensorial – alguns brancos levam muito tempo para “abrir”, termo usual para definir se um vinho atingiu todo o seu potencial de aromas e sabores. Independente da sua coloração, todo vinho vai se beneficiar de ter uma maior superfície em contato com o ar, atingindo as suas condições ideais em um tempo menor.

Uma opção válida que pode substituir o decantador em algumas destas recomendações é o aerador. Existem modelos específicos para os brancos, mas testes no nosso laboratório mostraram que o aerador para os tintos pode funcionar perfeitamente neste caso.

Mãos à obra!

Saúde e bons vinhos!

Vinho da semana: experimentem decantar.
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Lagarde Reserva Chardonnay 2014 – Argentina
COMPRE AQUI

Coloração amarelo dourada.

Aromas de frutas tropicais, mel, leve toque de baunilha e coco.

Paladar Complexo e elegante com bom frescor e untuoso.

Na safra de 2010 recebeu 88 pontos de Robert Parker

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