Autor: Tuty (Page 63 of 153)

O movimento “Dry January”

Imagem de Marion Wunder por Pixabay

Movimentos de Temperança nunca desapareceram completamente. De vez em quando dão as caras, novamente.

São mais comuns no exterior, Europa e EUA, principalmente na Inglaterra, onde o National Health Service se encarrega de divulgar campanhas do tipo “Drink Less” (beba menos).

Um dado curioso é a grande participação da Geração do Milênio neste tipo de movimento. Embora sejam o alvo predileto das campanhas de marketing dos produtores de bebidas alcoólicas, são, ao mesmo tempo, os grandes incentivadores por uma volta aos tempos da proibição de bebidas inebriantes. Um total contrassenso…

A novidade, em 2020, é uma campanha que viralizou rapidamente, denominada, “Dry January”, que em tradução livre seria: “Janeiro Sóbrio”.

A ideia é obter vários benefícios, para a saúde e para o bolso:

– Redução da pressão arterial;

– Diminuir o risco de Diabetes;

– Melhorar o Colesterol;

– Reduzir o nível de proteínas indicadoras de câncer, no sangue;

– Melhorar a qualidade do sono;

– Ajuda na perda de peso;

– Economia de dinheiro.

A proposta tem por pano de fundo um suposto fortalecimento do organismo, para poder enfrentar o consumo de álcool no resto do ano.

A moda pegou em vários países e até existe um tímido movimento por aqui.

Para os interessados, eis o link para maiores esclarecimentos: (em inglês)

https://alcoholchange.org.uk/get-involved/campaigns/dry-january

Existe até uma “app” para você se monitorar.

O mais interessante foram as reações adversas a este movimento que, obviamente, não interessa nem aos produtores de vinhos, cervejas e destilados, com toda sua cadeia de importadores/exportadores, distribuidores e vendedores e nem aos donos de restaurantes, que ficaram assustados com a repentina queda no consumo de vinhos, principalmente, e de outras bebidas.

A melhor resposta veio do renomado Chef Alain Ducasse, que considerou esta ideia uma verdadeira ameaça:

Reduziu, drasticamente, os preços dos grandes vinhos da carta do seu restaurante parisiense (um dos melhores do mundo!).

Perfeito!

Este é um belo incentivo ao consumo consciente de vinhos, uma das bebidas que tem por trás de sua elaboração uma característica única de respeito ao meio ambiente, além de ser geradora de empregos e de recursos para os países produtores.

Vinho, em muitas culturas, é considerado um alimento muito importante na dieta diária.

Se esta moda pega por aqui, nesta época em que as diversas estruturas de governo estão sendo regidas por pensamentos, evangélicos, pentecostais e outras crenças, apesar do Estado ser laico, fica fácil imaginar o desejo por um Carnaval sem álcool ou outra alegoria parecida.

Será que vai rolar?

Saúde e bons vinhos!

Eno tendências para 2020

Foto por Brandy Turner para Unsplash 

Ano novo, década nova e, na falta de assuntos mais palpitantes, quase toda a imprensa especializada sobre vinho parte para a velha e consagrada técnica de sugerir as novas (nem sempre) tendências que poderão ser observadas doravante.

Para não destoar, neste meio tão unido, convoquei o “Pai Tuty d’ O Boletim”, para receber os espíritos de Baco e Dionísio, e nos trazer uma visão do que pode acontecer no mundo vínico.

Imagem de Stefan Keller por Pixabay

1 – Os rosados vão continuar em alta.

Um tema tão forte que até o clássico Prosecco, um espumante essencialmente branco, já está sendo comercializado numa versão em rosa.

Na verdade, não pode ser chamado de Prosecco, uma denominação protegida. Os produtores estão fazendo muita pressão para que a autoridade reguladora aceite este corte de Glera e Pinot Nero e permita o uso do nome no rótulo.

Para a alegria do público feminino, há uma versão demi-sec a caminho.

2 – Vinhos naturais vão marcar uma presença ainda maior.

Este é um caminho sem volta. Quem rege esta tendência são os consumidores jovens, preocupados, cada vez mais, com sustentabilidade, preservação do meio ambiente, ‘carbon footprint’ e outras modernidades.

Pode soar estranho, mas as técnicas de produção dos vinhos naturais são as mais antigas e simples possíveis, o que transforma esta pressuposta modernidade numa volta ao passado.

Ainda há muito o que deixar claro neste assunto. Poucos são capazes de diferenciar entre vinhos orgânicos, biodinâmicos, veganos ou naturais, além de outras classificações menos conhecidas.

Importante é saber que não são vinhos de guarda: são próprios para consumo imediato.

Neste verão que promete temperaturas dignas de um aquecimento global, os Pet Nat serão a pedida.

3 – Chegou a vez do vinho em lata.

E em outras embalagens pouco usuais. Isto também vale para outras bebidas alcoólicas, inclusive para alguns tipos de coquetéis.

Já imaginaram lhe servir um vinho direto de uma torneira no balcão de um bar?

Ou melhor: comprar uma latinha de vinho da mesma forma que se faz com refrigerantes e cervejas.

Em vários países da Europa isto já é uma realidade.

A poderosa casa Moet & Chandon apresentou uma máquina de venda automática que foi um sucesso. Os poucos modelos produzidos foram vendidos rapidamente.

4 – Outras possibilidades.

Olhando para tudo isto que foi relatado, podemos deduzir que mais mudanças estão por vir. Já há um declínio visível nas vendas dos vinhos de alto luxo. Os produtores Bordaleses buscam se adaptar aos novos tempos, plantando outras castas para produzir vinho menos sisudos e mais ao gosto dos paladares dos grandes consumidores atuais.

Uvas eternamente consagradas começam a ceder espaço, nas prateleiras, para uvas regionais que, até então, eram ilustres desconhecidas. Mas que vinhos!

Por fim, talvez seja o momento de começar a olhar para alguns países que sempre produziram ótimos vinhos, mas que permaneceram na sombra dos grandes e famosos.

Uma aposta segura são os vinhos austríacos. Procurem por cepas mais regionais deixando a Grüner Veltliner de lado: Blaufränkisch, Zweigelt e Saint Laurent são a ordem do dia.

O mesmo palpite vale para os vinhos espanhóis. Vamos em busca de vinificações mais regionais: Cariñena, Garnacha, Verdejo e Bobal em lugar do Tempranillo Riojano.

Tudo vai depender da guerra de tarifas. Se os nossos governantes não forem devidamente pressionados, nem os bons vinhos sul-americanos poderão ser adquiridos sem nos quebrar.

A opção seriam alguns vinhos nacionais, de pequena produção. Mas com esta classe de impostos, ficam mais caros que qualquer importado.

Nossos gurus esotéricos não vislumbram nenhuma mudança significativa neste panorama, por aqui.

Pena.

Saúde e bons vinhos!

Uma casta, um vinho – Cabernet Franc

Num texto anterior, comentamos a casta Sauvignon Blanc, que junto com a Cabernet Franc são os ‘pais’ da mais que famosa e importante Cabernet Sauvignon.

Por sua vez, a Cabernet Franc, pode ser considerada como uma espécie progenitora muito ativa. Dentro de sua linha genealógica vamos encontrar a não menos famosa Merlot e a Carménère, hoje uva símbolo do Chile.

Sendo uma casta muito antiga e de grande importância na região de Bordeaux, sua origem nunca havia sido questionada até recentemente. Modernas investigações genéticas apontam que esta uva teria como local de origem o País Basco.

Numa igreja em Roncesvalles, muito utilizada como pouso para os peregrinos que caminhavam até Santiago de Compostela, os padres mantinham alguns vinhedos que se estendiam até a cidade francesa de Irouléguy, A principal uva era a casta local Achéria, nome em basco para Cabernet Franc, considerada como a forma morfológica mais primitiva da nossa uva tema.

Destes vinhedos, levados por peregrinos, estas parreiras migraram até Bordeaux e para o Vale do Loire, onde é conhecida como Breton.

A denominação Cabernet só surgiria por volta de 1823. Admite-se que seja uma evolução do Latim ‘carbon’ ou ‘carbonet’, por sua escura pele.

Seus vinhos são menos escuros e encorpados que os da Cabernet Sauvignon. São mais aromáticos e com um paladar mais suave. Muito fáceis de beber.

Embora seja um coadjuvante em Bordeaux, é no Vale do Loire que se torna um importante protagonista. Chinon e Bourgeil são as duas denominações mais conhecidas.

Itália, Espanha e Portugal são outros países produtores onde esta casta está presente, quase sempre sendo usada para produzir versões locais do onipresente ‘Corte Bordalês’.

O mesmo se pode afirmar com relação a Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

No continente americano vamos encontrar vinhedos nos EUA e no Canadá, onde alguns vinhos, calcados nesta casta, têm se destacado. Estatísticas recentes demonstram, por outro lado, que a área plantada se mantém constante ou com pequenas reduções.

Já na América do Sul o panorama é bem diferente. Uruguai, Chile, Brasil e Argentina tem investido muito no desenvolvimento desta cepa, com excelentes resultados.

Um dos melhores exemplos destes vinhos tão especiais vem de Mendoza, terra do Malbec:

Rutini Cabernet Franc, Single Vineyard, Gualtallary

Elaborado pelo competente Enólogo Mariano Di Paola, passa por fermentação Malolática e amadurece por 12 meses em barricas de carvalho francês (50% de 1º uso e 50% de 2º uso).

Apresenta coloração púrpura intensa e vibrante. Marcantes aromas de compotas de frutas vermelhas frescas, com notas de mentol, tabaco e baunilha, decorrentes da passagem por madeira.

No paladar é muito elegante, com taninos suaves e quase doces. Retrogosto interminável.

Muito versátil, pode ser o companheiro perfeito para pratos tradicionais de aves, caças e outras carnes.

Saúde e bons vinhos!

Fonte consultada: Wine Grapes: A Complete Guide to 1,368 Vine Varieties, Including Their Origins and Flavours, por Jancis Robinson, Julia Harding, Jose Vouillamoz.

Dicas para o Natal

Imagem de Birte por Pixabay

Natal é, basicamente, uma festa de clima frio. Basta olhar a roupa do querido Papai Noel para entender isto.

A imagem que ilustra este texto mostra um Feuerzangenbowle, tradição germânica de final de ano, onde um torrão de açúcar é encharcado com Rum e flambado, sendo apoiado sobre um rechaud com vinho quente. O caramelo resultante da queima fica pingando sobre o vinho, conferindo um especial sabor. O torrão é constantemente molhado com o destilado até que se dissolva por completo.

Mesmo no sul do Brasil, ou nas nossas regiões mais altas, não haveria clima suficientemente frio para experimentar este ‘aquecedor’ líquido. Talvez com um bom ar condicionado ligado na potência máxima…

Não temos uma tradição natalina tipicamente brasileira. No máximo copiamos e adaptamos receitas dos diversos povos que nos colonizaram, com uma ênfase nos portugueses, pelo menos aqui no Sudeste.

Presunto, Peru e Bacalhau são as estrelas nas mesas de fim de ano, com certas variações como os Salpicões e pratos de massa. No capítulo dos doces o índice glicêmico vai às alturas, com destaque para as lusitanas Rabanadas, sejam elas regadas com Porto, cobertas com sorvete, ou ambos…

Uma coisa é certa: não pode faltar um vinho, preferencialmente um bom espumante.

A ordem do dia são os brancos e os rosados. Gelados, ‘comme il faut’.

Se guardaram aquele tinto, super especial, para esta data, talvez não seja ainda o momento ideal, a menos que o seu microclima residencial garanta temperaturas próximas às do hemisfério norte.

Quer fazer uma surpresa para todos, invista num Champagne ou num dos nossos espumantes top.

Por favor, vamos relaxar as regras de harmonização. Neste fim de ano, tudo se permite, com moderação.

Sem querer ser professor de ninguém, aqui vão algumas recomendações:

– Prefira vinhos jovens e leves, bem frutados e com boa acidez;

– Se a opção for só Espumantes, além dos nacionais pensem nos Proseccos e Cavas;

– Embora menos indicados, tintos leves que podem ser bebidos na temperatura dos brancos, como o Beaujolais Noveau, que aparece em novembro. Combinam muito bem com os assados deste período;

– No capítulo dos doces, os vinhos generosos reinam sozinhos. Porto, Madeira, Moscatel de Setúbal, entre outros, são as principais sugestões. Geladinhos, por favor.

No mais, Feliz Natal!

Saúde e bons vinhos!

Vinícola Villa Santa Maria – SP

Localizada no Vale do Baú, próximo a Campos de Jordão, esta moderna vinícola brasileira é uma agradável surpresa. Fora do eixo mais tradicional da nossa produção vitivinícola, adota a técnica da poda invertida, desenvolvida pela EPAMIG, para obter bons resultados. Seus produtos são denominados Vinhos de Inverno.

Em termos práticos, podemos considerar o ano de 2004 como marco inicial, quando começaram a experimentar o plantio de viníferas. Já no ano seguinte, implementam um plantio de maior escala das castas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Syrah.

Muito trabalho de campo, e cinco anos depois, acontece a 1ª vinificação. O resultado foi o melhor possível, confirmando que todo o planejamento fora acertado. Um vinho excelente!

Passo a Passo ampliaram seus vinhedos, incluindo castas brancas, Chardonnay, Sauvignon Blanc e mais recentemente Viognier.

Em 2019 já são 60 mil pés plantados, dos quais 50% estão em produção.

Dois de seus vinhos, o Syrah 2011 e o Brandina 2013 foram premiados internacionalmente.

Devidamente agendados, fomos recebidos pelo simpático Christian Pinotti, que conduziu o Tour pelas ótimas instalações com espaços para eventos, o restaurante Bruschetteria da Villa com interessantes opções de cardápio, que inclui um Menu Degustação de 6 passos, e uma bucólica cachoeira, para satisfazer aos amantes da natureza.

Nem tudo está pronto. A vinificação está sendo feita nas dependências da EPAMIG, aguardando a construção das instalações próprias.

Outro fator interessante é a escala do projeto: não é um megaempreendimento. A produção é limitada, mas de alta qualidade.

Nesta oportunidade, degustamos três vinhos, todos muito interessantes:

– Brandina Brut Chardonnay

Uma exclusividade que só poder ser obtida na vinícola. Bom perlage e boa acidez. Aromas tradicionais para este tipo de espumante. Muito agradável no palato. Perfeito para “abrir os trabalhos”.

– Brandina Chardonnay 2018

Elegante branco, de safra bem recente. Apresenta um leque de aromas e sabores que passam desde a tradicional maçã, notas florais, e de uma fruta atípica para as vinificações mais tradicionais desta cepa: banana.

Um vinho muito interessante, sutil e que remete ao estilo dos Chablis.

– Brandina Assemblage 2017

Um corte das uvas Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Um pouco jovem, mas já mostra um bom potencial. Passa por madeira o que acrescentas as notas caramelizadas, junto com as de frutas vermelhas e negras. Um toque de especiarias complementa a gama de aromas e sabores.

A marca é uma homenagem à matriarca da família, Vó Brandina.

Já visitamos vinícolas em diversos países, desde pequenos produtores que vinificam na garagem de casa até grandes empresas que distribuem vinhos para as maiores redes varejistas.

Esta nos deixou muito impressionados e felizes, por diversos aspectos, como estar perto de Rio e SP, ter um projeto arquitetônico que se integra completamente ao belo vale onde está localizada, e vinhos de excelente qualidade.

A visita vale cada minuto passado por lá.

Parabéns!

Saúde e bons vinhos!

Contato: Vinícola Villa Santa Maria

WhatsApp: (12) 99746-6298

Estrada Municipal José Theotônio da Silva, s/n Bairro do Baú – São Bento do Sapucaí (SP) a 10 km do Auditório Cláudio Santoro em Campos do Jordão.

Atendimento somente com reservas

Das 11h às 17h de quinta a domingo

Acessibilidade, conexão wi-fi gratuita, crianças e pet friendly

Site: https://villasantamaria.com.br/

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