Categoria: Harmonização (Page 9 of 13)

O tal gosto metálico

“Mme. C”, minha esposa, participa de uma confraria feminina, cujo objetivo é celebrar alguma data importante, como um aniversário. Mensalmente há uma reunião e o grupo é muito ativo, escolhendo lugares diversos para seus encontros. Nem todas são enófilas e degustar um vinho não é uma obrigação.

Num último encontro, quando foram conhecer um novo e simpático restaurante carioca, com foco em coisas do mar, ocorreu um interessante episódio que serve de pano de fundo desta coluna.

Para desfrutar das delícias que estavam no cardápio, optaram por pedir diversas entradas. Cada uma que chegava à mesa era provada, e quando não havia mais nada para beliscar, encomendavam uma nova opção.

Neste meio tempo, algumas comensais decidiram por uma garrafa de um bom tinto italiano, elaborado com a clássica Sangiovese.

Quase que simultaneamente, pedem um croquete de camarão ao aioli de limão, uma variante da maionese.

A combinação, pelo menos para o apurado paladar de “Mme. C”, resultou num desagradável sabor metálico.

O fato curioso se deu quando as amigas foram consultadas sobre este estranho retrogosto e nenhuma delas notou qualquer alteração de sabor…

A combinação de taninos, frutos do mar e molhos com base em limão sempre foi incompatível. Some-se a Sangiovese, reconhecidamente tânica, e o gosto metálico aprece com força total.

A explicação científica é bem simples: a proteína dos frutos do mar não reage bem com o tanino do vinho.

Nada que um pouco de água e pedaços de pão não possam resolver.

A discussão mais interessante fica por conta da não percepção do problema pelas amigas que desfrutavam das mesmas escolhas. Algumas explicações são possíveis.

Aqui vai uma pergunta bem ampla: Quantos sabores os leitores desta coluna conseguem identificar ao consumir um alimento ou bebida?

O sabor metálico está entre eles?

Se analisarmos com atenção, objetos metálicos não têm aroma ou sabor e não é algo que se consuma numa dieta regular. Então, como surge este sabor em questão?

Sem querer entrar em discussões científicas ou filosóficas, este sabor metálico existe por associação de ideias. Por exemplo, vamos ao dentista e reclamamos de um sabor anormal. Ele pergunta, “metálico”?

Pronto, foi feita a associação de ideias.

O mesmo pode ser dito para um outro gosto muito discutido entre enófilos, o sabor mineral. Acho que ninguém comeu pedra ou raspa de metal para comprovar que sabores são estes.

Muitas pessoas não têm um paladar mais desenvolvido e nem sempre são capazes de associar um determinado sabor fora da curva normal com alguma coisa, digamos, menos comum.

Em situações como esta, acham o sabor estranho ou desagradável, não lhe dando a mesma importância que um enófilo experimentado daria. Simples assim.

Vida que segue…

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um belo branco italiano de uma casta deliciosa.

Masso Antico Fiano di Salento 2017 – $

A casta Fiano é uma uva de alta qualidade usada extensivamente no sul da Itália. Usada principalmente como varietal, seus vinhos são cremosos, com toques amendoados.

Gastronômico, é excelente para acompanhar crustáceos grelhados, com molhos leves, ou com queijos frescos. Delicioso também como aperitivo.

Páscoa

Esta é uma época para celebrar tradições, em diversas culturas. No nosso país, de maioria católica, onde por muito tempo se respeitava o jejum e a abstinência na Quaresma, a chegada do domingo de Páscoa era aguardado com muita ansiedade.

Grandes mesas familiares com deliciosos pratos e sobremesas repunham as necessidades alimentares de todos e simbolizavam, sobretudo, uma nova etapa de vida.

O vinho, claro, não poderia faltar, nem nos ritos de celebração e nem na lauta refeição dominical.

Uma época para refletir, também.

Os cariocas ainda estão sob os efeitos degradantes de mais um dilúvio, agravado pela total incapacidade administrativa de um pseudo ‘Bispo’ que nem prever a catástrofe foi capaz: um falso tudo.

Na França, uma das igrejas mais importantes daquele país, e do mundo, foi quase destruída por um incêndio de grandes proporções, gerando uma corrente de solidariedade nos quatro cantos do planeta para que seja rapidamente reconstruída.

Por esta razão, a coluna desta semana faz uma pequena homenagem aos franceses, lembrando de outro marco nacional, uma tradicionalíssima receita, sempre presente no cardápio dos bistrôs parisienses e quase um prato obrigatório na mesa da Páscoa: o Gigot d’Agneu.

A carne de cordeiro usada nesta preparação é o pernil, temperado, marinado e assado por longas horas. Para acompanhar, feijão Frageolet, um tipo de feijão verde, batatinhas Dauphine e vinho tinto.

Os leitores devem estar se perguntando qual vinho o ideal, mas a resposta é assustadora: há uma lista interminável de opções, que inclui vinhos de outros países como Espanha, Portugal, Itália e Grécia.

Para começar, faça como os franceses e abra um bom Merlot, tipo St. Emilion, margem direita de Bordéus, se o bolso permitir.

Para nossa alegria, esta casta é uma das melhores opções para os vinhos brasileiros, que apesar dos impostos quase proibitivos, ainda são mais palatáveis que um ‘1ª linha’, importado.

Críticos de gastronomia de todo o mundo aplaudem a combinação dos bons Tempranillos da Rioja ou Duero com este assado. Esta carne é uma das prediletas dos espanhóis. Há ótimos rótulos deste país à venda em nossos mercados e lojas especializadas, com preços muito competitivos.

A casta Tempranillo também produz bons vinhos na Argentina e no Chile.

Em Portugal, Aragonez e Tinta Roriz são sinônimos desta casta espanhola. Dentro da tradição lusitana, estão sempre presentes nos melhores cortes do Douro e do Alentejo. Mas não hesitaríamos nesta escolha, ampliando o leque de possibilidades por todas as regiões da terrinha: Bairrada, Dão, Lisboa…

Opções é que não faltam, para todos os paladares e bolsos.

Mão à obra então e boa Páscoa para todos.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: uma escolha perfeita para quem se animar a preparar o Gigot d’Agneau.

Vinho Salton Desejo Merlot – $$

Límpido, de coloração roxa intensa.

Apresenta aromas de frutas negras (mirtilo, amora, framboesa), polpa de frutas em compota, cogumelos, amêndoas tostadas e chocolate.

Seu sabor é intenso e prolongado com taninos maduros.

 

Harmonizou?

Depois das discussões sobre qual seria a melhor casta ou o melhor vinho, o tema “combinação (perfeita) entre vinho e comida” é o assunto mais debatido nas conversas entre os enófilos mais dedicados.

Responder a esta questão é uma tarefa complexa, envolvendo muitas variáveis e questões subjetivas que remetem ao paladar de cada indivíduo. Trocando em miúdos, pode acontecer um paradoxo do tipo alguns respondem sim, enquanto um outro grupo responde não, para esta mesma pergunta.

Tradicionalmente o paladar pode ser definido por quatro sabores: ácido, doce, amargo e salgado. Atualmente se inclui o Umami, palavra japonesa que pode ser traduzida como algo saboroso e agradável.

Estas definições não são estanques e cada indivíduo tem seu paladar definido por uma mistura destes sabores. Por exemplo, existem os fãs do ‘arroz com passas’, uma nítida combinação de doce + salgado, que tem muitos detratores, que acham isto uma heresia.

Na outra extremidade está a turma dos sabores picantes, paladares que enfatizam o ácido + amargo + salgado, em busca de uma intensidade sem paralelos, para horror da turma que prefere a combinação anterior.

Entre estes dois grupos não há vinho que os harmonize, mas esta não é a regra geral e nem a resposta adequada para a nossa pergunta tema.

Para compreender corretamente o significado de uma harmonização entre vinho e alimento, precisamos olhar para a forma como utilizamos o vinho na hora de uma refeição.

Por força dos mitos, da mídia e dos amigos especialistas, começamos acreditando na velha máxima que carne é com vinho tinto e peixe com brancos. Tomando isto como pressuposto, saímos em busca da uva que vai vinificar um vinho ideal para cada tipo de alimento.

Desculpem-nos, mas isto beira as raias da loucura.

O caminho não é este.

Vamos criar um ponto de inflexão nesta curva com a seguinte afirmação:

Nada nos impede de desfrutar de qualquer alimento acompanhado com qualquer vinho.

Para que isto seja verdadeiro, basta prestar atenção na ordem e no intervalo do consumo de um e de outro.

Exemplificando: ninguém vai dar um gole de vinho com a boca cheia de um alimento. Alternam-se garrafadas e goles. Mas isto não basta: precisa haver um intervalo razoável entre um e outro.

O estado do nosso palato, após a ingestão de um alimento ou depois de degustar um gole de vinho é quem vai dizer se harmonizou, ou não. É extremamente importante que tanto um como o outro não oblitere a capacidade das nossas papilas gustativas, permitindo que continuemos apreciando diferentes tipos de sabores. Equilíbrio é a palavra-chave.

Reparem, na próxima oportunidade onde vinho e alimento estão presentes, na ordem como vocês os consomem: alimento antes do vinho ou vice-versa?

O ideal seria preparar o palato com um belo gole de vinho (espumantes são ideais para isto) um pouco antes de consumir o alimento servido.

A partir daí o vinho deveria funcionar como a água, ajudando na ingestão dos sólidos.

Procure entender as diferentes sensações provocadas pela combinação das características de cada alimento no prato, de forma individual, com a bebida: o mais doce, o mais ácido, etc…

Se tiver uma boa memória, use como referência a sensação deixada após aquele primeiro gole, de preparação, o “fazer a boca” no nosso jargão.

Se acharem que o vinho está sendo prejudicado pelo tipo de alimento, limpe novamente o paladar com um pouco de água ou um pedaço de pão, puro. Em seguida, prove o vinho novamente.

Outra maneira de corrigir este problema é aumentando o intervalo entre garfadas e goles: paciência é uma grande virtude aqui, capaz de produzir pequenos milagres, como inverter aquela velha máxima citada no início deste texto.

Apenas para recordar, listamos, a seguir, alguns alimentos particularmente difíceis de combinar com vinho:

Ácidos – limão, vinagre, maçã (molhos de salada);

Alcachofras e Aspargos;

Gema de Ovo;

Defumados em geral;

Especiarias – pimentas, vinhas d’alho, etc…;

Chocolate;

Hortelã.

Harmonizou?

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: os rosados são muito versáteis, harmonizando com quase tudo.

Vignali Roccamora Cá de Iò Rosato 2015

Um corte de Sangiovese e Negroamaro. Aromas frutados de cereja e ameixa fresca, além de delicadas notas de rosas. No paladar é fresco, macio e intenso, com ótima acidez e bom volume de boca.

Sirva como aperitivo ou acompanhando pratos de frutos do mar ou de carnes brancas.

Compre aqui: https://lojaenoeventos.com.br/

Chefs, Cozinheiros e Eu – VI

Iniciamos esta série com uma Chef e terminamos com outra. Conheçam a Chef e empresária, Fernanda Bebianno.

Sou formada em psicologia, comecei a cozinhar porque tinha uma memória afetiva de um molho chamado Bearnaise que comia em um bistrô na minha infância. Comecei a tentar reproduzir este molho e desenvolvi a minha receita (uma versão). A partir daí comecei a procurar receitas de família e revisita-las.

Faço molhos e patês sob encomenda, treino cozinheiras e faço pequenos eventos de 2 até 30 pessoas. Desenvolvi minha marca para os molhos que se chama Saucière Santon

A receita é fácil e muito saborosa.

Camarões com champanhe:

Ingredientes: (para 10 pessoas)

2,5 kg de camarões médios

3 colheres de sopa de azeite

1 cebola grande ralada

4 dentes de alho ralados

½ garrafa de champanhe ou espumante brut

2 xícaras de caldo de camarões (*)

2 colheres de sopa de farinha de trigo

500ml de creme de leite fresco

Suco de 1 limão

Sal pimenta do reino a gosto

Preparo: será em duas etapas. Primeiro prepara-se o molho. Quase no momento de servir, os camarões serão cozidos.

Deixe para temperar os camarões, com sal pimenta do reino e o suco de limão, apenas no momento de cozinhar.

Molho:

Refogue a cebola e o alho no azeite;

Dissolva a farinha de trigo no caldo e misture ao refogado;

Acrescente o creme e o champanhe e deixe cozinhar até engrossar;

Finalizar:

Na hora de servir, esquente o molho e só então coloque os camarões para cozinhar, na mesma panela, por cerca de 4 minutos (tempo de cozimento ideal para camarões).

Sirva quente com arroz branco

(*) Receita do caldo de camarões:

1 litro de água

1 cebola

1 dente de alho

1 pedaço de alho-poró,

1 ramo de salsa

1 cebolinha

As cascas dos camarões bem lavadas.

Preparo:

Em uma panela ponha um fio de azeite e refogue os ingredientes. Acrescente a água e deixe ferver. Abaixe o fogo e cozinhe por 20 minutos. Coe antes de usar.

Harmonização: A presença do creme de leite é quem vai ditar esta harmonização. O camarão tem sabor quase neutro absorvendo aromas e sabores do molho.

Clássica:

Espumante Brut Branco Santa Augusta

O ideal é usar o mesmo espumante para preparar o molho e para harmonizar na hora de saborear esta receita. Se quiser impressionar os amigos, compre uma garrafa de Champagne. Mas os nossos espumantes são de excelente qualidade, entre eles, o Santa Augusta Brut, branco.

Compre aqui: Vina Brasilis – Rômulo – [email protected] – (21) 96756-6123 / (21) 99515-1071

Contemporânea:

Château Malbat Sauvignon Blanc – Semillon 2016

Os vinhos elaborados com a casta Sauvignon Blanc são companheiros mais que perfeitos para peixes e crustáceos. Este corte, com a bordalesa Semillon, tem todas as qualidades necessárias para equilibrar a cremosidade e os sabores desta receita. Ótima opção.

Compre aqui: www.vinhosite.com.br

Ousada:

Quinta da Lixa Vinho Verde

Uma boa aposta. Vinhos Verdes são muito versáteis e sempre estiveram presentes nas mesas brasileiras. São perfeitos para o nosso clima de verão. Andaram sumidos, pelo menos os de boa qualidade. Agora estão voltando com força total. Os elaborados com a casta Alvarinho, mesmo nos cortes, são os mais indicados.

Saúde e bons vinhos!

Chefs, Cozinheiros e Eu – V

O penúltimo cozinheiro desta série vem da ‘ala jovem’: Tomás Pinheiro (*).

(*) o sobrenome não é uma coincidência…

Sou cozinheiro e padeiro amador, adoro livros de gastronomia e estou sempre em busca de aprender receitas e técnicas novas. A receita escolhida tem influência indiana. Na foto que ilustra esta matéria aparecem uma cesta de Naan, um pão indiano, e uma tigela de Tika Masala de Grão de Bico

Tika Masala de Frango

Ingredientes:

6 dentes de alho, ralados

4 colheres de chá de gengibre sem casca ralado

4 colheres de chá de açafrão da terra

2 colheres de chá de Garam Masala

2 colheres de chá de coentro em pó

2 colheres de chá de cominho em pó

1 1/2 xicara de iogurte natural

1 colher de sopa de sal

1 kg de peito de frango sem osso e pele

3 colheres de sopa de Ghee (manteiga clarificada) ou óleo vegetal

1 cebola pequena cortada finamente

1/4 xicara de extrato de tomate

6 sementes de cardamomo, quebradas

2 latas de tomates pelados inteiros (amassados com mão ou em pedaços)

2 xicaras de creme de leite fresco

3/4 xicara de coentro e um punhado para decoração

Arroz Basmati (ou Jasmine) para acompanhar.

Preparo:

Combine o alho, gengibre, açafrão da terra, Garam Masala, coentro em pó e cominho em uma pequena tigela. Essa será nossa “mistura de temperos”. Bata levemente o iogurte, sal e metade da “mistura de temperos” em outra tigela, tamanho médio; adicione o peito de frango, virando para que seja coberto pela mistura. Cubra a vasilha e deixe marinando por 1 noite na geladeira. Tampe e guarde, na geladeira, o resto da “mistura de temperos”

Esquente o ghee ou o óleo em uma panela grande e de fundo grosso.

Adicione a cebola, extrato de tomate, cardamomo e cozinhe, misturando constantemente, até o extrato de tomate escurecer e a cebola estiver macia, uns 5 minutos. Adicione o resto da “mistura de temperos” e cozinhe, misturando sempre, até que o fundo da panela comece a escurecer, uns 4 minutos.

Acrescente os tomates enlatados, previamente amassados com as mãos e traga a panela para fervura. Reduza o fogo e mantenha fervendo, mexendo as vezes e raspando o fundo da panela, até que o molho engrosse, entre 8-10 minutos.

Adicione o creme de leite e o coentro picado. Ferva, novamente, mexendo ocasionalmente, até que o molho engrosse, 30-40 minutos.

Enquanto isso, em uma frigideira bem quente, jogue um pouco de ghee ou óleo e frite os peitos de frangos até que fiquem dourados e um pouco queimadinhos. Corte-os em cubos ou tiras pequenas, adicione ao molho e deixe ferver, mexendo as vezes, até que o frango esteja cozido, 8-10 minutos.

Decore com um punhado de coentro picado e sirva com arroz quentinho.

Harmonização:

A culinária indiana é considerada como uma das mais complexas harmonizações. Desde o início desta série estamos oferecendo três opções de vinhos, clássica, contemporânea e ousada. Nesta receita, não estaríamos errando ao afirmar que qualquer uma delas seria uma ousadia.

Os temperos comandam. A intensidade das pimentas pode mudar completamente este quadro. A mistura sugerida aqui é média, ou pouco picante.

Clássica:

Riesling Baron K Kabinett

O predicado Kabinett indica um vinho já puxando para o doce. Poderia ser um Auslese ou um Gewürztraminer alsaciano. Prefiram vinhos já amadurecidos. O importante é a fruta não se sobrepor.

Contemporânea:

E.Guigal Cote Du Rhone Rosé

Esta opção é bem moderna, aproveitando o recente retorno dos rosados. Os elaborados na região do Rhône são mais frutados, completando o leque de sabores da receita.

Ousada:

Escorihuela Gascón Cabernet Franc

Provavelmente a maior ousadia dentre todas as opções desta série. Este vinho argentino tem uma ótima estrutura, é macio e frutado. Para os fortes de espírito.

Saúde e bons vinhos!

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