Categoria: O mundo dos vinhos (Page 55 of 84)

E as tendências?

Foto por GEORGE DESIPRIS para Pexels


No futuro, algum historiador terá como opção chamar esta era em que vivemos de “Época das Tendências”.

Parece que regem o nosso comportamento, quando deveria ser exatamente o oposto: o resultado do nosso comportamento.

Já foi chamada de modismo, mudança, alteração, desejos e outros sinônimos menos usuais. Os analistas de mercado estão sempre de olho nas subidas de preço de bens de consumo e novidades nas áreas de produtos e serviços. São sinais evidentes que novas tendências estão surgindo. Atrelado a isto pode estar uma boa oportunidade de auferir bons lucros.

O mercado do vinho é um negócio que deve estar sempre atento aos desejos de seus consumidores, que vão desde os mais conservadores aos mais influenciáveis pelos ‘trends”, como as gerações do Milênio e a Z.

Um dos modismos mais curiosos talvez nem possa ser chamado de tendência. Estamos falando dos Vinhos Naturais, afinal, no início, eram todos produzidos com o que, hoje, se estabeleceu como regras de vinificação naturais, onde não se utilizam defensivos e nem aditivos para corrigir problemas eventuais ocorridos no processo.

Numa vinificação convencional, dependendo das normas e cada país, podem ser usados cerca de 70 aditivos diferentes. Para os puristas, isto é inaceitável.

Querendo ou não, goste ou não, vinhos naturais, em suas diversas modalidades, vão, voltam e continuam em voga.

Outra tendência, que classifico como cíclica, é a dos vinhos rosados. Dois rótulos, bem conhecidos no Brasil, o Mateus Rosé, português e o Rose d’Anjou, francês, servem como exemplo. São elaborados há mais de 100 anos e embalaram o começo de namoro de muitos casais apreciadores de vinho.

Depois de um longo período de hibernação, os rosados voltaram com força total. Toda vinícola que se preze tem um rosado à venda…

No mundo dos espumantes temos opções mais interessantes. Não há dúvidas que o Champagne é uma tendência ‘per se’. O vinho das comemorações, do luxo, da sofisticação e do bom gosto.

Mas a moda é o simples Prosecco, o delicioso e refrescante espumante do Veneto. Em qualquer lugar do mundo se tornou chique bebê-lo. Elegante e acessível aos bolsos de qualquer mortal.

Mas a tal tendência dita que seu reinado está por receber um duro golpe: o Cava, outro espumante de qualidade, desta vez vindo da Espanha, apresenta suas credenciais e pede passagem, para alegria geral da galera…

Se o mercado dos vinhos borbulhantes está em plena efervescência, a turma dos vinhos tranquilos está acompanhando com muita atenção uma guinada, na preferência dos jovens consumidores, por vinhos mais leves e refrescantes.

Se pensou em brancos acertou na mosca. Os tradicionalíssimos tintos encorpados e pesados estão na tendência de permanecer nas prateleiras das lojas.

Para finalizar, uma tendência que está perdendo força é a de comprar seus vinhos baseados nos pontos atribuídos por algum crítico especializado. A moda agora é outra: vamos seguir quem recebe mais ‘likes’ nas redes sociais. Os novos críticos são os consumidores e as opiniões expressadas no Instagram, Facebook, Vivino, entre outros, valem muito mais que 100 pts Parker.

Qual caminho vocês vão seguir?

Saúde e bons vinhos, tendenciosos ou não.

Existe um vinho perfeito?

Provavelmente não.

Atingir a chamada perfeição é quase uma obsessão, buscada por atletas, artistas, empreendedores e até produtores de vinho, numa eterna tentativa de ser o melhor entre melhores ou, pelo menos, ser mais facilmente reconhecido.

Realizando uma pesquisa simples, na Internet, vamos encontrar uma série de citações por pessoas famosas que têm um elo incomum: é uma busca inútil, sempre vão aparecer defeitos a serem julgados por alguém.

No mundo atual a melhor definição de perfeição seria algo como “possui defeitos, imperceptíveis para os outros”.

Relativizamos a perfeição…

Sendo assim, o possível vinho perfeito seria aquele que apresentaria o menor número de defeitos, o que levanta outras questões:

– Que defeitos seriam estes?

– Quem julga se eles estão presentes, ou não, no vinho?

– Como o consumidor final é informado destes fatos?

Nenhuma destas perguntas tem uma resposta simples e direta.

Vamos examinar o ponto de vista do produtor: será que ele colocaria, conscientemente, um vinho defeituoso no mercado?

Vinhos não são produzidos a partir de uma “receita de bolo”. A cada safra há pequenas variações na qualidade das uvas, implicando em ajustes constantes na adega.

O processo é todo monitorado e as correções que se façam necessárias são aplicadas, sem maiores problemas. Depois de prontos, os vinhos ficam um período em estágio de maturação, sendo colocados no mercado somente depois de um OK da equipe de enologia.

O que nos leva a uma única conclusão: dentro dos parâmetros estabelecidos pelo produtor, seu vinho está perfeito.

A próxima etapa será definida por críticos e profissionais especializados, que tem como missão influenciar o consumidor final.

Uma forte dose de subjetividade vai reger esta fase.

Dentro deste ‘saco’, vamos encontrar os diversos sistemas de pontuação, os grandes críticos de ontem e hoje, as publicações especializadas, blogs, sites, etc…

Cada um vai ter uma opinião diversa sobre um mesmo vinho.

Há um consenso sobre as opiniões de críticos como Parker, Robinson, Johnson e outros: nenhum deles representa um gosto universal. Suas avaliações são melhor interpretadas se olharmos regionalmente.

Nossa memória gustativa decorre da forma como fomos alimentados desde criança. Na vida adulta isto será a eterna referência do que nos é agradável ou não.

Ninguém tem dúvidas de que podemos utilizar as opiniões de qualquer um deles a nosso favor, mas ajustes são necessários. O melhor caminho é provar e comparar: estes 100 pts Parker realmente me agradam ou estou apenas sendo levado pelo marketing quase perfeito?

Neste ponto, encontramos algumas respostas para a terceira interrogação mencionada anteriormente. Mas não é tudo.

Há muita coisa para nos fazer pensar, por exemplo:

– Um vinho caro é sempre bom? (ou seja, preço é um parâmetro confiável?);

– Analogamente, um vinho barato é ruim?

– Qual o meu verdadeiro perfil com relação ao vinho?

Aqui podemos desdobrar:

– Prefiro, tinto, branco, rosado ou espumantes;

– Vinhos tânicos e encorpados ou suaves e macios?

– Alguma casta se destaca em relação a outras?

– E as regiões produtoras, alguma em especial?

Se conseguirmos formar um perfil, pessoal, com a ajuda destas ideias, já estaremos bem perto de descobrir o nosso vinho perfeito.

Não importa se ele não for o mesmo de seus amigos.

O mais provável é que cada um de nós tenha descoberto a sua própria definição de vinho perfeito.

Saúde e bons vinhos!

Cartas de vinhos e o Sommelier

Este catálogo que está em minhas mãos é a carta de vinhos do excelente restaurante Castas e Pratos, em Peso da Régua, no coração do Douro.

Intimidante, sem dúvidas, mas um luxo que merecia ser examinada por um longo tempo.

Está era uma exceção, mesmo para os padrões portugueses. Mesmo assim, enfrentar qualquer carta de vinhos exige alguma ciência. Se for o caso, conversar com o Sommelier da casa pode ser a melhor solução, o que demanda mais um pouco de conhecimento.

Pedir a carta de vinhos já é um indício que se pretender elevar o nível de uma refeição. Quando bem elaboradas, seguem algumas regras, nem sempre respeitadas, que facilitam sua interpretação. Para relembrarem ou tirarem algumas dúvidas vejam esta matéria já publicada:

Escolhendo um Vinho no Restaurante

Para não cometer erros, o que pode acontecer até com gente experimentada, vamos apontar alguns caminhos que devem ser percorridos.

A primeira coisa a fazer é pesquisar um pouco sobre o restaurante e seu cardápio. Muitos já disponibilizam, on line, a sua carta de vinhos para uma consulta. Anote o que lhes agradam e, principalmente, o que não corresponde às suas expectativas, o que inclui, e é muito importante, o preço.

Se achar que os valores estão acima do esperado não hesite em optar por uma garrafa mais em conta. Os bons restaurantes costumam ter vinhos em ofertas, o que pode ser bem interessante do ponto de vista da relação custo x benefício.

Antes de se decidirem, examinem a carta com atenção. Não busque apenas o que conhecem, mas aventurem-se por mares nunca dantes navegados, em novas castas ou regiões produtoras. Uma carta bem elaborada sempre oferecerá um descritor de cada vinho.

Se após este exercício ainda não forem capazes de decidir, está na hora de pedir ajuda ao Sommelier.

Esta conversa tem que ser franca e aberta.

Comece esclarecendo qual o tipo de vinho que têm em mente, incluindo, castas, origem, cor, corpo, equilíbrio e faixa de preço. Sobretudo, digam o que não desejam.

Um bom recurso é usar a tecnologia como aliado. Usando um aplicativo sobre vinhos, mostrem um rótulo do que pretendiam consumir, caso este vinho não esteja na carta.

Perguntem sobre os vinhos em taça e se algum deles seria uma boa opção para vocês. Peça para provar. Se gostarem, encomendem uma garrafa.

Lembrem-se que um bom profissional tem por dever sugerir rótulos o mais próximo possível do que imaginaram. O ideal é ter a mente aberta e acatar sugestões fora da zona de conforto.

Para que fique tudo bem claro, usem termos comuns, deixando as tecnicidades de lado. Digam: frutado, doce, seco, leve, pesado, etc…

Façam comparações com o que gostam e estão habituados, isto ajuda muito na hora de encontrar alternativas e demonstra, para o Sommelier, que ele não está lidando com neófitos.

Para não cair nas mãos de um mau profissional, adepto da empurroterapia, deixe bem claro o quanto desejam gastar.

Quando o vinho chegar à mesa, será servida a prova para quem o encomendou. Existe uma razão para este gesto: vocês podem desistir desta garrafa, escolhendo outra em substituição. A primeira razão é o vinho estar defeituoso. A outra razão é não estar de acordo com o que foi “negociado” com o Sommelier.

Por isto é tão importante que que a conversa com este profissional seja a mais clara e aberta possível.

Todos saem ganhado.

Saúde e bons vinhos!

Vinho no Dia dos Pais

Imagem de Harry Strauss por Pixabay

O Dia dos Pais é mais uma daquelas datas comemorativas que visa, basicamente, incrementar as vendas no comércio. No Brasil é comemorada no segundo domingo de agosto (11/08/2019).

A escolha desta data foi em função do dia de São Joaquim, o Patriarca das Famílias. Em outros países esta comemoração pode cair em outra época. Por exemplo, nos EUA é comemorado no 3º domingo de junho. Portugal, Espanha e Itália, países com forte tradição católica, preferem comemorar no dia de São José.

Basta a data se aproximar para que a caixa postal deste site sobre vinhos fique entupida de ofertas para presentear nosso pai com vinho, de todos os tipos, formatos e preços.

É tamanha a quantidade de sugestões que nos leva a pensar sobre o real significado de celebrar esta data com um presente vínico, que pode ser, em lugar de uma garrafa, um belo acessório como taças, saca-rolhas, aeradores ou decantadores.

Quem resolver embarcar nesta ideia tem que responder a uma questão primeiro: seu pai é um apreciador desta incrível bebida ou é você que busca iniciá-lo numa nova aventura?

Para cada resposta acima há um caminho a ser seguido.

Presentar um pai Enófilo é uma tarefa árdua, podendo sair caro se escolhermos um vinho mais famoso. Neste caso, repor as taças velhas ou quebradas pode ser mais simpático. Mas acaba sendo um presente para a casa. Sua mãe agradece…

Outros acessórios são sempre bem-vindos e há uma infinidade deles. Fujam das bobagens em concentrem no que pode ser usado efetivamente. Um bonito saca-rolhas, com um cabo de madeira, estilo Sommelier, o fará lembrar deste presente por muitos anos.

Para o pai iniciante, um kit que contemple um vinho, uma taça, ou melhor, duas taças, já que vamos degustar com ele, e um saca rolhas seria perfeito.

Mas a escolha do vinho é o ponto chave.

Não precisa ser sofisticado, mas tem que oferecer um belo conjunto de aromas e sabores. Pensem num tinto de corpo médio, pelo menos, bem equilibrado, não importando muito se veio do velho ou novo mundo.

Um bom exemplo, que iniciou muitos dos apreciadores atuais, seria um Dolcetto d’Alba. Se o custo for alto, que tal um bom Merlot chileno, argentino ou brasileiro?

Opções, nesta linha, não faltam.

Mas será que presentear com um vinho é tão importante assim?

Aqui vai uma última sugestão: Convide seu pai para um almoço ou jantar, num bom restaurante. Ofereça uma taça de vinho para acompanhar o prato escolhido. Mostre suas habilidades escolhendo o vinho ou conversando com o Sommelier da casa, se for o caso.

Qualquer destas opções vai impressionar o “velho” e é isto que ele quer ver.

Este é o grande presente!

Saúde e bons vinhos!

Mudanças no Mundo do Vinho

Imagem de Arek Socha por Pixabay

Há uma grande expectativa entre os apreciadores de vinho, no Brasil, por conta da assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a Comunidade Europeia.

Teria chegado, finalmente, a nossa hora de adquirir vinhos fantásticos a preços menos extorsivos que os praticados atualmente?

Especialistas neste mercado preferem adotar uma postura mais conservadora. O ato de assinar este acordo ainda não garante nada, é preciso que haja uma ratificação, por parte de todos os envolvidos. Para isto acontecer, deverão ocorrer diversas mudanças em inúmeros setores para que os produtos sul americanos, vinhos inclusive, possam se enquadrar às normas europeias e vice-versa.

Estas adequações não serão imediatas e alguns aspectos, como a redução das tarifas, podem levar cerca de 12 anos para serem zeradas.

Acima de tudo, no nosso país, é preciso que haja uma profunda mudança de mentalidade, por parte de produtores e de governantes: não podemos continuar a gerir nossos negócios pensando unicamente no escopo individual. Simplificando, o que é bom para um, pode não ser bom para todo o resto.

Esta é a mentalidade em voga no nosso setor de produção de vinhos. Os principais órgãos reguladores, que deveriam se preocupar com os aspectos técnicos de produção de uvas e vinhos, preferem servir de lobistas para interesses de poucos (e grandes) produtores ou servir de trampolim para uma carreira política.

Nosso vinho é difícil de ser produzido devido a certas condições climáticas. Mesmo assim, com muita tecnologia, estamos atingindo um bom nível, mas ainda longe de nossos vizinhos, Uruguai, Chile e Argentina.

Ainda não percebemos que, fora deste domínio, estão mudando, profundamente, vinhos e consumidores.

Há um importante marco: a aposentadoria do grande crítico norte-americano, Robert Parker.

Coube a ele criar, através de seus comentários, um estilo de vinho que dominou o mercado por algumas décadas. Vinhos intensos, marcados por muita fruta e madeira presentes.

Saiu de cena no momento que o mercado cansou deste tipo de vinho. Suas ideias e seu paladar refletiam a cultura da América do Norte, baseada no homem branco de raiz caucasiana.

O grande legado de Parker não foi o seu estilo de vinho, mas a enorme popularização que ele proporcionou à nossa bebida favorita.

Novos mercados se abriram para as vinícolas, principalmente no Oriente. O corolário imediato é o surgimento de Enólogos, Sommeliers e Críticos de outras origens que não caucasiana. E isto muda absolutamente tudo.

Sensacional!

Agora o nosso querido vinho precisa atender a outros paladares: de africanos, filipinos, chineses, coreanos e japoneses…

Imaginem, por um instante, o quanto isto é fundamental. Cada cultura destas pode ser representada por sua gastronomia específica, que difere, muito, da nossa. Isto implica em introduzir novos aromas e paladares.

Um enólogo chinês, por exemplo, mesmo que produza um vinho em Bordeaux, vai trazer um novo e diferente viés para os nossos sentidos.

Um Sommelier negro pode aumentar o leque de ofertas num restaurante se optar por indicar algumas escolhas pessoais, calcadas na sua história de vida. Esta refeição pode se tornar muito interessante!

Acrescente mais uma mudança: o consumidor também está diferente, e são eles que vão pagar a conta.

Há uma grande discussão sobre o que poderá acontecer com os famosos “vinhos icônicos”, que simplesmente não estão mais vendendo como antes.

Seus preços atingiram patamares estratosféricos.

Os novos e jovens consumidores não são mais aqueles Yuppies que adoravam ostentar. São mais comedidos e se preocupam mais com a origem, de qualquer coisa que vão consumir, do que uma fama napoleônica…

Podem, a qualquer momento, não consumir mais vinhos, simplesmente por que não querem, ou não acham mais que isto seja importante.

Este grupo foi quem alavancou a onda dos vinhos naturais. Tem tudo a ver com a cabeça deles: é mais importante como são produzidos do que o resultado final. É quase como uma consciência coletiva, interligada eletronicamente pelas redes sociais. Filmam, fotografam, comentam e aprovam, ou não, tudo que comem ou bebem.

Não será nada fácil acertar com esta turma.

Vamos precisar de toda a ajuda possível desta nova sopa cultural do mundo dos vinhos.

Saúde e bons vinhos!

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