Categoria: O mundo dos vinhos (Page 57 of 84)

Isto ou aquilo?

Antropólogos e Historiadores afirmam que tanto o vinho como a cerveja surgiram de forma acidental. Para ser exato, a fermentação de frutas (vinho) ou grãos (cerveja) acontece naturalmente. A “descoberta” foi perceber que esta reação poderia ser controlada e que os resultados obtidos eram deliciosos.

Não estaríamos errando se considerássemos o vinho como uma bebida “artesanal”, até bem pouco tempo atrás. Muitos bons produtores ainda seguem tradições centenárias em suas cantinas. Modernas tecnologias, ali, ainda não são totalmente encampadas, exceto no que diz respeito à salubridade de processos e produtos.

Mas não há como negar: o vinho moderno é um produto que envolve tecnologias de ponta. A fermentação, origem de tudo, passou a ser feita em ambiente totalmente controlado. Robôs emulam a tradicional “pisa a pé” dos tintos portugueses. Processos pós-produção, como micro-oxigenação, filtração, etc…, estão, cada vez, mais sofisticados. Ganha o consumidor.

Olhando para o meio-ambiente, há uma eterna preocupação com insumos que são de origem vegetal e que devem ser preservados. O mais típico são as rolhas de cortiça. Um Sobreiro, árvore de onde se extrai a cortiça, leva 10 anos para poder ter sua capa cortada e transformada em tampas para o vinho.

Se olharmos para os custos, vinhateiros da Austrália e Nova Zelândia pagam muito caro por este produto o que os obrigou a adotarem e desenvolverem as discutidas cápsulas metálicas, entre outras formas de fechamento de uma garrafa que não utilizam a cortiça.

Madeira de Carvalho é outra grande preocupação. O longo ciclo de desenvolvimento desta árvore, conjugado com as “condições normais” para fabricação de barricas e as poucas florestas desta madeira ainda existentes, provocam novas e ousadas soluções.

Há muito se fala e se critica algumas técnicas de envelhecimento, em madeira, que utilizam os subprodutos da produção de carvalho para barris: aduelas, cavacos e até mesmo serragem. Da mesma forma que os produtos de cortiça, a madeira de carvalho é muito cara para alguns países produtores.

A imagem que ilustra este texto é de uma vinícola que já está utilizando uma tecnologia proprietária, “Flexcube”, desenvolvida por um grande fabricante de barricas.

A solução é muito engenhosa. Segundo o fabricante, permite total controle da quantidade de oxigênio que permeia o polímero externo que dá formato ao cubo, como sobre a quantidade e tipo de carvalho que será mergulhado no ‘cubo’. Como benefício adicional, obtém-se uma importante otimização do espaço disponível.

Outro ganho se reflete na preservação do meio ambiente ao se minimizar o uso de árvores para este novo processo.

O mix de aduelas de carvalho, “Barrel Oak“, que disponibilizam para os produtores é fantástico, incluindo diferentes tostas e origens.

Eis alguns exemplos:

Mix de tostas de origem francesa;

Mix de tostas de origem americana;

Mix Lafayette (França + EUA);

Aduelas de florestas do Cáucaso (Rússia ou Eslovênia);

E até mesmo misturas que procuram se aproximar de regiões vinícolas bem específicas, como o Rhône.

Agora só falta provar um vinho destes. Em breve…

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: O dia dos namorados está chegando e nada melhor que convidar aquela companhia especial para degustar um bom vinho.

Quinta de Bons-Ventos Rosé

Elaborado na região de Lisboa pela Casa Santos Lima com as castas Castelão (Periquita), Camarate e Cabernet Sauvignon.

Frutado e delicioso no paladar. Seu moderado teor alcoólico (9,5%) é o ideal para as amenas temperaturas do outono.

Harmoniza com peixes, frutos do mar, comida japonesa, paella.


Dica da minha amiga Regina Perillo para os leitores de BH:

CURSO DE VINHO PODE TORNAR A COMEMORAÇÃO E O PRESENTE DO DIA DOS NAMORADOS AINDA MAIS ESPECIAIS

Que tal presentear o seu amor com um curso de iniciação ao mundo dos vinhos? Para ficar melhor ainda, o ideal é que os dois façam juntos o curso. O dia dos namorados será uma ótima oportunidade para colocar em prática as aulas, fazendo a escolha mais acertada para o presente ou comemoração.

Para junho, a Escola de Vinhos Casa Rio Verde está com inscrições abertas para duas edições: sábado, 1º de julho, das 9h às 19h, e dias 3, 4 e 5 de junho, das 19 às 22h. Os cursos têm 9 horas de duração, abrangendo, entre outros tópicos, informações sobre os tipos de uvas, países produtores, serviço do vinho e harmonização vinho x comida. Na parte prática, são degustados 12 rótulos de diferentes estilos.

As aulas acontecem na Sala Adolfo Lona, na loja de Lourdes, uma das cinco da importadora em Belo Horizonte.

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SERVIÇO – CURSO DE INICIAÇÃO AO MUNDO DO VINHO – JUNHO

Datas:1º de junho (9h às 19h)

3, 4 e 5 de junho (19h às 22h)

Local: Casa Rio Verde – Praça Marília de Dirceu, 104 – Lourdes – BH

Valor do investimento: R$ 299 por pessoa (capacidade 18 pessoas) – sócios do VinhoClube da Casa Rio Verde pagam R$209,30.

Inscrições/informações: https://www.casarioverde.com.br/vinhos/cursos

Telefone: 31-3116-2300

O tal gosto metálico

“Mme. C”, minha esposa, participa de uma confraria feminina, cujo objetivo é celebrar alguma data importante, como um aniversário. Mensalmente há uma reunião e o grupo é muito ativo, escolhendo lugares diversos para seus encontros. Nem todas são enófilas e degustar um vinho não é uma obrigação.

Num último encontro, quando foram conhecer um novo e simpático restaurante carioca, com foco em coisas do mar, ocorreu um interessante episódio que serve de pano de fundo desta coluna.

Para desfrutar das delícias que estavam no cardápio, optaram por pedir diversas entradas. Cada uma que chegava à mesa era provada, e quando não havia mais nada para beliscar, encomendavam uma nova opção.

Neste meio tempo, algumas comensais decidiram por uma garrafa de um bom tinto italiano, elaborado com a clássica Sangiovese.

Quase que simultaneamente, pedem um croquete de camarão ao aioli de limão, uma variante da maionese.

A combinação, pelo menos para o apurado paladar de “Mme. C”, resultou num desagradável sabor metálico.

O fato curioso se deu quando as amigas foram consultadas sobre este estranho retrogosto e nenhuma delas notou qualquer alteração de sabor…

A combinação de taninos, frutos do mar e molhos com base em limão sempre foi incompatível. Some-se a Sangiovese, reconhecidamente tânica, e o gosto metálico aprece com força total.

A explicação científica é bem simples: a proteína dos frutos do mar não reage bem com o tanino do vinho.

Nada que um pouco de água e pedaços de pão não possam resolver.

A discussão mais interessante fica por conta da não percepção do problema pelas amigas que desfrutavam das mesmas escolhas. Algumas explicações são possíveis.

Aqui vai uma pergunta bem ampla: Quantos sabores os leitores desta coluna conseguem identificar ao consumir um alimento ou bebida?

O sabor metálico está entre eles?

Se analisarmos com atenção, objetos metálicos não têm aroma ou sabor e não é algo que se consuma numa dieta regular. Então, como surge este sabor em questão?

Sem querer entrar em discussões científicas ou filosóficas, este sabor metálico existe por associação de ideias. Por exemplo, vamos ao dentista e reclamamos de um sabor anormal. Ele pergunta, “metálico”?

Pronto, foi feita a associação de ideias.

O mesmo pode ser dito para um outro gosto muito discutido entre enófilos, o sabor mineral. Acho que ninguém comeu pedra ou raspa de metal para comprovar que sabores são estes.

Muitas pessoas não têm um paladar mais desenvolvido e nem sempre são capazes de associar um determinado sabor fora da curva normal com alguma coisa, digamos, menos comum.

Em situações como esta, acham o sabor estranho ou desagradável, não lhe dando a mesma importância que um enófilo experimentado daria. Simples assim.

Vida que segue…

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um belo branco italiano de uma casta deliciosa.

Masso Antico Fiano di Salento 2017 – $

A casta Fiano é uma uva de alta qualidade usada extensivamente no sul da Itália. Usada principalmente como varietal, seus vinhos são cremosos, com toques amendoados.

Gastronômico, é excelente para acompanhar crustáceos grelhados, com molhos leves, ou com queijos frescos. Delicioso também como aperitivo.

Tecnologia, ética e integridade no vinho

Vários adjetivos definem o vinho, uma das bebidas alcoólicas mais antigas e com uma história que passa por Reis, Rainhas, aventureiros, guerras, religião e muitas outras situações.

Tão importante que uma boa parte de nossa evolução pode ser contada pela própria história dos vinhos.

Ao contrário de um famoso destilado, que tem sua qualidade intrinsecamente associada a um determinado país, vinhos são multinacionais. Não se pode afirmar, de forma leviana, que “vinho é francês”, por exemplo, quando sabemos que ali do lado existem vinhos iguais ou melhores. Estamos falando de Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, só para ficar nos mais evidentes.

A boa qualidade de um produtor é seu cartão de visita e mantê-la não é tarefa fácil. Por ser um produto que usa matéria-prima agrícola, vinificadores, em todo o mundo, estão sempre ao sabor do clima. Torcem por chuva e sol, dentro de parâmetros esperados e amplitude térmica que lhes permitam obter frutos perfeitamente maduros no período certo.

Não é simples enfrentar a natureza. Se nada der certo numa safra, o prejuízo é quase certo e poucos recursos existem na cantina.

O conhecimento e a tecnologia das técnicas modernas de vinificação ajudam a diminuir os efeitos de uma matéria-prima menos adequada, mas ainda não resolvem o principal problema: como produzir um vinho icônico se as uvas não correspondem?

Produtores íntegros simplesmente não entregam aquele vinho em determinadas safras. Existem inúmeros exemplos e alguns rótulos usam este fato como um grande aliado no seu marketing, algo como “só é produzido em anos excepcionais’.

Vejam a produção do famoso Barca Velha, o mais afamado vinho de Portugal: em 60 anos, desde sua primeira vinificação em 1952, apenas 18 safras foram vendidas ao público. A mais recente é a de 2008.

Apenas para registro histórico, aqui estão elas: 1952, 1953, 1954, 1957, 1964, 1965, 1966, 1978, 1981, 1982, 1983, 1985, 1991, 1995, 1999, 2000, 2004 e 2008.

Infelizmente, a busca por um lucro fácil e a falta de ética levam alguns vinhateiros a usar de todo e qualquer recurso disponível para colocar sua safra no mercado.

O mais antigo deles e muito regulado em todos os países produtores, é adicionar açúcar ao mosto em fermentação para se obter um maior teor alcoólico. Isto é chamado de chaptalização.

Se faltou cor, que tal adicionar um corante como o Mega Purple? Leia esta matéria que publicamos em 2013 – A Poção Mágica.

Quer dar uma amadeirada no sabor, adicione alguns cavacos de carvalho no tanque de decantação ou, mais simples ainda, um pouco de extrato de carvalho.

Existem aditivos químicos para tudo.

O ponto culminante da tecnologia foi a criação de uma vinícola que produziria um vinho 100% sintético, a Ava Winery. Tentou realizar o famoso milagre de transformar água em vinho. Conseguiu, mas em tubos de ensaio, apenas. Atualmente mudou o nome para Endless West e se dedica a produzir destilados sintéticos…

Para completar este quadro, as parcas informações contidas num rótulo não ajudam, em nada, para descobrirmos estas fraudes. Aliás, este tema é tabu entre todos os produtores, dando uma pista que, no final das contas, ninguém é santo neste ramo.

A própria tecnologia que pode ser vista como um inimigo, pode estar do nosso lado, também. Equipamentos laboratoriais de alta qualidade permitem uma rápida e precisa análise química do conteúdo de uma garrafa. A era da informação quase instantânea que estamos vivendo, outro avanço tecnológico, impede que estes resultados sejam mantidos obscuros ou incessíveis.

Vinho de qualidade é íntegro.

Basta saber onde procurar.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um bom espanhol, muito bem vinificado.

Celler Masroig Solà Fred 2014

Elaborado com 100% da poderosa Cariñena ou Carignan, dentro da denominação DO Montsant, do Priorato, onde é conhecida como Samsó. É um vinho de cor vermelho rubi intenso e luminoso, com reflexos violáceos.

Aromas com intensos frutados de ameixa e notas de rosas, bordejados por discreto defumado. A boca é sedosa, com taninos maduros, bastante fruta, bom corpo e boa permanência.

Um vinho fácil e delicioso que acompanha muito bem arroz de cogumelos ou queijos curados.

Guia Peñin: 88 pontos,

Dia das mães, presente: um vinho!

Se ainda não presenteou sua mãe com um vinho, inove!

E se o problema é saber qual é o vinho ideal para presentear, então temos a solução!

Um dado histórico indica que o paladar feminino é facilmente seduzido por vinhos mais doces. Neste caso, existem múltiplas possibilidades.

Começamos pelos vinhos generosos, categoria muito bem representada pelos vinhos do Porto, Madeira e Xerez. Mas existe um concorrente que, quase sempre, passa despercebido, o Moscatel de Setubal.

Sucesso garantido.

Este, da Bacalhoa Vinhos, tem uma ótima relação preço x qualidade e pode ser encontrado facilmente.

Se a progenitora é do tipo formiguinha, também podemos presenteá-la de acordo: existem ótimos vinhos do tipo Colheita Tardia à venda nas principais lojas e mercados.

Os sul-americanos, chilenos e argentinos se destacam. Não precisamos gastar uma fortuna com um delicioso, mas absurdamente caro, Sauternes.

Podemos satisfazer o paladar materno com um bom tinto ou branco que ficam no limite entre o vinho seco e o vinho doce. Aqui no Brasil adotam a classificação “meio seco” (demi sec). Mais algumas sugestões:

Vinhos da África do Sul a partir da casta Pinotage;

Norte-americanos elaborados com Zinfandel ou seu congênere da Itália, os Primitivos;

Algumas vinificações da Cabernet Franc na Argentina e no Chile se enquadram nesta classificação e são deliciosos. Procure no contrarrótulo.

Entre os brancos tranquilos, nesta categoria, os vinhos alemães são a referência. Procurem pelos predicados Kabinett ou Spatlese.

Castas portugueses e espanholas, menos conhecidas, também produzem bons vinhos com estas características. Duas boas opções são as uvas Macabeu ou Verdejo. Escolham vinhos com um açúcar residual de 0,4 g/l ou maior.

Se nada disto faz a cabeça de quem lhe colocou no mundo, tente um espumante, não há quem não resista, a menos que seja abstêmia. Franceses, italianos, espanhóis, portugueses ou os ótimos nacionais. É acertar na mosca!

Mas existem mães muito especiais, gastrônomas de primeira linha, tão boas de garfo quanto de copo.

Estas são as mais fáceis de presentear, mas não pise na bola comprando um vinho barato, a dor de cabeça pode ser maior que a esperada…

Isto lembra a minha família e o meu DNA com os vinhos. Hoje estou convencido que a minha predileção por bons espumantes veio do lado materno. Minha mãe adora um bom Champagne.

Por outro lado, há um vinho que sempre me marcou, o preferido de minha avó materna, a quem nunca conheci: Chassagne-Montrachet.

Esta é uma das mais importantes denominações da Borgonha, elaborado em branco com a casta Chardonnay e em tinto com Pinot Noir, o preferido da vovó.

Uma garrafa como a que ilustra este parágrafo, um Luis Latour, custa uma pequena fortuna aqui no nosso hipotético país. No exterior é possível adquirir uma na palatável faixa dos US$ 50.00.

Agora vocês já sabem as minhas castas prediletas: Borgonha na veia…

Um bom dia das mães para todos e sucesso na escolha do presente.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: Precisa?

Organizando uma degustação em casa

O verão já se foi, estamos em pleno outono e o inverno começa no dia 21/06/2019. É chegada a hora de limpar as taças, reabastecer a adega, escolher alguns petiscos e chamar os amigos para desfrutar as suas mais recentes descobertas vínicas.

Para sair do batido queijos e vinhos, que tal darmos uma reviravolta nas suas reuniões habituais transformando isto tudo numa degustação, às cegas, com alguns requintes bem profissionais?

Um bom planejamento é a chave do sucesso, e não é nada complicado.

1 – O objetivo.

Em vez de tentar descobrir quem é quem, o propósito desta degustação é escolher o melhor vinho, aquele que caiu no gosto da maioria.

Cada participante vai receber material para anotar suas preferências. Mais tarde os pontos dados por cada um serão apurados e um vinho será declarado vencedor.

Em paralelo, e para aumentar a cumplicidade dos convidados, pode-se fazer um bolão de apostas com direito a um brinde ou a responsabilidade de organizar a próxima reunião. As possibilidades são infinitas.

2 – Os vinhos.

O objetivo é diversão. Sendo assim, comecem com vinhos varietais. Procure os mais conhecidos, nada de obscuros rótulos do “Pingaquistão”, que só você conhece.

Simplifique nos primeiros encontros até a sua turma entender o objetivo e, só então, aumente o grau de dificuldade. Um bom ponto de partida são comparações duplas, dois vinhos, apenas, por categoria.

Por exemplo:

– Cabernet do Velho Mundo e do Novo Mundo;

– Sauvignon Blanc da Nova Zelândia e outro francês ou chileno.

3 – As taças e o serviço.

A taça ideal seria a do tipo ISO, mas não é obrigatório. Como a quantidade de líquido, em cada prova, será de 40 ml por pessoa, usar taças muito grandes não é adequado. Prefira, neste caso, as taças indicadas para o vinho branco.

Tenham, pelo menos, duas taças por participante. O ideal é uma taça para cada tipo de vinho.

1 garrafa deverá servir de 18 a 20 provas. Obviamente, cada um pode repetir a dose, isto não é uma degustação profissional.

4 – Escondendo o vinho.

Um pouco de mistério é sempre bom, por esta razão a brincadeira fica muito mais interessante se ninguém souber o que está sendo servido (exceto o anfitrião).

Várias técnicas podem ser usadas. A mais comum é colocar as garrafas dentro de sacos opacos de pano ou papel, identificados, apenas com um número ou letra.

Outra opção, do tipo bom e barato e muito usada em degustações profissionais, é enrolar as garrafas em papel alumínio.

Lembrem-se que “o ambiente sempre traz informações importantes”. Para manter a disputa justa, procurem esconder ao máximo tanto o formato da garrafa como o seu gargalo. Só de observar estes dois elementos, a charada pode ser decifrada.

A nossa escolha, para este tipo de degustação, é eliminar totalmente as garrafas, vertendo o vinho em decantadores iguais, identificados de alguma forma. Temos a vantagem de deixar a cor do vinho exposta para todos. As garrafas só serão apresentadas ao final do evento.

5 – As anotações

Esta é a parte mais importante desta reunião e um pouco de organização vai contribuir muito para o sucesso. Uma padronização se faz necessária, inclusive para computar o resultado.

Nada de anotar gostei ou não gostei e esperar alguma conclusão útil. Vamos profissionalizar a coisa, só um pouquinho. Além de lápis, caneta e uma calculadora, vamos usar uma ficha de degustação.

Neste link, a seguir, está a planilha no padrão da OIV (Organização Internacional do Vinho), muito completa e fácil de preencher.

Clique aqui.

O modelo é este:

Imprima e faça tantas cópias quanto forem necessárias, multiplicando o número de vinhos pelo número de pessoas.

Para preencher adote a seguinte rotina:

Degustador – identificação de quem preencha a ficha;

Amostra – número ou letra que identifica o vinho a ser degustado;

Categoria – Branco, Tinto, Rosé, Espumante, Generoso, etc…

Para os critérios de avaliação, basta decidir, em cada item, se você achou o vinho: excelente, muito bom, bom, satisfatório ou insatisfatório, de forma subjetiva, e assinalando o quadradinho específico. O número que está dentro de cada célula é a pontuação atribuída a cada qualidade e que deverá ser somado, totalizando o resultado.

As características a serem observadas são as clássicas: cor, aroma e sabores, com uma avaliação final, totalmente pessoal. Esta é a graça desta brincadeira.

Se acharem necessário, assinem e datem para comparações futuras.

Para descobrir qual vinho foi o mais aceito, basta totalizar os pontos de todas as fichas e declarar o vencedor apresentando as garrafas que ficaram escondidas.

6 – Os petiscos e outros materiais.

O primeiro item que é indispensável é água, seja mineral ou simplesmente potável. Em jarras ou garrafas, não muito gelada, e copos descartáveis para facilitar a arrumação depois da festa.

Baldes de descarte são um belo acessório. Podem ser de qualquer material, plástico, vidro ou metal. Lembrem-se de reciclá-los periodicamente.

Para ajudar na limpeza do paladar tenha sempre uma cesta de pão, fresco e macio.

Com todo este álcool sendo consumido, precisamos forrar o estômago. Eis algumas sugestões:

– Queijos duros e/ou macios;

– Frutas como maçã, uvas, pêssegos. Evite as mais cítricas. Frutas secas são ótimas também;

– Frios e patês;

– Pipoca, castanhas, nozes, amêndoas e similares.

– Vegetais cortados em tiras (Julienne), como cenoura, pimentão, pepino (com casca), rabanetes, salsão;

Para completar o quadro, pode ser oferecido um prato quente, leve, apenas para recuperar as energias. Uma massa é sempre apreciada.

Estão esperando o quê?

Saúde e bons vinhos!

Vinho da semana: dentro do espírito desta coluna, a casta Syrah é uma das melhores para fazer degustações. Os varietais australianos são referência neste assunto.

Yarran Shiraz 2016

Cor vermelho-rubi profundo e opaco. Aromas com notas de ameixas pretas, café expresso, canela, lácteos e de violetas.

Na boca é um vinho tipicamente australiano, concentrado, rico e suculento e bem estruturado.

Acompanhe com um cozido suculento ou um assado de vitela com cogumelos.

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