Categoria: O mundo dos vinhos (Page 59 of 84)

Vinhos para o Carnaval

Este é o território das “louras suadas” e para invadi-lo é necessária uma boa dose de ousadia e muita paixão pela nossa bebida favorita.

A boa notícia é que já existem opções, nacionais e importadas, pensadas para enfrentar, em iguais condições, o domínio das Pilsen, Ale, Lager…

Em termos de variedade, o mundo do vinho tem tantas possibilidades quanto o universo cervejeiro. A propósito, alguns Filólogos advogam que o vinho nada mais é que uma cerveja de uva. Se pedirmos auxílio a Antropologia, fica claro que grãos fermentaram antes de uvas, colocando a “cerva”, talvez, como a mais antiga bebida fermentada.

A primeira possibilidade que vem à mente são os Espumantes. O aspecto é bastante semelhante, mas difere em termos de sabor e de efeitos colaterais: é bem mais alcoólico.

Brancos tranquilos como Chardonnay, Sauvignon Blanc ou Torrontés, vinhos facilmente encontrados em nosso território, podem desempenhar o papel de animador de blocos ou bailes sem fazer feio a nenhuma outra bebida.

Mas o nosso destaque vai para os rosados, sejam espumantes ou não. Nada combina mais com os festejos de momo do que uma taça com um bonito vinho rosé.

Por outro lado: “Huston, we have a problem”!

A célebre frase dos astronautas da Apollo 13 cabe perfeitamente aqui: garrafas de vidro, saca rolhas e taças de cristal são totalmente incompatíveis com manifestações populares e expressamente proibidas em bailes carnavalescos.

Entretanto, uma outra frase vem nos socorrer, desta vez bem nacional, de autoria de D. Pedro de Alcântara:

“Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação…”

Onde acrescentamos: “já existe vinho em lata, nacional e importado”.

Beleza!

A vinícola Giaretta, sediada em Guaporé, RS, produz três espumantes, nesta embalagem, com o sugestivo nome de OVNIH, um anagrama da palavra vinho, ou Objeto Vinífero Não Identificado.

O refrescante trio é composto por um espumante branco e outro rosado, ambos brut e um demi-sec elaborado com Moscatel. Dentro de uma faixa de preço compatível com o bolso de qualquer folião, tem tudo para se tornar uma nova mania.

Para saber mais, clique aqui: OVNIH

Com o divertido slogan “Mais vinhos, menos regras”, uma das pioneiras do vinho em lata, a australiana Barokes Wines, trouxe para o Brasil uma coleção de latinhas vínicas.

A coleção completa é composta de quatro espumantes e dois vinhos tranquilos:

– Espumante tinto brut (Cabernet, Shiraz e Merlot);

– Espumante rosado brut;

– Espumante branco brut (Chardonnay, Semillon);

– Espumante demi-sec Moscatel;

– Corte tinto de Cabernet, Shiraz e Merlot;

– Corte branco de Chardonnay e Semillon.

O preço também é acessível.

Para saber mais, clique aqui: BAROKES

Com relação à qualidade, ambos os produtos são corretos e dentro do esperado. São vinhos divertidos e refrescantes. Boa pedida para o carnaval.

Evoé!

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: para a turma do sofá e ar refrigerado, que prefere ficar assistindo o carnaval pela TV, temos esta deliciosa opção.

BRISE MARINE ROSE MEDITERRANEE

Um vinho frutado, leve, fresco e fácil de beber e com uma linda tonalidade rosada. Simplesmente delicioso.

Vai bem com: Peixe frito, Salames mais salgados, Torta salgada de cebola e enchovas, Salmonete, Bruschetas, Crostines e Canapés, Embutidos e Frios, Pão ou Torrada com Pastas Diversas, Salada de Legumes e Salgadinhos.

Compre aqui: Casa Rio Verde



Port. 18/19 – Caminhos Cruzados e o Bacalhau de D. Lourdes

A nossa derradeira visita a uma região vinícola de Portugal, nesta viagem, foi no Dão, a primeira região demarcada para vinhos não licorosos, naquele país. Isto foi em 1908, e a qualidade de seus vinhos fez com que esta região fosse apelidada de “Borgonha portuguesa”.

Bons tempos!

Os vinhos do Dão eram famosos no Brasil. Presentes em lojas e mercados, embalou muitos encontros românticos, há algumas décadas, e abriu os caminhos do mundo do vinho para inúmeros enófilos de hoje.

Por esta mesma razão, caiu em desgraça. A busca por lucro fácil trouxe, como consequência direta, vinhos de baixíssima qualidade. Engarrafavam qualquer coisa e rotulavam como ‘Dão’. Era mais falsificado do que Whisky escocês…

Felizmente uma nova geração de produtores resolveu atacar o problema e colocar estes vinhos de volta ao patamar de qualidade de onde nunca deveriam ter saído.

A vinícola Caminhos Cruzados é um ótimo exemplo de como isto está sendo feito. Paulo Santos e sua filha Lígia começaram recuperando as vinhas da Quinta da Teixuga e inauguraram, em 2017, a Adega Caminhos Cruzados, dentro dos conceitos mais atuais, com capacidade de produção de 400.000 litros.

Agendamos nossa visita com alguma antecedência. Sempre perguntamos sobra a possibilidade de um almoço harmonizado. Desta vez, Sofia Mesquita, a encarregada do setor de Enoturismo e nossa guia no dia da vista, nos sugeriu o programa “Da Vinha ao Vinho”:

Atividade enogastronómica composta pela visita à adega/quinta seguida de almoço vínico. As provas são acompanhadas através da perfeita harmonização com a gastronomia local, num casamento perfeito.

A visita começa com um pouco da história, parte em vídeo, parte em ótimas explicações. Ainda não está completamente consolidado o entendimento dos diversos nomes e marcas que giram no universo desta empresa.

Em Portugal, uma Quinta é, quase sempre, a produtora do vinhos e nome de seu principal produto. Aqui decidiram um pouco diferente. A Quinta da Teixuga é a produtora da maior parte das uvas, que serão vinificadas na adega Caminhos Cruzados. A principal marca dos vinhos se chama Titular. Para não romper totalmente com as tradições, eventualmente vinificam um Quinta da Teixuga, em edições comemorativas.

As fotos, a seguir, mostram como foi este passeio.

Algumas surpresas nos aguardavam, a principal delas o Bacalhau, encomendado a uma excelente cozinheira da região, a D. Lourdes (não existe um restaurante na adega): uma perfeição!

Aqui estão os vinhos degustados:

Titular Colheita Branco DOP – elaborado com Encruzado, Malvasia Fina e Bical. Um delicioso branco que harmonizou com o bacalhau;

Titular Encruzado/Malvasia Fina DOP – um vinho mais complexo e mineral. Demandou algum tempo para apreciar todas as suas nuances.

Titular Touriga Nacional 2013 – foi servido para acompanhar uma deliciosa mousse de chocolate amargo. No primeiro momento ficamos sem entender nada, mais tradições e mitos rompidos. Provada esta inesperada combinação, descobrimos um novo mundo de sabores. Espetacular! Foi o vinho que comprei!

Titular, edição sem nome 2015, tinto – outro vinho excelente. Co-fermentação de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro Preto. Uma vinificação comemorativa, muito interessante, que buscava evidenciar as principais características de cada casta. Muito bom.

Descarada 2017 – um vinho de sobremesa elaborado a partir de Semillon e Chardonnay. Por conta do excessivo calor daquele ano, estas uvas quase passaram do ponto e tiveram que ser colhidas precocemente. Devido à sua alta acidez, mesclou muito bem com os teores de açúcar das uvas, resultando num delicioso doce precoce. Segundo eles, um “descaramento”.

O delicioso prato de bacalhau, ao forno, era muito simples, na verdade. Lombos perfeitamente dessalgados, dispostos em camadas entremeados com grelos/couves e gratinado com uma camada de farinha de rosca. Tudo regado a azeite de verdade, da melhor qualidade.

Saúde e bons vinhos, como estes!

Para visitar:

Sofia Mesquita
Gestão Dep. Enoturismo / Exportação

Quinta da Teixuga, Rua de Carvalhal nº50
3520 – 011 Algerás – Nelas
T/F +351 232 940 195 / +351 918 652 176
[email protected] / [email protected]
www.caminhoscruzados.net

Port. 18/19 – Visita a Adega Luis Pato

Adoraria colocar a seguinte legenda nesta foto: “Dois ícones do vinho”.

A galera certamente iria se manifestar: “menos, menos”!

Quem está comigo é o Mr. Baga, o Rebelde, ou simplesmente, Luis Pato, um dos nomes mais respeitados no mundo do vinho. É um daqueles gênios que domou uvas consideradas impossíveis de serem vinificadas e faz maravilhas com o que tem nas mãos.

Curiosamente, sua formação não é em Enologia, graduou-se em Engenharia Química. Munido de muita paciência e de uma simpatia cativante, correu o mundo com seus vinhos, promovendo degustações para Sommeliers, importadores e distribuidores.

Não foi uma tarefa fácil, seus vinhos têm muita personalidade devido às características de solo e clima em Óis do Bairro. Uvas brancas com alto teor de acidez, perfeitas para a produção de espumantes e a famosa e indisciplinada Baga, tão temperamental quanto a francesa Pinot Noir ou a italiana Nebbiolo. Seus vinhos levam muito tempo para “ficarem prontos”, 20 anos ou mais…

A família Pato está totalmente envolvida na história dos vinhos portugueses. Seu tio-avô, Mario Pato, foi um dos primeiros Enólogos que se dedicou a ensinar vinificação em Portugal. Nas veias desta turma corre vinho…

São 55 hectares de variedades portuguesas, algumas com mais de 100 anos: Baga, Touriga Nacional, Maria Gomes, Bical, Cercial e Sercialinho.

A visita é muito simples: um pouco da história familiar, um recorrido das instalações e, o ponto alto, a degustação de 9 vinhos, todos espetaculares.

Eis a relação do que foi provado:

Espumante Maria Gomes;
Espumante Informal (Baga);
Espumante Vinha Pan (Baga);
Branco Vinhas Velhas;
Branco Vinha Formal;
Tinto Vinha Velhas;
Tinto Vinha Pan 2013 (100% Baga);
Quinta do Moinho 2013 (100% Baga);
Abafado Molecular (doce).

Isto foi uma pequena amostra do que é produzido naquela casa. Alguns de seus vinhos nos fazem supor que há um uma boa dose de magia nisto tudo, como o doce Abafado Molecular, obtido não por colheita tardia ou passificação (apassimento), mas simplesmente a partir de colheita antecipada, seguida de concentração molecular e um pouco de criogenia.

Outro vinho que nos faz pensar é o Fernão Pires, elaborado para homenagear seu neto: um tinto desta casta branca cortada com Baga. Para completar o quadro dos vinhos fora de série, produz um Baga, com parreiras 100% em pé franco, sem enxerto, o Quinta do Ribeirinho. Simplesmente incomparável.

Decidi que compraria uma garrafa de Baga, mas aos 71 anos, esperar mais 20 para degustá-lo seria impensável. Exposto o meu argumento, o que gerou algumas risadas, me foi oferecido um Vinha Pan 2003, que aceitei prontamente.

Em 2023 conto como ele é.

Saúde e bons vinhos!

PS: de lá fomos provar o famoso Leitão da Bairrada, que fica ali pertinho. Harmoniza com espumantes. Mas esta é outra história.

Vinho, o Símbolo de Compartilhar

Vinho, mas pode me chamar de bebida dos Reis, dos Príncipes, dos dignatários do Clero ou Sangue de Jesus.

A ligação entre o vinho e a religião cristã, vem de longa data e tem uma razão muito específica e pouco conhecida: a pureza.

Vinho é uma bebida considerada pura. No processo de produção, a fase de fermentação elimina todas as impurezas que possam estar presentes no mosto. O resultado é um líquido limpo, imaculado, assim como o sangue de Cristo.

Devemos aos missionários religiosos a existência de videiras em diversos países do Novo Mundo que, atualmente, são grandes produtores de vinhos. No Velho Mundo, o hábito, comum desde a Idade Média, de oferecer um cálice de vinho a peregrinos, viajantes e enfermos se encarregou de disseminar a cultura da videira por todos os cantos.

O vinho se torna um símbolo de saúde e alegria, um bom remédio para o corpo e o espírito. Isto nos leva a mais importante episódio bíblico, a Santa Ceia.

Ali se compartilhou tudo e a cena ficou gravada, para sempre, na fé de cada um. Celebra-se não a morte de Jesus, mas sua vida, eterna.

A Ceia de Natal está ligada a esta representação. Comemoramos o nascimento de Jesus, uma nova vida. Brindamos, com vinho, para lembrar sua pureza. Presenteamos os amigos numa clara referência aos Reis Magos e à divisão do pão na última ceia.

Nesta data, reunimos amigos e familiares para dividir, compartilhar, realizar, rir e chorar.

O vinho representa tudo isto!

A partir da próxima semana começo uma nova série na nossa coluna semanal. Convidei alguns Chefs de Cozinha e outros tantos Cozinheiros Amadores, para dividirem este espaço comigo e com os leitores. (nem todos atenderam ao meu convite…)

Originalmente pensamos num tema mais natalino. Por diversas razões, não foi uma cláusula pétrea. Mas não há nenhuma dúvida que qualquer das receitas apresentadas será um sucesso nas reuniões de fim de ano.

A mim caberá indicar os vinhos para acompanhar estas saborosas refeições. Portanto, o tradicional “Vinho da Semana” entra de férias.

Estarei viajando até meados de janeiro de 2019. Talvez a resposta a comentários e e-mails levem um pouco mais de tempo.

Feliz Natal e um maravilhoso 2019, cheio de novas esperanças!

Vinho da Semana: um tinto, italiano, da casta Sangiovese, que significa Sangue de Jesus. Nada melhor para celebrar.

Morellino di Scansano Terenzi DOCG Sangiovese 2013 – $$$

Esta denominação engloba os vinhos obtidos com a icônica casta Sangiovese fora da área demarcada do Chianti. São vinhos fabulosos, embora menos conhecidos.

Destaca-se pelas notas de frutas vermelhas e violetas combinadas a especiarias. Em boca é um vinho tinto fresco e fácil de beber, com taninos equilibrados.

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Recuperando um vinho ruim

Em algum momento de nossa relação com os vinhos vamos passar por esta situação, abre-se uma garrafa e ela não corresponde a nenhuma das nossas expectativas.

Dois problemas muito comuns, excesso de taninos ou de doçura, podem ser contornados com alguns truques. O mais simples é baixar a temperatura: o frio inibe as nossas papilas gustativas e não seremos capazes de perceber o que estaria ruim.

Outro truque de algibeira é transformar este vinho numa Sangria (tintos) ou num Clericot (brancos).  Uma alternativa, muito simples, consiste em misturar com água gasosa ou um refrigerante cítrico, servindo em copos com muito gelo e uma rodela de limão para decorar. Gotas de ‘bitter’ e casquinhas de frutas cítricas também ajudam.

Se o problema forem os aromas muito pronunciados ou desagradáveis, tentem uma aeração longa. Neste caso, não usem um aerador, prefiram a velha e boa garrafa decantadora. Sejam muito cuidadosos no momento de verter o líquido, interrompendo ao menor vislumbre de partículas sólidas em suspensão.

Quanto mais tempo ficar aerando maiores as chances de recuperação. Mantenham o decantador sempre apoiado numa superfície plana. Segurem pelo gargalo e façam suaves movimentos circulares. O importante é agitar levemente o vinho. Pode levar de uma ou duas horas até um dia inteiro. Paciência…

Vinhos sem graça, que ao serem degustados não nos dizem nada, podem ser instantaneamente melhorados se forem acompanhados de petiscos mais salgados. Um truque que funciona como o oposto de congelar a bebida. Neste caso, o papel do sal é ativar as papilas.

Nesta mesma linha, aqueles vinhos secos que sob condições normais nos parecem muito doces, devem ser acompanhados de alimentos mais picantes: tudo tende a se equilibrar.

Se nenhum destes truques funcionar, só nos resta tentar usar este vinho para transformá-lo em vinagre, o que demanda equipamento, técnica e um “vinagre mãe”.

Outra opção seria usá-lo para alguma receita culinária, doce ou salgada. Isto vai exigir um pouco mais de cuidado na preparação para não ter surpresas no final.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um Sauvignon Blanc do Chile.

Torreón de Paredes Sauvignon Blanc Reserva Privada 2016

Típica coloração verde pálido brilhante. No nariz, encontramos aromas intensos e expressivos com notas cítricas de limão e maracujá. Paladar fresco com minerais elegantes, vibrante acidez e com final cítrico suave.

Harmonização: Peixes e frutos do mar, Paella, Culinária Oriental, queijos de cabra.

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