Categoria: O mundo dos vinhos (Page 79 of 84)

Vinhos e Vitórias Esportivas

Continuamos no espírito olímpico, desta vez propondo uma harmonização bem diferente: que vinho vamos degustar para celebrar as vitórias nas diversas modalidades olímpicas?

Imagens dos vencedores jorrando Champanhe nos espectadores é muito comum nos circuitos de Fórmula 1 e tudo sugere ser uma antiga tradição.

Mas não é bem assim, o espumante sempre esteve presente nos pódios, mas não era jogada em ninguém. Tudo começou com um “acidente de percurso” em 1966, no circuito de Le Mans. O piloto Jo Siffert, sem se dar conta que uma garrafa de garrafa de champanhe que lhe fora entregue estava no sol por algumas horas, aumentado a pressão, resolveu dar um gole. Ao tirar a rolha foi vinho para todo o lado.

No ano seguinte foi a vez de Dan Gurney repetir a proeza, desta vez deliberadamente. Nascia a tradição.

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No outro extremo deste tipo de celebração vamos encontrar uma curiosa tradição das famosas 500 milhas de Indianápolis: o vencedor deve beber, pelo menos, um gole de leite, o mais famoso produto daquela região. Nosso grande piloto Emerson Fittipaldi protagonizou um engraçado episódio ao beber suco de laranja, que era um dos seus patrocínios, em lugar do leite.

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Pensando nisto, por que não haveria um tipo de vinho correto para celebrar as vitórias em cada modalidade esportiva?

Futebol

Sem dúvida o mais popular dos esportes entre os brasileiros. A origem inglesa não nos ajuda em nada. Nos estádios a comida tipo snack food também não é o caminho, aliás, a cerveja seria a preferência do torcedor.

Precisamos de um vinho com muita personalidade e boa relação custo-benefício. Um bom branco madeirado é uma alternativa a ser considerada, principalmente pelo nosso clima tropical.

Mas, pensando bem, por que não um vinho italiano onde o futebol é tão popular quanto aqui e, para melhorar as coisas, não aceitam o anglicismo e o chamam de Calcio? (Aqui seria Ludopédio…)

Sugiro um bom Chianti, para bebericar antes, durante e depois de uma partida, mesmo que o nosso time não vença.

Volley

O segundo esporte em popularidade. Nossas seleções, masculina e feminina, mudaram a forma de jogar no mundo inteiro. Nunca vou esquecer um jogo exibição entre Brasil e Rússia, no Maracanã original, debaixo de chuva. Como a quadra estava encharcada, Viacheslaz Platanov, técnico russo, teve a ideia de pegar os tapetes que iam do vestiário até a quadra para forrar a quadra e continuar a partida. Uma fita de esparadrapo larga foi usada para fazer a marcação da linha dos 3 metros e do fundo da quadra. Além disso, sempre que a quadra ficava molhada, os jogadores enxugavam o chão com as próprias toalhas. Entrou para a história não só como um grande jogo, mas por ser, naquela época, o maior público presente: quase 96 mil pagantes. (3 x 1 Brasil)

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Para celebrar isto tudo só um vinho bem versátil, com muita acidez refrescante e sobretudo com um bonito visual. Um branco leve ou um Rosé seria perfeito. Para o Vôlei de praia um espumante rosé. Imbatíveis, assim como os nossos jogadores.

Vela

Um dos esportes que mais medalhas trouxe para o Brasil. Sofisticado, exige equipamentos caros e complexos, além de muito preparo físico. Pena que o Rolls-Royce da vela, a elegante classe Star foi substituída, deixando o nosso Torben Grael, o Turbina, na saudade. (Por que ninguém lembra dos proeiros? Marcelo Ferreira é o nome dele)

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O vinho tem que ser nesta mesma linha, sofisticado e caro. Como é um esporte aquático, fico com um leve e bom Pinot da Borgonha.

Tênis

Um esporte de elite que ficou muito popular graças ao nosso Guga, com seu sorriso de garoto e eterno brincalhão. Mas um dos mais respeitados tenistas do mundo. Roland Garros, um quintal de casa para ele, é um dos templos deste esporte, junto com Wimbledon.

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Já imaginaram este troféu cheio de vinho. Um branco sem dúvida. Desta vez um Pouilly-Fumé, um saboroso Sauvignon Blanc da classuda Bordeaux.

Agora é a vez dos leitores.

Outros esportes foram destaques olímpicos para o Brasil: Natação, Ginástica, Judô, Basquete e Atletismo são alguns deles.

Como vamos celebrar?

Saúde e bons vinhos

Vinho da Semana: um tiro certeiro, clássico de Portugal.

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O célebre Porta dos Cavaleiros possui uma legião de admiradores em Portugal. O estilo é dos grandes tintos de antigamente, com boa estrutura e um ótimo toque terroso.

Harmoniza com esportes como Boxe, Luta Greco-Romana, etc.

 

Brindando

Desejar a boa saúde de alguém ao se beber o primeiro gole de um vinho ou outra bebida alcoólica é uma tradição muito antiga. Existem diversas narrativas relatando a possível origem do ato de brindar. Mas nem todas são verdadeiras.

Uma das mais populares é a que explica o ato físico de bater as taças de modo que o conteúdo de uma se mistura ao da outra. Desta forma, se uma das taças estivesse envenenada, anfitrião e convidado não sobreviveriam. Logicamente se infere que, neste ato, está o desejo que ambos tenham vida longa ou simplesmente, saúde!

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Uma lenda plausível, mas longe da verdade. Historiadores renomados já demonstraram que tradicionalmente o brinde é feito em honra de alguém. Uma das versões mais aceita vem da Grécia antiga: durante suas famosas celebrações, parte da bebida era derramada em homenagem aos Deuses de então. Curiosamente este é um hábito bem comum no Brasil ao se beber a tradicional pinga: o “Santo” sempre ganha o gole dele.

Homenagear o anfitrião ou aquele que provê a bebida foi o próximo passo. Brindava-se à sua saúde e para que sempre mantivesse a boa vontade de convidar seus amigos para desfrutar um bom vinho ou outra bebida.

Para conhecer mais sobre este hábito, convido os leitores para um pequeno passeio sobre as diferentes expressões usadas para brindar em vários países. Uma boa pedida neste momento olímpico. Quem sabe não brindaremos com um novo amigo estrangeiro?

Começamos pela Grécia. A palavra mais usada é YΓΕΙΑ (yamas) que é pronunciada assim (clique no link):

http://pt.forvo.com/search/%CE%A5%CE%93%CE%95%CE%99%CE%91/el/

Significa saúde.

Os franceses usam indistintamente “Santé” (saúde) ou dizem “A la votre”, que é o mesmo que usamos no Brasil: “à sua”, respondido com “a nossa”. Eis as pronúncias:

Santé – http://pt.forvo.com/search/sant%c3%a9/

A la votre – http://pt.forvo.com/search/%c3%80%20la%20v%c3%b4tre/

Na Itália o brinde é feito com “Salute”

http://pt.forvo.com/search/Salute/

Nos países de língua espanhola há uma quase unanimidade em torno de “Salud”, inclusive na Galícia. Catalões usam “Salut” e os Bascos preferem “Topa”, que significa brinde. As pronúncias estão nestes links:

Salud – http://pt.forvo.com/search/salud/

Salut – http://pt.forvo.com/search/salut/ca/

Topa – http://pt.forvo.com/search/topa/eu/

Na Inglaterra e EUA o ato de brindar é chamado de “Toast”, que traduzido literalmente significa “torrada”. Vem de um costume muito antigo, quando o vinho ainda era uma bebida feita sem muito cuidado. Colocava-se um pedaço de pão torrado dentro da taça para melhorá-lo e ter alguma coisa para comer, também.

As expressões mais usadas são “Cheers”, uma gíria para “obrigado” que é usada também como despedida (adeus), e “Bottoms up” ou “fundos para cima” que tem uma explicação muito interessante.

Os primeiros copos não tinham fundos planos e não podiam ser colocados cheios sobre qualquer apoio, o líquido derramava. Para descansar a taça, era necessário tomar todo o conteúdo e emborcá-la na mesa, com o fundo para cima. Era considerado, inclusive, um ato de elegância, mostrando ao anfitrião que a bebida era boa!

Pronúncias:

Cheers – http://pt.forvo.com/search/cheers/

Bottoms up – http://pt.forvo.com/word/bottoms_up%21/#en

“Prost” é a saudação popular dos alemães. Veio do Latim, “prosit”, significando “beneficente”, por extensão “à sua saúde”. Outra expressão muito usada é “Zum wohl”, uma forma ampla de brindar e desejar boas coisas a todos. Eis os links:

Prost – http://pt.forvo.com/search/prost/de/

Zum whol – http://pt.forvo.com/search/Zum%20Wohl!/

Há quem faça uma distinção: usam Prost para cerveja e Zum whol para o vinho…

Países escandinavos usam “Skål” com pequenas variações. O significado varia entre saúde, honra, felicidade e até “bebam tudo”.

Neste link as pronúncias em sueco, dinamarquês e norueguês:

http://pt.forvo.com/search/skal/sv/

Islândia (feroês) – http://pt.forvo.com/search/Sk%C3%A1l%21/fo/

Na Finlândia é assim: Kippis ou alegria, boa saúde.

http://pt.forvo.com/search/Kippis/

Outra expressão muito conhecida é a usada por países como Eslovênia, Rússia, Polônia, entre outros: “Na zdrowie” (com variações de grafia e pronúncia). Brindam a boa saúde ou pode ser interpretado como uma benção.

Para não falar errado:

Polonês – http://pt.forvo.com/word/na_zdrowie/#pl

Russo – http://pt.forvo.com/word/%D0%BD%D0%B0_%D0%B7%D0%B4%D0%BE%D1%80%D0%BE%D0%B2%D1%8C%D0%B5/#ru

Os árabes usam “Fe sahetek” ou boa sorte (não são muito de beber). Em Israel a mais popular é “L’chaim”, mas usam “Mazel tov”, também, para desejar sucesso ou boa saúde.

Árabico (procurem por semelhança) – http://pt.forvo.com/search/%d9%81%d9%89%20%d8%b5%d8%ad%d8%aa%d9%83/

L´chaim – http://pt.forvo.com/search/L’chaim/

Mazel Tov – http://pt.forvo.com/search/mazel%20tov/yi/

Para encerrar os países orientais.

A saudação japonesa é muito conhecida, “Kampai”, que pode ser traduzido e adaptado para “esvaziem seus copos”.

http://pt.forvo.com/search/kampai/

Os chineses preferem usar “gan bei”, com o mesmo significado.

http://pt.forvo.com/search/g%C4%81n%20b%C4%93i/zh/

Na Coreia é assim que brindam:

http://pt.forvo.com/search/%ea%b1%b4%eb%b0%b0/

Para aqueles leitores com curiosidade infinita, neste link em inglês estão diversas outras saudações:

http://www.omniglot.com/language/phrases/cheers.htm

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: para brindar em qualquer idioma. “Mabuhay!”

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Frutas vermelhas frescas, notas defumadas e toques de especiarias doces. Corpo médio, com taninos finos e acidez equilibrada. Seu final de boca é frutado, elegante e agradável.

Harmoniza com carnes vermelhas grelhadas com molhos de média intensidade, preparações a base de carnes de porco, massas com molhos a base de ragu, queijos duros.

Podemos treinar o nosso paladar?

Textos sobre a relação dos nossos cinco sentidos com o vinho são frequentes na nossa coluninha, o paladar, junto com o olfato, são os mais significativos.

Na matéria intitulada “O que um Enófilo busca no vinho”, publicada em 27/05/2016 (http://www.oboletim.com.br/2016/05/27/o-que-um-enofilo-busca-no-vinho/) a leitora Cristina Cormack, de Goiânia, colocou algumas questões, respondidas nos comentários. Entre elas, esta que motivou a coluna de hoje:

“Existe uma técnica para treinar paladar e olfato”?

Não acho o termo “treinar” adequado para o propósito de aprender a identificar sabores dos alimentos e bebidas, prefiro usar a palavra educar ou apurar.

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Curiosamente o nosso paladar já vem basicamente educado de fábrica.

Sabemos, desde muito jovens, perceber doce, amargo, salgado e azedo. Estamos preparados, inclusive, para identificar diferentes nuances ou intensidades destes sabores primários.

À medida que experimentamos novos alimentos, vamos criando uma biblioteca de sensações que vai, mas tarde, definir o que nos agrada ou não.

São combinações, em diferentes níveis, das quatro sensações definidas como originais de fábrica. Como tudo mais, existem pessoas que não são capazes de perceber todas estas coisas, são pontos fora da curva.

Imagine-se, por um momento, como Chefe de Cozinha de um renomado restaurante. Sua ferramenta mais importante é o paladar. Ao criar um prato, é preciso estar certo que há um equilíbrio entre tudo o que está ali: não pode estar muito salgado nem doce demais, picante na medida certa, untuoso sem ser enjoativo, nem demasiadamente úmido ou seco.

Tem que combinar tudo isto sozinho, confiando na sua “boca” e na sua biblioteca de aromas e sabores.

Numa escala proporcional, um Sommelier e um Enólogo passam pela mesma situação. O primeiro quando avalia um vinho a ser indicado ou servido para um cliente e ou segundo ao produzi-lo.

Para um Enófilo ou simples apreciador de um bom vinho as exigências são muito menores. A primeira sensação que devemos ter sempre presente é saber se o vinho está em condições de ser consumido, ou não, o que pode ser percebido pela cor e aroma. A menos que seja por pura curiosidade, e risco por sua conta, ninguém em sã consciência vai provar um vinho azedo.

Se tudo estiver como esperado, a fase de provar o vinho vai nos certificar se gostamos ou não do seu sabor e, para isto, o nosso pacote de fábrica é perfeito.

Entram em cena as diversas descrições propostas por críticos especializados, Sommeliers e Enólogos, todos em busca de seduzir o comprador para este ou aquele vinho.

Será que perceber, pelo menos uma, daquelas descrições típicas é realmente importante para quem vai beber o vinho?

Seguir o rito básico de cheirar, agitar, provar, vai mudar muito a nossa experiência ao saborear um vinho, icônico ou não?

Resumindo: podemos educar ou apurar o nosso paladar até atingir a capacidade de perceber todas as nuances descritas?

Sim, podemos, mas nem todos vão conseguir chegar lá. Cada um de nós vai desenvolver um conjunto de percepções diferentes, e o que pode ser muito bom para uns talvez não corresponda, desta maneira, para um outro grupo.

As descrições nos contrarrótulos nos ajudam a escolher um vinho que agrade ao nosso paladar, mas para tal precisamos saber o que significam “frutas vermelhas”, “notas florais”, etc…

A melhor maneira de aprender é por comparação, se possível com a ajuda de uma pessoa mais experiente que oriente uma degustação nestes moldes. Obviamente se alguém nunca comeu cereja, amora, framboesa ou morango, jamais vai poder identificar a família de aromas e sabores das “frutas vermelhas”.

Comecem por aí. Procurem descobrir o que são notas florais visitando uma loja de flores ou uma plantação delas. Os diversos tipos de frutas, vermelhas, brancas, amarelas, estão sempre disponíveis em feiras livres e mercados.

Especiarias, cravo, canela, noz mascada, pimentas diversas e as ervas como alecrim, funcho, manjericão, salsa, serão percebidas e identificadas facilmente em lojas dedicadas a este segmento (Bombay, Casas Pedro, etc) e também em algumas bancas dos mercados livres. Procurem pelas ervas frescas e pelas secas e notem as diferenças. Habituem-se a usar estes temperos em sua alimentação caseira, uma maneira simples e deliciosa de apurar o seu paladar.

Profissionais do vinho educam continuamente seu paladar, principalmente os que têm por objetivo obter algum certificado de excelência com o WSET, uma espécie de PhD do vinho.

A prova, muito difícil, envolve identificar às cegas, uma série de vinhos. Não basta identificá-los, simplesmente, é preciso escrever uma pequena análise sobre cada um. Não é para todos, um grande desafio, cujo principal resultado é a satisfação pessoal.

Para os simples mortais, basta saber que há aromas e sabores que nos seduzem.

Saúde e bons vinhos!

Vinho da Semana: um bom Cabernet para testarmos o nosso palato.

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Vermelho-rubi intenso.

No nariz, predominam aromas intensos de groselha, um aveludado chocolate e frutas vermelhas maduras.

Leve e potente, evidencia ótimos taninos integrados a delicadas notas de frutas.

Dois Concursos Importantes

Expovinis e seus “Top Ten” e o Decanter World Wine Awards (DWWA), divulgaram o resultado dos seus concursos anuais. Alguns vinhos brasileiros se destacaram, principalmente na prestigiada lista da revista inglesa.

Acompanhar estas relações de vinhos premiados faz parte de vida de enófilos mais apaixonados, embora às vezes seja enfadonho e frustrante. As listas podem ser enormes, cheias de prêmios que não se compreende bem e de vinhos que desaparecem do mercado num piscar de olhos.

O que se tira de bom é saber quem está produzindo o que e, a partir disto, buscar outras alternativas não só mais fáceis de serem adquiridas mas, com relações de custo x benefício mais favoráveis.

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A 20ª edição da mais importante feira de vinhos no Brasil aconteceu em S. Paulo entre os dias 14 a 16 de junho. Um dos pontos altos é a divulgação dos melhores vinhos, escolhidos por um painel de degustadores.

Eis o resultado em cada categoria:

Espumante brasileiro: Gran Legado Brut Champenoise – não safrado

Espumante importado: Hunters Miru Reserve (Nova Zelândia) – não safrado

Branco brasileiro: Don Guerino Sinais Sauvignon Blanc (não foi informada a safra)

Branco importado: Gomila Single Vineyard Selection Sauvignon Blanc (Eslovênia) (não foi informada a safra)

Rosado: Domaine D’Estienne Coteaux Varois en Provence 2015 (França)

Tinto brasileiro: Lidio Carraro Agnus Tannat (não foi informada a safra)

Tinto Novo Mundo: Ballena Azul Family Reserve (Chile) (não foi informada a safra e nem o corte)

Tinto Velho Mundo – Península Ibérica: Clos del Mas (Espanha) (não foi informada a safra)

Tinto Velho Mundo: Il Brecciolino (Itália) (não foi informada a safra) – Merlot, Petit Verdot, Sangiovese

Fortificados e Doces: Quinta do Sagrado Vintage 2011 (Portugal)

Uma lista interessante e equilibrada, com destaques para o vinho esloveno e o espumante neozelandês, pouco comuns por aqui. Vale a pena lembrar que para este concurso as amostras são submetidas pelos produtores ou importadores que participam da feira. Alguns dos vinhos premiados ainda não têm um distribuidor oficial no Brasil e outros ainda não estão à venda, o que torna a busca por estas garrafas uma verdadeira caça ao tesouro.

Decanter World Wine Awards

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Esta revista inglesa é uma das mais importantes do mundo, contando com opinião de especialistas muito renomados. O DWWA está na sua 12ª edição, sendo considerado como o maior e mais respeitado concurso de vinhos do planeta.

Anualmente são analisadas cerca de 15.000 amostras, enviadas diretamente por seus produtores, através de um elaborado sistema de logística.

O julgamento é dividido em setores (painéis) contando com a colaboração de centenas de profissionais do vinho, Sommeliers, Enólogos, Jornalistas, Gastrônomos, etc., que enfrentam uma verdadeira maratona de degustações.

As premiações estão divididas em: Melhores do Ano; Platina; Ouro; Prata; Bronze e Comenda. Uma extensa relação que pode ser pesquisada no site da revista (em inglês), neste link:

http://awards.decanter.com/DWWA/2016

Destaques

Vinte e três vinhos brasileiros foram premiados, mostrando que a nossa produção evolui positivamente. Três resultados foram particularmente importantes:

Casa Valduga Leopoldina Chardonnay 2015 – Platina

Casa Valduga Terroir Leopoldina Merlot 2012 – Platina

Vinícola Guaspari Vista do Chá Syrah 2012 – Ouro

Apenas 130 vinhos receberam a medalha de Platina, o que faz este resultado ser muito importante para a Casa Valduga, premiando anos de trabalho em busca de uma qualidade cada vez melhor. Merece o nosso aplauso.

Entre os trinta vinhos selecionados como os Melhores do Ano, estão alguns chilenos e argentinos, sempre presentes nas boas lojas de vinho:

Asda La Moneda Reserva Malbec 2015 (Chile) – 85% Malbec, 15% Syrah  

Cono Sur Single Vineyard Block 23 Rulos del Alto Riesling 2015 (Chile)

De Martino Colinas Del Itata Old Vine Field Blend 2014 (Chile) – 70% Moscatel, 30% Korinthiaki  

Errazuriz Sauvignon Blanc 2015 (Chile)

J. Bouchon Canto Sur 2015 (Chile) -50% Carmenère, 25% Carignan, 25% País

Miguel Torres Días de Verano Reserva Muscat 2015 (Chile)

Zuccardi Tito 2013 (Argentina) – 80% Malbec, 10% Cabernet Sauvignon, 10% Ancellotta

Bons vinhos, saúde!

Vinho da Semana: para completar o quarteto sul americano, um belo vinho do Uruguai que recebeu medalha de ouro para a safra 2014, que ainda não está à venda. Enquanto isto…

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Garzón Tannat 2013

Aromas de frutas vermelhas e negras maduras, notas de especiarias e toques defumados.

Médio corpo, com equilíbrio impressionante entre a riqueza de taninos, muito aveludados, e a potência dos sabores frutados.

Harmonização: pratos à base de aves com especiarias, guisados de média intensidade e queijos de leve maturação.

Sommelier, Escanção

Figura 1

Aprender sobre vinhos conhecendo a etimologia dos termos mais usados neste universo é uma das interessantes formas de se tornar um conhecedor respeitado. Sommelier ou Escanção significam a mesma coisa.

O termo francês é o mais usado em todo o mundo. Qualquer bom dicionário vai explicar o seu significado:

– Um profissional especializado, encarregado em conhecer os vinhos e de todos os assuntos relacionados ao serviço deste.

Na França medieval, os nobres encarregavam uma pessoa para cuidar dos bens que seriam transportados numa viagem. Esta pessoa era o Sommelier.

Este nome deriva de “somier” ou besta de carga. Quem a manejava seria o “sommerier” que tinha, além do animal, as cargas sob sua responsabilidade. A palavra evoluiu naturalmente para “soumelier” e o seu significado passou a designar a pessoa responsável pelo transporte dos suprimentos. Com o passar dos anos uma nova modificação aparece na língua francesa surgindo o termo atual, “sommelier”, como sendo a pessoa encarregada de um tipo específico de carga.

Durante muitos anos coexistiram diversos tipos de Sommelier, de vinhos, de armas, de pães, etc… Com o tempo, o título ficou restrito a quem cuidava das bebidas e ás vezes dos charutos, o que é aceito até hoje.

Em diversos países se emprega o termo francês, inclusive no Brasil. Em Portugal preferem usar Escanção, que tem outra origem.

Alguns autores afirmam que este termo deriva da palavra gótica “skankja” que significaria “copeiro”.

Outra corrente recorre ao Latim, sugerindo que Escanção deriva de Scancio, o personagem que escancionava (repartir, dividir) vinhos na Roma antiga.

Em Portugal, este mesmo termo é empregado para designar, também, um profissional especializado, encarregado em conhecer as linguiças e cuidar da compra, armazenamento e rotação de porcos.

Curiosamente algumas confrarias francesas empregam “Echanson” para indicar o encarregado de provar e servir as bebidas. Na idade média este cargo era entregue a um oficial da corte, de total confiança do Rei. Só ele poderia lhe servir o vinho, garantindo que não estaria envenenado.

A profissão de Sommelier ou Escanção mudou muito ao longo dos anos. Já não é mais o copeiro especializado em bebidas de antigamente, evoluindo para uma profissão reconhecida e com múltiplas funções no mundo moderno, incluindo a escolha dos vinhos a serem comprados, elaboração de cartas de vinhos e harmonizações.

Ainda hoje, nas terras lusitanas, se discute qual termo deveria ser empregado. Acho que o uso de Escanção demonstra que não só os vinhos portugueses têm personalidade forte e marcante, mas toda a cadeia gastronômica também. Adotar o galicismo seria um retrocesso.

Portugal é o único país do mundo que homenageia seus Escanções, com uma bela estátua na Vila de Nelas, no Dão, inspirada na figura do profissional Fernando Ferramentas, que na época trabalhava no Hotel Aviz, em Lisboa.

Figura 2

Precisa mais?

Saúde e bons vinhos!

Vinho da semana: para comemorar o Dia dos Namorados

 

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Nero d’Avola é a mais importante uva de vinho tinto na Sicília.

Seus vinhos são comparados aos Syrahs do novo mundo, com taninos doces e nuances de ameixa ou sabores apimentados na boca.

Harmoniza com carnes e massas com molho vermelho.

 

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