Autor: Tuty (Page 149 of 153)

O dilema proposto por Drummond

A coluna desta semana segue o mote da anterior e continua convidando para mais uma caminhada em busca da qualidade. Este encontro é quase previsível e inevitável. Alguém vai nos oferecer um vinho que vai nos encantar e, a partir deste episódio, aquele nosso caldinho do dia a dia se torna desinteressante, os vinhos dos amigos passam a ser criticados, até a nossa loja preferida fica sem opções interessantes. Neste momento, lembramo-nos do belo e intenso poema de Drummond: 
E agora, José? 
Agora, tal e qual uma antiga anedota, temos duas notícias: a boa e a não tão boa assim. A primeira é que o nosso paladar está mais apurado, subiu um ou mais degraus na escala dos bons vinhos; a outra é que vinhos de boa qualidade são caros, às vezes, muito caros. Mas valem cada centavo pago. 
Vinhos de alta gama não são para o todo dia, por isto mesmo, não devemos mudar nenhum padrão de consumo, por enquanto. Mas vale a pena observar que se compramos uma garrafa que custe mais 20 ou 30 reais, perceberemos uma grande diferença em relação ao que estamos acostumados a consumir. Se investirmos num produto numa faixa de preço acima de 100 reais, as diferenças serão brutais. 
Os grandes vinhos são produzidos em pequenas quantidades. As uvas que serão usadas na vinificação foram plantadas nas áreas mais nobres do vinhedo e, antes de entrar no processo produtivo, são selecionadas de forma manual. Contempla-se um baixo rendimento, o que significa uma produção de 3.000 a 4.000 litros por hectare plantado (100m x 100m). Um vinho comum é obtido a partir de rendimentos superiores a 100.000 litros por hectare. Na cantina, são empregados os melhores equipamentos e o amadurecimento é feito em barricas novas de carvalho. Tudo de alta qualidade. Os preços são formados a partir destes fatores, mas muitos produtores abusam. 
Para não detonar o nosso orçamento, uma estratégia que sempre funciona é a da substituição: troquem algumas garrafas que compraríamos para o todo o dia, por uma de maior preço. Outro caminho seguro, especialmente para a faixa superior de preço, é dividir o custo e o conteúdo, entre amigos. 
Mas o gostoso mesmo é o que chamamos de garimpar! Vamos atrás destas preciosidades, do nosso ouro líquido. Esqueçam os lugares óbvios: supermercados, delicatessen e assemelhados. Pode até existir algum vinho mais caro por lá. Mas, atenção: por não ser um produto que se encaixa no perfil do cliente típico destes comércios, o mais provável é que este vinho não esteja em boas condições. O lugar ideal, para começar, são as lojas especializadas e as importadoras. Outro ponto importante é ler as críticas, assunto já tratado numa coluna anterior. Procurem por vinhos que estão chegando ao nosso mercado, ou os chamados best buy (boas compras, promoções), vinhos que estão na hora de serem consumidos e que nos são oferecidos a muito bom preço. 
Para ajudar os leitores nestas pesquisas, apresentamos abaixo, uma relação de sites das principais importadoras de vinhos. Muitas oferecem um suntuoso catálogo, em geral após uma compra. Outras possuem lojas virtuais ou indicam locais de compra em diversas cidades. Na Internet, existe uma infinidade de sites de venda de vinhos, inclusive um clube de compras. 
Boa Sorte! 
Mistral – http://www.mistral.com.br/ (procure nas barganhas do mês e no Bon Marché) 
Vinci – http://www.vincivinhos.com.br/ 
Grand Cru – http://www.grandcru.com.br/ 
Expand – http://www.adegaexpand.com.br/ 
Bergut – http://bergut.shop.com.br 
Decanter – http://www.decanter.com.br/Vitrine/Home/Home.aspx 
Lidador – http://www.lidador.com.br/loja/ (uma das mais antigas do Brasil) 
Ana Import – http://www.anaimport.com.br/loja/ (ligada ao grupo musical Chiclete com Banana) 
Terramater – http://www.terramatter.com.br/atual/ (promete a loja para breve)
Casa Flora – http://www.casaflora.com.br/ (indica aonde comprar) 
Porto-a-Porto – http://www.portoaporto.com/2009/default/ (idem) 
Club du Tastevin – http://www.tastevin.com.br/site/index.php (só vinhos franceses) 

Dica da Semana – Para os leitores se aventurarem, um vinho caro, mas muito bom!

Alfa Crux Malbec 2006 
Produtor: O.Fournier / Argentina / Mendoza 
Uva: Malbec 
Um dos maiores e mais aclamados Malbecs de todo o mundo, tendo recebido a safra de 2006, 91 pontos da Wine Spectator, que destacou a grande presença de boca e fruta madura, deste belíssimo tinto que, brilha através do longo final. Apontado como um dos três melhores vinhos da Argentina pelo crítico inglês Tom Stevenson, é intenso e cheio de fruta, sendo bem mais elegante e fino que a grande maioria dos Malbecs elaborados no país. 
Wine Spectator – 91 pontos; Wine Enthusiast – 94 pontos; Robert Parker – 93 pontos; Wine & Spirits – 90 pontos

Saúde !

O vinho na Melhor Idade

A coluna desta semana não é sobre de bebedores de vinho idosos. Vamos falar de vinhos envelhecidos e por que um dia vocês vão querer experimentar um.
E o que há de tão especial nisto? Porque esta paixão por vinhos antigos? Como alguém pagou US$ 156,000.00 (cento e cinquenta e seis mil dólares) por uma garrafa de Chateau Lafite que teria pertencido a Thomas Jefferson? (mais tarde descobriu-se que era uma fraude…).
Pagar este preço por um vinho sem saber qual o real estado dele, só com muito dinheiro para gastar. Puro status ou esnobismo. Segundo fontes seguras, este comprador, anônimo, seria um grande colecionador e não um apreciador.
Para os demais mortais, enófilos de verdade, esta grande paixão se esconde atrás de um mistério. Vinhos envelhecem quase como seres humanos. Alguns ficam muito melhores enquanto outros se tornam ácidos e amargos. Como saber?
Alguns grandes vinhos levam muito tempo para serem postos no mercado. Um bom Pinot da Borgonha só vem ao mundo 15 anos após sua produção. Mesmo assim, não está pronto para o consumo. Há que se esperar mais alguns anos para atingir seu ponto de maturação exato, com taninos e acidez domados, aromas complexos e, de acordo com quem já passou por esta experiência, sabores inebriantes. Este momento talvez seja a grande coroação da vida de um amante do vinho, encontrar a tal garrafa, cuidar dela como se fosse um filho, e um dia desfrutar do seu conteúdo. Um sonho acalentado por muitos.
Vinhos longevos são caros, por definição. São produzidos como joias, em poucas quantidades, nem sempre são fáceis de encontrar. Se o leitor dispõe de recursos, poderá comprar uma destas preciosidades a partir de um leilão de vinhos. Por favor, nos convide para apreciar.
O outro caminho é investirmos num vinho novo e guardá-lo por 10, 15 ou 20 anos antes de desarrolhá-lo. Não é uma tarefa simples. O primeiro desafio é escolher o vinho. Algumas características são importantes: maior teor alcoólico; taninos adequados; acidez elevada e níveis de açúcares apropriados. Também são importantes a qualidade da rolha e a adega aonde será armazenado.
Algumas castas se prestam perfeitamente para esta função, notadamente a Nebbiolo, grande uva italiana que produz o não menos famoso Barolo. Outra italiana, que segue o mesmo caminho é a Sangiovese e seus clones, como a Grosso, a vinífera usada no Brunello de Montalcino. A já citada Pinot Noir e o trio Bordalês (Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc) são apostas certas – um bom Château é algo acima dos 10 anos.
O mesmo ainda não pode ser dito das tintas cultivadas no novo mundo, notadamente as do hemisfério sul: Malbec, Carménère, Tannat e Pinotage. Há uma barreira, teórica, que gira em torno de 10 anos. Estes vinhos são produzidos para o mercado imediato, não havendo uma preocupação em prepará-los para serem consumidos após uma hibernação. Há exceções, ótimas por sinal. Uma delas, de boa relação custo x benefício é o icônico Almaviva do Chile, tem uma estimativa de guarda de 12 anos.
A tabela (anos/tipos de vinhos) abaixo ajuda a decidir até onde podemos ir.
Anos
Vinho
1
Beaujolais Noveau
2
Brancos genéricos sul-americanos, vinho verde
3
Tintos e brancos genéricos europeus, tintos comuns sul-americanos,
espumantes brasileiros, rosados
5
brancos europeus e tintos 1ª linha sul-americanos
7
bons tintos europeus, champanhes não safrados,
alguns tintos sul-americanos excepcionais
10
grandes brancos europeus, champanhes milesimés (datados)
15
tintos europeus de alta qualidade – Bordeaux, Rioja, etc
25
Grandes tintos europeus (Bordeaux, Bourgone, Barolo, Brunelo, etc),
vinhos doces tipo Tokay, Sauternes
50 +
Fortificados, alguns poucos tintos e brancos europeus excepcionais
O que esperar com relação a aromas e sabores? Esqueçam tudo que vocês estão habituados: frutas maduras e potência. Os vinhos envelhecidos cheiram a couro, tabaco, amadeirados, especiarias, etc. São pouco tânicos, equilibrados. A madeira surge de forma mais integrada deixando a bebida rica em novos aromas, mais complexa. Mas apreciar estas sensações exige treino e paciência.
Uma proposta: compre 3 ou 4 garrafas de um bom caldo e deixe-as envelhecer por diversos períodos: 2, 5, 8 e 10 anos. Abra uma de cada vez e compare com o que bebeu antes. Só assim se aprende.

Dica da semana:algo bem diferente, um vinho Grego:

Kretikos Vin de Pays 2008 – Boutári
País: Grécia – Creta
Castas: 60% Kotsifali e 40% Mandilaria
Kretikos é a nova linha de vinhos de Boutári elaborados com uva de vinhedos plantados na ilha de Creta, produtora de vinhos há mais de 3.000 anos. Este tinto é um original corte das castas Kotsifali e Mandilaria. Leve e saboroso, deve ser servido levemente refrescado, como um Beaujolais, sendo uma ótima pedida para acompanhar massas, fritos e pratos mais picantes. 
Saúde!

Vencendo Preconceitos

Os leitores já estão imaginando que o escriba aqui enlouqueceu. Mas podem acreditar, bebedores de vinho são preconceituosos e alguns, supersticiosos. A propósito, há uma corrente entre os produtores de vinho, chamada biodinâmica, que está muito próxima disto.
Um dos preconceitos mais antigos é aquele que afirma: vinho é francês.
Em 24 de maio de 1976, na cidade de Paris, foi feita uma degustação, às cegas, comparando os mais famosos vinhos franceses com desconhecidos similares norte-americanos. Os nove juízes participantes eram de renome internacional. O resultado? As melhores notas foram dadas aos vinhos da Califórnia, brancos e tintos. Nunca mais os famosos vinhos da França seriam os mesmos, e o preconceito ou mito foi arrasado. Este episódio ficou conhecido como O Julgamento de Paris.
Outro alvo de atitudes preconceituosas são os vinhos brancos e os rosés. Há quem afirme, com muita segurança, que vinho branco não é vinho. Impressionante alguém acreditar nisto. Se encontrarem uma pessoa com estas ideias, fujam. Ela é uma fraude e não entende patavinas do assunto. Se há um vinho que se destaca e pode ser considerado como sofisticado e requintado, é o Champanhe. Não há nada igual no mundo da enologia. E o que é um Champanhe? Um vinho branco! E tem mais: alguns brancos tranquilos são únicos e chegam a ser mais famosos – e mais caros – do que os tintos.
O vinho rosé sofre do eterno preconceito de ser uma mistura de vinho branco com tinto. Há quem torça o nariz só de olhar para uma garrafa. E são sempre bonitas!
Alguns maus produtores vão obtê-lo a partir deste método (corte), mas os bons rosados são feitos a partir de uvas tintas de qualidade, diminuindo-se o tempo de contato das cascas durante a fase de maceração. A origem do problema está no seu esquecimento. Ninguém os produzia, sendo Portugal e França duas raras e boas exceções. Este vinho recentemente foi redescoberto e grandes vinícolas do novo mundo têm apresentado ótimos produtos. Querem se livrar de mais este preconceito? Experimentem! Bebe-se bem gelado, como um branco. Vão querer repetir!
A cisma da moda é com relação ao fechamento das garrafas, as famosas rolhas. Já existem as de material plástico, de vidro e até mesmo alguns métodos de fechamento bem curiosos como usar uma tampinha de refrigerante para selar espumantes. Mas a discussão toda gira em torno das tampas de rosca. Como podem imaginar, isto é para vinho barato. Digam isto para um produtor Neozelandês…
A origem desta implicância está na produção de cortiça, uma indústria 100% artesanal, dominada por Portugal que controla 50% da produção mundial. Por ser um produto de origem vegetal, com um ciclo longo de produção – cada Sobreiro produz uma camada que pode ser removida a cada 10 anos – é um dos segmentos mais vigiados com relação à proteção do meio ambiente o que apesar de louvável, implica em diminuição da produção e aumento de custos.
Para alguns produtores, notadamente Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, o custo da rolha tradicional se tornou proibitivo. Centros de pesquisas internacionais e universidades ligadas ao mundo do vinho começam a buscar alternativas e a tampa rosqueada, de alumínio, aparece como a melhor opção. E aí começou guerra. Argumentos são fortes em ambos os lados. Vamos resumi-los:
– evita que vinho fique bouchonée (com gosto de rolha);
– desaparecem os problemas com fungos e de oxidação por má vedação;
– dentro de certos parâmetros e apesar da perfeita vedação, o vinho pode envelhecer corretamente (é necessário alterar o processo de vinificação);
– perde-se o ritual de sacar a rolha, que tem o seu charme;
– se o processo de vinificação não for bem cuidado, podem aparecer aromas de sulfitos e outros indesejáveis, por falta da micro oxigenação, proporcionada pela rolha de cortiça.
Mas, está mudança é inevitável: dentro de 20 ou 30 anos a rosca será a regra. Só vinhos muito especiais ($$$) serão vedados com rolha.

A dica da semana é para detonar todo e qualquer preconceito:

Montes Cherub Rose – 2009
Produtor: Montes Alpha – Chile
Uva: Shiraz/Syrah
Muito fino e elegante, o Cherub é o primeiro rosado de altíssima qualidade na América do Sul e, por seu alto nível, estaria mais próximo da consagrada linha Montes Alpha. O Cherub não é elaborado a partir de sangria de vinhos tintos, mas de ótimas uvas Syrah especialmente cultivadas para sua produção. É elegante e classudo, com bastante frescor e um longo e complexo retrogosto. Tampa de rosca. RP – 88 pontos
Colaborou: Jose Paulo Gils
Saúde !

Ah! Os acessórios…


Muitos leitores, gentilmente, classificaram estas primeiras colunas como um cursinho. Esta é a de número 16 e, daqui a pouco, vamos ser obrigados a emitir um diploma para cada um. Num curso de verdade, as aulas seriam complementadas com degustações de acordo com o tema, coisa que a tecnologia atual do Boletim ainda não permite. A dica da semana, de certa forma, supre esta deficiência, mas nem sempre está relacionada com o assunto discutido.
Hoje vai ser diferente. Não importa o vinho que vamos indicar lá no final. O conteúdo da coluna vai servir.
Começamos pelo acessório mais importante: 
O Saca-Rolhas
Há de todo tipo, tamanho e preço. Entre os enófilos, já virou símbolo de status. Há verdadeiras joias à venda. Os bons saca-rolhas devem ser pequenos, leves e eficientes no que se propõem fazer. Parece óbvio não? As aparências enganam. Muitos tipos simplesmente destroem a rolha ou não oferecem um apoio ou braço de alavanca que minimize o esforço necessário.
Em nossa opinião, o campeão é o tipo usado pela maioria dos garçons e maitres. Preferencialmente um conhecido como duplo estágio ou Sommelier. É completo, incluindo uma pequena lâmina que vai ajudar no corte da cápsula ou lacre. Seu único defeito é ser algo comum, nada importante.
Para aqueles que desejam algo mais sofisticado, o céu é o limite. Vejam as imagens a seguir.

Pela ordem, o Screwpull, que abre uma garrafa com dois movimentos, o modelo a pilha e o de ar comprimido.

Este aqui do lado é um outro acessório importante, o abridor de lâminas paralelas, usado quando a rolha está em mau estado ou quebrou durante a primeira tentativa de extração. Exige algum treinamento para sua utilização correta, mas não é nenhum bicho de sete cabeças. 
Decantadores, aeradores e outros complementos 
Este é outro departamento em que há de tudo. Se valer um conselho, optem pelos mais baratos. A seguir alguns exemplos:
Quatro estilos de decantadores bem diferentes, mas que cumprem sua função. São frágeis, por isto mesmo recomendamos os mais simples. Quebrando, o prejuízo é menor.
Os aeradores estão na moda. São pequenos aparelhos que realizam, dinamicamente, o mesmo trabalho dos decantadores. Práticos e baratos. Abaixo alguns exemplos:
Pela ordem temos o Soirée, o Vinturi e o Wine Finer, muito anunciado por aqui.
Para aquela ocasião que uma garrafa não foi consumida integralmente, existe uma tampa à vácuo. A marca mais conhecida é Vacuvin. Este é um investimento que se paga rapidamente. Uma garrafa selada desta forma dura 4 a 5 dias.
Outros complementos úteis são um termômetro para vinhos e um corta pingos, em geral um disco metálico que é enrolado e introduzido no gargalo. Brinde muito comum em eventos de degustação.
Tá tudo aí?
 
Então vamos à dica da semana:
Dolcetto Monferrato Villa Jolanda 2008
Produtor: Santero / Piemonte – Itália
Uva: Dolcetto
Graduação Alcoólica: 12%
Um Dolcetto macio e cheio de fruta elaborado com competência por Santero. Combina boa acidez e fruta madura em um conjunto bastante equilibrado, ideal para acompanhar massas, pizzas e carnes.

Organizando uma Confraria


Junte os amigos, arraste os móveis, aumente o volume que a festa vai começar!

Mesmo com a ajuda do Google, não consegui descobrir quem usava este bordão. Acho que era de um show de rádio há muito tempo atrás.
Parafraseando o fabuloso Chacrinha – “tudo se copia” – não seremos nem um pouco originais adaptando o refrão aí em cima para explicar o que vai acontecer na coluna de hoje:
Junte os amigos, arrume a mesa e vamos beber um bom vinho.
Uma confraria é exatamente isto. Uma reunião para degustar as nossas descobertas, sem muitas regras, mas com algumas obrigações importantes. A primeira, e a mais importante de todas, é que a confraria, uma vez formada, se reúna regularmente e, a cada encontro, antes que todos tenham começado a provar as delícias do dia, deve-se agendar logo a próxima reunião. Caso contrário, a coisa desanda e fica sem graça.
Não pensem que, apesar de ser uma boa ideia, é fácil manter uma regularidade e o interesse dos confrades. Temos que ser criativos. Vamos examinar alguns pontos para que a empreitada tenha sucesso.
1 – O número de participantes é de suma importância e definirá o número de garrafas que serão apresentadas. Tecnicamente, 1 garrafa atenderia até 4 pessoas, servindo 2 taças de cerca de 100 ml. Numa prova de vinho, diminuindo sensivelmente a quantidade servida, é possível esticar até 8 ou 9 pessoas. Mas vamos apenas provar o vinho em vez de degustar. Procurem equilibrar o que cada um deve trazer. Tenham em mente que se a confraria crescer muito haverá outras implicações como necessidade de maior espaço, mais taças, etc.;
2 – Criar temas ou desafios para as reuniões é um caminho interessante. Eis algumas sugestões:
– escolham vinhos de determinadas regiões para serem comparados;
– fixem um limite de preço por garrafa e desafiem para saber quem fez a melhor compra;
– harmonizem comidas com vinhos de determinados país.
Enfim, as possibilidades são ilimitadas, o que não impede de se fazer a reunião em torno de um jogo de futebol, vôlei, basquete, corrida de moto ou F 1. O importante é tomar o vinho.
3 – o assunto $$ é sempre delicado e deve ser tratado abertamente. Dois caminhos funcionam muito bem: dividir a despesa, principalmente a do vinho; ou, a cada reunião, um confrade paga a conta;
4 – uma variação muito interessante é encarregar a um dos confrades uma pesquisa sobre o que vai ser bebido e, se for o caso, servido num jantar. Podem surgir histórias muito bacanas que vão gerar animados papos.
5 – ousem! 
– façam degustações às cegas: escondam os rótulos que serão bebidos e tentem descobrir o que é; 
– tentem uma degustação vertical: o mesmo vinho em diferentes safras; 
– ou façam uma horizontal:mesma uva, mesma safra, diferentes produtores;
Algumas confrarias, como a que frequentam três colunistas do Boletim, são simples e diretas, reunindo-se 1 vez por mês, em geral num restaurante, com a desculpa de comemorar os aniversários, mesmo que não haja nenhum… As únicas regras são: tragam a sua garrafa e dividam a despesa do aniversariante. Casualmente tem sido feitas algumas degustações às cegas, o que se provou ser muito divertido e difícil de acertar.
Outra confraria, da qual este escriba tem acesso, é bem mais sofisticada. As reuniões são mensais, sempre na casa de um confrade, que oferece o jantar e os vinhos. Há um limite mínimo no preço da bebida – neste caso específico US$ 100.00 – e cada encontro é temático e harmonizado. O anfitrião deve fazer uma breve exposição sobre que selecionou (ficha do vinho) e a respectiva harmonização.
Por fim, façam disto um prazer e não uma obrigação. Algo que todos desejam que aconteça novamente. Um bom nome para a confraria é um fator aglutinante. 

Dica da Semana:

Chapel Red 2009
Produtor: Robertson Winery / África do Sul
Uva: Merlot
Graduação Alcoólica: 14%
Saboroso tinto sul-africano de excelente relação qualidade/preço. Mostra cativantes aromas herbáceos e de frutas maduras. No palato é macio e envolvente, com ótimo equilíbrio.
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